"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 11 de junho de 2010

AVIADORES FRANCESES NA FRENTE RUSSA



Uma esquadrilha de Yak franceses alinhados em um campo auxiliar na URSS em 1943.  As aeronaves francesas podiam ser reconhecidas pelo cone das hélices que eram pintados nas cores da bandeira da França


Após a derrota francesa de 1940 e a instalação do governo colaboracionista de Vichy, a Força de Franceses Livres, sob a liderança do General De Gaulle, resistiu em diversos teatros de operações da 2ª Guerra Mundial.  Em um desses palcos, no entanto, a atuação dos franceses é pouco conhecida: a União Soviética.

Em 1942, as forças francesas livres, acantonadas na Síria, organizaram um grupo de caça que, por decisão do General De Gaulle, foi destinado a combater na frente russa. Essa reduzida unidade aérea representaria a França na luta da Frente oriental. Um símbolo da França imortal. Suas asas, ostentando a Cruz de Lorena, sulcariam os céus da Rússia, unidas com os aparelhos russos, numa estreita comunhão de ação contra o inimigo comum.

Piloto francês no cockpit de seu Yak.  Podem ser vistas as marcações de vitórias obtidas contra aviões alemães


Os homens que teriam a missão de tripular os aviões da França Livre haviam fugido da opressão que o seu país suportava e se agruparam em torno da figura daquele que representava para eles e para o mundo livre a presença da França liberal, democrática e eterna. O heterogêneo grupo de homens, animado pelo desejo de lutar contra o invasor de meia Europa, era formado por operários comunistas de Paris, homens pertencentes aos partidos políticos tradicionais, e até membros da mais alta nobreza da França, como o caso do Visconde de La Poype, cuja presença surpreendeu os próprios russos, que não compreendiam aquela camaradagem de armas com um aristocrata que se aventurava a lutar ao lado dos bolchevistas. No entanto, as façanhas do visconde no céu da Rússia fizeram que ele fosse condecorado como “Herói da União Soviética”. Somente mais três pilotos franceses receberam distinção semelhante.

O Grupo, denominado Normandie Niemen, instalou seu centro de operações na base de Ivanov, em dezembro de 1942. Ali recebeu os aviões Yak I em cujas asas já se encontrava pintada a Cruz de Lorena.


Orientados pelo seu chefe, o Comandante Tilasne, um hábil e arrojado jovem piloto, os franceses iniciaram uma série de vôos de adestramento para familiarizar-se com os aparelhos e com as duras condições do teatro de operações.

Finalmente, em março de 1943, o Grupo entrou em ação. Em poucos meses, entre março e junho de 1943, conseguiu um crédito favorável de 15 aviões inimigos derrubados contra três perdidos.

Ao efetuar-se a grande ofensiva alemã em Kursk, o Grupo Normandie Niemen estava localizado ao norte da zona de operações. Até esse momento aquele setor se mantivera tranqüilo, e os pilotos, adaptando-se à vida dos seus companheiros russos viam os dias transcorrer dentro de uma relativa calma, apenas interrompida pelas esporádicas incursões dos aviões inimigos. Ao se intensificarem as ações, no entanto, os homens do Normandie Niemen foram lançados numa luta sem quartel.

Nas encarniçadas batalhas aéreas que se travaram durante o verão de 1943, sobre Kursk e Orel, os pilotos franceses combateram sem trégua contra os aviões da Luftwaffe. A esquadrilha perdeu dois terços do seu efetivo; entre outros, tombou o comandante Tulasne.

Outros homens chegaram posteriormente para preencher os claros e o Grupo continuou lutando, junto com os russos, até o final da guerra.


Pilotos franceses chegam à URSS para reforçarem o Normandie Niemen


Equipados, a partir de janeiro de 1944, com os novos caças Yak-3, os pilotos franceses atingiram, nesse último período de sua ação, uma cifra máxima de 273 vitórias. Deste modo, a França Livre cedera, generosamente, o sangue dos seus melhores filhos, mandando-os lutar em defesa de um país estrangeiro, porém igualmente agredido. A Cruz de Lorena sulcou os céus da Rússia, assim como o de vários outros campos de batalha onde a liberdade travava a sua luta em defesa da dignidade do homem.


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