"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quinta-feira, 29 de abril de 2010

FORTE DE SANTANA DO ESTREITO

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No início desta semana tivemos o privilégio de conhecer Florianópolis, sem dúvida uma das mais belas cidades brasileiras e um rico sítio de história militar. Em nossa visita, pudemos visitar, por intermédio de nosso amigo Major Bombeiro Militar César, a quem agradecemos imensamente, o Forte de Santana e o Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas, da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina (PMESC).

Eis um pouco de sua história ...

O Forte de Santana do Estreito – ou simplesmente Forte Santana - foi construído pelos portugueses entre 1761 e 1763, junto ao estreito de união das Baías Norte e Sul da ilha de Santa Catarina, ponto no qual mais se aproxima do continente (cerca de 400 metros). A fortificação tinha a função de proteger o antigo ancoradouro da Vila de Nossa Senhora do Desterro - atual Florianópolis - de embarcações inimigas que tentassem adentrar pela Baía Norte.


Construção

Atendendo a uma ordem do ministro Marquês de Pombal, em 1760 o governador e capitão-general da Capitania do Rio de Janeiro Gomes Freire de Andrade determinou ao Tenente-coronel engenheiro militar José Custódio de Sá e Faria que elaborasse um projeto para melhorar as existentes defesas na ilha de Santa Catarina, organizadas anteriormente pelo Brigadeiro José da Silva Paes. Após estudar a região e analisar o sistema defensivo existente, o Tenente-coronel Sá e Faria concluiu que a vila do Desterro ficaria sem defesa ante um invasor no caso de um invasor desbordar as fortalezas da barra Norte da ilha e propôs a contrução de duas baterias fortificadas, uma na praia de Fora, ao norte da vila - o Forte de São Francisco Xavier da Praia de Fora - e outra na ponta da ilha mais próxima ao continente - o Forte de Santana do Estreito.

A construção do Forte de Santana foi concluída em 1763 e seu primeiro comandante do qual existem registros foi o Alferes Rodrigo José Brandão. A fortificação foi erguida em alvenaria de pedra e cal, sobre um único terrapleno, protegida por muralhas com 1,20 metro de espessura. O projeto original do forte possuía forma de um hexágono irregular e uma única guarita cilíndrica posicionada no vértice da muralha vigiando o canal da baía norte. O forte era de concepção bastante simples, de dimensões reduzidas para os padrões da engenharia militar portuguesa setecentista e compreendia apenas as instalações e edificações necessárias a seu funcionamento, tais como: corredor de acesso com portada; plataforma ou terrapleno, com sete canhoneiras dispostas; alojamento da tropa; cozinha; casa dos oficiais; corpo da guarda; casa da palamenta (material de artilharia) e casa da pólvora (paiol de pólvora).

A fortificação foi artilhada, inicialmente, com nove peças de artilharia, mas, por ocasião de um inventário realizado em 1786 pelo Alferes José Correia Rangel a mando da Coroa Portuguesa, o forte contava com dez canhões de diferentes calibres: seis de ferro e quatro de bronze. O sistema defensivo do estreito foi reforçado a partir de 1793, com a construção do Forte de São João do Estreito, erigido do lado oposto do estreito, no continente, para cruzar fogos com o Forte Santana.


O forte em ação

Quando os espanhóis tomaram a ilha de Santa Catarina dos portugueses, em 1776, o Forte Santana foi uma das instalações militares capturadas pelo Exército Espanhol. Um ano depois, contudo, a ilha voltou ao domínio português pelo Tratado de Santo Ildefonso (1777) com o compromisso da não utilização dos fortes pelos portugueses, o que ocorreu em parte, pois os portugueses mantiveram a bateria artilhada.

Em 1857 o Forte de Santana passou a abrigar a Escola de Aprendizes-Marinheiros de Santa Catarina e, após ser parcialmente reformado, recebeu, em 1876, Companhia dos Inválidos, formada por soldados incapacitados pelos combates da Guerra da Tríplice-Aliança. Na ocasião o Duque de Caxias, então Ministro da Guerra, mandou fornecer ao forte quatro canhões raiados La Hitte, calibre 12 antecarga.

Em 1880 o Forte de Santana passou a ser sede da Polícia Marítima. Já no período republicano, por ocasião da Revolução Federalista, em setembro de 1893 o forte foi novamente artilhado para combater os navios da esquadra federalista que atuavam nas imediações da ilha. No intuito de proteger a ilha de um ataque naval, o Alferes Hermínio Coelho dos Santos, do 25º Batalhão de Infantaria, reuniu no Forte de Santana uns poucos canhões antigos de ferro, do tipo antecarga já obsoletos, utilizados como enfeite à época, enterrados invertidos pela metade em logradouros públicos na ilha. Apesar da precariedade de sua artilharia improvisada, o forte chegou a trocar tiros com navios rebeldes: o cruzador República e o vapor Palas. Os navios permaneceram prudentemente fora do alcance dos antiquados canhões – cerca de trezentos metros - e responderam ao fogo bombardeando o forte e forçando seu comandante, ferido na ocasião com mais um soldado, a ordenar o cessar-fogo.

O editor do BLOG HISTÓRIA MILITAR junto a um dos canhões do Forte de Santana


 
 Decadência e restauração

No final do século XIX, em 1898, o comandante do forte à época, apresentou um relatório informando que seria necessária uma grande restauração no conjunto da fortificação, em função do desgaste provocado pelo tempo de uso. Todavia, o Forte de Santana foi posto fora de serviço pelo Exército a partir de maio de 1907 e cedido ao Ministério da Agricultura, que nele instalou uma estação meteorológica.

Apesar de ter sido tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938, o forte permaneceu um longo tempo abandonado e dervindo como moradia para população de rua e “sem-tetos”. Entre 1969 e 1970, contudo, o forte foi restaurado definitivamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e teve suas formas originais restituídas. A restauração do Forte de Santana representou o início do processo de redescoberta e recuperação das fortificações catarinenses, durante anos abandonadas e arruinadas.


 O forte hoje

Do conjunto de edifícios originais, somente a casa da pólvora não existe mais. Situado sob a atual Ponte Hercílio Luz, que liga a ilha de Santa Catarina ao continente desde a década de 1920, o Forte de Santana encontra-se é administrado, atualmente, pela PMESC mediante convênio com o IPHAN.

Acervo do Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas

Em 1975 o Forte de Santana passou a abrigar, em um prédio anexo, o Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas, da PMESC, cujo acervo é composto por armas históricas usadas pela Polícia Militar, armas selecionadas pelo próprio Major Lara Ribas, entre os anos de 1938 a 1945, peças de fardamentos, fotografias e insígnias, dentre outros objetos expostos permanentemente em uma área de exposição de 122 m².

O Forte de Santana e o museu podem ser visitados diariamente, na Avenida Beira-Mar Norte, sob a Ponte Hercílio Luz, no centro de Florianópolis-SC, distante apenas poucos metros da Rodoviária Rita Maria. A entrada é franca e o conjunto possui estacionamento próprio.


Uniforme histórico do Acervo do Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas


Vale a pena uma visita.

Endereço:

Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral, 525 (Beira Mar Norte)
CEP: 88015-710 - Centro - Florianópolis – SC
(Localizado sob a cabeceira insular da Ponte Hercilio Luz)
Fone: (48) 3229-6263
e-mail: museu@pm.sc.gov.br

Horário de visitação:
De terça-feira a domingo das 9hs às 17hs


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2 comentários:

  1. Oi Daroz!!!

    Gostou então da minha cidade?!! Eu conheço o forte do Estreito e é muito legal mesmo. Santa Catarina é um ótimo lugar para quem se interessa pelo turismo militar...

    bjs
    Vânia

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  2. Oi Vânia,

    Tudo bem? Realmente gostei muito de conhecer Floripa, certamente uma das mais belas cidades do Brasil.

    um abraço,
    Daroz

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