"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



Mostrando postagens com marcador Revolução Federalista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revolução Federalista. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de setembro de 2023

A HISTÓRIA DA INFÂMIA CASTILHISTA

 .



Por Ricardo Ritzel


A degola de inimigos é um capítulo macabro na história do período revolucionário rio-grandense. Macabro e cruel. Autores estimam que, entre 1893 e 1932, mais de mil combatentes, dos dois lados do conflito, foram executados desta maneira nas guerras e refregas gaúchas.

Mas o número total pode dobrar e até mesmo triplicar se contarmos os infelizes “desaparecidos” ou mortos “com discrição” longe do teatro de operações da guerra civil, como recomendava o presidente do Estado, Julio de Castilhos, para seus subordinados.

Como neste telegrama que o líder republicano enviou para o coronel Madruga, em Cacimbinhas (hoje Município de Pinheiro Machado), interceptado pela inteligência federalista.

– “Adversários não se poupa nem se dá quartel. Remeto armas e munições que pede. […] o inteiro desagravo da república ultrajada requer que, ultrapassados mesmo certos limites, com as devidas cautelas e discrição, sofram pela eliminação, o justo castigo que merecem […]. Castilhos”.

Também entram nessa infame soma os perseguidos políticos que sentiram a faca na garganta durante aquela estranha paz que o Rio Grande do Sul viveu entre uma e outra revolta armada, principalmente de 1895 a 1923. O certo é que não foi o gaúcho que inventou esse tipo de execução, que desde os tempos bíblicos é usada pela “humanidade” como forma de aterrorizar os inimigos.

Assim como é certo que, desde o século XVII, a gauchada do outro lado da fronteira usou e abusou deste recurso perverso para eliminar seus adversários. Tanto no Uruguai como na Argentina.

Alguns até se tornaram tristemente famosos por isto, como Manoel Oribe, o “Tigre de Palermo“, Juan Manuel Rosas, o “Corta Cabezas” e o general Facundo Quiroga, que tinha como lema e bandeira “sangue, terror, barbárie". Todos eles chegaram ao poder, e o exerceram, pela violência e terror. Todos com uma história de crueldade sem igual por estes lados do mundo.

Na verdade, o hábito de matar o adversário cortando a garganta está presente na cultura gaúcha, ou gaucha, desde os tempos coloniais. E foram os próprios exércitos imperiais de Portugal e Espanha que começaram a utilizá-lo com objetivo de dominar pelo medo.

Sepé Tiarajú que o diga, já que tão logo seu corpo caiu morto em Caiboaté, sua cabeça foi arrancada do corpo. E assim também na retomada das Missões, quando as milícias portuguesas usaram e abusaram desta triste prática para por as mãos, o mais rápido possível, nas terras indígenas reivindicadas por Artigas e Andrés Guasurarí para a Liga de Los Pueblos Libres.

Há também relatos de degolas praticadas durante a Revolução Farroupilha (e não foram poucos casos), mas literalmente esquecidas pela historiografia oficial, já que maculava a vida e a obra de alguns de seus principais líderes. Afinal, não fica bem para ninguém ter degolas no currículo.

E também não foram poucos os paraguaios que sentiram o fio de adagas rio-grandenses no pescoço durante a Guerra da Tríplice Aliança. Na verdade, a simples menção que havia tropas gaúchas por perto deixava em pânico a população daquele país, dividida entre o terror de Estado imposto por Solano Lopez e o tratamento dispensado pelas forças de ocupação. Consideravam a gauchada como um bando de bárbaros, tanto que chamavam a lendária cavalaria rio-grandense de “Cavalaria Loca” pelas suas arrojadas manobras em combate e também seu comportamento fora da peleja.


Revolução Federalista

Mas foi na Revolução Federalista de 1893 que a prática de degolar foi aprimorada com requintes de pavor. Tanto que até explicações “científicas”, como era costume se dizer na época, surgiram para justificar tão desumano ato.

“O gaúcho é, essencialmente, um criador de gado que tem maestria no manejo de lâminas. E, assim, vê sangue com naturalidade” diziam uns. “Na guerra de movimentos e de poucos recursos, não há condições de ter e fazer prisioneiros. Então, faca na garganta para economizar munição, tempo e alimentos”, concluíam outros.

Foi aí que surgiu também a classificação da degola, conforme a técnica que era utilizada. A primeira era chamada de crioula, corbata colorada ou castelhana: quando a faca passava, com um só corte, de uma orelha a outra do condenado. A segunda, conhecida como brasileira, ou científica, quando simplesmente faziam dois pequenos cortes exatamente sobre as carótidas do vivente, para verem a criatura se debater, alucinada, tentando segurar o próprio sangue. E, com o domínio dessas duas técnicas básicas, começaram a surgir nomes que se tornaram tristemente famosos, como dos maragatos Adão Latorre, coronel Furião, coronel Juca Tigre, Cezário Saravia e o uruguaio “El Rengo”, entre outros rebeldes menos conhecidos.

Os coronéis maragatos Adão Latorre e Manuel Rodrigues de Macedo (Fulião) também colocaram seus nomes na triste lista dos mais famosos degoladores


Aliás, não foram poucos que se alistaram nas tropas revolucionárias simplesmente para vingar um familiar ou ente querido morto desta maneira pela repressão castilhista. Talvez por isto, os pica-paus tenham uma lista bem maior de nomes inscritos na triste “arte” da gravata colorada. Afinal, ela era incentivada pelo Estado.

Foi assim com Xerengue, tenente Chachá Pereira, tenente Corbiniano, tenente-coronel João Alves, coronel João Francisco (também conhecido como a Hiena do Caty) e o mais famoso e também o maior degolador da revolta, o general cruz-altense Firmino de Paula.

Até 1893, antes mesmo de o conflito ser deflagrado, Firmino já tinha um longo histórico de violências e atrocidades contra adversários políticos na região do Planalto Médio gaúcho, como nos conta o historiador Rossano Cavalari, em seus livros já clássicos: Cruz Alta – Ninho de Pica-Paus e Os Olhos do General. Mas foi no Boi Preto, em abril de 1894, que ele foi alçado à fama de o maior degolador da revolução.

A história começa quando chefe federalista de Palmeira das Missões, Ubaldino Machado, reúne uma tropa de cerca de 400 combatentes e toma o rumo de Santo Ângelo. Nas imediações daquela cidade missioneira, travam combate com cerca de 300 legalistas e os vencem sem muito esforço, deixando mais de 40 inimigos mortos e outros tantos em uma corrida sem igual até Cruz Alta, cidade conhecida como um verdadeiro ninho de pica-paus. E lá, a Divisão do Norte, que vinha em perseguição a Gumercindo Saraiva, toma conhecimento do fato e também da localização e direção da coluna maragata de Ubaldino. Na mesma hora, o então coronel Firmino de Paula se separa do grosso da tropa e parte em busca dos rebeldes. No caminho, encontra e aprisiona um piquete de retaguarda de Ubaldino, descobrindo então, o local exato onde suas forças estão acampadas: o Boi Preto, na periferia de Palmeira.

1895 – Cavalaria do coronel João Francisco Pereira de Souza, a ‘Hiena do Caty’. Maragato que entrava vivo neste quartel, não saía vivo


Depois, degola todos os integrantes do piquete maragato e parte em direção ao acampamento rebelde. Naquela mesma noite, sem saber da iminente chegada de Firmino e sua gente e ainda acreditando no boato que não haveria mais combates e um tratado de paz seria assinado por aqueles dias, os revolucionários promovem um grande churrasco com a presença de mulheres “de vida fácil” e muito trago. Às cinco horas da madrugada, o líder pica-pau cruz-altense surpreende o acampamento de “borrachos” e ressacosos e os encurrala abaixo de tiros. No raiar do dia, e com garantias de vida, 370 maragatos se rendem e são amarrados com tiras de couro. Todos são obrigados a assim marcharem até Cruz Alta. No caminho, os prisioneiros foram sendo degolados e abandonados na beira da estrada para servirem de exemplo a outros rebeldes que ousassem passar perto daquela cidade.

As mortes não lhe perturbavam, nem os pedidos de clemência de um dos prisioneiros implorando insistentemente para ser solto. Era um primo-irmão de Firmino, Arthur Beck, que lhe serviu de enfermeiro determinada vez em Santa Maria, e que noutra vez, salvou seu filho de uma tenaz enfermidade. Firmino não lhe dirigiu o olhar, continuou imóvel, como em um êxtase macabro. Segundos depois, acelera o galope do cavalo e, ao se aproximar de seus imediatos, faz o fatídico sinal com a mão direita, cruzando-a pelo pescoço. Mais um lote de prisioneiros seria degolado. Entre eles, Arthur Beck, o seu "primo-irmão”, descreveu Rossano Cavalari.

E desta maneira, aos lotes, foram mortos os 370 prisioneiros rebeldes. Trinta perto do Boi Preto; Na Porteira, mais de cem; em Olhos D’Água, próximo a Cruz Alta, outros 140 homens; além de grupos de 10 a 20 prisioneiros que foram sendo deixados pelo caminho com a garganta cortada e cartazes o identificando-os como maragatos. E com ordens expressas de não removerem os cadáveres. Era exatamente o dia 5 de abril de 1894. Ao chegar a Cruz Alta, Firmino ainda enviou um cabotino telegrama a Julio de Castilhos, contando detalhes do fato:

Hoje, às 5 da manhã, bati em combate Ubaldino acampado em Boi Preto, morrendo 370 dos 500 maragatos, muitos deles oficiais […]. Não houve mortes entre nossa gente.  
Coronel Firmino de Paula, comandante da 5ª Brigada da Divisão do Norte.”

Não havia 500 guerrilheiros inimigos e também é difícil imaginar um combate com 370 mortos de um lado e nenhum do outro. Mesmo nas piores condições de guerra.

Firmino ainda veio a colocar seu nome em outro triste episodio da revolução de 1893. Quando Gumercindo Saraiva é atingido por dois tiros nos campos do Carovi e vem a morrer entre os chapadões da Estância Santiago, hoje Município de Bossoroca, ele foi um dos responsáveis pela exumação do corpo do mais famoso general maragato no Cemitério dos Capuchinhos, sua decapitação e o envio de sua cabeça para Porto Alegre como troféu de guerra para Julio de Castilhos.

Firmino de Paula, o general cruz-altense está diretamente ligado a nada menos que 1.070 degolas durante a Revolução Federalista de 1893-95.


E, mais triste ainda, sua Brigada caçou, maneou e amarrou pelo pescoço cerca de 800 maragatos (entre eles, muitas mulheres e crianças) que desertaram das fileiras revolucionárias logo após a morte de Saraiva. Sem muita demora, todos foram sumariamente degolados em frente a soldadesca ensandecida, também sob suas ordens expressas. Foi, então, que a fama de Firmino se espalhou pela Pampa. A má fama de degolador.

E esta horrenda prática também foi registrada na Revolução de 1923. Mas, em todo, em número bem menor que as de 1893-95. Muito por Flores da Cunha e Honório Lemes, dois dos maiores líderes daquela refrega, coibirem energicamente a degola de inimigos entre suas forças.

Não houve relatos de degolas nas revoluções de 1924, 25 e 26. E pelo menos uma degola durante a Revolução de 1930. Está aconteceu na divisa dos Estados do Paraná e São Paulo, onde forças paulistas faziam uma encarniçada e resistente defesa do território.

Conta a história que, quando combatentes gaúchos conseguiram entrar em uma das inúmeras trincheiras do inimigo, um combatente paulista se rendeu depois da morte de todos seus colegas. Logo depois, foi degolado na frente de seus companheiros de armas que, aterrorizados com a barbárie, saíram em uma fuga tresloucada.

Como era de hábito, o episódio foi “esquecido” pela historiografia oficial. Afinal, é a história da infâmia nas guerras gaúchas.


Fonte: claudemirpereira.com.br


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

UM POLICIAL BRASILEIRO QUE TOMBOU NA GRANDE GUERRA

.


Por Fernando M. Vasconcelos

No dia 5 de outubro a Banda de Clarins "Edmundo Wright" do Regimento de Polícia Montada "9 de julho" comemorou seu 122º aniversário. E, como esse ano marca o centenário da entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, trago aos senhores um texto alusivo ao Coronel Edmundo Wright, criador e patrono do centenário conjunto musical do Regimento.

Ao longo da história do Regimento encontramos vários personagens que engrandeceram, não somente a Cavalaria Paulista, mas toda a Polícia Militar do Estado de São Paulo, herdeira da Força Pública de São Paulo. Uma das mais emblemáticas é a figura do coronel Edmundo Wright, oficial do Exército Brasileiro comissionado no Regimento de Cavalaria da Força Pública na ultima década do século XIX, lembrando que nesse período os oficiais Intermediários e Superiores eram todos oriundos do EB. Isso só viria a mudar em 1906 com a vinda da Missão Militar Francesa.

Nascido em Santos, no ano de 1867, filho do inglês Joseph Richard Wright e da brasileira Guilhermina Vieira de Carvalho Wright, chegou à Força Pública de São Paulo em 28 de maio de 1894. Após frequentar por dois anos a Escola Militar do Rio Grande do Sul, e ser enviado ao 4º Batalhão de Infantaria da Força, que estava em Operação de Guerra na Vila de Caraguatatuba, devido a Revolta da Armada, ainda naquele ano foi transferido para o Corpo de Cavalaria Policial, logo após sua promoção de alferes a major. E nele serviu até o posto de tenente-coronel, exercendo as funções de Fiscal, Subcomandante e Comandante. 

O coronel Edmundo Wright, com o uniforme de comandante do Regimento de Cavalaria da Força Pública de São Paulo

Durante o seu comando, no ano de 1895, o tenente-coronel Edmundo Wright teve a ideia de reunir os clarins de ordens do Regimento e criar uma banda a cavalo. Na tarde de 5 de outubro daquele ano, em uma solenidade às 16h com a presença do Secretário de Justiça, Dr. Mello Peixoto, do comandante geral da Força Pública, coronel Silva Telles e demais oficiais da Instituição, foi inaugurado o conjunto com 29 homens a cavalo, inicialmente chamado de Corpo de Fanfarra, o que posteriormente foi modificado para Banda de Clarins, existente até hoje. E é a única do gênero no Brasil, por ser um conjunto musical que executa musicas a cavalo nas três andaduras: ao passo, ao trote e ao galope.

Em um período conturbado, teve a oportunidade de participar da Revolução Federalista, Revolta da Armada e de várias operações de controle e restabelecimento da ordem pública, como foi o caso da “Questão dos Protocolos”, em 1896, na qual a comunidade Italiana promoveu uma revolta que se espalhou por toda a capital paulista entre os dias 22 e 28 de agosto. Nesse confronto houve a morte de militares do Regimento, causadas por emboscadas dos italianos, e a baixa, devido a um grave ferimento causado por um disparo de arma de fogo, do próprio Edmundo Wright, que no episódio comandava o Regimento.

Após se aposentar, no ano de 1896, Edmundo Wright herdou os negócios da família, uma vez que seu pai era banqueiro e dono de vários empreendimentos no estado. Exerceu também as funções de comandante de unidades reserva da Guarda Nacional e a de Comissário do Estado de São Paulo em Londres, Turim, e, por último, Madri, na Espanha, onde tratava diretamente com o Governo local o comércio entre aqueles países e o Estado de São Paulo.

No ano de 1914 eclodiu a Primeira Grande Guerra, e Edmundo Wright, devido a sua ascendência Inglesa, por parte de pai, se alistou no Exército Britânico, onde foi incorporado, no posto de capitão, ao 6º Batalhão do Regimento da Rainha (The Queen's Royal West Surrey Regiment). Em 1916 foi enviado para o front francês onde participou da Batalha do Somme. Por volta das 4h30min do dia 3 de julho, Edmundo Wright  foi morto, aos 49 anos de idade, por ocasião de um ataque alemão. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Britânico no Somme, França.


Com a eclosão da 1ª Guerra Mundial, Edmundo Wright abdicou de sua condição de reservista da Força Pública e alistou-se no Exército Britânico, onde recebeu o posto de capitão.  Durante a ofensiva do Somme, em 1916, perdeu a vida, quando contava 49 anos de idade.

Edmundo foi casado com Maria Luísa Paes de Barros Wright com quem teve os seguintes filhos: Elisa Oliveira de Barros Wright e Carlos Paes de Barros Wright. 

Edmundo Wright foi um exemplo de militar que serviu ao seu país, demonstrando o espírito de abnegação e sacrifício em um período conturbado em que o Brasil mais precisava de pessoas fortes com retidão de conduta para controlar o país e manter a união nacional, pois a Republica ainda engatinhava e passava por um momento de grande instabilidade política e social. 

Mesmo depois de aposentado, alistou-se em um exército estrangeiro para servir e defender aquilo em que acreditava, em uma sociedade que fosse livre, igualitária e justa. Pelos seus valores pessoais, caráter, coragem, bravura, fidelidade aos seus ideais é um homem que merece um lugar de honra na história.

.

sábado, 16 de abril de 2016

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL SETEMBRINO DE CARVALHO



 
 * 13/09/1861 – Uruguiana-RS

+ 24/05/1947 — Rio de Janeiro-RJ


Fernando Setembrino de Carvalho nasceu em Uruguaiana–RS, no dia 13 de setembro de 1861. Aos dezesseis anos assentou praça no 12º Batalhão de Infantaria, em Porto Alegre, e, logo após, requereu sua matrícula na Escola Militar do Rio Grande do Sul, onde concluiu o curso de Artilharia no mês de janeiro de 1882.  Mandado apresentar-se à Escola Militar da Corte em março do mesmo ano, em 5 de setembro foi declarado 2º Tenente e classificado no 2º Batalhão de Artilharia a Pé.  Em 1884 concluiu o curso de Estado-Maior de 1ª Classe e o de Engenharia Militar, recebendo o grau de bacharel em Matemática e Ciências Físicas. Em seguida, foi classificado no 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, em São Gabriel–RS, herdeiro do velho "Boi de Botas" de Mallet da Guerra da Tríplice Aliança.


Revolução Federalista e atuação como engenheiro militar

Setembrino de Carvalho atuou como engenheiro na construção de quartéis e fortificações no Rio Grande do Sul. Transferido para Uruguaiana, lá servia quando ocorreu a proclamação da República. Desde 1885 aderira à causa republicana sem alterar, contudo, sua conduta fiel de militar. Com a eclosão da Revolução Federalista, comandou o Batalhão de Infantaria "Defensores da República", integrante da Divisão Oeste, organizado para defender Uruguaiana das tropas federalistas. terminada a revolução, foi transferido para o 2º Batalhão de Engenharia, onde provocou a iniciativa de construir a estrada de ferro estratégica Porto Alegre – Uruguaiana, de alta expressão para a economia gaúcha. Foi promovido a tenente-coronel em abril de 1906, e assumiu o comando do batalhão, passando, em julho de 1907 à construção do ramal ferroviário Cruz Alta – Ijuí. Já em 1908 assumiu a construção da linha telegráfica São Vicente - Santiago do Boqueirão.


Novas missões

Em 1910 foi convidado pelo Marechal Hermes da Fonseca, então candidato à Presidência da República, para exercer a chefia do Gabinete do Ministro da Guerra. Promovido a coronel no mesmo mês, foi mantido no cargo pelo novo Ministro, General Vespasiano Gonçalves de Albuquerque, em 30 de março de 1912. Nomeado comandante da então 4ª Região Militar em Fortaleza, foi, logo a seguir, designado interventor no Ceará em meio a grave crise. Em março de 1914 conseguiu apaziguar a revolta promovida pelo padre Cícero Romão Batista e fazer com que ele e seus seguidores voltassem para Juazeiro. Logo a seguir, em abril, foi promovido a general-de-brigada.


Campanha do Contestado

De volta ao Rio, foi incumbido pelo Ministro da Guerra de tratar da pacificação da luta em Palmas (Campanha do Contestado, 1914-1915) que se estendia desde 1840, liderada por José Maria de Agostinho, o "Monge". Entre 1912 e 1914 haviam sido enviadas seis expedições com tropas do Exército. Todas fracassaram. Para cumprir essa missão, no período de 12 de setembro de 1914 a 9 de março de 1915, comandou a 11ª Região Militar, em Curitiba-PR.  Em seguida, assumiu o comando da 2ª Circunscrição Militar, criada pelo Aviso do Ministro da Guerra nº 652, de 28 de abril de 1915, para pacificar os estados do Paraná e Santa Catarina. Graças à sua habilidade e atuação, os rebeldes foram completamente derrotados até dezembro de 1915, quando regressou ao Rio.




Atuação nos Movimentos Tenentistas

Promovido a general-de-divisão em janeiro de 1918, foi nomeado comandante da 2ª Divisão de Exército, sediada em Niterói. Em 1º de julho de 1922, foi nomeado Chefe do Estado-Maior do Exército pelo Presidente Epitácio Pessoa. No levante dos Fortes de Copacabana e do Vigia, Escola Militar e alguns efetivos da Vila Militar, foi chamado a intervir. Dirigiu-se então ao Realengo, encontrando a Escola Militar já sob controle. Instalou um quartel-general de operações em Deodoro, de onde comandou a repressão. O movimento terminou com o episódio na Avenida Atlântica, envolvendo os 18 do Forte.

Em novembro de 1922, Arthur Bernardes, empossado na Presidência da República, designou-o Ministro da Guerra. Em 1923, surgia no Rio Grande do Sul novo conflito armado. Fracassada a tentativa de armistício e agravando-se o conflito em todo Estado, decidiu Bernardes encarregar da missão o General Setembrino. Chegando a Porto Alegre, Setembrino promoveu o entendimento entre as partes em conflito, obtendo o armistício com o "Pacto das Pedras Altas", na estância de Assis Brasil, no dia 14 de dezembro.

Promovido a Marechal em abril de 1924, viu-se diante de novo movimento, iniciado no dia 5 de julho, com focos em São Paulo, Amazonas e Sergipe. Fez face aos revoltosos, comandados pelo General lsidoro Dias Lopes, conclamando-os por meio de dois manifestos à rendição e isentando-os de culpa.

O Marechal Setembrino afastou-se da vida pública em 1926. Continuou morando no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, vindo a falecer no dia 24 de maio de 1947, aos 85 anos de idade.



.

domingo, 9 de dezembro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL ISIDORO DIAS LOPES



* 30/06/1865 - Dom Pedrito-RS

+ 27/05/1949 - Rio de Janeiro-RJ



Isidoro Dias Lopes nasceu em Dom Pedrito (RS), em 1865.

Militar, entrou para o Exército como voluntário em 1883, fixando-se no 13º Batalhão de Infantaria, sediado em Porto Alegre. Propagandista da República, apoiou, da capital gaúcha, o movimento que pôs fim ao Império. Em 1893, abandonou o Exército para participar da Revolução Federalista, desencadeada no Rio Grande do Sul contra o governo de Floriano Peixoto. Com a derrota dos federalistas, partiu para o exílio em Paris, em 1895.

De volta ao Brasil no ano seguinte, anistiado, retornou ao Exército e estabeleceu-se no Rio de Janeiro, dando seguimento à sua carreira militar. Em 1923, já como general reformado e residindo em São Paulo, deu início às articulações contra o governo de Artur Bernardes. No ano seguinte, escolhido pelos conspiradores como o líder do movimento, viajou pelos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul estabelecendo contatos nos meios militares e elaborou, junto com Joaquim Távora, um plano de ocupação da capital paulista.

Após sucessivos adiamentos, o levante foi finalmente deflagrado no dia 5 de julho de 1924, data escolhida em homenagem ao levante ocorrido dois anos antes no forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, que dera início às rebeliões tenentistas no país. Em São Paulo, os insurretos prenderam os comandantes da Força Pública estadual e da 2ª Região Militar (2ª RM). Os rebeldes contaram, também, com a importante participação do major da Força Pública paulista, Miguel Costa. O presidente do estado, Carlos de Campos, abandonou a cidade, que passou ao controle dos rebeldes. Tropas leais ao governo federal sitiaram, então, a capital paulista, que passou a sofrer violentos bombardeios que atingiram a população civil. Autoridades municipais e representantes da indústria e do comércio buscaram promover negociações entre os rebeldes e o governo federal, mas fracassaram.

No final de julho, Isidoro ordenou a retirada dos rebeldes da capital em direção ao Paraná, onde, meses depois, reuniram-se com as tropas rebeladas no interior gaúcho sob a liderança de Luís Carlos Prestes. Da junção dos dois grupos nasceu a Coluna Prestes, que durante cerca de dois anos percorreu o interior do Brasil em campanha contra o governo de Artur Bernardes. Por contar já nessa época com aproximadamente 60 anos, Isidoro não era o mais indicado para comandar um exército cuja estratégia fundamental de luta seria a guerra de movimento. Por isso, decidiu-se que ele se fixaria na Argentina, de onde organizaria a rede de apoio externo às operações.

Em fevereiro de 1927 - quando os efetivos da Coluna, já desgastados pelo longo período de marcha, internaram-se em território boliviano e encerraram aquela fase da luta -, a maioria dos principais líderes do movimento juntpu-se a Isidoro, em Paso de los Libres, na Argentina, onde estabeleceram o quartel-general revolucionário. Isidoro mantinha grande prestígio entre seus liderados, que, nessa ocasião lhe deram o título de "marechal da revolução". Na prática, porém, a marcha da Coluna havia feito de Prestes um nome reconhecido amplamente como o principal líder revolucionário, dado que nem mesmo Isidoro questionava.


O General Isidoro rodeado por lideranças paulistas no início da Revolução Constitucionalista de 1932


Em 1930, com a derrota eleitoral da Aliança Liberal, coligação oposicionista que havia lançado o nome de Getúlio Vargas para concorrer à sucessão do presidente Washington Luís, a questão da derrubada do governo federal pelas armas voltou à ordem do dia. Isidoro declarou, então, apoio ao movimento. Opondo-se à radicalização defendida por Prestes, declarou não acreditar na capacidade das massas populares de governarem o país. Seu nome foi cogitado para assumir a chefia militar da revolução, mas acabou preterido pelo do general Góes Monteiro. Com a deflagração do movimento, no mês de outubro, dirigiu-se a São Paulo para assumir o comando da 2ª RM em nome dos revolucionários.

Logo nos primeiros meses do novo governo, porém, começou a se indispor com Vargas em torno da questão do comando político do estado de São Paulo. Em janeiro de 1931 escreveu ao presidente criticando o interventor federal João Alberto e o comandante da Força Pública, Miguel Costa. Ainda em 1931, foi substituído do comando da 2ª RM por Góes Monteiro e recusou convite de Vargas para assumir a interventoria federal no Estado do Rio. Passou a defender, então, a volta do país ao regime constitucional, participando das articulações da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. Assumiu posição de destaque nesse movimento e acabou deportado para Portugal após a sua derrota. Voltou ao país em 1934, anistiado. Em 1937, já afastado das disputas políticas, criticou o golpe de Vargas que instaurou a ditadura do Estado Novo.

O general Isidoro morreu no Rio de Janeiro, lúcido e forte, em 1949.


Fonte: FGV - CPDOC


.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – GENERAL CARLOS MARIA DA SILVA TELLES


.

* ??/??/1848 – Rio Grande do Sul
+ 07/09/1899 -  Rio Grande do Sul


Carlos Maria, nascido em 1848 no Rio Grande do Sul, filho de Joaquim da Silva Telles, em 1865 incorporou ao Exército Brasileiro nas tropas que defendiam Uruguaiana da invasão Paraguaia.  No 3º Batalhão de Infantaria participou da comitiva imperial, quando o Imperador D. Pedro II esteve no comando das tropas em operação no sul do Brasil.

Transferido para o 30º Batalhão de Infantaria, fez parte do 2º Corpo de Exército, comandado pelo General Osório, tendo recebido ferimento em combate.  Em 1866 foi promovido a alferes por ato de bravura e, no ano seguinte, foi elogiado pelo imperador e condecorado com a medalha do Mérito Militar, sendo promovido, em dezembro de 1870, a tenente por merecimento.

Em 1891, promovido ao posto de tenente-coronel, foi nomeado comandante do 31º Batalhão de Infantaria, unidade que comandaria por vários anos.  Em 1892, encontrava-se Carlos Maria da Silva Telles no posto de coronel, no comando de seu batalhão, que, depois de alguns combates no Rio Grande do Sul, por ocasião da Revolução Federalista, foi ocupar a cidade de Bagé.

Conhecedor da estratégia de guerra, o coronel Telles sabia que, se o Exército Libertador tivesse a posse da cidade de Bagé, logicamente Pelotas e Rio Grande estariam em suas mãos e, em consequência, a capital do Estado teria facilitada a sua posse pelos revolucionários.  Na verdade, esse era o objetivo dos maragatos, desde a derrubada dos gasparistas do governo do Estado em 17 de junho de 1892.

Mesmo sabendo que teria de enfrentar um poderoso exército, o coronel Carlos Telles resolveu defender Bagé a qualquer preço.  Não atendeu ao apelo do vigário da cidade, cônego Ignácio de Bittencourt, que se encontrava no acampamento de Joca Tavares, em Vista Alegre.  O vigário escreveu ao coronel:

Caro amigo,
Em nome de meus paroquianos peço-lhe que não resista e entregue a cidade aos federalistas comandados pelo Gen. Joca Tavares que, com uma força de 4.000 homens bem armados e municiados, estão dispostos a ocupar a cidade e possivelmente repetirem o que fizeram em Rio Negro, com a tropa do Marechal Isidoro.”


O Coronel Carlos Telles respondeu-lhe que, como brasileiro e como soldados, seu dever era resistir e sempre resistir.

O Dr. Pedro Luiz Osório, médico que fora ao acampamento dos revolucionários para pedir a remessa dos feridos do combate do Rio Negro, para serem tratados na cidade, também escreveu ao coronel Calos Telles:

Como brasileiro e vosso amigo, entendo que é meu dever dizer-lhe ser inútil o sacrifício de resistência, pois não terá possibilidade de êxito, considerando que os revolucionários estão com um efetivo de 5.000 homens, dispostos a ocuparem a cidade, sem se preocuparem como o farão.”

Respondeu-lhe o coronel Telles que tinha recursos e exército suficientes para resitir e vencer 15.000 homens, de maneira que 5.000 era muito pouco e o aconselhava a que cumprissem o prometido.

Tropas do Cel Telles entrincheiradas diante da igreja matriz de Bagé

.
A luta continuava cada dia mais feroz, tendo o coronel Telles, para alimentar seus comandados, de avançar nas tropas inimigas e tomar reses para carnear.

Em 4 de janeiro de 1894, os representantes consulares da Itália, Portugal, Argentina e Uruguai pediram uma audiência ao coronel Carlos Telles, que gentilmente concedeu, levando os representantes estrangeiros para sua residência.  Ouviu atenciosamente a proposta do general Joca Tavares, que, por intermédio dos mencionados representantes estrangeiros e no intuito de evitar mais derramamento de sangue brasileiro, informou ser inútil a resistência e pediu que capitulasse, oferecendo garantia de vida testemunhada pelos representantes consulares em missão ali presentes.

O coronel Carlos Telles assim respondeu: 

Peço-lhes que de minha parte transmitam ao Exmº Sr. General Tavares que o nome e as glórias que S. Excia. alcançou, foram no seio do Exército e, portanto, não pode ignorar que o soldado brasileiro não capitula, mesmo que se encontre fraco, e muito menos como nós que estamos fortes, defendendo um governo legalmente constituído e as instituições de nossa Pátria.  Ele, Gen. Tavares, é que deve depor as armas porque está fora da lei, como revolucionário.  Se assim proceder, pode contar com nossas honestas garantias, para si e para seus comandados, mas os oficiais e praças desertores que fazem parte de sua tropa, sofrerão os castigos de acordo com os regulamentos e leis do país. É tudo o que tenho a propor e a aceitar em nome do marechal Floriano Peixoto, que, tenho certeza, sancionará maus atos.

A luta continuou feroz em ataques e defesas, completando 46 dias e noites quando o Exército Libertador, não resistindo, retirou-se praticamente derrotado por uma tropa constituída por 1.100 homens, que tinha um comando valoroso.

Por decreto presidencial de 15 de novembro de 1897, o coronel Carlos Telles foi promovido a general-de-brigada, após encerrada a campanha de Canudos, onde comandou, todo o tempo, o seu 31º Batalhão de Infantaria.  Com a promoção, Carlos Telles foi exonerado do comando do batalhão que esteve sob seu comando durante oito anos.

Faleceu o general Carlos Maria da Silva Telles no dia 7 de setembro de 1899, quando se encontrava em licença no Rio Grande do Sul.


Fonte: Adaptado de: SILVEIRA, José Luiz. Cel. Carlos Maria da Silva Telles – Herói comandante da defesa de Bagé. In: FLORES, Hilda Agnes (org). Revolução Federalista. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1993.

.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL JOCA TAVARES



*  24/05/1818 - Herval-RS

+  09/01/1906 - Bagé-RS


João Nunes da Silva Tavares nasceu em Herval, Rio Grande do Sul, em 24 de maio de 1818. Foi o primeiro e único barão de Itaqui, general e político brasileiro, presidente do estado do Rio Grande do Sul de 17 de junho a 4 de julho de 1892 e o responsável por iniciar uma guerra civil, que se transformaria, posteriormente, na Revolução Federalista (1893-1895). Era mais conhecido pelo apelido de "Joca Tavares".

Membro de importante família estabelecida na Colônia do Sacramento, que teve início com João da Silva Tavares e sua mulher Natália de Jesus. Filho do Visconde de Serro Alegre, João da Silva Tavares, e de Umbelina Bernarda da Assunção, e irmão do Barão de Santa Tecla.


Revolução Farroupilha

Sentou praça em 19 de setembro de 1835, na véspera de estourar a Revolução Farroupilha, tendo acompanhado seu pai e se juntado ao lado legalista. Três dias mais tarde teve seu batismo de fogo no arroio Telho, combatendo as forças revolucionárias de Gervásio Verdum. Em seguida seguiu para Pelotas e no caminho, próximo a São Lourenço, ajudou no combate às forças do coronel Antônio Gonçalves da Silva, em 19 de outubro. Em seguida, refugiou-se no Uruguai, retornando em 1836 para tomar parte no combate do Rosário, sendo feito prisioneiro pelo coronel Corte Real.

Na Batalha do Seival é novamente preso, instado pelo farroupilhas a mudar de lado, recusa-se inclusive a permanecer neutro, motivo pelo qual é mantido preso. Mais tarde é libertado, através da intermediação do chefe uruguaio Calengo. Após um curto descanso na fazenda da família em Taquari retorna ao combate, junto à seu pai. Atacado e sitiado, perto de Arroio Grande, pelas forças de Davi Canabarro, é obrigado a capitular, sendo feito, novamente prisioneiro, com seu pai. Ambos fogem e formam uma nova brigada.

Em 1840 combate o coronel Florentino Manteiga, em 1841, comandante de guerrilha, ajuda na derrota do major Félix Vieira, e em seguida, sob o comando do coronel Serafim Inácio dos Anjos, derrota o major “Quero-quero”.

Mais tarde serve nas forças do general João Paulo, e depois do coronel Manoel dos Santos Moreira. Encarregado da defesa de Pelotas, ali recebe ao barão de Caxias, nomeado presidente da província e comandante das armas. Com Tratado de Ponche Verde, termina a revolução, Joca Tavares tinha o posto de major, com 27 anos de idade e 10 de combate.


Guerra do Paraguai

Quando da Guerra contra Aguirre, em 1864, se voluntaria às tropas do general João Propício Menna Barreto, participando da tomada de Paissandu, Uruguai.

Promovido à coronel, ao iniciar a Guerra do Paraguai, organiza um corpo de voluntários para liberar Uruguaiana. Após a retomada da cidade, 18 de setembro de 1865, segue para Bagé como comandante de brigada. Incorpora-se, pouco depois, ao 3° Corpo de Exército, comandado pelo General Osório, com o qual marcha para o Paraguai.

Participou nos reconhecimentos de Passo-Pucu, Espinillo e da trincheira de Humaitá. Depois, em 1868, combateu em Palmas, recebendo a medalha do Mérito Militar por sua ação no combate de 11 de dezembro. No dia 21 combateu em Lomas-Valentinas, na linha Paqueceri, até o forte render-se.

Em 1869, segue para Assunção, onde aguarda a chegada do novo comandante em chefe, Conde D'Eu. Combate sucessivamente em Peribebuí, Campo Grande, Picada de Caraguataí, bate em Itopitanguá as forças do coronel Caneto, vence em Loma-Uruquá ao coronel Chênes. Braço direito do visconde de Pelotas, comandava sempre a vanguarda de suas forças.

Em uma das ocasiões, ao transpor o arroio Negla, aprisiona o coronel Salinas e por ele toma conhecimento do paradeiro de Solano López, na margem esquerda do arroio Aquidaban. Após avisar seus superiores, que para lá deslocaram as tropas, chega em 28 de fevereiro de 1870 a Aquidaban. Ataca o acampamento de Solano, que morre em fuga.

Terminada a guerra foi nomeado brigadeiro honorário do Exército, em 11 de maio de 1870, recebendo também o título de barão de Itaqui e cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro, além de receber a medalha da Campanha do Paraguai, com passador de ouro.

Em 1871 foi nomeado comandante da Guarda Nacional em Bagé, tendo sido comandante da guarnição de fronteira de 1874 a 1878. Entre maio de 1886 e julho de 1889, serviu sob o comando do marechal Deodoro da Fonseca, quando pediu exoneração, enquanto declarava-se republicano e renunciava ao título de barão.


Oficiais maragatos durante a Revolução Federalista


Revolução Federalista

Proclamada a República foi nomeado comandante da guarnição de Bagé, até ser exonerado em 18 de janeiro de 1892.

Em 17 de junho de 1892, Vitorino Ribeiro Carneiro Monteiro tornou-se presidente temporário do estado do Rio Grande do Sul na sucessão ao Marechal José Antônio Correia da Câmara, enquanto aguardava a instalação de um novo presidente. No mesmo dia, Júlio de Castilhos, candidato do Partido Republicano Riograndense, (PRR) se proclamou presidente em Porto Alegre. O governo durou apenas um dia, pois, no mesmo dia, Joca Tavares, filiado ao Partido Federalista do Rio Grande do Sul também se proclamou presidente na cidade de Bagé, onde permaneceu no poder até 4 de julho de 1892.

Quando Júlio de Castilhos novamente se tornou presidente do Estado do Rio Grande do Sul em 1893 (pela terceira vez), Joca Tavares se revoltou e iniciou uma guerra civil que logo se tornaria uma revolta generalizada contra os que eram apoiados pelo governo republicano do Brasil. Este confronto ficou conhecido por Revolução Federalista, e durou até 1895, quando ele e Inocêncio Galvão assinam a paz em Pelotas. Durante a Revolução Federalista, pairaram sobre ele acusações pela violência com que suas tropas tratavam os prisioneiros, inclusive, com a prática da degola.

Joca Tavares faleceu em Bagé, 9 de janeiro de 1906.

 
 
.