"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

CAMPO DOS AFONSOS COMEMORA CEM ANOS

 

 


Foi no Campo dos Afonsos que surgiu a 1ª escola de pilotos do País; de lá também saíram combatentes em décadas de revoluções
 
 
Quando voar ainda era uma aventura em aviões de madeira e tela amarrados com corda de piano e motores de carro para decolar de ruas e pousar em praias, um grupo de amantes da aviação procurava, no Rio, um local para o primeiro campo de aviação do País. A comissão do Aero Club Brasileiro escolheu uma região na zona oeste, propriedade do Ministério da Justiça. Ali, no terreno cedido "a título precário" em 12/12/12, nasceu o Campo dos Afonsos.
 
"Aqui começou a ser delineado o poder aeroespacial do Brasil", diz a cientista política Maria José Machado de Almeida, professora da Universidade da Força Aérea (Unifa). A instituição fica ao lado da Base Aérea dos Afonsos - hoje em uma região urbanizada.
 
Ali foram criados a primeira escola brasileira de aviação militar, o Correio Aéreo Nacional e a primeira unidade aérea (o Grupo Misto de Aviação) e construído o avião M-7, nos anos 1930. Também pelos Afonsos passou boa parte das conspirações e revoluções que agitaram a República brasileira em seus primeiros 70 anos. Dali saíram combatentes dos movimentos de 1922, 1924, 1930, 1932 e 1935.

O Zeppelin chegando ao Campo dos Afonsos

 
Os cem anos do campo foram investigados por pesquisadores do Centro de Memória do Ensino da Unifa, coordenados pela tenente-coronel e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) Maria Luiza Cardoso. Em sua busca pelo passado, os pesquisadores do núcleo localizaram a origem do local na época colonial.
 
Ali, na segunda metade do século 17, surgiu o engenho de cana de Luiz Paredes, um cristão novo (judeu convertido), cuja filha, Inês Paredes, que tivera com uma escrava, casou-se com João Afonso de Oliveira. Assim, o lugar acabou conhecido como Fazenda dos Afonsos. Logo, porém, mudaria de dono. "Em 1713, a Inquisição chegou e fez uma devassa nas propriedades de judeus cristão novos", conta o historiador Gustavo de Mello, do Museu Aeroespacial.
 
A propriedade foi parar com um provedor das Ordens da Candelária e da Santa Casa de Misericórdia. Com o passar dos anos, mudou de donos e parte foi doada para o Ministério da Justiça. Foi lá que, em 12 de dezembro de 1912, foi cedida a área para o campo do Aero Club.
 

O Campo dos Afonsos hoje
 
 
Em uma época em que os aviões despontavam como arma de guerra, os militares logo chegaram aos Afonsos. Em 1914, foi fundada ali a Escola Brasileira de Aviação, criada pelo Exército com apoio de italianos. Em poucos meses, contudo, a experiência fracassou. A unidade foi desativada, mas membros do Aero Club como o tenente Bento Ribeiro e o italiano Ernesto Darioli passaram a ensinar aviação a quem quisesse aprender.
 
Evolução. Iniciada em 1919, a Missão Militar Francesa, de certa forma, encerrou no Brasil a fase da "aviação de arco e flecha", como se diz no meio aeronáutico. Logo após a Primeira Guerra Mundial, os instrutores da França, na nova Escola de Aviação Militar, trouxeram para os brasileiros uma doutrina de uso racional dos aviões. "Havia outras experiências de aviação no Brasil", afirma o pesquisador Mauro Vicente Sales. "Foi no Campo dos Afonsos que ela surgiu de maneira sustentada, com instrução de pilotos, operários e mecânicos."
 
Com os anos, o Campo dos Afonsos virou o primeiro aeroporto do Rio. Em 1925, aviões Breguet 14 da Companhia Latécoère, da França, saíram dali para Buenos Aires, para estabelecer uma linha área postal. Dois anos depois, já com o nome de Aeropostale, passou a operar as comunicações da Europa com o Brasil. Com sede no Campo dos Afonsos, a empresa, depois, passaria a se chamar Air France.
 
Em 24 de maio de 1930, o dirigível LZ-127 Graf Zeppelin chegou ao Campo dos Afonsos. "Quando o Zeppelin pousou aqui pela primeira vez, houve o primeiro engarrafamento da história do Rio", conta Mello.
 

 
Fonte: O Estado de São Paulo

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