"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

JAPÃO NÃO VAI PEDIR DESCULPAS POR PEARL HARBOR

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País assegura que primeiro-ministro vai prestar apenas homenagem às vítimas.

O Governo japonês disse nesta terça-feira que o primeiro-ministro, Shinzo Abe, prestará homenagem às vítimas de Pearl Harbor mas não pedirá desculpa, durante a sua visita à base norte-americana no final do mês. "Esta visita é para honrar as almas dos falecidos na guerra, não é para pedir perdão", assegurou o porta-voz do Governo, Yoshihide Suga, durante uma conferência de imprensa. Abe anunciou na véspera que será o primeiro líder nipônico a visitar Pearl Harbor, coincidindo com o 75º aniversário do ataque da marinha japonesa à base norte-americana, que causou a morte de 2.400 militares e civis e desencadeou a entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial. 

Durante a sua visita ao Havaí a 26 e 27 de dezembro, o primeiro-ministro estará acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Fumio Kishida, que qualificou o gesto como "uma demonstração da reconciliação entre o Japão e os Estados Unidos". Abe e o Presidente norte-americano, Barack Obama, que vai acompanhar o líder japonês durante a visita à base e que terminará o seu mandato em janeiro, vão celebrar o seu último encontro no Havaí. "A reunião será mais um exemplo do grande papel que a aliança entre o Japão e os Estados Unidos tem para a paz e estabilidade da região Ásia-Pacífico e para a comunidade internacional", indicou o ministro japonês.

Primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe

No passado mês de maio, Obama visitou Hiroshima, tornando-se no primeiro Presidente dos Estados Unidos em exercício a viajar para a cidade japonesa onde, há 71 anos, durante a 2ª Guerra Mundial, as tropas norte-americanas lançaram uma bomba nuclear. Obama aproveitou a visita para prestar homenagem às mais de 140 mil vítimas imediatas do ataque atômico. Apesar de não ter apresentado um pedido de desculpas, o Presidente norte-americano defendeu o objetivo de conseguir um mundo sem armas nucleares.

Fonte: Correio da Manhã


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

LANCEIROS NEGROS: A HISTÓRIA DA TRAIÇÃO FARROUPILHA AOS ESCRAVOS LIBERTOS

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Entre 1835 e 1845 o império brasileiro testemunhou o mais longo conflito ocorrido em nosso território, a Revolução Farroupilha. E, é neste contexto histórico, que surgiram os lanceiros negros farroupilha. Recrutados em meio aos negros campeiros e domadores da atual Região Sul do Estado gaúcho (Canguçu, Pelotas, Bagé, Piraí…), os lanceiros quando na sua fundação foram organizados em duas divisões: “uma de cavalaria, e a outra de infantaria, criados respectivamente, em 12 de setembro de 1836 e 31 de agosto de 1838”. As referidas divisões, segundo o historiador e oficial do Estado Maior do Exército Brasileiro, Cláudio Moreira Bento “eram constituídas basicamente, de negros livres ou de libertos pela República Rio-Grandense,(…).”

Temidos pelo fato de serem truculentos e ao mesmo tempo exímios esgrimistas, esses combatentes, sobretudo a cavalaria, utilizava como equipamentos de combate: lanças compridas; coletes de couro cru; esporas afiadas presas aos pés e boleadeiras. A boleadeira, por exemplo, quando arremessada capturava o inimigo que porventura estivesse distante de uma montaria.

Lanceiro negro em ação na Batalha de Porongos


Subordinados a vários ex-oficiais do militarismo imperial brasileiro, entre eles, os idealizadores dos lanceiros, coronéis Joaquim Pedro Soares e Teixeira Nunes, o efetivo formado pela parcela mais discriminada da população, isto é, os negros, ocuparam um importante destaque na nomenclatura do conflito. Isto porque, foram muitas as batalhas em que os milicianos agiram em defesa dos mesmos objetivos ensejados pelos revolucionários, ou seja, o de garantir um futuro melhor e mais justo para todos os provincianos.

Sob os olhares de Bento Gonçalves, do casal Garibaldi e de David Canabarro, os revolucionários negros participaram efetivamente da tomada de Porto Alegre, da conquista de Laguna, e do conflito na Região de Lages, além da Batalha de Porongos.

De acordo com historiadores, Canabarro teria ordenado desarmar os cerca de 600 lanceiros na noite de 14 de novembro de 1844. Tal determinação não chamaria a atenção, se ela não tivesse sido transmitida na mesma noite do ataque imperialista. São muitas as fontes afirmando o “pacto de extermínio dos negros com Caxias para que não houvesse impedimento na assinatura do tratado de paz com os revoltosos”. A realização do provável acordo “arquitetado por Caxias ”tinha embasamento alicerçado em duas vertentes naturais. Ao exterminar o maior número de negros possível, certamente diminuiriam também as exigências dos revoltosos no que tange o acordo de paz. Por outro lado, “manter a liberdade do grande contingente negro com experiência militar era um grande risco para sociedade”.

Desarmados e sem apresentar nenhuma reação, a tropa de choque mais temida do Sul brasileiro foi dizimada no cair da madrugada. Infelizmente, o passado relacionado aos lanceiros negros farroupilha sempre esteve atrelado aos bastidores da historiografia oficial, e somente em 1870, é que surgiu o primeiro livro sobre o assunto.

De 7 a 20 de setembro, a história deste grupamento é relembrada na maior festa popular do Rio Grande do Sul através da Semana Farroupilha.


Referências:

BENTO, Claúdio Moreira. O negro e descendentes na sociedade do Rio Grande Do Sul (1635- 1975). Porto Alegre, RS: Grafosul, 1976.

BUENO, Eduardo. Brasil: uma história. A incrível saga de um país. São Paulo: ática, 2003.
Moda na história/Família Real no Brasil/Revolução Farroupilha. Revista Descobrindo a História. São Paulo: Mythos, v.06, 2008.

Fonte: Jornal O Expresso

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL JOHANN VON KLENAU

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* 13/4/1758 - Benátky nad Jizerou, República Tcheca

+ 6/10/1819 – Brno, República Tcheca


Johann von Klenau, também chamado de Johann Josef Cajetan von Klenau und Janowitz, foi um marechal-de-campo do exército Habsburgo. Klenau entrou para a a casa militar de Habsburgo em adolescente e participou nas guerras austríacas contra o Império Otomano, nas Guerras revolucionárias francesas e comandou vários corpos em diversas batalhas importantes das Guerras Napoleônicas.

Nos primeiros anos das Guerras revolucionárias francesas, Klenau distinguiu-se nas linhas de Wissembourg e esteve à frente de um ataque vitorioso em Heidelberg em 1795. Como comandante do flanco esquerdo da Coligação da campanha de Adige, no Norte de Itália, em 1799, Klenau teve um papel de destaque ao isolar a fortaleza detida pelos franceses no rio Pó ao organizar e apoiair uma insurreição da população na zona rural. Posteriormente, Klenau tornou-se o mais novo marechal-de-campo na história militar de Habsburgo.

Como comandante de corpos, Klenau teve um papel significativo na vitória austríaca em Aspern-Esslingen e na derrota em Wagram, onde as suas tropas cobriram a retirada da principal força austríaca. Comandou o IV Corpo na Batalha de Desden, em 1813, e, de novo, na Batalha das Nações em Leipzig, onde conseguiu bloquear o cerco na força principal austríaca pelos franceses no primeiro dia dos comabates. Após a Batalha das Nações, Klenau organizou e implementou o bem-sucedido bloqueio de Dresden, e aí negociou a capitulação francesa. 

Na campanha de 1814–15, comandou o "Corpo de Klenau" do Exército de Itália. Depois da guerra, em 1815, Klenau foi nomeado general da Morávia e Silésia. Morreu em 1819.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

IMAGEM DO DIA - 28/11/2016

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Representação em ukiyo-e da Batalha de Pyongyang na Coreia, uma parte da Primeira Guerra Sino-Japonesa.


domingo, 27 de novembro de 2016

A LIBERTAÇÃO DA CRIMEIA

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Em abril de 1944 começou a operação ofensiva para libertar a Crimeia dos exércitos da Alemanha e de seus aliados. A singularidade dessa operação consistia na garantia de saída do Exército Vermelho para a região dos Balcãs.

Por Aleksêi Timofeitchev


A operação que durou de abril a maio de 1944 é um dos chamados 10 golpes de Stálin – ofensivas vitoriosas do Exército Vermelho realizadas naquele ano. O agrupamento romeno-alemão ficou completamente destruído, e a URSS retomou o controle da região estrategicamente importante.


Trabalho titânico

Durante uma mesa-redonda recente, o historiador militar Boris Bojedomov relatou os esforços realizados pelos integrantes do Exército Vermelho para tomar Sivash, uma baía rasa que separa o norte da Crimeia da parte continental onde se encontravam as tropas soviéticas. Pontes com mais de 1,5 quilômetros de comprimento foram construídas para a travessia através da baía.

Vento, neve, chuva, lama. Imersos até a cintura na água gelada, soldados construíam pontes. Depois, tinham que reformá-las, pois elas eram danificadas pelas tempestades. Isso tudo acontecia sob disparos e bombardeios que partiam do inimigo. Um trabalho titânico”, descreveu Bojedomov, que é colaborador do Instituto de Pesquisa Científica da Academia Militar.

Segundo os historiadores presentes no encontro, os alemães se agarravam desesperadamente à Crimeia. Apesar de o agrupamento de tropas alemão ter sido bloqueado por terra em 1943, Hitler se recusou a evacuar seus soldados e membros dos exércitos aliados.

Mikhail Miagkov, diretor científico da Sociedade Histórico-Militar da Rússia, ressalta que os dirigentes soviéticos também tinham consciência da indiscutível importância estratégica dessa operação.


Concentração secreta

Na véspera da operação, o Exército Vermelho apresentava vantagem em termos de recursos humanos e equipamentos. O agrupamento soviético consistia de cerca de 470 mil homens contra 200 mil soldados alemães e romenos.

Mas, para tirar proveito dessa vantagem, era necessário concentrar as tropas secretamente em duas direções de ataque – pelo lado do istmo de Perekop, que liga o norte da Crimeia ao continente, e da cidade portuária de Kertch, no sudeste da península, utilizando as posições provisórias previamente tomadas do inimigo.

No entanto, como salienta Bojedomov, “o inimigo estava ciente de que na impossibilidade de efetuar um desembarque de tropas em grande escala”.

Tropas do Exército Vermelho desembarcam na Crimeia


Duplo ataque

O ataque principal foi dado pelo lado de Perekop. O segundo, na direção da cidade de Kertch, que foi tomada dias depois. Pouco a pouco, as forças soviéticas romperam as defesas alemãs em ambas as frentes, e o inimigo começou a recuar. Em meados de abril, as forças soviéticas se aproximaram de Sevastopol. Duas tentativas de romper de imediato as defesas do inimigo falharam e, então, tiveram início os preparativos para um ataque em grande escala – que começou em 5 de maio e durou quatro dias.

As tropas romeno-alemãs perderam 140 mil homens na operação, cerca de metade deles foram feitos prisioneiros. As baixas das tropas soviéticas totalizaram 17 mil homens.

Marinheiro russo captura soldados alemães na Crimeia


A operação da Crimeia tornou-se a quinta-essência da experiência de combate que o Exército Vermelho havia acumulado naquela época. Foi uma ‘operação limite’ seguida por uma sucessão ininterrupta de vitórias”, diz Serguêi Tchennik, editor-chefe da revista “Crimeia Militar”.

A própria geografia da península torna a operação para libertar a Crimeia única: comparável a uma inacessível fortaleza medieval, rodeada por fossos com água de todos os lados. Além de operação ter aberto acesso do Exército Vermelho aos Balcãs, as baixas entre as tropas romenas incentivaram mais tarde o país a abandonar a aliança com a Alemanha e juntar-se à coalizão anti-Hitler.

Fonte: Gazeta Russa

terça-feira, 22 de novembro de 2016

MORRE O PROJETISTA DO ICÔNICO MiG-29

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Ivan Mikoian foi figura-chave na criação da aeronave e era filho de Anastás Mikoian, chefe de Estado durante os governos Stálin e Khruschov.

 
Morreu em Moscou, nesta sexta-feira (25), Ivan Mikoian, um dos desenvolvedores do caça Mig-29. O projetista de aeronaves tinha 90 anos.

Ivan Mikoian era filho de um dos mais influentes políticos soviéticos, Anastás Mikoian, chefe de Estado durante os governos de Josef Stálin e Nikita Khruschov.  Após terminar a escola de mecânica de aviação militar, Ivan entrou na Academia de Engenharia Militar Aérea Jukóvski e tornou-se projetista de aeronaves.  Trabalhou toda a vida no Bureau de Projetistas, que seu tio, Artiom Mikoian, fundou em 1939.  Foi condecorado duas vezes na União Soviética pelo projeto do Mig-29. Manteve-se como conselheiro da corporação de construção de aviões Mig até o final da vida.

O Mig-29 começou a ser desenvolvido na década de 1970 e tornou-se o principal caça das Forças Aeroespaciais da Rússia. Diferentemente de todas as aeronaves Mig anteriores, porém, ela foi projetada com fuselagem sustentante, ou seja, aquela em que a configuração do próprio corpo produz sustentação. Os engenheiros aplicaram uma alta qualidade na construção do caça, o que permitiu, posteriormente, a criação de algumas variações modernizadas. 

O MiG-29 foi o maior sucesso do projetista Ivan Mikoyan


Diversos modelos do Mig-29 são utilizados em mais de 25 países pelo mundo. Em muitos deles, a aeronave se tornou o principal tipo de caça leve de frente nas Forças Aéreas.

Fonte: Gazeta Russa

 

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE A HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NAVAL

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No último dia 17 de novembro a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro promoveram, na sede do instituto, o Seminário Comemorativo do Centenário da Aviação Naval brasileira.  

A história da Aviação Naval brasileira iniciou-se em 1916 com a criação da Escola de Aviação Naval, na cidade do Rio de Janeiro-RJ. O pioneirismo no emprego de aeronaves militares no Brasil, em prol da segurança e do desenvolvimento nacional, contribuiu para o desbravamento das rotas aéreas e em operações de patrulha em defesa do litoral e áreas fronteiriças.

Contando com uma grande assistência, o seminário foi aberto com a conferência "As Aeronaves AF-1 e a retomada da aviação de asa fixa pela Marinha", proferida pelo Almirante de Esquadra Mauro César Rodrigues Pereira, antigo Ministro da Marinha.

A mesa com o mediador e os palestrantes. Da esq. para a dir., capitão-de-fragata Paulo Castro, o editor do Blog, os almirantes Mauro César, Mathias e Bittencourt

Em seguida, o Vice-Almirante  Armando de Senna Bittencourt apresentou a palestra "O início", na qual destacou os primórdios do uso do avião como arma de guerra.

Dando continuidade ao seminário, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar apresentou comunicação sobre o tema "A Aviação Naval durante a Revolução de 1932", analisando a participação das aeronaves da Marinha do Brasil no combate à Revolução de 1932 nas diversas frentes de combate.

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar após sua conferência


O Diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, Vice-Almirante José carlos Mathias encerrou o seminário destacando o papel da Aviação Naval sobre a imensidão azul dos nossos mares, no mundo verde da Amazônia, no Continente Branco, no Pantanal, e em qualquer outro cenário onde a sua atuação se faça necessária.
 
 
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

BATALHA DE MAGENTA (1859)

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A Batalha de Magenta foi travada em 4 de Junho de 1859 durante a Segunda Guerra de Independência Italiana contra a Áustria, resultando numa vitória do exército francês e sardo-piemontês contra os austríacos, sob o comando do general Ferencz Gyulai.

Ocorreu perto da cidade de Magenta, no Norte da península Itálica. O futuro presidente da República francesa Edme Patrice Maurice Mac-Mahon (1808-1893) foi condecorado com o título de Duque de Magenta por sua participação na batalha.

O plano do exército franco-piemontês consistia em alcançar Magenta seguindo dos eixos: partindo de Turbigo e da ponte sobre o Ticino, na estrada entre Milão e Novara. O exército francês fez o maior esforço, enquanto que os sardo-piemonteses foram incumbidos de seguir as tropas vindas de Tiburgo e intervir na batalha se necessário.

Os comandantes austríacos tomaram conhecimento dos planos franceses e ordenaram que a maior parte do exército fosse deslocado de Lomellina para Magenta, via Vigevano e Abbiategrasso. A defesa foi colocada ao longo do Naviglio com a intenção de explodir as pontes em Robecco sul Naviglio, Pontevecchio, Pontenuovo e Boffalora sopra Ticino.

Tenente-general Mac Mahon, comandante do 2° Corpo de Exército francês


O 2°Corpo de Exército Francês, comandado pelo tenente-general Mac-Mahon, foi dividido em duas colunas. Uma das colunas permaneceu sob o comando de Mac Mahon e o comando da outra foi entregue ao general Espinasse. As duas colunas deixaram Turbigo em direção a Magenta seguindo dois itinerários diferentes: Mac Mahon foi por Boffalora e Espinasso por Marcallo. Outras tropas francesas pararam depois de Trecate, sobre a ponte do Ticino, que fora parcialmente avariada pelos explosivos austríacos.

Enquanto isso, as tropas austríacas deslocadas de Lomellina se atrasaram e só cerca de 20 a 25 mil soldados, liderados pelo General Clam-Gallas, defenderam a linha ao longo do Naviglio.

As tropas francesas, que estavam na ponte sobre o Ticino, vão para Magenta. As austríacos conseguiram explodir a ponte sobre o Naviglio em Boffalora e defenderam bravamente algumas fazendas próximas a fim de ganhar tempo enquanto esperavam por reforços.


A batalha se tornou particularmente intensa ao redor de Pontevecchio, ao longo da ferrovia não muito longe da ponte sobre o Naviglio, que os austríacos foram incapazes de destruir. Enquanto o Terceiro Corpo de Exército Francês, que partira de Novara naquela manhã, se atrasava para o campo de batalha, Espinasse tentava se juntar em vão a Mac Mahon em Boffalora. Os planos, deste modo, mudaram: as duas colunas se dirigiram a Magenta separadamente tendo a torre do sino da Igreja de São Martim como referência.

Entretanto, uma grande quantidade de soldados austríacos chegam de Abbiategrasso: a situação fica tão complicada para os franceses que os austríacos mandaram um telegrama para Viena anunciando a vitória.

Foi particularmente em Pontenuovo que a situação ficou desesperadora: 5 mil soldados franceses tiveram que resistir a 50 mil soldados austríacos por 45 minutos. Mac Mahon avançou de Boffalora, dando confiança aos franceses e forçando os austríacos a sair de Pontenuovo para defender Magenta.

A batalha se espalhou pela estação ferroviária de Magenta. Os austríacos abandonaram suas posições e se refugiaram em casas para lutar melhor por cada centímetro de terra. O tenente-general Espinasse morreu durante o ataque à estação ferroviária, mas a sua divisão, junto com a de Mac Mahon conseguiu vencer os austríacos, tomando o controle de todas as vias de acesso.

Tropas austríacas e francesas se enfrentando na ponte de Magenta


Às 5 horas da tarde, os austríacos perceberam que eles tinham perdido a batalha e deixaram apressadamente o campo de batalha. Aproximadamente 6 mil soldados morreram na batalha, sendo a maioria (mais ou menos três quartos deles) austríacos.

A vitória franco-piemontesa abriu caminho para a libertação de Milão, o primeiro passo para a unificação da Itália.


sábado, 12 de novembro de 2016

A 11ª HORA - O DIA DO ARMISTÍCIO

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Hoje se rememora o Dia do Armistício, que, na 11ª hora do 11º dia do 11º mês de 1918, pôs fim ao morticínio da Primeira Guerra Mundial.

No dia 11 de novembro de 1918 era assinado o Armistício de Compiègne entre os Aliados e a Alemanha, dentro de um vagão-restaurante, na floresta de Compiègne, na França, com o objetivo de encerrar as hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial. Os principais signatários foram o Marechal Ferdinand Foch, comandante-em-chefe das forças da Tríplice Entente, e Matthias Erzberger, representante alemão. Naquele dia, Foch enviou uma mensagem por telégrafo para todos os seus comandantes: "As hostilidades cessarão em toda a frente no dia 11 de novembro às 11h, no horário da França."

A chamada Grande Guerra tirou a vida de cerca de 9 milhões de soldados e deixou outros 21 milhões feridos. Indiretamente, morreram vítimas da guerra perto de 10 milhões de civis. Os dois países mais afetados foram Alemanha e França, cada um enviou para os campos de batalha cerca de 80% de sua população do sexo masculino, com idades entre 15 e 49 anos.

Depois do armistício, foi assinado o tratado de paz de Versalhes, celebrado em 1919, no qual a Alemanha, derrotada, era obrigada a reduzir as suas tropas pela metade, pagar pesadas indenizações aos países vencedores, ceder todas as suas colônias e devolver a Alsácia-Lorena à França. Infelizmente, o tratato não iria alcançar o seu objeto. A Alemanha reclamou que tinha assinado o armistício sob falsos pretextos, já que havia acreditado que a paz era uma "paz sem vencedores", como havia sugerido o então presidente dos EUA Woodrow Wilson. Os anos se passaram, e o ódio ao tratado e aos seus autores estabeleceram um ressentimento latente na Alemanha. Duas décadas depois, estes sentimentos estariam entre as causas da Segunda Guerra Mundial.

Os líderes Aliados diante do vagão onde foi assinado o armistício

Depois de quatro longos e sangrentos anos a mortandade chegava ao fim.

 
Conheça essa e outras histórias lendo o nosso livro
 
O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - A  LONGA TRAVESSIA 
 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

EDITOR DO BLOG PARTICIPARÁ DE PAINEL SOBRE O CENTENÁRIO DA AVIAÇÃO NAVAL

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Para comemorar o centenário de criação da Aviação Naval, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha organizaram um seminário comemorativo.

Na oportunidade, o editor do Blog Carlos Daroz-História Militar da atuação da Aviação Naval durante a Revolução Constitucionalista de 1932.

A programação do seminário:

"As Aeronaves AF-1 e a retomada da aviação de asa fixa pela Marinha"
Almirante de Esquadra Mauro César Rodrigues Pereira

"O início"
Vice-Almirante  Armando de Senna Bittencourt (IHGB - IGHMB)

"A Aviação Naval durante a Revolução de 1932"
  Prof. Carlos Daroz (IGHMB - PPGHB/Universo)

Savoia-Marchetti S.55 utilizado pela Aviação Naval em 1932


O seminário será realizado na sede do IHGB no dia 17 de novembro, a partir das 14:00 horas.






Compareça, você é nosso convidado.


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

FORÇA AÉREA BRASILEIRA SELECIONA OFICIAIS PARA O MAGISTÉRIO DE HISTÓRIA

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Olha aí a oportunidade para a galera de História.  A Força Aérea Brasileira abriu processo seletivo para convocação de oficiais temporários, inclusive para a área de História-Magistério, para trabalhar na Academia da Força Aérea, em Pirassununga-SP, o "Ninho das Águias".  

Maiores informações, no site da FAB (www.fab.mil.br)



A PAZ DE PRAGA NA GUERRA DOS TRINTA ANOS (1635)

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No dia 30 de maio de 1635 foi assinado o Acordo de Paz de Praga, que deveria encerrar a terceira fase da Guerra dos Trinta Anos. O acordo, entretanto, não vingou.


Por Catrin Möderler


Por volta de 1630, circulou em Nuremberg um panfleto em forma de cantiga medieval que dizia mais ou menos o seguinte: 

"Assustou-nos que chegue a guerra em nossa cama. Façam com que, de imediato, nos acorde o galo e não o trompete assassino. Em vez de batalhas, queremos a dança da alegria; em vez de louros, uma coroa de folhas de oliveira. E que todos possam dormir seguros".


Início: conflito religioso na Boêmia

A Europa Central já não suportava mais sua primeira grande guerra. Os confrontos acirravam-se havia 12 anos, com períodos de lutas ferozes, seguidos por fases de relativo apaziguamento.

A chamada Guerra dos Trinta Anos começara em 1618 como conflito religioso entre católicos e protestantes na Boêmia, e adquirira caráter político em torno das contradições entre Estados territoriais e principados. Envolveu a Alemanha, Áustria, Hungria, Espanha, Holanda, Dinamarca, França e Suécia.

O conflito eclodiu quando grupos protestantes boêmios rebelaram-se contra o imperador e, de modo ostensivo, construíram uma igreja evangélica num reduto católico. Eles invadiram a fortaleza Hradschin, em Praga, e assassinaram dois altos funcionários da corte que os haviam preterido.  Na época, Fernando II, Imperador do Sacro Império Romano de Nação Germânica, era também rei da Boêmia. Os rebeldes negaram-lhe esse título e entronizaram o príncipe eleitor calvinista Frederico do Palatinado.

Recém-coroado, Fernando II – monarca católico da casa dos Habsburgo, que permaneceu no poder de 1619 a 1637 – reagiu energicamente. Mandou à Boêmia as tropas de seu aliado, o duque Maximiliano da Baviera. Na primeira batalha da Guerra dos Trinta Anos, Maximiliano conseguiu controlar rapidamente os revoltosos boêmios. Ferdinando do Palatinado teve de fugir depois de uma breve regência que lhe rendeu o apelido de "Rei do Inverno".

Em Praga, o imperador vingou-se dos revoltosos com a execução pública de 27 nobres, líderes do levante. Para reprimir a insatisfação popular, enviou para a Boêmia tropas comandadas por Albrecht von Wallenstein, um comandante sedento de guerra.


Outros países entram no conflito

Na década de 1620, Wallenstein parecia estar a caminho de impor a paz na Boêmia. Foi aí que outros países europeus entraram no conflito. Os holandeses invadiram a Renânia para enfrentar os exércitos da Espanha e dos Habsburgo, comandados pelo poderoso general Spinosa. Em 1626, uma força dinamarquesa comandada pelo monarca Cristiano IV invadiu a Alemanha pelo norte, para apoiar os protestantes germânicos.

Albrecht von Wallenstein


Albrecht von Wallenstein ofereceu-se a Fernando II para expulsar os dinamarqueses com um exército organizado por conta própria – e teve sucesso. Como compensação, tornou-se príncipe imperial. Durante um breve período, Wallenstein foi o homem mais poderoso da Alemanha.

Mas essa rápida acumulação de poder em suas mãos apenas provocou os muitos inimigos da casa de Habsburgo, levando-os a lutar com mais empenho. Os príncipes germânicos logo depuseram Wallenstein do trono.


Assassinato de Wallenstein

Em 1630, o exército do influente rei sueco Gustavo Adolfo II (1611–1632), protestante, invadiu o norte da Alemanha e avançou para a Renânia e a Baviera no ano seguinte. Wallenstein foi novamente chamado para defender o território alemão, mas não conseguiu vencer as tropas de Gustavo Adolfo.

Ele acabou fechando um acordo de paz duvidoso, o que lhe rendeu a suspeita de alta traição à pátria. Por ordem do imperador Fernando II, Wallenstein foi assassinado por oficiais que ele próprio comandava.

Tropas suecas sitiam Colônia, na Alemanha, em 1632


Com a morte de Wallenstein, Fernando II reconquistou o controle sobre o Exército e conseguiu expulsar os suecos da Alemanha. Em consequência, os protestantes alemães passaram a procurar soluções pacíficas para o conflito, o que culminou no chamado Acordo de Paz de Praga, de 30 de maio de 1635.

Esse acordo, porém, foi de pouca duração. A França e a Espanha intervieram no conflito, desencadeando mais uma série de lutas, que só terminou em 1648, com a Paz de Vestfália, na qual foi reconhecida a liberdade religiosa dos calvinistas e dos demais protestantes.

A Guerra dos Trinta Anos reforçou o processo de fracionamento do território alemão. Em 1648, a Alemanha compunha-se de 300 principados soberanos, sem qualquer sentimento nacional comum. A Paz de Vestfália finalmente trouxe tranquilidade para a Alemanha.


Segundo Paul Kennedy, autor de Ascensão e Queda das Grandes Potências, a essência da solução de Vestfália foi o reconhecimento do equilíbrio religioso e político dentro do Sacro Império Romano de Nação Germânica, confirmando dessa forma as limitações da autoridade imperial.

Fonte: DW


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sábado, 22 de outubro de 2016

EDITOR DO BLOG LANÇA NOVO LIVRO: O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - A LONGA TRAVESSIA

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Por Carlos Daróz

Em maior ou menor grau, praticamente todos os brasileiros sabem que o país enviou a Força Expedicionária Brasileira para combater o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Mas pouca gente conhece a participação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o primeiro grande conflito ocorrido no século XX.

Mas, afinal, o Brasil enviou forças militares para combaterem na Europa na Primeira Guerra?
Quem transita pela Rua Tenente Possolo, no centro do Rio de Janeiro, dificilmente saberá quem foi o oficial da Marinha que deu nome à via, nem as circunstâncias em que perdeu a vida o jovem brasileiro, enquanto realizava treinamento de vôo na Inglaterra, em 1918, por ocasião da Primeira Guerra Mundial.


A Primeira Guerra Mundial, ou Grande Guerra, como foi chamada pela imprensa da época, irrompeu em 1914 e se estendeu por quatro anos. O conflito global teve consequências tão profundas que, vinte anos mais tarde, conduziriam o mundo a um novo e mais devastador confronto: a Segunda Guerra Mundial. Depois de 1918 as fronteiras da Europa foram redesenhadas, impérios faliram pelos custos do conflito, ao mesmo tempo em que novas potências mundiais se ergueram: os Estados Unidos da América se consolidaram e a União Soviética, herdeira da Rússia czarista, apresentou-se ao mundo. Com a economia mundial em ruínas, a sociedade também se modificou em decorrência da guerra, e as relações de poder, trabalho e, até mesmo, de gênero, ganharam novos moldes. As mulheres conquistaram o mercado de trabalho e os operários das fábricas foram às ruas em busca de uma legislação que contemplasse suas necessidades. No plano internacional, novos parceiros comerciais se associaram, na mesma medida em que tradicionais linhas de negócio foram irremediavelmente rompidas.

A guerra chegou ao Brasil pelo mar, quando navios mercantes brasileiros começaram a ser afundados por submarinos alemães, que desenvolviam uma campanha de bloqueio naval contra a navegação Aliada. Diante dos ataques, em 1917 o Brasil reconheceu estar em estado de guerra contra a aliança liderada pela Alemanha, e uniu-se, ainda que de forma modesta, ao esforço internacional contra os germânicos. No último ano do conflito, 1918, o Governo brasileiro deu sua contribuição, enviando uma Divisão Naval para patrulhar a costa ocidental da África; uma missão médica militar e um grupo de oficiais do Exército para a França; e um grupo de aviadores navais para treinamento e posterior atuação em combate na Grã-Bretanha, Itália e EUA. Diante da participação das forças armadas brasileiras no conflito, surgem algumas indagações: o Brasil estava preparado para enfrentar uma “guerra total”? Qual foi a nossa contribuição para os Aliados no conflito? A atuação dos brasileiros na Grande Guerra trouxe consequências positivas para o país? As forças armadas nacionais se modernizaram? O propósito da obra O Brasil na Primeira Guerra Mundial – a longa travessia é justamente procurar responder a esses questionamentos e lançar uma luz sobre esse desconhecido episódio da história militar brasileira.

Oficiais do Exército Brasileiro na França em 1918
 
Em razão de ter sido travada, em sua maior parte, no solo europeu e devido ao elevado número de combatentes dos países do continente – calcula-se em 60 milhões a quantidade de mobilizados –, a memória histórica da Grande Guerra é bastante viva na Europa, porém vista com olhares diferenciados de um país para o outro. No ano do centenário do início da guerra, 2014, a imprensa internacional deu amplo destaque para a cobertura das solenidades e eventos realizados na Europa. Alunos britânicos visitaram os campos de batalha em Flandres e o Dia do Armistício (11 de novembro) foi comemorado como feriado na França. Na Alemanha, contudo, a Grande Guerra permaneceu esquecida durante anos, até a chegada do centenário, quando filhos e netos buscaram saber o grau de envolvimento de seus pais e avós, demonstrando o profundo enraizamento nas memórias familiares.



Pelas mesmas razões, mas em sentido oposto, no Brasil pouco se fala ou se estuda sobre o conflito de 1914-1918. Nossa participação foi modesta e envolveu, de forma direta, uma reduzida parcela da população – menos de 2.000 pessoas –, o que leva a Grande Guerra a ser uma desconhecida do público brasileiro, seja na memória coletiva ou nos livros escolares. Comparativamente, observa-se que a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, que envolveu o envio de uma força expedicionária e de um grupo de aviação para a Itália, bem como o patrulhamento antissubmarino do Atlântico Sul, é hoje bem mais familiar aos brasileiros.

Este silenciamento da memória é potencializado pela carência historiográfica sobre o tema, havendo muito poucas obras com uma abordagem direta sobre a participação brasileira na Grande Guerra. Nesse sentido, na oportunidade em que se rememora o centenário do conflito, outra intenção deste trabalho é revisitar a história da participação das forças armadas do Brasil no conflito.

Ao todo, quase duzentos brasileiros perderam a vida nos navios e nos campos de batalha da Europa, a maioria vitimada pela pandemia de gripe espanhola e outros em decorrência de acidentes durante as operações.

Ficha Técnica 
Editora Contexto
Gênero: História Militar
Ano: 2016
ISBN 978-85-7244-952-6
Formato 16 x 23
Peso 0.351 kg
Acabamento Brochura
Páginas 208

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Fonte: Blog da Editora Contexto

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