"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 1 de maio de 2010

"O FANTASMA DA MORTE" – O TREM BLINDADO PAULISTA DE 1932

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A década de 1930, asseguram os especialistas,  foi o princípio do fim das ferrovias. Curiosamente, também foi um período em que elas se destacaram como coadjuvantes de acontecimentos que marcaram aqueles tempos. Um dos mais lembrados pelos estudiosos prende-se à participação do trem no transporte de tropas na Revolução de 1932, que colocou São Paulo contra o resto do Brasil, uma guerra civil travada em nome das eleições e da Constituição.

São Paulo podia se dar a esse luxo: era dono de uma malha formada por cinco importantes estradas de ferro que haviam propiciado a integração do estado, ainda no século passado, em favor da cafeicultura.

O "fantasma da morte" em sua configuração de combate com pintura camuflada


Além de levar os soldados para as frentes de batalha, o trem foi adaptado pelos paulistas para, no palavrear do então coronel Euclides Figueiredo, um dos comandantes do levante, "fazer incursões diabólicas nas linhas inimigas". Ele se referia ao trem blindado, ou "Fantasma da Morte", como foi apelidado pelos combatentes, uma composição formada por dois carros, um de cada lado da máquina e revestidos de aço (duas placas de aço entremeadas de pranchões de cerne de peroba duríssima).

Camuflado - era pintado com listas de diversas cores - o trem era armado com canhão de 75 milímetros e metralhadoras pesadas nos flancos, e carregava dois potentes holofotes na parte superior. "Quando ele entrava nas posições inimigas, fazia funcionar os holofotes, iluminando as trincheiras adversárias", escreveu Samuel Baccarat, autor do livro "Capacetes de aço". De acordo com o relato de Baccarat, "os soldados inimigos, desafeitos a essas coisas, tomavam-se de pânico, desabando pelos morros, inteiramente descobertos. Era o momento do trabalho infernal das metralhadoras".


Guarnição do trem blindado paulista posa para uma fotografia durante uma parada de abastecimento

Essa couraça invulnerável, segundo depoimento de Figueiredo feito em 4 de agosto de 1932, dia da estréia do aterrorizante blindado, "causou pavor entre os ditatoriais, que abandonaram as suas posições". Fernando Penteado Medici, autor do livro "Trem blindado", descreveu assim a ação da composição: "Dois quilômetros e o inimigo à vista. Os homens avançavam, certos de que era um trem de mercadoria, ou de víveres (realmente, como estava disfarçado), e, em posição de atirar, ajoelhavam pelos trilhos. As nossas metralhadoras picotaram os inconscientes. A primeira impressão foi dolorosa. Pungente mesmo. Presenciar umas cenas destas".

Apenas duas composições do trem blindado foram fabricadas, em Sorocaba-SP, especialmente para atender às tropas paulistas,  na revolução de 1932.

Fonte: Portal Railbuss



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6 comentários:

  1. Olá Carlos Daróz!! boa tarde!!! estou escrevendo pois li e vi seu artigo mas gostaria de ajuda-lo!!
    Sou o escritor do livro 1932 a Maquina de guerra de São Paulo, o fato é que São Paulo teve 6 trens blindados(3- sorocabana- 2 Mogiana e 1 central do Brasil ). Se necessitar mando a vc um exemplar do meu livro ok!! Abraço!!
    prmarinho47@gmail.com

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  2. Como posso adquirir esse livro 1932 a Maquina de guerra de São Paulo

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  3. Quem foi Paulo Duarte nessa história?

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    1. autor de "Palmares ao Avesso", talvez o melhor livro sobre a revolução de 32......

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  4. Paulo Duarte foi um dos comandantes do trem blindado, escreveu Palmares do Avesso, excelente livro .

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