"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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sábado, 4 de dezembro de 2021

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CORONEL JOÃO NIEDERAUER SOBRINHO

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* 4/4/1827 - Três Forquilhas-RS

+ 13/12/1868 - Villeta, Paraguai



O Coronel João Niederauer Sobrinho nasceu em 4 de abril de 1827, na colônia alemã de Três Forquilhas, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, hoje Estado do Rio Grande do Sul. Era filho dos imigrantes alemães Felippe Leonardo Niederauer e Anna Catharina Diehl.

Em 1840, a família mudou-se para Santa Maria da Boca do Monte, mas o pequeno João permaneceu em São Leopoldo, estudando. Após uma temporada passada em Porto Alegre, trabalhando em uma casa comercial, juntou-se à família em Santa Maria, em 1844. Aí passou a trabalhar no curtume e selaria do pai, até viajar a negócios para São Borja, de onde só retornou em 1847.

A partir de então, passou a trabalhar com o tio e padrinho João Niederauer, cuja filha viria mais tarde a desposar. Em 1851, irrompeu a Guerra contra Oribe e Rosas, os caudilhos platinos que desafiavam os interesses brasileiros na região. João Niederauer, com apenas 23 anos, apresentou-se como voluntário, sendo nomeado alferes do 1º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional do Distrito de Santa Maria. Essa nomeação denota o prestígio de que já desfrutava em sua terra adotiva.

Ao retornar da campanha, ostentava a Medalha de Prata com fita verde, por serviços relevantes e logo foi promovido a capitão. Em 21 de setembro de 1852, casou-se com a prima Maria Catharina, na igrejinha que existia no mesmo local onde hoje se ergue o monumento em sua homenagem, na Avenida Rio Branco, próximo à Praça Saldanha Marinho.

Durou pouco a permanência em casa, pois já em março de 1854, apenas 3 meses após o nascimento da primogênita, Delfina, o capitão Niederauer era chamado a integrar, com seu Esquadrão da Guarda Nacional Santamariense, a Divisão Imperial Auxiliadora, enviada ao Uruguai, a pedido do Governo daquele país, para pacificá-lo. Ao retornar a Santa Maria, em 1855, era já um dos mais influentes cidadãos de sua comunidade que àquela época se esforçava pela emancipação política de Cachoeira do Sul.

Voltou ao serviço em campanha nos anos de 1857 e 1858, no 4º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional, que integrava o Exército de Observação no Ibicuí, encarregado de vigiar as fronteiras com os países do Prata, então em constante agitação político-militar. Provavelmente por esse motivo, deixou de participar da Câmara Municipal de Vereadores que instalou a nova Vila de Santa Maria da Boca do Monte, em 17 de maio de 1858.

Em 30 de maio de 1860, com apenas 33 anos, foi promovido a tenente-coronel do 41º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional, sediado em Santa Maria. Em 7 de setembro do mesmo ano, foi eleito para a 2ª Câmara de Vereadores de Santa Maria com a terceira maior votação, para um mandato de 4 anos. Durante seu mandato, exerceu por largos períodos o cargo de Presidente da Câmara, que à época era também o Chefe do Poder Executivo Municipal.

Nas eleições seguintes, em 7 de setembro de 1864, foi o vereador mais votado, mas deixou de assumir o cargo por ter de seguir novamente para a guerra, em mais uma intervenção brasileira no Uruguai, em meio aos desmandos da administração de Aguirre. Deixava pela última vez sua casa, sua família e a terra adotiva. Maria Catharina estava grávida da última filha, Adelaide, que ele não chegaria a conhecer.

Na Campanha contra Aguirre, Niederauer comandou o 7º Corpo Provisório de Cavalaria, formado por voluntários santamarienses. Em 2 de janeiro de 1865, essa tropa participou da conquista de Paissandu e do cerco a Montevidéu, que capitulou a 21 de fevereiro do mesmo ano.

Frustraram-se as esperanças dos bravos cavalarianos de Niederauer de voltar para casa, pois uma nova e mais sangrenta guerra desenhava-se nos charcos do Paraguai. O apresamento do vapor brasileiro Marquês de Olinda e a invasão dos territórios do estado brasileiro do Mato Grosso e da província argentina de Corrientes por forças paraguaias ensejaram o tratado da Tríplice Aliança e a consequente declaração de guerra ao Paraguai.

Cavalarianos brasileiros na Guerra do Paraguai

Em 18 de maio de 1866, foi promovido a coronel e nomeado Comandante Superior da Guarda Nacional de Santa Maria da Boca do Monte e São Martinho, em substituição ao Coronel José Alves Valença, que falecera em Corrientes.

Nas operações da Guerra do Paraguai, comandou a 3ª Brigada de Cavalaria e a 2ª Divisão de Cavalaria. Nessa campanha, enriqueceu com páginas de heroísmo e bravura a História Militar Brasileira.

Além do reconhecimento e admiração de seus superiores, por quem foi muitas vezes oficialmente elogiado, e da estima e respeito de seus comandados, que quase o endeusavam, Niederauer foi agraciado com as mais importantes condecorações do Império: a Ordem da Rosa, por bravura no campo de batalha, após a Batalha de Tuiuti; e a Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul, também por bravura, em 2 de abril de 1868.

Depois de participar, à frente de seus cavalarianos santamarienses, de 14 combates e duas batalhas, o Coronel Niederauer foi mortalmente ferido por um lançaço quando coordenava o recolhimento dos mortos e feridos, após a Batalha do Avaí, na qual mais uma vez cobrira-se de glória, em 11 de dezembro de 1868. Viria a falecer dois dias depois, no Hospital de Villeta, e ali perto sepultado. Seus restos mortais nunca foram identificados.

O quartel construído para o 7º Regimento de Infantaria, hoje da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, ostenta na fachada o nome de seu patrono.

Niederauer foi objeto de inúmeras homenagens em sua cidade adotiva. Com razão considerado o mais notável herói militar santamariense, foi-lhe erigido um monumento no centro da cidade, em 1922, no contexto das celebrações do Centenário da Independência. Além disso, uma das mais importantes ruas que do Oeste demandam o centro da cidade recebeu o seu nome.

O Exército Brasileiro homenageou-o no centenário de sua morte, em 1968, dando-lhe o nome à Vila Militar da Avenida Borges de Medeiros; e em 1992, consagrando-o como o Patrono da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, cuja sede, bem como as de 11 de suas 14 organizações militares orgânicas, está em Santa Maria.

Fontes:

6ª Bda Inf Bld

BRENNER, José Antonio. A saga dos Niederauer.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - BRIGADEIRO JOÃO MANOEL MENNA BARRETO

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* 24/1/1824 – Porto Alegre-RS

+ 12/8/1869 – Peribebuí, Paraguai

 João Manoel Menna Barreto nasceu em 24 de janeiro de 1824, em Porto Alegre. Era filho legitimado do Marechal-de-Exército João de Deus Menna Barreto, Visconde de São Gabriel. Casou com dona Maria Balbino Palmeiro da Fontoura, irmã da Baronesa de São Gabriel, em 27 de agosto de 1849. O casal teve cinco filhos: o general João Manoel Menna Barreto Filho, o general João Carlos Menna Barreto, Dona Adelaide Menna Barreto, Dona Maria Balbina Menna Barreto e dona Alice Menna Barreto.  

João Manoel assentou praça como voluntário em 1º de julho de 1839, no 1º Regimento de Cavalaria.

Em março de 1841, passou para o 2º Regimento da mesma arma. Foi promovido a alferes em 27 de maio de 1842. A tenente em 30 de setembro de 1846, no 4º Regimento de Cavalaria. A capitão em 27 de agosto de 1849. Por merecimento, em decreto de 14 de abril de 1855, foi promovido a major no 3º Regimento. A tenente-coronel, por merecimento, em 2 de dezembro de 1859. A coronel, por merecimento, em 18 de fevereiro de 1865. E, finalmente, a brigadeiro em 1º de junho de 1867. Foi condecorado com a medalha da Campanha do Estado Oriental (1851-1852), com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1858), com o hábito da Ordem de São Bento de Aviz (1860), com o grau de Oficial da Ordem do Cruzeiro (1865), com o grau de Grande Dignitário da Ordem da Rosa (1869) e com a Medalha de Mérito Militar.

De março de 1841 a março de 1845, João Manoel participou da campanha da província, até a pacificação do Rio Grande do Sul. Posteriormente, em 1851 e 1852, participou da Campanha do Estado Oriental, nas operações contra Rosas e Oribe, tendo atuado no ataque a Paissandu, no Uruguai. O famoso "Combate de São Borja" ocorreu a 10 de junho de 1865, nos primórdios da Guerra do Paraguai. Em seguida, veio o combate de Potrero-Obella, em 29 de outubro de 1867, e o de Taji, em 2 de novembro de 1867.

1868 foi um ano glorioso para João Manoel. Tomou parte no Combate de Jacaré, no dia 7 de junho, e distinguiu-se particularmente no dia 21 de dezembro, ocasião em que se apoderou das trincheiras do Piquissiri, atacando-as de flanco por ordem de Caxias e ficando senhor de mais de 30 canhões.

No ataque de Peribebuí, João Manoel foi ferido mortalmente e faleceu a 12 de agosto de 1869. Lutava na vanguarda, como era de seu feitio, e já conquistara vários troféus de guerra, como bandeiras e armas do inimigo.

Por ocasião da Guerra do Paraguai, na ordem do dia do Exército Nacional, relativa ao dia em que João Manoel faleceu, foi registrado e lamentado o acontecimento. Ficou também assinalado o seu ingresso na História do Brasil. Em sua homenagem, o Exército Brasileiro concedeu ao 2º regimento de Cavalaria Mecanizado, unidade sediada em São Borja, a denominação histórica de Regimento João Manoel.

Fonte: 2º RCMec


quinta-feira, 1 de maio de 2014

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL JOÃO FREDERICO CALDWELL

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??/??/1801 - Santarém -Portugal

+  26/02/1873 - Rio de Janeiro-RJ


Filho do general Frederico Caldwell, João Frederico Caldwell nasceu em Santarém, Portugal, em 1801 e, já no Brasil, assentou praça no 1° Regimento de Cavalaria, no Rio de Janeiro.

Em 1817, combateu a Revolução Pernambucana, sob o comando do general Luís do Rego Brandão, e regressou ao Rio em 1820, sendo promovido a tenente. Em 1821 assinou o manifesto de 9 de janeiro, que solicitava que D. Pedro I ficasse no Brasil.

Promovido a capitão em 1821, foi enviado a Pernambuco para sufocar a Revolução Republicana. No ano seguinte, após breve passagem pela corte, partiu para o Rio Grande do Sul, para onde já havia sido enviado o 1° Regimento, então participando das operações na Guerra da Cisplatina. Lá serviu sob o comando por Bento Gonçalves, sendo por este elogiado.
Retornou à corte, com a familia e tentou retornar ao Rio Grande do Sul, obtendo sucesso somente em 1834, como major avulso. Tendo servido a D. Pedro I com apreço, foi considerado suspeito pelos regentes de Dom Pedro II e dispensado do exército.

Tornou-se comerciante no Rio Grande do Sul, porém, com o iniciar da Revolução Farroupilha, foi convocado pelo governo para acompanhar o presidente da província deposto Antônio Rodrigues Fernandes Braga em viagem à corte, abandonando seus negócios e ficando à disposição da corte para retornar ao Sul. Entretanto, contrário as suas expectativas, recebeu ordens para combater a Cabanada no Pará, mas conseguiu reverter as ordens e ser enviado de volta ao Rio Grande do Sul, tendo recebido o comando militar de Rio Grande, em 1836.

Em seguida, foi designado major da Brigada Provisória de Cavalaria, organizada por João da Silva Tavares, com a qual combateu na Batalha do Seival. Nesta ação foi ferido na mão direita - a qual posteriormente teve de ser amputada - e feito prisioneiro. Em 23 de outubro seguinte, conseguiu escapar e reintegrou-se às tropas legalistas.

Após uma temporada na corte, retornou ao Rio Grande do Sul, onde ficou até o término do conflito. Em 1842 foi promovido a coronel e, em 7 de julho de 1845, foi nomeado Comandante das Armas do Pará, onde permaneceu até 2 de setembro de 1846. Transferido de volta para o Rio Grande do Sul, foi promovido a brigadeiro no mesmo ano e também Comandante de Armas da província, cargo no qual ficou até 1848, tendo-o reassumido em 1850 interinamente.

Em 28 de agosto de 1850, foi nomeado comandante da 2ª Divisão do Exército do Sul, com o qual marchou para a Guerra contra Rosas. Em 1852 foi nomeado marechal, sendo designado comandante de armas do Rio Grande do Sul, ficando até 1856, e, novamente, de 1857 a 1865, quando irrompeu a Guerra do Paraguai.

Durante a invasão de Uruguaiana, manteve intenso debate com David Canabarro a respeito da necessidade de atacar o inimigo, enquanto Canabarro queria aguardar mais reforços. Após a rendição dos paraguaios em Uruguaiana foi enviado à corte, tomando diversos cargos administrativos. Foi Ministro da Guerra, entre 29 de setembro a 10 de novembro de 1870.

Em 1854 foi nomeado dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro; em 1859, da Imperial Ordem da Rosa e, em 1860, recebeu a grã-cruz da Imperial Ordem de Avis.

O marechal João Frederico Caldwell faleceu no Rio de Janeiro em 26 de fevereiro de 1873.

 
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL LUIZ ALVES DE LIMA E SILVA, DUQUE DE CAXIAS



* 25/08/1803 - Duque de Caxias-RJ


+ 07/05/1880 - Vassouras-RJ

Luís Alves de Lima e Silva, nasceu em 25 de agosto de 1803, na fazenda de São Paulo, no Taquaru, Vila de Porto da Estrela, na Capitania do Rio de Janeiro, quando o Brasil era Vice Reino de Portugal. Hoje, é o local do Parque Histórico Duque de Caxias, no município de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro.

Filho do Marechal-de-Campo Francisco de Lima e Silva e de D. Mariana Cândida de Oliveira Belo. Ao seu pai, Veador da Imperatriz Leopoldina, coube a honra de apresentar em seus braços à Corte, no dia 2 de dezembro de 1825, no Paço de São Cristóvão, o recém-nascido que, mais tarde, viria a ser o Imperador D. Pedro II.


Primeiros anos

Em 22 de maio de 1808, época em que a Família Real Portuguesa transfere-se para o Brasil, Luís Alves é titulado Cadete de 1ª Classe, aos 5 anos de idade.

Pouco se sabe da infância de Caxias. Pelos almanaques do Rio de Janeiro da época e publicados pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, os quais davam o nome das ruas em que moravam as autoridades governamentais, sabe-se que seu pai, desde capitão, em 1811, residia na rua das Violas, atual rua Teófilo Otoni. Esta rua das Violas, onde existiam fabricantes de violas e violões e onde se reuniam trovadores e compositores, foi o cenário principal da infância de Caxias.

Sabe-se que estudou no convento São Joaquim, onde hoje se localiza o Colégio D.Pedro II, e próximo do Quartel do Campo de Santana que ele viu ser construído e que hoje é o Palácio Duque de Caxias, onde está instalado o Comando Militar do Leste.


Guerra de Independência do Brasil

Em 1818, aos quinze anos de idade, matriculou-se na Academia Real Militar, de onde egressou, promovido a Tenente, em 1821, para servir no 1º Batalhão de Fuzileiros, unidade de elite do Exército do Rei.

O retorno da família real e as consequências que daí advieram, concorreram para almejada emancipação do país. D. Pedro proclama a independência do Brasil e organiza, ele próprio, em outubro de 1822, no Campo de Sant'Ana, a Imperial Guarda de Honra e o Batalhão do Imperador, integrado por 800 militares selecionados, tipos atléticos e oficiais de valor excepcional, escolhidos da tropa estendida à sua frente. Coube ao Tenente Luís Alves de Lima e Silva receber, na Capela Imperial, a 10 de novembro de 1822, das mãos do Imperador D. Pedro I, a bandeira do Império recém-criada.

No dia 3 de junho de 1823, o jovem militar tem seu batismo de fogo, quando o Batalhão do Imperador foi destacado para a Bahia, onde pacificaria movimento contra a independência comandado pelo General Madeira de Melo. No retorno dessa campanha, recebeu o título que mais prezou durante a sua vida - o de Veterano da Independência.


Na Cisplatina e na pacificação do Maranhão

Em 1825 iniciou-se a campanha da Cisplatina e o então Capitão Luís Alves desloca-se para os pampas, junto com o Batalhão do Imperador. Sua bravura e competência como comandante e líder o fazem merecedor de várias condecorações e comandos sucessivos, retornando da campanha no posto de Major.

A 6 de janeiro de 1833, no Rio de Janeiro, o Major Luís Alves casava-se com a senhorita Ana Luiza de Loreto Carneiro Viana que contava, na época, com dezesseis anos de idade.

Em 1837, já promovido a Tenente Coronel, Caxias é escolhido "por seus descortino administrativo e elevado espírito disciplinador" para pacificar a Província do Maranhão, onde havia iniciado o movimento da Balaiada.
Em 2 de dezembro de 1839 é promovido a Coronel e, por Carta Imperial, nomeado Presidente da Província do Maranhão e Comandante Geral das forças em operações, para que as providências civis e militares emanassem de uma única autoridade.

Em agosto de 1840, mercê de seus magníficos feitos em pleno campo de batalha, Caxias foi nomeado Veador de Suas Altezas Imperiais.


Em 18 de julho de 1841, em atenção aos serviços prestados na pacificação do Maranhão, foi-lhe conferido o título nobiliárquico de Barão de Caxias. Por quê Caxias? "Caxias simbolizava a revolução subjugada. Essa princesa do Itapicuru havia sido mais que outra algema afligida dos horrores de uma guerra de bandidos; tomada e retomada pelas forças imperiais, e dos rebeldes várias vezes, foi quase ali que a insurreição começou, ali que se encarniçou tremenda; ali que o Coronel Luís Alves de Lima e Silva entrou, expedindo a última intimação aos sediciosos para que depusessem as armas; ali que libertou a Província da horda de assassinos. O título de Caxias significava portanto: - disciplina, administração, vitória, justiça, igualdade e glória", explica o seu biógrafo Padre Joaquim Pinto de Campos.

Em 1841, Caxias é promovido a Brigadeiro e, em seguida, eleito unanimemente, deputado à Assembléia Legislativa pela Província do Maranhão e, já em março de 1842, é investido no cargo de Comandante das Armas da Corte.





Revoltas Liberais de 1842

Em maio de 1842 iniciava-se um levante na Província de São Paulo, suscitado pelo Partido Liberal. D. Pedro II, com receio que esse movimento, alastrando-se, viesse fundir-se com a revolta farroupilha que se desenvolvia no sul do Império, resolve chamar Caxias para pacificar a região. Assim, o Brigadeiro Lima e Silva é nomeado Comandante-chefe das forças em operações da Província de São Paulo e, ainda, Vice-Presidente dessa Província.

Cumprida a missão em pouco mais de um mês, o Governo, temeroso que a revolta se envolvesse a Província das Minas Gerais, nomeia Caxias Comandante do Exército pacificador naquela região, ainda no ano de 1842. Já no início do mês de setembro a revolta estava abafada e a Província pacificada.

No dia 30 de julho de 1842, "pelos relevantes serviços prestados nas Províncias de São Paulo e Minas" , é promovido ao posto de Marechal-de-Campo graduado, quando não contava sequer quarenta anos de idade.
Ainda grassava no sul a revolta dos farrapos. Mais de dez Presidentes de Província e Generais se haviam sucedido desde o início da luta, sempre sem êxito. Mister de sua capacidade administrativa, técnico-militar e pacificadora, o Governo Imperial nomeou-o, em 1842, Comandante-chefe do Exército em operações e Presidente da Província do Rio Grande do Sul.


Revolução Farroupilha

Logo ao chegar a Porto Alegre fez apelo aos sentimentos patrióticos dos insurretos através de um manifesto cívico. A certo passo dizia: "Lembrai-vos que a poucos passos de vós está o inimigo de todos nós - o inimigo de nossa raça e de tradição. Não pode tardar que nos meçamos com os soldados de Oribes e Rosas; guardemos para então as nossas espadas e o nosso sangue. Abracemo-nos para marcharmos, não peito a peito, mas ombro a ombro, em defesa da Pátria, que é a nossa mãe comum".

Mesmo com carta branca para agir contra os revoltosos, marcou sua presença pela simplicidade, humanidade e altruísmo com que conduzia suas ações. Assim ocorreu quando da captura de dez chefes rebeldes aprisionados no combate de Santa Luzia onde, sem arrogância, com urbanidade e nobreza, dirigiu-se a eles dizendo: "Meus senhores, isso são conseqüências do movimento, mas podem contar comigo para quanto estiver em meu alcance, exceto para soltá-los".

Se no honroso campo da luta, a firmeza de seus lances militares lhe granjeava o rosário de triunfos que viria despertar nos rebeldes a idéia de pacificação, paralelamente, seu descortino administrativo, seus atos de bravura, de magnanimidade e de respeito à vida humana, conquistaram a estima e o reconhecimento dos adversários. Por essas razões é que os chefes revolucionários passaram a entender-se com o Marechal Barão e Caxias, em busca da ambicionada paz. E em 1º de março de 1845 é assinada a paz de Ponche Verde, dando fim à revolta farroupilha.

Em 1845 Caxias é efetivado no posto de Marechal-de-Campo e é elevado a Conde. Em seguida, mesmo sem ter se apresentado como candidato, teve a satisfação de ter seu nome indicado pela Província que pacificara há pouco, para Senador do Império. Em 1847 assume efetivamente a cadeira de Senador pela Província do Rio Grande do Sul.


Guerra contra Oribe e Rosas

A aproximação das chamas de uma nova guerra na fronteira sul do Império acabaram por exigir a presença de Caxias, novamente, no Rio Grande do Sul e em junho de 1851 foi nomeado Presidente da Província e Comandante-chefe do Exército do Sul, ainda não organizado. Essa era a sua principal missão: preparar o Império para uma luta nas fronteiras dos pampas gaúchos.

Assim, em 5 de setembro de 1851 Caxias adentra o Uruguai, batendo as tropas de Manoel Oribe, diminuindo as tensões que existiam naquela parte da fronteira.

Em 1852, é promovido ao posto de Tenente-general e recebe a elevação ao título Marquês de Caxias. Em 1853, uma Carta Imperial lhe confere a Carta de Conselho, dando-lhe o direito de tomar parte direta na elevada administração do Estado e em 1855 é investido do cargo de Ministro da Guerra. Em 1857, por moléstia do Marquês de Paraná, assume a Presidência do Conselho de Ministros do Império, cargo que voltaria a ocupar, em 1861, acumulativamente com o de Ministro da Guerra.

Em 1862 foi graduado Marechal-do-Exército, assumindo novamente a função de Senador no ano de 1863.


Guerra da Tríplice Aliança

Em 1865 inicia-se a Guerra da Tríplice Aliança, reunindo Brasil, Argentina e Uruguai contra as forças paraguaias de Solano Lopez.  No ano de 1866, Caxias é nomeado Comandante-chefe das Forças do Império em operações contra o Paraguai, mesma época em que é efetivado Marechal-do-Exército. Cabe destacar que, comprovando o seu elevado descortínio de chefe militar, Caxias utiliza, pela primeira vez no continente americano, a aeroestação (balão) em operações militares, para fazer a vigilância e obter informações sobre a área de operações.

O tino militar de Caxias atinge seu ápice nas batalhas dessa campanha. Sua determinação ao Marechal Alexandre Gomes Argolo Ferrão para que fosse construída a famosa estrada do Grão-chaco, permitindo que as forças brasileiras executassem a célebre marcha de flanco através do chaco paraguaio imortalizou seu nome na literatura militar. Da mesma forma, sua liderança atinge a plenitude no seu esforço para concitar seus homens à luta na travessia da ponte sobre o arroio Itororó - "Sigam-me os que forem brasileiros".

Caxias só deu por finda sua gloriosa jornada ao ser tomada a cidade de Assunção, capital do Paraguai, a 1º de janeiro de 1869.

Estátua equestre do Duque de Caxias


Últimos anos

Em 1869, Caxias tem seu título nobiliárquico elevado a Duque, mercê de seus relevantes serviços prestados na guerra contra o Paraguai. Eis aí um fato inédito pois Caxias foi o único Duque brasileiro. Em 1875, pela terceira vez, é nomeado Ministro da Guerra e Presidente do Conselho de Ministros.

Caxias ainda participaria de fatos marcantes da história do Brasil, como a "Questão Religiosa", o afastamento de D. Pedro II e a Regência da Princesa Isabel. Já com idade avançada, Caxias resolve retirar-se para sua terra natal, a Província do Rio de Janeiro, na Fazenda Santa Mônica, na estação ferroviária do "Desengano", hoje Juparaná, próximo à Vassouras.

No dia 7 de maio de 1880, às 20 horas e 30 minutos, fechava os olhos para sempre aquele bravo militar e cidadão, que vivera no seio do Exército para glória do próprio Exército.

No dia seguinte, chegava, em trem especial, na Estação do Campo de Sant'Ana, o seu corpo, vestido com o seu mais modesto uniforme de Marechal-de-Exército, trazendo ao peito apenas duas das suas numerosas coondecorações, as únicas de bronze: a do Mérito Militar e a Geral da Campanha do Paraguai, tudo consoante suas derradeiras vontades expressas.

Outros desejos testamentários são respeitados: enterro sem pompa; dispensa de honras militares; o féretro conduzido por seis soldados da guarnição da Corte, dos mais antigos e de bom comportamento, aos quais deveria ser dada a quantia de trinta cruzeiros (cujos nomes foram imortalizados em pedestal de seu busto em passadiço do Conjunto Principal antigo da Academia Militar das Agulhas Negras); o enterro custeado pela Irmandade da Cruz dos Militares; seu corpo não embalsamado.  Quantas vezes o caixão foi transportado, suas alças foram seguras por seis praças de pré do 1º e do 10º Batalhão de Infantaria.

No ato do enterramento, o Visconde de Taunay, então Major do Exército, proferiu alocução assim concluída: "Carregaram o seu féretro seis soldados rasos; mas, senhores, esses soldados que circundam a gloriosa cova e a voz que se levanta para falar em nome deles, são o corpo e o espírito de todo o Exército Brasileiro. Representam o preito derradeiro de um reconhecimento inextinguível que nós militares, de norte a sul deste vasto Império, vimos render ao nosso velho Marechal, que nos guiou como General, como protetor, quase como pai durante 40 anos; soldados e orador, humilde todos em sua esfera, muito pequenos pela valia própria, mas grandes pela elevada homenagem e pela sinceridade da dor".


Homenagens

Em 25 de agosto de 1923, a data de seu aniversario natalício passou a ser considerada como o Dia do Soldado do Exército Brasileiro, instituição que o forjou e de cujo seio emergiu como um dos maiores brasileiros de todos os tempos. Ele prestou ao Brasil mais de 60 anos de excepcionais e relevantes serviços como político e administrador público de contingência e, inigualados, como soldado de vocação e de tradição familiar, a serviço da unidade, da paz social, da integridade e da soberania do Brasil Império.

Em mais uma justa homenagem ao maior dos soldados do Brasil, desde 1931 os Cadetes do Exército da Academia Militar das Agulhas Negras, portam, como arma privativa, o Espadim de Caxias, cópia fiel, em escala, do glorioso e invicto sabre de campanha de Caxias que desde 1925 é guardado como relíquia pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a que o Duque de Caxias integrou como sócio Honorário a partir de 11 de maio 1847.

O Decreto do Governo Federal de 13 de março de 1962 imortalizou nome do Duque de Caxias como o Patrono do Exército Brasileiro.  Atualmente, os restos mortais do Duque de Caxias, de sua esposa e de seu filho, repousam no Pantheon à Caxias, construído em frente ao Palácio Duque de Caxias, na cidade do Rio de Janeiro.


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