"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 29 de março de 2019

OS UNIFORMES DO EXÉRCITO DE PEDRO, O GRANDE

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O Exército russo reformado por Pedro I no início do século XVIII tornou-se um dos mais fortes do mundo. Entre as forças armadas da Europa, não só se destacava pela resistência e formação dos soldados, como também como pela farda original e prática.

Por Aleksandr Verchínin


Pedro I, o Grande, vestiu o seu Exército seguindo um modelo específico. Os dois regimentos pessoais de infantaria – Preobrajenski e Semenovski – surgiram inicialmente como formações para os jogos de guerra do tsar. Com o passar do tempo, ganharam o estatuto de unidades militares plenas, com armas e uniformes.

Os soldados de Preobrajenski vestiam caftans verdes, jaquetas vermelhas, calças na altura do joelho, meias brancas e sapatos que podiam ser substituídos por botas de cano alto. O chapéu de feltro também era verde. Já o casaco do uniforme dos soldados do regimento de Semenovski tinha outra cor: o caftan era de tecido azul.

Uniforme de oficial do Regimento Semenovski 


Em 1720, o padrão para ambos os regimentos passou a ser o uniforme verde-escuro. Apenas alguns elementos – como o colarinho e os punhos – se diferenciavam, sendo vermelhos no regimento de Preobrajenski, e azul claro no de Semenovski.

O corte da vestimenta militar escolhida por Pedro I como modelo não se distinguia particularmente do difundido na Europa na época. Ao vestir os seus guardas ao estilo europeu, o czar quis vestir todo o novo Exército russo com as mesmas cores. Mas isso acabou se tornando um problema.

A indústria têxtil russa não conseguia produzir a quantidade necessária de determinadas cores. Durante todo o reinado de Pedro, as tropas mantiveram uma séria discrepância nos uniformes. Os soldados podiam usar uniformes de qualquer cor que estivesse mais à mão. Não era raro ver regimentos inteiros vestidos com tecido cinzento de produção familiar camponesa.


Símbolo da resistência

O exército de Pedro I, vestido e armado às pressas, acabou enfrentando um dos inimigos mais fortes da Europa naquela época – a Suécia. Em 1700, o rei sueco havia derrotado o antigo Exército russo em Narva, e apenas os guardas de Pedro I mostraram resistência na batalha.

Granadeiro do Regimento Preobrajenski em 1700


Os guardas de Preobrajenski e Semenovski rechaçaram todos os ataques suecos, apesar das grandes perdas sofridas. Para assinalar o valor dos regimentos da sua guarda, Pedro I acrescentou distintivos ao uniforme: emblemas com a data “1700”, em forma de meia-lua e feitos de prata ou ouro, dependendo da graduação do oficial.

Assim, os regimentos de Preobrajenski e Semenovski tinham os únicos soldados do Exército russo que usavam meias vermelhas e não brancas, como prova de sua bravura por terem resistido de pé em Narva.

Cada regimento do Exército russo tinha um grupo de granadeiros composto pelos soldados mais valentes e fortes. Embora tivessem a tarefa de apenas lançar granadas – daí a palavra “granadeiro” –, acabaram assumindo as mesmas funções dos soldados comuns. Só as especificidades dos seus uniformes foram mantidas.

A característica mais distintiva era o chapéu especial em forma de cúpula e sem abas, pois elas atrapalhavam no lançamento das granadas. Na parte frontal do chapéu era colocada uma placa com o brasão russo gravado – a águia bicéfala.


Bigode e lenço

Por decisão de Pedro I, todos os soldados usavam bigode e cabelo cortado acima dos ombros. O “lenço”, uma imensa faixa de fios entrelaçados que se lançava sobre os ombros e era fixada na cintura, era característica marcante do uniforme. Na qualidade de adorno, essa faixa podia ser tecida com fios de ouro ou prata.

Às vezes, esse lenço era mais resistente do que uma corda. Em 1799, durante a Batalha da Ponte do Diabo, nas montanhas da Suíça, pedaços de madeira amarrados uns aos outros com os lenços dos oficiais foram usados pelos russos como ponte.

Oficial e soldado do exército de Pedro I. Os bigodes eram obrigatórios


A cor verde do uniforme militar determinada por Pedro I se manteve por mais de um século. Nessa época, a cavalaria vestia uniformes azuis, e a artilharia, vermelhos.


O conforto vence

O caftan foi gradualmente se transformando até que, em meados do século, adquiriu contornos parecidos com os do atual fraque, com abas em vez de cauda. A jaqueta foi encurtada, e o chapéu armado de três pontas passou para bicorne.

Com o tempo, também foi introduzida uma farda especial para os generais. Nesses casos, a vestimenta foi ficando cada vez mais rica, destacando-se pelos bordados de prata ou ouro nas laterais, na gola e nos punhos.

Soldados do exército Potemkin


Durante o reinado de Catarina II, o uniforme militar russo foi parcialmente alterado por iniciativa do favorito da imperatriz, o kniaz (príncipe) Grigôri Potemkin. Os soldados ganharam um confortável casaco mais curto e sobretudo de tecido grosso. Essa farda foi disseminada pelo Exército e ganhou popularidade devido à sua praticidade.

Fonte: Gazeta Russa


segunda-feira, 25 de março de 2019

PORTUGAL CLASSIFICA AS LINHAS DE TORRES VEDRAS COMO MONUMENTO NACIONAL

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O Presidente da República promulgou o decreto que classifica Linhas de Torres Vedras como Monumento Nacional. O local recebe por ano cerca de 10 mil visitantes.

Adaptado do texto de Atur Rocha


O Presidente da República de Portugal promulgou, na última quinta-feira (21/3), o decreto que classifica como Monumento Nacional os fortes e estradas militares construídos há mais de 200 anos para defender Lisboa das invasões francesas, que integram as chamadas Linhas de Torres Vedras.

De acordo com o site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa “assinou o decreto do Governo que classifica como Monumento Nacional o conjunto das primeiras e segundas Linhas de Defesa a Norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular”. O decreto tinha sido aprovado no Conselho de Ministros da semana anterior.

Para o Governo, “a classificação deste conjunto de obras militares reforça um longo processo de preservação física da memória material e imaterial deste sistema defensivo, reconhecendo, entre outros critérios, o gênio do respetivo criador e o interesse como testemunho notável de vivências ou fatos históricos”.


“A aprovação peca por tardia, mas os municípios veem com muita satisfação esta classificação, porque é uma mais-valia para a salvaguarda deste patrimônio tão importante para o país e para o promovermos enquanto produto turístico”, disse à agência Lusa o presidente da Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres, José Alberto Quintino.


A classificação como Monumento Nacional foi proposta há um ano ao Governo pela Direção-Geral do Patrimônio Cultural (DGPC).

A candidatura integrou 128 estruturas militares, como fortes e estradas militares, das primeira e segunda linhas defensivas, mas só 114 foram classificados, tendo 14 ficado de fora por se encontrarem degradados ou destruídos. Além da classificação como patrimônio nacional, vai ser criada uma zona especial de proteção em volta de cada uma das estruturas.

Há oito anos que a Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres, que integra as câmaras de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, pedia a sua inclusão no inventário do patrimônio nacional.

As Linhas de Torres Vedras foram construídas sob a orientação do general inglês Wellington, comandante das tropas luso-britânicas no período das invasões francesas, para defender Lisboa das forças napoleônicas entre 1807 e 1814, durante a Guerra Peninsular.

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar em visita às Linhas de Torres Vedras em 2018

Em 2010, ano em que se comemoraram os 200 anos da construção das linhas defensivas, foram inauguradas obras de recuperação a que foram sujeitas e centros de interpretação, um investimento estimado em cerca de seis milhões de euros.

Em 2014, a empreitada de desmatamento, recuperação e reabilitação dos fortes venceu o prêmio Europa Nostra, na categoria “Conservação”.  Nesse ano, a Assembleia da República instituiu o dia 20 de outubro como o Dia Nacional das Linhas de Torres. 

As Linhas de Torres recebem por ano cerca de 10 mil visitantes, inclusive o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar, que esteve por lá em 2018, conhecendo os excelentes projetos de conservação e exploração turística desenvolvidos.

Parabéns ao Governo Português e à Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres pela iniciativa.

Fonte: Agência Lusa


domingo, 24 de março de 2019

MORRE RAFAEL EITAN, O AGENTE ISRAELENSE QUE CAPTUROU ADOLF EICHMANN

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Rafi Eitan comandou operação que conseguiu levar a julgamento um dos principais organizadores do Holocausto. Nos anos 1980, ele também foi pivô de uma crise diplomática entre os EUA e Israel. 


O ex-agente secreto israelense Rafi Eitan, que comandou a operação de captura do nazista Adolf Eichmann, um dos principais responsáveis por organizar o genocídio de milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, morreu no sábado (23/03) aos 92 anos em Israel, anunciou a rádio pública do país.  De acordo com o anúncio, ele faleceu no hospital Ichilov, em Tel Aviv.

"Rafi era um dos heróis dos serviços de inteligência do Estado de Israel, com múltiplas ações a favor da segurança de Israel", informou um comunicado do primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu. "Lamentamos sua morte".

"Rafi, que era um dos fundadores do braço de operações do Shin Bet (a Agência de Segurança de Israel), conduziu e participou de pelo menos dez operações históricas que continuarão sendo secretas por muitos anos", afirmou em um comunicado Nadav Argaman, chefe do Shin Bet.  Eitan era "um combatente nato que se entregava à missão e àquilo que considerava como justo", afirmou o presidente israelense, Reuven Rivlin, também em comunicado.

Eitan nasceu em um kibutz na Palestina governada pelos britânicos em novembro de 1926. Ele foi apelidado por colegas de "Rafi, o fedorento", depois de cair em um esgoto durante uma operação militar antes da criação de Israel em 1948.

Após servir na organização paramilitar Haganah, precursora das Forças de Defesa de Israel, ele ingressou no Mossad – o serviço secreto israelense –  nos anos 1950. Ele subiu na carreira até se tornar o chefe de operações da agência, comandando a operação que capturou Eichmann em Buenos Aires, Argentina, em 1960, e o posterior transporte do fugitivo alemão para Israel. Após chegar o país, o organizador do Holocausto foi julgado e depois enforcado no ano seguinte.

O nazista Adolf Eichmann sendo julgado por crimes de guerra em Israel

O sucesso da operação foi celebrado em Israel. Mas em 2017, quando o Mossad liberou os arquivos sobre a caçada fracassada ao médico nazista Josef Mengele, que realizou experimentos em prisioneiros no campo de extermínio de Auschwitz, Eitan admitiu que perdeu pelo menos duas chances de capturá-lo. "Ao mesmo tempo em que capturamos Eichmann, Mengele estava morando em Buenos Aires. Encontramos o apartamento dele e o mantivemos sob observação", contou Eitan em uma entrevista.

Segundo o ex-agente, o chefe do Mossad à época, Issar Harel, também desejava a captura de Mengele, mas ele se posicionou contra o plano. "Eu não queria realizar duas operações ao mesmo tempo porque já tínhamos uma operação bem-sucedida  e, na minha experiência, se você tentar realizar outra, você as coloca em risco", disse.

Eitan também contou que esperou até que Eichmann fosse levado para Israel para agir contra Mengele, mas a essa altura o médico, conhecido pelos prisioneiros como o "Anjo da Morte", já havia escapado. Mengele nunca foi capturado. Ele morreu no Brasil em 1979.

Nos anos 1980, Eitan também foi o pivô de uma crise diplomática entre Israel e os Estados Unidos, um dos principais aliados do estado judeu, quando os americanos descobriram que ele era o agente encarregado de lidar com Jonathan Pollard, um analista da Marinha dos EUA que foi recrutado como agente duplo pelos israelenses.

Entre maio de 1984 e sua prisão em novembro de 1985, Pollard repassou milhares de documentos secretos do governo americano para os israelenses. Após ser capturado, ele passou 30 anos em uma prisão americana. Foi solto em 2015. Após o episódio, o FBI também chegou a emitir um mandado de prisão contra Eitan, que nunca foi cumprido.

Em 2006, aos 79 anos, Eitan foi eleito para o Parlamento e também foi ministro do governo - função que cumpriu até 2009. Recentemente, ele também foi um dos personagens entrevistados no documentário Por Dentro do Mossad, da Netflix.

Fonte: DW


quarta-feira, 20 de março de 2019

LANÇAMENTO DO LIVRO "BRUXAS DA NOITE" NO RIO DE JANEIRO

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Depois de uma grande expectativa, ocorrerá, no próximo dia 27, o esperado lançamento de BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL no Rio de Janeiro, o primeiro evento de alguns já programados.

A obra, escrita por Carlos e Ana Daróz, estuda a participação da mulher na guerra, e aborda, particularmente, a fantástica e inédita experiência das corajosas jovens aviadoras soviéticas na luta contra o Nazismo, que deixou seu legado até os dias de hoje.

É a guerra, no feminino!

Compareça e garanta já o seu exemplar.


Ficha Técnica

“Bruxas da Noite: as aviadoras soviéticas na Segunda Guerra Mundial”

Autores: Carlos e Ana Daróz
Editora: Somos Editora
ISBN: 978-85-8922-618-6
Gênero: História Militar
Ano: 2018
232 páginas

Preço: R$ 50,00



Apoio: Força Aérea Brasileira - Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica


sexta-feira, 15 de março de 2019

A OFENSIVA ALIADA EM EL ALAMEIN

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No dia 26 de maio de 1942, começou no Norte da África a grande ofensiva dos Aliados contra as tropas da aliança teuto-italiana.

Por Doris Bulau


El Alamein é uma estrada costeira que vai de Alexandria à Líbia. Foi nessa região que as divisões de tanques dos Aliados começaram um ataque decisivo às forças do eixo teuto-italiano em maio de 1942. Era o começo do fim da campanha alemã na África, iniciada em janeiro de 1941 na Líbia, após o fracasso italiano na região.


África estava fora dos planos de Hitler

Na primavera de 1941, Adolf Hitler preparava um ataque à União Soviética. A região do Mar Mediterrâneo e a África estavam completamente fora de seus planos políticos, militares ou estratégicos.

Com seu único aliado na Europa, a Itália de Benito Mussolini, ele havia acertado o seguinte: o território ao norte dos Alpes era área de influência dos alemães; os italianos eram responsáveis pelo sul da Europa. "Mas, vendo a Itália cada vez mais acuada no Norte da África, a Alemanha assumiu o controle das operações, a fim de ajudar Mussolini", explica o historiador Eberhard Jäckel.

Arrogante, a Itália de Mussolini entrou numa situação complicada por culpa própria. Primeiramente, atacou a Somália britânica a partir da Abissínia (hoje Etiópia). Das suas posições na Líbia, invadiu o Egito, onde os ingleses também tinham fortes interesses, e ainda atacou a Grécia. "Daí teve de pedir auxílio a Hitler", diz Jäckel.




Comando a cargo da "Raposa do Deserto"

Em consequência, o Norte da África tornou-se palco da guerra desencadeada pela Alemanha nazista. A campanha recebeu o nome de Girassol. Um oficial altamente condecorado na Primeira Guerra Mundial, Erwin Rommel, foi encarregado de manter a capital da Líbia, Trípoli, em poder dos italianos.

Seu filho, Manfred Rommel, lembra que o pai "queria vencer a guerra". "Inicialmente, ele tinha apenas a missão de defender Trípoli. Esse era também o objetivo do comando da Wehrmacht. Mais tarde, acreditou que, com um reforço das tropas alemãs na África, seria possível alcançar o Canal de Suez e controlar toda a região do Mediterrâneo", conta.

Seu plano consistia num eventual ataque ao Egito, seguido da conquista do Canal de Suez. Depois, o Afrikakorps avançaria rumo ao Oriente Médio e à Pérsia. Alimentada com o abundante petróleo dessa região, a máquina de guerra alemã avançaria e se juntaria às tropas na frente russa e, posteriormente, marcharia em direção à Índia, para encontrar-se com os japoneses e destruir assim de vez o Império Britânico.

Considerado um gênio da guerra blindada, Rommel apostou na astúcia para provocar os ingleses com as suas tropas modestas. No verão de 1941, as divisões alemãs e italianas chegaram ao Egito. Promovido a marechal de campo, Rommel queria transformar o conflito numa guerra pessoal. Apelidado de "Raposa do Deserto", era admirado tanto pelos seus soldados quanto pelos inimigos. Para os árabes, ele era o "libertador" que os salvaria do domínio inglês, instaurado na região a partir de 1917.

Artilharia do 8° Exército britânico disparando contra posições alemãs em El Alamein


Falta de apoio ao Afrikakorps

Hitler, entretanto, mais preocupado com a guerra na Europa, não deu o apoio necessário ao Afrikakorps. O 8º Exército britânico, comandado por Sir Bernard Montgomery, estava muito mais bem equipado do que as tropas teuto-italianas. Enquanto Rommel e seu desfalcado exército preparavam-se para atacar Alexandria, os ingleses os surpreenderam em El Alamein, no Egito, numa batalha que se tornaria decisiva.

Ao receber do comando-geral dos nazistas a ordem de resistir até o último homem, Rommel passou de crítico a adversário de Hitler. Negou-se a sacrificar o Afrikakorps e ordenou a retirada total da África do Norte. Sucedeu-se uma fuga caótica das tropas teuto-italianas rumo à Tunísia.

A operação consumou-se em maio de 1943, quando os norte-americanos desembarcaram na região e forçaram a rendição incondicional do Afrikakorps. Cerca de 250 mil soldados alemães e italianos foram aprisionados.

Erwin Rommel deixou o Norte da África derrotado, mas de cabeça erguida. A 14 de outubro de 1944, suicidou-se, ingerindo veneno. Ele não tinha outra escolha. Se não tivesse se suicidado, teria sido condenado à morte por alta traição pela Justiça nazista, em virtude da sua ligação com o grupo que executara um atentado a bomba contra o quartel-general de Hitler meses antes, a 20 de julho de 1944.

Fonte: DW


domingo, 10 de março de 2019

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE CELEBRAÇÃO DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER COM AS BRUXAS DA NOITE NA ESCOLA PREPARATÓRIA DE CADETES DO EXÉRCITO

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Comemorando o Dia Internacional da Mulher, estivemos na EsPCEx contando a história das BRUXAS DA NOITE e das mulheres guerreiras ao longo da História.

Em uma memorável jornada, tivemos uma oportunidade única para divulgar para as alunas, professoras e servidoras da Escola o papel exercido pelas jovens e corajosas aviadoras na defesa de sua Pátria.


Também foi momento de lançar o livro na belíssima cidade de Campinas. E, claro, muitas mulheres puderam garantir seu exemplar.


Parabéns para todas as mulheres, especialmente nossas leitoras, pelo seu dia.

A seguir, algumas imagens do evento.


















BRUXAS DA NOITE. A guerra, no feminino!
Reserve já o seu exemplar. Saiba como clicando aqui.



Crédito das fotos: QG Imagens e SCS EsPCEx


sábado, 9 de março de 2019

COMO AS MULHERES SOVIÉTICAS QUE DIRIGIAM TANQUES TOCARAM TERROR NOS NAZISTAS

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Das mais de 800 mil soviéticas que lutaram na Segunda Guerra Mundial, poucas assumiram a direção de tanques. Mas, apesar da desconfiança e falta de respeito dos companheiros do sexo masculino, essas mulheres obtiveram conquistas expressivas.
Uma homenagem do Blog Carlos Daróz-História Militar ao Dia Internacional da Mulher.



Por Boris Egorov

Não era um trabalho fácil dirigir um tanque durante a Segunda Guerra Mundial. Ao contrário dos modelos modernos, os tanques daqueles dias exigiam grande esforço físico e alta concentração dos motoristas. Isso não era fácil para homens; por isso, a ideia de colocar mulheres como motoristas de tanques parecia totalmente absurda.

No entanto, superando preconceitos e todos os obstáculos em seu caminho (literalmente), algumas mulheres soviéticas conseguiram o direito de lutar em equipes de tanques no campo de batalha. Além disso, muitas delas foram agraciadas com o prêmio de Herói da União Soviética e outras condecorações importantes. 


Doce vingança

Quando seu marido foi morto em ação no início da Grande Guerra Patriótica (período de participação russa na Segunda Guerra), a telefonista Maria Oktiabrskaia decidiu que deveria se juntar ao Exército e vingar sua morte. Mas, na seção de recrutamento, seu pedido foi negado: Maria, com 36 anos, era “velha e tinha problemas de saúde”.

Ainda assim, Oktiabrskaia não estava disposta a recuar. Ela vendeu todas as suas posses para doar para a construção de um tanque T-34 e até mesmo escreveu pessoalmente a Stálin pedindo ao líder soviético que lhe desse a oportunidade de lutar no tanque que ajudou a construir. Para surpresa de todos, Stalin aprovou o pedido. 

Maria Oktiabrskaia na torre de seu T-34 "Namorada decidida"

Em outubro de 1943, após um programa de treinamento de cinco meses, Maria se juntou ao Exército Soviético como motorista de tanque a bordo de um veículo nomeado “Namorada Decidida”, tornando-se a primeira mulher soviética no processo.

Oktiabrskaia recebeu o controle do tanque de comando que nunca tinha participado de combate, mas recusou categoricamente. Entre seus sucessos e mortes, estiveram várias metralhadoras, uma arma de artilharia, e mais de 70 soldados inimigos. “Eu estou golpeando os bastardos. Eles me fazem ver vermelho”, escreveu para sua irmã. No entanto, a carreira de combate de Maria logo chegou ao fim. Em 18 de janeiro de 1944, foi ferida por um estilhaço e morreu meses depois no hospital. 


De Stalingrado a Kiev

Durante toda a sua vida, Ekaterina Petliuk havia sonhado em se tornar piloto e voar pelos céus afora. Mas, quando a guerra eclodiu, decidiu ser motorista de tanque. “Em um tanque, eu perseguirei os alemães fora da Ucrânia bem mais rápido”, dizia. O tanque leve T-60 “Maliutka” (Pequenino), de Petliuk, produzido com as doações de crianças da cidade siberiana de Omsk, tornou-se famoso mais tarde.

Ekaterina Petliuk não só entregou munição e buscou feridos do campo de batalha, mas também envolveu-se em combate real. Também conseguiu destruir muitas fortificações, soldados e carros blindados nas batalhas por Stalingrado e Ucrânia.

Ekaterina Peliuk

Certa vez, Ekaterina salvou a vida de vários oficiais que transportava em seu tanque. Durante a noite, ela notou um campo minado e parou o veículo a três metros das minas. Muitos anos depois, o capitão Lepetchin relembrou: “Quando me disseram que o tanque seria dirigido por uma mulher, fiquei com medo. Eu pensei que, talvez, seria melhor ir andando... Mas como ela conseguiu sentir o campo minado?”.

Questionada sobre isso, Ekaterina jamais conseguiu dar uma resposta adequada.


“Não há caminho de volta para nós!”

A oficial de ligação Aleksandra Samusenko não apenas comandava um tanque T-34, mas era a única subcomandante mulher do batalhão de tanques. Alexandra tinha 19 anos quando a guerra começou. Por vários anos, participou de confrontos em diferentes frentes de batalha, foi ferida três vezes e teve que abandonar duas vezes seu tanque em chamas.

Aleksandra Samusenko diante de seu T-34

Durante a Batalha de Kursk, seu veículo enfrentou três tanques Tiger. Apesar de sua velocidade e manobrabilidade, o T-34 não era páreo para os modelos alemães. A tripulação começou a entrar em pânico. No entanto, Aleksandra acalmou-os com a voz categórica e sangue frio, dizendo: “Não há caminho de volta para nós!”. O primeiro Tiger foi tirado de jogo imediatamente. O confronto com os outros dois durou horas, mas o tanque soviético saiu com sucesso do campo de batalha.

A capitão Aleksandra Samusenko não sobreviveu à guerra

Aleksandra, porém, nunca viu o fim da guerra. Ela foi morta em ação no noroeste da Polônia, a apenas 70 quilômetros de Berlim.

Fonte: Russia Beyond


terça-feira, 5 de março de 2019

A OUTRA FACE DA GUERRA

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Apesar de os homens geralmente liderarem as guerras, na cultura e na história de muitos povos a imagem dos conflitos tem uma aparência feminina. Na Rússia, ela se cristalizou na face triste da Pátria-mãe. Fato é que as mulheres russas tiveram grande participação nos principais conflitos mundiais e foram capazes de dominar grande exércitos.

Por Aleksandr Korolkov


As referências sobre a primeira mulher-soldado russa datam do século XVII. Foi exatamente nessa época, durante a guerra dos camponeses, em 1670 e 1671, que a “Joana D’Arc russa”, Alena Arzamaskaia, comandou por mais de dois meses um destacamento com mais de 2 mil rebeldes que refugiaram-se na fortaleza de Temnikov (atual Mordóvia). Após a tomada da fortaleza, Arzamaskaia foi torturada e queimada como criminosa e herege, acusada de bruxaria. Johann Frisch, viajante e naturalista alemão, seu contemporâneo, compara-a com uma  amazona que “superava os homens com a sua coragem incomum. Quando seu destacamento foi derrotado, ela continuou a resistir persistentemente, matando mais sete ou oito”.

Apesar da aparência e comportamento valente de algumas das mulheres que estavam à frente da Rússia no século XVIII, as grandes conquistas militares que o Império Russo realizou na época eram uma empreitada predominantemente masculina. No entanto, a Guerra Patriótica de 1812, também conhecida como a Campanha Russa de Napoleão, foi a primeira guerra que resultou na condecoração de mulheres. Por decreto de 8 de fevereiro de 1816, as medalhas “Em memória da Guerra Patriótica de 1812” foram concedidas às viúvas dos generais e dos oficiais mortos em combates, bem como às mulheres que trabalharam nos hospitais e cuidaram dos feridos. Ao todo, foram distribuídas 7.606 medalhas para as mulheres na ocasião.

Foi também na guerra de 1812 que a primeira mulher acabou sendo aceita para o quadro regular do Exército. Com 23 anos, Nadejda Durova, que entrou para a história como “A donzela da cavalaria”, serviu sob o nome de Aleksandra Aleksandrova, com permissão pessoal do imperador. Durova obteve destaque em uma das batalhas decisivas, em Borodinó, na qual sofreu uma lesão grave.

Nadeja Dorova serviu com os hussardos nas Guerras Napoleônicas


Rimma Mikhailovna Ivanova, cem anos depois de Durova, tornou-se a segunda mulher na história a integrar as fileiras do Exército russo. Ela foi arregimentada com um nome masculino para trabalhar no posto de enfermeiro do regimento. Mesmo quando tudo foi revelado, ela continuou a servir usando o seu próprio nome. Em 9 de setembro de 1915, quando os dois oficiais do regimento morreram durante um combate, ela incitou o grupo ao ataque e lançou-se sobre as trincheiras inimigas, tendo sido mortalmente ferida por uma bala explosiva no quadril. Ela tinha acabado de completar 21 anos. Por meio de um decreto de Nicolai II, em caráter de exceção, a heroína recebeu, postumamente, a condecoração de mais alto grau – naquela época, a Ordem Militar de São George de 4º nível.

Enquanto que durante a primeira Guerra Mundial se tem conhecimento  de uma única mulher nas fileiras do Exército regular, são milhares os casos de mulheres que se juntaram às Forças Armadas ao longo da Segunda Guerra Mundial, quando a escala da tragédia foi muito maior. Membros da resistência (partizanki), operadoras de conexões, batedoras, enfermeiras: quase uma centena foi condecorada com o título de “Herói da União Soviética”.

Durante a 2ª Guerra Mundial as mulheres-snipers eliminaram mais de 11 mil alemães


As mulheres também combateram na linha de frente. A famosa “sniper” Liudmila Pavlichenko aniquilou 309 soldados e oficiais inimigos durante confrontos. Pavlichenko  foi dispensada das Forças Armadas devido a ferimentos quando tinha apenas 25 anos de idade. No total, as chamadas mulheres-snipers dizimaram mais 11.280 oficiais e soldados nazistas.


Também no céu

Logo após o início da Segunda Guerra Mundial, Marina Mikhailovna Raskova que, na época, já era uma aviadora famosa, dirigiu-se pessoalmente ao Comitê Central do Partido Comunista da URSS (bolchevique), solicitando a permissão para constituir um regimento feminino de aviação. O pedido foi deferido, mas foram tantas interessadas que ficou decidido criar, ao invés de um, 3 regimentos femininos de uma só vez.

As aviadoras do 586º Regimento de Caças da Força Aérea participaram da defesa de Moscou, nas batalhas de Stalingrado e de Kursk, tendo realizado cerca de 9 mil missões e abatido 38 aviões inimigos.

Após o 586º  Regimento de Caças, entraram em operação de combate o 588º e o 587º Regimento de Bombardeiros. Nas batalhas aéreas, as mulheres-pilotos de bombardeiros  mostraram uma habilidade digna de admiração. Em 2 de junho de 1943, quando 9 bombardeiros aéreas atingiram o povoado de Kievskaiya, em Kuban, as aviadoras receberam o inimigo com fogo concentrado do armamento a bordo. Durante esse combate, elas abateram 4 caças e, sem nenhuma baixa, voltaram para o seu campo de pouso.

Aviadoras do 586º Regimento de Caças


O mais impressionante é que as tradições das mulheres-aviadoras sobrevivem até hoje. Recentemente foi criado o primeiro esquadrão feminino de helicópteros na história da Rússia, que recebeu o nome do pássaro tropical “Colibri”. A presença de mulheres no Exército russo tornou-se um fenômeno corriqueiro; com o tempo, as representantes do “sexo frágil” conquistaram nas mais pesadas provações da história russa o direito de usar as insígnias militares e cumprir o seu dever no mesmo patamar que os homens. Atualmente, cerca de 50 mil mulheres, ao todo, servem nas Forças Armadas da Federação Russa.

Fonte: Gazeta Russa