"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



segunda-feira, 28 de junho de 2010

A POLÔNIA SUCUMBE DIANTE DE DOIS INIMIGOS

.

Os poloneses foram um dos povos que mais sofreram com a 2ª Guerra Mundial. Ali a guerra terminou em 1945, mas o final do conflito não significou a libertação do país, como ocorreu em boa parte da Europa.  Na noite de 16 para 17 de setembro de 1939, tornou-se claro que a Polônia não tinha só um inimigo, mas dois. Desde 1º de setembro − o dia em que começou a guerra −, a Polônia estava conseguindo se defender de forma corajosa, ainda que sem sucesso, contra  o poderoso Exército alemão.

Tropas alemãs invadem a Polônia em 1939

Até aquela noite, no entanto, não se sabia que a Alemanha e a União Soviética − na verdade, ferrenhas inimigas ideológicas − haviam se aliado num protocolo secreto anexado ao Pacto de Não-Agressão. Segundo este protocolo, Hitler e Stalin pretendiam dividir a Polônia. Naquela noite, o Exército Vermelho cruzou a fronteira oriental polonesa para assegurar sua parte do butim. Iniciava-se um dos mais terríveis episódios de uma história cheia de desgraças.

Em 1945, a Polônia era um país desmantelado. A fronteira ocidental havia sido empurrada 500 quilômetros para o oeste, de acordo com acertos feitos em novembro de 1943 pelo soviético Joseph Stalin com o então primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, e o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, em Teerã.

Milhões de poloneses que moravam no leste do país foram transferidos para territórios antigamente de domínio alemão. Varsóvia ficou despovoada e em ruínas. Sob o ponto de vista de sua população total, a Polônia foi, entre as nações atingidas, a que mais sofreu perdas humanas.


"Esteira rolante de cadáveres"

Seis milhões de poloneses morreram no conflito, dos quais mais de 95% civis. Durante seis anos, a Polônia pareceu um "matadouro mecanizado, cuja esteira rolante transportava constantemente os cadáveres de seres humanos assassinados", como disse certa vez o escritor polonês e Nobel de Literatura Czeslaw Milosz.  Situavam-se na Polônia ocupada os principais campos de concentração − Auschwitz, Treblinka, Sobibor, Belzec, Chelmno e Maidanek. Apenas 10% dos 3,3 milhões de judeus poloneses conseguiram se salvar.

Um fato que a perspectiva alemã às vezes deixa de considerar é que não foram apenas os judeus a ser sacrificados pela fúria destruidora dos alemães. Conforme os objetivos de guerra dos nazistas, a Polônia deveria desaparecer como nação. Por isso, a partir de 1939 foi iniciada uma verdadeira caça aos que manifestassem uma ideologia nacionalista polonesa.

Intelectuais, religiosos e nobres foram transportados aos milhares para campos de concentração, ou executados imediatamente. A meta era "germanizar" os territórios poloneses e transformar a população em mão-de-obra escrava.


Luta militar contra alemães e política contra os soviéticos

A resistência era combatida de forma cruel pelos ocupadores nazistas. Para cada alemão morto, eram executados cem reféns poloneses. Com o ataque de Hitler à União Soviética, em 1941, ficou claro para a resistência polonesa que a única forma de serem libertados do terror nazista seria a vitória de Stalin.

Mas o que esta "libertação" significaria revelou-se o mais tardar com o descobrimento das valas comuns de Katyn, perto de Smolensk, em 1943. Ali Stalin havia mandado executar mais de quatro mil oficiais poloneses que haviam caído nas mãos do Exército Vermelho em 1939.

Cadáveres de oficiais poloneses massacrados pelos soviéticos na floresta de Katyn

A resistência polonesa decidiu-se por duas frentes: contra os alemães travariam uma luta militar e, contra a União Soviética, uma política. Em 1944, quando o Exército Vermelho começou a se aproximar do país pelo leste, os poloneses queriam se apresentar a eles como senhores do próprio país.

Planejaram então que, poucas horas antes da chegada dos soviéticos, Varsóvia pegaria em armas para expulsar os alemães. A 1º de agosto de 1944, a resistência polonesa começou os combates contra os nazistas, mas foi deixada na mão pelos soviéticos, pois Stalin recusou-se a ajudar. As tropas soviéticas foram freadas por Moscou do outro lado das margens do Rio Vístula − às portas de Varsóvia − e assistiram a 63 dias de encarniçados combates, com um saldo de 200 mil poloneses mortos.


Duplo trauma nacional

Os alemães sufocaram o levante e expulsaram os sobreviventes da cidade, que estava completamente em ruínas. Hitler determinou até mesmo a implosão do que havia restado de pé, consagrando Varsóvia como a capital mais destruída na 2ª Guerra Mundial.

Até hoje, o levante de Varsóvia não é apenas um trauma nacional, mas também um duplo símbolo da resistência polonesa − contra o terror nazista e contra a opressão soviética. Todos os anos, a 1º de agosto, milhares de habitantes da capital polonesa se reúnem para comemorar a insurreição. Festividades públicas foram repudiadas oficialmente ainda nos anos 80.


Durante o levante de Varsóvia, um obus alemão explode contra um prédio da cidade.  Varsóvia terminou arrasada.


1945 foi o ano da libertação do terror alemão. O aniversário desta data é lembrado de forma correspondente pelos poloneses. Mas ninguém esquece que a Polônia não ficou livre em 1945. O regime comunista instalado por Moscou apenas fez com que o terror nazista fosse substituído pelo stalinista.

Muitos poloneses, como mais tarde o ministro das Relações Exteriores Vladislav Bartoszewski, foram prisioneiros tanto de Hitler como depois também de Stalin. Muitos poloneses afirmam hoje que, para a Polônia, a 2ª Guerra Mundial não acabou em 1945, e sim com o final da Guerra Fria, em algum momento ao longo dos anos 80.

.

Um comentário:

  1. Os poloneses foram mortos pelos inimigos (Alemães) e mortos pelos amigos (Soviéticos) e Abandonado pelos aliados ( França e Inglaterra)

    ResponderExcluir