"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

UM POLICIAL BRASILEIRO QUE TOMBOU NA GRANDE GUERRA

.


Por Fernando M. Vasconcelos

No dia 5 de outubro a Banda de Clarins "Edmundo Wright" do Regimento de Polícia Montada "9 de julho" comemorou seu 122º aniversário. E, como esse ano marca o centenário da entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, trago aos senhores um texto alusivo ao Coronel Edmundo Wright, criador e patrono do centenário conjunto musical do Regimento.

Ao longo da história do Regimento encontramos vários personagens que engrandeceram, não somente a Cavalaria Paulista, mas toda a Polícia Militar do Estado de São Paulo, herdeira da Força Pública de São Paulo. Uma das mais emblemáticas é a figura do coronel Edmundo Wright, oficial do Exército Brasileiro comissionado no Regimento de Cavalaria da Força Pública na ultima década do século XIX, lembrando que nesse período os oficiais Intermediários e Superiores eram todos oriundos do EB. Isso só viria a mudar em 1906 com a vinda da Missão Militar Francesa.

Nascido em Santos, no ano de 1867, filho do inglês Joseph Richard Wright e da brasileira Guilhermina Vieira de Carvalho Wright, chegou à Força Pública de São Paulo em 28 de maio de 1894. Após frequentar por dois anos a Escola Militar do Rio Grande do Sul, e ser enviado ao 4º Batalhão de Infantaria da Força, que estava em Operação de Guerra na Vila de Caraguatatuba, devido a Revolta da Armada, ainda naquele ano foi transferido para o Corpo de Cavalaria Policial, logo após sua promoção de alferes a major. E nele serviu até o posto de tenente-coronel, exercendo as funções de Fiscal, Subcomandante e Comandante. 

O coronel Edmundo Wright, com o uniforme de comandante do Regimento de Cavalaria da Força Pública de São Paulo

Durante o seu comando, no ano de 1895, o tenente-coronel Edmundo Wright teve a ideia de reunir os clarins de ordens do Regimento e criar uma banda a cavalo. Na tarde de 5 de outubro daquele ano, em uma solenidade às 16h com a presença do Secretário de Justiça, Dr. Mello Peixoto, do comandante geral da Força Pública, coronel Silva Telles e demais oficiais da Instituição, foi inaugurado o conjunto com 29 homens a cavalo, inicialmente chamado de Corpo de Fanfarra, o que posteriormente foi modificado para Banda de Clarins, existente até hoje. E é a única do gênero no Brasil, por ser um conjunto musical que executa musicas a cavalo nas três andaduras: ao passo, ao trote e ao galope.

Em um período conturbado, teve a oportunidade de participar da Revolução Federalista, Revolta da Armada e de várias operações de controle e restabelecimento da ordem pública, como foi o caso da “Questão dos Protocolos”, em 1896, na qual a comunidade Italiana promoveu uma revolta que se espalhou por toda a capital paulista entre os dias 22 e 28 de agosto. Nesse confronto houve a morte de militares do Regimento, causadas por emboscadas dos italianos, e a baixa, devido a um grave ferimento causado por um disparo de arma de fogo, do próprio Edmundo Wright, que no episódio comandava o Regimento.

Após se aposentar, no ano de 1896, Edmundo Wright herdou os negócios da família, uma vez que seu pai era banqueiro e dono de vários empreendimentos no estado. Exerceu também as funções de comandante de unidades reserva da Guarda Nacional e a de Comissário do Estado de São Paulo em Londres, Turim, e, por último, Madri, na Espanha, onde tratava diretamente com o Governo local o comércio entre aqueles países e o Estado de São Paulo.

No ano de 1914 eclodiu a Primeira Grande Guerra, e Edmundo Wright, devido a sua ascendência Inglesa, por parte de pai, se alistou no Exército Britânico, onde foi incorporado, no posto de capitão, ao 6º Batalhão do Regimento da Rainha (The Queen's Royal West Surrey Regiment). Em 1916 foi enviado para o front francês onde participou da Batalha do Somme. Por volta das 4h30min do dia 3 de julho, Edmundo Wright  foi morto, aos 49 anos de idade, por ocasião de um ataque alemão. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Britânico no Somme, França.


Com a eclosão da 1ª Guerra Mundial, Edmundo Wright abdicou de sua condição de reservista da Força Pública e alistou-se no Exército Britânico, onde recebeu o posto de capitão.  Durante a ofensiva do Somme, em 1916, perdeu a vida, quando contava 49 anos de idade.

Edmundo foi casado com Maria Luísa Paes de Barros Wright com quem teve os seguintes filhos: Elisa Oliveira de Barros Wright e Carlos Paes de Barros Wright. 

Edmundo Wright foi um exemplo de militar que serviu ao seu país, demonstrando o espírito de abnegação e sacrifício em um período conturbado em que o Brasil mais precisava de pessoas fortes com retidão de conduta para controlar o país e manter a união nacional, pois a Republica ainda engatinhava e passava por um momento de grande instabilidade política e social. 

Mesmo depois de aposentado, alistou-se em um exército estrangeiro para servir e defender aquilo em que acreditava, em uma sociedade que fosse livre, igualitária e justa. Pelos seus valores pessoais, caráter, coragem, bravura, fidelidade aos seus ideais é um homem que merece um lugar de honra na história.

.

Nenhum comentário:

Postar um comentário