"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

MUITA POMPA PARA A GUERRA: OS UNIFORMES DA RÚSSIA DO CZAR

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As inúmeras mudanças nos uniformes militares russos na época do último czar.

Por Alexandr Verchínin


O último czar russo, Nikolai II, tinha uma paixão talvez maior do que os seus antecessores por atributos militares externos: manobras, desfiles e uniformes. O seu pai, Aleksandr III, um homem que não gostava de grandes públicos e que apreciava coisas singelas, havia simplificado o uniforme dos soldados russos. Os bordados de renda, o uniforme de gala e os exuberantes enfeites de crina de cavalo foram abolidos.

Já Nikolai II acreditava que os elementos cerimoniais dos uniformes eram parte necessária da vida militar de soldados e oficiais. Mal subiu ao trono, em 1894, e reformulou a roupa da cavalaria. O novo uniforme mais lembrava a vestimenta de seus antecessores distantes que marcharam sobre Paris em 1814: jaquetas de abotoamento duplo afuniladas na cintura com bainha colorida na lapela e punhos. Em vez do simples cinturão de couro com a bainha para a espada, introduzido no reinado anterior, os oficiais voltaram a usar a faixa de gala bordada.

O uniforme simples do Exército introduzido por Aleksandr III se manteve em uso até a guerra russo-japonesa. Os soldados russos foram para essa batalha vestindo túnicas brancas e quepes que variavam de cor, dependendo da unidade militar, mas que eram cobertos por uma capa também branca. Quanto aos oficiais, usavam túnicas brancas.

Por saltar à vista e se distinguir tão bem ao longe, aquele uniforme transformava os soldados russos em alvos fáceis para os artilheiros inimigos. A situação ficou tão grave que os combatentes começaram a pintar a vestimenta por iniciativa própria. Em 1904, teve início a confecção de guimnastiôrkas (tipo de camisa longa e larga)  dos soldados e túnicas dos oficiais em tecido cáqui.

Admirador das pompas militares, Nikolai II posa para fotografia em meio a seus oficiais

A derrota da Rússia na guerra russo-japonesa levou a novas alterações no uniforme. Por um lado, as batalhas demonstraram que a roupa do Exército precisava ser adaptada às novas condições de combate. Por mais que as camisas brancas como a neve fossem do agrado dos soldados, e as brilhantes dragonas ao sol, dos oficiais, não dava para virar mira fácil de um franco-atirador ou de uma metralhadora inimiga.

Em 1907, o exército foi inteiramente vestido com uniformes cáqui. O quepe com pala se impôs definitivamente como principal atributo da chapelaria militar, enquanto as calças largas, enfiadas dentro das botas, substituíram por completo as calças justas, tendo apenas os cavaleiros mantido as reithose (calças justas de equitação) cinzas com elementos coloridos. As túnicas e camisas brancas viraram para sempre “coisa do passado”. Os novos uniformes dos oficiais eram cáqui com bolsos no peito e botões metálicos. As guimnastiôrkas dos soldados também receberam bolsos, mas os seus botões eram feitos de couro pressionado.


Psicologia da moda

Para elevar a moral do Exército derrotado, surgiu um novo uniforme cerimonial  ou de gala. Todos os soldados receberam jaqueta de abotoamento duplo com debrum (acabamento feito entre duas costuras) de cor viva. Os oficiais dos regimentos ganharam bordados de ouro sobre a jaqueta, e os generais, um ornamento especial com a forma de folhas de carvalho.

Em algumas unidades foram retomadas as já esquecidas barretinas, confeccionadas  no mesmo modelo daquelas usadas pelos soldados russos em 1812. No Regimento de Granadeiros foi ordenado que se voltasse a colocar sobre o ombro direito os alamares, tal como no século 18, com o monograma de Ekaterina II. As faixas de cintura de prata se assemelhavam àquelas usadas no tempo de ​ Suvorov. Os elementos do uniforme militar do glorioso passado da Rússia deveriam levantar o moral dos combatentes.


Triunfo do espírito

A Primeira Guerra Mundial, que eclodiu em 1914, não permitiu aos soldados russos apreciar plenamente a beleza do novo uniforme cerimonial. Não restou outra opção, senão colocá-lo de lado, uma vez que na frente de batalha ele não tinha qualquer utilidade. Os oficiais tiveram que vestir um uniforme do mesmo tipo do dos soldados.

Elaborado uniforme do Regimento de Cavalaria de Guarda

Todos os elementos chamativos e brilhantes dos uniformes, botões e insígnias das platinas, foram pintados com cores escuras para os tornar invisíveis aos artilheiros inimigos. As correias entrelaçadas do cinto da espada foram substituídas por correias de couro que se cruzavam nas costas e que mantinham o cinturão com um coldre para o revólver e uma bainha para a arma branca. Junto com a túnica militar e a guimnastiôrka começou a ser usada a jaqueta, cuja moda foi introduzida pelas fileiras dos aliados do exército britânico.

A falta de material também levou a alterações no estilo da vestimenta militar. As tropas do front do Cáucaso receberam autorização para confeccionar as suas tcherkéskas com tecido cinzento caseiro. A falta de couro levou à substituição maciça das botas com caneleira enrolada.

Soldados russos durante a Guerra Russo-Japonesa de 1905


Supunha-se que o uniforme cerimonial do Exército russo seria mais uma vez trajado nas capitais dos estados inimigos derrotados – Berlim e Viena. Chegou mesmo a ser feita um traje especial para a futura parada da vitória. O chapéu de feltro em forma de capacete, imitando o antigo capacete russo, foi criado na véspera da guerra para as celebrações por ocasião do jubileu da dinastia reinante. Longos capotes com martingales costurados na região do peito, um sobre outro, faziam lembrar o caftã dos arqueiros russos.

Tudo isso deveria simbolizar o triunfo do espírito eslavo sobre o seu eterno inimigo – a Alemanha. No entanto, a guerra se arrastou e levou a uma revolução. O novo uniforme acabou sendo herdado pelo Exército Vermelho, cujos soldados o tornaram visível e reconhecido no mundo inteiro.

Fonte: Gazeta Russa


terça-feira, 15 de agosto de 2017

EQUIPE DA AMAN VENCE A IV OLIMPÍADA DE HISTÓRIA MILITAR E AERONÁUTICA

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Nos dias 9 e 10 de agosto de 2017, a Academia da Força Aérea promoveu a quarta edição da Olimpíada de História Militar e Aeronáutica, a sempre vibrante competição de conhecimentos que procura, por meio do lúdico, despertar talentos e estimular o estudo da História Militar entre os cadetes da Aeronáutica. Desde 2016, a olimpíada passou a incluir a participação dos aspirantes da Escola Naval e dos cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). 

A competição contou com a participação maciça do Corpo de Cadetes da Aeronáutica: vibração e conhecimento

A palestra de abertura foi proferida pelo coronel R1 Fernando Velôzo Gomes Pedrosa, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, que apresentou o tema “Eficácia Militar: uma abordagem histórica”. Os futuros oficiais formaram equipes de quatro integrantes para enfrentar as difíceis provas intelectuais que envolvem conhecimentos da história das guerras da Antiguidade até a Idade Contemporânea. Para esta competição, foram formadas 10 equipes, que envolveram 40 estudantes das três escolas militares. Surpreendentemente, a fase final acabou por ser disputada por uma equipe de cada escola.

A equipe Almirante Saldanha da Gama, da Escola Naval, em plena disputa

A novidade no resultado deste ano ficou por conta da AMAN, que conquistou a primeira colocação com a equipe Duque de Caxias. O segundo lugar coube à equipe Alte. Saldanha da Gama, da Escola Naval. A medalha de bronze ficou com a equipe Brigadeiro Rui Moreira Lima, formada por cadetes da AFA.  Assim como no ano passado, as provas foram disputadíssimas e o resultado final só foi decidido na última bateria de questões, quando a equipe da Marinha quase abocanhou a medalha de ouro se não tivesse errado sua última questão.

A seguir, algumas fotos da competição:

A equipe Brigadeiro Rui Moreira Lima, da Academia da Força Aérea, concentrada em mais uma pergunta da Olimpíada

A equipe Duque de Caxias, pertencente à Academia Militar das Agulhas Negras, com suas medalhas de ouro após a vitória

Em perfeita integração interforças, os integrantes das três equipes finalistas ostentam suas medalhas.

O Brigadeiro Baccarin, comandante da Academia da Força Aérea, realizando a entrega da premiação aos cadetes da equipe vencedora.

O Blog Carlos Daroz-História Militar parabeniza a Academia da Força Aérea e a organização da Olimpíada, na pessoa do Cel Cláudio Calaza, pela excelência e primor do evento, que, a cada ano, alcança mais relevância e visibilidade.

Que venha a V Olimpíada no ano de 2018.

"MACTE ANIMO! GENEROSE PUER, SIC ITUR AD ASTRA".
("Jovem, ânimo! Por este caminho se vai ao Céu". Lema da Academia da Força Aérea)


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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

II SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA MILITAR

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Será realizada, entre 29 e 31 de agosto, a segunda edição do Simpósio Nacional de História Militar, no qual serão apresentadas as mais recentes pesquisas no campo do estudo da guerra, das instituições militares e do soldado.  

O simpósio transcorrerá na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e no Museu Naval, com o apoio da Universidade Estadual de Londrina, Diretoria de Patrimônio Histórico e Documentação da Aeronáutica, UNIRIO, Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Escola de Guerra Naval e Universidade Salgado de Oliveira.

Participe e vivencie a cooperação intelectual entre militares e acadêmicos para a consolidação da História Militar como disciplina.




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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

MUSEU DA GUERRA CIVIL AMERICANA FECHA SUAS PORTAS APÓS POLÍTICA EXIGIR A RETIRADA DE BANDEIRAS CONFEDERADAS

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O Museu de Nash Farm, em Hampton, na Geórgia, teria cessado suas atividades depois que uma política democrata local exigiu a remoção de suas bandeiras confederadas.


Nos Estados Unidos continua a polêmica em torno das bandeiras confederadas que fazem referência ao período da Guerra Civil Americana. Dessa vez uma controversa decisão política prejudica a museologia e a promove um silenciamento da memória histórica. 

De acordo com a porta-voz do condado de Hampton, Melissa Robinson, a vereadora democrata Dee Clemmons "solicitou", em nível pessoal, que as bandeiras confederadas fossem removidas do acervo.

Tim Knight, que trabalha para a organização sem fins lucrativos que administra o museu, deu outra versão, afirmando que Clemmons primeiro "exigiu" a remoção de bandeiras confederadas do lado de fora do estabelecimento e, em seguida, exigiu a remoção de todos os artefatos confederados dentro da propriedade.

A organização controladora do museu insistiu que não poderia relatar adequadamente a história da batalha travada 1864 sem seus artefatos e exposições confederados.  Como resultado o museu fechou suas portas e encerrou suas operações.

Um dos objetos confederados existente no acervo do museu

Robinson, no entanto, afirmou que não havia nada de irracional no pedido da vereadora: "Acho que é razoável", disse ela. "Eu acho que havia muitos outros artefatos no museu que poderiam contar a história da Guerra Civil".

"Eu entendo que algumas pessoas acham a imagem ofensiva [da Confederação]", disse Stuart Carter, um residente e defensor do museu, "mas se tentarmos apagá-lo da história, então não poderemos nos lembrar de como erramos e por que não devíamos incorrer no erro novamente". Ele continuou afirmando: "Nash Farms sempre representou ambos os lados do conflito."

Fonte: Milo

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sábado, 5 de agosto de 2017

UMA NADA ORTODOXA FORÇA AÉREA PRIVADA NO AFEGANISTÃO

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O fundador da companhia militar privada Blackwater quer impulsionar a guerra aérea afegã com sua força aérea particular

Por Shawn Snow e Mackenzie Wolf 


Erik Prince, o ex-CEO da companhia militar privada conhecida como Blackwater, quer intensificar a guerra aérea afegã com uma força aérea privada capaz de coleta de inteligência e apoio aéreo aproximado, de acordo com uma proposta recente submetida ao governo afegão.

De acordo com um oficial superior afegão, Prince apresentou uma proposta de negócios que oferece uma "ala aérea composta" para ajudar a incipiente força aérea afegã em sua luta contra o Talibã e outros grupos militantes.

O desenvolvimento vem no momento em que a Casa Branca está considerando um plano para desencadear o envolvimento dos EUA no Afeganistão e substituir o vácuo de poder que se segue com empreiteiros privados.

Erik Prince, fundador e ex-CEO da Blackwater ofereceu ao governo afegão os serviços de sua força aérea privada

Os funcionários do Pentágono são céticos com esse plano. Além disso, um alto funcionário de defesa afegão disse ao jornal Military Times que o general John Nicholson, comandante das forças dos EUA no Afeganistão, se recusou a encontrar-se com Prince para tratar do plano.

O Military Times tentou entrar em contato com funcionários militares dos EUA no Afeganistão para um comentário sobre a reunião de Nicholson - ou a inexistência dela - com o Prince, mas ainda não recebeu uma resposta.

A proposta apresentada ao governo afegão em março inclui uma impressionante variedade de aeronaves de combate para uma empresa privada. A proposta inclui aviões de asa fixa, helicópteros de ataque e drones capazes de fornecer apoio aéreo aproximado para a manobra das forças terrestres, de acordo com uma cópia da proposta obtida pelo Military Times.

A proposta promete fornecer apoio aéreo de "resposta de alta velocidade", no qual "todo o país pode ser atendido em menos de 1 hora".  A proposta afirma que as decisões de liberação de armas ainda serão feitas pelos afegãos.

Dois jatos L-39 Albatross do Corpo Aéreo Nacional Afegão realizando voo de formatura sobre Cabul

Os quadros aéreos também serão equipados com sensores para fornecer coleta de inteligência, que inclui inteligência de imagens, inteligência de sinais e inteligência de comunicação. A aeronave seria operada pelos funcionários da empresa privada.

Uma ferramenta em particular é uma aplicação do iPhone chamada Safe Strike, uma ferramenta para os controladores aéreos aproximados chamarem com segurança e precisão os ataques aéreos. A proposta também promete "conduzir a evacuação médica em situações de combate", com "ex-médicos militares e atiradores de porta".

A força aérea afegã está nos primeiros estágios de transição de sua antiga frota de helicópteros russos de transporte Mi-17 para o modelo UH-60A modelo Black Hawks - um desenvolvimento que Nicholson considera necessário para ajudar a quebrar o impasse no Afeganistão.  No entanto, esses helicópteros não chegarão ao Afeganistão antes de dois anos, e o treinamento não deverá começar até o final deste outono.

Com o aumento das baixas do campo de batalha e o contínuo balanço do território entre o controle do governo afegão e do Talibã, a proposta de Prince procura fornecer uma força aérea privada provisória, enquanto a força aérea afegã atinge a capacidade operacional total.

No entanto, nem todos estão de acordo com o plano. Ronald Neumann, o embaixador dos EUA no Afeganistão de 2005 a 2007 e agora presidente da Academia Americana de Diplomacia, disse que o Afeganistão não aceitará uma força contratada privada. "O presidente Ghani me disse que não vai aceitar", disse Neumann ao Military Times em uma entrevista. "Os afegãos nunca aceitarão isso".

Neumann também questionou a legalidade e o custo de usar uma força contratada privada ao invés de utilizar os recursos militares dos EUA. "Não pode ser mais barato", disse ele. "Essa ideia de que é de alguma forma mais barata é ridícula. Qualquer força terá os mesmos requisitos [de suporte e logísticos].” As forças contratadas também não teriam as mesmas proteções legais sob o direito internacional, disse Neumann.

No entanto, este não é o primeiro rodeio de Erik Prince. O ex-CEO da Blackwater provocou uma controvérsia há uma década, quando sua empresa forneceu centenas de milhões de dólares em serviços de apoio à segurança para o governo dos EUA no Iraque.

Mais recentemente, Prince usou sua força aérea privada em todo o mundo para incluir Somália, Iraque e Sudão do Sul. Prince também teria laços estreitos com o governo Trump: ele é o irmão da Secretária de Educação, Betsy DeVos, e foi supostamente aprovado para criar uma linha de comunicação do canal de retorno com o governo russo durante a transição do Trump.

Helicóptero Bell 412, com matrícula civil, pertencente à EP Aviation

A empresa Prince é agora chamada Frontier Services Group e tem sede em Hong Kong. Através de uma afiliada conhecida como EP Aviation, Prince opera sua própria força aérea pessoal. Na África Central, a luta contra o Exército de Resistência do Senhor é reforçada pelo poder aéreo de Prince. Os helicópteros registrados na EP Aviation foram vistos transportando tropas das Forças Especiais dos EUA na região da África Central, conforme relatório do Daily Beast.

A empresa nomeada na proposta ao governo afegão, Lancaster6, já está operando algumas de suas aeronaves no Afeganistão, oferecendo transporte de mão-de-obra, transporte de tropas e lançamento de suprimentos e cargas com paraquedas.  Não está claro exatamente o papel atual de Prince na Lancaster6, que é baseada em Dubai. O oficial afegão disse que Prince apresentou pessoalmente a proposta de Lancaster6 às autoridades afegãs.

O atual CEO da Lancaster6, de acordo com um perfil pessoal do LinkedIn, é o ex-diretor de operações e diretor de aviação do Prince's Frontier Services Group, Christiaan Durrant. Durrant foi recrutado por Erik Prince para construir sua força aérea privada, de acordo com um relatório do jornal The Intercept.  Tanto o Frontier Services Group e a Lancaster6 não responderam aos pedidos de comentários do Military Times.

As forças afegãs, desde que assumiram a responsabilidade pela segurança do Afeganistão em 2015, têm suportado o peso do sacrifício com dezenas de vidas perdidas todos os dias, disse um oficial afegão ao Military Times. "A aviação é uma parte importante da luta contra o terrorismo", disse o militar. "Esperamos que as forças de segurança afegãs sejam providas de aeronaves adequadas, modernas e sofisticadas, em última instância, estas são as forças afegãs que continuarão a garantir que a região esteja protegida contra o terrorismo, a um longo prazo".

Comandos do Exército Nacional Afegão se preparam para realizar uma missão na província de Kandahar, em 20 de fevereiro de 2013. A capacidade da força aérea afegã continua limitada.

Uma porta-voz do Pentágono se recusou a comentar especificamente sobre a proposta contratada por Prince. "O secretário escuta muitos pontos de vista diferentes na formulação de planos militares", disse Dana W. White, porta-voz do secretário de Defesa, James Mattis.  "No momento, seu foco permanece em trabalhar com seus colegas membros do gabinete e com a Casa Branca para completar uma estratégia nacional para o sul da Ásia", disse ela. "Qualquer decisão que ele tome em relação aos níveis das trocas ou outro apoio ao Afeganistão apoiará essa estratégia".

De acordo com a proposta, o apoio aéreo contratado continuará até que os afegãos deixem de perder território até 2017-2018, e as forças afegãs começarem a retomar o terreno perdido para o Talibã.

Atualmente, há cerca de 8.500 soldados dos EUA no Afeganistão, número muito abaixo do pico de cerca de 100.000 em 2011. Os EUA fornecem apoio aéreo aproximado para forças terrestres afegãs em operações contra o Talibã e a facção do grupo do Estado islâmico no Afeganistão.

Fonte: Air Force Times

O SAQUE E A PILHAGEM NO SISTEMA LOGÍSTICO

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Ainda na Renascença, o problema da logística era tratado como no período medieval, predominando o sistema de requisições, quando em território amigo, e saques e pilhagens, quando o exército operava em uma área invadida. Muito embora aos olhos de hoje o saque pareça uma aberração e um desvio de caráter, nos exércitos modernos, amplamente compostos por mercenários, era uma prática comum, necessária e até mesmo incentivada pelos comandantes. Nesse sistema, no qual a violência das tropas era um fator intrínseco, os recursos para abastecer a tropa eram requisitados – ou saqueados – junto à população local, o que proporcionava grande flexibilidade para os pequenos exércitos mercenários e constituía-se na única alternativa para tropas sem uma estrutura logística formalmente estabelecida. As requisições, contudo, possuíam desvantagens significativas, pois os objetivos militares ficavam condicionados à possibilidade de obtenção dos suprimentos e impediam a concentração de grandes quantidades de soldados em determinadas áreas.

Apesar de garantirem o abastecimento de alimentos e de alguns outros itens, o sistema não era capaz de fornecer armas e munições para o exército, tendo esses itens que ser, obrigatoriamente, transportados pelos próprios soldados. Além desses problemas, havia o custo político e social do saque, que frequentemente provocava a revolta das populações de países ocupados.

Embora a modalidade do saque proporcionasse algum apoio logístico para os exércitos invasores, o custo social e material para as populações invadidas era imenso.


Roland Mousnier exemplifica os efeitos do saque sobre a população durante a Guerra dos Trinta Anos: 

“Era mister permitir que os soldados se nutrissem à custa dos habitantes ou impusessem contribuições ao país. Os soldados pilhavam, violavam, torturavam, incendiavam e causavam terror. As perpétuas variações de efetivos, as devastações, acarretavam longos períodos de suspensão das operações. Às vezes, a fome afugentava as tropas vitoriosas das regiões invadidas. [...] Os soldados apoderavam-se do gado, arrancavam o trigo, destruíam o que não levavam, cortavam as árvores, os cepos de vinha, quebravam portas, janelas, fogões, agrediam os habitantes. Mesmo as propriedades do Imperador eram saqueadas. Os camponeses viam-se reduzidos a comer ervas, cascas e frutos selvagens, a esconder-se nas florestas. Os viajantes eram assaltados nas estradas principais.”

No mesmo conflito, durante o saque à cidade luterana de Magdeburgo, em 1631, na Alemanha central, o exército da Liga Católica do general Graff Von Tilly massacrou homens, mulheres e crianças, cuja maioria tinha se rendido e implorava pela vida. O vilarejo foi completamente destruído e, de uma população de 30 mil moradores, apenas 5 mil pessoas conseguiram sobreviver. Um censo realizado na cidade, em 1640, apontou somente 2.400 habitantes. Com o objetivo de diminuir o desperdício e a violência, a França criou uma burocracia civil – a Intendência – para organizar as requisições, no que foi seguida pela Prússia.

Durante a Guerra dos Trinta Anos, o vilarejo de Magdeburgo foi completamente destruído e saqueado. De uma população de 30 mil moradores, apenas 5 mil pessoas conseguiram sobreviver. Um censo realizado na cidade, em 1640, apontou somente 2.400 habitantes.


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A GUERRA DO AÇÚCAR: AS INVASÕES HOLANDESAS NO BRASIL


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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O EMPREGO MILITAR DO AVIÃO

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Tão logo foi inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, o avião começou a ser cogitado para ser utilizado em operações de guerra. Na realidade, a ideia de utilizar meios aéreos para finalidades militares precedeu a própria invenção do avião.

Tão logo foi inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, o avião começou a ser cogitado para ser utilizado em operações de guerra. Na realidade, a ideia de utilizar meios aéreos para finalidades militares precedeu a própria invenção do avião. Já no século XVII, o jesuíta italiano Francesco Lana de Terzi considerou a possibilidade de serem lançados pedaços de ferro, a partir de um balão, para atingir e afundar embarcações inimigas.

O padre Bartolomeu de Gusmão imaginou o uso dos balões como plataforma de observação de tropas inimigas no campo de batalha, utilização que se tornou realidade em diversos conflitos dos séculos XVIII e XIX, como a Revolução Francesa, a Guerra Franco-Prussiana, a Guerra Civil Americana, a Guerra Hispano-Americana e a Guerra da Tríplice-Aliança. Ainda no início do século XX, os balões de observação chegaram a ser utilizados durante a 1ª Guerra Mundial.

Balão de observação francês ascendendo durante a Guerra Franco-Prussiana em 1871.

Com o surgimento do avião, os exércitos das principais potências mundiais começaram a vislumbraram sua utilização como arma de guerra. O inventor britânico John William Dunne teve seus projetos patrocinados pelas forças armadas do Reino Unido, e testados em segredo, em Glen Tilt, nas Scottish Highlands. Seu desenho mais conhecido, o D4, voou em dezembro de 1908, perto de Blair Atholl, em Perthshire.

Em julho de 1909, o aviador francês Louis Blériot atravessou o Canal da Mancha e chegou à Inglaterra. Os britânicos compreenderam que sua condição de nação insular não seria mais uma garantia de defesa contra futuras ações inimigas. Diante da façanha, o imperador alemão Guilherme II asseverou: “A Inglaterra não é mais uma ilha”.

Louis Blériot em seu avião antes de uma decolagem. "A Inglaterra não era mais uma ilha".

As forças armadas dos países mais importantes do mundo começaram a criar seus componentes aéreos, com a finalidade de atuarem em proveito de suas respectivas forças terrestres e navais. Por exemplo, em 1910 foi criado o Serviço Aeronáutico do Exército Francês e, dois anos depois, a Grã-Bretanha organizou o Royal Flying Corps (Real Corpo de Aviação) e o Royal Naval Air Service (Real Serviço Aeronaval), componentes do exército e da marinha, respectivamente. O mesmo ocorreu com a Alemanha, que estruturou os serviços aéreos de suas forças terrestre e naval.

Em 1909 os irmãos Wright venderam, para o Departamento de Guerra dos EUA, um de seus biplanos de dois lugares. O mesmo tipo de aeroplano foi comercializado pelos inventores com o Exército Francês.

A Alemanha passou a investir no emprego militar dos dirigíveis Zeppelin, já então consagrados como aeronaves de transporte de longo alcance. Tanto a Marinha Imperial quanto o Exército Imperial alemães passaram a empregar os dirigíveis como plataforma de observação, podendo voar mais alto, e por mais tempo, do que qualquer avião existente.

O dirigível LZ-3, da Marinha Alemã, em seu hangar.

Os aviões militares dos primeiros anos da década de 1910 eram frágeis, pequenos e podiam levar somente o piloto. Possuíam cabine aberta e instrumental de voo extremamente primitivo. Além disso, o piloto precisava utilizar um pesado traje de voo para suportar o frio quando em missão. A orientação era realizada pela comparação dos mapas com o terreno, tendo o aviador que pilotar, manusear o mapa em meio ao vento e compará-lo com a superfície centenas de metros abaixo, frequentemente por entre as nuvens. Por esta razão os casos de desorientação ocorriam com frequência, sendo comum os pilotos pousarem em algum campo para perguntar aos moradores locais onde se encontravam.

Os pilotos precisavam utilizar um pesado traje de voo para suportar o frio quando em missão. Um desses pesados trajes de voo na década de 1920.

As falhas mecânicas, aliadas à inexperiência dos pilotos, provocavam muitos acidentes, com perda de material e de aviadores. A despeito desses óbices, a aviação de guerra se desenvolveu inexorável e rapidamente.

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UM CÉU CINZENTO: A HISTÓRIA DA AVIAÇÃO NA REVOLUÇÃO DE 1932


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domingo, 30 de julho de 2017

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CAPITÃO-DE-FRAGATA LUÍS BARROSO PEREIRA

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* ??/??/1786 - Minas Gerais

+ 27/04/1826 - Montevidéu, Uruguai


O Capitão-de-Fragata Luís Barroso Pereira, era filho do Desembargador Antônio Barroso Pereira e de dona Maria Inácia de Castro Sampaio, nasceu em Minas Gerais, em 1786. Mandado para Lisboa, matriculou-se aos 15 anos de idade na Real Academia dos Guardas-Marinha.  Ao concluir o curso, demonstrou, de imediato, “as suas belas qualidades de oficial hábil e inteligente.”

Distinguiu-se pelo seu zelo e galhardia, quando, no comando de algumas barcas-canhoneiras, prestou inestimáveis serviços na guerra da península, principalmente em Santarém, quando ai se achava o General francês Massena. Em 1816, regressou ao Brasil, fazendo parte da esquadra que sob o mando de José Rodrigo Lôbo dirigia-se à Banda Oriental, transportando as tropas do General Lecor (Voluntários Reais), com o fito de combater Artigas.  Depois de desembarcar as tropas em Santa Catarina a esquadra seguiu para o Rio da Prata onde estacionou. 

Após a vitória de India-Muerta, Lecor entrou triunfalmente em Montevidéu. Precisava ele enviar a Buenos Aires um comissário que tratasse com esse governo de assuntos importantíssimos, concernentes à guerra na Banda Oriental. Era mister que o encarregado dessa missão possuísse, a par da habilidade, circunspeção, prudência e ilustração. O Almirante Lôbo enviou ao General o jovem Barroso, dizendo-lhe que não encontraria, nem no Exército nem na Esquadra, oficial mais inteligente, hábil e probo. Depois de receber Instruções do General Lecor, Barroso Pereira dirige-se a Buenos Aires, onde saiu-se muito bem, graças a seu trato afável e sua bela educação. Conservou-se algum tempo em Buenos Aires, retirando-se depois para o Rio de Janeiro.

Com a proclamação da Independência, embarcou na Fragata Nichteroy como seu imediato, e, com Lorde Cochrane, partiu para a Bahia, a fim de combater a esquadra portuguesa, que se rebelou contra o novo governo. Destacou-se no combate de 4 de maio de 1823.

Taylor culminou de elogios o seu imediato, e como recompensa dos seus serviços, Barroso Pereira recebeu o Oficialato da Imperial Ordem do Cruzeiro, sendo nomeado para comandar a Fragata Imperatriz, que se achava no Pará.  Tomou parte na pacificação de Pernambuco.

Regressando ao Rio de Janeiro, ai se achava ele, quando irrompeu a Guerra da Cisplatina.
Comandando a fragata Imperatriz, foi enviado para Montevidéu a fim de garantir as Província Unidas do Prata. Nessa luta, voltou a demonstrar a sua desmedida bravura.

A esquadra argentina, sob o comando, do Almirante William Brown, não cessava de hostilizar as forças brasileiras, atacando a Colônia do Sacramento e Montevidéu. Brown alimentava a ideia de capturar um navio brasileiro, mesmo no seio da nossa esquadra. Pretendia, sobretudo, aprisionar a Nichteroy, comandada por Norton, seu rival em audácia.

Para isso, com seis dos seus melhores navios, foi fundear junto ao banco Ortiz; posteriormente, fez-se de vela e penetrando durante a noite entre os navios ali fundeados, procurou a Nichteroy e, ao invés dela, atacou a Imperatriz “que se achava distante dos demais e com o aparelho arriado para refrescar.”

Brown enganara-se; não era Norton o rival com quem ia medir-se, mas outro não menos digno, o Capitão-de-Fragata Luis Barroso Pereira. Depois de um rude combate que durou uma hora e um quarto, a fragata Imperatriz repele o inimigo.  

O navio transporte de tropa Barroso Pereira (G-16) foi batizado em homenagem ao comandante da fragata Imperatriz, morto na Cisplatina


Mortalmente ferido, ao tombar, ainda teve uma palavra de incentivo aos seus camaradas, quando gritou: “Não foi nada camaradas! Ao Fogo!”  Muitos foram os esforços para salvá-lo. Poucos momentos depois expirou. Era o dia 27 de abril de 1826.

Em homenagem a Luís Barroso Pereira, o navio de transporte de tropas Barroso Pereira - G-16 foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome. Foi construído pelo estaleiro Ishikawajima Heavy Industries Co. Ltd., em Tóquio, no Japão. Teve sua quilha batida em 13 de dezembro de 1953, foi lançado ao mar em 7 de agosto de 1954, e entregue à Marinha do Brasil em 1° de dezembro de 1954, sendo incorporado em 22 de março de 1955. Em 3 de abril de 1995 deu baixa do serviço ativo.

Fontes:
- ANDRÉA, Júlio. A Marinha Brasileira: florões de glórias e de epopeias memoráveis. Rio de Janeiro, SDGM, 1955.
- NOMAR - Notícias da Marinha, Rio de Janeiro, SRPM, n.º 541, set. 1988.
- Biografia de Luís Barroso Pereira, de autoria do Barão do Rio Branco.


quinta-feira, 27 de julho de 2017

IV OLIMPÍADA DE HISTÓRIA MILITAR E AERONÁUTICA DA ACADEMIA DA FORÇA AÉREA

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Está chegando a hora,

Na próxima semana ocorrerá, em Pirassununga, a IV OLIMPÍADA DE HISTÓRIA MILITAR E AERONÁUTICA DA ACADEMIA DA FORÇA AÉREA.


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sexta-feira, 21 de julho de 2017

A SAGA DOS AVIADORES BRASILEIROS NA REPÚBLICA DOMINICANA

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Significativo e instigante capítulo da historiografia aeronáutica e pouco conhecido dos historiadores brasileiros foi a ação desenvolvida por ex-pilotos de caça da Força Aérea Brasileira a serviço da República Dominicana, no final da década de 1940.  O presente artigo revisita a história dos aviadores a serviço da Nação caribenha.


Por Manuel Cambeses Júnior

Em julho de 1947, as forças revolucionárias já estavam com-postas por milhares de homens e inúmeros aviões de transporte e combate, entre eles o avião de caça P-38, além de navios de desembarque adquiridos por dominicanos residentes nos Estados Unidos (EUA) simpatizantes à causa.

Entretanto, preocupado com a imagem de Cuba e pressões externas, principalmente vindas dos EUA, devido ao apoio explícito à causa, o presidente cubano deu um ultimato para que fosse desmantelada a base dos revolucionários, determinou a posse das armas, principalmente dos aviões de combate, obrigando-os a dispersar o movimento.

Em realidade, em 1947, Raael Trujillo teria poucas chances de repelir um ataque dessa magnitude. Porém, iniciou uma ofensiva diplomática - envolvendo suborno, pressões e favores – e conseguiu que Cuba retirasse o apoio aos rebeldes, em setembro de 1947. Para o governo norte-americano, tradicional árbitro em questões caribenhas, não interessava perder Trujillo, que, ladinamente, aderiu ao anticomunismo, bastante exaltado à época.

Para Rafael Trujillo o ato de desmantelar os revolucionários pelo governo de Cuba fez com que se preocupasse mais com a Venezuela. Este país tinha como presidente Romulo Ernesto Bettancourt Bello, que, apesar de ter galgado o poder através de um golpe militar, tinha um viés socialista em sua gestão.

A Venezuela, por ser um país grande produtor de petróleo, era cortejada pelos EUA. O mandatário dominicano não se conformava com o fato de não conseguir adquirir aviões de combate do governo norte-americano, enquanto os venezuelanos não encontravam restrições para a importação de aeronaves, recebendo seis caças P-47 Thunderbolt e três bombardeiros B-25 Mitchell.

Aviadores brasileiros diante de uma aeronave dominicana

Rafael Trujillo acusava Romulo Bettencourt de ter doado US$ 3 milhões aos revolucionários da Ilha Cayo Confites e, como era impossível uma intervenção militar contra a Venezuela, urdiu um plano para derrubá-lo do poder através de um golpe militar.

Um documento reservado da Inteligência norte-americana, enviado em 19 de julho de 1947 ao embaixador americano na República Dominicana, revela a presença em Ciudad Trujillo do ex-presidente venezuelano General Eleazar Lopez Contreras, que tinha sido expulso do seu país pelo governo Bettancourt.

Objetivando facilitar a coe-são dos militares venezuelanos para o desejado golpe, Trujillo planejou o início do movimento simulando uma rebelião de militares da Aeronáutica, fazendo um bombardeio sobre os quartéis e prédios governamentais por aviões dominicanos portando as cores das aeronaves da Fuerza Aerea Venezulana.

Para que o plano fosse bem realizado seria necessário adqui-rir aviões de combate semelhantes aos utilizados na Venezuela, o que não seria impossível devido a grande quantidade de aviões militares disponíveis para venda no comércio internacional com o término da 2ª Guerra Mundial. Porém, onde encontrar pilotos devidamente habilitados para pilotá-los?

A Força Aérea da República Dominicana, na época denominada Compañia de Aviación, possuía pouquíssimos homens com capacidade para pilotar aviões de combate e, para executar a missão, havia a necessidade de contratar aviadores estrangeiros.

Ao contrário de seus vizinhos do Caribe, dinheiro para aquisição de armas não era problema, pois, de 1945 a 1947, a receita de exportação de produtos agrícolas dominicanos tinha mais do que duplicado, passando de US$ 29,5 para US$ 74,3 milhões.

No que concerne à Aviação Militar, face à carência de aviadores experientes e bem treinados, a solução encontrada foi contratar pilotos no exterior, especificamente no Brasil.

Quando o Brasil declarou guerra às forças do Eixo, milhares de jovens brasileiros, atendendo ao chamamento da Pátria, se alistaram dispostos a defender o país. Dentre estes figuravam jovens que tinham escolaridade suficiente para ingressar nos Centros de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). Alguns deles optaram pelo CPOR da recém-criada Aeronáutica.

A Força Aérea Brasileira ha-via participado ativamente da 2ª Guerra Mundial e mandado pilo-tos, da ativa e da reserva, para serem formados e treinados nos EUA. Terminado o conflito mundial, não havia como absorver todos os aviadores nos quadros da Aeronáutica. Os que estavam na reserva foram os primeiros a serem dispensados. Muitos conseguiram emprego nas companhias de aviação; entretanto, nem todos tiveram a mesma sorte, pois a FAB liberou, no pós-guerra, cerca de 400 pilotos. Ou seja, naquele momento, passou a existir um seleto grupo de pilotos militares, altamente treinados para o combate, que vivenciou o incômodo dissabor do desemprego.

O De Havilland Mosquito, um dos ícones da 2ª Guerra Mundial, foi uma das aeronaves voadas pelos brasileiros na República Dominicana

Quando surgiu a ideia de contratar pilotos brasileiros para prestar serviço ao governo dominicano, entrou em cena o comandante Mário Joppert Carneiro da Cunha, piloto da Aerovias Brasil, bem-relacionado com as autoridades dominicanas por estar casado com a filha do Coronel Rafael Arturo Espaillat, oficial da alta cúpula do governo, chefe do Servicio de Inteligência Militar (SIM), a temida polícia secreta do ditador Rafael Trujillo.

Joppert saiu em campo no sentido de contatar com pilotos brasileiros adestrados em aviões de caça com o objetivo de realizar escolta de bombardeiros B-25 que cumpririam missão de bombardear pontos específicos da Venezuela. 

Para explicar aos brasileiros a missão que seria realizada, veio ao Brasil o sogro de Joppert, o Coronel Espaillat, informando que o planejamento previa uma esquadrilha composta de sete aeronaves de caça, que sairia de Porto Rico para encontrar com os B-25 sobre o oceano e escoltá-los, defendendo de eventuais inimigos até o final da operação de bombardeio. Aproveitando o ensejo, informou aos pilotos brasileiros que cada um receberia US$ 1.000,00 para o cumprimento da missão.

Finalmente, após algumas semanas de muita expectativa, os brasileiros embarcaram pela Pan American com destino a Porto Rico, local de onde deveria partir para a missão de bombardeio ao território venezuelano.

Coronel Rafael Arturo Espaillat, chefe do Servicio de Inteligência Militar (SIM), a temida polícia secreta do ditador Rafael Trujillo

Chegando à capital do país San Juan, foram recebidos por subalternos do coronel Espaillat, que providenciaram os primeiros contatos para o acolhimento do grupo, instalando-os no Hotel Normandie e mantendo-os informados de todas as informações pertinentes à missão.

Após angustiante espera de duas semanas, eis que apareceu no hotel onde estavam hospeda-dos o Comandante Mário Joppert e transmitiu aos conterrâneos brasileiros que a missão tinha sido abortada pelo governo dominicano. Entretanto, caso tivessem interesse, havia uma nova proposta do Coronel Espaillat, para que prestassem serviços na aviação militar da República Dominicana, treinando pilotos para a formação de um esquadrão de caça.

Como não tinham emprego garantido no Brasil, e realmente não tinham o que perder, viaja-ram até a República Dominicana, onde foram recebidos por dois oficiais dominicanos e levados para um hotel localizado na Calle El Conde, uma das principais vias da Ciudad Trujillo.

Logo, o Coronel Espaillat veio até o hotel onde estavam hospedados e negociou com os pilotos brasileiros os termos do novo contrato que estabelecia o pagamento de US$ 1.000,00 por mês para treinar os pilotos e, no caso da ocorrência de uma invasão ao território dominicano, cada um receberia a quantia de US$ 10.000,00. Entretanto, se a República Dominicana resolves-se invadir algum país receberiam a polpuda quantia de US$ 20.000,00.

Ao que tudo indica, o verdadeiro motivo da desistência da missão por parte do ditador Rafael Trujillo teria sido a saída do poder na Venezuela do presidente Romulo Bettancourt, seu grande desafeto. 

Romulo Gallegos, sucessor de Bettancourt, foi eleito presidente da Venezuela, ficando poucos meses no poder, pois foi deposto por um golpe militar liderado por oficiais simpáticos ao ditador dominicano Rafael Trujillo e, segundo consta, financiados por ele.

No segundo semestre de 1950 foi renovado o contrato com os pilotos brasileiros por mais um ano. Muito embora estes acertos fossem verbais, e renovados a cada ano, os aviadores não tinham do que reclamar, pois os dominicanos sempre mantiveram a palavra, cumprimento cabalmente tudo que foi tratado.

O pagamento, por exemplo, foi religiosamente feito em espécie por intermédio de um auxiliar direto do comandante da Base Aérea General Andrews, o Coronel Hernandez.

Em termos de comparação, enquanto os pilotos ganhavam US$ 1.000,00 mensalmente, um oficial do posto de major na For-ça Aérea Brasileira recebia de soldo apenas US$ 70,00.

É de se ressaltar que, da difícil situação de reservistas desempregados, estavam agora em situação financeira bem mais confortável, pois tinham guarda-do uma boa quantia e formado um bom pé-de-meia.

Com a permanência dos aviadores de caça brasileiros no país, Rafael Trujillo conseguiu montar uma força aérea competente e bem treinada. Quando houve uma nova tentativa de invasão ao país, em 1959, a Força Aérea Dominicana estava pronta. O instrumento forjado pelo ditador com o inexcedível apoio de nossos patrícios foi fundamental para rechaçar novas tentativas de exilados, em abril e junho de 1959.

Entretanto, a pouca integração com os dominicanos, o limitado círculo de amizades dos brasileiros e, sobretudo, a saudade do torrão natal influenciaram decisivamente no desejo de re-tornar ao Brasil.

De volta ao Brasil, os jovens aviadores continuaram suas vidas em várias atividades, notadamente na aviação comercial. Alguns reingressaram na Força Aérea Brasileira, apesar de, na situação de reservistas, terem de se sujeitar a recomeçar quase do zero, ou seja, atrás do último colocado aspirante aviador da ativa.

Para esses intrépidos aventureiros patrícios, em plena louçania da juventude, a enriquecedora passagem pela República Dominicana ficou indelevelmente gravada em suas retentivas como um período repleto de emoções, expectativas, arrojo, determinação, companheirismo e, acima de tudo, o desejo incontido de realizar o ardente sonho de todo guerreiro alado: “Voar, Combater, Vencer!”.

A esse pugilo de bravos combatentes, a nossa admiração!
- Nilton Miguel Ajuz;
- Carlos Alberto de Freitas Guimarães;
- Itamar Pereira de Oliveira;
- Rivaldo José Barbosa;
- João Carlos Menna Barreto Monclaro;
- Wilson Bittencourt Braga;
- José Rafael Martins e
- Gilberto Syllos Clark.

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