"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ARMAS – GLÁDIO


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Por mais de 250 anos, os legionários romanos entraram em combate armados com três elementos: o pilum (lança), o scutum (escudo) e o gladius (espada).  Essas três armas, combinadas com formidável disciplina, treinamento e rusticidade dos homens que as empunhavam, foram em grande parte responsáveis pela criação de um dos maiores impérios até então vistos.
O gladius, ou simplesmente gládio, consistia na perfeita arma de infantaria de emprego geral do mundo antigo, provada em batalha desde as florestas da Europa até as arenas de gladiadores de Roma.  Muito mais do que um tipo de espada, o gládio era uma arma revolucionária que mudou a configuração do combate durante os grandes dias da República e do Império romanos.

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Tipos de gládio
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A arma surgiu com o nome de gladius Hispaniensis, ou espada espanhola, durante o século II a.C.  Seu nome faz referência à origem espanhola.  De um modo geral, o gládio possuía uma lâmina de dois gumes, de comprimento entre 64 e 94 cm, com uma ponta afilada.  Os fios da lâmina corriam paralelos, distando de 4 a 5,5 cm.  Na extremidade oposta da ponta, havia o punho, acabado com um pomo que servia como contrapeso.
O gladius Hispaniensis era uma verdadeira arma de infantaria, perfeitamente equilibrada e empregada tanto para cortar como para perfurar.  A ponta afilada indica que a intenção inicial era utilizá-la para perfurar o oponente, pois era ideal para trespassar as finas armaduras da época.

Oficiais romanos com seus gládios embainhados

A partir do período dos Augustos (27 a.C. – 14 d.C.), no entanto, a espada espanhola foi substituída por outra variante mais compacta, com lâmina de comprimento 50-60 cm e largura 5-6 cm.  A nova arma - conhecida por Mainz/Fulham, uma referência a locais de escavação arqueológica onde foram encontradas - permitia maior mobilidade e era mais eficiente no combate aproximado.

O gladius Hispaniensis é descrito como “a espada que conquistou o mundo”, enquanto o Mainz/Fulham continuou a expansão durante o período dos Augustos.  Em meados do século I, ambos os tipos deram lugar a uma nova, chamada tipo Pompéia, como referência a exemplares encontrados nas ruínas daquela cidade.  O gládio Pompéia possuía as dimensões da lâmina reduzidas – comprimento 42-55 cm e peso em torno de 1 kg – e era uma arma leve; acredita-se que seu uso foi mais difundido entre os gladiadores nas arenas de Roma antiga.  O gládio Pompéia serviu aos romanos até meados do século II, quando foi finalmente substituído pela spatha, mais longa e pesada.


Centúria romana no ataque.  É possível ver os legionários das primeiras fileiras armados com os gládios


Em serviço
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Todos os tipos de gládio eram excelentes armas de combate, particularmente quando utilizados pelos legionários em conjunto com o pilum e o escudo.  Nas formações de combate, o gládio era empunhado pelo legionário com a mão direita; o escudo era levado com a esquerda.  A formação compacta de legionários permitia o lançamento do pilum e levar vantagem no combate aproximado.  Com seu dorso protegido pelo escudo, o legionário podia golpear, cortar ou perfurar o inimigo que se aventurasse diante das legiões.


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