"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 28 de junho de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – AMÍLCAR BARCA

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* c. 270 a.C.

+ 228 a.C.



Amílcar Barca foi um estadista e general cartaginês, responsável pela conquista da Hispânia por Cartago. Foi pai de Aníbal, Asdrúbal, Adonibal e Magão, bem como o construtor dos famosos jardins de Amílcar, que se encontravam em Mégara, na periferia de Cartago.

Comandou as forças de Cartago na última parte da Primeira Guerra Púnica e foi o negociador da paz no ano de 241 a.C.

Quando os mercenários a serviço de Cartago se rebelaram, na Guerra dos Mercenários, Amílcar e seu rival Ano os derrotaram. Em 237 a.C. foi à Hispânia, levando consigo seu filho Aníbal, de nove anos, que quis ver a batalha. Amílcar permitiu com uma condição: sempre odiar os romanos acontecendo o que acontecesse.

A perda da Sicília, da Sardenha e da Córsega conduziram o general cartaginês a apoderar-se rapidamente do sul da península Ibérica, após vencer os Turdetanos, e também do leste, até o promontório de Tenebrio, onde mandou construir a fortaleza de Akraleuke, junto a Alicante. Mas foi derrotado na campanha contra os Lusitanos, vindo a falecer em 228 a.C..

Distinguiu-se durante a Primeira Guerra Púnica em 247 a.C., quando assegurou o domínio da Sicília, até então nas mãos de Roma. Desembarcou por surpresa a noroeste da ilha, com uma pequena tropa de mercenários e tomou posição no monte Heirktê (Monte Pellegrino, perto de Palermo). Não somente manteve a posição perante todos os ataques, mas estendeu as suas incursões até a costa do sul da Itália.

Em 244 a.C. deslocou o seu exército para uma posição similar nas ladeiras do monte Eryx (Monte San Giuliano), desde onde podia apoiar as guarnições assediadas na vizinha cidade de Drépano (Trapani). Após a derrota cartaginesa nas ilhas Égadi em 241 a.C., a força invicta de Amílcar saiu da Sicília sem se submeter.

Esta derrota, imputada aos generais aristocratas cartagineses, provocou um grande descontentamento, em especial entre os mercenários, que desejavam cobrar o seu pagamento, embora também entre os camponeses líbios e entre aqueles cidadãos afetados pela crise. Isso ocasionou a rebelião dos mercenários.

Os mercenários, escravos fugitivos e camponeses empobrecidos, dirigidos pelo líder líbio Matho, o gaulês Autarito e o escravo campano Espêndio, assediaram Cartago e tomaram outras cidades como Útica e Bizerta. Amílcar conseguiu tirar os seus barcos do porto e, com uma campanha de fustigamento, conduziu os rebeldes até um vale deserto (o desfiladeiro de Scia), em onde os exterminou com a ajuda do príncipe númida Naravas levado ali pelo seu amigo Antígono em 237 a.C.

Depois deste triunfo, Amílcar conseguiu uma enorme popularidade, e os seus adversários não puderam negar-lhe o posto de comandante-em-chefe do exército nem impedir que se tornasse o autêntico dono de Cartago. Recrutou e treinou um novo exército e, após algumas incursões na Numídia, decidiu lançar uma expedição sobre Ibéria (236 a.C.). Ali visava iniciar um novo império que compensasse Cartago da perda da Sicília, Sardenha e Córsega às mãos dos romanos, e estabelecer uma base na sua campanha de retaliação contra estes desde o próprio território europeu, ao não poder dispor já de frota própria, desmantelada após a assinatura da paz.

Em oito anos de lutas e diplomacia, chegou a dominar um amplo território em Ibéria, rico em recursos mineiros, e a dirigir um exército composto nomeadamente por belicosos e bem preparados iberos.

A sua prematura morte ocorreu no inverno de 229-228 a.C., durante o assédio de Héliké, cidade cujo local é desconhecido, tendo sido especulado quer com Elche de la Sierra, quer a atual Elche, ou algum ponto da atual Oretania, entre outros. Foi sucedido no comando do exército cartaginês pelo seu genro Asdrúbal.

Amílcar superou a todos os cartagineses da sua época, tanto em capacidade militar e diplomacia como em patriotismo. Apenas chegaria a ser superado em todas estas virtudes pelo seu filho Aníbal, o qual educou no ódio para Roma e formou para que chegasse a ser o seu sucessor.

 
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

MORRE NO RJ O GEN RUY CAMPELLO, DETENTOR DO BASTÃO DE COMANDO DA FEB




Por Israel Blajberg



O Gen Ruy Leal Campello, Detentor do Bastão de Comando da FEB faleceu aos 95 anos e 5 dias ontem, quinta-feira 21 de junho de 2012 às 22h na Clinica São Carlos na Rua Humaitá, em Botafogo – Rio de Janeiro. Deixa 1 filha, 2 filhos, 6 netos e 2 bisnetas.



GENERAL-DE-BRIGADA RUY LEAL CAMPELLO

16 jun 1917 - 21 jun 2012

Nasceu na cidade do Rio Grande - RS. Formou-se pela Escola Militar do Realengo em 1940. Na FEB, foi Subcomandante da 5ª Cia/1º RI. No final de 1945, promovido a Capitão, permaneceu no Regimento Sampaio comandando esta Cia. Integrou o “Batalhão Suez”. Em 1959, serviu no QG do I Exército, sob o comando do Gen Odylio Denys, passando para o Gabinete do Ministro, com a ascensão do Gen Denys a esse cargo.

De 1961 a 1964 serviu no Estado-Maior do Exército. Em abril de 1964 passou a integrar a 2ª Seção do EM/1ª  Divisão de Infantaria, comandada pelo Gen Orlando Geisel e posteriormente o Gabinete do Ministro Costa e Silva. De 1966 a 1968, comandou o Regimento Sampaio. Cursou a ESG. Chefiou o Gabinete do Ministro Orlando Geisel. Serviu nos EUA na Comissão Militar Brasileira em washington. Ao retornar ao Gabinete do Ministro, em 1973 foi promovido a General de-Brigada, exercendo os cargos de Diretor de Movimentação, Comandante da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada e Diretor do Pessoal Civil. Deixou o serviço ativo em 1978.

Dentre as condecorações que lhe foram outorgadas, por sua participação na FEB, destacam-se: Cruz de Combate de 2ª Classe, Medalha de Campanha, Medalha de Guerra e Cruz ao Valor Militar, da Itália.

Em cerimônia realizada no dia 18 de outubro de 2009, no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, Gen CAMPELLO recebeu o Bastão de Comando da FEB das mãos do Gen Ex Rui Monarca da Silveira, Chefe do DECEX, sucedendo o saudoso Marechal Levy Cardoso, antigo detentor, falecido em 13 de maio de 2009. Os Marechais Cordeiro de Farias e Machado Lopes foram os primeiros detentores do Bastão de Comando da FEB, confeccionado em pau brasil.

O Gen Campello escreveu o livro Um Capitão de Infantaria da FEB - Biblioteca do Exército Editora - 1999, e um capítulo do livro Soldados que Vieram de Longe - AHIMTB 2008 (I. Blajberg). Exerceu até meados de 2009 a Presidência do Conselho Deliberativo da ANVFEB. Residia no Rio de Janeiro, no bairro de Laranjeiras.


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quarta-feira, 20 de junho de 2012

IMAGEM DO DIA - 20/06/2012

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Tropas do New Model Army, comandadas por Sir Thomas Fairfax, vencem seus oponentes realistas na Batalha de Naseby (1645), durante a Guerra Civil Inglesa.


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FRANCIS GARY POWER É CONDECORADO POSTUMAMENTE NOS EUA

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Mais de 50 anos depois que seu avião U-2 foi abatido quando sobrevoava a antiga União Soviética, o capitão Francis Gary Powers recebeu postumamente  uma das mais altas condecorações concedida a militares durante uma cerimônia realizada no Pentágono, no dia 15 de junho.
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Powers, que morreu em um acidente de helicóptero em 1977, foi condecorado com a Estrela de Prata pelo heroísmo demonstrado enquanto era mantido como prisioneiro pelos soviéticos, de maio de 1960 a fevereiro de 1962. Embora interrogado e perseguido pela equipe da polícia secreta soviética, ele recusou a todas as tentativas de passar informações confidenciais ou por ser explorado para fins de propaganda política.
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O Capitão Powers diante de seu U-2 antes de uma missão de reconhecimento
 
 
Durante a cerimônia, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos EUA, General Norton Schwartz, apresentou a Estrela de Prata para o neto de Powers, Francis Gary Powers III, e Lindsey Berry, neta, diante de mais de uma centena de familiares, amigos, membros de serviços militares e outros convidados.
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Criada em 19 de julho de 1932, a Estrela de Prata é a terceira maior condecoração militar de combate que pode ser atribuída a um militar, por bravura em face a um inimigo e pelo extraordinário heroísmo.
 
Fonte: Cavok
 
 
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sexta-feira, 15 de junho de 2012

ESQUELETO DE SOLDADO É ENCONTRADO NO CAMPO DE BATALHA DE WATERLOO

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Quase dois séculos depois da derrota de Napoleão Bonaparte em Waterloo, no território da atual Bélgica, o esqueleto completo de um soldado morto em 18 de junho de 1815 no célebre campo de batalha foi encontrado por arqueólogos.
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"Ele parece morrer diante de nossos olhos", declarou nesta terça-feira o arqueólogo Dominique Bosquet, referindo-se ao esqueleto desenterrado na semana passada durante trabalhos de restauração do local, situado a cerca de vinte quilômetros do sul de Bruxelas.
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Deitado de costas, com uma bala ainda presa na altura do pulmão esquerdo, o soldado estava coberto por 40 centímetros de terra, em uma posição que prova que não foi movido após a sua morte, como se algum de seus companheiros de batalha o tivesse enterrado rapidamente para protegê-lo de saqueadores, explicaram os arqueólogos.
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Seu uniforme se desfez com o tempo, mas seus objetos pessoais -uma colher, moedas, botões da roupa e um pedaço de madeira com as iniciais 'CB' gravadas em cima - devem mostrar se ele pertencia ao campo dos vencedores (Grã-Bretanha, Prússia e Holanda) ou estava sob as ordens do imperador da França.
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Cena de combate durante a Batalha de Waterloo, taravada em 1815, onde Napoleão foi derrotado


O local onde foi encontrado, atrás de um bastião das tropas do duque de Wellington, possibilita a conclusão de que era um soldado britânico, segundo Yves Vander Cruysen, da associação "Batalha de Waterloo 1815".
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No mês passado, alguns trabalhos de restauração do local onde ocorreu a batalha de Waterloo foram iniciados com o objetivo de reforçar seu potencial turístico, faltando três anos para o bicentenário do episódio histórico.
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No sábado e domingo próximos, será realizada a reconstituição anual da batalha por centenas de fãs da história, que estarão vestidos com trajes da época.
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Cerca de 125.000 homens do Grande Exército Napoleônico enfrentaram 210.000 soldados do campo aliado na batalha que mudou o destino da Europa. Os franceses foram derrotados e mais de 12.000 pessoas foram mortas.


Fonte: Yahoo


sexta-feira, 8 de junho de 2012

IV CICLO DE PALESTRAS DE HISTÓRIA MILITAR

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AS BRIGADAS INTERNACIONAIS

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As Brigadas Internacionais foram um conjunto de unidades militares compostas por voluntários estrangeiros que, durante a Guerra Civil Espanhola, lutaram do lado da República.
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Combateram na Espanha mais de 40.000 brigadistas. O maior contigente veio da França e da Alemanha, mas vieram voluntários de todas as partes do mundo, entre os quais portugueses e brasileiros.
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As Brigadas perderam cerca de 10.000 voluntários em combate.

Origem
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Desde o início da luta armada, vários voluntários estrangeiros se apresentavam nas fronteiras espanholas para lutar contra as tropas nacionalistas de Francisco Franco. Em sua maioria, eram integrados nas diversas milícias republicanas, sem nenhum enquadramento especial.
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A forte componente ideológica da guerra civil, atraía um enorme espectro de gente, tão variada na sua experiência de vida e política, como de nacionalidade. Com o envio dos corpos expedicionários italiano e alemão (Corpo Truppe Volontarie e Legião Condor, respectivamente), surgiu na Internacional Comunista, em 1936, a ideia de criar uma unidade onde os estrangeiros pudessem se alistar e lutar na defesa da República; esta oficialmente autoriza a criação de uma unidade de Brigadas Internacionais no dia 22 de outubro de 1936.
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Bandeira das Brigadas Internacionais

Fundada em Albacete, onde iria ter o seu comando-geral e sede, dada a sua localização estratégica equidistante de ambas as frentes (Madrid e Andaluzia), estava igualmente bem servida por uma rede viária e ferroviária tanto com a capital como com os portos de Alicante e Cartagena, facilitando a chegada, e o envio, de homens e material.
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O enquadramento legal das Brigadas é feito pelo decreto do Ministro da Guerra Indalecio Prieto na Gaceta de Madrid, a 27 de Setembro de 1937.
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Os voluntários eram encaminhados por várias instituições, na sua maioria ligadas aos Partidos Comunistas, até Paris, onde eram processados inicialmente, e depois enviados por via terrestre para Perpignan, Figueras e Barcelona. Outra para fazer entrar os voluntário era a maritíma, geralmente a partir do porto de Marselha até Valencia, Alicante e Cartagena. Em ambos os casos o resto da viagem até Albacete era feita por combóio.
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O primeiro grupo oficial de brigadistas chegou a Albacete a 14 de outubro de 1936, que desfilou pela cidade, e foi alvo de uma calorosa recepção. A partir dessa data chegaram nos primeiros tempos cerca de mil brigadistas semanalmente. Este número foi diminuindo ao longo da guerra.
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Os voluntários foram inicialmente albergados em casas particulares, abandonadas pelos seu proprietários, ou requisitadas aos elementos identificados como simpatizantes de Franco. Rapidamente o elevado número de voluntários esgotou a capacidade de alojamento, sendo necessário enviá-los para povoações próximas para receberem a sua formação militar e política.
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Integrantes das Brigadas Internacionais durante treinamento

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À frente das Brigadas Internacionais estava um comitê cosmopolita constituído por Luigi Longo e Giuseppe di Vittorio (italianos), André Marty, Vital Gayman, Rouqués e Robière (franceses); Hans (alemão), Wisniewski (polonês) e Kalmanovitchirían (iugoslavo).
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Em Albacete, além da recepção e formação, funcionavam também os serviços conexos, tais como a Intendência, Serviço de Saúde - com o hospital e ambulâncias para dar apoio aos feridos das duas frentes -, administração, serviço de transportes, serviço de propaganda, correios e justiça militar. Este último organismo teria um papel tristemente célebre.
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Tanto para controlar os eventuais vazamentos de informação militar sensível, como para que não saíssem informações que não fossem de acordo com as diretivas do comitê, o Serviço de Correio criou em Albacete uma direção central, responsável pela censura das cartas enviadas e recebidas. O serviço de Justiça, que criou três prisões próprias e dois campos de reeducação, a par de uma polícia e tribunais internos para controlar e reprimir não só eventuais agentes infiltrados, mas também os próprio Brigadistas. As ações disciplinares, muitas vezes arbitrárias, com execuções sumárias, foram um dos aspectos mais negros da história das Brigadas.
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Se à maioria dos voluntários não faltava a vontade de lutar, seus conhecimentos e treino militares eram, na maioria dos casos, escassos. De uma forma geral, os voluntários germânicos eram os melhores preparados, uma vez que, para além de muitos terem combatido na 1ª Guerra Mundial, vinham de anos de combates de rua com as milícias fascistas e nazistas. Em finais de outubro 1936, havia cerca de 3.000 brigadistas na Base de Albacete. Na realidade estavam distribuídos pela povoações próximas de Casas Ibáñez, Mahora, Madrigueras, Tarazona de la Mancha, Fuentealbilla, Almansa, Chinchilla, La Roda, Valdeganga, Quintanar de la República (atualmente del Rey) e Villanueva de la Jara, onde recebiam a formação militar. Logo no mês seguinte a instrução foi completada, com a criação da Escuela Militar Superior, localizada em Pozo-Rubio, a 20 km de distância, para os oficiais.
 
Em combate
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As primeiras Brigadas Internacionais foram integradas ao Exército Republicano com a numeração que ia da XI à XV Brigada.
A XI Brigada, formada por cerca de 2.200 homens, foi colocada, no final de outubro, em Tarazona de la Mancha (alemães, austríacos e jugoslavos), em La Roda (franceses e belgas), Madrigueras (italianos) e Mahora (búlgaros e polacos). Apesar de sua formação militar deficiente, em pouco mais de uma semana foram enviados para defender Madrid da ofensiva do exército nacionalista de Franco. A XII Brigada, que estava em Madrigueras e La Roda, igualmente mal preparada, marchou para a frente de Madrid em 10 de novembro, à noite. A XIII Brigada, que recebeu formação em Tarazona de la Mancha, Mahora, Villanueva de la Jara e Quintanar de la República, seguiu sob o comando de Gómez para a frente de Teruel. A XIV Brigada foi formada durante dezembro, sob o comando do general Walter, era composta por dois batalhões de infantaria, três companhias de metralhadoras, uma de cavalaria e uma de engenharia. Com base em Madrigueras, Mahora e Casas Ibáñez, recebeu ordens de marcha a 23 de Dezembro para a frente da Andaluzia, para participar nas ações contra a ofensiva nacionalista contra Jaén, que tinha começado poucos dias antes.  A XV Brigada, formada por ingleses, norte-americanas, canadenses, franceses e belgas, reforçada por dois batalhões de espanhóis, estava operacional no final de janeiro de 1937, tendo avançado para a frente do Jarama.
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Cartaz de recrutamento para as Brigadas

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A coragem sob fogo e o espírito combativo das Brigadas foi reconhecido por todos os participantes dos combates, mas com um custo elevado, tanto que a diminuição de voluntários estrangeiros, no decorrer de 1938, não chegava levou a República a alistar também espanhóis.
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As Brigadas participaram nas ofensivas mais importantes de 1938, nas frentes de Teruel e Madrid, e na Batalha do Ebro.
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Dissolução
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No outono de 1938, a República apresentou uma proposta para a saída de todos os combatentes estrangeiros ao Comité de Não Intervenção. A proposta incluía também os estrangeiros do lado franquista, mas só os Brigadistas abandonaram Espanha nesse novembro de 1938.
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Atravessando a fronteira com a França nos Pirineus, foram internados em campos de concentração, antes de serem repatriados. Contudo para a maioria dos ex-combatentes regressar ao seu país de origem não era uma opção, tal como sucedia com os alemães, italianos, e mesmo portugueses, cujos governos desses países apoiavam política e militarmente Franco, e onde seriam, no mínimo, presos. Muitos evadiram-se e regressaram à Espanha para combater.
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Em outros casos, como os suíços, ou norte-americanos, não eram bem vindos, senão mesmo suspeitos de não terem sido bons comunistas, como no caso dos combatentes soviéticos.
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Para os combatentes dos outros países europeus o regresso foi, de forma geral, tranquilo; contudo, em breve com a ocupação alemã da Europa durante a 2ª Guerra Mundial, muitos deles foram posteriormente perseguidos pela Gestapo e as polícias colaboracionistas dos países ocupados. No caso dos alemães e austríacos, muitos encontram a morte no regresso aos seus países de origem quando o Governo de Vichy os extraditou para a Alemanha nazista.
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Em 26 de Janeiro de 1996, as Cortes da Espanha concederam a todos os brigadistas ainda vivos a cidadania espanhola, cumprindo uma promessa feita pela República mais de 60 anos antes.
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Capacete utilizado pelos Internacionais

 

Unidades

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Nos primeiros tempos os voluntários estrangeiros de várias nacionalidades foram agrupados em unidades mistas, sem preocupações de língua. Tal situação revelou-se uma fraqueza para a operacionalidade, pois causava enormes problemas de comunicação. Assim, optou-se por reagrupar os Brigadistas por nacionalidades, ou por língua. Estas unidades rapidamente optaram por se autointitularem com nomes de relativos às suas origem: os americanos criaram o batalhão Lincoln, os alemães a Thaleman, etc. Paralelamente a essa designação, ao serem integradas no Exército Republicano, que à época já tinha X Brigadas Mistas, recebiam a sua designação oficial, que se utiliza na lista seguinte:
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XI BRIGADA (formada em outubro de 1936)
1º Batalhão "Edgar André". Alemães
2º Batalhão "Commune de Paris". Franco-Belgas. Posteriormente passaram para a XIVª
3º Batalhão "Dabrowski". Poloneses, húngaros e iugoslavos. Posteriormente passaram para a XIIª, XIIª e 150ª
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XII BRIGADA (formada em novembro de 1936)
1º Batalhão "Thaelmann". Alemães. Posteriormente passaram para a XIª
2º Batalhão "Garibaldi". Italianos
3º Batalhão "André Marty". Franco-Belgas. Posteriormente passaram para a 150ª, XIIª e XIVª
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XIII BRIGADA (formada em dezembro de 1936)
1º Batalhão "Louise Michel". Franco-Belgas. Posteriormente passaram para a XIVª
2º Batalhão "Chapiaev". Balcánicos. Posteriormente passaram para a 129ª
3º Batalhão "Henri Vuillemin". Franceses. Posteriormente passaram para a XIVª
4º Batalhão "Miskiewicz Palafox". Poloneses
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XIV BRIGADA
1º Batalhão "Nuevas Naciones". Posteriormente passaram para a "Commune de Paris"
2º Batalhão "Domingo Germinal". Anarquistas espanhóis
3º Batalhão "Henri Barbusse". Franceses
4 Batalhão "Pierre Brachet". Franceses
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XV BRIGADA (formada em fevereiro de 1937)
1º Batalhão "Dimitrov". Iugoslavos. Posteriormente passaram para a 150ª como 3º Batalhão e depois para a XIIIª
2º Batalhão. Britânicos
3º Batalhão. "Lincoln", "Washington", "Mackenzie-Papineau". Norte-Americanos e Canadenses
4º Batalhão "6 de Febrero". Franceses. Posteriormente passaram para a XIVª
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150ª BRIGADA (formada em junho-julho de 1937)
1º Batalhão "Rakosi". Húngaros
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129ª BRIGADA
1º Batalhão. "Magaryk". Tchecoslovacos. Adidos à 45ª Divisão
2º Batalhão "Dayachovitch". Búlgaros
3º Batalhão "Dimitrov". Balcânicos.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

OS BATALHÕES DE CAMARADAS

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Levamos dois anos para ser formados e dez minutos para ser destruídos”, escreveu em suas memórias o veterano britânico Arthur Pearson, do Batalhão de Camaradas de Leeds, ao relatar sua experiência na Batalha do Somme. Salvo da morte por dois pacotes de comida enlatada, que carregava no bolso e apararam um projétil de metralhadora, Pearson traduziu o fim do entusiasmo representado pelos Pals Battalions, traduzindo-se, batalhões de camaradas.

Criados no início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, pelo General Henry Rawlings e pelo então Ministro da Guerra, General Horatio Kitchener, esses batalhões foram a solução encontrada para suprir a falta de homens para o Exército Britânico. Como o serviço militar não era obrigatório, a melhor maneira seria incentivar o voluntariado. A criação de batalhões que unissem homens por profissões, bairros, cidades ou outro tipo de afinidade serviria para tal propósito. Em dois anos, três milhões de voluntários acolheram ao chamado, formando um total de mil batalhões que ficaram conhecidos como “o exército de Kitchener”.


"Junte-se ao Exército de seu país! Deus salve o rei!"  Assim o cartaz de recrutamento, trazendo a figura do General Horatio Kitchener, conclamava o voluntariado entre os britânicos


Sem experiência em combate e, muitas vezes com o treinamento incompleto, o batismo de fogo de vários deles foi na sangrenta Batalha do Somme, travada em 1916. Muitos cruzaram a terra de ninguém crendo que nenhum alemão sobrevivera ao bombardeio de artilharia preliminar que durara seis dias. Um erro que se transformou em tragédia, quando dois soldados britãnicos foram feridos ou mortos para cada centímetro de terreno capturado aos alemães, totalizando 420 mil baixas.

Novembro de 1914 - Grupos de recrutas do Exército de Kitchener recebendo instrução militar em um campo de críquete em Stockport

A notícia das mortes causou comoção e o fervor patriótico tornou-se em medo. A partir de 1916, o Exército Britânico implantaria o serviço militar obrigatório e nunca mais formaria batalhões de camaradas.


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PENSAMENTO MILITAR - POLÍTICA E GUERRA



"Os militares não começam as guerras, são os políticos que as começam."

General William Westmoreland, comandante norte-americano no Vietnã

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