"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 17 de abril de 2018

HISTÓRIA MILITAR EM PORTUGAL – MUSEU DO COMBATENTE

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O Museu do Combatente, mantido em Lisboa pela Liga dos Combatentes de Portugal, é uma parada obrigatória para os que se dedicam ao estudo da história militar, especialmente nos temas ligados à Grande Guerra e à Guerra de Ultramar. O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar visitou o museu.


Aproveitando nossa ida a Lisboa, para cumprir agenda acadêmica junto ao Instituto Universitário Militar, realizamos um estudo e pesquisa no Museu do Combatente, organizado e mantido pela Liga dos Combatentes de Portugal.

A Liga foi criada em 1923, com o nome de Liga dos Combatentes da Grande Guerra, para congregar os ex-combatentes da 1ª Guerra Mundial que pertenceram ao Corpo Expedicionário Português (CEP).  Posteriormente, passou a ser aberta todos os ex-combatentes portugueses, alterando a sua designação para Liga dos Combatentes.

Liga dos Combatentes de Portugal

O Museu do Combatente, mantido pela Liga, encontra-se instalado no Forte do Bom Sucesso, à beira do Rio Tejo e junto à Torre de Belém, adjacente ao Monumento aos Combatentes do Ultramar.

O Forte de Bom Sucesso é uma fortificação concebido pelo General Vallerée. Sua construção teve início em 1780, com o objetivo de reforçar a Defesa do porto de Lisboa. Em 1808, durante a ocupação de Lisboa pelas forças francesas comandadas pelo Marechal Junot, o Forte foi ligado à Torre de Belém por uma Bateria corrida, conhecida como “Bateria Nova do Bom Sucesso ou o flanco esquerdo”, armada com 47 Peças e 10 Morteiros. 

A fachada do Forte do Bom Sucesso, que hoje abriga o Museu do Combatente

Em 1815 foi construída a “Bateria do flanco direito”. Depois de um período em que a fortaleza permaneceu abandonada (entre 1836 e 1879), em 1870, no reinado de D. Luís I, iniciou-se a reconstrução de uma nova Bateria no local do antigo Forte do Bom Sucesso. Em 1876, construiu-se a plataforma das peças e paióis e, em 1881 foi transformada em Bateria de Artilharia de Costa, sob o comando do capitão Jacinto Parreira. Durante as campanhas do Ultramar, foi sede da Chefia do Serviço Postal Militar e, após abril de 1974, recebeu o Comando do Agrupamento Militar de Intervenção e a Associação 25 de Abril.  De julho de 1986 a 1992 passou a sediar o Comando da Brigada de Forças Especiais, e, em 13 de Janeiro de 1999, foi oficialmente entregue à Liga dos Combatentes. O museu foi, então, organizado e, em 2003, aberto ao público.

O espaço museológico tem como principal objetivo a significação dos feitos militares portugueses, constituindo um polo de divulgação da História de Portugal, que evidencia três épocas do século XX: 1ª Guerra Mundial, Campanhas do Ultramar e Missões de Paz.

A seguir, algumas peças pertencentes ao acervo do museu:

Viatura blindada BRDM-2, de fabricação soviética

Mina naval de contato AZ

Carro de combate leve M-5A1

Nariz da aeronave de ataque Fiat G-91


Macacão e equipamento de voo de piloto da Força Aérea portuguesa

O museu integra três espaços expositivos ao ar livre, com equipamentos e acervos relativos aos ramos das Forças Armadas Portuguesas, além de exposições temporárias diversas.  Por ocasião de nossa visita, o Museu do Combatente estava com algumas exposições temporárias bastante interessantes:

- A Trincheira, uma recriação do ambiente no qual estavam inseridos os soldados durante a Grande Guerra na Frente Ocidental. Com cenários bastante realistas, com luzes, sons, texturas, manequins, uniformes e equipamentos, a exposição dava uma experiência sensorial de como era a vida miserável dos soldados nas duras condições das trincheiras.

Exposição A trincheira: experiência sensorial sobre o cotidiano dos soldados na Grande Guerra


Junto a manequim com uniforme original do Corpo Expedicionário português


- A Grande Guerra ao vivo, trazendo a participação de Portugal na Grande Guerra, com a apresentação de uma bem elaborada linha do tempo, iconografia, armas e materiais empregados pelo CEP no conflito.

Armas e equipamentos utilizados pelo CEP na Grande Guerra


Linha do tempo: Portugal na Grande Guerra

O editor do Blog Carlos Daroz-História Militar rememorando, junto com o Museu do Combatente, o centenário da Grande Guerra e a partricipação do Corpo Expedicionário Português

Além dos acervos, destaca-se o Monumento aos Combatentes de Ultramar, construído em homenagem a todos aqueles que tombaram ao serviço da Pátria, durante a Guerra do Ultramar (1961 a 1974).  


Monumento em homenagem aos combatentes do Ultramar

A homenagem a todos que morreram por Portugal, é feita através das lápides colocadas na própria parede do Forte em que, a par das lápides nominativas, elaboradas, segundo as listas oficiais por anos e por ordem alfabética, existem duas lápides com o escudo nacional em que, na primeira, se faz referência a todos os combatentes envolvendo mesmo aqueles que, eventualmente, não constem nominalmente das lápides já referidas e na segunda, lhes é prestada a homenagem de Portugal. A frieza da geometria do Monumento é quebrada pela "chama da Pátria" que, ao manter-se sempre acesa, simboliza a perenidade de Portugal e a sua continuidade.

Em resumo, vale muito a pena uma visita ao Museu do Combatente, tanto pelo simbolismo, como pelo cuidado com o acervo e pela riqueza material e imaterial presente.

Museu do Combatente
Endereço: Forte do Bom Sucesso, 1400-038 Lisboa
Horário de visitação: 10:00h- 16:00h
Ingresso: 4€

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