"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL JOHANN VON KLENAU

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* 13/4/1758 - Benátky nad Jizerou, República Tcheca

+ 6/10/1819 – Brno, República Tcheca


Johann von Klenau, também chamado de Johann Josef Cajetan von Klenau und Janowitz, foi um marechal-de-campo do exército Habsburgo. Klenau entrou para a a casa militar de Habsburgo em adolescente e participou nas guerras austríacas contra o Império Otomano, nas Guerras revolucionárias francesas e comandou vários corpos em diversas batalhas importantes das Guerras Napoleônicas.

Nos primeiros anos das Guerras revolucionárias francesas, Klenau distinguiu-se nas linhas de Wissembourg e esteve à frente de um ataque vitorioso em Heidelberg em 1795. Como comandante do flanco esquerdo da Coligação da campanha de Adige, no Norte de Itália, em 1799, Klenau teve um papel de destaque ao isolar a fortaleza detida pelos franceses no rio Pó ao organizar e apoiair uma insurreição da população na zona rural. Posteriormente, Klenau tornou-se o mais novo marechal-de-campo na história militar de Habsburgo.

Como comandante de corpos, Klenau teve um papel significativo na vitória austríaca em Aspern-Esslingen e na derrota em Wagram, onde as suas tropas cobriram a retirada da principal força austríaca. Comandou o IV Corpo na Batalha de Desden, em 1813, e, de novo, na Batalha das Nações em Leipzig, onde conseguiu bloquear o cerco na força principal austríaca pelos franceses no primeiro dia dos comabates. Após a Batalha das Nações, Klenau organizou e implementou o bem-sucedido bloqueio de Dresden, e aí negociou a capitulação francesa. 

Na campanha de 1814–15, comandou o "Corpo de Klenau" do Exército de Itália. Depois da guerra, em 1815, Klenau foi nomeado general da Morávia e Silésia. Morreu em 1819.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

IMAGEM DO DIA - 28/11/2016

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Representação em ukiyo-e da Batalha de Pyongyang na Coreia, uma parte da Primeira Guerra Sino-Japonesa.


domingo, 27 de novembro de 2016

A LIBERTAÇÃO DA CRIMEIA

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Em abril de 1944 começou a operação ofensiva para libertar a Crimeia dos exércitos da Alemanha e de seus aliados. A singularidade dessa operação consistia na garantia de saída do Exército Vermelho para a região dos Balcãs.

Por Aleksêi Timofeitchev


A operação que durou de abril a maio de 1944 é um dos chamados 10 golpes de Stálin – ofensivas vitoriosas do Exército Vermelho realizadas naquele ano. O agrupamento romeno-alemão ficou completamente destruído, e a URSS retomou o controle da região estrategicamente importante.


Trabalho titânico

Durante uma mesa-redonda recente, o historiador militar Boris Bojedomov relatou os esforços realizados pelos integrantes do Exército Vermelho para tomar Sivash, uma baía rasa que separa o norte da Crimeia da parte continental onde se encontravam as tropas soviéticas. Pontes com mais de 1,5 quilômetros de comprimento foram construídas para a travessia através da baía.

Vento, neve, chuva, lama. Imersos até a cintura na água gelada, soldados construíam pontes. Depois, tinham que reformá-las, pois elas eram danificadas pelas tempestades. Isso tudo acontecia sob disparos e bombardeios que partiam do inimigo. Um trabalho titânico”, descreveu Bojedomov, que é colaborador do Instituto de Pesquisa Científica da Academia Militar.

Segundo os historiadores presentes no encontro, os alemães se agarravam desesperadamente à Crimeia. Apesar de o agrupamento de tropas alemão ter sido bloqueado por terra em 1943, Hitler se recusou a evacuar seus soldados e membros dos exércitos aliados.

Mikhail Miagkov, diretor científico da Sociedade Histórico-Militar da Rússia, ressalta que os dirigentes soviéticos também tinham consciência da indiscutível importância estratégica dessa operação.


Concentração secreta

Na véspera da operação, o Exército Vermelho apresentava vantagem em termos de recursos humanos e equipamentos. O agrupamento soviético consistia de cerca de 470 mil homens contra 200 mil soldados alemães e romenos.

Mas, para tirar proveito dessa vantagem, era necessário concentrar as tropas secretamente em duas direções de ataque – pelo lado do istmo de Perekop, que liga o norte da Crimeia ao continente, e da cidade portuária de Kertch, no sudeste da península, utilizando as posições provisórias previamente tomadas do inimigo.

No entanto, como salienta Bojedomov, “o inimigo estava ciente de que na impossibilidade de efetuar um desembarque de tropas em grande escala”.

Tropas do Exército Vermelho desembarcam na Crimeia


Duplo ataque

O ataque principal foi dado pelo lado de Perekop. O segundo, na direção da cidade de Kertch, que foi tomada dias depois. Pouco a pouco, as forças soviéticas romperam as defesas alemãs em ambas as frentes, e o inimigo começou a recuar. Em meados de abril, as forças soviéticas se aproximaram de Sevastopol. Duas tentativas de romper de imediato as defesas do inimigo falharam e, então, tiveram início os preparativos para um ataque em grande escala – que começou em 5 de maio e durou quatro dias.

As tropas romeno-alemãs perderam 140 mil homens na operação, cerca de metade deles foram feitos prisioneiros. As baixas das tropas soviéticas totalizaram 17 mil homens.

Marinheiro russo captura soldados alemães na Crimeia


A operação da Crimeia tornou-se a quinta-essência da experiência de combate que o Exército Vermelho havia acumulado naquela época. Foi uma ‘operação limite’ seguida por uma sucessão ininterrupta de vitórias”, diz Serguêi Tchennik, editor-chefe da revista “Crimeia Militar”.

A própria geografia da península torna a operação para libertar a Crimeia única: comparável a uma inacessível fortaleza medieval, rodeada por fossos com água de todos os lados. Além de operação ter aberto acesso do Exército Vermelho aos Balcãs, as baixas entre as tropas romenas incentivaram mais tarde o país a abandonar a aliança com a Alemanha e juntar-se à coalizão anti-Hitler.

Fonte: Gazeta Russa

terça-feira, 22 de novembro de 2016

MORRE O PROJETISTA DO ICÔNICO MiG-29

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Ivan Mikoian foi figura-chave na criação da aeronave e era filho de Anastás Mikoian, chefe de Estado durante os governos Stálin e Khruschov.

 
Morreu em Moscou, nesta sexta-feira (25), Ivan Mikoian, um dos desenvolvedores do caça Mig-29. O projetista de aeronaves tinha 90 anos.

Ivan Mikoian era filho de um dos mais influentes políticos soviéticos, Anastás Mikoian, chefe de Estado durante os governos de Josef Stálin e Nikita Khruschov.  Após terminar a escola de mecânica de aviação militar, Ivan entrou na Academia de Engenharia Militar Aérea Jukóvski e tornou-se projetista de aeronaves.  Trabalhou toda a vida no Bureau de Projetistas, que seu tio, Artiom Mikoian, fundou em 1939.  Foi condecorado duas vezes na União Soviética pelo projeto do Mig-29. Manteve-se como conselheiro da corporação de construção de aviões Mig até o final da vida.

O Mig-29 começou a ser desenvolvido na década de 1970 e tornou-se o principal caça das Forças Aeroespaciais da Rússia. Diferentemente de todas as aeronaves Mig anteriores, porém, ela foi projetada com fuselagem sustentante, ou seja, aquela em que a configuração do próprio corpo produz sustentação. Os engenheiros aplicaram uma alta qualidade na construção do caça, o que permitiu, posteriormente, a criação de algumas variações modernizadas. 

O MiG-29 foi o maior sucesso do projetista Ivan Mikoyan


Diversos modelos do Mig-29 são utilizados em mais de 25 países pelo mundo. Em muitos deles, a aeronave se tornou o principal tipo de caça leve de frente nas Forças Aéreas.

Fonte: Gazeta Russa

 

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE A HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NAVAL

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No último dia 17 de novembro a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro promoveram, na sede do instituto, o Seminário Comemorativo do Centenário da Aviação Naval brasileira.  

A história da Aviação Naval brasileira iniciou-se em 1916 com a criação da Escola de Aviação Naval, na cidade do Rio de Janeiro-RJ. O pioneirismo no emprego de aeronaves militares no Brasil, em prol da segurança e do desenvolvimento nacional, contribuiu para o desbravamento das rotas aéreas e em operações de patrulha em defesa do litoral e áreas fronteiriças.

Contando com uma grande assistência, o seminário foi aberto com a conferência "As Aeronaves AF-1 e a retomada da aviação de asa fixa pela Marinha", proferida pelo Almirante de Esquadra Mauro César Rodrigues Pereira, antigo Ministro da Marinha.

A mesa com o mediador e os palestrantes. Da esq. para a dir., capitão-de-fragata Paulo Castro, o editor do Blog, os almirantes Mauro César, Mathias e Bittencourt

Em seguida, o Vice-Almirante  Armando de Senna Bittencourt apresentou a palestra "O início", na qual destacou os primórdios do uso do avião como arma de guerra.

Dando continuidade ao seminário, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar apresentou comunicação sobre o tema "A Aviação Naval durante a Revolução de 1932", analisando a participação das aeronaves da Marinha do Brasil no combate à Revolução de 1932 nas diversas frentes de combate.

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar após sua conferência


O Diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, Vice-Almirante José carlos Mathias encerrou o seminário destacando o papel da Aviação Naval sobre a imensidão azul dos nossos mares, no mundo verde da Amazônia, no Continente Branco, no Pantanal, e em qualquer outro cenário onde a sua atuação se faça necessária.
 
 
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

BATALHA DE MAGENTA (1859)

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A Batalha de Magenta foi travada em 4 de Junho de 1859 durante a Segunda Guerra de Independência Italiana contra a Áustria, resultando numa vitória do exército francês e sardo-piemontês contra os austríacos, sob o comando do general Ferencz Gyulai.

Ocorreu perto da cidade de Magenta, no Norte da península Itálica. O futuro presidente da República francesa Edme Patrice Maurice Mac-Mahon (1808-1893) foi condecorado com o título de Duque de Magenta por sua participação na batalha.

O plano do exército franco-piemontês consistia em alcançar Magenta seguindo dos eixos: partindo de Turbigo e da ponte sobre o Ticino, na estrada entre Milão e Novara. O exército francês fez o maior esforço, enquanto que os sardo-piemonteses foram incumbidos de seguir as tropas vindas de Tiburgo e intervir na batalha se necessário.

Os comandantes austríacos tomaram conhecimento dos planos franceses e ordenaram que a maior parte do exército fosse deslocado de Lomellina para Magenta, via Vigevano e Abbiategrasso. A defesa foi colocada ao longo do Naviglio com a intenção de explodir as pontes em Robecco sul Naviglio, Pontevecchio, Pontenuovo e Boffalora sopra Ticino.

Tenente-general Mac Mahon, comandante do 2° Corpo de Exército francês


O 2°Corpo de Exército Francês, comandado pelo tenente-general Mac-Mahon, foi dividido em duas colunas. Uma das colunas permaneceu sob o comando de Mac Mahon e o comando da outra foi entregue ao general Espinasse. As duas colunas deixaram Turbigo em direção a Magenta seguindo dois itinerários diferentes: Mac Mahon foi por Boffalora e Espinasso por Marcallo. Outras tropas francesas pararam depois de Trecate, sobre a ponte do Ticino, que fora parcialmente avariada pelos explosivos austríacos.

Enquanto isso, as tropas austríacas deslocadas de Lomellina se atrasaram e só cerca de 20 a 25 mil soldados, liderados pelo General Clam-Gallas, defenderam a linha ao longo do Naviglio.

As tropas francesas, que estavam na ponte sobre o Ticino, vão para Magenta. As austríacos conseguiram explodir a ponte sobre o Naviglio em Boffalora e defenderam bravamente algumas fazendas próximas a fim de ganhar tempo enquanto esperavam por reforços.


A batalha se tornou particularmente intensa ao redor de Pontevecchio, ao longo da ferrovia não muito longe da ponte sobre o Naviglio, que os austríacos foram incapazes de destruir. Enquanto o Terceiro Corpo de Exército Francês, que partira de Novara naquela manhã, se atrasava para o campo de batalha, Espinasse tentava se juntar em vão a Mac Mahon em Boffalora. Os planos, deste modo, mudaram: as duas colunas se dirigiram a Magenta separadamente tendo a torre do sino da Igreja de São Martim como referência.

Entretanto, uma grande quantidade de soldados austríacos chegam de Abbiategrasso: a situação fica tão complicada para os franceses que os austríacos mandaram um telegrama para Viena anunciando a vitória.

Foi particularmente em Pontenuovo que a situação ficou desesperadora: 5 mil soldados franceses tiveram que resistir a 50 mil soldados austríacos por 45 minutos. Mac Mahon avançou de Boffalora, dando confiança aos franceses e forçando os austríacos a sair de Pontenuovo para defender Magenta.

A batalha se espalhou pela estação ferroviária de Magenta. Os austríacos abandonaram suas posições e se refugiaram em casas para lutar melhor por cada centímetro de terra. O tenente-general Espinasse morreu durante o ataque à estação ferroviária, mas a sua divisão, junto com a de Mac Mahon conseguiu vencer os austríacos, tomando o controle de todas as vias de acesso.

Tropas austríacas e francesas se enfrentando na ponte de Magenta


Às 5 horas da tarde, os austríacos perceberam que eles tinham perdido a batalha e deixaram apressadamente o campo de batalha. Aproximadamente 6 mil soldados morreram na batalha, sendo a maioria (mais ou menos três quartos deles) austríacos.

A vitória franco-piemontesa abriu caminho para a libertação de Milão, o primeiro passo para a unificação da Itália.


sábado, 12 de novembro de 2016

A 11ª HORA - O DIA DO ARMISTÍCIO

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Hoje se rememora o Dia do Armistício, que, na 11ª hora do 11º dia do 11º mês de 1918, pôs fim ao morticínio da Primeira Guerra Mundial.

No dia 11 de novembro de 1918 era assinado o Armistício de Compiègne entre os Aliados e a Alemanha, dentro de um vagão-restaurante, na floresta de Compiègne, na França, com o objetivo de encerrar as hostilidades na frente ocidental da Primeira Guerra Mundial. Os principais signatários foram o Marechal Ferdinand Foch, comandante-em-chefe das forças da Tríplice Entente, e Matthias Erzberger, representante alemão. Naquele dia, Foch enviou uma mensagem por telégrafo para todos os seus comandantes: "As hostilidades cessarão em toda a frente no dia 11 de novembro às 11h, no horário da França."

A chamada Grande Guerra tirou a vida de cerca de 9 milhões de soldados e deixou outros 21 milhões feridos. Indiretamente, morreram vítimas da guerra perto de 10 milhões de civis. Os dois países mais afetados foram Alemanha e França, cada um enviou para os campos de batalha cerca de 80% de sua população do sexo masculino, com idades entre 15 e 49 anos.

Depois do armistício, foi assinado o tratado de paz de Versalhes, celebrado em 1919, no qual a Alemanha, derrotada, era obrigada a reduzir as suas tropas pela metade, pagar pesadas indenizações aos países vencedores, ceder todas as suas colônias e devolver a Alsácia-Lorena à França. Infelizmente, o tratato não iria alcançar o seu objeto. A Alemanha reclamou que tinha assinado o armistício sob falsos pretextos, já que havia acreditado que a paz era uma "paz sem vencedores", como havia sugerido o então presidente dos EUA Woodrow Wilson. Os anos se passaram, e o ódio ao tratado e aos seus autores estabeleceram um ressentimento latente na Alemanha. Duas décadas depois, estes sentimentos estariam entre as causas da Segunda Guerra Mundial.

Os líderes Aliados diante do vagão onde foi assinado o armistício

Depois de quatro longos e sangrentos anos a mortandade chegava ao fim.

 
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O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - A  LONGA TRAVESSIA