"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 3 de maio de 2013

OS GRANDES EXÉRCITOS DA DINASTIA HAN



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A Dinastia Qin levantou a Grande Muralha, mas foi a Dinastia Han a responsável por tê-la ampliado em grande escala, transformando-a em uma ferramenta fundamental para a defesa do território chinês.  Tendo durado de 206 a.C. a 220 d.C., a Dinastia Han marcou uma fase importante e próspera da história chinesa, estabelecendo as bases do confucionismo, que permeou todos os regimes do país até o final do Império.

A Dinastia Han pode ser dividida em dois períodos: a Ocidental, que durou de 206 a.C. a 8 d.C., e a Oriental, que governou o Império Chinês de 25 a 220 d.C.  Tamanha foi a influência da ideologia deste período que o povo chinês, até hoje, se refere a si mesmo como povo Han.

Todo o avanço registrado durante este período esteve atrelado a grandes conquistas territoriais, que fizeram das tropas chinesas que defenderam o Império durante todos aqueles séculos algumas das mais aguerridas de todos os tempos.


Ameaça dos hunos - novas armas

Uma das primeiras motivações para que os Han entrassem em combate começou a se fazer notar ainda na Dinastia Qin: os hunos, estabelecidos no norte da China, já muito poderosos e que, frequentemente, invadiam o sul.  Quando a Dinastia Han assumiu o poder, os hunos passaram a ser a principal ameaça na fronteira.  Para se defender, os chineses ampliaram a Grande Muralha, de 5.000 km erguidos pelos Quin, para 100 mil quilômetros; para combatê-los, organizaram um exército de cavalaria, substituindo a tradicional espada pela faca, que passou a ser a principal arma de combate.
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Soldados chineses da dinastia Han. As armas utilizadas podem ser vistas


Apesar dessa mudança, os Han não abandonaram a espada, ao contrário, a arte da esgrima passou a ser uma verdadeira moda entre a sociedade chinesa.  Tanto funcionários públicos de alta estirpe, quanto intelectuais – e até o imperador – orgulhavam-se de exibir sua habilidade com a arma.  O Han Shu – o Livro de Han – chegava a ter 38 artigos falando sobre a técnica de esgrima usada na época.  Ao mesmo tempo, a técnica de atirar com arco e flecha também foi bastante aprimorada.  Tal habilidade no manuseio das armas talvez explique a pujança dos Han nos campos de batalha.


O Império se expande

O Imperador Wu, que assumiu o trono no ano 141 a.C., consolidou e ampliou o império ao expulsar os xiongnus (normalmente identificados com os hunos) para a atual Mongólia Interior e, com isso, anexou os territórios correspondentes às províncias de Gansu, Ningxia e Qinghai do presente.  A posse dessas regiões permitiu que fosse aberta a Rota da Seda, estabelecendo as primeiras ligações comerciais entre a China e o Ocidente. Foi nessa mesma época que os chineses descobriram que havia outros povos a oeste de suas fronteiras, o Império Romano.  Essa descoberta foi possível porque Wu havia enviado uma missão à Ásia Central para rechaçar os ataques dos hunos, bem como estabelecer uma aliança com os turcos, no intuito de combaterem o inimigo comum.

 Armadura típica utilizada pelos soldados chineses

Em 121 a.C., o exército da Dinastia Han derrotou os hunos no Corredor de Hexi.  Vinte anos depois, a corte da dinastia Han Oriental enviou a Luntai e Quli – que ficavam ao sul das montanhas Tianshan – uma força com centenas de soldados para desbravar terras, liderada por um comandante que também acumulava funções administrativas.  Em 60 a.C., foi criado o Comando de Fronteira das Regiões Oeste – sucedido por uma grande agitação na classe dominante dos hunos -, marcando o início da soberania estatal da Dinastia Han do oeste e fazendo com que Xinjiang se tornasse parte integrante da China.


A dinastia ameaçada

Apesar da expansão, a Dinastia Han passou por dificuldades.  No ano 8 d.C., um oficial rebelde acabou usurpando o trono para estabelecer a curta Dinastia Xin, mas, em 25 d.C., o Imperador Guangwu restabeleceu a Dinastia Han, sediada agora em Luoyang, próximo a Xian, com o apoio das famílias proletárias e mercantis.

Este período, conhecido como Dinastia Han Oriental, foi marcado por grande prosperidade no campo econômico, educacional e científico.  O comércio com os vizinhos do norte e com as civilizações da Europa, através da Rota da Seda, era mais do que intenso.  O período foi extremamente fértil no plano cultural, onde escritores criaram grandes obras literárias, incluindo textos históricos e dicionários.  Nessa mesma fase o Budismo foi introduzido na China.

Soldados de cavalaria da dinastia Han


Declínio

Com o tempo, porém, o poder dos Han começou a declinar, por conta de aquisição de terras, invasões e rixas entre clãs consortes e eunucos.  Mesmo assim, a Rebelião do Turbante Amarelo, promovida pelos camponeses, acabou estourando em 184 d.C. e resultou numa era de chefes guerreiros.

A Dinastia Han era extremamente militarizada e expandiu suas fronteiras para incorporar regiões que, hoje, corresondem ao Tibete, Coreia do Norte e Vietnã.


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