"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 20 de julho de 2018

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL JOAQUIM DE OLIVEIRA ÁLVARES



* Ilha da Madeira, Portugal -19/11/1776

+ Paris, França - ??/??/1835


Nascido na Ilha da Madeira, Portugal, Joaquim de Oliveira Álvares foi um dos  primeiros generais do Exército Brasileiro, formado logo após a independência do Brasil, e o primeiro Ministro da Guerra do novo imperador D. Pedro I.

Completou seus estudos preparatórios na Inglaterra, depois frequentou a Universidade de Coimbra, onde formou-se em matemática e filosofia, e de lá saiu para alistar-se na marinha.

Após combates com a esquadra francesa de Napoleão Bonaparte, foi feito prisioneiro, mas conseguiu escapar, alistando-se, então, no exército. Transferido em 1804 para o Brasil, como capitão de artilharia da Legião de Voluntários de São Paulo. Em 1807, promovido a major comandante desta legião, foi transferido para o Rio Grande do Sul, onde ascendeu ao posto de tenente-coronel em 1810.

Participou das campanhas de 1811 e 1812, sendo promovido a coronel e depois a brigadeiro, em 1814.  Comandou as forças de cavalaria, que na Guerra contra Artigas, venceram as tropas inimigas na Batalha de Carumbé, derrotando a José Antonio Berdún, e participando depois da Batalha de Catalão.

Acabada a guerra, adoentado, mudou-se para Santa Catarina, em 1820, e depois para o Rio de Janeiro. Em 7 de janeiro de 1822 foi promovido a marechal. No Rio de Janeiro foi membro do 'Clube Conspirado', o qual também frequentavam Joaquim da Rocha Nóbrega, Francisco Maria Gordilho Veloso de Barbuda, apoiando D. Pedro I na Independência do Brasil.


Ofício de Joaquim de Oliveira Álvares à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil, 1823 



Em 11 de janeiro de 1821, dois dias após o Dia do Fico, comandou as tropas locais que resistiam às tropas portuguesas do general Avilez, que queriam que D. Pedro I cumprisse o decreto de D. João VI e retornasse à Europa, para aprimorar sua educação. Logo em seguida foi nomeado ministro da Guerra, cargo que exerceu entre 16 de janeiro de 1821 a 27 de julho de 1822, tendo deixado o ministério por motivo de doença. Retornou ao ministério, entre 24 de julho de 1828 e 4 de agosto de 1829, tendo negociado um tratado de paz com a Argentina. 


Em fevereiro de 1829 uma revolta em Pernambuco foi prontamente sufocada, entretanto, por exageros no relatório do presidente da província, tanto o Ministro da Guerra, quanto o da Justiça, tomaram ações excessivas contra a pretensa rebelião. Álvares criou um tribunal militar para julgar os envolvidos, ação pela qual foi depois acusado de não respeitar a Constituição, que não permitia tribunais excepcionais e extraordinários, e, após extensos debates, foi depois inocentado.


Foi eleito deputado provincial pelo Rio Grande do Sul, na segunda legislatura. Em 1830 partiu para Londres para receber uma herança que lhe tinha recebido de seu irmão, que lá era negociante. Da herança gastou 80 mil libras na compra de títulos brasileiros, valorizando os títulos em Londres. Também avisou o governo brasileiro que poderia atrasar o seu pagamento de dividendos, caso necessário, que não tomaria nenhuma ação a respeito.


Adoentado na Europa, mudou-se para Paris, onde faleceu em 1835, sendo sepultado no Cemitério do Père-Lachaise.


Recebeu a comenda da Imperial Ordem de Avis, e depois foi nomeado oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, em 1825 e grã-cruz da recém criada Imperial Ordem da Rosa, em 1829.




Fontes:

- DARÓZ, Carlos Roberto.  A milícia em armas: o soldado brasileiro da guerra de independência. Anais do XXXVII Congresso Internacional de História Militar, Rio de Janeiro, 2011. 
- SILVA, Alfredo P.M. Os Generais do Exército Brasileiro, 1822 a 1889. Rio de Janeiro: M. Orosco & Co, 1906, vol. 1.

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sexta-feira, 13 de julho de 2018

UNIFORMES - EXÉRCITO IMPERIAL JAPONÊS NA REVOLTA DOS BOXERS

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Exército Imperial japonês

Tenente com uniforme de combate
Rebelião dos Boxers (1900)


O assassinato do embaixador alemão na China e o subsequente cerco dos Boxers ao bairro das legações estrangeiras em Pequim fizeram com que as potências ocidentais (Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Rússia e Estados Unidos) e o Japão enviassem tropas para intervir na situação, resgatar as missões diplomáticas, proteger os missionários ocidentais e punir os Boxers. O Exército Japonês usaria a ocasião para mostrar o resultado de suas mais recentes reformas militares.

Uma pequena força expedicionária aliada montada apressadamente sob o comando britânico contando com cerca de 2.000 soldados, incluindo aproximadamente 300 japoneses, marchou de Tianjin para Pequim no início de junho.  Em 12 desse mesmo mês, as forças armadas mistas de Boxer e Qing interromperam esse avanço, destruindo uma ponte a 30 milhas da capital. Os aliados, em número muito inferior, sofreram mais de 300 baixas.

Ciente do agravamento da situação, o estado-maior em Tóquio esboçou planos ambiciosos de contingência, mas o gabinete, com lembranças recentes e amargas da Intervenção Tripartite, recusou-se a mobilizar forças de grande porte, a menos que fossem solicitadas pelas potências ocidentais. 

Três dias depois, o estado-maior enviou uma força provisória de 1.300 homens ao norte da China, comandada pelo major-general Fukushima Yasumasa, diretor do 2º Departamento de Inteligência, escolhido porque seu inglês fluente lhe permitiria se comunicar com o comandante britânico. O destacamento de Fukushima desembarcou em 5 de julho perto de Tianjin.

O Exército Imperial japonês enviou o maior contingente para sufocar a rebelião.



quinta-feira, 12 de julho de 2018

LIVRO CONTA A HISTÓRIA DA MUDANÇA DE SEDE DA ESCOLA DE AERONÁUTICA PARA PIRASSUNUNGA

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Na manhã do dia 25 fevereiro de 1964, um Fairchild C-82 Packet, matrícula 2200, decolou do Campo dos Afonsos com destino a Pirassununga. A aeronave levava o primeiro grupo de 67 cadetes para o início da instrução de voo na aeronave NA T-6 Texan, no Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica. Viagens para instruções ou representações fora da sede eram atividades comuns para aqueles cadetes, mas aquela viagem tinha um significado especial na história da formação dos oficiais da Força Aérea Brasileira. Pela primeira vez, a tão anunciada transferência da Escola do Campo dos Afonsos começava a ser cumprida. Tal fato distinguiria de forma indelével aquela turma de cadetes das demais, até então integralmente formadas no “Lendário Berço da Aviação”.

Aeronaves NA T-6 na AFA

Lançado no dia 3 de julho, durante a V Olimpíada de História Militar e Aeronáutica da Academia da Força Aérea, o livro intitulado 1964: Precursores da Academia da Força Aérea, o novo Ninho das Águias, de autoria de Claudio Passos Calaza e Hermelindo Lopes Filho, conta, com detalhes, toda uma história até então desconhecida pelas novas gerações.  Mediante intensas pesquisas e sob o viés da memória da turma de aspirantes aviadores de 1964, os autores resgataram o intrincado processo de mudança de sede da Escola de Aeronáutica, do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, para a cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo. A obra constitui, sem dúvida, uma inestimável contribuição para a história da FAB e de sua principal escola de formação.

Os autores Hermelindo Lopes Filho e Claudio Passos Calaza durante o lançamento da obra


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ANVFEB COMEMORA MAIS UM ANIVERSÁRIO

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quarta-feira, 11 de julho de 2018

46º DE BOMBARDEIO NOTURNO DE GUARDAS: O ÚNICO REGIMENTO DE AVIAÇÃO INTEGRALMENTE FEMININO

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O 46º Regimento de Bombardeio Noturno de Guardas foi o único regimento criado a partir do 122º Grupo de Aviação que permaneceu integralmente feminino durante toda a guerra. O primeiro slogan da unidade era "Você é uma mulher, e você deve se orgulhar disso."

O regimento chegou a receber ofertas para ter homens em seu efetivo, mas as garotas recusaram. Em março de 1944, o marechal Konstantin Rokossovsky, comandante da 2ª Frente Bielorrussa, e o general Konstantin Vershinin, comandante do 4º Exército Aéreo, visitaram o regimento. Rokossovsky comentou com Vershinin que provavelmente era difícil para as mulheres fazerem tudo sozinhas, e sugeriu enviar-lhes alguns homens para ajudar com o trabalho pesado. As mulheres protestaram com veemência: "Nós não precisamos de ajudantes, estamos gerenciando bem por conta própria!"

O marechal Konstantin Rokossovsky, comandante da 2ª Frente Bielorrussa, ofereceu ajuda masculina. 
As mulheres recusaram de imediato.

Na realidade estavam mesmo fazendo o seu trabalho muito bem e, nessa altura da guerra, o regimento já havia recebido a designação honorífica de unidade de Guardas.


Você pode conhecer essa e outras histórias reservando já o seu exemplar de

BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


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terça-feira, 10 de julho de 2018

ACADEMIA DA FORÇA AÉREA HOMENAGEIA CENTENÁRIO DA ROYAL AIR FORCE

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Durante a V Olimpíada de História Militar e Aeronáutica, a Academia da Força Aérea (AFA) homenageou o centenário de criação da primeira força aérea independente do mundo.


A solenidade de abertura da V Olimpíada de História Militar e Aeronáutica da AFA foi marcada pela homenagem à Royal Air Force (RAF) pelos 100 anos de sua criação. Acontecimentos nos últimos anos da Grande Guerra (1914-1918) precipitaram o reconhecimento da importância do poder aéreo. A experiência no conflito e a visão de futuro fizeram com que os britânicos entrevissem a necessidade de que a aviação tivesse um comando independente da Marinha e do Exército. Desse modo, foi criada, em 1º de abril de 1918, a Royal Air Force, a primeira força aérea da história. 

Efeméride marcante para todas as forças aéreas, a homenagem brasileira à força aérea britânica teve início com as palavras do coronel Claudio Passos Calaza, professor de História Militar da AFA, que fez uma retrospectiva sobre o processo de autonomia da aviação no Reino Unido no contexto da Primeira Guerra Mundial. O breve discurso culminou com a exaltação à participação da RAF na Batalha da Grã-Bretanha, que sob a liderança do marechal Hugh Dowding garantiu a própria sobrevivência da nação na Segunda Guerra Mundial.

Cadetes da AFA realizam a entrega de brindes para a senhora Cecília Bijos, secretária da aditância de Defesa do Reino Unido no Brasil e o senhor Russel Dowding, empresário, aviador e descendente do marechal Hugh Dowding


Em seguida, cadetes da AFA entregaram uma maquete da aeronave T-27 Tucano aos membros da representação britânica no evento, composta pela senhora Cecília Bijos, secretária da aditância de Defesa do Reino Unido no Brasil e o senhor Russel Dowding, empresário, aviador e descendente do marechal Hugh Dowding.

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TRÊS SUBMARINOS JAPONESES DA 2ª GUERRA SÃO ENCONTRADOS QUASE INTACTOS NO MAR DO JAPÃO

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Todos os submarinos mantiveram grande parte de sua forma original, o que ajudou a equipe a identificá-los a partir do formato de suas proas.


Três submarinos da Marinha Imperial japonesa, incluindo um U-boat transferido da Alemanha nazista, foram encontrados quase intactos no leito marinho no Mar do Japão ao largo da costa da província de Kyoto, disseram pesquisadores na semana passada (3 de julho).

Os pesquisadores identificaram os nomes dos submarinos, que sobreviveram à 2ª Guerra Mundial, mas foram afundados pelas forças de ocupação lideradas pelos EUA em 1946, durante um execício de tiro.

O I-121 fotografado no final da década de 1930

Os submarinos – o RO-68, construído em 1924, o I-121, de 1927 e o RO-500, um U-boat alemão doado ao Japão em 1943 – estavam no leito marinho a cerca de 90 metros de profundidade na Baía de Wakasa, de acordo com Tamaki Ura, professor no Instituto de Tecnologia de Kyushu e membro de uma equipe de pesquisa. 

A equipe vasculhou a área em junho usando um sonar e um submersível não tripulado. Todos os três submarinos mantiveram grande parte de sua forma original, o que ajudou a equipe a identificá-los a partir do formato de suas proas ou pelo comprimento de suas estruturas, disseram os pesquisadores.

O RO-500 foi um U-boat transferido para a Marinha Imperial em 1943


Ura disse que o U-boat fornecerá pistas importantes para compreender a cooperação tecnológica de tempos de guerra entre o Japão e a Alemanha.

Fonte: NHK

sábado, 7 de julho de 2018

LANÇADO FINANCIAMENTO COLETIVO PARA "AS BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL"

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Desde os primórdios voar sempre foi um desejo da humanidade. Várias foram as tentativas até o grande feito de Santos-Dumont que voou pela primeira vez com um avião mais pesado do que o ar.


VOAR SEMPRE FOI UM SONHO DOS HOMENS – E DAS MULHERES TAMBÉM.

Muitas mulheres pioneiras e contemporâneas desafiaram todas as barreiras sociais e da gravidade com o objetivo de realizar seus sonhos. Uma atividade aparentemente masculina, teve a mulher como protagonista em várias épocas.

Atualmente cortar o céu em máquinas voadoras ainda é limitado a um grupo pequeno de mulheres. Agora imaginem o tamanho da ousadia das Bruxas da Noite – as aviadoras soviéticas que participaram da Segunda Guerra Mundial pilotando aeronaves, bombardeando tropas alemãs e fazendo resgates.

Parece filme de ficção, não é mesmo?

Mas a história contada no livro Bruxas da Noite mostra a força e a determinação da mulher, que é capaz de assumir riscos e executar qualquer tarefa que se propõe a realizar.

Bruxas da Noite, as Aviadoras Soviéticas na Segunda Guerra Mundial é a fascinante história das mulheres aviadoras que lutaram pela seu país, um fenômeno único na história dos conflitos modernos inspiradas nas intrépidas aviadoras que bateram diversos recordes de desempenho aeronáutico no período entreguerras. Para muitas delas, o sonho de voar foi estimulado por Marina Raskova, uma famosa aviadora, Heroína da União Soviética. As garotas de Raskova escreveram nos céus da Europa uma página de sacrifício e coragem, e deixaram, com seu exemplo, um legado de inspiração para as forças aéreas do mundo muitas décadas mais tarde. Elas representam a capacidade das mulheres alçarem voos mais altos. Este livro é um tributo a essas pioneiras, por arriscarem a vida em nome de seu país, ultrapassando barreiras, quebrando paradigmas e abrindo novos caminhos às gerações posteriores.


OS AUTORES

Carlos Daróz é historiador militar, pesquisador, professor e escritor. Bacharel em Ciências Militares e licenciado em História, especializou-se em História Militar pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e pelo Instituto de Geografia e História Militar do Brasil; e possui os mestrados em História e em Operações Militares. 

Ana Daróz inicia sua trajetória como escritora com As Bruxas da Noite. Comissária de bordo formada pela New Flight Escola de Aviação Civil, é acadêmica de Letras-Literatura na Universidade Federal Fluminense, onde desenvolve pesquisas nas áreas de gênero e História. Atuou como professora de Língua Inglesa.

Elas venceram a guerra ... uma guerra, no feminino.


INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Edição: Somos Editora
Dimensão: 17,5 x 24 cm
Miolo: Papel Couchê Fosco 115g, 1 cor
Capa: Flexível em Papel Supremo 300g, 4 cores, 2 orelhas de 9cm cada e laminação fosca
Acabamento: Lombada quadrada
Quantidade de Páginas: 230


Para que a aventura dessas mulheres seja conhecida e sirva de exemplo e motivação para outras mulheres, precisamos do seu apoio neste financiamento coletivo.  Participe clicando na imagem abaixo:



Agradecemos sua participação!


quinta-feira, 5 de julho de 2018

ACADEMIA DA FORÇA AÉREA PROMOVE A 5ª EDIÇÃO DA OLIMPÍADA DE HISTÓRIA MILITAR E AERONÁUTICA

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A Academia da Força Aérea promoveu a 5ª edição da Olimpíada de História Militar e Aeronáutica.

Nos dias 3 e 4 de julho, a Academia da Força Aérea (AFA) realizou em Pirassununga-SP a V Olimpíada de História Militar e Aeronáutica, que, neste ano, contou com a participação de aspirantes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica e da Escola Naval, e cadetes da AFA e da Academia Militar das Agulhas Negras.

Mais uma vez o editor do Blog Carlos Daroz-História Militar teve a honra de participar da banca julgadora e também o privilégio de realizar a palestra de abertura: "Bruxas da Noite: as aviadoras soviéticas na Segunda Guerra Mundial."

Auditório lotado para a cerimônia de abertura

Um evento acadêmico extremamente bem organizado e conduzido pela equipe de docentes de história militar da Academia, sob a liderança do Cel Claudio Passos Calaza.

Oportunidade única para compartilhar conhecimento e interagir com a vibrante juventude militar do nosso país, rapazes e moças dedicados e comprometidos com o Brasil.

O editor do Blog ministrando a palestra de abertura: Bruxas da Noite: as aviadoras soviéticas na Segunda Guerra Mundial."

As equipes finalistas enfrentam mais uma bateria de questões.

Sagrou-se vencedora a equipe do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (equipe Marechal Montenegro), ficando em 2º lugar a Escola Naval (equipe Almirante Saldanha da Gama) e em 3ª colocação a equipe General De Gaulle, da Academia da Força Aérea.

Premiação das equipes vencedoras.

Parabéns a todos os participantes e que venha a 6ª edição no próximo ano.

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sexta-feira, 29 de junho de 2018

QUERIDA HISTÓRIA, TE ESCREVO DA GUERRA

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Correspondência de soldados alimenta livros que se aprofundam no lado mais humano dos trágicos episódios do último século

Por Tereixa Constenla

Por acaso as vidas de Toyofumi Ogura e Humberto Alonso Pérez são menos história do que as vidas do imperador japonês Hirohito e do ditador espanhol Franco? Durante alguns séculos os historiadores marginalizaram as vidas minúsculas para debruçarem-se sobre as maiúsculas do poder. Vista assim, a guerra era uma história de planos, escaramuças, estratégias, generais, glórias e derrotas. Os soldados eram uma magnitude, um número no campo de batalha. “As pessoas a quem a história se refere só aparecem como figuras acessórias, como um pano de fundo, como uma massa escura no fundo da cena”, escreve Hans Magnus Enzensberger.

Esse caminho historiográfico teve seu dano colateral, na opinião da historiadora francesa Sabina Loriga. Durante a Primeira Guerra Mundial, a maioria dos historiadores políticos foi “incapaz de compreender as graves tensões sociais que perturbaram a Alemanha e a Europa em geral”.

Carta de um soldado alemão escrita no front em 1917


Existe uma história oficial sobre o 6 de agosto de 1945, quando Hiroshima perdeu 90% de suas construções e 25% de seus habitantes em meia hora. A destruição e as doenças continuariam crescendo muito tempo depois da explosão da bomba atômica Little Boy e da rendição do imperador Hirohito. Os norte-americanos mediram o impacto da catástrofe que eles mesmos causaram: 306.545 atingidos. Nos relatórios, entretanto, não é possível ver o medo, a incredulidade e a dor dos moradores de Hiroshima, protagonistas forçados da hecatombe. Para isso é bom ler as cartas que Toyofumi Ogura (1899-1996) escreveu a sua esposa Fumiyo: “Quanto mais avançava, mais me empenhava em seguir o ditado dos três macacos de ‘não ver o Mal, não escutar o Mal e não dizer o Mal’, e procurava não falar com ninguém. Depois de encostar no cadáver daquela mulher no final da ponte do bonde, rio abaixo a partir da ponte Kyobashi, decidi acrescentar um quarto macaco sábio que indicava ‘não tocar no Mal”.

Ogura, professor de História na Universidade de Hiroshima, escreveu 13 cartas que sua destinatária nunca chegaria a ler: “Logo depois de minha catástrofe me senti possuído pela sensação de precisar informar minha esposa, vítima da bomba, dos fatos posteriores a sua morte, ainda sem saber absolutamente nada da arma atômica e da doença causada pela radiação”. Após superar a censura das forças aliadas – o Japão era um país ocupado desde sua rendição em 1945 –, foram publicadas em 1948.

Soldados britânicos lendo cartas em 1944

Cartas desde el Fin del Mundo (Cartas do Fim do Mundo, ainda inédito em português) foi o primeiro relato pessoal sobre a bomba atômica e em poucos meses precisou ser reeditado seis vezes pelo interesse que causou. Ogura conta suas experiências, suas observações, seus sentimentos. De suas mãos percorrem-se caminhos transitados por pessoas comuns feridas, nocauteadas, fantasmagóricas, que perambulam por uma cidade em ruínas. Uma verdade íntima que ele compartilha.

Como fonte primária, as cartas estão ligadas à história desde sua origem – Plínio, o Jovem, narra a destruição de Pompéia pela erupção do Vesúvio no ano 79 em uma carta ao historiador Tácito –, ainda que sem o peso que alcançaram nas últimas três décadas. “Agora são o ponto de partida, e não só um instrumento de segunda ordem, para fazer uma análise histórica da cultura popular e explorar campos da história social que de outra forma não poderíamos”, diz Guadalupe Adámez Castro, autora de Gritos de Papel, uma história sobre o exílio espanhol realizada sobre os escritos de súplica de republicanos. Cartas que davam e tiravam vida, como relatou Eulalio Ferrer, preso em um campo de internação na França: “A correspondência é um elemento vital de nosso presente destino, significa tanto ou mais do que a comida. É o laço que nos une com o mundo, contribuindo para acentuar e diminuir nossas incertezas”.

Após seu estudo, Adámez concluiu que o exílio foi transversal tanto em origem como geográfico, mais heterogêneo do que a imagem de uma diáspora de intelectuais. E também que as cartas alimentavam uma relação de ida e volta: “Para o Governo republicano no exílio era uma forma de manter certa esperança na República e de poder saldar uma dívida com aquelas pessoas”.

Em uma guerra, afirma José Álvarez Junco no prólogo de Voces desde la Trinchera (Vozes da Trincheira), “ignoramos como viviam os soldados daquela experiência, o que pensavam, o quanto acreditavam da enxurrada retórica que lhes caía na cabeça, como aceitavam aquelas punições”. Nesse livro, James Matthews, membro do Centro de Estudos da Guerra na Universidade de Dublin, estuda cartas escritas entre 1938 e 1939 por soldados do Exército da Andaluzia, como Manuel Cantudo: “(...) se me visse descalço, andando com a sola do pé, e estou cheio de dizer ao tenente, e ele me fala que não há calçado”.

Carta de Humberto Alonso Pérez a sua esposa, Carmina, e ao seu filho, Guillermo, da prisão de El Coto (Gijón), em 14 de abril de 1938.

A publicação de cartas ajuda a rastrear o sentimento dos soldados da Wehrmacht – o correio militar alemão transportou 3 bilhões de cartas e pacotes durante a guerra –, o dos guerrilheiros condenados à morte pelos nazistas na França e o dos prisioneiros do campo de concentração de Mauthausen. “A carta é um documento particular que permite comparar o discurso do poder com o dos seres de carne e osso que não tiveram poder e, por outro lado, nos permite entrar no coração das pessoas para saber como vivenciaram os acontecimentos. O ápice tem muito a ver com o egodocumento, quando os historiadores começam a usar diários, memórias e cartas”, diz Verónica Sierra Blas, membro do Seminário Interdisciplinar de Estudos sobre a Cultura Escrita da Universidade de Alcalá de Henares e autora de dois livros sobre o século XX espanhol construídos sobre o gênero epistolar.

O primeiro, Palabras Huérfanas (Palavras Órfãs), reconstruiu a história das 30.000 crianças espanholas exiladas durante a Guerra Civil Espanhola na França, Bélgica, Inglaterra, México e Rússia a partir de suas cartas e diários. O segundo, Cartas Presas, se introduz no interior do sistema penitenciário durante a guerra e o franquismo através do estudo de 1.500 cartas. O remetente de uma delas é Humberto Alonso Pérez, que escreveu da prisão de El Coto, de Gijón, em 14 de abril de 1938, um mês antes de ser executado, a sua esposa, Carmina, e ao seu filho, Guillermo: “O destino me separa de vocês, me elimina da vida; o enfrento com integridade porque sei que suas vidas serão modelos e exemplares, cúmulo de honradez. Jamais se detenham em culpar alguém por minha sorte”. A história com outros nomes e sobrenomes.

Fonte: El País


domingo, 24 de junho de 2018

VOLGOGRADO, A CIDADE QUE MUDOU O DESTINO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

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Chamada de Stalingrado até 1961, cidade presenciou uma das batalhas mais sangrentas da história da humanidade


Por Thiago Tanji

Durante as escavações para a reforma da Arena Volgogrado, que receberá quatro jogos da Copa do Mundo de 2018, operários encontraram ossadas e vestígios de bombas no local em que foi construído o estádio. Essa não foi uma surpresa para os organizadores do evento: localizada às margens do Rio Volga, a cidade testemunhou uma das batalhas mais sangrentas já registradas. 

Ao menos 2 milhões de pessoas morreram ou foram feridas, em um evento-chave da Segunda Guerra Mundial que mudou os rumos da História. Ao final da luta, a cidade estava reduzida às ruínas e era um cemitério a céu aberto. A vitória soviética contra as tropas nazistas havia cobrado um grande preço da população local.

Ironicamente, durante mais de 35 anos, Volgogrado recebeu o nome do líder que conduziu a União Soviética à vitória (e quase pôs tudo a perder): fundada em 1589 com o nome de Tsarítsin, a cidade foi rebatizada de Stalingrado em 1925, como homenagem aos feitos de Josef Stalin — o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética comandara tropas bolcheviques no local durante a Guerra Civil, no começo da década de 1920. 

Em 1961, como parte dos esforços do líder Nikita Kruschev em "desestalinizar" a sociedade soviética, a cidade recebeu o nome do rio que corre na região. As memórias da batalha da Segunda Guerra Mundial, entretanto, jamais seriam esquecidas. Em 1967, foi construído um monumento de 85 metros de altura que representa a "Mãe-Pátria Russa": sobre a colina de Mamayev Kurgan, uma mulher com feições heroicas brande uma espada gigantesca. A estátua, que pode ser vista de diferentes pontos da cidade, está situada a pouco mais de um quilômetro da Arena de Volgogrado.

Monumento homenageando a "Mãe Pátria Russa"


Traição ou jogada de mestre?

O movimento socialista de todo o mundo ficou em choque com a notícia que o diplomata soviético Viatcheslav Molotov teria um encontro com o regime nazista da Alemanha, a poucos dias do início da Segunda Guerra Mundial. Com a benção de Josef Stalin, o tratado de não-agressão assinado em 23 de Agosto de 1939 também determinava a "partilha" do território polonês: em 1º de setembro, as tropas nazistas invadiriam o país do leste europeu e dariam início ao conflito mundial. 

Para alguns militantes, a tática soviética era um sinal de submissão ao poderio nazista — ou, até mesmo, um claro indício de traição. Mas a liderança da União Soviética sabia que a assinatura do tratado era apenas uma manobra para ganhar tempo: vivendo um tardio processo de industrialização, os soviéticos eram infinitamente mais fracos que os alemães.
Para piorar, Stalin conduzira entre 1936 a 1938 um processo de consolidação do poder que marcou a perseguição e eliminação física de qualquer vestígio de oposição. Líderes bolcheviques históricos, como Lev Kamenev, Grigori Zinoviev e Nikolai Bukharin, foram acusados de conspirar contra a liderança soviética e colocar a revolução em risco. Processados, foram presos e posteriormente executados. A repressão não se limitou aos quadros políticos: três dos cinco marechais soviéticos também foram fuzilados, assim como centenas de oficiais das Forças Armadas. 

Com o Exército acéfalo e poucos recursos tecnológicos bélicos, só restava à União Soviética realizar manobras para protelar o máximo de tempo possível sua entrada na Segunda Guerra Mundial. O conflito, no entanto, seria inevitável: derrotar o fascismo era uma condição básica para a sobrevivência soviética e sua tentativa de realizar uma transição ao socialismo. 

Afinal, os nazistas calcavam seu pensamento político em duas premissas básicas: para que a Alemanha conquistasse sua vitória final, era necessário derrotar as "raças inferiores" (personificadas na população judaica) e destruir qualquer rastro do comunismo. Não por acaso, os nazistas defendiam um Estado forte que defendesse os trabalhadores, mas que não dava brecha alguma para a consolidação de entidades sindicais ou de movimentos sociais que contestassem a estreita ligação entre os empresários e membros do partido de Adolf Hitler — em 1933, livros de Karl Marx foram queimados em praça pública como "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".


A mãe de todas as batalhas 

No dia 22 de junho de 1941, o pacto de não-agressão finalmente seria rompido. Hitler ordenara o início da Operação Barbarossa, que deslocaria quase 4 milhões de tropas nazistas com o objetivo de varrer a União Soviética do mapa e construir uma vitória em um curto período de tempo. Com a tática conhecida como Blitzkrieg — ataques rápidos e precisos com a utilização da Força Aérea e de tanques blindados — a Alemanha avançou rapidamente sobre o território soviético. Enquanto marchavam em direção à Moscou, os fascistas também se dirigiam aos territórios localizados ao sul, em busca dos campos de petróleo do Cáucaso. 

Tropas soviéticas defendendo Stalingrado

Em novembro, as forças nazistas já estavam às portas da capital Moscou. Para levantar a moral da população, a União Soviética organizou uma parada militar para relembrar o aniversário da Revolução Bolchevique: as tropas desfilaram em frente ao complexo do Kremlin, sede da liderança soviética, e retornaram para o campo de batalha. A mobilização popular e o inverno russo foram determinantes para a contra-ofensiva: em janeiro de 1942, os alemães se afastaram de Moscou. O cenário, entretanto, ainda era crítico.

Enquanto lutava pela sobrevivência, o Exército Vermelho estabeleceu uma linha de defesa na cidade de Stalingrado para impedir que as tropas alemãs avançassem sobre os campos de petróleo ao sul do país. O Rio Volga seria utilizado para a movimentação de tropas e insumos básicos para a população, que permaneceu na cidade trabalhando na produção de armamentos e na escavação de trincheiras. No final de julho de 1942, a Alemanha iniciou um intenso bombardeio aéreo sobre a cidade — milhares de civis morreriam por conta dos incêndios resultantes dos ataques. 

Impotentes diante da superioridade tecnológica alemã, as forças soviéticas iniciaram uma tática de aproximar ao máximo suas linhas militares em relação à vanguarda nazista, atraindo os inimigos para dentro da cidade. Assim, a utilização de bombardeios e de ataques de tanques blindados ficaria reduzida. Ao mesmo tempo, Josef Stalin editaria a ordem 227: sob a consigna de "Nenhum Passo Para Trás", a determinação estabelecia que nenhuma tropa poderia recuar sem autorização — quem desobedecesse, correria o risco de ser preso e fuzilado. 

Durante o segundo semestre de 1942, Stalingrado tornou-se um matadouro: a colina de Mamayev Kurgan, que hoje ostenta o monumento da vitória, mudava constantemente de mãos. Ora ostentava a bandeira soviética, ora exibia o estandarte da Alemanha Nazista. Na fábrica de aço Outubro Vermelho, os operários mantinham a produção enquanto soldados disputavam o controle do perímetro.  Em batalhas travadas casa a casa, prevalecia a utilização de atiradores de elite: o soviético Vassili Zaitsev ganhou fama de herói ao abater 243 alemães em Stalingrado. 

Não por acaso, o conflito ficou conhecido como "A Mãe de Todas as Batalhas". Em dezembro, o Exército Vermelho iniciou a Operação Urano, que aproveitava uma brecha nas linhas inimigas para iniciar um movimento de contra-ataque. Ao centrar fogo contra as tropas romenas, que auxiliavam os nazistas e eram menos equipadas, os soviéticos iniciaram um movimento de cerco antes de desferir um golpe fatal.

Com problemas nas linhas de abastecimento, os alemães também sofriam com o inverno russo. Em janeiro de 1943, a liderança alemã informava Adolf Hitler que as tropas não tinham munição ou alimento — como resposta, o nazista afirmava que a luta seria feita até o último homem. 

Com quase 730 mil mortos, feridos ou desaparecidos, as tropas nazistas finalmente se renderiam no dia 2 de fevereiro. A vitória soviética também cobrava seu preço: durante os meses de conflito, houve mais de 1,1 milhão de baixas, com um número desconhecido de civis mortos. A partir de Stalingrado, a União Soviética iniciaria um contra-ataque que culminaria com a chegada do Exército Vermelho em Berlim, em abril de 1945. A bandeira vermelha com a foice e o martelo tremularia em pleno Reichstag, o Parlamento Alemão que presenciou a ascensão e o fim do nazismo. 

Fonte: Revista Galileu


LANÇAMENTO DO LIVRO "A GRANDE GUERRA NO ATLÂNTICO PORTUGUÊS"

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Alô, amigos de Portugal e estudiosos da Grande Guerra e da guerra no mar.

Lançamento do livro do Prof. Antônio Telo e do amigo Prof. Augusto Salgado, A Grande Guerra no Atlântico Português.  

Imperdível!


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sábado, 16 de junho de 2018

V OLIMPÍADA DE HISTÓRIA MILITAR E AERONÁUTICA DA ACADEMIA DA FORÇA AÉREA

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Na primeira semana de julho será realizada na Academia da Força Aérea, em Pirassununga-SP, a quinta edição da Olimpíada de História Militar e Aeronáutica, envolvendo os cadetes da academia e da AMAN, os aspirantes da Escola Naval e os alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica de da Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

Mais uma vez fui convidado para compor a banca de avaliação da competição e, neste ano, farei a conferência de abertura, que terá como tema, a pesquisa que realizei junto com minha filha Ana Daróz, sobre As Bruxas da Noite: as aviadoras soviéticas na Segunda Guerra Mundial.



Será um privilégio compartilhar o conhecimento sobre a inédita experiência soviética de emprego de unidades aéreas femininas em combate.

Também realizaremos o pré-lançamento do nosso livo "As Bruxas da Noite: as aviadoras soviéticas na Segunda Guerra Mundial", publicado em parceria com a Somos Editora.



quinta-feira, 14 de junho de 2018

"ELIMINAR AS CALÇAS VERMELHAS?!" "JAMAIS! LE PANTALON ROUGE C'EST LA FRANCE!" (NUNCA! AS CALÇAS VERMELHAS SÃO A FRANÇA!)

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A evolução dos uniformes acompanhando a progressão das sociedades e da arte da guerra encontrou um exemplo paradigmático durante a Primeira Guerra Mundial. Ignorando ou desconsiderando a evolução tecnológica doas armamentos, as lideranças francesas resistiram a modificar os uniformes de suas tropas alegando que estariam enfraquecendo o elan combatente francês.

No texto de Barabara Tuchman, no clássico Canhões de Agosto, podemos mensurar a dificuldade enfrentada pelas lideranças que queriam introduzir uniformes camuflados, ou com baixa visibilidade, no Exército Francês, tarefa que somente pôde ser efetivada no final da guerra:

"Quando olhamos para o soldado francês de 1914, ano inicial da Primeira Guerra Mundial, a primeira coisa que te atordoa são as cores brilhantes do elegante uniforme. Os soldados de infantaria franceses usavam calças vermelhas extravagantes, casacos azuis vistosos e quepes vermelhos chamativos. Este era o uniforme de combate, não apenas uniformes de passeio.

Uniformes franceses de 1914: calças garanca vermelhas que representavam o elan militar, mas que expunham os soldados às armas modernas


Os exércitos mais profissionais do mundo daquela época já tinham notado o erro. Os britânicos por exemplo, haviam adotado o uniforme caqui após a Guerra dos Bôeres, e os alemães fizeram a mudança do azul marinho prussiano para o cinza-campo (feldgrau). Entretanto, em 1914 os soldados franceses ainda usavam os mesmos casacos azuis, quepes vermelhos e calças vermelhas que herdaram das guerras napoleônicas, quando os combates se resumiam a fuzis enfileirados lado a lado apontando para os inimigos que estavam a apenas duzentos passos de distância... Naquele tempo não precisavam de camuflagem.

Visitando o front da Guerra dos Bálcãs em 1912, Messimy, o ministro da Guerra francês viu as vantagens obtidas pelos búlgaros fardados com cor fosca e voltou para casa determinado a tornar o soldado francês menos visível. Seu projeto para vesti-lo em cinza-azul ou cinza-verde levantou um uivo de protesto. O orgulho do Alto comando do Exército era tão intransigente em desistir de suas calças vermelhas quanto em adotar armas pesadas. 

O prestígio do exército foi mais uma vez colocado em jogo. Para eles, vestir o soldado francês em alguma cor lamacenta e inglória seria realizar os mais profundos sonhos dos intelectuais e dos maçons. Era banir 'tudo o que é colorido, tudo o que dá ao soldado seu aspecto vívido', escreveu na época o jornal Echo de Paris, 'é contrariar tanto o gosto francês, quanto sua função militar'.

Messimy apontou que os dois não mais poderiam ser sinônimos, mas seus oponentes conservadores se mostraram irredutíveis. Em uma audiência parlamentar, o ex-ministro da Guerra, M. Etienne, falou pela França:

- Eliminar as calças vermelhas? - gritou com veemência. 
- Jamais! Le pantalon rouge c'est la France!  ("Nunca! As calças vermelhas são a França!")

Por que tão impressionante respeito ao que tornaria um soldado tão visível, um alvo fácil para o rifle de um sniper inimigo ou de uma metralhadora? Esse júbilo de cores vivas provinha das experiências militares das potências anteriores à Primeira Guerra Mundial - britânicos, franceses e alemães - que se limitava a lutar contra pessoas que na maioria das vezes não tinham rifles ou metralhadoras: rebeldes mal armados lutando contra o domínio colonial na África ou na Ásia. Os generais sabiam, é claro, que isso não seria mais válido para essa nova guerra em escala total na Europa, mas há sempre aquela diferença curiosa entre saber e agir, e os militares não estão imunes a isso. 

Reencenadores franceses com o uniforme bleu horizon, utilizado no final da guerra


Centenas de milhares de tropas da infantaria francesa e cavalarianos com couraças polidas e brilhantes tiveram que morrer como alvos fáceis para metralhadoras alemãs - exemplo disso é a batalha das Fronteiras, que ocorreu em poucas semanas do início da Guerra, e ficou marcada para sempre como o dia mais sangrento da história militar francesa, onde mais de 27 mil soldados franceses morreram em um únienadores franceseco dia - antes que os novos uniformes na cor Azul-horizonte (bleu horizon) fossem distribuídos às tropas no início de 1915."

Fonte: TUCHMAN, Barbara. Canhões de Agosto. Rio de Janeiro: BibliEx, 1998.

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