"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 29 de setembro de 2009

IMAGEM DO DIA - 29/09/2009

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No início da Guerra da Secessão dos EUA, em 1861, oficial de artilharia confederado prepara-se para disparar um canhão em Charlestown, Carolina do Sul.


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ARMAS – CIMITARRA

A cimitarra (scimitar em inglês, saif em árabe, shamshir no Irã, kilij na Turquia, pulwar no Afeganistão, talwar ou tulwar na Índia e Paquistão) é uma espada de lâmina curva mais larga na extremidade livre, com gume no lado convexo, utilizada por certos povos orientais: árabes, turcos e persas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos. É a espada mais típica do Oriente Médio e da Índia muçulmana.

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Originária da Pérsia, foi adotada pelos árabes e espalhou-se por todo o mundo islâmico até o século XIV. Originalmente, a cimitarra era uma espada de cavaleiros e cameleiros, no entanto, em muitos desses países, as espadas retas continuaram a ser preferidas para guerreiros a pé ou para fins cerimoniais.



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Comparável à katana japonesa, a cimitarra é também uma espada curva de um só gume extremamente cortante e ágil, feita com aço da melhor qualidade. Uma cimitarra típica possui de 90 cm a 1 metro de comprimento total e pesa entre 1,0 kg a 1,5 kg.


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A cimitarra curta é uma variante menor e mais ágil da cimitarra, freqüentemente usada aos pares, uma em cada mão. Uma típica cimitarra curta tem em torno de 55 cm de comprimento e pesa aproximadamente 500 gramas.


Representação do século XV mostrando guerreiros muçulmanos enfrentando soldados cruzados com suas cimitarras. Com seu fio agudo e sua estrutura curva, a arma era especialmente eficaz para golpear a cabeça ou o pescoço do oponente.

Represen.
A saif ("espada" em árabe) é a clássica espada longa árabe, usada desde os tempos pré-islâmicos. Os cavaleiros e cameleiros árabes passaram a preferir a cimitarra por volta do século XIV, mas a saif reta continuou a ser usada por guerreiros a pé e a ser o símbolo do status de nobres e príncipes. Uma típica saif possui cerca de 1 metro de comprimento total e pesa em torno de 1,2 kg.

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DIVULGAÇÃO – I SEMANA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL MILITAR

Entre os dias 19 e 23 de outubro, o Museu Militar Conde de Linhares (MMCL) sediará o I Encontro de Bibliotecas Militares, o II Encontro de Arquivos Militares e o IV Encontro de Museus de Cultura Militar, e o Arquivo Nacional abrigará o Seminário de História Militar Brasileira, alusivo aos 120 anos da Proclamação da República.Direcionados a historiadores, pesquisadores e profissionais de museus, arquivos e bibliotecas, além de estudantes de áreas afins, os eventos têm como objetivo promover a discussão de aspectos relacionados ao patrimônio cultural militar, tendo como referenciais os valores e as tradições militares.O evento está inserido no contexto das comemorações do 10º aniversário de criação do Ministério da Defesa, divulgando a Marinha, o Exército e a Aeronáutica para a sociedade brasileira por meio do seu patrimônio histórico e cultural.


Inscrições pelo site:
http://www.defesa.gov.br/eventos_temporarios/2009/semana_patr_hist/

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ACADEMIA DE GUERRA PRUSSIANA



A Academia de Guerra Prussiana (em alemão, Preußische Kriegsakademie) foi fundada em 15 de outubro de 1810 na cidade de Berlim por ordem do Gabinete de Reorganização Militar e teve Gerhard von Scharnhorst como seu primeiro diretor.
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A Academia tinha por objetivo formar oficiais para o Estado-Maior e proporcionava aos seus alunos um estudo intensivo da ciência militar por um período de três anos. A cada ano ela aceitava 160 estudantes de um total de aproximadamente 1.000 candidatos.


Von Scharnhorst,
o primeiro diretor
Os alunos deveriam assistir a todas as aulas e, dentre os temas obrigatórios, incluía-se táticas, história militar moderna, história militar antiga, geografia militar, geografia geral, higiene militar, direito militar, direito internacional, armamentos, fortificações, funções do estado-maior, administração, comunicação e história geral. Além dessas disciplinas o aluno deveria escolher uma ciência (matemática, física ou química) e um idioma (francês, inglês, russo ou japonês).
Somente um em cada dez graduados era considerado apto a ingressar num dos ramos operacionais do Estado-Maior e nas divisões de campanha.
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Oficiais prussianos diante da Academia de Guerra em 1914

A crescente demanda por ensino militar avançado obrigou a Prússia a fundar dezenas de novas instituições de guerra (Kriegsschule). Ainda assim, no ano de 1913 foi necessário reduzir a duração do curso e as matérias estudadas a fim de atender o maior número possível de candidatos.
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A Academia foi fechada no início da 1ª Guerra Mundial (1914) e assim se manteve no pós-guerra por conseqüência do Tratado de Versalhes. Em 1935, durante o governo nazista, a Academia retomou as suas atividades para o treinamento de oficiais da Wehrmacht e foi novamente fechada no ano de 1939 em decorrência da 2ª Guerra Mundial. Ao término do conflito a instituição foi finalmente dissolvida.

Oficiais de estado-maior alemães formados pela Kriegsakademie

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I SIMPÓSIO DE HISTÓRIA DA AVIAÇÃO MILITAR


Ontem tivemos a oportunidade de participar do I Simpósio de História da Aviação Militar, promovido pelo Centro de Instrução de Aviação do Exército na cidade de Taubaté-SP, sede da Aviação do Exército Brasileiro.


Foram apresentados os seguintes trabalhos:


- Cap Ricardo Kirk: pioneiro da Aviação Militar Brasileira, pelo Ten Cel FAB Cláudio Calaza, da Academia da Força Aérea;


- Evolução da Aeronáutica Militar 1916 - 1927, pelo SO FAB Gustavo de Mello, do Museu Aeroespacial.


O BLOG HISTÓRIA MILITAR cumprimenta o CIAvEx pela primorosa organização do evento.



Pela Audácia!


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sábado, 26 de setembro de 2009

UNIFORMES - GRANADEIRO A CAVALO FRANCÊS, 1815

O soldado ao lado pertence ao Regimento de Granadeiros a Cavalo da Guarda Imperial francesa, uma das unidade de elite do imperador Napoleão Bonaparte. Como a naioria dos soldados franceses, o granadeiro veste túnica azul-marinho sobre camisa de serviço branca.
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Sua cobertura é uma barretina tipo pele de urso, utilizada com a finalidade de deixar o soldado com maior estatura e amedrontar seus oponentes, embora, para ingressarem no regimento, os soldados deveriam possuir estatura mínima de 1,76m.

O cabo granadeiro - suas insígnias podem ser vistas sob a luva direita - está armado com um fuzil Chassepot e um sabre padrão cavalaria.
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Os granadeiros a Cavalo da Guarda Imperial participaram de praticamente todas as campanhas de Napoleão e cerca de trezentos deles foram condecorados com a Legião de Honra.

IMAGEM DO DIA - 26/09/2009

Durante a Guerra de Sucessão Austríaca, em 1744, granadeiros prussianos atacam posição saxã na Batalha de Hohenfriedeberg.

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PENSAMENTO MILITAR - DISSUASÃO


"Estar preparado para a guerra é um dos meios mais eficazes para garantir a paz."


George Washington

1a GUERRA MUNDIAL - ENTENDENDO SUAS RAÍZES

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O capitalismo do século XIX motivou o conflito entre diversas potências européias. O interesse em ampliar mercados e o domínio sobre regiões de interesse imperialista fizeram com que a Europa se transformasse em um verdadeiro barril de pólvora. A França desejava reconquistar a região da Alsácia-Lorena perdida para a Alemanha em 1871. Os grupos nacionalistas balcânicos indispunham-se com a dominação exercida pela Áustria e a Rússia. Ao mesmo tempo, as tensões diplomáticas entre Alemanha e Inglaterra pelo domínio de regiões afro-asiáticas pioravam a situação.
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Dessa forma, a frustração em torno das vias de negociação diplomática incentivou uma grande corrida armamentista entre as nações européias. O incentivo na compra e fabricação de armas agravou ainda mais as disputas econômicas, pois os grandes gastos no setor armamentista ampliavam a demanda por lucros e matéria-prima. Em meio a tantas animosidades, duas conferências ainda tentaram selar a paz entre as potências. Em 1898 e 1907, a cidade de Haia foi o lugar onde ainda tentaram vetar uma possível guerra.
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Nesse período, as disputas também fortaleceram a criação de acordos de cooperação militar entre algumas nações da Europa. Na Convenção de São Petersburgo, em 1873, russos e alemães prometiam cooperação mútua em caso de agressão militar. Logo em seguida, os austríacos e italianos aproximaram-se desses dois países. Dessa forma, Alemanha, Áustria, Rússia e Itália pareciam formar um grupo de oposição frente a seus possíveis inimigos econômicos e militares.
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Outro campo de disputas concentrava-se na região do Bálcãs. A opressiva dominação dos turcos na região era vista como uma grande oportunidade onde, através de um conflito armado, as nações industrialistas da Europa poderiam ampliar seus negócios. Foi quando em 1877, a Rússia, com apoio da Áustria, resolveu declarar guerra contra o Império Turco. Após derrotarem os turcos, os russos reconquistaram antigos territórios perdidos na Península Balcânica e a Áustria obteve controle sobre a Bósnia-Herzegovina.
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.A hegemonia russa na região reorganizou as alianças anteriormente firmadas. Em 1879, a Alemanha aliou-se secretamente à Áustria caso ocorresse uma invasão russa que, em troca, estaria livre de participar de um possível conflito entre a França e a Alemanha. No ano de 1882, o Tratado da Tríplice Aliança firmou um acordo de cooperação militar reunindo Alemanha, Áustria e Itália. Todas essas manobras sinalizavam que o mundo parecia ser “pequeno demais” frente a tantas nações ansiosas em firmarem sua supremacia econômica a qualquer custo.
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.No final do século XIX, a antiga hegemonia industrial inglesa começou a ser ameaçada. Os alemães conseguiram em um curto período formar um parque industrial que começou a superar a tradicional solidez industrial britânica. Sentindo-se ameaçados, os britânicos saíram de seu isolamento político-geográfico para firmarem acordos com a França. Após resolverem suas contendas, França e Inglaterra assinaram a Entente Cordial, em 1904. Tempos depois, a Rússia também se aproximou dos britânicos e franceses. A partir disso, estava formada a Tríplice Entente.
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Dessa maneira, a Europa estava politicamente dividida entre os dois grandes acordos firmados na época. A Tríplice Entente e a Tríplice Aliança perfilavam a rivalidade num cenário bastante conturbado. A mobilização de potências em blocos preparou boa parte das condições necessárias para que ocorressem os conflitos da Primeira Guerra Mundial.

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NOTÍCIA - REENCONTRO DE FAMÍLIAS COREANAS

Famílias separadas pela Guerra da Coréia, em 1953, se reencontraram, neste sábado. Trata-se da primeira reunião, em quase 2 anos.
A emoção e o choro tomaram conta do grupo de 97 idosos sul-coreanos, quando eles se reencontraram com parentes do norte. O local da reunião foi o ponto turístico de Kumgang, perto de uma zona desmilitarizada. O encontro das famílias vai até o dia 1º de outubro, quando começam festividades religiosas.
A oportunidade de rever parentes foi acertada, no mês passado, entre as duas Coréias, com o apoio da Cruz Vermelha. A Guerra da Coreia envolveu a disputa entre os sul-coreanos, apoiados pelos Estados Unidos, e os norte-coreanos, com o respaldo da antiga União Soviética. O resultado foi a manutenção da península dividida, entre dois países rivais, até hoje.
Fonte: BandNews
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

ARMAS: PILO ROMANO



O pilo (pillum, em latim) era uma das armas padrão da legião romana. Era uma lança de arremesso composta de uma parte de ferro, mais fina e pontiaguda, e outra de madeira, maior e mais pesada. Essas duas partes eram unidas de tal maneira que quando o pilo atingisse seu alvo, a junção das duas partes entortaria, e tornaria difícil para, por exemplo, um adversário arrancar a lança se ela tivesse cravado no seu escudo. Ele então seria obrigado a jogar seu escudo fora para ter maior agilidade, e então o exército inimigo teria um soldado sem a devida proteção.


Existiram diversos tipos de pillum, sendo os mais comuns aqueles onde o metal encaixava na madeira e outros onde rebites prendiam o metal à haste. Esta arma sofreu consideráveis alterações ao longo do extenso período em que foi utilizada.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE

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* 27/01/1757 - Viena, Áustria

+ 17/10/1817 - Forte de São Julião da Barra, Portugal


.Gomes Freire de Andrade era filho de António Ambrósio Freire de Andrade e Castro, embaixador de Portugal na corte austríaca, e da condessa de Schaffgotsch, vinda de uma antiga e ilustre família da Boêmia.
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Teve a educação que na época se costumava dar aos filhos da nobreza. Seu pai, Ambrósio Freire, fora um ótimo colaborador do marquês de Pombal na campanha contra a Companhia de Jesus, sendo o filho Gomes Freire enviado para Portugal com 24 anos de idade, em fevereiro de 1781, já com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Destinado à carreira militar, assentou praça de cadete no regimento de Peniche, sendo em 1782 promovido a alferes. Passou à Armada Real, embarcando em 1784 na esquadra que foi auxiliar as forças navais espanholas de Carlos III no bombardeio de Argel.
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Regressou a Lisboa em setembro, promovido a tenente do mar da Armada Real, e em abril de 1788 voltou ao antigo regimento no posto de sargento-mor. Tendo alcançado licença para servir no exército de Catarina II, em guerra contra a Turquia, partiu para a Rússia. Em São Petersburgo conquistou as maiores simpatias na corte e da própria imperatriz. Na campanha de 1788-1789, comandada pelo príncipe Potemkin, distinguiu-se nas planícies do rio Danúbio, na Guerra da Criméia e, sobretudo, no cerco de Oczakow, alegadamente o primeiro a entrar na frente do regimento quando a praça se rendeu em 17 de outubro de 1788, depois de cerco prolongado. Na hora das condecorações esqueceram-se dele, negando-lhe a Comenda de São Jorge. Contudo, Gomes Freire protestou, pediu atestados de heroísmo ao coronel Markoff, e a imperatriz condescende, atribuindo-lhe o posto de coronel do seu exército que, em 1790, lhe foi confirmado no exército português, mesmo ausente.]
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Depois, na esquadra do príncipe de Nassau, salvou-se milagrosamente durante a batalha naval de Schwensk, quando os canhões suecos afundaram a "bateria flutuante" que ele comandava. Perdeu-se toda a tripulação, mas Gomes Freire conseguiu salvar-se, acabando por receber o hábito de São Jorge, uma das Ordens mais importantes da Rússia, não das mãos da imperatriz, como se tem dito, mas sim do príncipe de Nassau, em nome da imperatriz. Houve rumores de simpatia e entusiasmo da czarina por Freire de Andrade, aparentemente confirmado pelas desinteligências entre ele e o príncipe de Potemkin, favorito conhecido.
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Voltou a Lisboa, nomeado coronel do regimento do marquês das Minas, prestes a embarcar para a Catalunha, na divisão que Portugal enviava auxiliar a Espanha contra a República francesa e a que chegou em 11 de novembro de 1793, seguindo por terra. Nesta expedição iam estrangeiros no Estado-Maior: o duque de Northumberland, general e par de Inglaterra, o príncipe de Luxemburgo Montmorency, o conde de Chalons, o conde de Liautaud. O Regimento de Freire de Andrade e o de Cascais ocuparam a povoação de Rebós, na sua linha de batalha, correndo logo às trincheiras da ponte de Ceret, onde o exército espanhol estava a ponto de capitular.
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Em Arles, acampou em quartéis de inverno seu Regimento e o de Cascais, que constituiam a 2ª Brigada, comandada por ele. Segundo Latino Coelho, começa aí a evidenciar-se o espírito indisciplinado e irrequieto de Gomes Freire; desordeiro e intrigante, "o animo altivo do coronel, avesso, como era a toda a sujeição, difundia na divisão auxiliar o fermento da indisciplina".
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Mas, apesar das vitórias do exército hispano-português sobre os republicanos da Convenção, a guerra do Roussillon ia-se tornar em uma armadilha: os espanhóis tinham 18 mil feridos em hospitais e os portugueses mil homens fora de combate, enquanto os franceses recebiam constantes reforços. Em 29 de abril de 1794, o general Dugommier atacou a esquerda do exército espanhol, composta de corpos da divisão portuguesa, que sustentou o fogo do romper da manhã às 14 h, salvando o exército espanhol.
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Regressado a Portugal, veio a integrar a "Legião Portuguesa" criada por Junot e que, sob o comando do marquês de Alorna, partiu para França em Abril de 1808, onde foi recebida por Napoleão Bonaparte no dia 1º de Junho. Participou na campanha da Rússia.
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Acusação
.Libertado Portugal da ocupação das tropas francesas e após a derrota de Napoleão, Freire de Andrade regressou a Portugal, onde veio a ser Grão-Mestre da Maçonaria. Foi acusado de liderar uma conspiração contra a monarquia de D. João VI, em Portugal continental representada pela Regência, então sob o governo militar britânico de William Carr Beresford. Foi detido e enforcado por crime de traição à pátria junto com outras onze pessoas: o coronel Manuel Monteiro de Carvalho, os majores José Campelo de Miranda e José da Fonseca Neves e mais oito oficiais do Exército.
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Fortaleza de São Julião da Barra, onde Gomes Freire foi executado

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Após o julgamento e execução do tenente-general e outros, Beresford deslocou-se para o Brasil para pedir mais poderes. Havia pretendido suspender a execução da sentença até que fosse confirmada pelo soberano mas a Regência, "melindrando-se de semelhante insinuação como se sentisse intuito de diminuir-se-lhe a autoridade, imperiosa e arrogante ordena que se proceda à execução imediatamente".
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Este procedimento da Regência e de Lord Beresford, comandante-em-chefe britânico do Exército português e regente de fato do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência anti-britânica, o que conduziu o país à Revolução do Porto e à queda de Beresford (1820), impedido de desembarcar em Lisboa ao retornar do Brasil, onde conseguira de D. João VI maiores poderes.


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IMAGEM DO DIA - 23/09/2009

Proclamação do Império Alemão no Palácio de Versalhes em 1871. A figura central, de branco, é Otto von Bismarck.

UNIFORMES - CORPO DE BLINDADOS ISRAELENSE, 1967



O BLOG HISTÓRIA MILITAR inaugura hoje uma seção que mostra os uniformes militares de todas as épocas.
Os uniformes nilitares evoluíram ao longo da história e possuem diferentes aspectos: funcional, diacrítico e psicológico, dentre outros.





Hoje começamos com o uniforme do Corpo Blindado das Forças de Defesa de Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O 1º Tenente comandante de carro de combate Centurion ao lado veste um uniforme simples verde-oliva e a versão israelense do capacete para blindados modelo norte-americano. Pendurado ao pescoço está a caixa do intercomunicador que é conectada ao sistema de comunicações do blindado. Seu posto é indicado pelos dois retângulos verdes sobre a ombreira cáqui. Seu armamento consiste em uma pistola conduzida no coldre, utilizada somente em caso de autodefesa.

CRÔNICAS DA FEB - "O DIA EM QUE FUI PRISIONEIRO"

Mais uma crônica de nossa Força Expedicionária Brasileira na Itália. Desta vez trazemos o relato do então 3º Sgt Amynthas Pires de Carvalho sobre sua captura pelos alemães em 1944.


Região de Barga, Toscana, 22 de setembro de 1944.

Convencionalmente, os dias santos, e feriados e outras efemérides de grande importância e significado aparecem nas folhinhas e calendários em vermelho. Que cor devo eu escolher para o dia 22 de outubro de 1944, o dia que deu início a uma das passagens mais marcantes e trágicas de minha vida?

Pois bem, no dia 22 de outubro de 1944, foi-nos dada a missão de fazer uma patrulha de reconhecimento, com um efetivo de 19 homens, para determinar a posição dos alemães à nossa frente. Eu fazia parte do grupo do Sargento José Caporicci. Saímos às 2 horas da madrugada. Chovia bastante. O terreno era acidentado. Tivemos que avançar lentamente, não só por causa do mau tempo e das condições topográficas mas, também, pelas precauções que tínhamos que tomar. Estávamos alertas para possíveis encontros com patrulhas inimigas e, em especial, para evitar dispositivos que poderiam disparar alarmes e revelar nossa presença. Fios disfarçados e quase invisíveis para acionar minas, e outros artefatos colocados pelos alemães.

Nessas circustâncias, levamos mais de sete horas para percorrer um trecho que, normalmente, poderia ser percorrido em menos de uma. Por fim, alcançamos o vilarejo de Galicano, na região de Barga, na Toscana. Já, nessa altura, eram 7 horas da manhã. Deparamo-nos com um grupo de mulheres que acabavam de sair de uma igreja, onde haviam assistido à missa. Quando nos viram, elas logo notaram, pelo uniforme e distintivo, que éramos brasileiros. Colocaram as mãos na cabeça, em sinal de rendição, e quase cochichando puseram-se a gesticular e apontar com os polegares voltados para a retaguarda, enquanto diziam: Tedeschi! I Tedeschi! Sono vicini! Molto vicini! Guarda!

A patrulha era comandada pelo Segundo Tenente Manoel Barbosa da Silva, que, além de não dar ouvidos às advertências das mulheres, voltou-se para nós e disse que se algum de nós tentasse correr, ele atiraria para matar. Porque fez essa ameaça, ninguém sabe e nem jamais ficará sabendo, pois não havia passado pela cabeça de nenhum de nós deixar de cumprir com o nosso dever.

Com efeito, jamais se poderá saber porque o tenente agiu como o fez logo em seguida. Coragem? Bravura? Destemor? Ignorância? Incompetência? Desconhecimento de táticas militares? Falta de bom senso? O fato que foi que, sem procurar cobertura, avaliar a situação do terreno, colocar a patrulha em posição de combate, o Tenente Manoel Barbosa da Silva, sem procurar cobertura, sem avaliar a situação do terreno, sem colocar a patrulha em posição de combate, avançou uns 200 metros e, em pé, pegou o binóculo e vasculhou o terreno, da esquerda para a direita, e da direita para a esquerda. Ele deve ter localizado os alemães, porque pegou a carabina M1A1, geralmente fornecida aos oficiais e, em pé como estava, apontou e atirou.

Foi a mesma coisa, como se diz no interior de Minas Gerais, que "futucar caixa de marimbondo caga-fogo com vara curta". Os alemães começaram a disparar fogo cerrado contra nós. O Tenente Manoel Barbosa da Silva recebeu um tiro de fuzil no meio da testa e teve morte instantânea. O Sargento José Ferreira de Barros Filho e três soldados que estavam ao lado do tenente e presenciaram sua morte, lançaram-se ao chão e rastejaram, arrastando com eles o tenente morto, e conseguiram alcançar uma cocheira, cuja entrada ficava bem em frente dos alemães.

Mal o sargento e os três homens que o acompanhavam penetraram na cocheira, os alemães lançaram sobre a mesma uma descarga de tiros de fuzis, metralhadoras, morteiros e granadas incendiárias, ao mesmo tempo que iam se aproximando para invadí-la. A cocheira, que era de madeira e, além disso, deveria estar cheia de feno seco, virou um inferno de labaredas num piscar de olhos. Nossos homens, por milagre, conseguiram sair ilesos, mas tiveram que deixar para trás o corpo do tenente.

Muito tempo depois, me deram a notícia de que, do desafortunado tenente, mal encontraram, em meio ao carvão e as cinzas, a arcada dentária e as placas de identificação.

Neste meio tempo, nossa artilharia, percebendo as explosões, lançaram uma barragem de tiros sobre o local. Na esperança de escapar, pedi a proteção de Deus e saí rastejando. Balas zumbiam em todas as direções, e cascas de árvores caíam sobre mim como um temporal de granito. Não consegui progredir muito porque notei a presença de um pelotão de austríacos entrincheirados logo à minha frente. Passei umas duas horas procurando uma brecha para escapar. De repente, fui abordado, por trás, por um oficial alemão com uma pistola automática em punho. Apontando a arma para a minha cabeça, perguntou:

-Amerikaner?

-Brasileiro! - respondi.

O oficial tomou-me o fuzil Springfield e fez com que eu o acompanhasse.

Segundo a sabedoria dos ditados populares, ninguém morre antes do dia. Naquele dia, de funesta memória, tanto eu com o oficial alemão poderíamos ter morrido. Quando ele me apanhou, de surpresa, por trás, poderia ter-me executado, incontinente, com um tiro na nuca, sem qualquer cerimônia ou preliminares. Com efeito, não era incomum matar prisioneiros de guerra, a sangue frio, mesmo desarmados. Tanto os alemães quanto os aliados, principalmente os russos, o fizeram com freqüência. A bem da boa verdade, há relatos de que soldados brasileiros mataram, sem mais nem menos, prisioneiros alemães, já com os braços levantados para se renderem. Eu também poderia ter matado o oficial alemão. Inexplicavelmente, ele me tomou o fuzil, mas não me fez entregar a baioneta que levava na cintura. Ademais, em vez de mandar que eu fosse na frente, fez-me acompanhá-lo. Passou-me pela cabeça aproveitar a oportunidade para tentar dar-lhe um golpe de baioneta pelas costas, porém não o fiz pela quase certeza de que havia soldados alemães por perto, observando nossos movimentos.

O oficial alemão me conduziu a uma casamata, onde me entregou-me aos soldados que lá estavam. Senti, naquele momento, na penumbra daquele abrigo subterrâneo blindado, uma espécie de calafrio e minhas pernas bambearam. Veio-me à mente o temor, de longe arraigado, de que havia chegado o momento em que os alemães iriam me submeter às terríveis torturas, tais como arrancar-me as unhas, aplicar-me choque elétricos, queimar-me com cigarros, colocar-me durante horas diante de focos de luz intensos, pendurar-me pelos dedos dos pés, e coisas piores para arrancar-me informações. Respirei fundo e procurei reunir forças para sofrer, com denodo, o que estava prestes a acontecer. Fiz uma oração mental e balbuciei cá comigo mesmo: Seja lá o que Deus quiser!

Os alemães me revistaram da cabeça aos pés, mas sem qualquer agressão física. Não tendo encontrado, no meu uniforme e corpo, qualquer coisa que lhes chamasse a atenção, logo se desinteressaram por mim. O oficial, então, ordenou que dois soldados alemães me levassem a Castelnuevo di Garfagnana, onde havia um centro de recebimento de prisioneiros.

Percorremos um caminho em meio a um bosque de castanheiros. O fogo de nossa artilharia continuou incessante na região. Estilhaços de morteiros choviam sobre as árvores, muitas vezes sacudindo os galhos e fazendo cair sobre nós frutos de castanhas, eriçados como se fossem pequenos ouriços verdes ou amarelados. Eu queria me abaixar, como se estivesse tentando me proteger dos estilhaços, mas os alemães se mostravam inabaláveis e indiferentes ao que se passava a seu redor. Meu medo de ser atingido provocou neles risos sarcásticos, enquanto diziam, "Scheisschiesserei von Ihren eigenen Scheisskameraden! Keine Gefahr!" - como se quisessem afirmar que se tratava apenas de um " tiroteio de merda de meus companheiros de merda, sem qualquer perigo". Não pude deixar de ficar impressionado com o sangue-frio e descaso daqueles soldados para com a possibilidade de receberem um impacto. Num certo momento, um estilhaço de projetil de morteiro atingiu a bota de um deles. Ele o pegou, examinou, e depois o lançou para longe com o maior desdém.

Já escurecia quando, por fim, chegamos a Castelnuevo di Garfagnana. Enfiaram-me num lugar escuro. Não tardou muito e recebi a companhia de um sargento e de três soldados de nossa malfadada patrulha. Junto com eles, veio também um jovem italiano, que depois fiquei sabendo tratar-se de um partigiano, o nome dado ao seguidor de um partido ou partidário, ou mais específicamente, um guerrilheiro que opera dentro das linhas inimigas.

A essa altura dos acontecimentos, há mais de 20 horas sem nada comer, apesar do cansaço, angústia e tensões, já sentia muita fome. Algumas horas depois, os alemães deram a cada um de nós uma pequena porção de sopa. Demos graças a Deus.

O partigiano italiano tomou a sopa quase chorando, dizendo ter certeza de que essa seria sua última refeição. Quanto a nós, disse ele apontando em nossa direção, seríamos enviados para um campo de concentração na Alemanha. Já no caso dele, disse ter certeza de que seria executado dentro das próximas horas. Quando os alemães capturam partigiano, mandavam que eles cavassem as próprias covas e eram, em seguida, exterminados com um tiro na nuca. Apontando para sua insígnia de partigiano, disse que não tinha como escapar. Sugeri, então, que ele arrancasse a insígnia e a jogasse na fossa da privada, ao que ele bateu palma e disse: "Bravo! Bravo!" - não sei se por sarcasmo ou por aprovar a idéia. Disse que era isso o que iria fazer, mas temia que os alemães já soubessem que ele era partigiano.

O que aconteceu com esse pobre rapaz italiano, eu nunca soube.

Passamos o resto da noite deitados no chão duro, forrado apenas com jornais.

Na manhã seguinte, os alemães me tiraram as galochas que usávamos recheada de jornais e capim para proteger do frio, o gorro de lã, e a blusa ou jaqueta de campanha, ou field jacket, do Exército dos Estados Unidos, que recebemos para completar nosso uniforme de combate. Essa jaqueta era muito confortável e prática, que era usada, no exército americano, por todos, desde general de cinco estrelas até soldado raso. Ouvia-se dizer que, inicialmente, os altos oficiais brasileiros não gostavam de usar essa blusa. Não pude imaginar, naquele instante, a falta que essas peças iriam nos fazer nos próximos seis meses de frio intenso pelo qual passei, muitas vezes à temperatura abaixo de 28 graus negativos.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

IMAGEM DO DIA - 22/09/2009



Dramática fotografia tirada durante a Guerra das Falklands / Malvinas em 1982. Depois de ser torpedeado pelo submarino britânico HMS Conqueror, o cruzador argentino ARA General Belgrano afunda. A imagem foi feita por um dos sobreviventes do navio e pode ser visto, no canto inferior direito, o bote salva-vidas pneumático.



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FORTE CASTELO DO MAR

Retomando o relato sobre a Missão Pernambuco, nossa recente viagem aos sítios históricos da guerra contra os holandeses, trazemos hoje um pouco sobre o forte Castelo do Mar, localizado na cidade de Cabo de Santo Agostinho-PE e hoje sob os cuidados do 14º Batalhão Logístico.


História
"O Porto de Nazareth era o principal e mais vizinho do nosso Arraial, e por onde entravam muitos navios com provimento, e saiam os açucares para o reino.....


Tomado o Forte de Nazareth, não havia mais possibilidade de entreter comunicação com o exterior. Caira então o Arraial do Bom Jesus, que durante mais de seis anos desafiara as forças flamengas. O theatro da luta urgia transportar-se para outra parte."


(Frei Manoel Calado, 1649)

Até 1634, o porto do Cabo de Santo Agostinho era a porta principal por onde os pernambucanos podiam receber suprimentos, socorro de guerra. O domínio holandês já ganhara uma maior dimensão, mas lhes interessava ocupar todo Pernambuco, atingir os engenhos do sul da capitania, fechar o porto aos pernambucanos. A defesa de Nazaré, capaz de mobilizar companhias de emboscada e de garantir o porto, representava um empecilho àquelas pretensões. Após a derrota sofrida numa primeira tentativa em 1632, optaram os holandeses por usar de uma estratégia visando desviar a atenção das tropas de defesa. Em 1634, o General Van Schkoppe desembarca na Paraíba e dá início a uma operação que sugere a intenção de sitiar o Forte de Cabedelo. Tal ação tinha por objetivo atrair contingentes pernambucanos para o norte, deslocando-se a pé pelo interior. Após alguns dias em que ocupara seus homens armando barracas e abrindo trincheiras, o general embarcou às pressas suas tropas, seguindo em direção ao Cabo de Santo Agostinho.


O Forte de Nazaré, então comandado por Pedro Correia da Gama, contava com cerca de 350 homens, grande parte pescadores moradores da área e que acorreram ao forte ao ser dado o alarme quando da chegada da frota holandesa. Como previra Duarte de Albuquerque Coelho, a posição do forte não permitia a defesa da povoação do Pontal. Mas os holandeses não ousaram aventurar-se atravessando a barra de acesso ao porto, então com uma única passagem conhecida. Por duas vezes desembarcam em praias próximas e marcharam para o Pontal. Estas tentativas não surtiram o efeito desejado. Batidos pelas tropas de terra, por duas vezes foram obrigados a retroceder e reembarcar.


Numa terceira tentativa, parte da frota passou a barra, ainda que sob o fogo das baterias, e dirigiu-se ao Pontal. Nesta ação, a perigosa barra os fez perder 3 navios, os demais (9) abriram fogo contra a povoação. Antes de fugirem, os moradores atearam fogo às casas e armazéns e em navios que se encontravam no porto. Logo os holandeses trataram de deter o fogo, buscando salvar a carga que havia. Dominaram o porto e a povoação, mas não podiam se aventurar e sair da barra sem grandes danos. Assim ficariam sem comunicação com o restante da frota se não contassem à época, com o apoio de Calabar, que era um homem instruído, educado pelos padres da Companhia de Jesus, bom conhecedor da região, e que havia, de início, participado das companhias de emboscada que faziam a Resistência.




Calabar ousou buscar passagem através da barreta mais ao sul, considerada até então impraticável. Durante a maré baixa, alargou um pouco a passagem a golpes de marreta e picão. Através dela pode conduzir, rebocados e com carga aliviada, os navios holandeses, para grande surpresa da tropa que sob o comando de Matias de Albuquerque e do conde de Bagnuolo, chegava para acudir o Pontal. Os reforços da terra chegaram a tomar uma bateria construída às pressas pelos holandeses, assim como as trincheiras que os holandeses haviam aberto. Um falso alarme, entretanto, produziu efeitos desastrosos na tropa dos da terra, promovendo a desordem e o desbaratamento das forças. Desta forma permaneceram os holandeses senhores do porto e do Pontal, enquanto que os da terra mantinham o domínio da barra e do Forte de Nazaré. Mas para os luso-brasileiros o importante porto fora perdido. Mesmo depois que a frota partiu rumo a Recife, deixando ali cerca de 2.000 homens, foram infrutíferas as tentativas luso-brasileiras de recobrar o porto e o Pontal.


Em 1635, o Forte de Nazaré caiu em poder dos holandeses, que fortificaram a área. Só muito mais tarde, à época da Campanha da Restauração, a área do Cabo de Santo Agostinho retorna às mãos dos luso-brasileiros. Os holandeses passaram a chamá-lo de Water Kasteel - Castelo do Mar - nome pelo qual até hoje é conhecido.



Restauração


Em Maio de 2007, O Batalhão elaborou projeto e estabeleceu parceira com o Conselho Gestor do Parque Metropolitano Armando Holanda Cavalcanti (PMAHC) e com a Fundação dos Economiários Federais (FUNCEF), visando a conservação e a recuperação do Forte Castelo do Mar e do Quartel Velho, mediante contratação de empresa especializada em recuperação de sítios históricos.




Coube ao 14º Batalhão Logístico, nesta fase inicial dos trabalhos, designar pessoal militar para vigilância do local e exercer atividades preparatórias (poda, capina, limpeza e remoção de entulhos) para a recuperação propriamente dita. Durante o andamento dos trabalhos, foram encontrados objetos, provavelmente da época da Invasão Holandesa / Campanha da Restauração, tais como moedas antigas, fragmentos de peças em cerâmica e artefatos de tiro (munição).


O editor do Blog HISTÓRIA MILITAR durante visita de estudos e pesquisa ao Forte Castelo do Mar


Localização: Cabo de Santo Agostinho, próximo ao povoado de Nazaré, sobre o pontal do Cabo.

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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - SIMÓN BOLÍVAR



* 24/7/1783, San Mateo, Venezuela
+ 17/12/1830, Santa Marta, Colômbia

.Um dos maiores vultos da história latino-americana, Bolivar comandou as revoluções que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios y Blanco nasceu na aristocracia colonial. Recebeu excelente educação de seus tutores e conheceu as obras filosóficas greco-romanas e as iluministas.
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Aos nove anos, perdeu os pais e ficou a cargo de um tio. Este o enviou à Espanha, aos 15 anos, para continuar os estudos. Lá, Bolívar conheceu María Teresa Rodríguez del Toro y Alayza, com quem se casou em 1802. Pouco depois de terem voltado para a Venezuela, a esposa morreu de febre amarela. Bolívar então jurou nunca mais casar.
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Em 1804, retornou para a Espanha. Na Europa, presenciou a proclamação de Napoleão como imperador da França e perdeu o respeito por ele, considerando-o traidor das idéias republicanas. Após breve visita aos Estados Unidos, regressou à Venezuela em 1807.
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No ano seguinte, Napoleão provocou uma grande revolução popular na Espanha, conhecida como Guerra Peninsular. Na América, organizações regionais se formaram para lutar contra o novo rei, irmão de Napoleão.
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Caracas declarou a independência, e Bolívar participou de uma missão diplomática junto à Inglaterra. Na volta, fez um discurso em favor da independência da América espanhola. Em 13 de agosto de 1811, forças patriotas, sob o comando de Francisco de Miranda, venceram em Valencia. Mas, no ano seguinte, depois de vários desastres militares, os dirigentes revolucionários entregaram Miranda às tropas espanholas.
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Bolívar escreveu o famoso "Manifesto de Cartagena", sustentando que Nova Granada deveria apoiar a libertação da Venezuela. Em 1813, invadiu a Venezuela e foi aclamado Libertador. Em junho daquele ano, tomou Caracas e, em agosto, proclamou a segunda república venezuelana.
.Em 1819, organizou o Congresso de Angostura, que fundou a Grande Colômbia (federação que abrangia os atuais territórios da Colômbia, Venezuela, Panamá e Equador), a qual nomeou Bolivar presidente. Após a vitória de Antonio José de Sucre sobre as forças espanholas (1822), o norte da América do Sul foi enfim libertado.


Em julho de 1822, Bolívar discutiu com José de San Martín a estratégia para libertar o Peru, mais ao sul. Em setembro de 1823, ele e Sucre chegaram a Lima para planejar o ataque. Em agosto de 1824, derrotaram o exército espanhol. No ano seguinte, Sucre criou o Congresso do Alto Peru e a República da Bolívia (assim batizada em homenagem a Bolívar). Em 1826, Bolívar concebeu o Congresso do Panamá, a primeira conferência hemisférica.
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Em 1827, devido a rivalidades pessoais entre os generais da revolução, eclodiram guerras civis na Grande Colômbia. Em 25 de setembro de 1828, em Bogotá, Bolívar sofreu um atentado, conhecido como "conspiração setembrina", da qual saiu ileso graças à ajuda de sua companheira, Manuela Sáenz. Com a guerra civil de 1829, a Venezuela e a Colômbia se separaram; o Peru aboliu a Constituição bolivariana; e a província de Quito tornou-se independente, adotando o nome de Equador.
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Acuado e tuberculoso, o Libertador morreu no ano seguinte, aos 47 anos de idade.


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XXXV CONGRESSO INTERNACIONAL DA HISTÓRIA MILITAR



O XXXV Congresso Internacional de História Militar foi realizado na cidade do Porto, Portugal, no período de 30 de Agosto a 4 de Setembro de 2009. Organizado pela Comissão Internacional de História Militar, a Universidade do Porto e a Câmara Municipal do Porto, sob o tema "A guerra no tempo de Napoleão: Antecedentes, campanhas militares e impactos de longa duração", o Congresso integrou as comemorações do bicentenário da segunda invasão Francesa de Portugal.

As sessões temáticas compreenderam abordagens desde os antecedentes políticos e ideológicos das guerras até as campanhas militares e suas projeções globais - em geopolítica, economia, sociedade e cultura. Neste domínio, foi dada uma ênfase particular ao desenho de uma nova ordem política e à disseminação de novas ideologias, as quais fizeram nascer novos regimes e formas de governo que ultrapassaram o espaço europeu e se projetaram em outros continentes.

O Brasil se fez representar no congresso pelo Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB), com a participação de seu presidente, General-de-Divisão Aureliano Pinto de Moura, e de seus sócios Prof. Dr. Paulo André Leira Parente e Coronel Cláudio Skora Rosty.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

PENSAMENTO MILITAR - TITO LÍVIO





"Basta que ameaceis com a guerra: tereis a paz ."


Tito Lívio, autor romano

IMAGEM DO DIA - 14/09/2009


Durante a Batalha de Hastings, em 1066, a infantaria normanda investe contra as posições saxãs do rei Herald, selando a vitória e abrindo o caminho para a conquista da Inglaterra.


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ORGANIZAÇÃO DO EXÉRCITO PORTUGUÊS A TRÊS LINHAS


Com a Restauração em Portugal, João IV, necessitando de se defender dos espanhóis, dá mais um passo, criando aquilo que poderá já ser considerado como um primeiro exército permanente, organizando o exército a em Distritos de Recrutamento e em Unidades Territoriais, uma vez que a sua responsabilidade era a de assegurar o recrutamento, instrução e disciplina das tropas.

Ao mesmo tempo em que constituía as tropas em três escalões: o Exército de Linha, as Tropas Auxiliares e as Tropas Territoriais.


A esta nova organização militar corresponderia:

- Exército de linha: constituído pelos «soldados pagos», ou seja, uma força profissional paga, que era levantada entre as ordenanças, proporcionalmente ao número de homens alistados, devendo ter cerca de 20.000 infantes e 4.000 cavaleiros, organizados em terços, sustentados pelos impostos que as Cortes permitiriam;

-Tropas auxiliares (Milicias): constituídas pelos «soldados auxiliares», que eram os que tinham ficado excluídos das levas; composta pelas milícias e tropas auxiliares, também organizados em terços, mas de recrutamento e comando local, podendo ser usados para apoiar e reforçar as forças de primeira linha, e guarnecer fortificações;

- Tropas territoriais (Ordenanças): constituídas pelas Ordenanças às quais competia dar apoio às forças de primeira linha e substituir na guarnição das praças as tropas em campanha. Eram compostas por todos os homens válidos dos 16 aos 70 anos, e que teria meramente uma função de defesa local e de mobilização ocasional.



Esta organização passaria a ser referida e conhecida como sendo constituída por tropas de 1ª e 2ª linhas., sendo esta ultima dividida em duas (tropas auxiliares ou Milícias e as Tropas territoriais ou Ordenanças).

Como sempre neste Reino, a estrutura era bem organizada em termos de “papel”, mas em termos reais, não se aproximava em nada da realidade. O exército de linha nunca atingiu os efetivos previstos, salvo em raras ocasiões, e os seus efetivos eram sistematicamente completados por elementos dos terços Auxiliares (milícias) , e mesmo quando necessário, por ordenanças da zona onde operava.

Só após o fim da campanha do Rossilhão, entre 1 e 7 de Agosto de 1796 foi promulgada legislação tendente à reorganização do exército, prevendo entre outros o aumento de efetivos da cavalaria, artilharia e infantaria, a criação de regimentos de Milícia, em substituição dos Terços Auxiliares.
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Efetivamente, em 7 de Agosto de 1796, tenta-se criar uma verdadeira segunda linha, dando aos terços auxiliares, agora denominados regimentos de milícias, uma organização regimental idêntica aos regimentos de primeira linha. Assim, os 43 Terços Auxiliares das comarcas passaram a ser denominados Regimentos de Milícias.

Em 1806-1807 foram reorganizados os regimentos de linha, as milícias e as brigadas de ordenanças. A estrutura da Infantaria, criada em 1640, não foi modificada significativamente até 1836, com o fim da guerra civil. Foi com base na organização original de 1640, que a arma evoluiu durante 200 anos. No entanto, na estrutura interna, o número dos seus efetivos foi evoluindo, de acordo com os acontecimentos, as necessidades, o desenvolvimento da técnica e da tática militares.

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

DIVULGAÇÃO - DOCUMENTÁRIO SOBRE A 2a GUERRA MUNDIAL


Na próxima Quarta feira dia 09, será exibido um documentário especial sobre os 70 anos da 2a Guera Mundial.


National Geographic, às 21:30.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

INSTITUTO RICARDO BRENNAND


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Recentemente o editor do BLOG HISTÓRIA MILITAR esteve em viagem à capital pernambucana e arredores com o objetivo de realizar visita de pesquisa aos sítios históricos e outros locais de referência no estudo da História Militar do Brasil.




A partir de hoje publicarei alguns artigos no BLOG relatando a viagem e os principais locais e sítios do Recife e cidades vizinhas. Hoje destacamos o Instituto Ricardo Brennand, certamente um dos melhores museus com acervo militar existente no Brasil.

O Museu de Armas Castelo São João foi criado pelo colecionador pernambucano Ricardo Brennand, que há mais de cinquenta anos vem adquirindo obras de arte das mais diferentes procedências e épocas, cobrindo um espaço de tempo entre os séculos XV e XXI, com peças provenientes da Europa, Ásia, América e África.Essas obras de arte estão reunidas em coleções de Pintura, brasileira e estrangeira, Armaria, Tapeçaria, Artes Decorativas, Escultura e Mobiliário.





O núcleo de Armaria, que originou a Coleção Ricardo Brennand, é considerada hoje, uma das maiores coleções do mundo, com cerca de 3.000 peças, fabricadas na Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Espanha, Suécia, Turquia, Índia e Japão.



As armas são classificadas como de caça, guerra, proteção pessoal e exibição, defensivas e ofensivas, armaduras para cavaleiros e cavalos, com destaque para as armaduras completas com escudos, elmos, manoplas e cotas de malha, usadas pelos cavaleiros em batalhas, torneiros e justas, entre os séculos XIV e XVII.

Dentre as peças que compõem a coleção estão punhais, estiletes, espadas, espadas-pistolas, maças, maguais, alabardas, bestas, facas e canivetes. Peças de diferentes estilos, algumas ricamente trabalhadas com pedras semipreciosas, marfim, chifres, madrepérola, carvalho, aço e outros metais abrangendo um período entre o séculos XV e XXI.

Destaque para as facas e canivetes de exibição da cutelaria Joseph Rodgers & Sons Limited, fundada em 1724, em Sheffield, Inglaterra, que funcionou até meados do século XX. A Joseph Rodgers teve exclusividade na venda produtos de cutelaria para a Coroa Britânica durante quatro reinados consecutivos, do Rei William IV ao George V. O nome da Rodgers e os símbolos de sua marca estiveram sempre associados com produtos de altíssima qualidade e beleza de design.










O Instituto Ricardo Brennand localiza-se na Alameda Antônio Brennand, s/n - Várzea - Recife-PE e funciona de Terça a Domingo, das 13:00 às 17:00 h.

Maiores informações pelo telefone (81) 2121-0352 ou pelo site http://www.institutoricardobrennand.org.br/.







Vale a pena conferir .... é imperdível!


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IMAGEM DO DIA - 07/09/2009



Imagem em homenagem ao Dia da Pátria. No desfile militar de 1967, um esquadrão de carros de combate M-41 desfila na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.

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SETE DE SETEMBRO - DIA DA PÁTRIA BRASILEIRA


Sete de setembro, dia da Independência do Brasil, é a mais conhecida e celebrada data nacional. Está associada à proclamação feita, em 1822, pelo príncipe D. Pedro, às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, acontecimento que teria assinalado o rompimento definitivo dos laços coloniais e políticos com Portugal.


Entretanto, o episódio do Ipiranga não teve repercussão no momento em que ocorreu, pois a separação do Reino europeu não era uma decisão consensualmente aceita pelos diferentes segmentos da sociedade na época. Tanto o delineamento do Império e da monarquia constitucional quanto o reconhecimento da data de 7 de setembro como marco da história da nação brasileira foram resultado de complexo processo de lutas políticas que tiveram lugar no Rio de Janeiro e nas demais províncias do Brasil durante a primeira metade do século XIX.


Após 1860, a data começou a ganhar importância no calendário de comemorações oficiais do Império, período em que também foram erguidos monumentos em homenagem à fundação da nacionalidade. Em 1862, foi inaugurada a estátua equestre de D. Pedro I na atual Praça Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro, em honra aos quarenta anos da Independência e à Carta Constitucional de 1824. Entre 1885 e 1890, realizaram-se, na cidade de São Paulo, as obras de construção do Monumento do Ipiranga, palácio de feições renascentistas, edificado no suposto local do famoso “grito”, e que após a proclamação da República passou a abrigar o Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga. Especialmente para ornamentar esse edifício, Pedro Américo confeccionou, entre 1886 e 1888, o painel Independência ou Morte, imagem emblemática do 7 de setembro.


Com a organização do regime republicano, esse dia passou a figurar como a mais significativa data da história brasileira, sendo festejada anualmente com desfiles militares e outras manifestações. Essas tradições celebrativas se consolidaram em 1922, por ocasião do Centenário da Independência, momento em que foi oficialmente instituído o Hino Nacional cantado até hoje.


Fonte: Trecho do texto de Cecília Salles Oliveira, extraído da obra Dicionário de Datas da História do Brasil, organizado por Circe Bittencourt e publicado pela editora Contexto.
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NOTÍCIA - UMA FERIDA ANTIGA




A 2a Guerra Mundial foi tão marcante que até mesmo hoje em dia continua gerando notícias intrigantes. Desta vez foi a história de um veterano inglês, de 87 anos, que descobriu o de sentir dores que o acompanham desde a época do conflito.

Alfred Mann serviu como enfermeiro e, em uma de suas ações de socorro a soldados feridos na Itália em 1944, a explosão de uma mina o feriu também. A explosão causou perda de audição e alguns ferimentos no rosto, nos ombros e pernas. Desde então nunca mais pôde comer alimento duro, pois passou a sentir fortes dores na boca quando tentava mastigar.

Porém no mês de maio, descobriu a causa de tanto incômodo. Mann ficou com um estilhaço alojado em seu maxilar durante 65 anos. No dia 4 de Maio, o objeto soltou-se, causando espanto em Alfred, que jamais suspeitara da possibilidade: um estilhaço de 1,3 cm fruto da explosão na qual ele se feriu durante a guerra.


Não me lembro de nada do que aconteceu. Acordei dois dias mais tarde num hospital de Nápoles, só podia comer comidas macias e agora como de tudo.


Alfred Mann, que atualmente vive com sua esposa Constance, em Birmingham, no centro de Inglaterra sente-se agora um “homem novo”.

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