"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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terça-feira, 16 de agosto de 2022

PAZ ENTRE ÁUSTRIA E ITÁLIA (1866)

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No dia 3 de outubro de 1866, foi selada a Paz de Viena, entre a Itália e a Áustria, marcando a passagem do Veneto à Itália.


Por Dirk Kaufmann

O tratado de paz entre a Áustria e a Itália, assinado no dia 3 de outubro de 1866 em Viena, foi um passo pequeno mas decisivo para a reorganização política da Europa central no século XIX. O ponto mais importante do tratado prescrevia que a Áustria desistisse da sua influência sobre o norte italiano, e entregasse a região do Veneto à Itália.


Motivos da inimizade

O motivo para essa guerra remontava a fatos ocorridos na capital austríaca, no ano de 1815. No chamado Congresso de Viena, fora decidida a reestruturação política da Europa, que acabara de se libertar da ocupação pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte.

Um resultado do Congresso de Viena foi a formação da Liga Alemã: ela não era nenhuma pátria alemã unida, nem um Estado nacional, mas, pelo menos, a associação de um determinado número de Estados autônomos, com duas potências de destaque: a Prússia e a Áustria.

Porém, esta constelação estava fadada ao fracasso. O chanceler prussiano Otto von Bismarck escreveu a um amigo, em 1853: "Não há lugar para as duas, a Prússia e a Áustria, em virtude das ambições manifestadas pela Áustria; ou seja, não poderemos nos entender de forma duradoura, uma das duas terá de recuar. Até lá, teremos de ser adversários. Considero isto um fato".


Liga alemã, a ferro e sangue

Bismarck não perdeu nenhuma oportunidade de irritar e provocar a Áustria. E não apenas diplomática e politicamente. Na solução da "questão alemã", ele lançaria mão também de recursos militares. Data dessa época uma declaração do chanceler prussiano que mais tarde ficaria célebre, sendo frequentemente citada como advertência contra qualquer eventual política expansionista prussiana ou alemã:

"Temos a tendência de vestir uma armadura muito grande para o nosso corpo magro. A Alemanha não venera o liberalismo da Prússia, mas sim o seu poder. As grandes questões da nossa época não são decididas com conversação e votação majoritária, mas sim a ferro e sangue!"

Na luta pela unificação da Alemanha, só havia duas opções: a solução do "pangermanismo", com a Áustria como potência líder e a Prússia como parceira inferior, ou a chamada "pequena solução". Esta previa a união dos Estados do norte alemão, sem a Áustria – embora ela também se sentisse, na verdade, alemã.

A "pequena solução" teria naturalmente a Prússia como potência líder. Do ponto de vista de Bismarck, esta era a única constelação aceitável. E para lograr militarmente tal objetivo, a Prússia buscou um aliado no sul da Europa: a Itália.

Soldado do Regimento de Infantaria nº 31 austríaco

Ataque por duas frentes

Numa guerra contra a Prússia e a Itália, a Áustria teria de combater em duas frentes ao mesmo tempo. A Itália aceitou as propostas prussianas e firmou um pacto de solidariedade com a Prússia, do qual constava, entre outros pontos: "Se a Prússia chegar à situação de pegar em armas, a Itália declarará a guerra contra a Áustria".

Além disso: "Não poderá ser recusada a aceitação de um armistício, se a Áustria concordar em ceder o reino lombardo-veneziano à Itália e partes do território austríaco à Prússia ou fizer concessões na questão alemã".

Artilharia prussiana entrando em Leipzig

Em 1866, a Prússia e a Itália declararam guerra à Áustria. Os prussianos, militarmente mais fortes, venceram os austríacos sem grande esforço. A guerra estava praticamente decidida, depois da batalha de Königgratz. O caminho para Viena estava aberto.

Mas Bismarck foi contrário a novas conquistas. O que provocou indagações do rei da Prússia: "A Áustria não terá de pagar reparações razoáveis de guerra? O inimigo principal não terá de ceder territórios? O vencedor vai se deter diante dos portões de Viena, sem invadir a capital?" A resposta de Bismarck: "A Áustria não pode ser humilhada. É preciso ganhar sua amizade para o futuro; do contrário, ela se tornará aliada da França. Não devemos julgar a Áustria, mas sim, fazer a política alemã e preparar-nos para estabelecer a união alemã, sob o rei da Prússia".


Paz do futuro eixo

Quando Bismarck ameaçou renunciar, o rei prussiano aceitou seu ponto de vista e iniciou negociações de paz com a Áustria. No Acordo de Praga, a Prússia renunciou a grandes conquistas territoriais, uma vez que a Áustria concordou em se retirar da Liga Alemã. Mas Viena pretendia estender sua influência ao Leste Europeu e aos Bálcãs, a fim de se impor perante a Liga Alemã, dominada pela Prússia.

A expansão da Prússia

Para obter liberdade de ação nos seus planos, a Áustria concordou rapidamente em assinar um tratado de paz também com a Itália. Através do acordo assinado em Viena no dia 3 de outubro de 1866, a Áustria cedeu a região do Veneto à Itália.

O tratado de paz de Viena encerrou a chamada Guerra Alemã, e suas consequências se estenderam até no século seguinte. Os três países envolvidos nessa guerra – que estavam começando a constituir-se como Estados nacionais ou, no caso da Áustria, que passava por uma reorientação política – foram justamente aqueles que, como aliados, deram início à Primeira Guerra Mundial em 1914 e terminaram derrotados.

Fonte: DW

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O CERCO DE ANCONA (1860)

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O cerco de Ancona (18-29 de setembro de 1860) foi a última ação importante durante a breve invasão piemontesa aos Estados papais em 1860, e viu a queda do único porto que poderia ter sido usado por uma força expedicionária austríaca, reduzindo bastante o risco de intervenção estrangeira na guerra.


Os piemonteses invadiram os Estados papais em 11 de setembro. O general Lamoricière, comandante do Exército Papal decidiu tentar chegar a Ancona, o principal porto do Adriático ainda em mãos papais. A única maneira que as forças papais poderiam esperar derrotar os piemonteses era com ajuda estrangeira. Os austríacos, que guarneceram Ancona até 1859, eram vistos como os mais propensos a intervir. Os piemonteses também sabiam disso e, portanto, metade do seu exército, sob o comando do general Cialdini, foi enviado ao longo da costa em direção a Ancona.

Quando Cialdini soube que Lamoricière estava indo para Ancona, decidiu deixar a costa, mover-se pelo porto e tentar bloquear o exército papal ao sul da cidade. A batalha resultante de Castelfidardo (18 de setembro de 1860) terminou como uma esmagadora derrota papal. Lamoricière conseguiu alcançar Ancona, mas, ao chegar, tinha somente 45 homens com ele. O resto de seu exército foi disperso ou capturado.

O general Louis Juchault de Lamoricière, comandante do exército dos Estados Papais

Os piemonteses voltaram sua atenção para Ancona. Cialdini recebeu reforços do corpo de Della Rocca e também foi apoiado pela frota piemontesa, que forneceu uma frota de 13 navios de guerra sob o almirante conde Carlo Pellione di Persano. A frota também carregava o trem de cerco, então Cialdini logo estava em posição de começar um bombardeio regular de Ancona. Isto foi seguido por uma série de ataques às fortificações terrestres e muitos dos trabalhos secundários caíram.

O golpe final ocorreu em 28 de setembro, quando a frota de Persano iniciou um bombardeio das defesas costeiras. Isso terminou com a destruição de um paiol de pólvora. Isso acabou com qualquer chance de resistência efetiva e, em 29 de setembro, a cidade e sua guarnição de 4.000 a 6.000 homens se rendeu. Os combates  contra os Estados papais haviam terminado e os piemonteses puderam se concentrar em ir para o sul para apoiar a campanha de Garibaldi em Nápoles.

Monumento em homenagem ao general piemontês Enrico Cialdini, o vencedor em Ancona, localizado em Castelfidardo

sexta-feira, 24 de maio de 2019

BATALHA DE NOVARA (1849)

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A Batalha de Novara foi uma das batalhas travadas entre o Império Austríaco e o Reino da Sardenha durante a Primeira Guerra de Independência Italiana, dentro da era da unificação italiana. Com duração de todo o dia de 22 de março de 1849 e terminando na madrugada do dia 23 de março, resultou em uma severa derrota e retirada do exército piemontês (Sardenha).

Um armistício desconfortável feito em 1848 entre a Áustria e Sardenha durou menos de sete meses, antes de Carlos Alberto, rei da Sardenha, denunciar a trégua em 12 de março de 1849. O exército austríaco tomou a iniciativa militar na Lombardia, sob o comando do marechal Joseph Radetzky von Radetz, que tomou a cidade fortaleza de Mortara.

A captura de Mortara levou a uma batalha entre as tropas austríacas e piemonteses em Novara, 45 km a oeste do Milão, onde 70.000 soldados austríacos, mais disciplinados do que os 85.000 piemonteses, derrotaram o seu adversário, como ocorrera na batalha de Custoza do ano anterior. Piemonte também sofreu com a falta de apoio dos estados menores italianos. General Girolamo Ramorino foi acusado de desobedecer ordens antes da Batalha de Novara, e, no mesmo ano, foi executado.

Acusado de desobedecer ordens, o General Girolamo Ramorino foi executado

Os piemonteses foram levados de volta para Borgomanero, nos Alpes, e as forças austríacas ocuparam Novara, Vercelli e Trino, com a estrada para a capital de Piemonte, em Turim.

O General austríaco Barão Julius Jacob von Haynau subjugou Bréscia, a 87 km de Milão, e Carlos Alberto abdicou em favor de seu filho Vítor Emanuel, que mais tarde se tornaria o primeiro rei de uma Itália unificada. Friedrich Engels escreveu "que, após esta derrota, uma revolução e proclamação de uma república em Turim seria esperada, decorrente do fato de que a tentativa estava sendo feita para evitar a abdicação de Carlos Alberto, em favor de seu filho mais velho." 

Reencenação da Batalha de Novara

A República Piemontesa não foi criada, embora a República Romana já tivesse sido proclamada em fevereiro, e existisse uma República de Veneza também. Carlos Alberto se exilou no Porto, em Portugal, onde morreu pouco depois.


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

BATALHA DE MAGENTA (1859)

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A Batalha de Magenta foi travada em 4 de Junho de 1859 durante a Segunda Guerra de Independência Italiana contra a Áustria, resultando numa vitória do exército francês e sardo-piemontês contra os austríacos, sob o comando do general Ferencz Gyulai.

Ocorreu perto da cidade de Magenta, no Norte da península Itálica. O futuro presidente da República francesa Edme Patrice Maurice Mac-Mahon (1808-1893) foi condecorado com o título de Duque de Magenta por sua participação na batalha.

O plano do exército franco-piemontês consistia em alcançar Magenta seguindo dos eixos: partindo de Turbigo e da ponte sobre o Ticino, na estrada entre Milão e Novara. O exército francês fez o maior esforço, enquanto que os sardo-piemonteses foram incumbidos de seguir as tropas vindas de Tiburgo e intervir na batalha se necessário.

Os comandantes austríacos tomaram conhecimento dos planos franceses e ordenaram que a maior parte do exército fosse deslocado de Lomellina para Magenta, via Vigevano e Abbiategrasso. A defesa foi colocada ao longo do Naviglio com a intenção de explodir as pontes em Robecco sul Naviglio, Pontevecchio, Pontenuovo e Boffalora sopra Ticino.

Tenente-general Mac Mahon, comandante do 2° Corpo de Exército francês


O 2°Corpo de Exército Francês, comandado pelo tenente-general Mac-Mahon, foi dividido em duas colunas. Uma das colunas permaneceu sob o comando de Mac Mahon e o comando da outra foi entregue ao general Espinasse. As duas colunas deixaram Turbigo em direção a Magenta seguindo dois itinerários diferentes: Mac Mahon foi por Boffalora e Espinasso por Marcallo. Outras tropas francesas pararam depois de Trecate, sobre a ponte do Ticino, que fora parcialmente avariada pelos explosivos austríacos.

Enquanto isso, as tropas austríacas deslocadas de Lomellina se atrasaram e só cerca de 20 a 25 mil soldados, liderados pelo General Clam-Gallas, defenderam a linha ao longo do Naviglio.

As tropas francesas, que estavam na ponte sobre o Ticino, vão para Magenta. As austríacos conseguiram explodir a ponte sobre o Naviglio em Boffalora e defenderam bravamente algumas fazendas próximas a fim de ganhar tempo enquanto esperavam por reforços.


A batalha se tornou particularmente intensa ao redor de Pontevecchio, ao longo da ferrovia não muito longe da ponte sobre o Naviglio, que os austríacos foram incapazes de destruir. Enquanto o Terceiro Corpo de Exército Francês, que partira de Novara naquela manhã, se atrasava para o campo de batalha, Espinasse tentava se juntar em vão a Mac Mahon em Boffalora. Os planos, deste modo, mudaram: as duas colunas se dirigiram a Magenta separadamente tendo a torre do sino da Igreja de São Martim como referência.

Entretanto, uma grande quantidade de soldados austríacos chegam de Abbiategrasso: a situação fica tão complicada para os franceses que os austríacos mandaram um telegrama para Viena anunciando a vitória.

Foi particularmente em Pontenuovo que a situação ficou desesperadora: 5 mil soldados franceses tiveram que resistir a 50 mil soldados austríacos por 45 minutos. Mac Mahon avançou de Boffalora, dando confiança aos franceses e forçando os austríacos a sair de Pontenuovo para defender Magenta.

A batalha se espalhou pela estação ferroviária de Magenta. Os austríacos abandonaram suas posições e se refugiaram em casas para lutar melhor por cada centímetro de terra. O tenente-general Espinasse morreu durante o ataque à estação ferroviária, mas a sua divisão, junto com a de Mac Mahon conseguiu vencer os austríacos, tomando o controle de todas as vias de acesso.

Tropas austríacas e francesas se enfrentando na ponte de Magenta


Às 5 horas da tarde, os austríacos perceberam que eles tinham perdido a batalha e deixaram apressadamente o campo de batalha. Aproximadamente 6 mil soldados morreram na batalha, sendo a maioria (mais ou menos três quartos deles) austríacos.

A vitória franco-piemontesa abriu caminho para a libertação de Milão, o primeiro passo para a unificação da Itália.


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

GUERRAS DA UNIFICAÇÃO ITALIANA (1840-1861)

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Desde a queda do Império Romano no século V, a Itália consistia em uma série de reinos e cidades-estado rivais, disputados e muitas vezes controlados por potências estrangeiras, em especial Espanha e Áustria.

Em 1796, Napoleão Bonaparte invadiu o norte da Itália para expulsar os austríacos. O domínio francês foi estabelecido no noroeste e na região central, enquanto o resto foi reorganizado nos reinos da Itália, ao norte, e da Sicília, no sul. O fracasso de Napoleão em unir a Itália levou os patriotas a formarem sociedades secretas, como a dos Carbonari, para lutar pela unificação.

Depois da derrota de Napoleão em 1815, os governantes e as fronteiras da Itália de antes da guerra foram restaurados, mas com a Áustria dominando um reino combinado Lombardia-Vêneto no norte e controlando três pequenos ducados no centro. A restauração provocou levantes em Nápoles, em 1820, no Piemonte e em Palermo, em 1821, e em Módena e nos Estados Pontifícios em 1831. Todos foram esmagados.

Os reveses, no entanto, estimularam um ressurgimento do nacionalismo. Radicais liderados por Giuseppe Mazzini e outros exilados na França organizaram o movimento Jovem Itália para substituir as antigas sociedades secretas e lutar pela unidade italiana. O movimento foi encorajado por Carlos Alberto, o novo rei do Piemonte e da Sardenha.


Primeira guerra italiana (1840-1849)

Em 1848 eclodiu uma revolução na França que repercutiu por toda a Europa. Os protestos estenderam-se até a áustria em março, com rebeliões contra o domínio austríaco irrompendo em Milão, na Lombardia e em Veneza. Aproveitando a debilidade austríaca, o rei Carlos Alberto, de Piemonte, declarou guerra à Áustria para expulsá-la da Lombardia e Veneza declarou sua independência.

O marechal austríaco Josef Radetzky retirou suas tropas de Milão e levou-as para o Quadrilátero: as cidades fortificadas de Verona, Mântua, Peschiera e Legnano. O Exército Piemontês sitiou e capturou Peschiera e preparou-se para ocupar a região montanhosa de Custoza. No entanto, os piemonteses foram derrotados por Radetzky em 1848. O marechal, então, reocupou Milão e expulsou os piemonteses da Lombardia. Foi declarada uma trégua, mas, quando a guerra foi retomada em março de 1849, as forças austríacas infligiram nova derrota aos piemonteses em Novara e acabaram com a independência de Veneza depois de um sítio em agosto.

Vítor Emanuel II, rei da Itália

Uma breve rebelião em Florença foi igualmente esmagada pelas tropas da Áustria. Todas as esperanças de expulsar os austríacos do norte da Itália foram perdidas, o que levou Carlos Alberto a abdicar em favor de seu filho, Vítor Emanuel II. No sul, os nacionalistas italianos proclamaram uma república em Roma, em fevereiro de 1849, e expulsaram o papa Pio IX. Em resposta, o rei de Nápoles e o novo presidente francês, Luís Napoleão, enviaram tropas para reempossá-lo. Ajudados pelo célebre militante nacionalista Giuseppe Garibaldi, que chegara da América do Sul no ano anterior, os romanos defenderam a cidade até a noite de 30 de junho, quando os franceses esmagaram a nova república.


O revolucionário Giuseppe Garibaldi


Segunda guerra italiana (1859-1861)

As esperanças nacionalistas de uma Itália unida pareciam destinadas ao fracasso. Os últimos levantes resultaram apenas na obtenção de uma Constituição liberal no Piemonte. No entanto, os acontecimentos logo mudaram em favor dos italianos. Em 1859 o primeiro-ministro piemontês, conde Cavour, assinou um tratado secreto com com o imperador francês Napoleão III para obter seu apoio contra a Áustria. Os austríacos foram então incitados a declarar guerra ao Piemonte, o que possibilitou a intervenção da França. E esta o fez rapidamente, deslocando 130 mil homens e o mesmo número de cavalos para a zona de guerra, no primeiro movimento militar maciço feito por ferrovias da história.

Os dois oponentes se confrontaram em Magenta, na Lombardia, em 4 de junho. Um pequeno contingente francês atacou do oeste através de um canal, enquanto uma força maior sob o comando do general MacMahon investiu do norte. No entanto, o progresso foi vagaroso, o que permitiu às tropas austríacas, bem mais numerosas, deter os franceses no canal. Os soldados de MacMahon entraram por fim na cidade ao cair da tarde, expulsando os austríacos após uma luta de casa em casa.
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Napoleão III com seu estado-maior durante a Batalha de Solferino

As forças da Áustria retiraram-se para o leste, perdendo o controle de Milão, mas, em 24 de junho, os franceses os alcançaram inesperadamente em Solferino. A batalha resultante - caótica e sangrenta – foi decisiva. Os dois lados utilizaram mosquetes raiados que disparavam projéteis Minié, mas os 400 canhões raiados dos franceses mostraram-se mais eficazes do que a artilharia austríaca, com peças de alma lisa. Os austríacos acabaram desalojados, em boa medida graças à habilidade dos zuavos da infantaria francesa e dos legionários estrangeiros.

Horrorizado com a carnificina da batalha, Napoleão III firmou apressadamente a paz com a Áustria. O Piemonte ganhou a Lombardia da Áustria e cedeu algumas áreas de língua francesa como contrapartida pelo apoio. A Áustria perdeu o controle de três ducados da Itália central, que votaram pela união com o Piemonte.

Carabineiro a pé do Reino das Duas Sicílias

A união parcial do norte da Itália provocou mudanças no sul. Em maio de 1860, Giuseppe Garibaldi e cerca de mil de seus camisas-vermelhas navegaram de Gênova, no Piemonte, para a Sicília, governada, juntamente com o restante do sul da Itália, por Francisco II, rei das Duas Sicílias.

Marchando para o interior da ilha, onde voluntários aderiram em massa à sua causa, Garibaldi derrotou um exército napolitano em Calatafimi e ocupou Palermo. Sob o olhar da Marinha Real britânica,Garibaldi voltou para o continente em agosto. Ocupou Nápoles praticamente sem luta, derrotou outra vez os napolitanos em Volturno, em outubro, e, em seguida, somou forças com um exército piemontês que marchava para o sul, a fim de sitiar em Gaeta o remanescente do exército napolitano, que se rendeu em fevereiro de 1861. Em março, Vítor Emanuel II tornou-se rei da Itália, embora o novo reino ainda não incorporasse o Vêneto e os Estados Pontifícios em torno de Roma.


Garibaldi lidera um ataque de seus camisas-vermelhas contra tropas napolitanas


Veneza e Roma

Em nova tentativa de unificação, a Itália aliou-se à Prússia na guerra contra a Áustria em junho de 1866 e invadiu o Vêneto. Os dois exércitos encontraram-se em Custoza, com os austríacos saindo-se vitoriosos, o mesmo acontecendo em Lissa. Mas a Prússia venceu a guerra e o Vêneto foi cedido à Itália em agosto de 1866.

A Guerra Franco-Prussiana permitiu à Itália apoderar-se de Roma quando a legião francesa que protegia a cidade se retirou em 1870. Tropas italianas ocuparam os Estados Pontifícios e entraram e Roma, que se tornou a nova capital nacional.
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Após a unificação, o Reino da Itália continuou a se expandir e anexou terras austríacas de língua italiana nos Alpes, em 1919, após a derrota do Império Austro-Húngaro na 1ª Guerra Mundial. O Tirol do Sul, Trieste e Ístria foram cedidos à Itália pelo Tratado de Saint Germain. O Tratado de Latrão, de 1929, estabeleceu a Cidade do Vaticano como um Estado independente.

As duas guerras de curta duração transformaram a Itália, uma série de estados rivais e em boa medida controlados do exterior, em uma nação unificada, processo completado na década seguinte, quando as potências estrangeiras foram finalmente expulsas da península.



Fonte: Adaptado de War. Londres: DK Publishing, 2009



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domingo, 8 de março de 2009

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - ANITA GARIBALDI - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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Comemora-se hoje, em todo o mundo, o Dia Internacional da Mulher. O Blog Carlos Daroz-História Militar presta uma homenagem às diversas mulheres que, ao longo da História, desempenharam seu papel em guerras e revoluções. Começamos com a história de Anita Garibaldi.

Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva, também conhecida como Anita Garibaldi, foi a combativa esposa do herói italiano Giuseppe Garibaldi.

Anita nasceu na aldeia de Morrinhos, subúrbio do município de Laguna, em Santa Catarina. Seus pais eram descendentes de imigrantes dos Açores. Depois de perder o pai, casou-se, aos 15 anos, por insistência da mãe, com Manuel Duarte Aguiar. Esse matrimônio sem filhos foi um fracasso e durou pouco.

Em 1837, durante a Guerra dos Farrapos, Giuseppe Garibaldi, a serviço da República Rio-Grandense, tomou a cidade portuária de Laguna, transformando-a na primeira capital da República Juliana. Ali, conheceu Anita - e desde então permaneceram juntos. Entusiasmada com os ideais democráticos e liberais de Garibaldi, ela aprende a lutar com espadas e usar armas de fogo, convertendo-se na guerreira que o acompanharia em todos os combates.


A grande fuga

Durante a batalha de Curitibanos, o casal se separa, inadvertidamente, e Anita é capturada pelo exército imperial. Presa, os oficiais a informam de que Garibaldi morreu. Anita, que estava grávida, pede então que a deixem procurar o corpo de seu companheiro entre os mortos. Sem encontrá-lo, e suspeitando que estivesse vivo, ela se aproveita de um descuido dos soldados, salta sobre um cavalo e foge em meio aos disparos de seus perseguidores. Poucos quilômetros depois, depara-se com o rio Canoas e, sem hesitar, lança-se nas águas. A perseguição cessa, pois os soldados acreditam que ela esteja morta. Mas Anita passa à outra margem e vaga durante quatro dias pela mata, sem comer ou beber.

Finalmente, reencontra os rebeldes e, na cidade de Vacaria, une-se novamente a Garibaldi. Poucos meses depois nasceria o primeiro filho dos quatro que tiveram.

Posteriormente, em 1841, Anita e Garibaldi seguiram para Montevidéu. A cidade estava sitiada pelas forças do argentino Juan Manuel de Rosas, que apoiava Manuel Oribe contra o ditador Fructuoso Rivera. O casal luta ao lado de Oribe. O sítio durou cerca de nove anos, ao fim dos quais Rivera foi derrotado na batalha de Arroyo Grande.


Batalha de Gianicolo

Anita e Garibaldi casaram-se em 26 de março de 1842, na paróquia de San Bernardino. Em 1847, Garibaldi enviou Anita à Itália, como sua embaixadora, a fim de preparar o terreno para o grande retorno de seu marido, que, acompanhado de um exército de mil homens, pretendia desembarcar na Itália para lutar na primeira guerra da independência italiana, contra a Áustria.


Depois da chegada de Garibaldi, eles seguem para Roma, onde se proclama a República Romana. A cidade, contudo, é atacada por tropas franco-austríacas, e Anita, grávida do quinto filho, luta ao lado de Garibaldi na batalha de Gianicolo. Obrigados a bater em retirada, o casal foge acompanhado de um exército de quase quatro mil soldados. São perseguidos, contudo, por forças francesas, napolitanas e espanholas.

Durante a fuga, quando chegam a San Marino, que também havia se libertado dos austríacos, Garibaldi e Anita não aceitam o salvo-conduto oferecido pelo embaixador norte-americano e decidem prosseguir na fuga. Anita, entretanto, contrai febre tifóide e não resiste. Falece na fazenda Guiccioli, perto de Ravenna, em 4 de agosto de 1849.

Obrigado a fugir para o exílio, que duraria dez anos, Garibaldi sequer pôde acompanhar o funeral da esposa.

Chamada de "Heroína dos Dois Mundos", Anita está enterrada, ao lado de Garibaldi, na colina de Gianicolo, em Roma, onde ambos são homenageados com estátuas equestres.

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