"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O DIA EM QUE TROPAS DAS EX-COLÔNIAS NA ÁFRICA AJUDARAM A LIBERTAR A FRANÇA DO NAZISMO

.

15 de agosto de 1944: o dia em que tropas das ex-colônias na África liberaram a França do nazismo

Por Adriana Moysés

A França comemorou ontem (15) os 75 anos do desembarque de tropas aliadas na região da Provença (sul), também conhecida como “Operação Dragão”, uma etapa determinante para a liberação do país da ocupação nazista no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Dos 235.000 combatentes franceses que chegaram às praias na costa do Mediterrâneo, 90% eram soldados africanos provenientes das ex-colônias do norte da África e da África subsaariana.

O reconhecimento da importância dos atiradores senegaleses, marroquinos, argelinos e tunisianos para a liberação da França da ocupação alemã demorou várias décadas. Alguns especialistas, como o historiador Pascal Blanchard, da Sorbonne, estimam que até hoje a França não presta uma homenagem justa a esses homens, à altura do que eles fizeram pela liberdade dos franceses.

Até os anos 2000, os dirigentes franceses ocultaram o papel dos soldados africanos e de ex-colônias do Índico e do Pacífico na vitória dos aliados contra o Exército de Hitler. Blanchard, especialista no império colonial francês, observa que sempre que o Estado fazia referência ao desembarque de tropas aliadas nas comemorações oficiais, as imagens exibidas eram da Normandia, em junho de 1944, que envolveu uma maioria de soldados brancos – americanos, canadenses e britânicos. “Poucos africanos integraram divisões que liberaram Paris, enquanto nas praias da Provença as tropas eram negras”, disse em entrevista à RFI.

Atirador marroquino com uniforme de combate
 
Era preciso mostrar que a França se liberou por si mesma, com soldados brancos”, afirmou o historiador. Essa postura de encobrir a participação crucial dos ex-colonos na Segunda Guerra só mudou a partir de 2004. O então presidente Jacques Chirac declarou, pela primeira vez, durante as comemorações do 60° Desembarque da Provença, que os soldados das ex-colônias tiveram “uma atuação magnífica nos combates para nossa liberação”. Na cerimônia realizada em Toulon, Chirac reconheceu que eles “pagaram um preço alto pela vitória”. Superado esse “esquecimento”, os presidentes Nicolas Sarkozy e François Hollande passaram a convidar líderes africanos para a ocasião. No caso de Emmanuel Macron, quase houve um retrocesso.

Inicialmente, o Palácio do Eliseu não havia previsto uma celebração especial neste 75° aniversário. Mas em julho, Blanchard e outras 22 personalidades, incluindo escritores, jornalistas e historiadores, publicaram um artigo no jornal Le Monde criticando o descaso do governo com esse fato histórico. Após a publicação, Macron admitiu que houve um descuido e se comprometeu a organizar e participar pessoalmente da cerimônia. Blanchard apreciou a reatividade do chefe de Estado.


Cerimônia no sul

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, e da Guiné, Alpha Condé, participaram do 75° aniversário celebrado nesta quinta, nos arredores de Saint-Raphael (sul), ao lado de Macron. Sarkozy também estava entre os convidados. A comemoração aconteceu na necrópole de Boulouris, onde estão sepultados os corpos de 464 combatentes.

O escritor senegalês David Diop fez um discurso em homenagem aos atiradores senegaleses, lembrando que muitos deles foram massacrados pelos nazistas de maneira ainda mais violenta por serem negros. “Todos deram prova de coragem e de bravura fora do comum, pagando caro pela vitória que ajudaram a conquistar”, declarou Macron. O presidente da Guiné assinalou que os soldados africanos dividiram com os franceses o sangue e o suor dos últimos combates da Segunda Guerra Mundial. “O Desembarque da Provença faz parte de uma memória coletiva compartilhada pelos povos francês e africano para salvar a liberdade”, concluiu.

Os presidentes da Guiné, França e Costa do Marfim participam da homenagem aos soldados que participaram do Desembarque da Provença, em cerimônia realizada em Boulouris.


Convidado para a cerimônia, Jacky Klingère, filho de um militar argelino, contou à reportagem da RFI que seu pai desembarcou na localidade de Saint-Maxime, depois de chegar ao litoral da França a bordo de um cargueiro com americanos. “Ele anotou diariamente o que fazia num pequeno caderno que guardo até hoje. Meu pai subiu do Mediterrâneo até Colmar (leste), ao lado de outros combatentes.

Para o cineasta e historiador Éric Deroo, mais importante do que a França demonstrar arrependimento por ter passado décadas sem reconhecer o papel dos soldados africanos na vitória sobre o nazismo, é realizar um trabalho de fundo na sociedade.

Temos uma história em comum com as ex-colônias. A questão não é permanecer numa rivalidade pela memória. O que pode ajudar a fortalecer essa identidade comum é fazer filmes, teses de pesquisa e criar museus para informar os jovens e as futuras gerações sobre a participação das tropas africanas para a liberação da França”, disse Deroo à rádio France Info.


A ofensiva militar

Dois meses depois do desembarque aliado na Normandia, iniciado em 6 de junho de 1944, a “Operação Dragão” teve o objetivo de enfrentar as tropas alemãs entrincheiradas em Toulon e desbloquear o acesso aos portos franceses do Mediterrâneo. A estratégia era ocupar uma área entre as cidades de Bormes e Saint-Raphael, para escapar do fogo inimigo, e sem seguida reconquistar Marselha e Toulon.

A ofensiva militar dos aliados ocorreu em duas etapas. Em uma primeira campanha aérea, 5 mil soldados paraquedistas foram lançados ao longo de uma rodovia com o objetivo de isolar os alemães. Na sequência, uma frota de 220 navios americanos e britânicos, vindos do norte da África, da Córsega e do sul da Itália, desembarcou dezenas de milhares de soldados nas praias do Var. 

Soldados nativos de zonas tribais do Marrocos, que integravam um regimento de infantaria das forças aliadas, desfilam após a reconquista do porto de Marselha, em agosto de 1944.

Ao todo, 350.000 combatentes aliados foram mobilizados para enfrentar os 250 mil homens do exército inimigo espalhados na região. Mas os alemães ofereceram pouca resistência e se renderam, sob as ordens de Hitler. No dia 21 de agosto, com a ajuda dos africanos, as cidades de Aix-en-Provence, Arles e Avignon foram reconquistadas. Tropas francesas e americanas liberaram em seguida Toulon, Marselha, Cannes e Nice. Em 14 dias, o sul da França estava livre dos nazistas.

Fonte: RFI Brasil

.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

O INTERCÂMBIO CULTURAL ENTRE OS SOLDADOS NA GUERRA DA CRIMEIA

.

Inimigos no campo de batalha, oficiais russos e seus adversários não perdiam oportunidade de se comunicar durante os momentos de trégua.

Por Yuri Ossokin


A guerra da Crimeia, que ocorreu há 160 anos, no início de setembro de 1854, foi o primeiro conflito em que a Rússia foi confrontada pela Inglaterra, que lutou em uma coligação com a França e a Turquia. No nível político, os países eram inimigos, mas para os indivíduos que lutaram no conflito a guerra não era razão para esquecer as boas maneiras e a cortesia. Os oficiais russos falavam inglês e francês, o que permitia a comunicação civilizada fora de combate entre aqueles que no dia seguinte voltavam a ser inimigos irreconciliáveis.

O cerco de Sebastopol foi, além de um combate do Exército russo contra a coligação franco-inglesa, um encontro de culturas diferentes. Sendo inimigos no campo de batalha, os russos e seus adversários não perdiam oportunidade de se comunicar nos acampamentos militares, durante os momentos de trégua. O jornalismo de guerra, o gorro balaclava, o sobretudo raglan e o casaco cardigan surgiram durante o cerco de Sebastopol.


“É a vontade de Deus” 

Após o bombardeamento de Odessa pela esquadra franco-inglesa, a fragata britânica Tigre, cuja missão era bloquear a cidade, encalhou em um nevoeiro espesso na entrada do porto. A tripulação de 225 oficiais e marujos foi aprisionada e alojada em Odessa. Mais tarde, por ordem do imperador russo Nicolai I, a tripulação foi mandada para casa. Em Odessa, os prisioneiros viviam em excelentes condições,  sob a constante atenção da população local. Tudo isto foi descrito em suas cartas para familiares e amigos. Um marinheiro relatou: “Um dia, sob a bandeira de trégua, veio ter conosco um oficial russo de idade. Fez uma saudação para um grupo de soldados ingleses e partilhou com eles o rapé. Depois de beber rum com os nossos, disse a um oficial britânico: ‘Os russos gostam muito de ingleses e, se pudessem, nunca entrariam em guerra convosco. Pelo visto, é a vontade de Deus’”. 

Soldados russos na Crimeia


Enquanto os oficiais se comportavam como cavalheiros, sobre os soldados não se podia dizer o mesmo. Para os simples soldados russos, ao contrário dos oficiais de educação europeia, os ingleses e franceses eram intrusos, encarados como ocupantes que deviam ser expulsos a todo custo. “Testemunhei um caso repugnante: um jovem oficial inglês deu a um ferido russo um gole de brandy de seu cantil; mal lhe virou as costas para ir embora, levou um tiro fatal do soldado impassível”, recordou em uma carta Timothi Gowing, atirador real.

Mas os soldados dos aliados tampouco eram exemplos de civilização. Chacotas e torturas eram bastante frequentes, e nisso se empenhavam sobretudo os franceses, endurecidos pela guerra contra os selvagens na  Argélia. Caffir, criado do capitão Clifford, contava com uma sinceridade aterrorizante que para ele o  maior prazer era passear pelo campo depois da batalha, contemplando corpos mutilados de soldados inimigos, que lhe lembravam “maçãs no quintal”. Uma vez, voltou carregado de sabres e capacetes russos, murmurando: “Ai que bom! Tantos mortos! Braços e pernas por todo lado. São inimigos de meu senhor”.


Heranças da guerra 

A guerra da Crimeia deixou influências nas línguas dos países beligerantes e na área de vestuário. Em inglês, até hoje existe o termo “balaclava”, que designa um gorro de malha com orifícios para olhos e nariz. Reza a lenda que este termo foi introduzido pelos soldados britânicos que não tinham vestimentas adequadas no inverno de 1854–1855 e passavam muito frio nos arredores da cidade de Balaclava, na Crimeia. Outro exemplo conhecido é um sobretudo com mangas de corte especial chamado de raglan, que costumava ser usado por Fitzroy Somerset, primeiro barão Raglan, comandante das forças britânicas, que tentava ocultar deste modo a falta do braço direito, perdido ainda na juventude durante a batalha de Waterloo. Mais uma peça de roupa – uma blusa de malha com botões e sem gola – foi batizada de cardigan, em memória de James Brudenell, sétimo conde de Cardigan, que gostava de vestir a blusa por baixo da farda durante o inverno. Os habitantes da Europa tinham bastante frio na Crimeia.

Soldados britânicos em um acampamento na Crimeia


Segundo uma lenda popular, foi durante a guerra da Crimeia que surgiram os “papirossi”: tanto os aliados como os russos adotaram um hábito turco de fazer uma espécie de cigarro enchendo de tabaco cartuchos de papel para pólvora.


Tratado de paz

No final de 1855, os participantes do conflito começaram a perceber que não valia a pena continuar lutando. Perdas enormes (apenas nos arredores de Sebastopol, os aliados perderam cerca de 90 mil soldados, sem contar com os que morreram de doenças) viravam as sociedades francesa e inglesa contra a guerra, e a Rússia também estava em uma situação difícil. Na sequência de conversações, foi assinado o Tratado de Paz de Paris, em 18 de março de 1856. Todos os grandes Estados tiveram que chegar a um compromisso, porque o balanço de forças na Europa não mudou após a guerra, nem foram resolvidas as questões que provocaram o conflito. Lamentavelmente, passados 60 anos, em 1914 os mesmos problemas voltaram a provocar um conflito armado, que ficou conhecido como Primeira Guerra Mundial. 

Fonte: Gazeta Russa


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

MORRE UM DOS ÚLTIMOS VETERANOS DO LENDÁRIO REGIMENTO NORMANDIE-NIEMEN

.


Yuri Maksayev, um dos últimos veteranos russos do regimento de Normandie-Niemen, faleceu. Ele participou da libertação de Smolensky, da Bielorrússia e da Lituânia da ocupação alemã.


O ex-integrante do legendário Regimento Normandia-Niemen, atuou como mecânico de aeronaves, faleceu no dia 3 de agosto, segundo anúncio feito pela Embaixada da França na Rússia.

Nascido em 9 de janeiro de 1926, tinha apenas 17 anos de idade quando ingressou na escola de aviação militar. Tão logo se formou, juntou-se às fileiras da famosa unidade, símbolo da cooperação franco-soviética contra o inimigo nazista, realizando a manutenção dos motores dos caças Yak-3 .

Yak-3 do Regimento Normandie-Nemen em ação


No rescaldo do conflito, durante o qual ele participou da libertação de Smolensk, Bielorrússia e Lituânia, Maksayev serviu como engenheiro no 18º Regimento de Aviação de Guardas, antes de ingressar, em 1951, na aviação civil soviética.

Como a embaixada apontou, sempre foi muito importante contribuir para aproximar os dois países "reunindo-se regularmente com os alunos das escolas da Normandie-Niemen e participando da pesquisa realizada por membros de associações e Museus da Normandie-Niemen em toda a Rússia."

Yuri Maksayev na época da guerra

 Ele havia viajado para a França em 2015 para participar da inauguração do espaço "Normandie-Niemen" no Air and Space Museum, em Le Bourget, e, em 2017, para participar das comemorações do 75 anos da criação do famoso regimento. Detentor de altas honrarias francesas e soviéticas, como o título de cavaleiro da Legião de Honra, ele deu seu último suspiro aos 93 anos de idade.

Fonte: Russia Beyond

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

CONFERÊNCIA "A GUERRA AÉREA NO VALE DO PARAÍBA EM 1932"

.
Por ocasião do 1º Simpósio de História Militar do Vale do Paraíba, que será realizado em Lorena-SP entre 6 e 9 de agosto, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar apresentará a conferência A guerra aérea no Vale do Paraíba em 1932.


.


IMAGEM DO DIA - 2/8/2019

.

 Fuzileiros do Regimento de Infantaria de Colburg prussiano durante instrução de tiro no verão de 1811.  

domingo, 28 de julho de 2019

OS KATIUSHAS RUSSOS DO SÉCULO XIX

.

Os lançadores de foguetes, uma das principais ferramentas de ataque dos arsenais militares modernos, já eram amplamente utilizados em guerras muito antes do século 20. Em 1800, projetistas russos apresentaram um dos sistemas de lançadores mais avançados da época.

Por Yuri Ossokin



Durante a Guerra Russo-Turca de 1828-1829, o Exército russo, posicionado na Península Balcânica, era composto por 24 lançadores armados com cerca de 10 mil sistemas de foguetes produzidos pelo projetista russo Aleksandr Zasiadko.

Alimentados com combinações de pólvora e transportando bombas fragmentárias ou incendiárias, os foguetes eram lançados de plataformas especiais em baterias de 36 unidades. Com alcance de até três quilômetros, eram nada menos que precursores de vários sistemas de foguetes modernos.

Os primeiros foguetes militares foram construídos de modo semelhante aos fogos de artifício, cuja presença era obrigatória nas grandes festas da Europa, Ásia e Rússia desde o século XVII. A variante militar diferia principalmente em suas dimensões maiores – necessária para carregar explosivos pesados.

Foguete do século XVIII

O laboratório de pirotecnia de Zasiadko, primeiro em Moguilev (na atual Bielorrússia) e mais tarde em São Petersburgo, produzia foguetes de diversos calibres, como os usados ​​pela artilharia convencional. Isso ocorria devido à inclusão no componente explosivo das mesmas bombas fragmentárias e incendiárias disparadas por canhões em serviço.

Depois dos sucessos no campo de batalha durante a guerra contra a Turquia, o uso de armamento como lançadores de foguetes foi intensificado. Sua excelente capacidade incendiária deu rapidamente aos armeiros russos a ideia de montar navios de guerra com foguetes. Mas foi Konstantin Konstantinov, outro projetista qualificado e entusiasta por foguetes, que abriu as portas para os lançadores de foguete nos barcos movidos a remo e vela na primeira metade do século XIX.

O projetista de foguetes Konstantin Konstantinov

Konstantinov foi capaz de melhorar tanto o alcance de tiro como a precisão dos foguetes ao girar os projéteis durante o voo. Isso se devia à instalação de aberturas laterais que liberavam parte da força de combustível da mistura de pólvora.

Outra medida para aperfeiçoar a tecnologia veio com novos componentes de pó combustível, o que permitia que os foguetes ganhassem velocidade gradualmente e garantia uma trajetória balística ideal e estabilidade de voo.

Versões modificadas dos foguetes de Konstantinov da década de 1840 podiam atingir um alvo a 4,2 km – uma distância inalcançável para as peças de artilharia sem estrias da época.

O maior fabricante de foguetes militares nas décadas de 1830 e 1840 foi o Instituto de Foguetes de São Petersburgo, que em 1850 produziu 49 mil foguetes de diversas especificações.

Três anos depois, em 1853, eclodiu a Guerra da Crimeia. O conflito contou com amplo uso de foguetes pela Rússia e Reino Unido, especialmente no bombardeio das cidades russas de Odessa e Sevastopol. No entanto, como Konstantinov destacou em suas memórias, as deficiências em suas maneiras de medir o alcance e duração de voo resultaram na ativação prematura de seus detonadores, fazendo com que foguetes explodissem no ar antes de atingirem o alvo. De um modo geral, a construção de foguetes britânicos era, em sua opinião, falha.

Soldado russo disparando foguete durante a Guerra da Crimeia


Enquanto isso, os russos deram o melhor de si, lançando fogo contra os aliados com a primeira artilharia móvel de foguetes do mundo –  em sua essência, precursores dos Katiushas do século XX.

Plataformas de lançamento com seis ou dez tubos foram montadas em carroças puxadas por cavalos, permitindo a rápida implantação dessas armas pesadas. Aliás, a bateria de foguetes do tenente Dmítri Scherbatchiov ganhou fama duradoura por causa desse conflito.
Ao longo do século XIX, a Rússia tinha um dos foguetes mais avançados da época. O surgimento de peças de artilharia precisas e longo alcance com as mesmas capacidades militares básicas causaram, posteriormente, o declínio temporário do uso de lançadores de foguetes. No entanto, como mostra a história, esse foi apenas o prólogo de uma longa história a serviço do exército.

Fonte: Gazeta Russa



segunda-feira, 22 de julho de 2019

IMAGEM DO DIA - 22/7/2019

.

Um sargento e três legionários pertencentes ao 2º Regimento Estrangeiro francês em serviço no Marrocos. Junho de 1903.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS DA GUERRA CIVIL AMERICANA



 
.
A Guerra Civil Americana (1861-1865), também conhecida como Guerra da Secessão, é considerada por vários historiadores como a primeira guerra moderna da era contemporânea. O conflito trouxe vários avanços na área militar. Pela primeira vez, rifles de repetição foram utilizados em escala significativa. Armas de fogo de cadência rápida, precursoras das modernas metralhadoras, foram aprimoradas.

O conflito foi a primeira guerra onde balões foram utilizados com o propósito de reconhecimento aéreo. Pela primeira vez,encouraçados foram utilizados em guerra, bem como submarinos capazes de destruir outros navios. Minas terrestres e aquáticas ganharam uso em quantidade sem precedentes no mundo ocidental. Além disso, as ferrovias, que já haviam sido utilizadas na guerra do México contra os EUA e na guerra da Criméia, o foram agora, intensamente, para movimentar um grande número de soldados de uma região para outra, em questão de poucos dias.

A Guerra Civil também pode ser considerada uma guerra moderna em função da grande destruição que provocou e, onde os contendores mobilizaram todos os recursos de que dispunham, envolvendo nela toda a sociedade e seus meios de produção.

A guerra envolvendo os nortistas (União) e os sulistas (confederados), pode ser considerada um grande campo de provas, onde os avanços tecnológicos foram influências preponderantes no seu desenrolar e, na maioria das vezes, evoluíram numa velocidade superior a da tática.

Os fuzis e as carabinas de repetição deram nova feição ao combate de infantaria

Diversos avanços tecnológicos utilizados pela primeira vez para fins bélicos mudaram a feição desta guerra e de outras posteriores que incorporaram tais avanços, tais como os fuzis de repetição, neste caso o Minié, que deram origem às trincheiras, com eliminação quase total do sabre, pois o combate corpo-a-corpo era bem mais difícil. Foi o fim do ataque frontal como era concebido até então e a cavalaria passou a ser secundária. As campanhas fulminantes tornaram-se raras, pois era quase impossível obter vitórias rápidas, sendo que neste conflito ambos os contendores usaram o ataque frontal, sempre sem sucesso e com pesadas baixas dos atacantes. Os canhões passaram de arma de ataque para arma de apoio, postados atrás da linha da infantaria. A guerra agora deveria ser baseada em manobras de ordem dispersa.

Os navios couraçados mudaram o panorama e aposentaram as embarcações de madeira, que junto a introdução do primeiro submarino, o CSS Hunley, que possui o feito de ser o primeiro a afundar uma embarcação durante período de guerra, quando em 17 de fevereiro de 1864 colocou a pique o USS Housatonic, modificaram a concepção do poder naval.

O confederado CSS Hunley foi o primeiro submarino operacional da história

 
Destaca-se também a velocidade da condução da guerra, que foi surpreendente, começando pela concentração das tropas bem como o seu transporte, através do uso maciço das ferrovias, perpassando as comunicações com o uso do telégrafo, na transmissão de ordens e informações de reconhecimento.

No campo estratégico, inicialmente visualizou-se em ambos os lados a condução da guerra através da logística, quando o sul considerava a sua vitalidade no conflito relacionado com o comércio europeu, para a obtenção de produtos devido ao seu fraco parque industrial e os nortistas buscaram impedir isso ao máximo com o bloqueio dos portos e ambos buscaram uma guerra de desgaste, vencendo não pela destruição, mas pela incapacidade de prosseguir lutando. Com o passar do tempo, o conflito caracterizou-se por ser de guerra total, contra o exército inimigo e contra a população civil, por vezes apresentando decadência moral através do ódio fomentado entre ambas as partes, saques e destruições generalizadas.

As ferrovias foram intensamente empregadas por ambos os lados.  Mapa mostrando a malha ferroviária confederada

Apesar do sul mais fraco, ele ficou com a concentração maior de oficiais do exército nacional, isso proporcionou um comando melhor na fase inicial, onde os confederados conseguiram vitórias iniciais, apesar da inferioridade numérica, de armamentos e meios.

A Guerra de Secessão atrelou definitivamente a evolução tática e os avanços tecnológicos. Após o conflito, todos os pensadores militares e exércitos do mundo associavam a sua tática a ser empregada à tecnologia disponível pelo inimigo e pelas próprias forças. Não levar em conta esse fator seria provocar baixas inaceitáveis, como as ocorridas em Fredericksburg em 1862, Gettysburg em 1863 e Cold Harbor em 1864. O panorama da guerra mudou totalmente, influenciando o desenrolar do conflito franco-prussiano de 1870, estendendo seus reflexos até a 1ª Guerra Mundial, onde novos avanços surgiram e o panorama, após esta, tomou novos rumos


.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

CONFERÊNCIA SOBRE AS "BRUXAS DA NOITE" NO INCAER

.


Por ocasião do 269º Encontro do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, farei uma conferência sobre as BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA DE MUNDIAL.

Se você curte estudar e pesquisar sobre aviação, guerra e gênero, não perca. Venha e conheça a fantástica história dessas jovens aviadoras na defesa de sua Pátria.

A guerra, no feminino.

A conferência ocorrerá no próximo dia 30, às 14 horas, no INCAER.  Não perca.

.

sábado, 6 de julho de 2019

IMAGEM DO DIA - 6/7/2019

.

Líbia 1940. Paolo Badoglio, filho do Marechal, em uniforme colonial da Regia Aeronautica com jaqueta, shorts curtos, sandálias e boné rígido, encostado à hélice de um Caproni Ca.309 Ghibli. Paolo Fernando Badoglio (1912-1941), era doutor em ciências políticas, casado com Annina Silj (sobrinha do Cardeal Augusto Silj e prima do Cardeal Gasparri). Detinha a patente de Tenente di complemento, morreu na Líbia após a capotagem de um veículo militar.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

O SUICÍDIO DO MARECHAL DE CAMPO ERWIN VON ROMMEL - RELATO DO SEU FILHO MANFRED ROMMEL

.


Relato do filho do Marechal Erwin von Rommel, Manfred, sobre a criminosa morte do chefe militar alemão por ordem de Adolf Hitler


Em 17 de julho de 1944, aviões britânicos atacaram o carro oficial do General Rommel, ferindo-o gravemente. Ele foi levado para um hospital e depois para sua casa na Alemanha para convalescer. Três dias depois, uma bomba explode durante uma reunião de estratégia com Hitler, matando vários oficiais em seu quartel-general na Prússia Oriental. Em represálias sangrentas que se seguiram, alguns suspeitos envolveram Rommel na conspiração. Embora ele não tenha tido conhecimento do atentado contra a vida de Hitler, sua “atitude” derrotista foi o suficiente para justificar a ira de Hitler. 

O problema para Hitler era como eliminar o mais popular general da Alemanha, sem revelar ao povo alemão que ordenou sua morte. A solução foi forçar Rommel a cometer suicídio e anunciar que sua morte foi em consequência dos ferimentos.

Rommel em seus tempos de glória. Hitler teve dificuldades para eliminar o mais popular general da Alemanha

O filho de Rommel, Manfred, de 15 anos de idade, servia em uma bateria antiaérea perto de sua casa. Em 14 outubro de 1944, Manfred foi autorizado a voltar para sua casa onde seu pai se recuperava dos ferimentos. A família estava ciente de que Rommel estava sob suspeita, e que o seu chefe de gabinete e seu comandante ambos tinham sido executados. Manfred começa o relato quando ele entra em sua casa e encontra seu pai no café da manhã:

“… Cheguei a Herrlingen às 7:00 da manhã e meu pai estava no café da manhã. Colocou um copo para mim e comemos juntos, depois saímos para um passeio no jardim."

'Ao meio-dia dois generais estão vindo para discutir o meu futuro posto', meu pai começou a conversa. 'Então, hoje vão decidir o que é planejado para mim, se um tribunal popular ou um novo comando no Oriente.'

Você aceitaria tal comando?. Perguntei.

Ele me pegou pelo braço, e respondeu: 'Meu caro rapaz, nosso inimigo no oriente é tão terrível que qualquer outra consideração deve ceder diante disso. Se ele consegue dominar a Europa, mesmo que temporariamente, será o fim de tudo que tem feito a vida parecer valer à pena. É claro que eu iria.'

Rommel com sua família

Pouco antes das doze horas, meu pai foi para seu quarto no primeiro andar, mudou a jaqueta marrom civil que ele normalmente usava com bermudas de equitação, e colocou a túnica do Africa Korps, que era seu uniforme favorito, devido ao seu colarinho aberto.

Por volta de doze horas um carro verde-escuro com uma placa de Berlim parou na frente do nosso portão do jardim. Os únicos homens na casa além do meu pai eram o Capitão Aldinger (assessor de Rommel), que tinha sido ferido gravemente no front e eu. Dois generais – Burgdorf, um homem de ar poderoso, e Maisel, de faces mais delicadas, desceram do carro e entraram na nossa casa. Eles foram respeitosos e corteses e pediram permissão do meu pai para falar com ele a sós. Aldinger e eu saímos da sala. 'Então eles não vão prendê-lo', pensei com alívio, então eu subi para ler um livro.

Poucos minutos depois, ouvi meu pai subir e entrar no quarto de minha mãe. Ansioso para saber o que estava acontecendo, levantei-me e o segui. Ele estava parado no meio da sala, o rosto pálido. 'Venha para fora comigo', disse ele em uma voz firme. Entramos em meu quarto. 'Acabei de falar com a sua mãe', ele começou devagar, 'que estarei morto em um quarto de hora'. 

Ele estava calmo e continuou a falar: 'Para morrer pela mão do seu próprio povo é difícil. Mas a casa está cercada e Hitler está me acusando de alta traição. Em vista dos meus serviços na África, ele citou sarcasticamente: Eu vou ter a chance de morrer por envenenamento. Os dois generais trouxeram com eles. É fatal em três segundos. Se eu aceitar, nenhuma das etapas habituais serão tomadas contra a minha família. Eles também deixar a minha família em paz.'

'Você acredita?' Eu interrompi. ‘Sim’, respondeu ele. 'Eu acredito nisso. É muito mais do seu interesse que o assunto não vem à tona. De qualquer forma, eu tenho sido cobrado para colocá-lo sob a promessa do mais estrito silêncio. Se uma só palavra vazar, eles já não se sentem vinculados pelo acordo'.

Eu tentei de novo. 'Não podemos nor defende?' Ele me cortou curto. 'Não há nenhuma chance', disse ele. 'É melhor para um morrer do que para todos serem mortos em um tiroteio. Enfim, não temos praticamente nenhuma munição'. Despedimos-nos brevemente. E ele disse: 'conte para Aldinger, por favor'.

Aldinger, entretanto tinha sido notificado para ficar longe do meu pai. Quando chamei-o, ele veio correndo lá de cima. Ele também ficou horrorizado, quando ouviu o que estava acontecendo. Meu pai falou mais rapidamente. Ele disse novamente como era inútil tentativa nos defender. 'Foi tudo preparado ao mais meticulosamente. Eu terei um funeral de Estado e pedi que para ser enterrado em Ulm (cidade natal de Rommel). Em um quarto de hora, você, Aldinger, irá receber um telefonema do hospital reserva Wagnerschule em Ulm para dizer que eu tive uma concussão cerebral no caminho para uma conferência'. Ele olhou para o relógio. 'Eu preciso ir, eles só me deram dez minutos'. Ele rapidamente se despediu de nós novamente. Então nós descemos juntos.

Nós ajudamos o meu pai em seu casaco de couro. De repente, ele puxou a carteira. 'Ainda há 150 marcos'. Disse ele. 'Quer que eu pegue o restante do dinheiro agora?'.

'Isso não importa agora, Sr. Marechal de Campo', disse Aldinger.

Meu pai colocou cuidadosamente sua carteira no bolso. Como ele entrou no salão, sua pequena dachshund que havia sido dada como um cachorrinho de poucos meses antes, na França, e pulou para ele com um gemido de prazer. 'Tranque o cão no estúdio, Manfred', disse ele, e aguardou no corredor com Aldinger enquanto eu removi o cão animado e empurrei-o através da porta do escritório. Então, saímos de casa juntos. Os dois generais estavam no portão do jardim. Caminhamos lentamente o caminho, a crise do cascalho soar extraordinariamente alto.

Quando nos aproximamos dos generais, eles levantaram a mão direita em continência. 'Herr Marechal', disse Burgdorf e se reservou a conversar com o meu pai após passarem pelo portão. O carro ficou pronto. O motorista das SS abriu a porta. Meu pai colocou seu bastão de marechal sob do braço esquerdo e, com a calma de sempre,  acenou mais uma vez para mim e Aldinger antes de entrar no carro.

Os dois generais ocuparam rapidamente seus lugares. Meu pai não olhou mais para trás e o carro desapareceu em uma curva da estrada. Quando ele se foi, Aldinger e eu, voltamos silenciosamente de volta para casa … Vinte minutos depois o telefone tocou. Aldinger ergueu o receptor e a morte de meu pai foi devidamente notificada.

Rommel foi sepultado em um funeral de Estado, uma farsa de Hitler para não ter que explicar a morte de um de seus mais competentes generais

Não ficou totalmente claro o que aconteceu com ele depois que ele nos deixou. Depois soubemos que o carro havia parado algumas centenas de metros acima da colina diante da nossa casa, em um espaço aberto à beira do bosque. Homens da Gestapo, que tinham seguido todos os procedimentos desde Berlim, naquela manhã, estavam aguardando instruções para filmar e invadir a casa, se ele oferecesse resistência. 

Maisel e o motorista saíram do carro, deixando o meu pai com Burgdorf. Quando o motorista foi autorizado a retornar dez minutos tarde, ele viu meu pai caído com a sua cobertura e bastão do marechal no piso do veículo.”

Quatro dias depois foram realizados os funerais oficiais de altos dignitários do Reich. Posteriormente, o cadáver foi incinerado e os restos enterrados no cemitério próximo à sua casa de Herrlingen.

Hitler cumpriu sua promessa e a família de Rommel não sofreu nenhuma perseguição.

Fonte: Segunda Guerra Mundial - crimes de guerra



sexta-feira, 21 de junho de 2019

IMAGEM DO DIA - 21/6/2019

.

Tropas gregas defendem-se contra uma carga de cavalaria otomana durante a Batalha de Velestino, por ocasião da Guerra Turco-Grega de 1897 



segunda-feira, 17 de junho de 2019

REBELIÃO DOS MARINHEIROS DE KRONSTADT (1921)

.


No dia 2 de março de 1921, 300 representantes de estaleiros e marinheiros da cidade russa de Kronstadt, no Mar Báltico, elegeram um Comitê Revolucionário Provisório.


Por Roselaine Wandscheer


Os marinheiros da cidade portuária de Kronstadt, no Mar Báltico, haviam se rebelado no final de 1917. A frota bloqueara a foz do Rio Neva, quando o cruzador Aurora deu o sinal para começar a histórica Revolução de Outubro.

A historiadora alemã Jutta Petersdorf dedicou-se intensamente ao estudo da história russa. Ela conta que os marinheiros de Kronstadt desempenharam papel muito importante do começo ao fim da revolução. O próprio Leon Trotski reconheceu este fato.


Retrocesso na Rússia

O povo russo continuava sofrendo mesmo depois da queda dos czares. A União Soviética de então estava literalmente arrasada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e pela Guerra Civil (1918-1921). Fome e epidemias grassavam por toda parte, indústria e transportes estavam profundamente debilitados. Alguns setores apresentavam índices equivalentes aos de fins do século XVIII.

Havia greves, a agricultura estava paralisada, à espera de definições políticas, o descontentamento agitava a população urbana e provocava revoltas no campo. Protestos públicos eram punidos com prisão sumária.

Os comunistas governavam com mão de ferro. Quem parasse de trabalhar, podia ser condenado à morte. Esta efervescência provocou a insurreição dos marinheiros de Kronstadt contra os bolcheviques. No dia 2 de março de 1921, 300 representantes dos estaleiros daquela cidade portuária elegeram um Comitê Revolucionário Provisório. Os marinheiros entendiam-se responsáveis pelo regime, criticavam a inflação de poder do partido e queriam o retorno dos sovietes às suas origens.


"Somos invencíveis!"

Os sovietes eram os conselhos integrados por operários, camponeses e soldados. Eles apareceram pela primeira vez na Rússia em 1905. Com a revolução de 1917, passaram a ser órgão deliberativo no país. Mas Vladimir Lênin e Trotski viam nos amotinados apenas contrarrevolucionários, e não os apoiaram. Em 5 de março, Trotski enviou uma advertência aos rebelados para que encerrassem seu protesto. Caso contrário, "seriam caçados como coelhos".

Cartaz de mobilização dos marinheiros rebelados em Kronstadt


Como os marinheiros mantiveram suas reivindicações, dois dias mais tarde começou a invasão de Kronstadt pelo Exército Vermelho. Protegidos como numa fortaleza, os amotinados conseguiram defender-se e enviaram a seguinte mensagem a 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

"Da Kronstadt libertada para todas as operárias do mundo: estamos aqui em meio aos estrondos dos canhões, em meio às granadas explodindo, jogadas pelos comunistas, inimigos do povo trabalhador! Mesmo assim, enviamos fraternas congratulações a vocês, operárias de todo o mundo. Saudações da Kronstadt vermelha rebelada, do império da liberdade. Que nossos inimigos se atrevam a nos destruir. Somos fortes. Somos invencíveis!"


Rápida derrota

A invencibilidade durou apenas dez dias. Com o apoio de voluntários que participavam da 10ª Convenção do Partido Comunista, as tropas russas conseguiram conquistar a fortaleza de Kronstadt em 18 de março de 1921.

Tropas do Exército Vermelho atacam os marinheiros em Kronstadt


Uma parte dos amotinados foi executada, outra enviada para prisões afastadas, nas temidas ilhas Solofki, no Mar Branco, ao norte da atual Federação Russa; 8 mil rebelados conseguiram fugir de Kronstadt pelas águas geladas do Mar Báltico. Estava debelado, assim, um dos primeiros movimentos políticos na União Soviética.


Fonte: DW


.