"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 15 de novembro de 2011

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL TURENNE

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* 11/09/1611 – Sedan, França

+ 27/09/1675 – Salzbach, Palatinado

Henri de La Tour d’Auvergne nasceu em Sedan, em 11 de setembro de 1611, e recebeu uma educação Huguenote e a formação usual de um jovem nobre da época, mas uma enfermidade física e, particularmente, um impedimento da fala (que ele nunca perdeu), prejudicaram seu progresso, embora mostrasse um pendor destacado para a história e geografia, em especial a admiração das façanhas de Alexandre, o Grande, e César. Após a morte de seu pai em 1623, dedicou-se aos exercícios físicos e de uma certa forma superou sua fraqueza natural.
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Na idade de quatorze anos, Henri foi aprender a arte da guerra no campo de seu tio, Maurício de Nassau, Regente da Holanda e Príncipe de Orange, e começou sua carreira militar, como soldado na guarda do príncipe, durante a revolta holandesa.
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.Henri de La Tour d’Auvergne, mais tarde nomeado Visconde de Turenne e Marechal da França, aprendeu e praticou a arte militar com os seus dois tios Nassau (Maurício e Frederico-Henrique) e o sucessor militar de Gustavo Adolfo, Bernardo de Saxe-Weimar, que lhe transmitiu o melhor dos conhecimentos do célebre rei sueco. Foi também, na Idade Moderna, um dos poucos franceses que inspiraram Napoleão. Sobre ele, Napoleão disse: “De todos os generais que me precederam e talvez me seguirão, o maior de todos é Turenne.”

A arte da guerra no tempo de Turenne
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Para melhor compreendê-lo, é necessário recordar as condições em que se combatia então na Europa Ocidental, durante a Guerra dos Trinta Anos, quando Turenne iniciava sua carreira militar.
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.A arma principal no campo de batalha ainda era a cavalaria, aliás, desorganizada e pouco disciplinada, enquadrada por uma nobreza tão turbulenta quanto intrépida. A infantaria já se achava mais organizada; mas sua arma de fogo – o mosquete – demorava tanto para ser carregado, que precisava ser protegida pelos piqueiros, o que a tornava pesada e pouco manobrável. Os progressos que experimentou sob Nassau e Gustavo Adolfo consistiram, em resumo, na diminuição desses aspectos negativos e não na sua supressão. A artilharia estava ainda longe de assumir sua feição de arma e a engenharia somente apareceria no final do século XVII.
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Não se travava batalha senão quando se era obrigado a fazê-lo, pois o atacante raramente tinha vontade de se arriscar e preferia investir contra uma praça forte a ali ganhar os louros de um sítio vitorioso.
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No que diz respeito à logística, a subsistência das tropas influía na conduta das operações, pois elas viviam literalmente dos recursos locais, o que levava os generais a ocuparem, no fim de uma campanha, uma área que ainda dispunha de recursos para refazer seus exércitos.
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.De tudo isso, resultaram guerras longas, cujo desfecho era obtido por meio de uma lenta usura do adversário - aliada à habilidade militar e diplomática – e tenacidade; e não por um ato violento e decisivo – a batalha – tal como a encara a doutrina contemporânea.

O comandante militar
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Desde cedo Turenne revelou diversas virtudes militares. Na retirada que os franceses foram obrigados a fazer em 1635, do Reno para o oeste, Turenne, então um coronel comandante de regimento, partilhava com seus soldados os víveres que conseguia obter, esvaziava seus próprios trens para transportar os estropiados e cedia a um soldado esgotado pela marcha sua própria montaria, prosseguindo a pé. Com cerca de trinta anos de idade e dez de intensa vida profissional, já conquistara títulos de bravura e a reputação de “pai dos seus soldados”.
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Em 1643, o Governo deu-lhe o comando do Exército da Alemanha, o qual reorganizou com sacrifícios pessoais e disciplina. Em 1646, informado de que as tropas do Imperador e da Baviera, reunidas, marchavam contra os suecos, aliados dos franceses, Turenne, agindo por sua própria iniciativa, decidiu transpor o Reno em Wesel, a oitenta léguas do ponto que se achava, o que fez após marcha de 14 dias. Acompanhou o Reno para o sul, pela margem direita, e fez junção com os suecos.
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.Diante de forças inimigas mais numerosas, Turenne transpôs novamente o Reno, avançou em direção ao Danúbio, o qual também cruzou, e atingiu Augsburgo, na retaguarda dos austríacos, forçando-os a se retirar apressadamente para a Áustria. Os bávaros, abandonados por seus aliados austríacos, foram obrigados a aceitar a paz.

Selo francês homenagenado o Marechal Turenne

Em 1648, o marechal, unindo suas forças com as suecas, depois de transpor o Reno, repeliu os imperiais para o sul do Danúbio, atingiu e bateu sua retaguarda, comandada por outro general famoso de então – Montecuccoli -, perseguiu tenazmente a força adversária, caiu de surpresa sobre a passagem do rio Iser e atingiu o rio Inn, traçando, assim, a rota de Napoleão antes da batalha de Austerlitz.
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.Em suas operações em trono de Arras e de Dunquerque, revelou-se como o chefe que não deixava coisa alguma ao acaso; não só aquilo que se ligava ao fator material, mas, também, e em maior medida, ao aspecto moral.

Reorganização e novas campanhas
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No período que precedeu a Guerra da Devolução (1667-1668), Turenne empenhou-se na reorganização da cavalaria, procurando dela afastar os nobres que buscavam bater-se pela glória, mas que não se associavam à tropa em tempo de paz, substituindo-os por oficiais mais modestos que, em compensação, pudessem ganhar mais experiência e ser mais assíduos no cumprimento de seus deveres. E, para resolver de uma vez por todas os perniciosos efeitos de um oficial sem experiência assumir o comando de dois regimentos de cavalaria atuando juntos, tornou consagrada a instituição dos brigadeiros, reforma que, em breve, se estenderia à infantaria.
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Durante a Guerra da Holanda (1672-1678), realizou sua obra prima: a campanha da Alsácia. Acorrendo de Landau, apesar de se encontrar em grande inferioridade numérica, atacou os imperiais em Etzheim (1674), detendo a invasão alemã da Alsácia. Aparentando desistir da luta nessa província, fez com que suas forças atravessassem os Vosgues na região de Saverne, como se fossem invernar na Lorena. Não se detém aí e, já com a neve caindo pelos caminhos lamacentos dos Vosgues, entrou na Alsácia, surpreendeu os alemães e os derrotou, assim como o exército do Eleitor de Brandemburgo, reunido em Turkeim (5 de janeiro de 1675). Tal como prometera, liberou a Alsácia em uma campanha fulminante de dezesseis dias, sob condições adversas. Turenne tinha, então, 64 anos de idade.

A morte de Turenne, durante um reconhecimento no Palatinado

O legado de Turenne
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.Pouco depois da vitória na Alsácia, em seguida a uma nova transposição do Reno, Turenne foi morto durante um reconhecimento perto de Salzbach, no Palatinado .
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As campanhas de Turenne, quando projetadas sobre a paisagem geralmente monótona das operações dos dois últimos séculos da Idade Moderna, já o credenciariam como grande capitão. Suas idéias, no entanto, o credenciaram ainda mais como grande homem de guerra. Estudando o valor relativo dos teatros da Flandres e da Alsácia, alertou a Luís XIV sobre a maior importância do último, aconselhou-o sobre o melhor emprego a fazer de suas reservas e indicou Châlons como ponto mais recomendável para seu estacionamento. Uma vez mais desaconselhou a guerra de sítio e lançou a idéia mestra da defesa da França pela ofensiva além do Reno e pelo eixo do Danúbio.
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Turenne personificou bem o equilíbrio entre o talento e o caráter, equilíbrio que, no dizer de Napoleão, faz os grandes generais.

Fonte: Texto adaptado da obra A Arte da Guerra, de Francisco Ruas Santos.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MUSEU AEROESPACIAL RECEBE AVIÃO PRESIDENCIAL

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Aeronave VC-96, que voou 34 anos na Força Aérea Brasileira e serviu a sete Presidentes da República, ficará exposta no  Rio de Janeiro



Depois de 34 anos de serviço ao país, a aeronave VC-96 (Boeing 737) realiza na segunda-feira (7/11) sua última missão. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que apoiou o transporte de sete Presidentes da República, no período de 1976 a 2010, será levado de Brasília para o Rio de Janeiro e incorporado ao acervo do Museu Aeroespacial (MUSAL).

Em 1976, a FAB adquiriu dois aviões Boeing 737, batizados de VC-96, matrículas 2115 e 2116, para a substituição do antigo VC-92 (BAC-111), o primeiro jato do Grupo de Transporte Especial (GTE) e que estava em operação desde 1968 para o transporte presidencial. “A aeronave foi utilizada por 34 anos, transportou sete presidentes e permitiu que o Brasil se fizesse presente no exterior e nos quatro cantos do país”, afirma o Tenente Coronel Aviador Emilio Carlos Ambrogi, Comandante do GTE.

Da chegada desses aviões ao Brasil, em agosto de 1976, até a sua desativação, em 16 de abril do ano passado, os Boeing 737 da Força Aérea totalizaram mais de 50 mil horas de voo – o equivalente a mais de cinco anos ininterruptos de voo. Ao longo do período de operação, a aeronave passou por processos de modernização, como em 1989, quando teve a parte interna reconfigurada para um melhor cumprimento da missão.

Durante quase 10 anos, os VC-96 dividiram espaço nos hangares do GTE, em Brasília, e a honra de transportar presidentes com outra aeronave que já faz parte do acervo do MUSAL: o Vickers Viscount 789D (VC-90), que foi desativado na gestão do presidente João Figueiredo. O avião recebido pelo MUSAL, matrícula 2115, realizou mais de 20 mil pousos em missões de transporte presidencial.

Em 1980, o Boeing 737 da FAB realizou uma de suas missões mais lembradas: o VC-96 prefixo FAB 2116 percorreu 11 Estados transportando o Papa João Paulo II.

Os dois VC-96 (Boeing 737) foram substituídos no ano passado por modernas aeronaves VC-2 EMBRAER 190.


Ficha Técnica:

Comprimento: 30,48 m
Envergadura: 28,35 m
Altura: 11,28 m
Velocidade Máxima: 747 km/h


SAIBA MAIS – Museu Aeroespacial ( www.musal.aer.mil.br )



Fonte: Portal da Força Aérea Brasileira
 
 
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BATALHA DE RAMILLIES (1706)






Na manhã de 23 de maio de 1706, o Exército francês do Marechal Villeroi entrou em posição a oeste do alinhamento Ramillies – Autre-Église.  John Churchill – o Duque de Marlborough – que precedera o grosso de seu exército, reconhecendo o terreno, descobriu que, na região de Ramillies, havia elevações do terreno que permitiam a realização de movimentos sem que os franceses pudessem perceber.  Por outro lado, verificou que a posição inimiga se estendia de Autre-Église a Taviers, apoiando-se nessas localidades e nas de Offus e Ramillies, numa extensão de 5 km. O terreno era lamacento e os caminhos estavam em péssimo estado; logo o Exército Francês não teria condições de se reunir, ou seja, os elementos de uma ala não poderiam socorre a outra.



Tomada de dispositivo

Conforme a praxe da tática linear, os franceses não dispunham de unidades em reserva.  Embora não pudesse estar certo disto, Churchill concluiu que Vileroi ia desenvolver suas forças em linha côncava, voltada para os ingleses.  Avaliando a situação, Churchill concluiu que teria toda a vantagem na adoção de um dispositivo inicial convexo voltado para os franceses.  Assim, poderia deslocar, eventualmente, unidades de uma ala para outra, pela corda do arco, enquanto o adversário deveria percorrer o próprio arco.

Todavia, o deslocamento de unidades de uma para outra ala devia ser feito com velocidade e a coberto das vistas do inimigo.  O meio para isto era a depressão, com cerca de 2 km, existente no campo inglês.  Churchill estimou que, ao perceber o movimento, percorridos esses dois quilômetros, os franceses não mais teriam tempo para fazer-lhe frente.  De resto, as fintas e o combate frontal e fixador que Churchill pretendia realizar no setor norte e no centro impediriam o inimigo de assim reagir.

Marechal Villeroi, comandante francês em Ramillies


Villeroi, aproveitando lições aprendidas na Batalha de Blenheim, colocou no centro de seu dispositivo a cavalaria.  Infelizmente, não foi possível identificar a existência da depressão do terreno, cuja utilização seria decisiva para a manobra de Churchill.

A partir das 11:00 h, devido principalmente aos reconhecimentos procedidos pelos chefes, o Exército Britânico – 60 mil homens e cem canhões – entrou em posição.  Na direita do dispositivo, encontrava-se parte da melhor infantaria aliada, notadamente contingentes ingleses, cujo valor combativo era conhecido pelo adversário, o que o induziu a crer que o esforço principal dos aliados seria ao norte; atrás dessa infantaria, havia 39 esquadrões de cavalaria.  No centro, expressivos efetivos de infantaria e, na esquerda, efetivos de cavalaria de valor semelhante aos que lhes faziam frente, além de quatro batalhões holandeses próximos a Traviers.


A batalha e suas fases

A idéia de manobra dos britânicos era a seguinte:  atacar para fixar o inimigo ao centro, realizar um ataque diversionário ao norte, deslocar os esquadrões de cavalaria do norte para o sul e, com o máximo efetivo, esmagar a ala sul dos franceses.  A batalha de Ramillies transcorreu em quatro fases:

Na 1ª fase, entre 13:30h e 14:10h, a artilharia britânica abriu fogo no centro e abriu um corredor por onde ocorreria o movimento da cavalaria do norte para o sul.  Os aliados atacaram a linha francesa em Autre-Église, Offus, Ramillies e Taviers.

Na fase seguinte, sob a cortina dos ataques do norte e do centro, os 39 esquadrões de cavalaria mudaram rapidamente de ala, o que permitiu a Churchill apresentar, uma hora e meia após o início da batalha, sua ala esquerda  nitidamente superior ã ala direita francesa – 108 esquadrões contra 68.  No momento em que a cavalaria aliada atingiu a ala sul, Villeroi, desejando retomar Taviers, ocupada pelos holandeses, contra-atacou, engajando prematuramente sua segunda linha.  Seguiu-se uma confusão até a chegada da cavalaria que veio do norte e, em seguida, a ala direita francesa foi esmagada.  Dezoito esquadrões aliados iniciaram a penetração do dispositivo francês a cerca de 2 km a sudoeste de Ramillies, eanquanto Villeroi tentava reforçar sua ala esquerda com a cavalaria da direita, mas já era tarde: as retaguardas imediatas das linhas de frente estavam cheias de trens que haviam avançado muito, pois os franceses não haviam previsto a batalha nessa posição e nessa jornada.

Mapa mostrando a ruptura das linhas francesas pela cavalaria de Churchill

Em uma terceira fase, iniciada às 18:00h, Churchill, em perfeita ordem, depois de esmagar a flor da cavalaria francesa (da Maison Du Roi), fez uma conversão da direita.  O adversário apresentava-se em duas linhas: a primeira de infantaria e a segunda que começava a constituir com cavalaria, ambas em esquadro.

Na fase final da batalha, a infantaria francesa do braço norte do esquadro, ameaçada de ser tomada de revés, entrou em pânico e os aliados avançaram sobre suas posições, fazendo grande número de prisioneiros e tomando todos os canhões franceses.  A cavalaria britânica perseguiu os fugitivos por longa distância.

Combate corpo-a-corpo em Ramillies


Consequências

A batalha durara cinco horas, tempo excepcionalmente longo para os padrões da época.  Churchill entrou em Bruxelas e em Gand e só não obteve maiores êxitos porque se viu tolhido pelas intervenções inoportunas do governo holandês.


Fonte: Adaptado de A Arte da Guerra, de Francisco Ruas Santos




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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

IMAGEM DO DIA - 26/10/2011

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Cruzador D. Carlos, da Marinha Portuguesa, em 1899

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ARMAS – GLÁDIO


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Por mais de 250 anos, os legionários romanos entraram em combate armados com três elementos: o pilum (lança), o scutum (escudo) e o gladius (espada).  Essas três armas, combinadas com formidável disciplina, treinamento e rusticidade dos homens que as empunhavam, foram em grande parte responsáveis pela criação de um dos maiores impérios até então vistos.
O gladius, ou simplesmente gládio, consistia na perfeita arma de infantaria de emprego geral do mundo antigo, provada em batalha desde as florestas da Europa até as arenas de gladiadores de Roma.  Muito mais do que um tipo de espada, o gládio era uma arma revolucionária que mudou a configuração do combate durante os grandes dias da República e do Império romanos.

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Tipos de gládio
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A arma surgiu com o nome de gladius Hispaniensis, ou espada espanhola, durante o século II a.C.  Seu nome faz referência à origem espanhola.  De um modo geral, o gládio possuía uma lâmina de dois gumes, de comprimento entre 64 e 94 cm, com uma ponta afilada.  Os fios da lâmina corriam paralelos, distando de 4 a 5,5 cm.  Na extremidade oposta da ponta, havia o punho, acabado com um pomo que servia como contrapeso.
O gladius Hispaniensis era uma verdadeira arma de infantaria, perfeitamente equilibrada e empregada tanto para cortar como para perfurar.  A ponta afilada indica que a intenção inicial era utilizá-la para perfurar o oponente, pois era ideal para trespassar as finas armaduras da época.

Oficiais romanos com seus gládios embainhados

A partir do período dos Augustos (27 a.C. – 14 d.C.), no entanto, a espada espanhola foi substituída por outra variante mais compacta, com lâmina de comprimento 50-60 cm e largura 5-6 cm.  A nova arma - conhecida por Mainz/Fulham, uma referência a locais de escavação arqueológica onde foram encontradas - permitia maior mobilidade e era mais eficiente no combate aproximado.

O gladius Hispaniensis é descrito como “a espada que conquistou o mundo”, enquanto o Mainz/Fulham continuou a expansão durante o período dos Augustos.  Em meados do século I, ambos os tipos deram lugar a uma nova, chamada tipo Pompéia, como referência a exemplares encontrados nas ruínas daquela cidade.  O gládio Pompéia possuía as dimensões da lâmina reduzidas – comprimento 42-55 cm e peso em torno de 1 kg – e era uma arma leve; acredita-se que seu uso foi mais difundido entre os gladiadores nas arenas de Roma antiga.  O gládio Pompéia serviu aos romanos até meados do século II, quando foi finalmente substituído pela spatha, mais longa e pesada.


Centúria romana no ataque.  É possível ver os legionários das primeiras fileiras armados com os gládios


Em serviço
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Todos os tipos de gládio eram excelentes armas de combate, particularmente quando utilizados pelos legionários em conjunto com o pilum e o escudo.  Nas formações de combate, o gládio era empunhado pelo legionário com a mão direita; o escudo era levado com a esquerda.  A formação compacta de legionários permitia o lançamento do pilum e levar vantagem no combate aproximado.  Com seu dorso protegido pelo escudo, o legionário podia golpear, cortar ou perfurar o inimigo que se aventurasse diante das legiões.


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terça-feira, 25 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

IMAGEM DO DIA - 14/10/2011

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Durante a Guerra do Vietnã, soldados da 173ª Brigada Aeroterrestre dos EUA respondem ao fogo de um atirador vietnamita nas proximidades do rio Ai Lao.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FAÇA PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA MILITAR

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Encontram-se abertas as inscrições para mais uma turma de Especialização em História Militar na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). 


O curso de especialização visa a atender a necessidade de formação e aperfeiçoamento específicos dos estudiosos e interessados na História Militar; Estimular a ampliação da pesquisa científica na área da História Militar; Contribuir para o levantamento e análise de problemas da historiografia militar.


Foco do Curso

O sentido histórico implica necessariamente um olhar para o passado, mas, esse olhar está carregado de sentidos produzidos em nosso presente. Compreender a imbricação entre olhares e sentidos do presente para o estudo do passado é algo que requer esforço constante.

Ao longo dos últimos anos, a História como ciência dinamizou e revitalizou seus objetos e campos de pesquisa. A História Militar hoje pode ser entendida tanto como campo quanto objeto de estudo de pesquisadores das diferentes áreas das ciências humanas. Assim, a História Militar como campo de estudo revitalizado pelas novas perspectivas subsidia a missão militar e ilumina novos paradigmas.


Conteúdo do Curso

O conteúdo do Curso distribui-se em uma grade curricular que contempla a oito disciplinas divididas em três módulos não hierarquizados, ou seja, sem que um seja pré-requisito a realização do outro. Apresentam-se os três módulos e as disciplinas a eles relacionadas:


MÓDULO INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HISTÓRIA MILITAR:

1. Teoria e Metodologia da História;

2. Introdução ao Estudo da História Militar;

3. Tópicos Especiais: Memória e Representações Militares.



MÓDULO HISTÓRIA MILITAR GERAL:

1. Metodologia da Pesquisa Científica;

2. História Militar Geral I: das guerras da Idade Antiga à Idade Moderna;

3. História Militar Geral II: das guerras de Napoleão ao século XXI.



MÓDULO HISTÓRIA MILITAR BRASILEIRA:

1. História Militar Brasileira I: do período colonial ao monárquico;

2. História Militar Brasileira II: período republicano.


O quarto módulo refere-se exclusivamente à elaboração da Monografia. Para esta, deve-se ter concluído com êxito às disciplinas dos três módulos.


Objetivos do Curso

•Atender a necessidade de formação e aperfeiçoamento específicos dos estudiosos e interessados na História Militar universal e brasileira;

•Contribuir para o levantamento e análise de problemas da historiografia militar;

•Favorecer o interesse, o desenvolvimento dos estudos, as pesquisas, os conhecimentos e as confrontações dos temas pertinentes à área histórico-militar;

•Estimular a pesquisa científica na área da História Militar.


Perfil do Profissional

Pretende-se formar especialistas que:

•Conheçam aspectos que tangenciam a Doutrina Militar e a História Militar.

•Realizem estudos e pesquisas específicos em História Militar.

•Contribuam para a investigação, o levantamento e análise de problemas da historiografia militar.

•Atendam as demandas de ensino da História Militar nos estabelecimentos de ensino militar e nas universidades.


Diplomação

Especialista em História Militar.


A Unisul está credenciada pelo Ministério da Educação para ofertar cursos superiores a distância, conforme portarias MEC nºs 1.067/2003 e 2.146/2004. Os Diplomas têm validade em todo o Brasil.


Dados legais

•Legislação aplicável:

    Resolução cne/ces 01/2007.

    Resolução cee/sc 107/2007.

    Resolução câm-ges nº 163/08.

•Duração: 18 meses

•Número de créditos: 24

•Número de horas aula: 360h


Requisitos de Ingresso

•Diploma de conclusão de curso superior.

•Acesso a computador conectado à internet.


Investimento

•Inscrição: R$ 55,00

•Valor médio da mensalidade: 16x R$ 257,77*


Público-alvo

•Militares;

•Profissionais e/ou universitários da área de História.

•Profissionais das diversas áreas afins interessados no estudo e desenvolvimento de pesquisas em História Militar.


Mais detalhes em: http://www.unisul.br/posgraduacaovirtual/outros/historiamilitar/inscricoes.html




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ENCONTRO DE HISTÓRIA MILITAR NO CEPHMEx

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

RESTAURADO RENAULT FT-17 DO EXÉRCITO BRASILEIRO

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Em conjunto, o Centro de Instrução de Blindados (CIBld) e o Parque Regional de Manutenção da 3ª  Região Militar restauraram em condições de uso a viatura histórica Renault FT-17, primeira viatura blindada do Exército Brasileiro, adquirida em 1921. Em uso, na época, na Companhia de Carros de Assalto, sob o comando de José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

O Renault FT-17 restaurado foi apresentado oficialmente ontem, dia 05/10. em Santa Maria, na parada em comeração aos 90 anos do Blindado no Brasil.




Projetado e fabricado ao final da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), pesava apenas 6,5 toneladas e comportava dois tripulantes. A sua torre, com giro de 360º, tornou-se padrão em quase todos os carros de combate que vieram depois.

O FT-17 permanecerá no pádio do Centro de Instrução de Blindados em Santa Maria-RS.

 
Fonte: Defesanet
 
 
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O JAPÃO NA 1ª GUERRA MUNDIAL

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A Coreia foi anexada ao Império Japonês em 1910, sendo explorada e abusada até onde se pôde. Mas os japoneses queriam mais.

Durante a 1ª Guerra Mundial o Japão declarou guerra à Alemanha em 23 de agosto de 1914, desejando expandir sua esfera de influência na China e no Pacífico. Aliado ao Império Britânico, ambos deslocaram forças para ocupar Tsingtao – a fortaleza alemã da Esquadra do Leste da Ásia -, os territórios ocupados de Shandong na China, bem como as ilhas Marianas, Carolinas e Marshall, que faziam parte da Nova Guiné alemã. O cerco de Tsingtao e uma rápida invasão do território alemão de Jiaozhou foram bem sucedidos, com a rendição das tropas germânicas no início de novembro de 1914.

Fuzileiros navais japoneses desembarcando perto de Tsingtao

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Fiel a seus aliados, o Japão enviou uma força naval ao Mediterrâneo para auxiliar as ações antissubmarinas, enquanto consolidava sua posição na China por intermédio das “Vinte e Uma Exigências”, em janeiro de 1915. Com o sentimento antijaponês difundido na China e a condenação internacional de suas ações, o Japão retirou suas exigências e um tratado foi assinado em maio de 1915.

Em 1918, com a eclosão da Revolução Bolchevique na Rússia, o Japão e os EUA enviaram tropas para a Sibéria com a finalidade de apoiar o Exército Branco russo em sua resistência contra os bolcheviques.  Nessa intervenção, o Japão planejava empregar um exército de 70.000 soldados para ocupar a região a oeste do lago Baikal, no entanto, a execução foi limitada, pois, desconfiados das intenções japonesas, os norte-americanos retiraram seu apoio.

Réplica de uniforme de soldado japonês de 1915

Em 1919 o Japão propôs uma cláusula de igualdade racial para ser incluído na Liga das Nações, na conferência internacional de Paris. A cláusula, contudo, foi rejeitada por vários países ocidentais e não foi encaminhada para discussão na reunião plenária da conferência. Essa rejeição fez com que o Japão se afastasse do Ocidente, por sentir-se desprezado pelos antigos aliados, direcionando-se a políticas nacionalistas. Como resultado, a Aliança Anglo-Japonesa encerrou-se em 1923.

O Japão participou da guerra e, sem sofrer qualquer dano considerável, lucrou e equilibrou-se economicamente, consolidando a base do capitalismo que, até então, se achava instável. A procura de produtos japoneses pelos países que estavam participando diretamente da guerra era grande e trouxe progresso para as indústrias e incrementou a exportação.

 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SEMINÁRIO DE ESTUDOS - UNIVERSIDADE DA FORÇA AÉREA

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MASSADA: A ÚLTIMA FORTALEZA





O ano 72 d.C. estava próximo de seu fim quando um sentinela judeu, que montava guarda num posto avançado nas montanhas, avistou uma nuvem de poeira aproximando-se no horizonte. Ele sabia que aquilo só podia significar uma coisa: os romanos estavam chegando. Foi dado o alarme. A última fortaleza da resistência judaica despertou. A guerra havia chegado à Massada.


A fortaleza

Massada, que, provavelmente, significa "lugar seguro" ou "fortaleza", é um imponente planalto escarpado, situado no litoral sudoeste do Mar Morto. O local é uma fortaleza natural, com penhascos íngremes e terreno acidentado. Na parte leste, a face do penhasco se eleva 400 metros acima da planície circundante. O acesso só é possível através de uma difícil trilha que serpenteia pela montanha.

As vertentes norte e sul são igualmente escarpadas, mas o lado oeste é um pouco mais fácil de atingir. Ali, embora a montanha ainda se eleve a mais de 100 metros de altitude, o terreno sobe com uma inclinação de vinte graus até cerca de 13 metros do topo. O platô de Massada tem a forma aproximada de um losango, com cerca de 600 metros de comprimento e 300 metros na parte mais larga.

Planta da fortaleza

Flávio Josefo, o famoso historiador judeu do primeiro século, é a principal fonte de informação sobre a história de Massada. Embora alguns de seus relatos e números sejam muitas vezes questionados, grande parte do que ele descreveu foi confirmado pela arqueologia.

Massada tornou-se uma fortaleza judaica durante o período dos hasmoneus (cerca de 150-76 a.C.). Mais tarde, o rei Herodes fez ampliações e reforçou suas defesas (37-31 a.C.). Como era de se esperar, as reformas de Herodes foram impressionantes. Uma dupla muralha de pedra, com 140 metros de extensão e quase seis metros de altura em alguns pontos, estendia-se por todo o perímetro do platô. No espaço de 4 metros de largura que separava as duas muralhas, foram construídos vários quartos, que eram usados para guardar armas e alojar as tropas. A muralha tinha quatro portões e mais de trinta torres.

Herodes também construiu dois palácios com todo conforto e luxo da época: pisos de mosaicos, afrescos, colunatas e até uma piscina. Para garantir a auto-suficiência de seu refúgio no deserto, Herodes mandou plantar hortaliças e grãos na montanha, além de construir enormes cisternas escavadas na pedra para coletar água da chuva, com capacidade para mais de 40 milhões de litros. Suas despensas guardavam jarros de azeite, vinho, farinha e frutas. Herodes também tinha um estoque de armas suficiente para um exército de dez mil homens.  Depois da morte de Herodes, a fortaleza de Massada foi ocupada por uma guarnição romana que ficou aquartelada ali por quase cem anos.


Esboço mostrando como era a fortaleza de Massada por ocasião do asslto romano


Os sicários

Durante o censo de Quirino (6 d.C., cf. Lc 2.2), surgiu entre os judeus daquela região uma quarta filosofia ou seita (além dos fariseus, saduceus e essênios). Josefo apontou essa seita como responsável pela destruição do Templo de Jerusalém, em 70 d.C. Esse partido defendia a rebelião contra Roma e não reconhecia nenhuma autoridade, senão a divina. Seus seguidores eram conhecidos como sicários, do latim sica, que significa "adaga curva". Alguns estudiosos identificam os sicários com os zelotes.

Josefo não tinha muitas palavras boas a dizer sobre os sicários. Ele os definiu como bandidos, que não assassinavam só os romanos, mas matavam e saqueavam seus próprios compatriotas, cometendo crimes bárbaros e fomentando a revolta, sob uma capa de patriotismo e ideais libertários.

No ano de 66 d.C., um grupo desses rebeldes entrou furtivamente na fortaleza de Massada e dizimou a guarnição romana aquartelada ali, pertencente à Legião III Gallica. Pouco depois, o líder dos sicários, Manaém, chegou a Massada com seus homens, saqueou o arsenal e seguiu em direção a Jerusalém, como líder autoproclamado da revolta contra Roma. Chegando em Jerusalém, Manaém agiu com extrema crueldade, assassinando todos os que não se submetiam à sua autoridade. Sua opressão tornou-se tão insuportável que provocou um levante num grupo de judeus de Jerusalém que consideravam sua tirania pior que a de Roma. Nessa revolta, Manaém foi preso e executado. Muitos de seus seguidores, inclusive um parente seu chamado Eleazar ben Jair, fugiram para Massada, onde Eleazar tornou-se líder dos sicários.

Os sicários (também identificados como zelotes) eram guerreiros judaicos inspirados na trajetória do libertador Moisés


Durante os seis anos seguintes, os sicários de Massada demonstraram fervorosa devoção religiosa. Entretanto, em total incoerência com essa aparente piedade, Eleazar e seus homens costumavam atacar as povoações vizinhas, até mesmo as de judeus, para roubar provisões. A vila de En-Gedi, situada a cerca de 25 quilômetros ao norte de Massada, foi alvo de seu ataque mais cruel. Os sicários investiram contra a aldeia durante a Festa dos Pães Asmos, roubaram todos os mantimentos, expulsaram os habitantes judeus e, segundo Josefo, mataram setecentas pessoas.

Quando Jerusalém foi finalmente destruída pelos romanos, no ano 70 de nossa era, um pequeno punhado de sobreviventes dirigiu-se para Massada. Na época em que os romanos atacaram a fortaleza na montanha, no final de 72 d.C., a população judaica que ali vivia já somava 967 pessoas.


Os romanos cercam a fortaleza

Após a tomada de Jerusalém, os romanos começaram a operação de limpeza das áreas conquistadas. Dois baluartes judaicos remanescentes – Herodion e Maqueronte – foram rapidamente esmagados. Massada foi deixada para o novo procurador, general Flávio Silva.

Silva marchou em direção a Massada com a Legião X Fretensis e uma tropa auxiliar de milhares de soldados, além de milhares de prisioneiros judeus que trabalhavam como escravos, produzindo alimentos e fornecendo água para o exército.

Dispositivo romano ao redor de Massada

Ao chegar à base da fortaleza de Massada, Silva começou a elaborar uma estratégia para enfrentar o desanimador desafio que se erguia à sua frente. Após avaliar a situação, ele decidiu, primeiramente, construir oito acampamentos de base em torno da fortaleza. Um deles foi colocado na montanha que dava vista para Massada, no lado sul. O local era um ótimo posto de observação, permitindo acompanhar as atividades dos sicários. O quartel-general de Silva estava localizado em um dos acampamentos maiores, a noroeste da fortaleza.

O primeiro objetivo de Silva era impedir que os sicários escapassem. Para isso, construiu uma muralha de três quilômetros de extensão e quase dois metros de espessura, circundando toda a montanha.

O segundo objetivo de Silva era transpor a muralha defensiva no alto da montanha e penetrar na fortaleza. Ele sabia que um cerco prolongado estava fora de questão, pois Massada tinha uma abundante reserva de provisões. Então, decidiu construir uma rampa de assalto sobre a elevação natural na encosta oeste de Massada. Esse feito não foi nada desprezível. As tropas de Silva levaram grande quantidade de terra e pedras para o local, e usaram vigas de madeira de tamargueira, com 60 centímetros a 1 metro de comprimento, para escorar a pilha de entulho. Com esse material, construíram um plano inclinado que deve ter tido uns 160 metros de comprimento, 15 metros de largura e 8 metros de profundidade.


Mas os sicários sabiam muito bem quais eram as intenções dos romanos, e não ficaram assistindo de braços cruzados. Enquanto os romanos tentavam construir sua rampa, os judeus juntavam grandes pedras, pesando uns 50 quilogramas cada uma, e as mandavam rolando morro abaixo. Além disso, outros sicários arremessavam pedras menores com suas fundas.

Massada hoje: ainda é possível ver a rampa construída pelos romanos para assaltar a fortaleza

Mas a resistência foi em vão. O plano inclinado foi concluído e as enormes máquinas de guerra dos romanos entraram em ação. Uma dessas torres tinha entre 20 e 30 metros de altura, e, lá de cima, os romanos lançavam uma chuva de setas e pedras sobre os atarantados rebeldes.

A torre também tinha um poderoso aríete, composto de uma enorme tora de madeira com uma ponta de ferro no formato de cabeça de carneiro. A tora era suspensa por cordas, dentro da máquina de guerra. Os soldados empurravam a máquina até perto da muralha ou dos portões e, ao chegarem a uma distância suficiente, puxavam a tora para trás e depois a empurravam para a frente com toda a força. Josefo comentou que nenhuma muralha ou torre conseguia resistir à violência desses golpes.

Sabendo disso, os sicários usaram um sistema engenhoso para reforçar a muralha exterior. Usando as vigas dos telhados de 90 por cento das construções de Massada, eles construíram uma muralha de madeira por dentro da muralha de pedra e encheram de terra o espaço entre as duas. A muralha interna "deveria ter entre 20 e 25 metros de extensão, cerca de 18 metros de espessura e 7 a 8 metros de altura".

Aparentemente, o aríete tinha pouco efeito sobre este tipo de muralha, exceto o de compactar ainda mais a terra, a cada novo golpe. Mas o sucesso da nova muralha de madeira não durou muito, pois ela tinha uma grande fraqueza: podia ser queimada.

Silva ordenou que suas tropas lançassem tochas flamejantes sobre a muralha, e, em pouco tempo, ela estava em chamas. Quando um vento vindo do norte soprou as chamas de volta na direção dos romanos, os judeus cercados sentiram a esperança renascer. Mas os ventos mudaram outra vez, levando as chamas novamente para a muralha. Enquanto suas defesas queimavam rapidamente, os sicários perceberam que o fim estava próximo.


Tirando a própria vida

Em vez de investirem para a matança, os legionários voltaram a seus acampamentos para passar a noite, preparando-se para desferir o ataque final pela manhã. Porém, durante a noite, Eleazar ben Jair convenceu seus compatriotas, embora com certa dificuldade, de que era melhor morrerem livres do que sofrerem a tortura que certamente estaria reservada para eles e suas famílias, nas mãos dos romanos. O suicídio coletivo era preferível à escravidão. Com grande tristeza, cada chefe de família matou sua mulher e seus filhos. Em seguida, foram sorteados dez homens para matar os restantes. Desses, um foi selecionado para matar os outros nove, incendiar o palácio onde todos haviam tombado e, depois, suicidar-se.

Com o raiar do sol, as tropas romanas precipitaram-se pelas fendas da muralha, preparadas para entrar em combate contra a resistência, mas tudo o que encontraram foi o silêncio. Intrigados, os soldados gritaram para atrair os guerreiros. Em vez disso, viram surgir das sombras duas mulheres e cinco crianças, que haviam escapado do massacre da noite anterior escondendo-se em cavernas subterrâneas. Os sobreviventes contaram aos romanos o que os sicários tinham feito, mas eles só acreditaram quando entraram no palácio incendiado e contemplaram o monte de cadáveres.

As mortes ocorreram no décimo quinto dia do mês de nisã, segundo o calendário judaico, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos do ano de 73 d.C.


Massada hoje

No sítio de Masada foi erguida uma igreja ortodoxa no séculos V e VI.  Depois disso, o local permaneceu em estado de abandono até à criação do Estado de Israel, após a 2a Guerra Mundial.

O sítio foi objeto de uma extensa campanha arqueológica, entre os anos de 1963 e 1965, coordenada por Ygal Yadin, com a colaboração de centenas de voluntários provenientes não apenas de Israel, mas de todo o mundo.


Hoje o sítio de Massada é considerado parimônio mundial pela UNESCO e encontra-se aberto à visitação pública, com acesso pelo lado Sul, a partir da estrada de Bersheva. No local há estacionamento para veículos e um teleférico para acesso ao alto do monte. Para os mais aptos, a subida é gratuita pelo antigo "Caminho da Cobra", a primitiva trilha que percorre a encosta.

Atualmente, o moderno Estado de Israel homenageia Massada, não necessariamente por seus defensores, mas por seus ideais. As palavras do hino nacional israelense expressam o anseio do coração de todo judeu, desde que os romanos romperam as defesas de Massada: "Viver em liberdade na terra de Sião e Jerusalém".



Fontes: Torah Web e Aventuras na História

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domingo, 18 de setembro de 2011

NOTÍCIA - P-51 MUSTANG DA 2a GUERRA MUNDIAL CAI EM SHOW AÉREO NOS EUA





A queda de um avião de pequeno porte sobre o público durante uma competição aérea na cidade de Reno, no estado norte-americano de Nevada, matou pelo menos três pessoas e deixou ao menos 56 feridos, segundo as autoridades. A informação inicial era de 75 feridos.
O acidente ocorreu às 16h30 locais desta sexta-feira (16). O piloto e outras duas pessoas que estavam em solo morreram.  Imagens da TV local KRNV-TV mostraram corpos ensanguentados e destroços, em um ambiente de caos.
Gravado aparentemente da arquibancada principal, ele mostra o público dizendo "Oh, meu Deus" após a queda da aeronave, que ergueu uma nuvem de fumaça e provocou um incêndio.
Jeff Martinez, homem do tempo da KRNV, estava no local. Ele disse que o avião virou para a direita e então caiu direto, de bico, em direção ao chão.
 "Ninguém acreditou." Ele era o dono do avião, um caça P-51 Mustang, do tempo da Segunda Guerra Mundial.  
"A gente via pedaços e partes por todos os lados", disse Martinez. 

Momento do impacto do P-51 com o solo


Piloto experiente

Mike Houghton, presidente da empresa responsável pela National Championship Air Races, disse que o piloto Jimmy Leeward, de 80 anos, natural de Ocala, no estado da Flórida, morreu no acidente.
Leeward, segundo o empresário, era um piloto experiente, que trabalhou como de dublê em filmes de ficção como "Amélia". Ele voava desde 1975.
Fonte: G1.F
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