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quinta-feira, 30 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
A GUERRA DA RAINHA ANA (1702–1713)
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A Guerra da Rainha Ana foi a segunda de uma série de quatro guerras lutadas entre a França e a Grã-Bretanha na América do Norte pelo controle do continente, e foi a contrapartida à Guerra de Sucessão Espanhola que teve lugar na Europa.
Rainha Ana, da Inglaterra
Embora o palco decisivo da Guerra de Sucessão Espanhola fosse a Europa, houve lutas consideráveis no Novo Mundo, sobretudo no Caribe e na América do Norte. Nessas regiões, o conflito ficou conhecido como Guerra da Rainha Ana, a monarca inglesa da época. A guerra na América do Norte foi travada pelos franceses e espanhóis contra os britânicos. Todos os três possuíam colônias na região e utilizaram seus próprios colonizadores e colonizados (ameríndios) em suas campanhas.
Entre 1702 e 1704 a luta concentrou-se na América do Norte. Os ameríndios e os colonizadores britânicos das Carolinas atacaram a cidade espanhola de Santo Agostinho. A cidade caiu, mas a guarnição espanhola recuou para um forte e conseguiu repelir os atacantes, que debandaram quando navios de guerra espanhóis chegaram para reforçar os sitiados. No período de 1703-04, ambos os lados promoveram assaltos repentinos contra assentamentos e missões isolados. No norte, os franceses pilharam comunidades britânicas desde o Maine até Connecticut e, em duas ocasiões, desencadearam grandes operações contra a Terra Nova.
Soldado britânico do início do século XVIII
Forças coloniais britânicas tentaram por duas vezes (em 1704 e 1707) capturar Port Royal, na área sob controle francês da Nova Escócia, mas falharam. Port Royal acabou tomada por 4 mil soldados britânicos apoiados por navios de guerra em outubro de 1710 e foi nomeada Annapolis Royal, em homenagem à rainha.
Em julho de 1711, colonizadores e tropas britânicas tentaram tomar Montreal e Quebec, mas a campanha foi abandonada quando diversos navios de transporte afundaram no Rio São Lourenço, após se chocarem com rochedos.
Controle territorial na América do Norte após o Tratado de Utrecht
A Guerra da Rainha Ana foi encerrada com o Tratado de Utrecht, em 1713. Os britânicos obtiveram as maiores vantagens com o tratado: a França cedeu à Grã-Bretanha o controle da Nova Escócia e da Terra Nova, e os britânicos conquistaram o direito de fornecer escravos africanos às colônias espanholas na América do Norte.
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LIVRO - LIGEIRAMENTE FORA DE FOCO
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Ligeiramente Fora de Foco
Robert Capa, Cosac Naify, 296 páginas.
Fotojornalista conhecido por suas imagens de guerra, Robert Capa queria mesmo é ser escritor, diz o seu biógrafo e editor, Richard Whelan. Nesse texto de 1947, Capa recupera o desejo antigo ao narrar passagens de sua vida profissional e pessoal, grande parte dela em torno de fatos históricos.
Relatos sinceros e bem-humorados relembram episódios pesados, como o desembarque aliado na Normandia, no Dia D, e a rotina nada romântica de um correspondente de guerra. Entre as páginas, fotografias flagram famílias ansiosas, ruas destruídas, hospitais improvisados, enterros sofridos - cenas que ilustram boa parte do século XX.
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
PENSAMENTO MILITAR
“Não repita um ataque pela mesma frente após um insucesso inicial. O mero reforço de forças não é suficiente para reverter a situação, porque provavelmente o inimigo também terá reforçado suas forças durante este processo. Além do mais, provavelmente o moral do inimigo foi elevado pelo sucesso em repelir seu ataque.”
Basil Liddell Hart, militar e estrategista britânico
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A URSS VENCE A FINLÂNDIA
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Desde o princípio da invasão da URSS pelos alemães, em 1941, a Finlândia lutara contra os soviéticos, como aliada da Alemanha. O grosso das suas forças - umas 14 divisões - participou das operações desenvolvidas na região dos lagos Onega e Ladoga e no istmo de Carélia, e colaborou no sítio de Leningrado. Por sua vez, os alemães colocaram um exército no norte da Finlândia, comandado pelo General Dietl, que tivera destacada atuação na campanha da Noruega. Essa força recebeu a missão de conquistar o porto russo de Murmansk, através do qual a Rússia recebia importantes envios de material bélico transportado por comboios provenientes da Grã-Bretanha. O ataque contra Leningrado, do território finlandês, fracassou.
Igual sorte teve a operação alemã contra Murmansk. Assim, em princípios de 1944, quando na Rússia a Wehrmacht sofria sucessivas derrotas, na frente finlandesa as ações haviam se estabilizado. Logo, no entanto, os soviéticos passariam ali também à ofensiva com o propósito de forçar definitivamente a Finlândia a abandonar o Eixo.
Soldados de infantaria finlandeses entrincheirados aguardam um ataque soviético
Já imperava nos círculos governamentais finlandeses a convicção de que a guerra estava perdida para a Alemanha. As sucessivas vitórias obtidas pelos russos em 1943 assinalavam claramente que os alemães seriam expulsos a curto prazo, de todos os territórios conquistados no Leste, fato que forçaria a Finlândia a prosseguir sozinha a luta contra a URSS. Ante essa ameaçadora possibilidade, os finlandeses iniciaram, com a mediação dos governos dos EUA e da Suécia, as primeiras gestões para concretizar um armistício. Essa reviravolta na atitude do país fora já exposta pelas declarações que, em setembro de 1943, realizou ante o Parlamento o Primeiro-Ministro finlandês Linkomies, quem declarou que “de acordo com o que sabia, nunca existira nenhum pacto militar ou político entre a Finlândia e a Alemanha”.
Logo em seguida foram entabuladas discussões secretas em Estocolmo entre delegados finlandeses e diplomatas russos. Esses últimos apresentaram as condições do governo da URSS para a assinatura de um armistício; eram as seguintes:
1° - Rompimento de relações com a Alemanha e internamento das tropas e navios alemães que se encontravam em território finlandês;
2° - Restabelecimento do tratado soviético finlandês de 1939-1940, com o consequente reconhecimento das concessões territoriais, e retirada das tropas finlandesas para as fronteiras fixadas naquele ano;
3° - Devolução imediata dos prisioneiros de guerra soviéticos e aliados e internados civis. Posteriormente, em discussões formais que teriam lugar em Moscou, seriam resolvidas outras questões, entre as quais a desmobilização parcial ou total do exército finlandês e reparação dos danos causados à URSS.
Ao tomar conhecimento dessas exigências, o governo colocou o Parlamento e a opinião pública a par delas. A reação foi totalmente adversa. A Finlândia ainda não sofrera uma derrota militar de suficiente envergadura para aceitar sem luta um armistício que equivalia à perda da sua independência. Não obstante, a gravidade da situação levou o governo a prosseguir nas suas negociações com os russos. Depois de um intercâmbio direto de notas com as autoridades soviéticas, foi enviada a Moscou uma delegação incumbida de levar adiante as conversações. Os representantes finlandeses se entrevistaram com Molotov nos dias 26 e 27 de março de 1944, e receberam deste uma exposição concreta das condições russas. Eram similares às anteriores: rompimento com a Alemanha, restabelecimento do Tratado de 1940, repatriação de prisioneiros, desmobilização de 50% do exército finlandês, pagamento de uma reparação de 600 milhões de dólares, entrega da região de Petsamo, etc. A 19 de abril de 1944, o governo finlandês informou ao governo soviético que, embora desejasse a paz, não podia aceitar aquelas condições.
Com os pés descalços, soldado finlandês caminha para a retaguarda após a derrota para os soviéticos
Ante a obstinação dos finlandeses, os soviéticos decidiram buscar a solução do problema através das armas. Uma avassaladora ofensiva convenceria finalmente a Finlândia da impossibilidade de continuar a guerra. A 10 de junho de 1944, os 11° e 23° Exércitos soviéticos da Frente de Leningrado, comandados pelo Marechal Govorov, passaram ao ataque no istmo de Carélia, apoiados pela frota vermelha do Mar Báltico. As forças finlandesas, dizimadas e exauridas, não puderam deter a investida.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
IMAGEM DO DIA - 15/06/2011
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Em 1812, durante a invasão francesa na Rússia, tropas russas sob o comando do General Rayevski realizam um contra-ataque perto da cidade de Mogilev
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terça-feira, 14 de junho de 2011
NOTÍCIA - B-17 SOBREVIVENTE DA 2ª GUERRA MUNDIAL SOFRE ACIDENTE NOS EUA
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Parecia uma cena de combate da 2ª Guerra Mundial. Quem assistiu o Jornal Nacional de ontem viu um bombardeiro B-17 ser destruído pelas chamas no estado de Illinois, EUA. As autoridades tentam descobrir o que pode ter provocado o incêndio a bordo.
O Boeing B-17, conhecido como “Fortaleza Voadora”, é o exemplar batizado de Liberty Belle. A aeronave estava operando no Aeroporto Municipal de Aurora, 60 quilômetros a oeste de Chicago. Construído em 1944, o exemplar viu serviço ativo durante a guerra: foi um dos poucos aviões que sobreviveu ao catastrófico ataque a Düsseldorf, Alemanha, em setembro de 1944, e voou 64 missões de combate antes de ser aposentado em fevereiro de 1945.
O B-17 foi então restaurado pela Liberty Foundation de Miami, Florida. Ele deveria prosseguir de Aurora para Indianápolis e, depois, para Ohio. Voava das 10h às 15h durante a semana, e depois ficava em exposição estática.
O Liberty Belle destruído no milharal após o bem sucedido pouso de emergência
Marty Kunkel, chefe dos bombeiros na cidade vizinha de Sugar Grove, explicou que o pilotou reportou fogo a bordo pouco antes da decolagem: “Ele tentou fazer o retorno para o aeroporto, mas não conseguiu, e então fez o pouso forçado num milharal”. Depois de pousar no milharal, a aeronave foi consumida pelo fogo.
Apesar da perda total, incrivelmente nenhum dos sete tripulantes do Liberty Belle saiu ferido.
Fonte: Huffington Post
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domingo, 12 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
ENCONTRADO TESOURO PERDIDO DA 2ª GUERRA MUNDIAL
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Uma empresa de prospecção submarina encontrou em águas sul-coreanas do Mar Amarelo um navio japonês afundado durante a 2ª Guerra Mundial com 3,3 toneladas de moedas que poderiam ter grande valor, informou o jornal coreano JoongAng Ilbo.
A companhia Sea Love, baseada na cidade sul-coreana de Boryeong, empreendeu as buscas em fevereiro. O navio em questão seria o Nishima Maru 10, um cargueiro de madeira de 253 toneladas, afundado pelas forças americanas em 2 de julho de 1945, durante a 2ª Guerra Mundial.
Segundo o jornal, os técnicos ainda fazem buscas entre os restos do navio, localizado no fundo do mar próximo ao litoral da ilha de Seonyu, com a esperança de encontrar até dez toneladas de valiosos lingotes de ouro. No entanto, só com as moedas encontradas, eles calculam que poderiam obter cerca de 5 bilhões de wons (R$ 7,33 milhões).
As moedas, cunhadas na China entre os anos 1920 e 1930, estavam guardadas em caixas de madeira apodrecidas, explica Pyun Do-young, proprietário da empresa, em entrevista ao jornal. Por lei, a empresa Sea Love deverá entregar 20% do tesouro extraído ao governo sul-coreano caso não o proprietário do navio não apareça. Embora os especialistas ainda não tenham calculado o valor das moedas, o fato de que a maioria delas seja de níquel as torna mais valiosas do que se fossem de prata.
Pyun afirma que, antes do fim da 2ª Guerra Mundial, altos funcionários do governo japonês, prevendo uma derrota no conflito, passaram a roubar ouro, artefatos, joias e minerais da China e do Sudeste Asiático em navios privados, tais como o Nishima Maru.
O Nishima Maru 10 fotografado pouco antes de seu afundamento em julho de 1945
O jornal indica ainda que este cargueiro poderia ter transportado o chamado "Tesouro de Yamashita", um butim de ouro supostamente roubado pelo general japonês Tomoyuki Yamashita no Sudeste Asiático, que poderia chegar a dez toneladas de ouro, estimadas em torno de R$ 733 milhões.
Os pesquisadores da companhia Sea Love estudaram registros públicos sobre os bombardeios americanos durante a guerra, mas ainda terão de analisar o navio encontrado para confirmar se ele realmente é o Nishima Maru.
Fonte: Terra
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UNIFORMES - SOLDADO ESPANHOL, 1815

No começo do século XIX verificou-se uma mudança significativa nas cores utilizadas pelo exército espanhol para fardar seus soldados, com a infantaria passando do fardamento branco para o azul turquesa. De um modo geral, o faradmento azul permaneceu em uso na Espanha até 1926, quando foi adotado o uniforme cáqui.
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Terminada a Guerra Napoleônica de 1814, Fernando VII reorganizou o exército espanhol. Ainda durante o conflito, procurou vestir suas tropas com uniformes de procedência inglesa, o que só conseguiu em parte. Em 1815 foi adotado um novo uniforme que se caracterizava por um novo tipo de cobertura: a barretina. O novo fardamento era composto por uma túnica curta com detalhes bordados, gola alta, ombreiras e charlateiras. As cores predominantes eram o azul turquesa para a túnica e o azul escuro para a calça de inverno. No verão, era usual utilizar calças brancas.
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Na época, a infantaria espanhola era constituída por fuzileiros, granadeiros e caçadores. O uniforme era o mesmo para todos, diferindo apenas em alguns detalhes e nas insígnias de cada especialidade. Os fuzileiros utilizavam, como insígnia, um leão dourado; os granadeiros, uma granada flamejante; e os caçadores uma corneta de caça curva, símbolo de todas as tropas dessa natureza no mundo de então.
O soldado caçador ao lado utiliza o uniforme pdrão de verão, com túnica azul turquesa e calça branca. Sua condição de caçador pode ser verificada pelos distintivos (corneta de caça curva) bordados nas mangas da túnica com fios dourados.
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
A GUERRA DO PELOPONESO E SEUS PARALELOS COM A GUERRA FRIA
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A disputa entre Atenas e Esparta, no século 5 a.C., foi muito parecida com as décadas de tensão da Guerra Fria. A diferença é que as duas potências gregas não ficaram só nas ameaças
Hesitação prudente passou a ser covardia; moderação tornou-se sinônimo de falta de hombridade. A sociedade ficou cindida em dois campos, nos quais homem nenhum confiava em um amigo.” Essas palavras horrorizadas foram escritas pelo grego Tucídides, que acompanhou a Guerra do Peloponeso, travada entre 431 a.C. e 404 a.C. Um dos fundadores da ciência que hoje chamamos de História, ele previu que aquele duelo, que opôs Atenas e Esparta, mudaria para sempre o mundo grego.
Ali não estavam em jogo apenas território e riqueza, mas dois estilos opostos de vida. De um lado, a democracia de Atenas. De outro, a conservadora Esparta, comandada por uma pequena elite militarizada. E as duas não lutaram sozinhas. Atenas liderava as cidades-estado filiadas à Liga de Delos, promovendo seu modelo democrático em todas elas. Já Esparta era a líder de outro grupo de comunidades, a Liga do Peloponeso, em que a regra era o governo oligárquico.
“Generais, diplomatas, políticos e estudiosos comparam as condições que levaram à guerra na Grécia com o que poderia ter ocorrido na época da Guerra Fria”, diz o historiador americano Donald Kagan em A Guerra do Peloponeso. Lançado no Brasil no fim de 2006, o livro une os textos clássicos de Tucídides a descobertas recentes para compor um retrato detalhado do conflito. E, conhecendo de perto essa trágica história, não é difícil encontrar semelhanças entre a situação bipolar vivida pelos gregos e a rivalidade que assombrou o mundo na segunda metade do século XX. A tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética surgiu depois do fim da Segunda Guerra, em 1945. Após se unirem para derrotar a Alemanha de Hitler, os dois países emergiram como superpotências rivais. Os americanos pretendiam espalhar pelo mundo o capitalismo e a democracia, enquanto os soviéticos buscavam disseminar o socialismo.
A rixa entre Atenas e Esparta também começou após uma estrondosa vitória conjunta. Em 479 a.C., na batalha de Platéia, as duas cidades-estado tinham liderado os gregos na expulsão dos invasores persas. Pouco depois, entretanto, a desconfiança mútua tomou conta de ambas as aliadas. Esparta temia a supremacia naval de Atenas, que continuou à frente dos gregos na luta para libertar as cidades-estado da Ásia ainda sob domínio persa. Nos anos seguintes, Atenas encheu o cofre com pilhagens das batalhas e estendeu sua esfera de influência por todo o mar Egeu, consolidando a Liga de Delos.
Mas os atenienses também se sentiam inseguros diante dos espartanos. Enquanto Atenas tinha expandido sua influência pelo mar, Esparta havia utilizado seu disciplinado exército para ganhar a supremacia no interior da península do Peloponeso, ao sul da Grécia. Com o “quintal” em ordem, o que impediria os espartanos de clamar por mais poder?
A paranóia de Atenas acabou se concretizando num tipo de construção que, nos anos 1960, viraria o grande símbolo da Guerra Fria em Berlim, na Alemanha. Temendo um ataque repentino de Esparta, os atenienses decidiram erguer um muro em volta de si. Os espartanos nada disseram (segundo Tucídides, ficaram “secretamente amargurados”). Mas, depois que a muralha foi construída, os radicais de Esparta propuseram um ataque imediato. Foram contidos após um intenso debate.
A situação, porém, se complicaria ainda mais. Em 465 a.C., Esparta enfrentou uma revolta de escravos. Como oficialmente todas as cidades-estado que haviam lutado contra os persas ainda eram aliadas, várias partes da Grécia saíram em seu socorro. Atenas não foi exceção: mandou um grupo de hoplitas (soldados que usavam armaduras). Os espartanos, porém, pediram que eles se retirassem dali, levando junto suas “idéias perigosas”. O medo, claro, era de que o povo de Esparta se sentisse atraído pela democracia. Os atenienses se retiraram, mas ficaram ofendidos. Desmancharam a aliança com Esparta e firmaram um pacto com a cidade-estado de Argos, o pior inimigo dos espartanos. E mais: acolheu de braços abertos os escravos sobreviventes do levante, expulsos de Esparta.
Em 459 a.C, 20 anos após a vitória sobre os persas, a relação entre as duas superpotências gregas já estava deteriorada. Cidades-estado menores começaram, então, a tirar proveito da instabilidade para lutar entre si. Foi o caso de Corinto e Megara, que entraram numa disputa por fronteiras. Ambas estavam na esfera de influência de Esparta, que optou por não intervir no conflito. Megara, sentindo-se prejudicada, foi buscar a ajuda de Atenas, que topou entrar na guerra a seu favor. O problema é que Corinto fazia parte da Liga do Peloponeso, encabeçada pelos espartanos.
O conflito localizado deu origem a quase 15 anos de batalhas entre os aliados de Atenas e os de Esparta. As duas apoiaram seus protegidos, mas não chegaram a se enfrentar diretamente em conflitos de larga escala. Quando Esparta por fim se preparou para invadir Atenas, os pacifistas dos dois lados conseguiram, na última hora, forjar um acordo chamado de “Paz dos Trinta Anos”, encerrando as hostilidades em 446 a.C. O tratado estabelecia que nenhuma das superpotências podia interferir nas áreas de influência da rival e que os membros das alianças não podiam mudar de lado. O mundo grego foi formalmente dividido em dois. Como ocorreu com americanos e soviéticos, mais de 2 mil anos depois, o medo de atenienses e espartanos parecia maior que a vontade de brigar. Parecia.
Vias de fato
A paz foi posta em xeque pela primeira vez em 440 a.C., quando Samos, poderoso membro da Liga de Delos, revoltou-se contra Atenas. O que era uma fogueira virou um incêndio, pois os insurgentes logo conseguiram apoio da Pérsia. Sabendo disso, os radicais espartanos convocaram uma assembléia, reunindo toda a Liga do Peloponeso. Segundo eles, era a hora ideal de atacar Atenas. Manobrando nos bastidores, os pacifistas prevaleceram de novo (e Atenas esmagou a revolta).
A situação se inverteu tempos depois, quando a Córcira, uma cidade neutra, entrou em guerra contra Corinto. Vendo que iam levar a pior, os córciros apelaram para Atenas. Relutando em entrar no jogo contra um membro da Liga do Peloponeso, os atenienses concordaram apenas em enviar uma pequena força de dez navios para atuar de modo defensivo, caso Corinto tentasse atacar a frota da Córcira. Foi o que ocorreu. Graças aos atenienses, os coríntios acabaram levando uma surra. Corinto reclamou a Esparta, acusando Atenas de interferência indevida no conflito. Os espartanos, entret
anto, resistiram a ir à guerra.
Soldado espartano
Testada pela terceira vez, a paz não resistiu. Megara, que havia se aliado a Esparta, foi punida por Atenas com um bloqueio comercial. Em 432 a.C., diante das reclamações contra o “imperialismo” de Atenas, os espartanos convocaram seus aliados para uma assembléia. Os atenienses também foram chamados a se explicar. Seus diplomatas não queriam entrar em guerra contra Esparta. Mas escolheram o jeito errado de evitar o conflito. Diante da assembléia, em tom ameaçador, disseram que enfrentar os atenienses seria uma insensatez. Arquidamo, o rei espartano, era amigo do líder ateniense Péricles e entendeu o jogo de cena: apesar da fanfarronice, os atenienses queriam paz. A interpretação dos aliados de Esparta, entretanto, não foi a mesma. Tomados por décadas de ressentimento, exigiram guerra contra os arrogantes atenienses. Obrigada a aceitar a decisão, Esparta partiu para o confronto. Atenas não teve como recuar. E, a partir de 431 a.C., o conflito tragou toda a Grécia.
Os gregos lutavam seguindo um rígido código de batalha, que não permitia abusos de violência. Mas, dessa vez, as partes deixaram a ética de lado. “Ódio, frustração e desejo de vingança resultaram em uma progressão de atrocidades, que incluíam mutilação e assassinato dos inimigos capturados. Cidades inteiras foram destruídas, seus homens mortos, suas mulheres e crianças vendidas como escravos”, escreveu Kagan. A guerra terminou com a vitória de Esparta e seus aliados, mas não houve muito o que comemorar. O resultado dos combates arrasou a Grécia e jogou seus habitantes num período de barbárie. Fragilizadas, Atenas e Esparta foram submetidas ao domínio de uma nova potência, a Macedônia.
No século passado, por sorte, Estados Unidos e União Soviética não imitaram atenienses e espartanos. Se a diplomacia grega se parece muito com a nossa, as armas contemporâneas ficaram muito mais letais. O livro de Kagan permite imaginar o que teria ocorrido se a tensão da Guerra Fria tivesse irrompido numa guerra direta. Com mísseis nucleares no lugar de barcos e hoplitas, tudo teria sido ainda mais triste que a legítima tragédia grega do Peloponeso.
Cidadãos, às armas!
Quando Atenas perdeu seus marinheiros, o povo assumiu os remos
Trirremes ateniense e espartana se enfrentando no mar Egeu
Durante a Guerra do Peloponeso, Atenas nunca perdeu a supremacia marítima. O segredo estava na habilidade de seus remadores, capazes de realizar manobras complexas sem desorganizar as três fileiras de remos dos trirremes (os barcos de combate gregos). Mas havia um ponto fraco: os marinheiros eram mercenários. Sabendo disso, em 406 a.C. Esparta se envolveu em negociatas com os persas e conseguiu dinheiro para comprar os serviços dos remadores de Atenas. Em pouco tempo, a maré pareceu estar mudando: depois de alguns combates, a combalida frota ateniense foi encurralada na ilha de Lesbos, no mar Egeu. Atenas fez, então, um último esforço de guerra. A primeira vítima, ironicamente, foi a estátua da deusa da vitória, Nike, que enfeitava a cidade. Ela foi derretida e seu ouro foi usado para montar uma nova frota. Mas quem iria remar? Só os escravos não bastariam. A solução foi convocar os cidadãos. Em vez de usar o voto para decidir os destinos da cidade, eles agora teriam que fazer isso no braço. Com muito improviso, Atenas e seus aliados reuniram 155 barcos.
O combate teve lugar nas ilhas Arginusas, perto da costa da atual Turquia, onde Esparta tinha 120 trirremes. Apesar da inexperiência, os atenienses souberam usar sua superioridade numérica: em vez de dispor seus barcos numa fileira única, como era o costume, eles montaram linhas duplas, em que os de trás davam cobertura aos da frente. Surpresos, os espartanos não conseguiram evitar a mais humilhante das derrotas, que incluiu a morte de seu comandante, Calicrátidas. Acostumada a perder um quarto da frota toda vez que enfrentava Atenas, Esparta viu a proporção se inverter. Só um quarto de seus barcos voltou para casa.
Fonte: Aventuras na História
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
IMAGEM DO DIA - 27/05/2011
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Durante as Guerras Médicas (século V a.C.), tropas espartanas detém o exército persa no estreito das Termópilas, junto ao Mar Egeu
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GUERRA FRANCO-PRUSSIANA - CAUSAS
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No dia 19 de setembro de 1870, o cerco das tropas alemãs a Paris, marcou o início do fim da guerra de Bismarck contra Napoleão III.
O fato que conduziu diretamente ao irrompimento da Guerra Franco-prussiana de 1870 foi a candidatura do príncipe Leopoldo von Hohenzollern-Sigmaringen, um parente distante do rei prussiano Guilherme I, ao trono espanhol, que havia ficado vago após a revolução de 1868.
Embora sem o consentimento de Guilherme I, o então chefe de governo da Prússia, Otto von Bismarck, convenceu Leopoldo de que o trono espanhol deveria ser ocupado por alguém da dinastia Hohenzollern. Já a França, governada por Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, foi contra, por temer um desequilíbrio de poder na Europa em favor dos alemães.
Num gesto extremo, Paris ameaçou a Prússia com guerra, caso não retirasse o apoio ao candidato ao trono espanhol. A pressão de Guilherme I cresceu, a ponto de Leopoldo desistir oficialmente. Mas Napoleão III, que pretendia ver a Prússia humilhada, exigiu do soberano alemão um pedido oficial de desculpas e, acima de tudo, a garantia de que também no futuro a dinastia Hohenzollern não ambicionaria o trono espanhol.
Esta exigência foi manipulada por Bismarck para ser entendida como um ultimato da França. Ele não só acreditava que seu país estivesse preparado para um conflito armado; apostava, também, no efeito psicológico que uma declaração de guerra contra a Prússia teria nos países vizinhos. Contando com a solidariedade dos países de idioma alemão, estaria praticamente atingida a meta da unificação (que desembocaria no II Reich).
Vizinhos do sul aliaram-se à Prússia
A guerra foi declarada pela França a 19 de julho de 1870 e, imediatamente, a Alemanha e seus vizinhos sulinos uniram-se numa frente contra Napoleão III e suas tropas. O Império Áustro-Húngaro, a Rússia, a Itália e a Inglaterra preferiram manter a neutralidade. Enquanto as tropas alemãs, do comandante-em-chefe conde Helmuth von Moltke, dispunham de 400 mil soldados, os franceses conseguiram mobilizar apenas 200 mil.
A primeira batalha, a 2 de agosto, em Saarbrücken, foi vencida pela França. Quatro dias depois, entretanto, o país sofria a primeira derrota. As seguintes seriam em Vionville (15 de agosto), Gravelotte (18) e Beaumont (30/08).
A batalha decisiva foi iniciada na manhã de 1º de setembro, em Sedan. Napoleão chegou ao campo de batalha na tarde do mesmo dia e assumiu o comando militar. Ao conscientizar-se da situação desoladora, ordenou que fosse içada a bandeira branca. Na mesma noite, foi negociada a capitulação e a prisão de Napoleão e 83 mil soldados franceses.
Quando esta notícia chegou a Paris, houve uma rápida rebelião, a Assembléia Constituinte foi dissolvida e, a 4 de setembro, proclamada a República Francesa. No dia 19 de setembro de 1870, as tropas alemãs cercaram Paris. Nos conflitos que se seguiram, comandados pelo governo da resistência, em Tours, os franceses foram derrotados pelos prussianos. Os sérios problemas de abastecimento e a forma rudimentar com que a população civil tentava evitar a tomada da capital apressaram a capitulação, a 19 de janeiro de 1871.
Um dia antes, Guilherme I havia sido coroado imperador alemão no Palácio de Versalhes, selando o objetivo de Bismarck, de uma grande potência alemã. A capitulação formal de Paris e o armistício aconteceram a 28 de janeiro de 1871. Seguiram-se a composição da Assembléia Nacional francesa e a constituição da Terceira República. O acordo de paz foi selado em Frankfurt, a 10 de maio de 1871. Como reparação de guerra, a França abdicou da Alsácia e foi forçada a pagar uma alta soma em dinheiro.
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
PENSAMENTO MILITAR - A DECISÃO NA BATALHA
“Nenhuma batalha é decidida num único momento, embora em todas as batalhas surjam momentos de crise de que depende o resultado. A perda da batalha é, pois, um descair gradual.”
Carl von Clausewitz, general prussiano
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EXÉRCITO E IPHAN VISTORIAM RUÍNAS DO FORTE SÃO JOAQUIM
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O 7º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), visitaram o Forte de São Joaquim, localizado no município de Bonfim, para o reconhecimento das ruínas do local que será tombado como patrimônio nacional. A visita aconteceu quarta-feira, dia 18.
O Forte de São Joaquim foi idealizado em torno de 1752, mas sua construção só ocorreu em 1775, pelos portugueses, com a finalidade exclusiva de defender a região da expansão colonial espanhola, holandesa e inglesa, que já haviam tido conhecimento das terras que cercavam o Rio Branco. Hoje, as ruínas do Forte são um marco de memória da ocupação do território e, principalmente, desse processo de contato dos europeus com o continente americano. Apesar de nunca ter funcionado ativamente em confrontos, o Forte de São Joaquim foi uma importante sede administrativa da Coroa Portuguesa para a região. O local foi tombado como Patrimônio Histórico do Estado no dia 22 de abril de 2001.
A obra foi concluída finalmente em 1778 e recebeu a denominação de Forte São Joaquim do Rio Branco, em virtude de localizar-se em uma área onde ficava a fazenda real de São Joaquim. A edificação seguiu os padrões de construção de fortes lusitanos, com formato paralelogramo e seu lado maior voltado para o rio. O Forte São Joaquim possuía, em sua guarnição inicial, 10 canhões, dos quais, oito eram de ferro e dois de bronze. Das peças de ferro, cinco se encontram atualmente em frente ao quartel do 6º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC).
Esse será o primeiro tombamento federal de Roraima. "Nós estamos aguardando apenas a parte burocrática. No ano passado recebemos um técnico do Rio de Janeiro, especializado em fortes, que veio para fazer algumas medições. Só precisamos finalizar o trâmite que existe dentro do Iphan", contou a Superintende do Instituto, Mônica Padilha.
O tombamento virá como uma forma de preservar o Forte de São Joaquim, que hoje está em ruínas. "A princípio, nós queremos garantir a preservação do Forte. Impedir que ele se degrade ainda mais e, com isso, será elaborado um projeto científico para pesquisa, uma escavação arqueológica e outros processos. Com os resultados, nós pretendemos criar um museu, além de fazer uma estrutura básica de apoio ao turista", relatou o arqueólogo do Iphan, Roberto Costa.
A viagem de reconhecimento contou com uma estrutura organizada do BIS, além da presença do general Franklimberg Ribeiro de Freitas. “Nós temos inúmeros fortes na região amazônica. Esse é o nosso único em Roraima, por isso o interesse do Exército em trabalhar junto com Iphan, para podermos recuperar a memória do Forte de São Joaquim”, falou o General.
Fonte: Clipping Express
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domingo, 15 de maio de 2011
IMAGEM DO DIA - 15/05/2011
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Elefantes de guerra cartagineses avançam sobre soldados romanos aterrorizados durante a Batalha de Zama (202 a.C.)
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sábado, 14 de maio de 2011
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA MILITAR - INSCRIÇÕES ABERTAS
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Para você que deseja tornar-se um especialista em Hitória Militar, a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) abriu o processo seletivo para mais uma turma do curso de pós-graduação na modalidade ensino a distância.
Não perca essa oportunidade para estudar História Militar.
Inscrições pela internet no link a seguir:
http://portal2.unisul.br/content/paginacursosvirtual/historiamilitar/inscricoes.cfm
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QUANDO A AUDÁCIA FAZ TODA A DIFERENÇA
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Quando falta a superioridade bélica, estratagemas e audácia podem decidir a batalha. O caso a seguir ocorreu em 1940, durante a invasão alemã na Noruega, no início da 2ª Guerra Mundial.
O pequeno porto norueguês de Horten compreendia umas 100 a 150 casas de pescadores. Mas a sua real importância estava no poderoso arsenal localizado nas suas costas, em uma colina. Fortemente defendido por uma guarnição de mais de 1.000 soldados noruegueses, a posição podia tornar-se inacessível para os atacantes alemães.
Soldados alemães inspecionando uma bateria costeira norueguesa capturada
O capitão Grundman, no comando das forças nazistas, procedeu habilmente...
Ao encontrar-se na presença do almirante norueguês Johansen, Grundman exigiu sua rendição imediata. As forças atacantes estavam dispostas a arrasar o forte. Os bombardeiros alemães estavam à espera da ordem de iniciar o ataque. Os navios aguardavam o sinal para iniciar o bombardeio. O almirante norueguês, tendo dúvidas sobre a atitude a seguir, telefonou a Oslo, antes de decidir. Grundman, por eu lado, fez uma chamada telefônica para deter a intervenção dos aviões e dos navios alemães. Previamente, comunicara a Johansen que o prazo que podia dar era de apenas 15 minutos.
Johansem decidiu render-se. O capitão Grundman transmitiu uma breve ordem e recebeu no forte cerca de 100 soldados alemães, que procederam ao desarme da guarnição norueguesa. Além disso, no porto, os guarda-costas noruegueses Harald, Haarfagre, Tordenskjold e Olav Tryggvasen e um submarino caíram em poder dos alemães.
Johansen, cavalheirescamente, lamentou que as comodidades do forte não fossem próprias para receber as tropas alemães. Grundman, então, esclareceu ao almirante norueguês que todas as forças alemães eram as que ele estava vendo ali... jamais poderiam ter atacado o forte os inexistentes bombardeiros, nem a frota, que só existia na imaginação e nas palavras de Grundman...
A audácia dera frutos. O estratagema, velho como o mundo, enganara o veterano almirante norueguês.
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domingo, 8 de maio de 2011
IMAGEM DO DIA - 08/05/2011
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Durante as Guerras Italianas, em 1525, o exército Habsburgo, sob o comando nominal de Carlos de Lannoy, trabalhando em conjunto com a guarnição de Pavia, comandada por Antonio de Levya, ataca e vence os franceses, sob o comando pessoal do rei Francisco I, no grande campo de Mirabello, no lado externo dos muros da cidade.
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A CARGA DA BRIGADA LIGEIRA
A Carga da Brigada Ligeira foi uma desastrosa ação de cavalaria, dirigida por Lord Cardigan no decorrer da Batalha de Balaclava, em 25 de outubro de 1854, durante a Guerra da Crimeia. Passou para a História como tema do célebre poema The Charge of The Light Brigade, de Alfred Tennyson, cujos versos dizem "Não há nenhuma razão / só há que agir e morrer", fazendo desta carga um símbolo do absurdo da guerra.
Acontecimentos
A carga é considerada como um dos episódios mais heróicos ou mais desastrosos de toda a história militar britânica. Lord James Cardigan realiza uma carga de cavalaria da Brigada Ligeira contra a bem defendida artilharia russa durante a Guerra da Crimeia. Os britânicos combatiam na Batalha de Balaclava quando Cardigan recebeu a ordem de atacar os russos, comandados por Pavel Liprandi. A cavalaria britânica carregou sobre os inimigos sem hesitar, mas foi dizimada pela artilharia russa, sofrendo 40% de baixas em poucos minutos. Posteriormente, soube-se que a ordem foi o resultado de um erro (uma ordem que não foi dada intencionalmente). Lord Cardigan, que sobreviveu à carga, foi considerado um herói nacional na Grã-Bretanha.
Os protagonistas do desastre: Lordes Raglan (a esquerda) e Cardigan
A Brigada Ligeira era formada pelos 4º e 13º Regimentos de Dragões Ligeiros, pelo 17º Regimento de Lanceiros, e pelos 8º e 11º Regimentos de Hussardos, sob as ordens do general Lord Cardigan. Carregaram junto com a Brigada Pesada, formada pelo 4º Regimento de Dragões Irlandeses da Guarda, pelo 5º Regimento de Dragões da Guarda, pelo 6º Regimento de Dragões de Inniskilling e pelo Regimento Scots Greys. Estas unidades eram as principais forças de cavalaria britânicas no campo de batalha. O comando da cavalaria recaía em Lord Lucan.
Lucan recebeu uma ordem do comandante-chefe do exército, Lord Raglan, indicando que «Lord Raglan deseja que a cavalaria avance rapidamente para diante, persiga o inimigo, e tente impedir que retire os seus canhões. A artilharia montada pode acompanhá-la. A cavalaria francesa encontra-se à sua direita. Imediatamente.». Quem levava a ordem era o capitão Nolan, que talvez tenha transmitido informações complementares de viva voz.
Como resposta à ordem, Cardigan dirigiu 673 (ou 661) ginetes diretamente através do vale existente no sopé da colina de Fedyukhin, que mais tarde o poeta Alfred Tennyson denominaria vale da morte. As tropas russas, sob o comando de Pavel Liprandi, eram formadas por aproximadamente 20 batalhões de infantaria com o apoio de mais de cinquenta peças de artilharia. Tais forças estavam distribuídas de ambos os lados e no fundo do vale.
Parece que a ordem de Cardigan se referia à massa de canhões russos existentes em um reduto no fundo do vale, aproximadamente 1,5 km mais longe, enquanto Raglan teria percebido que se referia a um grupo de redutos na outra vertente da colina que formava o lado esquerdo do vale. Aqueles não eram visíveis desde as posições ocupadas pela Brigada Ligeira, colocada na entrada do vale.
A carga da Brigada Ligeira sob o ponto de vista dos russos
A brigada alcançou o contato com as forças russas do fundo do vale, e obrigou-as a fugir do reduto. Sofreu fortes perdas, e foi rapidamente obrigada a recolocar-se. Lucan fracassou na sua missão de apoiar Cardigan, e alguns suspeitam que isso se devia à animosidade que sentia contra o seu cunhado: a Brigada Pesada alcançou o vale, mas não avançou mais. A cavalaria francesa, os Caçadores de África, foram mais eficazes, já que romperam a linha russa da colina de Fedyukin e cobriram os sobreviventes da Brigada Ligeira durante a sua retirada.
Cardigan sobreviveu, e descreveu o combate num discurso na Mansion House, em Londres, que foi registado e amplamente citado posteriormente na Câmara dos Comuns:
"Avançámos por uma encosta gradual de mais de um quilómetro, as baterias vomitavam sobre nós obuses e metralha, com uma bateria à nossa esquerda e outra à nossa direita, e o espaço intermédio cheio de fuzis russos; assim, quando chegámos a 50 metros da boca dos canhões que tinham lançado a destruição sobre nós, estávamos, de facto, rodeados por um muro de fogo, além do dos fuzis no nosso flanco.
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Enquanto subíamos a colina, o fogo oblíquo da artilharia caía sobre a nossa retaguarda, de tal modo que recebíamos um forte fogo sobre a vanguarda, os flancos e a retaguarda. Entramos no espaço da bateria, atravessamo-la, os dois regimentos à cabeça ferindo um grande número de artilheiros russos ao passar. Nos dois regimentos que tive a honra de dirigir, cada oficial, com uma única exceção, foi ou bem ferido, ou morto, ou viu o cavalo que montava morto ou ferido. Estes regimentos passaram, seguidos pela segunda linha, formada por dois regimentos suplementares, que seguiram o seu dever de ferir os artilheiros russos.
Depois veio a terceira linha, formada por outro Regimento, que completou o trabalho dado à nossa Brigada. Creio que se fez com verdadeiro êxito, e o resultado foi que esse corpo, formado por apenas 670 homens aproximadamente, conseguiu atravessar a massa da cavalaria russa que — como soubemos posteriormente — dispunha de 5240 homens; e tendo atravessado esta massa, deram a volta, como se diz na nossa expressão técnica militar, «ao fundo de tudo», e retiraram-se do mesmo modo, provocando tantos danos como era possível na cavalaria inimiga. De regresso à colina de qual havia partido o ataque, tivemos que sofrer a mesma mão-de-ferro e padecer o mesmo risco de disparos dos atiradores no nosso flanco que na ida. Muitos dos nossos homens foram atingidos, homens e cavalgaduras resultaram mortos, e muitos dos homens cujas montadas morreram foram massacrados quando tentavam escapar.
Mas, mylord, qual foi o sentimento destes valentes que regressaram à sua posição, se de cada regimento não voltou senão um pequeno destacamento, e dois terços dos efetivos implicados na ação se tinham perdido?. Creio que cada homem que participou neste desastroso assunto de Balaclava, e que teve a bastante sorte para continuar com vida, deve notar que foi somente por um decreto da Divina Providência que escapou à morte mais certa que era possível conceber".
Consequências
A brigada não foi completamente destruída, embora sofresse terríveis perdas: 118 mortos, 127 feridos, e a perda de 362 cavalos. Depois de serem reagrupados, apenas 195 homens dispunham de cavalo. A futilidade da ação e a sua bravura imprudente fizeram afirmar o general francês Pierre Joseph François Bosquet: "É magnífico, mas isso não é a guerra". Diz-se que os chefes russos acreditavam a princípio que os ginetes tinham abusado da bebida. A reputação da cavalaria britânica melhorou notavelmente com esta carga, embora o mesmo não se possa dizer do seu comando.
O jornalista irlandês William Howard Russell, presente no local do combate, apresentou na época a seguinte informação acerca dos efetivos e perdas da Brigada Ligeira nessa batalha:
4º Dragões Ligeiros - total 118 - perdas 79
13º Dragões Ligeiros - total 130 - perdas 69
8º Hussardos - total 104 - perdas 66
11º Hussardos - total 110 - perdas 85
17º Lanceiros - total 145 - perdas 110
Total - 607 sabres - perdas 409
Remanescentes da Brigada Ligeira fotografados após a batalha
A lentidão das comunicações marítimas fez com que as notícias do desastre não chegassem ao conhecimento do público britânico senão três semanas depois. Os relatos da frente dos chefes britânicos publicaram-se numa edição extraordinária da London Gazette em 12 de novembro de 1854. Raglan implica Lucan pela carga, declarando que "Por sua incompreensão da ordem de avanço, o tenente-general (Lucan) considerou que devia atacar a qualquer preço, e ordenou o major-general Cardigan avançar com a Brigada Ligeira".
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sexta-feira, 6 de maio de 2011
ÚLTIMO VETERANO DA 1ª GUERRA MUNDIAL MORRE AOS 110 ANOS NA AUSTRÁLIA
Britânico de nascimento, Choules mentiu sobre a própria idade para ser aceito na Marinha britânica quando tinha 14 anos
O último militar veterano da Primeira Guerra Mundial, Claude Choules, morreu na Austrália aos 110 anos de idade, informou nesta quinta-feira a sua família.
Britânico de nascimento, Choules mentiu sobre a própria idade para ser aceito na Marinha britânica quando tinha 14 anos. Dizia que queria seguir os passos dos irmãos mais velhos e defender seu país.
A bordo do navio HMS Revenge, ele serviu no Mar do Norte, onde viu a rendição das tropas alemãs no estuário do rio Forth, na Escócia, em 1918, e a derrota do inimigo nas águas de Scapa Flow, nas ilhas Orkney.
Conhecido entre os seus amigos por 'Chuckles' (algo como "Risadinha", em uma tradução livre), Choules descrevia os anos da Primeira Guerra (1914-1918) como "uma época difícil".
Depois de servir em missões de paz no Mar do Norte, foi enviado a uma missão de treinamento para a Austrália em 1926. A bordo do navio de passageiros no qual viajava, conheceu a futura esposa Ethel, com quem permaneceu casado por 76 anos.
Ele se transferiu para a Marinha australiana, na qual serviu até 1956, e, desde então, vivia no país do Hemisfério Sul. Apesar do histórico militar, o britânico era considerado um pacifista. Expressava publicamente sua oposição ao principal dia em memória dos soldados mortos da Austrália e da Nova Zelândia, o Anzac Day, e se recusava a marchar nas tradicionais paradas militares anuais.
Aos 80 anos, fez um curso de escrita criativa e, em 2009, anos 108 anos de idade, publicou seu primeiro e único livro, a coletânea de memórias "The Last of the Last" ('O Último dos Últimos').
Choules morreu dormindo na casa de repouso onde vivia, em Perth, três anos depois da morte da esposa. Deixou três filhos e 11 netos. Com a morte do veterano, a também britânica Florence Green, que completou 110 anos em fevereiro, passa a ser a última sobrevivente que serviu na Primeira Guerra. Green não era militar, mas garçonete da Força Aérea feminina.
Fonte: The Telegraph
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
PENSAMENTO MILITAR - A OUSADIA NA GUERRA
"Desde o condutor de transportes e o tocador de tambor até o general, a ousadia é a mais nobre das virtudes, o aço verdadeiro que dá à arma o seu gume e brilho."
Carl von Clausewitz, general prussiano
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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL SIR ARCHIBALD WAVELL
* 05/05/1883 – Colchester, Inglaterra
+ 24/05/1950 – Londres, Inglaterra
Archibald Percival Wavell nasceu em Colchester no dia 5 de maio de 1883, filho de um major-general do Exército. Foi educado em Winchester e cursou a Academia Militar Real de Sandhurst. Comissionado no Regimento Black Watch em 1901, serviu com essa unidade na Índia e África do Sul, antes de ingressar na Escola de Estado-Maior em 1909. Ao graduar-se, foi transferido para a inteligência, especializando-se em assuntos militares russos.
1ª Guerra Mundial e período entreguerras
Em 1914, Wavell foi selecionado como oficial de inteligência do IV Corpo, mas conseguiu ser comissionado como major-brigadeiro da 9ª Brigada de Infantaria. Foi ferido em 1915, perdendo a visão do olho esquerdo, e serviu o restante da guerra numa série de posições de estado-maior na França e Palestina.
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Em 1926, foi designado para a 3ª Divisão de Infantaria. Isso deu-lhe a oportunidade de trabalhar com forças mecanizadas experimentais adidas àquela grande-unidade, e, nos anos seguintes, Wavell adquiriu grande apreciação pelo valor da mobilidade e flexibilidade numa força de infantaria, com também o valor do poder aéreo.
No Egito
Após mais um período na Palestina, como comandante militar, Wavell retornou à Grã-Bretanha como Tenente-General em 1938, para assumir o Comando do Sul. Esse posto, contudo, durou pouco. Em julho de 1939 foi transferido novamente, para se tornar Comandante-em-Chefe do Oriente Médio, com responsabilidades de tempo de guerra sobre Egito, Palestina, Transjordânia, Chipre, Etiópia, Somalilândia Britânica, Aden, Iraque e Golfo Pérsico. O total de forças sob seu comando era de 90.000 homens, dos quais um terço estava no Egito.
Os recursos eram escassos e, como seu subordinado, Sir Claude Auchinleck, Wavell estava determinado a esperar antes de comprometer suas forças em batalha. Ele pediu por tempo para organizar os homens e o material que precisava, bem como aclimatá-los às condições locais. Isso rendeu-lhe a antipatia de Churchill, sempre impaciente para ação imediata, mas, quando Wavell finalmente fez seu movimento, despachando a Força do Deserto Ocidental de Richard O’Connor para a Líbia, e o Tenente-General Alan Cunningham para a Somalilândia Italiana e a Abissínia, a vitória foi rápida e decisiva.
Generais Auckinleck e Wavell (a direita) planejando no Egito
Esses sucessos marcaram o ponto alto da carreira de Wavell no Oriente Médio. A invasão alemã da Grécia e a subsequente captura de Creta, a resposta alemã na Cirenaica, bem como a revolta pró-Alemanha no Iraque, forçaram todas as tropas britânicas para a defensiva. Após a falha das Operações Brevity e Battleaxe na fronteira do Egito durante maio e junho de 1941, Wavell foi dispensado e enviado à Índia como Comandante-em-Chefe.
Combatendo os japoneses
Se essa transferência foi feita para colocar Wavell em um papel pouco relevante, então os esforços falharam. Imediatamente, Wavell viu-se enfrentando a declaração de guerra dos japoneses e, de seu quartel-general em Java, foi designado Comandante-Supremo das Forças Aliadas (americanos, britânicos, holandeses e australianos) na Birmânia, Cingapura, Malásia, Índias Orientais Holandesas, Filipinas e noroeste da Austrália.
Havia pouco que Wavell pudesse fazer para conter o avanço do inimigo, devido à falta de recursos, dificuldades de comunicação sobre área tão vasta, e natureza intratável de alguns de seus aliados americanos e chineses. A falha na contraofensiva em Arakan foi a gota d’água para Churchill. Em setembro de 1943, o agora Marechal-de-Campo Wavell aceitou o convite para se tornar Vice-Rei da Índia. Em seu novo posto, ele perdeu contato com Churchill e seu sucessor, Clement Attle, sendo rapidamente dispensado em fevereiro de 1947.
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Wavell, vice-rei da Índia, discursando em Nova Delhi em 1946
Crítica e legado
Wavell foi uma personalidade desconcertante. Ele se tornou lendário por seus silêncios, apresentando uma máscara quase impenetrável que provocava suspeitas, e mesmo hostilidade, entre políticos, especialmente Churchill, que gostava de uma boa discussão. Wavell ainda desapontou o Primeiro-Ministro por recusar-se a ir à guerra na Líbia e África Oriental até que seus homens estivessem aclimatados e bem-equipados.
O sucesso de ambas as ofensivas provaram o acerto da decisão de Wavell, e apresentou marcado contraste com os eventos seguintes na Grécia, Líbia, e mais tarde na Birmânia, quando, até certo ponto, ele pagou o preço do equipamento ruim e ultrapassado do Exército.
Wavell subestimou a capacidade dos japoneses, embora, nesse caso, de forma alguma estava sozinho. Ainda assim era querido e respeitado por aqueles que serviram sob seu comando e, em contraste com seus hábitos conservadores, sempre apoiou e encorajou os não-ortodoxos: os Chindits e a Força V (unidade de inteligência) devem sua existência a Wavell.
Ao retornar para a Inglaterra em 1947, foi feito Visconde de Keren e Winchester. O Marechal-de-Campo Sir Archibald Wavell faleceu em Londres aos 67 anos de idade, no dia 24 de maio de 1950.
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