"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 15 de maio de 2009

PENSAMENTO MILITAR





"A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres."


Heráclito, filósofo grego

IMAGEM DO DIA - 15/05/2009

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Guerra Irã-Iraque, década de 1980. Equipado com máscara de proteção contra agentes químicos, soldado iraniano ocupa uma posição defensiva. Durante o conflito o Exército do Iraque empregou a guerra química intensamente.

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INSTITUTO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL (IGHMB)


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Instalado oficialmente no dia 15 de novembro de 1938, em solenidade realizada no Clube Militar, Rio de Janeiro, RJ, o Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) é hoje uma associação civil de caráter cultural e científico que se destina, primordialmente, a promover estudos de Geografia e História Militar, Estratégia e Geopolítica, bem como incentivar e realizar o culto cívico de personalidades, atos e fatos gloriosos da História do Brasil.

Entidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, o IGHMB não é subordinado ao Ministério da Defesa ou a qualquer órgão cultural, civil, oficial ou não. O IGHMB não admite qualquer tipo de discriminação quanto à raça, cor, sexo, credo, religioso ou pensamento político.

Ao lado de dezenas de outras instituições congêneres no mundo, é filiado à Comissão Internacional de História Militar, na qualidade de representante do Brasil.

O IGHMB tem por objetivos:

- Manter viva a memória nacional.
- Realizar pesquisas, estudos e investigações sobre fatos, personalidades e episódios históricos.
- Manter seu quadro social atualizado quanto a conjuntura nacional e internacional, evolução do pensamento estratégico e as ameaças reais ou potenciais a Nação Brasileira.
- Incentivar o estudo da Geografia, da História Militar, da Estratégia e da Geopolítica, nos estabelecimentos de ensino militares e civis de terceiro grau, nos níveis de graduação e pós-graduação.

O Instituto nasceu no Clube Militar, fruto do idealismo de intelectuais da Marinha e do Exército, por iniciativa do Capitão de Infantaria Severino Sombra de Albuquerque. Foi criado em 7 de novembro de 1936, em sessão solene, no salão nobre da antiga sede da Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, com a denominação de Sociedade Militar Brasileira de História e Geografia. Todavia, logo a seguir, na ata da segunda sessão preparatória, datada de 12 de dezembro desse mesmo ano, figuraria como Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB), nome que até hoje conserva e que melhor expressa o propósito de seus fundadores.

As sessões preparatórias totalizaram cinco – incluindo a solene de fundação – e se destinaram a conformar a nova instituição para o seu pleno funcionamento, sendo a última a de 20 de abril de 1937. A quarta dentre elas, a de 1° de abril, já informava sobre as tratativas para obtenção de uma sede própria e sobre a aquiescência do Ministro da Guerra, General-de-Divisão Eurico Gaspar Dutra, em ceder ao Instituto, com essa finalidade, o pavimento superior da Casa Histórica de Deodoro, então ocupada pelo Comando de Artilharia Divisionária.

O Instituto funcionou no Clube Militar até as vésperas da demolição que daria lugar à construção de sua nova sede social, iniciada em 5 de agosto de 1941. Nele realizou a primeira sessão ordinária, dia 2 de novembro de 1938, cuja ata registra a encomenda, a José Wasth Rodrigues, do desenho de um emblema para ser comparado com os apresentados pelo sócio Tenente João Egon Prates da Cunha Pinto e o Sr. Luiz Loureiro, Chefe do Gabinete Fotocartográfico do Estado-Maior do Exército, de que resultaria a nossa insígnia. Ali foi realizada a eleição e a posse da primeira diretoria e dos primeiros sócios, escolheu-se os patronos, elaborou-se e aprovou-se o primeiro Estatuto e foi composta a primeira Revista do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.

Impossibilitado de ser acolhido no Ministério da Guerra, inconclusa que estava ainda a construção do atual Palácio Duque de Caxias, teve o Instituto que recorrer ao seu co-irmão, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), aonde encontrou guarida, a partir de 1941, no antigo Silogeu Brasileiro, à Avenida Augusto Severo, esquina com a Rua Teixeira de Freitas.

De 1946 a 1970, passou a funcionar em dependência da Bibliotheca Militar, hoje Biblioteca do Exercito, na Ala Marcílio Dias do Palácio Duque de Caxias. As instalações que lhe foram, de bom grado, destinadas estavam longe de atender às suas aspirações. Por isso, ele continuou procurando opções que pudessem levá-lo à sonhada sede própria. Nesse sentido, a ata da sessão de 8 de maio de 1956 fala sobre a possibilidade de se conseguir uma subvenção permanente de modo a custear o aluguel de um espaço no edifício que o IHGB se propunha construir e, em parte, sublocar; a da sessão de 7 de novembro fala sobre a petição da Casa de Osório para a sede pretendida e, a de 18 de outubro de 1962, sugere que se voltasse a pleitear a Casa de Deodoro paralelamente à de Osório. Nada, entretanto se concretizou. A subvenção jamais conseguida e as condições físicas das Casas cogitadas, não encontrando quem lhes financiasse a imprescindível restauração, inviabilizaram as opções aventadas.

Com a desocupação do Palácio Monroe pelo Senado Federal, o Instituto pensou ter encontrado a sede procurada. E, em condomínio com o Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), aí permaneceu no quarto andar, de 1970 a 1974.

Voltou então o Instituto a ter que se hospedar no IHGB, agora instalado na sede que construíra e inaugurara a 5 de setembro de 1972. Neste local ficou até 1976, quando o Ministro do Exército, General-de-Exército Silvio Coelho Frota, permitiu-lhe instalar-se no décimo oitavo andar do PDC, novamente junto com o EMFA e com a concordância do seu Ministro-Chefe, General-de-Exército Antônio Jorge Correia.

Extinta a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, por ter sido denunciado o Acordo entre as duas nações no Governo Geisel, as instalações que ela ocupava, no décimo segundo andar do Palácio Duque de Caxias, foram transferidas com todo o mobiliário do órgão extinto para o Instituto. Oficializado esse ato pelo General-de-Divisão Geraldo de Araújo F. Braga, Comandante da 1ª Região Militar, julgava o Instituto, agora sim, ter enfim a sua sede própria. E tratou de providenciar, dentro das suas limitações, as adaptações e melhorias requeridas pelas instalações. Entretanto, em 1996, o Ministério do Exército decidiu trazer de volta para o Rio de Janeiro seu Departamento de Ensino e Pesquisa, sendo o décimo-segundo andar requisitado para a Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial.

Ofereceram-lhe então, mediante convênio, transferir-se para o andar superior da Casa Histórica de Deodoro, ressuscitando uma possibilidade aventada, pela primeira vez, cinqüenta e nove anos atrás. Enquanto as adaptações necessárias e reparações do imóvel se realizavam, o Instituto viu-se compelido pela terceira vez a funcionar no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Assim, até que as obras solicitadas fossem concluídas, durante dois anos, 1996 e 1997, nele passaram a ter lugar as atividades culturais, e a sua secretaria foi instalada em dependência cedida pela Biblioteca do Exercito, que se dispôs também a guardar o seu acervo de material.

No dia 24 de março de 1998, a abertura do ano cultural do Instituto foi feita juntamente com a inauguração da nova sede na Casa Histórica de Deodoro. Com ela, punha-se fim a uma saga que durou um ano a mais do que sessenta.

O IGHMB está instalado na Casa Histórica de Deodoro, situada no antigo Campo de Santana, de onde o Marechal Deodoro da Fonseca saiu para proclamar a República.

Preside o IGHMB, atualmente, o General-de-Divisão Aureliano Pinto de Moura.

Maiores informações:

IGHMB – Casa Histórica de Deodoro
Praça da República 197, Centro, Rio de Janeiro-RJ
Página na internet:
http://ighmb.org/

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NOTÍCIA - MORRE NO RIO, AOS 108 ANOS, O ÚLTIMO MARECHAL BRASILEIRO

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Faleceu essa semana no Rio de Janeiro, aos 108 anos, o marechal Waldemar Levy Cardoso, o último marechal vivo no País. O mais alto posto do Exército foi extinto em 1967, quando houve a reforma estrutural da instituição, definindo que somente haveria a promoção de General-de-Exército ao posto de Marechal em caso de guerra. O marechal morreu de insuficiência respiratória no Hospital Central do Exército, na zona norte da capital fluminense. O corpo do marechal foi sepultado com honras militares no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio.

Filho de uma judia de origem argelina e de pai descendente de portugueses, Waldemar Levy Cardoso ingressou na vida militar em 1914, no Colégio Militar de Barbacena. Saiu de lá em 1918, aos dezessete anos de idade, como Coronel-Aluno, por ter sido o primeiro classificado de sua turma. Em 1921 foi declarado Aspirante-a-oficial da arma de Artilharia e designado para servir no 4º Regimento de Artilharia Montado (4º. RAM), situado em Itu. Em 1924 envolveu-se na revolta contra Artur Bernardes, quando foi preso e condenado a dois anos de prisão. Depois de cumprir a pena, o Supremo Tribunal Federal reviu seu caso e o condenou a mais três anos de detenção. Levy Cardoso fugiu da prisão e passou alguns anos escondido em Paranaguá, usando nome falso. Anistiado, envolveu-se na Revolução de 1930, já como tenente. Foi então promovido a capitão.

Em fevereiro de 1935 matriculou-se na Escola do Estado-Maior, no Rio de Janeiro, concluindo o curso em dezembro de 1937. Em 1944, como tenente-coronel, seguiu com a Força Expedicionária Brasileira para a Itália para lutar na Segunda Guerra Mundial, onde comandou um dos quatro Grupos de Artilharia da 1a Divisão de Infantaria Expedicionária brasileira.

Após a volta da guerra, Levy Cardoso permaneceu na ativa do Exército. Em 1951, foi enviado para a Europa como adido militar às embaixadas do Brasil na França e na Espanha. Retornando ao Brasil em 1953, foi nomeado comandante do 2º Regimento de Obuses 105 (Regimento Deodoro) em Itu, onde permaneceu até ser promovido ao posto de General-de-Brigada.

Em 1957, foi nomeado para a chefia do gabinete do Ministro da Guerra, General Henrique Teixeira Lott. Após a Revolução de 1964 assumiu a chefia do Departamento de Provisão Geral(DPG) do Exército. Passou para a reserva em 1966, com a o posto de Marechal. Em abril de 1967, foi nomeado presidente do Conselho Nacional do Petróleo, cargo que manteve até março de 1969, quando assumiu a presidência da Petrobrás. Deixou a presidência em 30 de outubro de 1969. Entre 1971 e 1985, foi conselheiro da Petrobrás.

Waldemar Levy Cardoso foi o último brasileiro detentor da patente de Marechal a falecer. Também por ter sido o mais antigo militar combatente da 2ª Guerra, detinha o bastão de comando da Força Expedicionária Brasileira.

No dia 19 de janeiro de 2008, já com 107 anos, esteve presente à cerimônia comemorativa dos 90 anos do Regimento Deodoro, hoje denominado 2º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, unidade que comandou durante a década de 1950.

O Blog História Militar presta seu tributo ao grande brasileiro e insígne soldado.
A cobra continua fumando ...

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quinta-feira, 7 de maio de 2009

IMAGEM DO DIA - 07/05/2009

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Guerra Civil Grega, 1946. Voluntárias femininas comunistas recebendo treinamento militar.




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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL HERMANN GÖERING



* 12/01/1893 - Rosenheim, Alemanha

+ 15/10/1946 - Nuremberg, Alemanha


Hermann Wilhelm Göring (ou Goering) nasceu na Baviera, o segundo filho da segunda esposa de Heinrich Ernst Goering, um oficial da Cavalaria Prussiana e também Cônsul-geral Alemão no Haiti. A família firmou moradia na Alemanha com a aposentadoria de seu pai, em 1896.

Cresceu próximo a Nuremberg, no pequeno castelo de Veldenstein, pertencente ao Cavaleiro Hermann von Epenstein, um judeu que até 1913 foi amante de sua mãe e seu padrinho.

Estudou no colégio militar e na escola de cadetes e em 1912 foi incorporado ao Exército Prussiano, no Regimento Prinz Wilhelm, na arma de infantaria. E assim seguiu para a 1a Guerra Mundial, servindo como infante nas trincheiras alemãs. Ainda no primeiro ano de conflito, um problema reumático causados pela umidade das trincheiras forçou sua hospitalização.

Pouco depois tentou transferência para a Luftstreitkräfte, o Serviço Aéreo do Exército Imperial Alemão, mas teve seu pedido de ingresso negado. Insistindo em seu intento, conseguiu voar como observador, transferindo-se por conta própria, ignorando a possibilidade de uma corte marcial. Já em 1915 foi qualificado como piloto de caça. No mesmo ano foi derrubado em combate, e retornaria apenas em 1917, onde atingiu a marca de 22 vitórias aéreas, que lhe garantiram a Cruz de Ferro e a medalha Pour le Mérite.

Em 1918 Goering alcançou o posto de comandante do celebrado Esquadrão Richthofen, o qual o lendário aviador alemão Manfred von Richtofen, o Barão Vermelho, servira.

Com o término da Primeira Guerra Mundial, Goering foi intimado a entregar seus aviões aos Aliados em dezembro de 1918. Ao saber disso, ele e outros oficiais fizeram aterrissagens forçadas com os biplanos, causando o máximo de danos possíveis sem destruí-los, para que os países vencedores não receberem os aviões em estado operacional.

Seu ressentimento maior foi com a população civil, devido ao tratamento dado aos oficiais do Exército após a rendição alemã, fato que fez com ele deixasse o país. Passou a pilotar comercialmente na Dinamarca e na Suécia.

Goering tornou-se amigo de Rudolf Hess na Faculdade de Ciências Políticas, logo em seguida, em 1921, conheceu Adolf Hitler num comício, e em 1922, filiou-se ao então, pequeno Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista).

Por ter sido um oficial na 1a Guerra Mundial, recebeu o comando de uma Unidade das Tropas de Assalto de Hitler (as S.A., Sturmabteilung). Goering participou do fracassado Golpe de Munique de novembro de 1923, no qual Hitler tentou tomar o poder prematuramente. Durante o episódio, Goering foi ferido gravemente na virilha e, com sua prisão decretada, fugiu com sua esposa para a Áustria. O excesso de morfina consumido para aliviar a dor de seus ferimentos o tornou um viciado, fazendo com que buscasse ajuda por duas vezes em 1925-26, junto ao Hospital Mental de Langbro, na Suécia.

Seu retorno à Alemanha ocorreu em 1927 e, graças aos seus contatos na indústria alemã, Göring foi eleito na direção do Partido. Ocupou um dos 12 assentos no Reichstag, conquistados pelo Partido Nazista nas eleições de 1928. Após isso Goering se tornou o famoso líder da bancada do Partido na Câmara Baixa e, quando os nazistas conseguiram 230 assentos nas eleições de 1932, foi eleito Presidente do Reichstag.

Nos anos seguintes, Goering foi o responsável pelo banimento dos jornais católicos na Alemanha, assim como o articulista do rearmamento alemão visando uma nova guerra de conquista. Em 1935 tornou-se comandante e o primeiro Marechal do Ar da Luftwaffe - a nova Força Aérea alemã. Em 1940 Hitler o proclamou seu sucessor e o promoveu ao posto único de Marechal do Reich (Reichsmarschall), a mais alta patente militar do Reich alemão. Também foi Ministro da Economia do Reich, após o afastamento de seu titular por anos, Hjalmar Schacht.

Goering não acreditava que a Alemanha estava pronta para entrar num novo conflito e, particularmente, não acreditava que a Luftwaffe, estivesse à altura da RAF, a Força Aérea britânica. Entretanto, com o início da 2a Guerra Mundial, pôs-se aos esforços de conseguir a vitória.

E elas vieram, nos combates travados pela Luftwaffe, na Polônia e na França. Fatos que conduziram o Reichsmarschal ao seu ápice político e militar na Alemanha nazista. Porém, a capacidade de defesa da Luftwaffe se desfazia ao passo em que as frentes de batalha de Hitler se estendiam do norte da Europa ao Mediterrâneo e ao norte da África, e Goering perdeu prestígio quando a Luftwaffe sofreu derrota na Batalha da Inglaterra e não preveniu os bombardeios Aliados à Alemanha.

Alegando problemas de saúde, Goering se manteve em sua vida privada o quanto Hitler o consentiu, usufruindo do luxo da Carinhall - sua vasta propriedade ao norte de Berlim -, onde cuidou de sua coleção de arte e recebeu diversos presentes daqueles que buscavam seus favores. Seu vício em paracodeína, um derivado da morfina, o tornou eufórico e deprimido.

Se descrente da vitória alemã numa guerra ocidental, Goering se opunha completamente a uma nova guerra na frente oriental contra a Rússia e buscou todos os meios para convencer Hitler a cancelar a Operação Barbarossa. Com a invasão da URSS, empenhou-se então a vencer essa campanha, fato, que apagaria seu fracasso na Batalha da Grã-Bretanha, mas como ele previu, tais conflitos conduziram a Alemanha ao desastre e a aniquilação.

Nos anos finais da 2a Guerra Mundial a Luftwaffe combateu, sempre em desvantagem numérica contra russos, estadunidenses e ingleses, chegando próximo a completa destruição.

Em 1945, próximo ao fim da guerra, diante da Alemanha irremediavelmente derrotada, invadida a leste pelos russos e a oeste pelos demais Aliados, Goering, enviou a Adolf Hitler, um telegrama onde propunha assumir a liderança do Reich como sucessor anunciado do Führer. Hitler recebeu a proposta como uma grande traição e ordenou a prisão de Goering pela SS, assim como o retirou de seu testamento político e o expulsou do Partido Nazista.

Goering foi preso em 8 de maio de 1945, na Áustria, onde se refugiara, e suas condições físicas e mentais eram lamentáveis. Encarcerado em Nuremberg, recuperou-se de seu vício através do tratamento dado pelos estadunidenses na prisão. Seu brilho de orador e sua saúde física e mental voltaram, então, Goering atuou como líder dos acusados, defendendo-se vigorosamente durante o julgamento. As provas, testemunhos e evidências contra seus crimes o renderam pena de morte na forca, por crimes contra a humanidade, contra a paz e crimes de guerra.

Quando tomou conhecimento de sua pena, solicitou ao tribunal que fosse fuzilado, considerando que tal forma de execução seria digna de um militar. Pedido negado pelo Tribunal de Nuremberg.

Na véspera de sua execução, Goering suicidou-se engolindo uma cápsula de veneno de cianeto de potássio - somente em 1967 é que foi revelado que ele havia deixado um bilhete explicando que a cápsula de veneno tinha estado o tempo todo em uma embalagem de pomada.

Postumamente, seu cadáver foi içado à forca junto com os demais executados, num ato macabro autorizado pelos juízes do tribunal de Nuremberg. Em seguida, seu corpo foi cremado e suas cinzas jogadas num rio em Munique.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

IMAGEM DO DIA - 04/05/2009

  

Durante a Guerra do Chaco, travada entre Paraguai e Bolívia em 1932, a canhoneira Paraguay transporta soldados para reforçar uma guarnição.




NOTÍCIA - GUERRA E PAZ COM O PARAGUAI


 Aldo Rabelo


Os deputados paraguaios Héctor Lacognata e Ricardo Canese apresentaram ao Parlamento do Mercosul proposta para que os quatro países que integram o bloco criem o Memorial da Guerra da Tríplice Aliança. A iniciativa remonta aos acontecimentos de 1864 a 1870, quando Brasil, Argentina e Uruguai enfrentaram o Paraguai no confronto mais sangrento e demorado do subcontinente. Quase um século e meio depois do armistício, é pleno de atualidade todo esforço na busca de instrumentos para sublimar na paz o horror da guerra.


O Brasil e o Paraguai podem e devem, para além da iniciativa em exame no Parlamento do Mercosul, constituir um fundo comum para a restauração da memória da guerra, de seus sítios históricos e arquivos, em proveito da história dos dois povos. Governos, Parlamentos, universidades, instituições militares integrarão o trabalho comum. Os recursos serão providos dentro das possibilidades de cada país e com a participação de entidades como a empresa binacional de energia Itaipu.


Em visitas ao itinerário dos combates pude testemunhar o significado e as marcas do conflito nas gerações paraguaias. É comovedor contemplar as ruínas da velha igreja de Humaitá bombardeada pela esquadra imperial e as águas cristalinas do Arroio Aquidabã, em Cerro Corá, em cujas margens tombaram empunhando a espada o marechal Francisco Solano López e seu filho ainda adolescente, o coronel Juan Francisco.

Apesar de registrar que o projeto "não busca fazer sangrar uma antiga ferida", os parlamentares do país irmão falam de "genocídio levado a cabo contra o povo paraguaio", abordagem inaceitável para o propósito da cooperação na reconstrução da memória do conflito.

As análises da Guerra do Paraguai e, sobretudo, a avaliação de seus protagonistas variam de acordo com os autores e as conjunturas, resultando em diferentes construções de heróis nacionais erigidos como figuras míticas calcadas no contexto histórico em que foram elaboradas. Examinar o passado com as lentes do presente é uma distorção de historiadores que submetem os fatos à interpretação. A historiografia ainda tem um longo caminho a percorrer e, sobretudo, muitos documentos a apresentar, antes de oferecer conclusões irrefutáveis acerca de aspectos particularmente controversos da guerra, a começar de suas causas e motivações, das estatísticas e suas manipulações, do desempenho dos chefes de Estado e dos generais, assim como das tropas de formação e composição heterogêneas que integraram os exércitos beligerantes.

As primeiras interpretações tecidas nos panteões oficiais foram sucedidas por um criticismo exacerbado que o historiador Francisco Doratioto, autor de uma Nova História da Guerra do Paraguai, chamou de "revisionismo infantil". Na poeira dessa revisão se forjou um fomentador externo do conflito, a Inglaterra, que teria financiado a Tríplice Aliança para barrar a modernização do Paraguai - capítulo fantasioso já desmontado por pesquisas. De fato, os ingleses tentaram pôr panos quentes na desavença. Nosso Império escravista e militarista seria antípoda à expansão das forças produtivas no Paraguai. Na verdade, o Segundo Reinado era pacifista e manteve o Exército à míngua, e foi a guerra que conferiu a esta força militar fôlego e consciência para se reorganizar e se consolidar como instituição decisiva, a ponto de ser protagonista das rupturas históricas representadas pela Abolição e pela República.

A corrente historiográfica revisionista plantou ainda a tese do "genocídio", do Brasil como combatente desleal que dizimou populações civis indefesas, inclusive crianças. As pesquisas, mesmo as mais recentes, não apresentam conclusões sobre o censo da população paraguaia antes e depois da guerra, mas desautorizam os cálculos imaginosos dos ideólogos do "genocídio". A pesquisadora americana Vera Blinn Reber argumenta que, em lugar de 1,1 milhão, os habitantes do Paraguai eram 320 mil em 1864, e 60 mil morreram durante a guerra - em combate e por causas não militares. Mais uma vez se confirmou o ditado de que na guerra a primeira vítima é a verdade.

A tese do genocídio é uma ignomínia contra o Brasil e não faz justiça ao brio do povo e à valentia do soldado paraguaio. Em Itororó os vencedores - os brasileiros - tiveram mais baixas que os vencidos. No assalto a essa pequena ponte o Brasil perdeu 1.800 soldados, dois generais, dezenas de oficiais, e o futuro primeiro presidente da República, Deodoro da Fonseca, foi gravemente ferido, além de presenciar a morte de dois irmãos oficiais. Os combatentes paraguaios merecem a honra eterna de seus compatriotas. Da mesma maneira, os mais de 50 mil brasileiros mortos merecem e aguardam o reconhecimento pleno da Pátria, pois foi por ela e em nome dela que pereceram num dos mais cruéis e sangrentos conflitos da História.

Cabe-nos perfilar os heróis de cada lado - não como semideuses, e sim como homens concretos, plenos de historicidade, desempenhando, na hora, no lugar e no posto a que foram conduzidos pelas circunstâncias, um papel distintivo nas suas nacionalidades. Reconstruir a História, e não recontá-la, respeitá-la como patrimônio de dois povos e duas nações irmanadas no objetivo comum da fraternidade e do desenvolvimento equilibrado. Vale lembrar que mesmo em meio ao fogo da batalha os dois povos deram início à reconciliação. Tenho parentes em Alagoas descendentes de avó remota paraguaia que casou com soldado brasileiro, da mesma forma que dona Rafaela López de Bedoya, irmã de ninguém menos que o presidente Solano López, casou com o capitão brasileiro Augusto de Azevedo Pedra antes de a guerra acabar.


Fonte: O Estado de São Paulo