"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."
(General Sir Ian Hamilton)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ENCONTRADO NAVIO MONGOL DO SÉCULO XIII




Os restos de um navio que teria participado da fracassada tentativa mongol de conquistar o Japão, no século XIII, foram encontrados na costa do país. Pesquisadores encontraram um pedaço de 12 m do casco da embarcação, enterrado sob a areia da costa de Nagasaki. Esta teria sido a primeira vez que o casco de um barco usado na invasão mongol foi recuperado.

Os pesquisadores da universidade de Ryukus, em Okinawa, usaram equipamento ultrasônico para detectar os restos do navio. Os ataques frustrados contra o Japão foram um das poucas vezes que os mongóis foram derrotados do século 13. A madeira do casco foi pintada de cinza e ligada por pregos. Tijolos e armas também foram encontrados a bordo.

Os pesquisadores dizem esperar que a descoberta os ajude a entender os motivos da vitória japonesa. Os japoneses costumam atribuir a vitória aos ventos e tempestades que destroçaram as embarcações mongóis durante as tentativas der invasões de 1274 e 1281.
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O "vento divino", ou kamikaze em japonês, foi novamente invocado para inspirar os pilotos a lançarem ataques suicidas na Segunda Guerra Mundial. Como nômades da Ásia Central, os mongóis tinham pouca experiência no mar e usaram chineses e coreanos subjulgados para construir seus navios.

A estrutura do navio lembra a das embarcações chinesas da época. Os mongóis chegaram a desembarcar e ter algum sucesso contra os japoneses, que tinham menos habilidade no arco e flecha. Mas em ambas as ocasiões, os mongóis e as tropas chinesas e coreanos sob seu comando tiveram que bater em retirada por causa de tufões que se aproximavam, impedindo seus planos.


Fonte: Terra

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

GUERRA DOS CEM ANOS – POR QUE ACONTECEU A MAIOR GUERRA DA IDADE MÉDIA?

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Como pano de fundo para a Guerra dos Cem Anos (1337-1543) havia uma disputa familiar por lucro. Eduardo III, da dinastia Plantageneta, e Felipe VI de Valois, o Afortunado, eram parentes e, com a morte de Carlos IV, filho de Felipe IV, o Belo, em 1328, passaram a disputar o trono da frança.

A genealogia que levou à disputa pelo trono da França

O inglês era neto do monarca pelo lado materno; o francês, sobrinho de Felipe, o Belo, por parte de pai. Uma assembléia foi convocada para decidir a questão e definiu que o sucessor do rei não poderia pertencer à linhagem materna. Além disso, havia uma discórdia em relação à propriedade de áreas da França. O Tratado de Paris (1259) garantia aos ingleses a Gasconha, mas senhores feudais da região faziam suas reivindicações ao monarca francês.
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Enquanto isso, a Inglaterra estreitava laços políticos e econômicos com os comerciantes de Flandres e dos Países Baixos. Os negócios iam bem, até que foram ameaçados quando o Conde de Nevers, regente de Flandres, jurou obediência a Felipe IV. Foi deflagrada uma rebelião, fomentada pelo mercador Jacques Artevelde e apoiada por Eduardo III. O rei francês acusava o rival de desenvolver uma política expansionista, enquanto o inglês dizia estar lutando por seus direitos territoriais na França.


Felipe VI, rei da França

As ameaças de conflito entre os dois reinos se concretizaram em 24 de maio de 1337, quando Felipe VI determinou a invasão do ducado de Guyenne, outra região de intensa atividade comercial leal à coroa inglesa. A data marcou o início da Guerra dos Cem Anos, conflito que, na verdade, durou 116 anos, mas com algumas interrupções – a principal delas causada pela peste negra que dizimou cerca de um terço da população da Europa.

Eduardo III, rei da Inglaterra e pretendente ao trono da França


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PENSAMENTO MILITAR - PLANOS DE BATALHA


“Existem, apenas, duas espécies de planos de batalha, os bons e os maus. Os bons falham quase sempre devido a circunstâncias imprevistas que fazem, muitas vezes, que os maus sejam bem sucedidos.”

Napoleão Bonaparte

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

MORRE VIRGÍNIA LEITE, A ÚLTIMA ENFERMEIRA DA FEB

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Virgínia Leite (1916-2012) foi enfermeira da FEB na 2ª Guerra Mundial


Virgínia Leite assustou todo mundo quando entrou no ônibus com uma arma. Acabou tendo de dar explicações. Não era para uso pessoal: a peça, contou, estava sendo levada ao museu da Casa do Expedicionário, em Curitiba.
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Paranaense de Irati, foi professora primária até decidir se inscrever como voluntária da Cruz Vermelha para ir à Segunda Guerra Mundial.
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O país enviou à Europa 68 enfermeiras. Virgínia foi em 1944 à Itália, onde ficou oito meses cuidando dos feridos.  Quando retornou, passou a se dedicar à memória da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Ajudou a fundar a Legião Paranaense do Expedicionário e, entre os anos 70 e 80, percorreu o país atrás de material (como a arma que carregou no ônibus) para compor o acervo do museu.
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A historiadora Carmen Lúcia Rigoni, estudiosa da 2ª Guerra Mundial e amiga de Virgínia, destaca a capacidade que a enfermeira teve para angariar respeito num ambiente masculino e machista como o dos expedicionários.

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Virgínia Leite em fotografia tirada durante a 2ª Guerra Mundial


Memória viva sobre a participação do Brasil na guerra, costumava ajudar os pesquisadores e a dar entrevistas.  ""A família não conseguia fazer as coisas com ela, mas os expedicionários conseguiam", brinca a sobrinha Ana Maria. Apesar das dificuldades para andar, deixou de ir a poucas solenidades.
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.Das enfermeiras do PR que foram à guerra, era a última ainda viva. Esteve lúcida até o fim. Internada por causa do coração, teve devaneios devido aos remédios e comemorou o fim da guerra como se tivesse acabado de ocorrer. Morreu na quinta (5 de janeiro), aos 95. Solteira, não teve filhos.

 

Fonte: Estêvão Bertoni, Folha de São Paulo

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

RESENHA - USOS E ABUSOS DA HISTÓRIA

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Em uma época em que o estudo da História — não somente aquele feito por historiadores profissionais — torna-se cada vez mais popular e relevante nos debates públicos, a premiada historiadora canadense Margaret MacMillan nos mostra como sua utilização pode se revelar uma faca de dois gumes.
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Na década de 1980, o passado parecia muito mais simples do que é hoje. A Guerra Fria foi, entre outras coisas, uma pausa entre duas filosofias rivais da História que serviu para manter o mundo nos trilhos. Então, com a queda do Muro de Berlim, veio o arrefecimento. De forma sinistra, narrativas pouco lembradas, identidades há muito esquecidas e ódios veneráveis emergiram. Uma região após outra descobriu que o povo, como Churchill uma vez dissera sobre as tribos dos Bálcãs, tinha mais História do que podia consumir.
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Neste brilhante ensaio, fruto de uma série de palestras conduzidas pela autora na University of Western Ontario, MacMillan examina os valores e perigos da História, e como ela afeta nossas vidas. Ao mesmo tempo em que é extremamente útil quando usada com propriedade, visando ao entendimento do modo como pensamos e reagimos, a História como forma de compreender o mundo é suscetível a manipulação e distorção, para atender a diferentes propósitos.


Os nacionalistas contam histórias falsas ou unilaterias sobre o passado, enquanto os ditadores omitem as que ameaçam suas pretensões de onisciência e autoridade. Os líderes políticos arregimentam seus públicos contando-lhes bravatas: Hitler mentiu sobre a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e sobre o papel dos judeus. Tirar lições do passado pode também se tornar problemático — pois elas oferecem interpretações que podem servir a muitos fins.
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Margaret MacMillan preocupa-se com a possibilidade de a profissão de historiador estar se voltando para dentro de si mesma, abandonando as grandes questões num momento em que há urgência em aumentar nosso conhecimento sobre o passado, e prova que a História pode se transformar em uma perigosa arma dependendo de quem a use. USOS E ABUSOS DA HISTÓRIA é um argumento vital e poderoso sobre a importância da História e dos historiadores.



Usos e abusos da história. Margaret MacMillan.  Record, 240 págs.

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

CHINA CONTURBADA

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No século XIX potências estrangeiras intervieram nos assuntos internos de um combalido Império Chinês e, aos poucos, foram se apossando de seu território. A erosão do poder da China foi acelerada pela natureza altamente conservadora do governo Qing, o que conduziu o país a guerras civis e, por fim, à revolução em 1911.



Os manchus do norte da China tomaram o poder da dinastia Ming em 1644, estabelecendo a nova dinastia Qing. Expandindo-se aos poucos, eles assumiram o controle de Taiwan em 1683, Amur, na Sibéria, em 1689, a Mongólia em 1697, o Tibete em 1720 e o Turquestão oriental em 1760. Em 1769, a Coreia, o Anam (atual Vietnã), o Laos e Mian (atual Mianmar) haviam se tornado estados vassalos.



A China se isola

No final do século XVIII a dinastia Qing fechou a China para as potências europeias, criando conflito. Como seus antecessores, o imperador Qianlong (1736-1796) governava “um império sem fronteiras” e não reconhecia iguais. Em 1793, no auge da expansão europeia, ele encontrou-se com uma delegação comercial britânica comandada por lorde Macartney, que havia velejado para a China a bordo do HMS Lion, um navio de guerra de 64 canhões. O imperador recebeu a delegação, mas recusou-se a fazer qualquer concessão comercial, afirmando que não protestaria se o rei George III lhe prestasse homenagem, mas que nenhum artigo manufaturado poderia ser trocado pelas exportações chinesas (basicamente chá, porcelana e seda), que só poderiam ser pagas com prata.

Uma missão posterior britânica foi expulsa em 1816, no reinado do imperador Jianqing (1796-1820). Como resultado, aumentou a demanda pelas importações chinesas, enquanto os suprimentos de prata se tornavam cada vez mais escassos.

A suspensão de importações europeias por parte da China e a crescente demanda por chá, porcelana e seda chinesas na Europa causaram enorme desequilíbrio comercial entre as duas regiões. A Companhia das Índias Orientais tentou equilibrar a balança com a venda ilegal de ópio de Bengala para a China. À medida que o número de dependentes aumentou, os chineses tentaram suprimir o comércio, confiscando estoques de ópio em Cantão e sitiando mercadores britânicos.



Primeira Guerra do Ópio

Em junho de 1840 uma frota de 44 navios britânicos com cerca de 4 mil tripulantes foi enviada de Cingapura para exigir compensação. A expedição bloqueou a foz do rio Pérola e, em seguida, derrotou os chineses na desembocadura do rio Yang Tse. Cidades litorâneas foram bombardeadas, Cantão foi capturada, e os britânicos se apossaram de postos de coleta de impostos, reduzindo drasticamente os rendimentos imperiais.

Devido à falta de modernização, as defesas da China não podiam fazer frente aos vapores blindados e aos canhões e mosquetes europeus: a arma principal da China sob domínio manchu nesse período era ainda o arco laminado.

Em 1842 os chineses foram forçados a aceitar o Tratado de nanquim, cedendo Hong Kong à Grã-Bretanha e abrindo aos mercadores britânicos cinco dos chamados “portos do tratado”, sobre os quais a China não tinha jurisdição. O imperador também reconheceu a Grã-Bretanha como igual à China. Os EUA e a França ganharam direitos similares em 1844.



Segunda Guerra do Ópio

Embora as restrições comerciais fossem levantadas depois da guerra, o ópio permaneceu ilegal. Em 1856 funcionários chineses abordaram o Arrow, um navio chinês de registro britânico suspeito de contrabandear ópio. Os britânicos retaliaram com a captura de Cantão e o ataque a outros portos chineses, dessa vez com a participação da França, que usou como pretexto o assassinato de um missionário francês na China.
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Combate de rua em Cantão, durante a Segunda Guerra do Ópio

 
Em 1858, com os britânicos aproximando-se de Pequim, os chineses assinaram o Tratado de Tientsin, concedendo pela primeira vez aos diplomatas britânicos representações na corte imperial e abrindo dez novos “portos de tratado”. Mercadores de todas as potências estrangeiras tiveram permissão de usar os 15 portos, e os missionários cristãos e estrangeiros ganharam liberdade de viajar por toda a China. Os chineses não ratificaram o tratado imediatamente, só o fazendo depois que uma força anglo-francesa capturou Pequim e incendiou o Palácio de Verão.



Rebelião Taiping

Enquanto as potências europeias atacavam a China do exterior, o regime também era assaltado do interior. Em 1851, depois de uma insurreição na província de Guangxi, Hong Xiuquan, um acadêmico fracassado que havia estudado com um ministro batista, fundou a Sociedade dos Adoradores de Deus e proclamou uma nova dinastia: Taiping Kien-kuo (“Reino Celestial da Grande Paz”). Seu objetivo era derrubar o que para ele era o regime “estrangeiro” Qing, fazer da terra propriedade comum e banir o uso de ópio, tabaco e álcool.

Explorando os temores da população acerca da decadente economia chinesa, os rebeldes logo cresceram em número e determinação. Em dois anos, um exército de 1 milhão de homens varreu o vale do Yang Tse e capturou Nanquim, matando milhares de civis e cerca de 30 mil soldados imperiais. Com Nanquim como capital, o Reino Celeste expandiu-se e chegou a abranger boa parte da China meridional e central, com uma população de cerca de 30 milhões de pessoas. No entanto, seu poder começou a declinar em 1861, quando Hong foi repelido em Xangai pelo “Exército Sempre Vitorioso”, treinado no estilo europeu e comandado pelo general americano Frederick Ward. Após a morte de Ward, o comando passou ao general britânico Charles Gordon, que, empregando artilharia moderna, retomou Nanquim em 1864.

Soldados imperiais durante a Rebelião Taiping

 
Durante o sítio, mais de 100 mil rebeldes cometeram suicídio, entre eles Hong, que ingeriu veneno. A luta terminou com a derrota dos sublevados em 1871.



Guerras contra a França e o Japão

Com o Vietnã meridional e central sob seu controle em 1883, a França invadiu a província nortista de Tonquim, dominada pela China. O capitão Henri Rivière marchou rumo a Hanói e expulsou os soldados chineses que ocupavam a cidade, mas foi morto em um contra-ataque. Em seguida os reforços franceses alcançaram uma série de vitórias, forçando o vice-rei chinês a conceder um protetorado conjunto sobre a província.

Quando o governo da França rejeitou o acordo, a Xchina declarou guerra. Seu exército resistiu bem aos ataques franceses no sul, mas a ilusão de que a China poderia enfrentar de igual para igual o poderio militar europeu evaporou-se quando, em apenas meia hora em agosto de 1844, canhões navais e torpedeiros franceses destruíram uma frota chinesa inteira com seis novos cruzadores em Fuzhou. Pelo acordo de paz, a China cedeu o Vietnã à França.

Coisa pior viria na década seguinte, quando o Japão e a China entraram em choque por causa do protetorado chinês na Coreia. Apesar de em menor número, as forças japonesas alcançaram vitórias importantes. Em agosto de1894, navios dos dois países enfrentaram-se no rio Yalu, na fronteira entre a Rússia e a China. A tática e o armamento superiores dos japoneses, combinados com a inépcia chinesa (dois de seus navios foram destruídos quando sua pintura e verniz pegaram fogo), deram ao Japão uma fácil vitória e a posse de Taiwan.

A Coreia recuperou sua independência, mas a rivalidade entre a Rússia e o Japão pela península Coreana levou à guerra em 1904-1905 e à anexação do país pelo Japão em 1910.


A Rebelião Boxer

O ressentimento contra o envolvimento estrangeiro na China atingiu o clímax na Rebelião Boxer, de 1899. Encorajada pela imperatriz viúva Cixi em troca de seu apoio à dinastia Qing, a Sociedade I-ho-chuan (“Punhos harmoniosos e justiceiros”) tinha o objetivo declarado de expulsar da China todos os estrangeiros, particularmente os missionários cristãos. Em 1899 alguns desses boxers – assim chamados por causa de sua crença de que certos rituais de boxe chinês os tornariam imunes aos disparos das armas de fogo – atacaram os cristãos e queimaram suas igrejas na região de Pequim.
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Tropas estrangeiras da força multinacional em Pequim durante a Rebelião Boxer

 
Uma força multinacional tentou sufocar o levante, mas foi repelida pelas tropas imperiais. Cixi, então, ordenou a morte de todos os estrangeiros e, como resultado, morreram um ministro alemão e um diplomata japonês. Uma força multinacional muito maior entrou em Pequim em agosto de 1900 e finalmente esmagou os rebeldes.

Em consequência, a China teve de pagar US$ 6,5 bilhões (em valores atuais), suas fortalezas costeiras foram destruídas e todas as sociedades secretas hostis aos estrangeiros foram banidas. Tropas estrangeiras também foram estacionadas ao longo da ferrovia entre Pequim e Xangai.



A Revolução Chinesa

O colapso do regime Qing levou à Revolução de 1911 e a um longo período de instabilidade, que só terminou com a tomada do poder pelos comunistas em 1949. Em 1911 o Partido da Aliança Revolucionária (Kuomitang) de Sun Yat-Sen, explorando um motim do exército em Wuhan, na China central, derrubou a dinastia Qing e tomou o poder.

Sun Zhongshang proclamou os Três Princípios da Revolução – nacionalismo, democracia e socialismo -, mas retirou-se em favor do general Yuan Shikai, que se tornou presidente.



Fonte: Adaptado de War. Londres: DK Publisher, 2009.

 
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL JOCA TAVARES



*  24/05/1818 - Herval-RS

+  09/01/1906 - Bagé-RS


João Nunes da Silva Tavares nasceu em Herval, Rio Grande do Sul, em 24 de maio de 1818. Foi o primeiro e único barão de Itaqui, general e político brasileiro, presidente do estado do Rio Grande do Sul de 17 de junho a 4 de julho de 1892 e o responsável por iniciar uma guerra civil, que se transformaria, posteriormente, na Revolução Federalista (1893-1895). Era mais conhecido pelo apelido de "Joca Tavares".

Membro de importante família estabelecida na Colônia do Sacramento, que teve início com João da Silva Tavares e sua mulher Natália de Jesus. Filho do Visconde de Serro Alegre, João da Silva Tavares, e de Umbelina Bernarda da Assunção, e irmão do Barão de Santa Tecla.



Revolução Farroupilha

Sentou praça em 19 de setembro de 1835, na véspera de estourar a Revolução Farroupilha, tendo acompanhado seu pai e se juntado ao lado legalista. Três dias mais tarde teve seu batismo de fogo no arroio Telho, combatendo as forças revolucionárias de Gervásio Verdum. Em seguida seguiu para Pelotas e no caminho, próximo a São Lourenço, ajudou no combate às forças do coronel Antônio Gonçalves da Silva, em 19 de outubro. Em seguida, refugiou-se no Uruguai, retornando em 1836 para tomar parte no combate do Rosário, sendo feito prisioneiro pelo coronel Corte Real.

Na Batalha do Seival é novamente preso, instado pelo farroupilhas a mudar de lado, recusa-se inclusive a permanecer neutro, motivo pelo qual é mantido preso. Mais tarde é libertado, através da intermediação do chefe uruguaio Calengo. Após um curto descanso na fazenda da família em Taquari retorna ao combate, junto à seu pai. Atacado e sitiado, perto de Arroio Grande, pelas forças de Davi Canabarro, é obrigado a capitular, sendo feito, novamente prisioneiro, com seu pai. Ambos fogem e formam uma nova brigada.

Em 1840 combate o coronel Florentino Manteiga, em 1841, comandante de guerrilha, ajuda na derrota do major Félix Vieira, e em seguida, sob o comando do coronel Serafim Inácio dos Anjos, derrota o major “Quero-quero”.

Mais tarde serve nas forças do general João Paulo, e depois do coronel Manoel dos Santos Moreira. Encarregado da defesa de Pelotas, ali recebe ao barão de Caxias, nomeado presidente da província e comandante das armas. Com Tratado de Ponche Verde, termina a revolução, Joca Tavares tinha o posto de major, com 27 anos de idade e 10 de combate.


Guerra do Paraguai

Quando da Guerra contra Aguirre, em 1864, se voluntaria às tropas do general João Propício Menna Barreto, participando da tomada de Paissandu, Uruguai.

Promovido à coronel, ao iniciar a Guerra do Paraguai, organiza um corpo de voluntários para liberar Uruguaiana. Após a retomada da cidade, 18 de setembro de 1865, segue para Bagé como comandante de brigada. Incorpora-se, pouco depois, ao 3° Corpo de Exército, comandado pelo General Osório, com o qual marcha para o Paraguai.

Participou nos reconhecimentos de Passo-Pucu, Espinillo e da trincheira de Humaitá. Depois, em 1868, combateu em Palmas, recebendo a medalha do Mérito Militar por sua ação no combate de 11 de dezembro. No dia 21 combateu em Lomas-Valentinas, na linha Paqueceri, até o forte render-se.

Em 1869, segue para Assunção, onde aguarda a chegada do novo comandante em chefe, Conde D'Eu. Combate sucessivamente em Peribebuí, Campo Grande, Picada de Caraguataí, bate em Itopitanguá as forças do coronel Caneto, vence em Loma-Uruquá ao coronel Chênes. Braço direito do visconde de Pelotas, comandava sempre a vanguarda de suas forças.

Em uma das ocasiões, ao transpor o arroio Negla, aprisiona o coronel Salinas e por ele toma conhecimento do paradeiro de Solano López, na margem esquerda do arroio Aquidaban. Após avisar seus superiores, que para lá deslocaram as tropas, chega em 28 de fevereiro de 1870 a Aquidaban. Ataca o acampamento de Solano, que morre em fuga.

Terminada a guerra foi nomeado brigadeiro honorário do Exército, em 11 de maio de 1870, recebendo também o título de barão de Itaqui e cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro, além de receber a medalha da Campanha do Paraguai, com passador de ouro.

Em 1871 foi nomeado comandante da Guarda Nacional em Bagé, tendo sido comandante da guarnição de fronteira de 1874 a 1878. Entre maio de 1886 e julho de 1889, serviu sob o comando do marechal Deodoro da Fonseca, quando pediu exoneração, enquanto declarava-se republicano e renunciava ao título de barão.


Oficiais maragatos durante a Revolução Federalista


Revolução Federalista

Proclamada a República foi nomeado comandante da guarnição de Bagé, até ser exonerado em 18 de janeiro de 1892.

Em 17 de junho de 1892, Vitorino Ribeiro Carneiro Monteiro tornou-se presidente temporário do estado do Rio Grande do Sul na sucessão ao Marechal José Antônio Correia da Câmara, enquanto aguardava a instalação de um novo presidente. No mesmo dia, Júlio de Castilhos, candidato do Partido Republicano Riograndense, (PRR) se proclamou presidente em Porto Alegre. O governo durou apenas um dia, pois, no mesmo dia, Joca Tavares, filiado ao Partido Federalista do Rio Grande do Sul também se proclamou presidente na cidade de Bagé, onde permaneceu no poder até 4 de julho de 1892.

Quando Júlio de Castilhos novamente se tornou presidente do Estado do Rio Grande do Sul em 1893 (pela terceira vez), Joca Tavares se revoltou e iniciou uma guerra civil que logo se tornaria uma revolta generalizada contra os que eram apoiados pelo governo republicano do Brasil. Este confronto ficou conhecido por Revolução Federalista, e durou até 1895, quando ele e Inocêncio Galvão assinam a paz em Pelotas. Durante a Revolução Federalista, pairaram sobre ele acusações pela violência com que suas tropas tratavam os prisioneiros, inclusive, com a prática da degola.

Joca Tavares faleceu em Bagé, 9 de janeiro de 1906.

 
 
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domingo, 1 de janeiro de 2012

UMA INCRÍVEL HISTÓRIA DE GUERRA





A INCRÍVEL HISTÓRIA DO PILOTO DE UM CAÇA ALEMÃO QUE POUPOU O B-17 G E TODA A SUA TRIPULAÇAO


Nossa primeira postagem de 2012 traz uma incrível história, ocorrida no final da 2a Guerra Mundial.  Eis a história ...

Charlie Brown era piloto americano de um B-17G do 379º Grupo de Bombardeiros, sediado em Kimbolton na Inglaterra.  Seu B-17 era o "Ye Old Pub" e estava seriamente danificado, atingido pelas balas dos caças inimigos e pela artilharia antiaérea.
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Com a bússola arruinada, ele voava perdido e cada vez mais para dentro da Alemanha, ao invés de estar com rumo para sua base inglesa. Após sobrevoar um aeródromo alemão, um caça Messerschmitt Me-109G foi enviado para abater o B-17.
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Quem estava no comando do caça era o piloto alemão Franz Steigler. Ao se aproximar do bombardeiro, não podia crer no que via. Em suas palavras: "Nunca vi um avião naquele estado. A seção traseira, leme e profundores muito avariados, artilheiros feridos, a proa do quadrimotor danificada e furos por toda fuselagem."
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Embora tivesse o caça armado e carregado, Franz emparelhou seu Me-109 com o B-17 e olhou para o comandante Charlie Brown e este estava apavorado e lutando com os controles para manter o bombardeiro voando e ainda estava sangrando.  Ciente da desorientação do piloto, Franz acenou que eles girassem 180 graus, escoltando o avião em um rumo seguro para a Inglaterra. Então Charlie Brown saudou e voltou para sua base.
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Ao pousar, Franz informou ao comando que abateu o bombardeiro sobre o mar. No "debriefing", Charlie Brown e sua tripulação informaram o ocorrido, mas foram instruídos para não falar sobre o episódio com ninguém até então.
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Depois de 40 anos, Charlie partiu em busca daquele piloto alemão que o salvou. Depois deste longo tempo de pesquisa, ele encontrou Franz. Ele nunca citou o fato, nem nas reuniões do pós-guerra.  Ambos se encontraram nos EUA numa reunião de veteranos do 379º Grupo de Bombardeiros, com a equipe que ainda estava viva porque Franz não disparou suas armas.
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O encontro nos EUA,  com Franz Steigler à esquerda e Charlie Brown à direita

Quando perguntaram a Franz por que não derrubou o B-17, ele respondeu:  "Não tive coragem de acabar com a vida daqueles homens que lutavam para viver. Voei ao lado deles por um longo tempo. Eles davam tudo de si para chegar são e salvos à sua base, e eu não ia impedi-los de viver. Simplesmente não podia atirar em um inimigo indefeso. Seria o mesmo se eu estivesse num pára-quedas."
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Curiosamente, ambos os pilotos morreram em 2008.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

MENSAGEM DE FIM DE ANO

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Mais uma etapa concluída, mais um ano que passou, que você tenha conseguido aproveitar tudo de bom que Deus lhe ofereceu.

O BLOG HISTÓRIA MILITAR deseja, na paz de Deus, que você possa sempre encontrar o seu caminho e que este caminho seja trilhado com muita fé, para que, cada vez mais, você possa acreditar nesse sentimento capaz de transpor obstáculos e ser feliz.

Coragem para assumir e enfrentar as dificuldades, perseverança para que jamais desista ou desanime dos seus sonhos, esperança para que a cada novo dia possa ver novos horizontes.

Que as mãos de Deus guiem sua vida para a harmonia, paz, saúde e alegria, enfim, é tudo o que lhe desejamos neste ano que está começando.

Você, amigo do nosso Blog, é especial.   Feliz ano novo e que Deus o abençoe !

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sábado, 17 de dezembro de 2011

A BATALHA DA PONTE MÍLVIO (312)

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De acordo com o sistema da tetrarquia, Diocleciano, imperador romano de 284 a 305, quis prevenir as crises causadas pelo problema da sucessão imperial. O poder imperial pertence a dois titulares, iguais em autoridade e dignidade, “augustos”, que designam cada um seu sucessor potencial, os “césares”. Cada um tem sua área geográfica de governo: Oriente para Diocleciano e a Ilíria para seu sucessor designado, Galério; Ocidente para Maximiano e Gália e Bretanha para seu sucessor, Constâncio.

A tetrarquia desmorona a partir da abdicação de seus fundadores. Com a morte de Constâncio em 306, Galério quer reconstruir em proveito próprio a unidade do império. Constantino e Maxêncio, filhos legítimos de Constâncio e Maximiano, recusam-se a acatar o sistema e se fazem proclamar “augustos” por suas legiões. É o retorno ao prinípio de sucessão hereditária que Diocleciano pretendia abolir.

No dia 28 de outubro de 312, o imperador Constantino sai vencedor contra seu rival Maxêncio na batalha da ponte Mílvio, às margens do rio Tibre. Essa vitória lhe permitiu reunificar o império do Ocidente e assinar, no ano seguinte, o edito de Milão, que reconheceu aos cristãos o direito de praticar sua religião, contanto que não perturbassem a ordem pública e que orassem ao seu Deus pela prosperidade do império.

A Batalha da Ponte Mílvio é apenas a última etapa da luta comandada por Constantino para eliminar os outros pretendentes ao império. Atribuindo sua vitória à proteção do Deus dos cristãos, Constantino legitima, de fato, o cristianismo.


A conquista da Itália

O fracasso do sistema da tetrarquia provoca, a partir de 306, uma grande confusão na distribuição dos poderes no Império Romano. No Ocidente, contudo, a eliminação de Maximiano e de Galérico deixa em destaque apenas Constantino, proclamado “augusto” com a morte de seu pai, Constâncio, e Maxêncio, filho de Maximiano, proclamado igualmente “augusto”. Enquanto Maxêncio reside em Roma, Constantino, que fez aliança com Licínio, imperador do Oriente, está na Gália.

Em 312, apesar das reservas de seus conselheiros e de seus generais, utiliza como pretexto maus tratos infligidos por Maxêncio a seus súditos para chefiar uma expedição destinada a “libertar” a Itália. A decisão é ousada: Constantino está à frente de 25 mil homens, enquanto que seu oponente dispõe de pelo menos 100 mil soldados, divididos entre as cidades do norte da Itália e Roma.

O exército de Constantino transpõe rapidamente os Alpes, ultrapassando o desfiladeiro de Montgenèvre. Apodera-se da cidade de Susa, a qual incendeia, abrindo o caminho para Turim. Ali ocorre o combate mais violento: o exército dos generais de Maxêncio, muito superior em número e temível por seus clibanários – guerreiros cobertos por uma couraça de ferro e montados em cavalos protegidos por uma cota de malha – está disposto de modo a envolver o inimigo. Constantino, contudo, repetindo a tática de Cipião, o Africano, na batalha de Zama, alterna em sua frente de batalha intervalos por onde se precipitam os clibanários, que são massacrados. Essa vitória permite a Constantino fazer uma entrada triunfal em Milão.

Constantino I retratado em um mosaico bizantino


O último combate, na Transpadana, ocorre nas cercanias de Verona, defendida pelo prefeito do pretório Ruricius Pompeianus. Com uma manobra ousada, Constantino ordena a suas tropas atravessar o rio Ádige a montante da cidade, cercando-a. A batalha se desenrola à noite e Constantino sai vitorioso, o que acarreta a capitulação espontânea de outras cidades do norte da Itália. Constantino pode então marchar sobre Roma.


A ponte Mílvio

Maxêncio, que permaneceu em Roma, não se empenha na defesa da planície do rio Pó e da cordilheira dos Apeninos e, desse modo, Constantino pode descer tranquilamente até o rio Tibre. Do imperador Maxêncio, que os autores antigos apresentam como uma espécie de monstro cruel e pervertido, sabe-se pouca coisa, mas sua reação diante da agressão de Constantino prova que, pelo menos, ao contrário deste último, é desprovido de qualquer competência militar.

Extremamente supersticioso, Maxêncio é, de fato, atormentado por sonhos aterrorizantes e maus presságios que o impedem de marchar contra seu rival. Por influência dos magos de sua corte, decide assim mesmo enfrentar o adversário ao norte de Roma, no dia de seu aniversário, 28 de outubro.

O augusto de Roma conduz, então, suas tropas para perto da ponte Mílvio, que cruza o Tibre nas proximidades da via Flamínia, pela qual se desloca o exército de Constantino. Dispõe seus regimentos do exército na margem direita do Tibre, mas de maneira tão desastrada que estes ficam com o rio precisamente atrás deles, correndo o risco de cair na água ao menor movimento de recuo. Isso não preocupa Maxêncio que, por astúcia ou ingenuidade, deposita sua confiança em uma ponte de barcos que manda montar a alguma distância, a montante da ponte de pedra. De seu lado, na véspera da batalha, Constantino manda pintar nos escudos de seus soldados um emblema mágico que deve dar-lhes a vitória.

Legionários de Maxêncio e Constantino se batem junto à ponte Mílvio

No dia 28 de outubro, Constantino toma a iniciativa do combate. O ataque que lança desorganiza rapidamente o exército de Maxêncio, e seus soldados ocupam a ponte Mílvio. Parte dos homens de Maxêncio é precipitada no Tibre; outra se refugia em cima da ponte de barcos que, sob seu peso, se rompe. O tibre carrega então montes de cadáveres, o próprio Maxêncio morre afogado ao tentar atravessá-lo a cavalo.

Na Lenda Dourada, de Giacomo da Voragine, é relatada uma versão na qual a ponte de barcos construída por Maxêncio sobre o Tibre seria uma armadilha, que teria montado para enganar Constantino, na qual ele próprio caiu.

A vitória de Constantino é completa e ele é acolhido em Roma como um libertador. Seus soldados, que encontraram o cadáver de Max~encio, seguem o cortejo do triunfador, levando a cabeça do imperador defunto espetada na ponta de uma lança, sob os aplausos dos romanos. Com essa vitória Constantino domina sozinho o Império Romano do Ocidente.


Um sinal mágico?

Os panegíricos compostos depois da batalha da ponte Mílvio afirmam que a vitória de Constantino se deve a uma inspiração divina, sem outros detalhes sobre o deus (ou os deuses) que teria(m) intervindo. Mas fontes indicam que, em 310, num santuário gaulês de Apolo, Constantino viu aparecer um deus que lhe prometeu um longo reino vitorioso. A partir dessa data, dedica, aliás, um culto ao Sol: pode-se, pois, presumir que a ponte Mílvio é provavelmente um sinal mágico de natureza solar que o augusto mandou pintar nos escudos de seus soldados.

Desde 315, no entanto, os escritores cristãos Eusébio e Lactâncio afirmam que Cristo se manifestou ao imperador, quer na Gália, quer na véspera da batalha da ponte Mílvio. A lenda toma forma definitivamente no final do século IV: Jesus aparece em sonho a Constantino e lhe apresenta um emblema dizendo “Por este sinal, vencerás”. Esse famoso sinal é descrito: seria composto de duas letras gregas, o X atravessado pelo P, ou seja, o início da palavra Cristo. De fato, o lábaro ou estandarte imperial de Constantino traz esse sinal a partir do ano 320. Pode-se concluir que um sinal solar se transformou, posteriormente, em símbolo cristão.

Se Constantino, em 312, acreditou vencer em nome do sol, sua política em favor do cristianismo, a partir de 313, deu crédito à lenda maravilhosa da aparição na ponte Mílvio.
 
 
Fonte: Adaptado de As grandes batalhas da história, v.1.  São Paulo: Larousse do Brasil, 2009
 
 
 
 
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

70 ANOS DO ATAQUE A PEARL HARBOR

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Há 70 anos, em 7 de dezembro de 1941, aviões japoneses atacaram a principal base americana no Havaí sem aviso ofial prévio, levando os EUA à 2ª Guerra Mundial.  A esquadra americana é gravemente danificada, mas, por um golpe de sorte, seus porta-aviões não estavam ancorados naquele dia e saíram ilesos do ataque.





Ao final da 1ª Guerra Mundial, o Japão esperava ser favorecido pelos acordos de paz que retiraram colônias da Alemanha em benefício dos Aliados vitoriosos. Tais aspirações, no entanto, não foram concretizadas, o que provocou indignação no país, particularmente entre as forças armadas extremamente nacionalistas.  As forças armadas detinham grande influência no poder político japonês – o que era assegurado pela constituição do país - , e, em 1931, o Exército Imperial invadiu e conquistou a província chinesa da Manchúria, sem consultar o governo de Tóquio.

A ação provocou o repúdio internacional, mas o Japão respondeu às críticas abandonando a Liga das Nações e ampliando seu programa de rearmamento.  A tensão entre o Japão e a China aumentou e levou ao início da guerra entre os dois países, em 1937.  Os japoneses contabilizaram diversas vitórias e, diante da queda da França para os alemães, voltaram suas atenções para a Indochina, pressionando as autoridades locais para impedir que abastecimentos chegassem à China.  O governo colonial francês se recusou a aceitar o pedido, o que levou o Japão a partir para a ocupação militar da Indochina, em setembro de 1940.  Em resposta, a Grã-Bretanha, os EUA e a Holanda impuseram sanções econômicas contra o Japão, o que afetou cerca de três quartos do comércio japonês e 90% do fornecimento de petróleo para o país.

Restavam ao Japão duas opções: buscar acordos para a suspensão das sanções ou ir à guerra antes que seus recursos acabassem.  Com o governo militar e nacionalista liderado pelo General Tojo no poder, a primeira hipótese sequer foi considerada.



Os Japoneses Planejam

Durante o planejamento para a guerra, ficou claro que a maior ameaça para o Japão era a Esquadra do Pacífico norte-americana baseada no Havaí.  Por isso, foi decidido que o primeiro passo seria um ataque aéreo, partindo de porta-aviões, contra a base americana em Pearl Harbor.

Almirante Isoruku Yamamoto, o arquiteto do plano de ataque a Pearl Harbor


Os japoneses, bastante influenciados pela Marinha Real britânica, tinham investido bastante nas forças aeronavais.  O espetacular sucesso do ataque dos porta-aviões britânicos contra a esquadra italiana em Taranto convenceu os japoneses de que uma ação semelhante contra os norte-americanos poderia dar certo, acabando com a possibilidade de retaliação do inimigo. 

O Almirante Isoruku Yamamoto realizou um cuidadoso planejamento durante todo o ano de 1941, até chegar ao formato final da operação.  Seis porta-aviões seriam utilizados no ataque, conduzindo cerca de 400 aeronaves.  Depois de um treinamento intensivo, a força de ataque se reuniu em um ancoradouro isolado nas Ilhas Kurilas em 22 de novembro de 1941.  Após quatro dias de preparação, a frota japonesa, sob o comando do Vice-Almirante Chuichi Nagumo, zarpou, seguindo uma rota sinuosa e em regime de silêncio rádio para evitar sua detecção.  Diversos submarinos japoneses partiram para o Havaí, navegando isoladamente, com o objetivo de fornecer dados de inteligência e, se possível, atacar alvos de oportunidade.


O Ataque

A ação contra pearl Harbor foi cuidadosamente coordenada, com as diferentes ondas de ataque se aproximando de altitudes e direções variadas, para confundir as defesas da ilha.  O ataque começou com a decolagem de uma primeira onda de aeronaves, às 06:00h do dia 7 de dezembro de 1941, domingo.  Por volta das 07:55h, as primeiras aeronaves chegaram a Pearl Harbor, surpreendendo completamente a esquadra norte-americana.  Os aviões japoneses se dividiram em formações separadas, algumas seguindo para as bases aéreas, para impedir a decolagem de aviões norte-americanos, e outras se dirigiram para bombardear os navios atracados.

Rotas de aproximação dos aviões atacantes sobre Pearl Harbor


Os ataques aéreos foram um sucesso completo: quase 200 aeronaves foram destruídas no solo e outras 160 danificadas.  Apenas uns poucos aviões ficaram intactos, e a ameaça de interferência na ação japonesa foi praticamente extinta.

As aeronaves destinadas ao ataque contra os navios encontraram alvos tentadores.  No centro da enseada de Pearl Harbor ficava a Ilha Ford, ao lado da qual os encouraçados estavam atracados dois a dois em linha.  O primeiro ataque foi realizado por bombardeiros de alto nível, ao qual se seguiram os ataques de baixo nível com aviões torpedeiros, que se aproximaram da direção oposta.  Com navios tão grandes ancorados tão próximos uns dos outros, não foi difícil para os aviadores japoneses atingirem diversos alvos.

Encouraçados sob ataque aéreo ao lado da Ilha Ford


Depois de dez minutos do início do ataque, o encouraçado USS Arizona foi atingido por uma bomba e um torpedo.  A bomba penetrou pelo casco e explodiu em um paiol de munições, reduzindo o navio a pedaços.  Depois foi o USS Oklahoma e, às 08:00h veio a ordem para abandonar o navio.  Dentro dos vinte e cinco minutos seguintes foram destruídos ou seriamente danificados os cinco encouraçados restantes: os USS California, Maryland, Pennsylvania, Tenessee e West Virginia, além de outros navios menores.  Somente o USS Nevada conseguiu sair do lugar, mas também foi atingido e muito danificado, sendo forçado a encalhar em águas rasas para não afundar.

Fotografia tirada de um avião atacante mostrando os encouraçados sob bombardeio


Em trinta minutos os japoneses tinham levado a cabo sua missão mais importante – neutralizar a esquadra norte-americana no Pacífico – e causado sérios danos às unidades aéreas.

Contrastando com a total surpresa causada pela primeira onda de ataque, os aviões japoneses da segunda onda encontraram as defesas americanas totalmente alertas, tornando o ataque muito mais difícil.  Por esse motivo, o Almirante Nagumo decidiu não lançar o planejado terceiro ataque e o último avião japonês foi recuperado por seu porta-aviões por volta do maio-dia.  Nagumo, então, retiro a frota de ataque para o Japão a toda velocidade.
 

Contabilizando resultados

O ataque a Pearl Harbor foi devastador, mas não beneficiou o Japão tanto quanto o esperado.  Apesar do sucesso em afundar vários navios de grande porte, nenhum dos porta-aviões americanos estava na base no momento do ataque, e esse seria um detalhe que se mostraria decisivo.

Os encouraçados americanos em chamas após a retirada dos aviões japoneses


Além disso, ao se concentrar em afundar os navios em vez de destruir as instalações da base naval, os japoneses perderam a oportunidade de impossibilitar as operações navais  americanas no Pacífico por meses.  Quando as tarefas de rescaldo e recuperação terminaram, os norte-americanos conseguiram trazer Pearl Harbor de volta ao estado operacional rapidamente.

A principal consequência do ataque, contudo, foi a entrada dos EUA na 2ª Guerra Mundial, desequilibrando, em favor dos aliados, a balança de forças.  Como o Almirante Yamamoto temia, em vez de dar um golpe certeiro nos americanos, Pearl Harbor serviu apenas para incitá-los e colocou o Japão no caminho de uma derrota arrasadora.



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sábado, 3 de dezembro de 2011

ENCONTRADO SUBMARINO HOLANDÊS AFUNDADO NA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Submarino holandês afundado em 1941, durante a campanha militar japonesa na Ásia, foi encontrado no Mar do Sul da China, perto de Borneu.



O K XVI afundou com 36 tripulantes a bordo após ser atingido por um torpedo japonês, em 25 de dezembro de 1941. Os destroços foram encontrados após dicas de um pescador local.

Mergulhadores australianos e de Cingapura estabeleceram a identidade da embarcação com base nas características singulares dos submarinos holandeses. A localização exata dos destroços está sendo mantida em segredo por respeito aos restos mortais dos 36 tripulantes que lá jazem. O próximo mês de dezembro marcará os exatos 70 anos do afundamento do submarino.


Destroços do K XVI  fotografados no fundo do Mar do Sul da China


No total, sete submarinos holandeses foram destruídos durante a 2ª Guerra Mundial. Seis foram atacados em patrulha e um foi atingido durante um bombardeio no porto de Surabaya, na Indonésia.

Seis dos destroços já foram encontrados. Somente um submarino, o O 13, que afundou no Mar do Norte em junho de 1940, permanece perdido.


Fonte: Radio Netherland Worlwdwide
 
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

IMAGEM DO DIA - 25/11/2011

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Infantaria polonesa formando uma linha de tiro durante a Batalha de Leipzig (1813)


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CENTENÁRIO DO PRIMEIRO ATAQUE AÉREO DA HISTÓRIA

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Há cem anos, piloto italiano inaugurava a era do avião como arma de guerra com o primeiro ataque aéreo.




A estranha máquina voadora deixou incrédulos os soldados do Exército Turco acampados no pequeno oásis de Ain Zara, a leste de Trípoli, na manhã de 1º de novembro de 1911. Zumbindo a uma velocodade de 100 km/h, sobrevoou duas vezes o acampamento antes de iniciar sua verdadeira missão. Nos controles do primitivo aparelho feito de madeira e lona, a 180 metros de altitude, o tenente italiano Giulio Gavotti, com 29 anos de idade, iria escrever seu nome nas páginas da história.

O aviador italiano Tenente Guilio Gavotti

 
Em sua terceira passagem, pegou uma granada de 1,5 kg, tirou o grampo de segurança com os dentes, e deixou cair sobre os inimigos, realizando o primeiro ataque aéreo da história.

Por uma dessas estranhas coincidências do destino, exatamente um século depois, pilotos italianos, voando sob o comando da OTAN, novamente bombardearam do céu da Líbia. E, como em 1911, quando o ataque significou o encerramento de séculos de domínio otomano no então território da Tripolitânias, a interevnção internacional da qual a Itália fez parte em 2011 marcou o fim de décadas da ditadura de Muamar Kadafi. Se no primeiro caso o emprego do poder aéreo ainda engatinhava, no segundo representou o principal trunfo da Aliança Atlântica.

No próprio dia 1º de novembro de 1911, o tenente Gavotti escreveu a seu pai dizendo que iria tentar lançar bombas do avião, no primeiro experimento de se fazer algo do gênero, e que, se tivesse sucesso, ficaria feliz de ser o pioneiro.

Integrantes do Batalhão de Aviadores italiano no deserto da Líbia

 
Nascido em 1882, Giulio Gavotti estudou engenharia e obtece seu brevê de aviador em 1910. Quando começou a Guerra Ítalo-turca no ano seguinte, foi enviado ao norte da África como um dos onze pilotos do Batalhão de Aviadores. No comando de uma das aeronaves que compunham o poderio aéreo da expedição militar italiana, Gavotti ficaria surpreso se soubesse que, cem anos depois, mais de 250 aviões seriam enviados contra as forças do ditador líbio. E mais ainda se pudesse imaginar que as quatro granadas lançadas em seu ataque aéreo inaugural – uma delas tirada do bolso de sua jaqueta de voo – pareceriam inofensivos se comparadas aos 110 mísseis Tomahawk que caíram sobre os alvos líbios apenas no primeiro dia da ofensiva da OTAN contra Kadafi.

O Taube de Gavotti atacando o acampamento turco em Ain Zara


Em 1911, o avião era rudimentar e muito perigoso para quem voava, o que provocava desconfiança a respeito da utilidade da aviação no campo de batalha. Tal desconfiança era de se esperar: apenas oito anos haviam se passado do pioneiro voo dos irmãos Wright, nos estados Unidos, e cinco do de Santos Dumont, na França. De fato, mais do que uma arma de combate, pensava-se no avião, naqueles primeiros dias da aviação, como instrumento de reconhecimento em profundidade nas linhas inimigas, um substituto para os balões de observação.

Coube a outro membro do Batalhão de Aviadores, o capitão Carlo Piazza, a primazia de fazer o voo inédito para bisbilhotar as posições adversárias, apenas nove dias antes da estreia do taube de Gavotti como arma de guerra. E de novo ao jovem genovês, em 4 de março de 1912, a ousadia de cumprir a primeira missão aérea noturna.


Fonte: O Globo (adaptado)
 
 
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

SUICÍDIO SUBMARINO - VERGONHA OU HONRA ?

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Destróier G-101 alemão afundado por sua própria tripulação em 1919


De acordo com os termos do armistício de 1918, que pôs fim à 1ª Guerra Mundial, a Esquadra de Alto-Mar alemã foi obrigada a navegar até a base naval britânica de Scapa Flow, nas ilhas Orcadas ao norte da Escócia, e lá aguardar até que os Aliados decidissem seu destino. Marinheiros e oficiais alemães haviam aceitado a humilhante entrega dos navios, mas, passados alguns meses, manifestaram descontentamento com a situação.

Ciente de que sua esquadra seria repartida entre as nações vencedoras, tão logo as negociações de paz fossem concluídas, o Almirante Ludwig von Reuter decidiu levar a cabo o “suicídio” da frota alemã. Na manhã de 21 de junho de 1919, Von Reuter hasteou no mastro de sua neve capitânea a mensagem em código “Parágrafo II”, que significava preparar-se para ir a pique. Uma hora depois, hasteou a mensagem “Condição Z”, determinando o afundamento dos próprios navios.


O Almirante Ludwig von Reuter ordenou o autoafundamento da Marinha Alemã em Scapa Flow


O autoafundamento foi recebido com sarcasmo pelos almirantes aliados, mas, na Alemanha, foi visto como um grande gesto de coragem e desafio. Nos anos seguintes, o “sacrifício em Scapa Flow” foi assimilado pelos novos oficiais e marinheiros da Kriegsmarine como a encarnação do espírito de luta da Marinha Alemã.

Em maio de 1945, com o fim da 2ª Guerra Mundial, por iniciativa própria, os comandantes da maioria dos submarinos alemães – os U-boats – seguiram o exemplo da geração anterior. Após a transmissão da mensagem em código “Regenbogen” (arco-íris), aproximadamente 220 submarinos alemães espalhados pelos mares do Norte e Báltico foram afundados por suas tripulações. Mais uma vez, boa parte da elite da Kriegsmarine não cairia nas mãos dos Aliados.


Mapa mostrando a localização onde os comandantes alemães afundaram seus U-boats em 1945 após a derrota da Alemanha.  Os números representam a quantidade de submarinos afundados em cada local.
 
 
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