"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 9 de agosto de 2018

POLIKARPOV Po-2, A MÁQUINA VOADA PELAS BRUXAS DA NOITE

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Participe! Garanta já o seu exemplar e conheça a fantástica história das jovens aviadoras soviéticas que enfrentaram os nazistas na Segunda Guerra Mundial.



Um dos fatores que notabilizaram a atuação das mulheres no 46º Regimento foi a aeronave utilizada para as missões do bombardeio noturno, os frágeis e obsoletos biplanos de baixa velocidade Polikarpov Po-2. Foi concebido por Nikolai Polikarpov em 1926, com a designação de U-2 (devido à sua classificação uchebnyy, ou seja, treinador), para substituir o treinador U-1, uma cópia soviética do Avro 504 britânico. Depois de um protótipo inicial ter sofrido um acidente, o modelo final voou pela primeira vez em 7 de janeiro de 1928, pilotado por M.M. Gromov, e logo demonstrou que teria uma carreira promissora.

Tratava-se de um biplano pequeno, com dois cockpits abertos e um motor radial de cinco cilindros Shvetsov M-11D, que desenvolvia 125 hp. Embora seu design fosse muito parecido com os demais biplanos da época, possuía excelente manobrabilidade, conferida pelas asas de ponta arredondada, leme elevado e hélice de madeira com duas pás e passo fixo. O Po-2 (o modelo teve sua designação alterada de U-2 para Po-2 depois da morte de Polikarpov, em 1944) foi originalmente projetado para voos de acrobacia, instrução e fumigação de plantações com defensivos agrícolas. Em 1940, era o avião produzido em maior quantidade na história da aviação, superando o número de 30.000 exemplares. Alguns autores o classificaram como um “anacronismo voador”, pois na ocasião da invasão alemã já estava obsoleto, mas, como estava disponível em grandes quantidades, a Força Aérea Soviética resolveu utilizá-lo em diversas tarefas, como bombardeiro noturno, ligação, correio, transporte geral, avião ambulância, dentre outras.

Bruxas da Noite diante de um Po-2


Po-2 lançando panfletos de propaganda

O avião era robusto, barato e de fácil manutenção, o que tornava possível sua operação a partir de campos, estradas ou aeródromos sem muita infraestrutura. Tripulado por dois aviadores (piloto e navegador), o Po-2 era fabricado em madeira e lona, podia voar com uma velocidade máxima de 152 km/h, em um teto de serviço de 3.000 metros, e possuía 630 km de autonomia. A versão de bombardeiro noturno utilizada pelo 46º Regimento, Po-2 LNB, não possuía rádio, armamento defensivo ou paraquedas para a tripulação, o que dificultava a orientação noturna, via de regra realizada com bússola e relógio. Somente em 1944 os LNB receberam uma metralhadora ShKAS de 7,62mm para autodefesa e paraquedas, adotados após a perda da piloto Tatyana Makarova e da navegadora Vera Belik, quando seu avião foi abatido por um caça alemão ao retornarem de uma missão e foram impossibilitadas de saltar por não possuírem o equipamento. Os Po-2 não possuíam compartimento de bombas, de modo que as mesmas eram conduzidas em cabides sob a fuselagem. Como os aviões podiam transportar apenas seis pequenas bombas de 110 libras (50 kg), as tripulações precisavam realizar diversas missões a cada noite, normalmente mais de dez.

As características técnicas do Po-2 e o tipo de bombardeio que o 46º Regimento realizava tornavam as missões extremamente perigosas, exigindo das tripulações perícia e uma boa dose de audácia. O avião podia atingir uma velocidade relativamente baixa e era necessário soltar as bombas a baixa altitude para que fosse obtida a precisão necessária. Além disso, a configuração dos cockpits, abertos e protegidos apenas por uma pequena viseira acrílica, deixava as aviadoras expostas às intempéries e ao frio congelante do inverno russo, dificultando ainda mais a pilotagem e a execução das missões. 

Polikarpov Po-2, o símbolo da resistência soviética

Po-2 participando de um ataque noturno

Todos esses fatores somados deixavam o Po-2 bastante vulnerável aos caças da Luftwaffe e ao fogo antiaéreo. Durante a noite os holofotes de busca esquadrinhavam o céu a procura dos bombardeiros e, quando estes eram localizados, as metralhadoras com seus projetis traçantes e a artilharia antiaérea com suas granadas abriam fogo, orientadas pelos feixes de luz. Sem proteção blindada e construído com madeira e painéis de lona, bastava um único projetil traçante ou um estilhaço de granada atingirem o reservatório de combustível do Po-2 que o avião estaria irremediavelmente perdido.

As Bruxas da Noite tinham ou não tinham extrema coragem quando cumpriam suas missões?


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terça-feira, 7 de agosto de 2018

O CERCO AO MOSTEIRO DE JASNA GÓRA

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No século XVII tropas suecas sitiaram o mosteiro polonês de Jasna Góra. Só não contavam com a resistência dos religiosos e com a "intervenção divina".


A defesa do mosteiro paulino de Jasna Góra contra os suecos, em novembro-dezembro de 1655 é representada em uma gravura que comemora a intervenção milagrosa da Santíssima Virgem Maria para proteger o mosteiro, que abrigava um ícone da Madona Negra, supostamente pintada por São Lucas Evangelista (o ícone data do século XV). 

O fracasso do cerco marcou um ponto de virada na invasão sueca, ajudando a provocar uma enorme revolta nacional e unindo todas as classes sociais contra os invasores. De fato, da força sitiante era comparativamente pequena: apenas cerca de 450 eram suecos. A maioria - cerca de mil homens - consistia de tropas polonesas que haviam desertado nos estágios iniciais da invasão de Carl X Gustav. Isso não fez nada para diminuir a potência da lenda, que ajudou a tornar o mosteiro o local religioso mais famoso na Polônia.

Depois que a Guerra dos Trinta Anos terminou em 1648, as tensões permaneceram elevadas entre católicos e protestantes na Europa Oriental. A Segunda Guerra do Norte de 1655-60 foi um dos principais tremores secundários, colocando a Suécia protestante do Rei Carl X Gustav contra a comunidade Polaco-Lituana, sob o reinado de D. João II Casimiro de Vasa. A Polônia era apoiada pela monarquia dos Habsburgos, e, enquanto o ducado de Brandemburgo-Prússia inicialmente apoiou a Polônia, ela mudou de lado duas vezes durante a guerra. No fim da guerra, a Prússia havia se tornado um estado soberano.

Artilharia sueca sitiando o mosteiro

Em 1655, a comunidade já estava em guerra com a Rússia, na fronteira leste, quando a Suécia invadiu a partir do oeste. A Lituânia quase que imediatamente se separou da Polônia e se aliou à Suécia. As forças mistas mercenárias suecas e alemãs de Carl X então invadiram e ocuparam o que restava da Polônia e forçaram João II ao exílio na Silésia dos Habsburgos. Os poloneses referem-se à invasão e ocupação suecas como "o Dilúvio".

No final de novembro de 1655, o mosteiro de Czçestochowa era a única posição fortificada na Polônia que não havia sido capturada. Carls X Gustav enviou uma força mista de 2.250 suecos e alemães e 10 canhões leves sob o comando do General Burchard Müller von der Lühne para terminar o trabalho. 

Jasna Gora também abrigava uma série de valiosos tesouros eclesiásticos que os monges paulinos relutavam em deixar cair nas mãos dos protestantes. Como medida de precaução, eles substituíram a Dama Negra por uma cópia e transferiram o original para o mosteiro de Glogowek.

Liderados por Augustyn Kordecki, o prior do mosteiro, cerca de 70 monges se prepararam para defender Jasna Gora. Kordecki havia comprado 60 mosquetes e uma quantidade extensa de munição e contratou 160 soldados profissionais. Juntando-se a eles estavam cerca de 80 voluntários, a maioria membros da szlachta, ou nobreza polonesa. Montados nas muralhas defensivas havia cerca de 18 canhões leves e uma dúzia de canhões de 12 libras mais pesados. Assim, no início do cerco, enquanto os atacantes superavam os defensores em 7 para 1, os poloneses superaram significativamente os suecos.

Depois de várias tentativas inúteis de negociar a rendição, Müller começou o cerco em 18 de novembro. A artilharia polonesa superior manteve os atacantes à distância, e no dia 28 uma surtida noturna pelos defensores destruiu duas armas suecas. No final do mês, os suecos receberam reforços de 600 homens e três armas leves. No dia 10 de dezembro, mais reforços chegaram, incluindo outros 200 homens, quatro de 12 libras e dois de 24 libras. Os suecos agora tinham uma artilharia de cerco adequada e uma vantagem de 10 para 1 em homens.

Durante um mês, o mosteiro suportou bombardeios quase constantes. Os poloneses continuamente dispararam, causando altas baixas nos suecos mal entrincheirados. Outras surtidas polonesas mataram mais atacantes e destruíram mais armas, incluindo uma das 24 libras. O outro 24 libras explodiu em sua posição devido a um mau funcionamento. Com pouca munição e rações e cercado por um campo hostil no meio do inverno, Müller finalmente se retirou em 27 de dezembro. 

Planta do mosteiro paulino de Jasna Góra


Os suecos e alemães haviam sofrido várias centenas de baixas, com apenas algumas dúzias de poloneses. Jasna Gora resistiu e o moral polonês disparou. Após seu retorno da Silésia em janeiro de 1656, João II realizou uma cerimônia no dia 1º de abril na catedral de Lwow, confiando a Polônia à proteção da Virgem Maria e proclamando-a a patrona e rainha perpétua da Polônia. Em 1660, os poloneses haviam expulsado os suecos, limpando "o dilúvio".

O mosteiro de Jasna Góra hoje.  O local religioso mais famoso da Polônia.


Um século depois, Jasna Gora foi submetida a outro grande cerco, após uma revolta de 1768 da Confederação de Barzinhos da szlachta contra a coroa polonesa dominada pelos russos. Durante a revolta, um grupo de nobres sob Casimir Pulaski defendeu Jasna Gora contra um cerco de 1770-71 por uma força russa muito maior que acabou prevalecendo. Pulaski conseguiu escapar, mas foi forçado a sair da Polónia. Vários anos depois, ele apareceu em Paris, onde o embaixador dos EUA, Benjamin Franklin, o recrutou para o Exército Continental como general de brigada e primeiro comandante de cavalaria dos Estados Unidos. Pulaski foi morto durante o cerco de 1779 a Savannah.

O Dilúvio, um romance de 1886 do autor polonês vencedor do Prêmio Nobel, Henryk Sienkiewicz, é uma ficção baseada na resistência do mosteiro.


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UFPA E UNIVERSO REALIZAM WORKSHOP INTERLABORATORIAL DE HISTÓRIA MILITAR

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No próximo dia 30 de agosto será realizado, em Niterói-RJ, o I Workshop Interlaboratorial de História Militar, promovido pelo Laboratório de História Militar e Fronteiras da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO) e pelo Laboratório Militares, Poder e Sociedade na Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

O evento acadêmico tem por objetivo divulgar as pesquisar mais recentes acerca da temática e estabelecer redes de pesquisa entre as instituições.

A coordenação é dos Prof. Dr. William Gaia de Farias (UFPA) e Fernando Silva Rodrigues (UNIVERSO).



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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

TATYANA MAKAROVA - HEROÍNA DA UNIÃO SOVIÉTICA

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Você pode ajudar o nosso projeto a se tornar realidade e conhecer a história das intrépidas aviadoras que lutaram contra os nazistas na Segunda Guerra Mundial. 

Participe de nossa campanha, garanta já o seu exemplar e conheça a história de uma moça corajosa que sacrificou a vida defendendo seu país: Tatyana Makarova.



A moscovita Tatyana Makarova sonhou com a aviação durante toda sua infância, apesar de essa carreira ser desencorajada por seu pai, um ex-combatente da Primeira Guerra Mundial que, repatriado após ter sido ferido em combate, trabalhou como carteiro. Makarova trabalhou em uma fábrica antes de obter seu brevê de piloto civil aos 19 anos de idade. Em seguida, atuou como instrutora de voo, antes de se alistar nas forças armadas em 1941, para enfrentar a invasão alemã. Após participar do treinamento intensivo em Engels, foi designada para o 588º Regimento, mas somente executou sua primeira saída em missão de combate no ano de 1942.

Tatyana Makarova fotografada com equipamento de voo.

Em uma cerimônia realizada no dia 27 de setembro, Tatyana Makarova e Vera Belik receberam a Ordem da Bandeira Vermelha, por terem conseguido pousar seu Po-2 depois que foi localizado pelos holofotes e atingido por uma barragem antiaérea alemã. Na ocasião, perdeu o controle do avião temporariamente, mas conseguiu distrair a artilharia inimiga ao liberar outra bomba, o que lhe deu tempo suficiente para deixar a área e pousar. Nesse mesmo ano Makarova participou de ataques contra as forças alemãs no norte do Cáucaso, Crimeia, Kuban, Taman, Bielorrússia e Prússia Oriental. Suas colegas a respeitavam como aviadora e pelo fato de nunca retornar à base antes de completar uma missão de combate.

Tatyana Makarova (2ª da direita para a esquerda) participando de um briefing antes de partir em mais uma missão de combate. À sua direita está sua companheira de voo Vera Belik.

Para melhorar a precisão dos ataques, Makarova frequentemente voava em uma altitude inferior a 100-150 metros para lançar suas bombas. Por diversas vezes, ela participou de oito a nove missões em uma única noite, mas nunca pareceu ser afetada pela fadiga. Devido às suas ações meritórias, em 1944 foi premiada com a Ordem da Guerra Patriótica e outra Ordem da Bandeira Vermelha.

Makarova perdeu a vida junto com Vera Belik, na Polônia, quando seu Po-2 foi abatido por um caça alemão ao retornar de mais uma missão. Como voavam sem paraquedas, as duas aviadoras não puderam saltar e morreram queimadas.

Tatyana Makarova e Vera Belik. As duas morreram em 1944 quando seu Po-2 foi abatido sobre a Polônia.

Em sua breve carreira, Tatyana Makarova participou de 628 ataques noturnos, lançou 96 toneladas de bombas e 300 mil folhetos de propaganda sobre o território inimigo. Destruiu balsas, dois canhões antiaéreos, um holofote e dois depósitos de munição. Ela tinha apenas 23 anos de idade e recebeu, postumamente, com o título de Heroína da União Soviética.

Quando morreu em 1944 Tatyana Makarova posuía apenas 23 anos de idade, mas já havia participado de 628 missões de combate.


Conheça essa e outras histórias lendo 

BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.

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sábado, 4 de agosto de 2018

PALESTRA NO IGHMB - GÓES MONTEIRO E O PODER AÉREO NA GUERRA DE 1932

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O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar tem a honra de convidar para palestra que irá ministrar no Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.


segunda-feira, 23 de julho de 2018

NAVIO NAUFRAGADO ENCONTRADO NO LITORAL CATARINENSE PARTICIPOU DA REVOLTA DA ARMADA

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Embarcação foi descoberta em Itajaí em agosto do ano passado. Pesquisa sobre a sua origem foi revelada 

Por Dagmara Spautz

A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), no litoral de Santa Catarina, confirmou nesta quarta-feira (11) que a embarcação naufragada descoberta junto à nova área de manobras dos terminais de Itajaí e Navegantes em 15 de agosto de 2017 é o navio Pallas, que participou da Revolta da Armada no fim do século 19. Ele encalhou na foz do Rio Itajaí-Açu em 1893, sob comando dos revoltosos. 

A Marinha ainda definirá de que forma será feita a retirada dos escombros. A medida é para evitar que a estrutura submersa provoque riscos à navegação.

Local do naufrágio do Pallas, na foz do rio Itajaí-Açu: risco à navegação

A descoberta do navio Pallas, que passou mais de um século debaixo d'água, ocorreu depois que a draga que faz o aprofundamento da nova bacia de evolução bateu em uma estrutura no fundo do rio. Os trabalhos foram suspensos no local até uma conclusão definitiva sobre a embarcação e sua importância histórica.

O trabalho de identificação, realizado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) sob responsabilidade do pesquisador Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico, de  em Balneário Piçarras, utilizou sondas eletrônicas para identificar onde estavam as estruturas submersas. Mergulhadores, então, conseguiram fotografar e medir as estruturas. Foram necessárias 40 horas de mergulho em águas turvas, com pouca visibilidade, para trazer a história à tona.

Os registros de naufrágios no Brasil mostravam que o Pallas havia encalhado exatamente naquele local. Mas medidas entre a proa e a popa (a parte da frente e de trás do navio) não correspondiam ao registro de construção da embarcação. A estrutura submersa aparentava ter 40 metros a mais do que o Pallas, que tinha 68 metros de comprimento.

Os pesquisadores, então, mergulharam em documentos antigos para desvendar o mistério. Chegaram à conclusão de que uma provável tentativa de remover o navio do fundo do rio, possivelmente na época em que foram construídos os molhes, partiu a embarcação ao meio. Proa e popa se separaram, a uma distância de 40 metros uma da outra – era, de fato, o navio Pallas que vinha à tona.

Notícias publicadas pela imprensa à época, junto com informações do processo que envolveu o naufrágio – arquivos que agora foram abertos à pesquisa pela Marinha –, ajudaram a elucidar o papel do navio Pallas na Revolta da Armada. 


A importância do Pallas para o movimento

Setores da Marinha descontentes com o presidente, marechal Floriano Peixoto, deflagraram o movimento. Entre os navios tomados pelos revoltosos estava o Pallas, que era uma embarcação frigorífica e fazia a ligação entre os portos do Rio de Janeiro e Buenos Aires, na Argentina. O navio tinha um sistema de conservação com base em amônia, que mantinha as carnes frescas por mais tempo.

O Pallas acompanhava outros navios para fornecer alimento. Era a segurança dos revoltosos de que teriam comida por mais tempo — diz Soto.

As causas do naufrágio se perderam. O processo instaurado pela Marinha diz que a noite em que ocorreu o incidente, em 25 de outubro de 1893, tinha boas condições de navegação e não houve vítimas. Como os responsáveis acabaram anistiados, a investigação jamais avançou.

Encalhado, o navio foi saqueado e acredita-se que não tenham sobrado peças de valor. Registros encontrados pelos pesquisadores mostram que os saqueadores vinham de Itajaí, Blumenau e Florianópolis, em busca, principalmente, dos metais do navio, como cobre e bronze.

Destroços do Pallas submerso


"Exagero"

Diante das evidências encontradas, a pesquisa encomendada pelo Porto de Itajaí concluiu haver “exagero” em considerar o Pallas um monumento de guerra. No entanto, os pesquisadores recomendaram que, durante a retirada, redobre-se a atenção a objetos que não sejam de ferro ou madeira estrutural. A expectativa é, se possível, resgatar peças como as hélices ou a placa do estaleiro que construiu o navio.

Devido à degradação da embarcação, a pesquisa afasta a necessidade de um trabalho de arqueologia subaquática antes de remover o casco do fundo do Rio Itajaí-Açu. A avaliação é de que a investigação teria um alto custo e poucas possibilidades de sucesso.

Marcelo Salles, superintendente do Porto de Itajaí, disse que a retirada dos escombros do navio Pallas ainda não tem data prevista – mas as operações não vão interferir nas obras da nova bacia de evolução, porque a estrutura está fora do perímetro de dragagem.

A bacia de evolução é a nova área de manobras, que permitirá a entrada de navios maiores e mais carregados aos portos de Itajaí e Navegantes. A primeira fase, que será entregue nos próximos meses, abre espaço para embarcações de até 335 metros de comprimento.

Fonte: Gaúcha-Zero Hora


A BATALHA DE NEERWINDEN (1793)

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A Batalha de Neerwinden, travada a 18 de Março de 1793, nos Países Baixos Austríacos, opôs um exército austríaco (reforçado com alguns batalhões holandeses), sob comando do Príncipe Josias de Coburg, ao exército da França revolucionária, sob o comando do General Dumouriez. A batalha resultou numa vitória austríaca que permitiu passar à ofensiva e expulsar os Franceses (temporariamente) dos Países Baixos.


Antecedentes

Após as batalhas de Valmy (20 de setembro de 1792) e de Jemappes (6 de novembro de 1792), os franceses invadiram os Países Baixos austríacos que ocuparam sem dificuldade. No ano seguinte, após a execução de Luís XVI (21 de janeiro de 1793), o governo francês não se iludiu relativamente a uma reação das potências europeias e decidiu antecipar-se tomando a iniciativa. O General Dumouriez, comandante do Exército do Norte, recebeu ordens para marchar sobre as Províncias Unidas. Inicialmente esta invasão correu bem. Foram atacadas e capturadas algumas fortalezas perto da costa e o General Miranda iniciou o cerco de Maastricht. No entanto, um exército austríaco sob o comando do Príncipe de Saxe-Coburg lançou um contra-ataque e derrotou os Franceses em Aldenhoven (1 de março) e em Aix-la-Chapelle (2 de março), salvando Maastricht. Dumouriez deixou as suas forças a Norte, nas Províncias Unidas, e dirigiu-se para a Bélgica onde assumiu o comando do Exército das Ardenas (Louvan, 13 de março).

Ao assumir o comando do Exército das Ardenas, temendo que os austríacos recebessem mais reforços, Dumouriez decidiu lançar de imediato uma operação ofensiva. Após uma série de pequenos combates ao longo da estrada entre Liège e Bruxelas, Saxe-Coburg ocupou uma posição defensiva com o centro à volta da vila de Neerwinden.


O campo de batalha

Neerwinden é uma vila na província belga de Liège. É atualmente parte do município de Landen. O terreno é muito plano. Os pontos mais elevados de onde se pode visualizar o campo de batalha são, na realidade, elevações muito suaves, poucos metros acima do terreno circundante. O principal curso de água na região é o Kleine Gete, rio que nasce em Ramillies e é afluente do Grote Gete. O rio passa a Oeste de Neerwinden, a uma distância de aproximadamente 5 km. Entre Neerwinden e Oberwinden, mais a Sul, o terreno é ligeiramente mais elevado, formando a colina de Mittelwinden.


As forças em presença

As forças francesas presentes na batalha pertenciam ao Exército das Ardenas. Este exército tinha sido criado por decreto da Convenção e foi formado com forças retiradas ao Exército do Norte. O comandante deste último era o General Dumouriez, que assumiu o comando do Exército das Ardenas entre 11 de março e 4 de abril, data em que desertou para o campo austríaco.

Charles-François du Périer Dumouriez, comandante das forças francesas.

Não se conhecem com exatidão os efetivos franceses. Sabe-se que se situavam entre os 40.000 e os 45.000 homens. As forças estavam organizadas da seguinte forma:
- Guarda avançada, sob comando do General de Divisão La Marche, com cerca de 4.000 homens de infantaria e 1.000 de cavalaria;
- Ala direita, com cerca de 10.000 homens, sendo 1.000 de cavalaria, sob comando dos generais Valence, Neuilly, Veneur e Dampiérre;
- Centro, sob comando do General Égalité, como era conhecido o duque de Chartres, com cerca de 8.000 homens sendo 1.000 de cavalaria;
- Ala esquerda, sob comando do General Miranda, com 16.000 homens, sendo 2.000 de cavalaria.

As forças austríacas encontravam-se sob o comando do Príncipe Josias de Coburg e eram constituídas por cerca de 43.000 homens. Entre estas forças encontravam-se seis batalhões de infantaria das Províncias Unidas.

Frederick Josias de Saxe-Coburg-Saalfeld, comandante das forças austríacas.


A batalha
As forças austríacas foram colocadas numa linha virada para ocidente, com o seu flanco direiro sobre a estrada que ligava Tirlemont (a actual Tienen) a Maastricht e o flanco esquerdo na região de Oberwinden. No centro do dispositivo ficava a povoação de Neerwinden. A esquerda deste dispositivo encontrava-se sob comando do Arquiduque Carlos, enquanto a direita era comandada por Charles Joseph de Croix, conde de Clerfait.

Dumouriez assumiu que os Austríacos eram mais fortes na sua ala direita, onde defendiam a sua linha de comunicações. Partindo desta suposição, decidiu atacar em força a esquerda austríaca.

O exército francês foi dividido em oito colunas. À direita, as três primeiras colunas, sob comando do General Valence, iriam flanquear Oberwinden, atacar a vila e a colina de Mittelwinden. Ao centro, o duque de Chartres, com duas colunas, iria atacar Neerwinden. À esquerda, o General Miranda, com três colunas, teria de capturar Leau, e apoderar-se da estrada Tirlemont – Maastricht.


Na direita francesa, pelas 07:00h, as tropas atravessaram de surpresa o rio Kleine Gete e atacaram. No entanto, Valence não conseguiu capturar Mittelwinden antes do meio dia. Neerwinden foi capturada e perdida duas vezes. De igual forma, Oberwinden foi capturada pelas tropas francesas para depois ser recapturada por Clairfait. As tropas francesas, perante os ataques da cavalaria austríaca, ainda foram obrigadas a ceder outras áreas que já tinham ocupado. Dumouriez fez avançar todas as suas forças da ala direita mas sem obter sucesso. Ao fim do dia, a ala esquerda austríaca encontrava-se mais ou menos nas mesmas posições que ocupava no início dos combates.

Na ala esquerda francesa, o General Miranda começou por conquistar a vila de Doormaal com a sua primeira coluna mas as suas forças foram obrigadas a abandonar as posições conquistadas devido a uma série de contra-ataques efetuados pelas tropas austríacas. A segunda coluna não conseguiu penetrar as posições inimigas e a terceira coluna, que atacou Léau, fracassou igualmente. Suas forças viram-se obrigadas a recuar e a atravessaram novamente o Kleine Gete para depois se dirigirem para Tirlemont.

Para se ter uma ideia da violência dos combates, pode-se recorrer a uma carta do General Miranda, datada de 21 de março, em que ele conta que sofreu cerca de 2.000 mortos e feridos, entre eles um oficial general e trinta outros oficiais. Ao todo, os franceses perderam cerca de 4.000 homens, mortos ou feridos, incluindo cinco generais, 1.000 desaparecidos ou capturados e 30 bocas de fogo de artilharia. Os austríacos, por seu lado, tiveram entre mortos, feridos e desaparecidos, 93 oficiais e 2.762 praças. Também perderam um elevado número (779) de cavalos. Após esta batalha, cerca de 6.000 franceses desertaram para o lado austríaco.


Consequências

A conduta de Dumouriez foi muito criticada. A 21 de março sofreu mais uma derrota num combate sem grande importância. Depois disso entrou em negociações com os austríacos. Com isso conseguiu retirar o seu exército para ocidente de Bruxelas sem ser molestado e desta forma preservou as suas tropas. No entanto viviam-se tempos agitados e este recuo despoletou ainda mais críticas por parte das forças radicais em Paris. Sentindo que não podia contar com o apoio dos seus homens, Dumouriez desertou para o campo austríaco a 5 de abril.

Fontes:
- CHANDLER, David G. Dictionary of the Napoleonic Wars. New York: Macmillan Publishing, 1979.
- DUPUY, Richard Ernest; DUPUY, Trevor Nevitt, The Encyclopedia of Military History. New York: Harper & Row, Publishers, 1986.
- RICKARD, J. Battle of Neerwinden, 18 March 1793,  Disponível em http://www.historyofwar.org/articles/battles_neerwinden_1793.html
- SMITH, Gigby, The Greenhill Napoleonic Wars Data Book. Londres: Greenhill Books, 1998.


sexta-feira, 20 de julho de 2018

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL JOAQUIM DE OLIVEIRA ÁLVARES



* Ilha da Madeira, Portugal -19/11/1776

+ Paris, França - ??/??/1835


Nascido na Ilha da Madeira, Portugal, Joaquim de Oliveira Álvares foi um dos  primeiros generais do Exército Brasileiro, formado logo após a independência do Brasil, e o primeiro Ministro da Guerra do novo imperador D. Pedro I.

Completou seus estudos preparatórios na Inglaterra, depois frequentou a Universidade de Coimbra, onde formou-se em matemática e filosofia, e de lá saiu para alistar-se na marinha.

Após combates com a esquadra francesa de Napoleão Bonaparte, foi feito prisioneiro, mas conseguiu escapar, alistando-se, então, no exército. Transferido em 1804 para o Brasil, como capitão de artilharia da Legião de Voluntários de São Paulo. Em 1807, promovido a major comandante desta legião, foi transferido para o Rio Grande do Sul, onde ascendeu ao posto de tenente-coronel em 1810.

Participou das campanhas de 1811 e 1812, sendo promovido a coronel e depois a brigadeiro, em 1814.  Comandou as forças de cavalaria, que na Guerra contra Artigas, venceram as tropas inimigas na Batalha de Carumbé, derrotando a José Antonio Berdún, e participando depois da Batalha de Catalão.

Acabada a guerra, adoentado, mudou-se para Santa Catarina, em 1820, e depois para o Rio de Janeiro. Em 7 de janeiro de 1822 foi promovido a marechal. No Rio de Janeiro foi membro do 'Clube Conspirado', o qual também frequentavam Joaquim da Rocha Nóbrega, Francisco Maria Gordilho Veloso de Barbuda, apoiando D. Pedro I na Independência do Brasil.


Ofício de Joaquim de Oliveira Álvares à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil, 1823 



Em 11 de janeiro de 1821, dois dias após o Dia do Fico, comandou as tropas locais que resistiam às tropas portuguesas do general Avilez, que queriam que D. Pedro I cumprisse o decreto de D. João VI e retornasse à Europa, para aprimorar sua educação. Logo em seguida foi nomeado ministro da Guerra, cargo que exerceu entre 16 de janeiro de 1821 a 27 de julho de 1822, tendo deixado o ministério por motivo de doença. Retornou ao ministério, entre 24 de julho de 1828 e 4 de agosto de 1829, tendo negociado um tratado de paz com a Argentina. 


Em fevereiro de 1829 uma revolta em Pernambuco foi prontamente sufocada, entretanto, por exageros no relatório do presidente da província, tanto o Ministro da Guerra, quanto o da Justiça, tomaram ações excessivas contra a pretensa rebelião. Álvares criou um tribunal militar para julgar os envolvidos, ação pela qual foi depois acusado de não respeitar a Constituição, que não permitia tribunais excepcionais e extraordinários, e, após extensos debates, foi depois inocentado.


Foi eleito deputado provincial pelo Rio Grande do Sul, na segunda legislatura. Em 1830 partiu para Londres para receber uma herança que lhe tinha recebido de seu irmão, que lá era negociante. Da herança gastou 80 mil libras na compra de títulos brasileiros, valorizando os títulos em Londres. Também avisou o governo brasileiro que poderia atrasar o seu pagamento de dividendos, caso necessário, que não tomaria nenhuma ação a respeito.


Adoentado na Europa, mudou-se para Paris, onde faleceu em 1835, sendo sepultado no Cemitério do Père-Lachaise.


Recebeu a comenda da Imperial Ordem de Avis, e depois foi nomeado oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, em 1825 e grã-cruz da recém criada Imperial Ordem da Rosa, em 1829.




Fontes:

- DARÓZ, Carlos Roberto.  A milícia em armas: o soldado brasileiro da guerra de independência. Anais do XXXVII Congresso Internacional de História Militar, Rio de Janeiro, 2011. 
- SILVA, Alfredo P.M. Os Generais do Exército Brasileiro, 1822 a 1889. Rio de Janeiro: M. Orosco & Co, 1906, vol. 1.

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sexta-feira, 13 de julho de 2018

UNIFORMES - EXÉRCITO IMPERIAL JAPONÊS NA REVOLTA DOS BOXERS

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Exército Imperial japonês

Tenente com uniforme de combate
Rebelião dos Boxers (1900)


O assassinato do embaixador alemão na China e o subsequente cerco dos Boxers ao bairro das legações estrangeiras em Pequim fizeram com que as potências ocidentais (Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Rússia e Estados Unidos) e o Japão enviassem tropas para intervir na situação, resgatar as missões diplomáticas, proteger os missionários ocidentais e punir os Boxers. O Exército Japonês usaria a ocasião para mostrar o resultado de suas mais recentes reformas militares.

Uma pequena força expedicionária aliada montada apressadamente sob o comando britânico contando com cerca de 2.000 soldados, incluindo aproximadamente 300 japoneses, marchou de Tianjin para Pequim no início de junho.  Em 12 desse mesmo mês, as forças armadas mistas de Boxer e Qing interromperam esse avanço, destruindo uma ponte a 30 milhas da capital. Os aliados, em número muito inferior, sofreram mais de 300 baixas.

Ciente do agravamento da situação, o estado-maior em Tóquio esboçou planos ambiciosos de contingência, mas o gabinete, com lembranças recentes e amargas da Intervenção Tripartite, recusou-se a mobilizar forças de grande porte, a menos que fossem solicitadas pelas potências ocidentais. 

Três dias depois, o estado-maior enviou uma força provisória de 1.300 homens ao norte da China, comandada pelo major-general Fukushima Yasumasa, diretor do 2º Departamento de Inteligência, escolhido porque seu inglês fluente lhe permitiria se comunicar com o comandante britânico. O destacamento de Fukushima desembarcou em 5 de julho perto de Tianjin.

O Exército Imperial japonês enviou o maior contingente para sufocar a rebelião.



quinta-feira, 12 de julho de 2018

LIVRO CONTA A HISTÓRIA DA MUDANÇA DE SEDE DA ESCOLA DE AERONÁUTICA PARA PIRASSUNUNGA

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Na manhã do dia 25 fevereiro de 1964, um Fairchild C-82 Packet, matrícula 2200, decolou do Campo dos Afonsos com destino a Pirassununga. A aeronave levava o primeiro grupo de 67 cadetes para o início da instrução de voo na aeronave NA T-6 Texan, no Destacamento Precursor da Escola de Aeronáutica. Viagens para instruções ou representações fora da sede eram atividades comuns para aqueles cadetes, mas aquela viagem tinha um significado especial na história da formação dos oficiais da Força Aérea Brasileira. Pela primeira vez, a tão anunciada transferência da Escola do Campo dos Afonsos começava a ser cumprida. Tal fato distinguiria de forma indelével aquela turma de cadetes das demais, até então integralmente formadas no “Lendário Berço da Aviação”.

Aeronaves NA T-6 na AFA

Lançado no dia 3 de julho, durante a V Olimpíada de História Militar e Aeronáutica da Academia da Força Aérea, o livro intitulado 1964: Precursores da Academia da Força Aérea, o novo Ninho das Águias, de autoria de Claudio Passos Calaza e Hermelindo Lopes Filho, conta, com detalhes, toda uma história até então desconhecida pelas novas gerações.  Mediante intensas pesquisas e sob o viés da memória da turma de aspirantes aviadores de 1964, os autores resgataram o intrincado processo de mudança de sede da Escola de Aeronáutica, do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, para a cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo. A obra constitui, sem dúvida, uma inestimável contribuição para a história da FAB e de sua principal escola de formação.

Os autores Hermelindo Lopes Filho e Claudio Passos Calaza durante o lançamento da obra


Para adquirir seu exemplar basta entrar em contato pelos endereços eletrônicos abaixo:

calazacp@gmail.com

albuqqq@gmail.com

hermelindo.lopes@yahoo.com


ANVFEB COMEMORA MAIS UM ANIVERSÁRIO

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