"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ARMAS - FUZIL CHASSEPOT

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O Chassepot, oficialmente conhecido como o Fuzil modèle 1866, era um fuzil de repetição de ferrolho, famoso por ser a arma empregada pelas tropas francesas durante a Guerra Franco-Prusiana. Substituiu a uma grande variedade de fuzis de antecarga Minié, muitos dos quais tinham sido modificados como fuzis de retrocarga em 1867 (Fuzil Tabatière). Sendo uma grande melhora com respeito aos fuzis militares existentes em 1866, o Chassepot marcou o início de era dos fuzis de ferrolho. A partir de 1874, o fuzil foi modificado com facilidade para empregar cartuchos metálicos - com a denominação de Fuzil Gras.

Antoine Alphonse Chassepot

O fuzil era fabricado pela Manufacture d'Armes de St. Etienne (MAS), Manufacture d'Armes de Châtellerault (MAC) and Manufacture d'Armes de Tulle (MAT). Vários destes fuzis foram fabricados sob licença na Inglaterra (Potts and Hunt), Bélgica (diversas empresas de Lieja), bem como em Placentia e Brescia (posteriormente Itália). O número aproximado de fuzis Chassepot disponíveis para o Exército francês em 1870, era de 1.200.000 unidades. A fabricação do Chassepot foi cancelada em fevereiro de 1875, quatro anos após o final da Guerra Franco-Prusiana.

O Chassepot foi chamado assim em homenagem a seu inventor, Antoine Alphonse Chassepot (1833-1905) que, desde 1857, tinha construído vários modelos experimentais de fuzis de retrocarga. O desenvolvimento da Guerra de Secessão norte-americana ou as mais próximas de Prússia contra a Dinamarca ou contra Áustria demonstrou claramente a superioridade das armas de retrocarga com cartuchos integrais (que incluem o fulminante). Baseando no sistema de agulha e cartucho combustível do fuzil Dreyse, este desenvolveu seu próprio fuzil.

Em uma competição contra os sistemas Fave e Plumere, realizada em 11 de julho de 1866 no campo de Châlons sul Marne, o sistema de Chassepot saiu-se vencedor. No mês seguinte obteve a patente francesa pela invenção de um "fuzil de agulha do chamado sistema Chassepot". Prevendo o sucesso de seu sistema, registou também patentes na Bélgica, Espanha e Estados Unidos.

Mecanismo de disparo do fuzil Chassepot


Em combate

Adotado para o serviço em momentos em que tinha lugar um intenso debate, a raiz do sucesso obtido pelo fuzil prusiano Dreyse na Batalha de Sadowa (3 de julho de 1866), no ano seguinte o Chassepot foi empregado em combate pela primeira vez, na batalha de Mentana. As tropas francesas equipadas com Chassepots derrotaram as forças dirigidas por Giuseppe Garibaldi devido ao maior alcance e velocidade de disparo de seus fuzis, com respeito às obsoletas armas de antecarga dos garibaldinos. O relatório enviado ao Parlamento francês mencionava que "Lhes Chassepots ont fait merveille!", em uma tradução livre: "os Chassepots fizeram maravilhas!". A verdade era que as pesadas balas cilíndricas de chumbo disparadas a grande velocidade pelo fuzil Chassepot produziam feridas bem mais graves do que as produzidas pelo fuzil Minié.

O fuzil foi utilizado pelo exército francês pouco depois de terminada a segunda intervenção francesa no México (1862-1867) e durante a Guerra Franco-Prusiana (1870-1871), bem como em diversos conflitos coloniais contemporâneos.

Na Guerra Franco-Prusiana, o Chassepot demonstrou ser superior ao fuzil alemão Dreyse ao dobrar o alcance deste último. Apesar de ser de um calibre inferior (11 mm diante de 15,4 mm do fuzil alemão), o cartucho do Chassepot tinha maior quantidade de pólvora e, portanto, maior velocidade inicial (33% superior à do Dreyse), obtendo uma trajetória mais estável e um maior alcance (próximo aos 1.300 metros). Graças ao comprimento do cano, conseguia uma precisão e penetração superiores. Os Chassepots foram responsáveis pela maior parte das baixas prusianas durante este conflito.

Atirador francês armado com fuzil Chassepot durante a Guerra Franco-Prussiana


O fuzil Chassepot foi substituído no Exército Francês, a partir de 1874, pelo fuzil Gras, que empregava um cartucho metálico. Muitos dos Chassepots foram modificados para usar este cartucho (Fuzil modelo 1866/74). Também foi usado pelo Exército peruano e o pelo Exército boliviano na Guerra do Pacífico (1879-1884).


No Brasil

O Brasil chegou a estudar a sua adoção para a guerra do Paraguai, sendo ela uma das armas que passaram pelos testes competitivos que foram feitos a partir de 1868. Não foi a escolhida, contudo, a Roberts sendo adotada para testes em grande escala.

Apesar disso, em 1872, o Império se viu frente à uma nova ameaça de guerra no Sul, em torno das excessivas reivindicações territoriais feitas pela Argentina após a derrota do Paraguai (ela pedia cerca de 50% do território do inimigo derrotado, o que não era aceitável para o Império).

Como uma forma de enfrentar a ameaça de conflito, o ministro da Guerra informou no relatório daquele ano, que o governo tinha adquirido 8.631 "espingardas Chassepot, que foram compradas por motivos que não são desconhecidos, e porque era a única espécie de arma moderna de que havia provisão nos mercados da Europa".

Essas armas, entretanto, nunca foram distribuídas oficialmente ao Exército, apesar da Comissão de Melhoramentos ter preparado e mandado publicar uma edição de 3.000 exemplares de um manual dela. Não havia razões de repassá-las para a tropa, quando já havia a decisão de compra das Comblain.



Características


Peso - 4,63 kg
Comprimento - 1,30 m (sem baioneta); 1,88 m (com baioneta)
Munição - Cartucho de papel 11 mm Chassepot
Calibre - 11 mm
Funcionamento - Repetição
Alcance útil - 1.200 a 1.300 m

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5 comentários:

  1. Uma pergunta: a grande quantidade de baionetas "yatagan" Chassepot que circulam no nosso mercado de cutelaria militar, às quais é atribuido, indevidamente, conforme consta do seu texto,uso militar na Guerra do Paraguai,teriam origem comprovada nessa compra feita pelo Ministério da Guerra?
    Pergunto porque existem outras possibilidades de origem, como a Argentina que, segundo lí, chegou a fabricá-las.
    Grato,
    P. Figueiredo

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  2. Caro P. Figueiredo

    Com respeito a sua pergunta, não consta que o Exército Brasileiro tenha adquirido outros lotes de armamento Chassepot. Em função da quantidade recebida - 8.631 -, é bem provável que as baionetas hoje existentes no mercado sejam provenientes dessa compra.

    Obrigado por visitar nosso Blog.

    Um abraço,
    Carlos Daroz

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  3. Prezado Carlos,
    Grato pela resposta.
    Ando curioso em saber a destinação dada a esses fuzis, já que não foram utilizados na Guerra do Paraguai.
    Eu comprei, semana passada, num antiquário de Salvador, a baioneta "yatagan" que equipa o fuzil Chassepot.
    Estava coberta por uma densa camada de ferrugem e, quando a removí, percebí qua a peça apresentava um grande desgaste, compatível com muitos anos de polimento.
    Os ângulos retos formados pelos vazados nas laterias da lâmina, em uma baioneta sem uso,na minha baioneta desapareceram.
    Não me parece ter sido esse polimento da lâmina trabalho de um colecionador.
    Acredito que o o Min. da Guerra lhe tenha dado outra destinação.
    Vou retornar ao antiquário para tentar colher alguma informação sobre a orgem (recente) dessa baioneta.
    Abs,
    Pedro Figueiredo

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  4. Excelente!
    Sr. Carlos,
    mandei um mail para cdaroz@yahoo.com.br
    se o senhor puder fazer a gentileza de me ajudar, serei muito grato.

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  5. Vi dois exemplares deste fuzil num museu na Cidade de Santa Maria no RS,ambos estão extremamente conservados um é um original para disparar cartuchos de papel e outro já convertido para cartucho metálico.Em ambos há o simbolo de armas do império sob o ponto de cano-caixa de culatra,talvez o ministério da guerra tenha comprado partidas deste fuzil como material suplementar para tropas de segundo escalão ou para dotar forças de segurança publica nos estados,ou melhor,nas provincias.

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