"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 23 de agosto de 2022

OS SUBMARINOS BRITÂNICOS QUE DEFENDERAM A RÚSSIA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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Uma flotilha de submarinos do Reino Unido se uniu à Marinha Russa para combater os alemães na região do Mar Báltico. Após Revolução Russa, porém, as embarcações foram afundadas para não serem entregues ao inimigo.

Por Boris Egorov


Em pouquíssimas ocasiões, as tropas russas e britânicas lutaram lado a lado durante a Primeira Guerra Mundial. Cada país tinha suas próprias tarefas estratégicas. Um episódio, no entanto, foi praticamente esquecido: aquele em que as forças navais deste dois enormes impérios se uniram para combater a marinha alemã no mar Báltico.


Caminho perigoso

Para afetar a economia alemã, os britânicos decidiram cortar as rotas de fornecimento de minério de ferro da Suécia. Incapazes de fazê-lo sozinhos, eles decidiram aproveitar os portos e navios de guerra do Império Russo.

Além de objetivos militares estratégicos, a decisão de enviar a flotilha para o Mar Báltico teve um impacto psicológico. Winston Churchill, Primeiro Lorde do Almirantado, queria mostrar aos russos que os Aliados não os haviam esquecido e que o Reino Unido estava ao lado da Rússia.

Winston Churchill, Primeiro Lorde do Almirantado, inspeciona marinheiros durante Primeira Guerra Mundial

A ideia de enviar navios de superfície foi rapidamente descartada, porque era quase impossível atravessar o estreito dinamarquês, que era minado e monitorado pela marinha alemã.  Submarinos, porém,  conseguiam penetrar no Mar Báltico. Assim, dois dos três submarinos enviados conseguiram atravessar o estreito dinamarquês, mas o terceiro foi forçado a voltar.


Inverno rigoroso

A chegada dos submarinos britânicos foi uma surpresa para os russos, que não foram informados com antecedência sobre os planos de seu aliado. Os britânicos foram acolhidos calorosamente em Reval (hoje, a cidade de Tallinin, capital da Estônia), que se tornou a base das operações.

Submarino inglês HMS L 27 atracando no Báltico

Antes do combate, os marinheiros britânicos tiveram que sobreviver ao inverno, o que não foi tarefa fácil. De janeiro a abril, era impossível realizar operações submarinas no mar, já que as escotilhas e os periscópios estavam congelados.

Além disso, os marinheiros britânicos não tinham uniformes quentes o suficiente para as temperaturas do inverno russo e sofriam com a falta de rum. Os russos ajudaram os aliados fornecendo roupas e vodca.


Série de vitórias

No verão seguinte, a flotilha britânica foi reforçada com mais três submarinos, enquanto a Marinha Alemã iniciou uma operação no Golfo de Riga. Embora o número de navios alemães fosse o dobro do da frota russa do Báltico, o ataque foi repelido. Os marinheiros britânicos desempenharam papel significativo na batalha. 

Submarino inglês HMS E1

O submarino britânico HMS E-1, liderado pelo Capitão Noel Laurence, conseguiu danificar seriamente um dos mais importantes navios de guerra alemães - o cruzador de batalha Moltke. Devido a essa perda, os alemães abandonaram a operação e não entraram em Riga. O imperador Nikolai 2° se encontrou com Laurence e o premiou com a cruz de São Jorge, chamando-o de "salvador de Riga".


Após a Revolução 

Em 1916, os marinheiros britânicos foram forçados a descansar. Os alemães melhoraram suas táticas contra submarinos e limitaram bastante a atividade dos Aliados. Após a Revolução de Fevereiro de 1917, iniciou-se um verdadeiro caos no exército russo e a Marinha começou a desmoronar. Uma vez que os marinheiros russos se recusavam a obedecer os oficiais, o comandante da flotilha britânica, Francis Cromie, se tornou o chefe não oficial de todas as forças subaquáticas russas no Báltico.

Francis Cromie, comandante da flotilha de submarinos britânica: Segundo o czar, o "salvador de Riga" 

Quando os comunistas tomaram o poder, os submarinos russos e britânicos foram transferidos para a região da Finlândia. Em março de 1918, foi assinado o tratado de paz de Brest-Litovsk entre o novo governo bolchevique russo e as Potências Centrais, segundo o qual a Rússia devia entregar todos os submarinos à Alemanha. 

Lênin prometeu a Cromie não entregar os submarinos britânicos, mas acabou vendendo as embarcações ao imperador alemão Guilherme II. Os soldados britânicos, não querendo entregar os navios ao inimigo, afundaram todos os submarinos no Golfo da Finlândia e fugiram da Rússia por meio do porto de Murmansk, no extremo norte russo.

Fonte: Russia Beyond



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