"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 22 de setembro de 2009

FORTE CASTELO DO MAR

Retomando o relato sobre a Missão Pernambuco, nossa recente viagem aos sítios históricos da guerra contra os holandeses, trazemos hoje um pouco sobre o forte Castelo do Mar, localizado na cidade de Cabo de Santo Agostinho-PE e hoje sob os cuidados do 14º Batalhão Logístico.


História
"O Porto de Nazareth era o principal e mais vizinho do nosso Arraial, e por onde entravam muitos navios com provimento, e saiam os açucares para o reino.....


Tomado o Forte de Nazareth, não havia mais possibilidade de entreter comunicação com o exterior. Caira então o Arraial do Bom Jesus, que durante mais de seis anos desafiara as forças flamengas. O theatro da luta urgia transportar-se para outra parte."


(Frei Manoel Calado, 1649)

Até 1634, o porto do Cabo de Santo Agostinho era a porta principal por onde os pernambucanos podiam receber suprimentos, socorro de guerra. O domínio holandês já ganhara uma maior dimensão, mas lhes interessava ocupar todo Pernambuco, atingir os engenhos do sul da capitania, fechar o porto aos pernambucanos. A defesa de Nazaré, capaz de mobilizar companhias de emboscada e de garantir o porto, representava um empecilho àquelas pretensões. Após a derrota sofrida numa primeira tentativa em 1632, optaram os holandeses por usar de uma estratégia visando desviar a atenção das tropas de defesa. Em 1634, o General Van Schkoppe desembarca na Paraíba e dá início a uma operação que sugere a intenção de sitiar o Forte de Cabedelo. Tal ação tinha por objetivo atrair contingentes pernambucanos para o norte, deslocando-se a pé pelo interior. Após alguns dias em que ocupara seus homens armando barracas e abrindo trincheiras, o general embarcou às pressas suas tropas, seguindo em direção ao Cabo de Santo Agostinho.


O Forte de Nazaré, então comandado por Pedro Correia da Gama, contava com cerca de 350 homens, grande parte pescadores moradores da área e que acorreram ao forte ao ser dado o alarme quando da chegada da frota holandesa. Como previra Duarte de Albuquerque Coelho, a posição do forte não permitia a defesa da povoação do Pontal. Mas os holandeses não ousaram aventurar-se atravessando a barra de acesso ao porto, então com uma única passagem conhecida. Por duas vezes desembarcam em praias próximas e marcharam para o Pontal. Estas tentativas não surtiram o efeito desejado. Batidos pelas tropas de terra, por duas vezes foram obrigados a retroceder e reembarcar.


Numa terceira tentativa, parte da frota passou a barra, ainda que sob o fogo das baterias, e dirigiu-se ao Pontal. Nesta ação, a perigosa barra os fez perder 3 navios, os demais (9) abriram fogo contra a povoação. Antes de fugirem, os moradores atearam fogo às casas e armazéns e em navios que se encontravam no porto. Logo os holandeses trataram de deter o fogo, buscando salvar a carga que havia. Dominaram o porto e a povoação, mas não podiam se aventurar e sair da barra sem grandes danos. Assim ficariam sem comunicação com o restante da frota se não contassem à época, com o apoio de Calabar, que era um homem instruído, educado pelos padres da Companhia de Jesus, bom conhecedor da região, e que havia, de início, participado das companhias de emboscada que faziam a Resistência.




Calabar ousou buscar passagem através da barreta mais ao sul, considerada até então impraticável. Durante a maré baixa, alargou um pouco a passagem a golpes de marreta e picão. Através dela pode conduzir, rebocados e com carga aliviada, os navios holandeses, para grande surpresa da tropa que sob o comando de Matias de Albuquerque e do conde de Bagnuolo, chegava para acudir o Pontal. Os reforços da terra chegaram a tomar uma bateria construída às pressas pelos holandeses, assim como as trincheiras que os holandeses haviam aberto. Um falso alarme, entretanto, produziu efeitos desastrosos na tropa dos da terra, promovendo a desordem e o desbaratamento das forças. Desta forma permaneceram os holandeses senhores do porto e do Pontal, enquanto que os da terra mantinham o domínio da barra e do Forte de Nazaré. Mas para os luso-brasileiros o importante porto fora perdido. Mesmo depois que a frota partiu rumo a Recife, deixando ali cerca de 2.000 homens, foram infrutíferas as tentativas luso-brasileiras de recobrar o porto e o Pontal.


Em 1635, o Forte de Nazaré caiu em poder dos holandeses, que fortificaram a área. Só muito mais tarde, à época da Campanha da Restauração, a área do Cabo de Santo Agostinho retorna às mãos dos luso-brasileiros. Os holandeses passaram a chamá-lo de Water Kasteel - Castelo do Mar - nome pelo qual até hoje é conhecido.



Restauração


Em Maio de 2007, O Batalhão elaborou projeto e estabeleceu parceira com o Conselho Gestor do Parque Metropolitano Armando Holanda Cavalcanti (PMAHC) e com a Fundação dos Economiários Federais (FUNCEF), visando a conservação e a recuperação do Forte Castelo do Mar e do Quartel Velho, mediante contratação de empresa especializada em recuperação de sítios históricos.




Coube ao 14º Batalhão Logístico, nesta fase inicial dos trabalhos, designar pessoal militar para vigilância do local e exercer atividades preparatórias (poda, capina, limpeza e remoção de entulhos) para a recuperação propriamente dita. Durante o andamento dos trabalhos, foram encontrados objetos, provavelmente da época da Invasão Holandesa / Campanha da Restauração, tais como moedas antigas, fragmentos de peças em cerâmica e artefatos de tiro (munição).


O editor do Blog HISTÓRIA MILITAR durante visita de estudos e pesquisa ao Forte Castelo do Mar


Localização: Cabo de Santo Agostinho, próximo ao povoado de Nazaré, sobre o pontal do Cabo.

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2 comentários:

  1. Esta Historia é Magnífica,que pena que a maioria da população, desconhecem a grade de riquezas que Pernambuco detém. Pernambuco é maravilhoso amo meu estado belíssimo,a nossa cultura é riquíssima.

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  2. Muito bom seu Blog, parabéns. sobre o Forte Castelo do Mar há muita confusão com o de Nazaré, que só caiu , por sítio, após a tomada deste, me corrija se estiver equivocado. E a área retomou ao domínio dos locais por negociação e não pelas armas.

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