"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 18 de julho de 2009

DIVULGAÇÃO - SEMINÁRIO DE GEOPOLÍTICA GEN MEIRA MATTOS



Ocorrerá, entre 21 e 23 de julho, , o I Seminário de Geopolítica e Estratégia General Carlos de Meira Mattos.

O evento será realizado no no Auditório Senna Madureira do Clube MilitarClube Militar, na Av. Rio Branco 251 - 7º Andar, Centro, Rio de Janeiro-RJ.


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quinta-feira, 16 de julho de 2009

HISTÓRIAS DA FEB - CHICO PARAÍBA

Com o objetivo de homenagear a Força Expedicionária Brasileira, o BLOG História Militar inicia hoje a publicação de uma série de crônicas que destacam a participação do soldado brasileiro na 2a Guerra Mundial. A primeira, foi contada ao Senhor Irapuan Costa Junior pelo General Hugo de Abreu, que era Capitão e superior imediato do Ithamar na FEB e foi publicado no jornal Diário da Manhã, de Goiânia, no dia 10 de julho de 2009.


Esta crônica chegou ao nosso BLOG por intermédio de nosso colaborador Túllio Mendonça, a quem agradecemos.


CHICO PARAÍBA


-Tenente Ithamar! A Polícia do Exército americana veio aqui e prendeu o Chico Paraíba. Dizem que vai ser julgado pela corte marcial. Quem falava era o sargento Arlindo, encarregado do alojamento de uma companhia do 11º Regimento de Infantaria da FEB-Força Expedicionária Brasileira.

Estavam próximos à cordilheira dos Apeninos e era o inverno italiano, no começo de 1945. O Tenente Ithamar, com seu grupo de reconhecimento, estava chegando de uma missão noturna junto às linhas alemãs. Não tinham havido baixas, felizmente. Mas nem por isso o humor do tenente era dos melhores. Para a perigosa missão, em terreno desconhecido, e à noite, só contava com um guia italiano, em quem, aliás, não confiara muito, desde o início. Soldados em combate desenvolvem um sexto sentido, e o seu não falhara. O italiano era um covarde, que os abandonara na escuridão de uma encosta, em meio a restos de neve, quando uma sentinela alemã, percebendo os ruídos do grupo, rolara uma granada morro abaixo; que felizmente não explodira muito perto. Escafedera-se o carcamano, e os brasileiros não mais haveriam de ouvir falar nele. Também pudera... Se o encontrassem depois daquilo, iriam moê-lo de pancada, no mínimo.

O tenente, quando pensava nele, praguejava entre dentes. Sem orientação, tivera que arriscar uma retirada que só era segura morro abaixo. No sopé, sem direção, poderia cair numa trincheira inimiga e seria um desastre. O jeito fora esperar o inicio da manhã e se guiar, mal e mal, pela bússola. Foi o que fez, e conseguiram retornar, embora os alemães, como todos os combatentes veteranos, tendo desenvolvido uma visão mais acurada, os tivessem percebido, e disparado algumas rajadas de metralhadora quando se deslocavam. Mas nessa altura já estavam fora de alcance.

Era, pois, um tenente Ithamar tenso, sujo, com frio, fome e cansaço quem recebia a má notícia.
- O que o Chico fez para ser preso?

- Disse que estava cansado dessa ração americana e queria fazer uma sopa. Deu um tiro de fuzil numa galinha e fez a sopa. O italiano dono da galinha foi no quartel dos americanos e deu queixa. Eles vieram aqui e levaram o Chico. Tentei discutir com eles, mas não adiantou. Disseram que é crime e está previsto nos regulamentos.

- Mas também está nos regulamentos que quem julga nossos soldados somos nós mesmos. Você não disse isso a eles?

-Sim, disse, mas não quiseram ouvir. Eu não sabia o que fazer, eram muitos. Achei melhor esperar o Sr. chegar.

-Você, Arlindo, que fala inglês, venha comigo. Chame o Gaúcho, e pegue o jipe.

-Vamos só nós?

-Não é preciso mais ninguém.

- Vamos desarmados?

-Não, armamento completo.

No trajeto, Ithamar, também paraibano, ia pensando no seu subordinado e conterrâneo. Chico era um cidadão muito popular na tropa. Sem muita instrução, era, contudo um ás na música nordestina, cantor, tocador de sanfona, dançarino, contador de causos e piadas. Seu sotaque carregado ajudava. Desinibido e folgazão. Sei que conhecem o tipo. Faz sucesso também em política. Chico era, além disso, bom soldado. Fazia-se respeitar no momento do combate.

-Arlindo, por que você não impediu o Chico de fazer essa besteira? Perguntou Ithamar.

-Quando vi, já tinha feito. Disse a ele que ia ter problema, mas ele disse que estávamos numa guerra de matar homens, e que problema ia ter matar uma galinha?

-Bem próprio da simplicidade do Chico, pensou Ithamar, quando já estavam chegando no quartel americano.

- Arlindo, quero que você traduza exatamente o que eu disser, seja lá o que for. Entendido?

- Entendido, meu tenente.

O sentinela americano relutou em levar até o oficial de dia aquele tenente com o fardamento sujo e seus dois acompanhantes, mas não podia fazer diferente. Foram recebidos por um capitão americano com quase dois metros de altura, bem fardado, saudável, acompanhado de quatro outros ianques, que os olhou com certo enfado.

- Diga a ele que lamento aqui comparecer sem estar devidamente fardado, mas que acabo de chegar de missão recebida do comando conjunto e não tive tempo de me trocar.

Arlindo traduziu, e o capitão mudou um pouco sua postura, ao notar o olhar cansado do tenente.

- Ele pergunta em que pode ajudar, meu tenente.
- Venho buscar um soldado meu comandado, indevidamente preso pela Polícia do Exército americana que, segundo ela, cometeu transgressão disciplinar, e a parte correspondente, para que possamos julgá-lo e puni-lo, se for o caso, em corte brasileira, como manda o regulamento.

- Ele diz que o soldado preso já tem processo em andamento, e pode ser julgado pelos americanos, pois o chefe do comando conjunto é americano. Assim, não pode entregá-lo. -traduziu Arlindo a resposta.

- Diga a ele que não sairemos daqui sem meu soldado, pois não aceito a interpretação dele e sou inteiramente responsável por cada um dos meus.

O americano ouviu, esboçou um sorriso, olhou para os outros americanos e perguntou, logo traduzido por Arlindo:
- Só vocês três? E como vocês pensam em levá-lo?
- Arlindo, traduza exatamente, repetiu Ithamar: - Eu não disse que iremos levá-lo. Disse que não sairemos daqui sem ele. Isso significa que, se preciso for, combateremos para levá-lo, embora sejamos minoria e provavelmente morramos aqui.

O americano ouvia com espanto crescente a tradução. Já se preparava para o pior, quando olhou bem no fundo dos olhos do atarracado tenente brasileiro. O que viu lá não foi do seu agrado. Também não foi o que não viu. Não viu medo. Não viu raiva nem hesitação. Viu uma calma determinação que não deixava margem a dúvidas. Viu que a afirmação que ouvira com espanto era a pura expressão da verdade. Prova é que o tenente estava aferrado à sua Thompson, e por certo faria um estrago antes de morrer, se um tiroteio começasse ali. E ele estava diretamente na frente, enquadrado na linha de tiro. Ou então – quem sabe? – sentiu admiração por aquele tenente exaustoque, como ele, lutava longe de casa pela liberdade e não abandonava um dos seus nas mãos de estrangeiros, ainda que aliados.

O silêncio era gritante. Dizia muitas coisas. Mas não durou muito, embora parecesse não acabar mais. Um minuto? Menos. O americano virou-se para um subordinado:

- Busque aquele caipira e entregue a eles!

Ninguém falou mais nada. Nem quando Chico Paraíba, risonho, sem saber da tragédia que quase tinha provocado, entrou na sala. Ithamar fez a continência de praxe, voltou-se e saiu, com seus soldados e um Chico já tagarelando de alegria. Ouviu o americano falar algo para seus companheiros. Mas nem perguntou a Arlindo o que era. Já não interessava mais. Se tivesse pedido a tradução, seria: "Esses brasileiros são loucos. Morreram às dúzias para tomar o Monte Castelo. Verdadeiros suicidas."

Irapuan Costa Junior


(Esta crônica é uma homenagem a Ithamar Viana da Silva, que recebeu várias condecorações por bravura na Itália. Na volta da guerra, fez o curso de engenheiro no IME- Instituto Militar de Engenharia. Reformou-se como coronel, casou-se com uma goiana e constituiu família. Foi professor universitário em Brasília e ocupou, com dedicação e honestidade exemplares, vários cargos públicos em Goiás. Faleceu em 1999).


Fonte: Jornal DIÁRIO DA MANHÃ, de Goiânia

quarta-feira, 15 de julho de 2009

IMAGENS DO DIA - 15/07/2009

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Fotos do primeiro lote de carros de combate M-4 Sherman recebidos pelo Exército Brasileiro durante exercício em Gericinó na década de 1950.

As imagens coloridas foram publicadas pela Revista LIFE e recentemente disponibilizadas na internet.

As imagens falam por si mesmas ....






Fonte: Revista LIFE

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MORRE ROBERT MACNAMARA, SECRETÁRIO DE DEFESA DURANTE A GUERRA DO VIETNÃ

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McNamara, um dos arquitetos da estratégia americana no conflito, morreu em sua casa, em Washington.


Robert McNamara, secretário de Defesa dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã e a crise dos mísseis em Cuba (1962), morreu, nesta segunda-feira (6 de julho), aos 93 anos de idade. McNamara ocupou o cargo de secretário de Defesa dos EUA durante os governos de John F. Kennedy e Lyndon B. Jonhson. Em 1968, ele deixou a pasta e assumiu a Presidência do Banco Mundial.

De acordo com sua mulher, Diana, McNamara já sofria de problemas de saúde há algum tempo e morreu na manhã desta segunda-feira enquanto dormia em sua casa, em Washington.

Antes de assumir a chefia do Departamento de Defesa, em 1961, McNamara foi presidente da montadora de automóveis Ford. Ele ficou conhecido como um dos principais arquitetos da estratégia americana na guerra do Vietnã entre os anos de 1961 e 1968. Para muitos ativistas antiguerra, McNamara se tornou um símbolo das políticas que levaram à morte de mais de 58 mil soldados americanos durante o conflito no país asiático.

Em seu livro de memórias, In Retrospect: The Tragedies and Lessons of Vietnam, publicado em 1995, McNamara, no entanto, afirmou se arrepender de seu papel durante o conflito. No livro, o ex-secretário de Defesa descreveu a guerra como “terrivelmente errada” e afirmou que as falhas durante o conflito aconteceram devido a uma combinação do clima anticomunista do período e de uma compreensão errônea a respeito de política internacional e estratégia militar.

Em 1967, McNamara criticou a decisão de bombardear o Vietnã do Norte em retaliação a ataques contra bases americanas no sul. No ano seguinte, foi retirado do cargo pelo presidente Lyndon Johnson, que ofereceu a McNamara a Presidência do Banco Mundial.


Fonte: BBC/ Estadão


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DIVULGAÇÃO - II SEMINÁRIO DE ESTUDOS DA UNIVERSIDADE DA FORÇA AÉREA


Divulgamos a programação do II Seminário de Estudos: Poder Aeroespacial e Assuntos Estratégicos da UNIFA, relativa aos assuntos de História Militar:


21 de Julho de 2009 – TERÇA-FEIRA


09:00 às 10:00 horas - Cerimônia de aberturaLocal: Auditório Ricardo Kirk

Reitor/Comandante da UNIFA – Brig Ar Robinson Velloso Filho

Palestra de abertura: Prof. Eurico de Lima Figueiredo – Presidenteda Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED)


10:15 às 11:45 Sessão Temática: Primórdios da Aviação Militar no Brasil

Coordenador: Prof. Paulo Leira Parente (UNIRIO)

LOCAL:Auditório Ricardo Kirk


Cláudio Passos Calaza (UNIFA)

O emprego da aviação militar na Guerra do Contestado


Dion de Assis Távora (UNIFA)

O emprego da aviação militar na Revolução de 1932


Carlos Roberto Carvalho Daróz (IGHMB - UNIRIO)

Aviação de Caça e Pesca? Aviação militar federal durante a Revolução Paulista de 1932


Mauro Vicente Sales (UNIFA)

O vôo turbulento da aviação militar brasileira: a década de 1910


Fabrício Jesus Teixeira Neves (UFF)

Os militares e a industrialização do Brasil (1930-1945)



Cada uma das apresentação terá a duração aproximada de 15 minutos, após as quais serão realizado os debates.

A UNIFA localiza-se na Av. Marechal Fontenelle, 1200, Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro-RJ

segunda-feira, 13 de julho de 2009

IMAGEM DO DIA - 13/07/2009

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Durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937, tropas Republicanas travam combate de rua utilizando cavalos mortos como proteção.


 

SEMINÁRIO DA UNIFA


 
 
 

O NAVIO CONSTRUÍDO COM O AÇO DO WORLD TRADE CENTER


Para conhecimento e reflexão.

É de um grande povo que se forja uma grande nação.
Não é com "flexibilidade ética", nem com falta de memória histórica ou com falta de senso cívico.


O navio feito com aço do World Trade Center

USS New York (LPD-21)






Foi construído com 24 toneladas de fragmentos de aço do World Trade Center.

Este é o 5º numa nova classe de navios de guerra, projetados para missões que incluem operações especiais contra terroristas. Carregará uma tripulação de 360 marinheiros e 700 fuzileiros navais, combatentes prontos para sair e atuar através de helicópteros e embarcações de ataque.

O aço do World Trade Center foi derretido numa fundição em Amite, Los Angeles para moldar a parte curva do navio. Quando o aço derretido foi derramado nos moldes em 9 de setembro de 2003, "aqueles trabalhadores grandes e rústicos do aço trataram aquilo com total reverência", recordou o capitão da Marinha, Kevin Wensing, que estava lá. 'Foi um momento espiritual para todos lá.'


Junior Chavers, o gerente de operações da fundição, disse que assim que o aço do Trade Center chegou, ele o tocou com sua mão e "o cabelo da minha nuca se arrepiou". "Aquilo tinha um grande significado para todos nós" ele disse. " Eles nos golpearam. Eles não podem nos manter por baixo. Nós vamos voltar."



O lema do navio?
“Nunca Esqueceremos!”

RETORNO ÀS ATIVIDADES

Por motivos técnicos, permanecemos off-line por algum tempo. Retomamos, a partir de hoje, as atividades do site.