"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sábado, 15 de agosto de 2009

ZUIKAKU - UMA HISTÓRIA DE HEROÍSMO E SACRIFÍCIO




Observe bem a fotografia acima ... observe os detalhes. O porta-aviões japonês Zuikaku aderna no Cabo Engaño, ao norte de Luzon nas Filipinas. Enquanto afunda, em seus últimos momentos, 843 marinheiros permanecem no convoo e prestam a continência enquanto a bandeira do Japão é arriada.
Um pouco de sua história ...

O Zuikaku participou das principais batalhas navais da Guerra do Pacífico durante a 2ª Guerra Mundial, do ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941 à Batalha do Golfo de Leyte em outubro de 1944, onde foi afundado por aviões norte-americanos ao largo do Cabo Engaño, durante a batalha do mesmo nome, nas Filipinas.

Com 29.800 toneladas de deslocamento, comprimento de 257,5 m e capacidade para 84 aviões embarcados, o Zuikaku foi um do seis porta-aviões japoneses que participaram do ataque a Pearl Harbor, dando início às hostilidades no Oceano Pacífico. Partindo do mar interior do Japão com 69 aviões a bordo em 26 de novembro de 1941, ajudou na destruição da frota de encouraçados e cruzadores dos Estados Unidos no Havaí, provocando a entrada dos norte-americanos na guerra em curso.

Após Pearl Harbor o Zuikaku cumpriu um papel de liderança nos ataques a Rabaul na Nova Guiné e contra as bases navais britânicas de Colombo e Trincomalee no Oceano Índico, onde seus aviões afundaram o porta-aviões britânico HMS Hermes, no começo de 1942. No mês de maio participou da esquadra de ataque a Port Moresby, que abriria caminho para a invasão da Austrália, onde um grande enfrentamento entre aviões de ambos os lados em luta causou seu retorno ao Japão com apenas metade de suas aeronaves, para rearmamento e treinamento de novas tripulações, o que o impediu e aos outros porta-aviões avariados nesta batalha de participar da Batalha de Midway, no mês seguinte.

No segundo semestre de 1942, fez parte da frota que investiu contra a esquadra americana na Batalha das Ilhas Salomão – durante a luta por Guadalcanal – e na Batalha das Ilhas Santa Cruz, onde seu aviões afundaram o porta-aviões USS Hornet e infligiram sério dano ao USS Enterprise, obrigado a se retirar do teatro do Pacífico para reparos por grande período do restante da guerra.

Em 1943, após cobrir a evacuação dos soldados japoneses de Guadalcanal, perdida para os americanos, foi baseado na ilha Truk e operou contra os Aliados nas Ilhas Marshall.

Em 1944, baseado em Cingapura, o Zuikaku foi enviado com outros porta-aviões para tentar impedir o desembarque norte-americano nas Ilhas Marianas. Em junho deste ano, durante a Batalha do Mar das Filipinas, em que os japoneses perderam mais de 600 aviões, nova derrota da esquadra japonesa causaria o afundamento dos porta-aviões Shokaku e Taiho, deixando o Zuikaku como o único remanescente dos seis porta-aviões que participaram do ataque a Pearl Harbor em 1941.

Finalmente, o veterano sobrevivente de tantos combates foi enviado para missão da qual não voltaria. Em novembro de 1944, como navio-capitânea da esquadra combinada sob o comando do Almirante Jisaburo Ozawa, o Zuikaku fez parte da flotilha de porta-aviões que participou da Batalha do Golfo de Leyte.


Porta-aviões Zuikaku em sua configuração de 1944 


Enviada em uma missão de sacrifício quase sem armamento e um número pequeno de aviões, no intuito de chamar para si o ataque da aviação americana, para permitir que outras esquadras de navios de batalha pudessem ao mesmo tempo destruir os navios americanos em Leyte, deixados sem cobertura aérea, a frota diversionista de Ozawa, tendo a frente o Zuikaku, entrou em combate com os aviões inimigos 300 km a leste do Cabo Engaño, no extremo norte da ilha de Luzon, nas Filipinas.

Sob pesado ataque e atingido por sete torpedos e nove bombas, o Zuikaku começou a adernar para bombordo e a tripulação recebeu ordem para abandoná-lo, após ser feita a transferência do almirante Ozawa e da bandeira de nau capitânea para outra belonave.

Virando sobre si mesmo ainda repleto de tripulantes em seu convés inclinado e quase na linha d’água, o Zuikaku afundou às 14:14 de 24 de outubro de 1944, levando consigo seu capitão, Kaizuka Takeo e mais 842 marinheiros e oficiais.

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PENSAMENTO MILITAR - CONHECENDO O INIMIGO



“Se conheces o inimigo e te conheces a ti mesmo, não precisas de temer o resultado de cem batalhas. Se te conheces a ti mesmo, mas não conheces o inimigo, por cada vitória sofrerás também uma derrota. Se não te conheces a ti mesmo nem conheces o inimigo, perderás todas as batalhas.”


(Sun Tzu, A Arte da Guerra)

DOCUMENTO - O CASTIGO À BRIGADA DO ALGARVE


Interessantes documentos relatam como era administrada a manutenção do moral e da disciplina em combate. 

A Brigada do Algarve do Exército Português apresentou baixo desempenho durante as operações contra os franceses e foi punida coletivamente pelo comandante-em-chefe. O grifo na nota de punição é nosso.

"Quartel-General do Ginço, 20 de Maio de 1809

SEGUNDA ORDEM DO DIA

O Marechal Comandante em Chefe, achando que a precipitação e velocidade da fuga do inimigo (pungido com a ideia das suas derrotas e abatimento total, resultado dos ataques que sofreu pelas forças comandadas em pessoa pelo Marechal-General Sir A Wellesley), não lhe dão esperança alguma de o alcançar com a coluna do seu imediato Comando, e que de persegui-lo nada mais se segue do que a fadiga das suas Tropas, tem determinado fazer entrar estas em Portugal. O Marechal não pode deixar passar esta ocasião sem dar à parte das Tropas, que se acham com ele, aquela aprovação, que ele crê terem merecido. O Marechal dá os seus agradecimentos ao Marechal-de-campo Bacelar pelo zelo e atenção que tem mostrado, ainda que o mesmo Marechal-de-campo reconhece, que as Tropas do seu comando não tem correspondido aos seus cuidados e intenções Igualmente agradece ao Conde de Sampaio a exactidão e zelo, com que tem cumprido os desejos do Comandante em Chefe e dá ao Brigadeiro Sir Robert Wilson a sua perfeita aprovação, assim como aos dois Corpos que este tem consigo, o primeiro Batalhão do Regimento Nº 9 e o Batalhão de Caçadores Nº 3, cuja exacta observância de disciplina e regularidade de marcha acreditam tanto o Comandante como as Tropas, seguindo-se achar-se o Comandante com Tropas muito aptas para se arrostarem ao inimigo, quando havia esperança de ser alcançado nesta Vila, por terem elas seguido os seus desejos, o que faz honra às mesmas Tropas e à sua Pátria.
O Marechal não pode deixar de contrastar esta conduta com a da Brigada do Algarve, composta dos Regimentos Nº 2 e 14 , os quais estando em boa disciplina antes do princípio da marcha, não merecem desculpa alguma pela sua conduta a mais irregular e vergonhosa, que os punha inteiramente fora do Estado de se mostrarem ao inimigo; e o que o Marechal pode dizer destes dois Regimentos é, que depois de Amarante, à medida que se aproximavam ao inimigo, era menor o seu desejo de avançar, e ontem não faziam mais do que demorar a Brigada da retaguarda, e impedi-la de avançar. O Marechal tomará bastante cuidado em punir estes dois Regimentos pela sua conduta, e ordena ao Marechal-de-campo José Lopes de Sousa, que até nova determinação em toda a parte onde se achar esta Brigada a faça marchar todos os dias, que chover. a duas léguas do seu Quartel, e voltar para o mesmo Quartel, não permitindo aos soldados nestas marchas, que se cubram com os seus capotes, e fará que marchem na melhor ordem, e que os Oficiais marchem nos seus lugares, até que estes tenham energia suficiente para verem e cuidarem em que os soldados não se apartem das suas filas e fileiras, e não haverá nenhuma promoção nos Oficiais destes Regimentos, até que o Marechal veja, que eles fazem o seu dever, que dão exemplo, e que obrigam os seus soldados ao menos a não temerem a chuva; porque o Marechal não pode pôr uma grande confiança em soldados, que não somente temem molharem-se, mas que absolutamente não se atrevem a expor-se a isso, e tais se têm mostrado os destes dois Regimentos. Estes dois Regimentos não serão mesmo mandados contra o inimigo, senão depois que o Marechal tiver a segurança de que ousam arrostar. se à chuva, e ao mau tempo, e até esta época eles não lhe servirão senão de peso, ainda que lhe faz a justiça de dizer, que enquanto fazia sol eles mostravam bastante ardor para se medirem com o inimigo; porém o Marechal tem precisão de soldados, que não se abatam com o mau tempo

O Marechal dá os seus agradecimentos ao Coronel Talbot do Regimento 14 dos Dragões Ingleses. pelo seu zelo e actividade, e aos Oficiais e Soldados do Regimento 60 Inglês, que se acham neste Exército; e ao Coronel D'Urban, Quartel-Mestre-General do Exército, faz o Marechal os elogios merecidos pelo maior zelo, actividade e inteligência, e aos outros Oficiais do seu Estado-maior. Aos Capitães May e Arentschild dá também o Marechal os seus agradecimentos pelo grandíssimo trabalho, com que fizeram avançar a Artilharia; e ao Segundo-tenente, que fez, avançar de Chaves para S. Milão na noite de 18 para 19 do corrente as quatro peças três, pela energia que mostrou a este respeito, serviço pelo qual o Marechal o faz Primeiro-tenente, entrando já neste Posto, e vencendo o soldo que lhe corresponde.
Assinada pelo Senhor Marechal.”


O castigo à Brigada do Algarve seria sustado em 23 de dezembro do mesmo ano, quando foi restabelecida a honra da brigada

“Quartel general de Tomar, 23 de Dezembro de 1809

ORDEM DO DIA

O marechal, comandante em chefe do exército, viu ontem a brigada composta dos regimentos de infantaria nºs 2 e 14, que se acha debaixo das imediatas ordens do tenente-coronel Mesurier, e tanto na disciplina, e exercício debaixo de armas, como na aparência da tropa, e cuidados empregados na economia interior destes corpos, eles não cedem a nenhum dos mais, que tem visto, e os oficiais e soldados merecem a aprovação do marechal Os dois regimentos têm permissão de darem licença a oito homens por companhia, e por causa da grande distancia em que se acham dos seus lares, essa licença será de vinte e seis dias - O numero de homens licenciados é em proporção da força destes regimentos com a dos que tem merecido mais a aprovação do marechal A boa conduta destes regimentos, e o seu estado de disciplina, lhes dão merecimento, para que o Marechal suspenda todas as consequências da primeira ordem do dia de 20 de Maio ultimo, e terá grande prazer de recomendar a sua alteza real a promoção dos oficiais destes corpos, que tnto têm sabido merecer isto.


Assinado pelo Sr. marechal-ajudante general, Mosinho"
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IMAGEM DO DIA 15/8/2009

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O custo da guerra. França, 1943. Além dos prejuízos materiais, o maior preço a ser pago na guerra é o de vidas humanas. na imagem, granadeiro das Waffen-SS alemãs morto durante ataque aéreo da Força Aérea do Exército dos EUA. O baralho espalhado ao lado do corpo revela o lado humano da guerra.


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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CAPITÃO-MOR PEDRO TEIXEIRA


* ??/??/1585 - Cantanhede - Portugal

+ 04/07/1641 - Belém 


"Tomo posse destas terras, se houver entre os presentes alguém que a contradiga ou a embargue, que o escrivão da expedição o registre."

Pedro Teixeira nasceu na Vila de Cantanhede, situada a cerca de 20 km ao Nordeste de Coimbra – Portugal, em 1585. Pouco se conhece sobre sua família e primeiros anos de vida. Sabe-se que, desde criança, foi muito forte, adquirindo na fase adulta uma compleição invejável que o tornou talhado para a vida agreste.

Após a expulsão dos franceses do Maranhão em fins de 1615, o governo português determina o envio de uma expedição à foz do rio Amazonas, com vistas a consolidar sua posse sobre a região. A força expedicionária lusa foi constituída por três companhias. Como subalterno de uma delas, seguia o então alferes Pedro Teixeira.

A 12 de janeiro de 1616, a tropa entrou na Baía de Guajará. Desembarcou numa ponta de terra firme, onde desde logo foram iniciadas as obras de instalação e defesa. Em local bem selecionado, foi erguido o Forte que tomou o nome de Presépio, origem da atual cidade de Belém.

O destemido desbravador prossegue prestando inestimáveis serviços à coroa portuguesa. Combate holandeses e ingleses em muitas refregas, bem como realiza várias entradas de exploração dos sertões amazônicos. Em princípios de 1622 foi encarregado de abrir uma estrada que ligasse as capitanias do Pará e do Maranhão. Tal empreendimento não foi concluído por terem surgido grandes dificuldades, especialmente pela grande profusão de rios a atravessar.
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Continuavam os holandeses a importunar a fixação dos portugueses na região. Foi incumbido Pedro Teixeira da destruição dos fortes holandeses «Nassau» e «Orange», incumbência que cumpre do melhor modo. Em 2 de Maio de 1625 foi entregue ao Capitão Pedro Teixeira a chefia duma expedição para destruir o forte holandês Mandiutuba, situado na margem direita do rio Xingu. A frente de cinquenta soldados e setecentos índios guerreiros, atacou simultaneamente o forte por terra e pelo rio. Apesar da valente resistência do capitão Nicoláo Ondaen e da sua bem organizada tropa, ao cair da noite o forte estava em poder das tropas portuguesas.


A maior de todas as suas façanhas teria início em outubro de 1639. À frente de 2.500 pessoas, entre militares, índios e familiares, empreende viagem de exploração da calha do rio Amazonas, partindo de Belém. Empregando cerca de cinquenta grandes canoas, atinge Quito, no Equador, e regressa a Belém depois de haver percorrido mais de 10.000 km de rios e trilhas. Com esse feito – um dos maiores da História do Brasil – contribuiria para assegurar a posse de vasta porção da bacia amazônica por parte de Portugal.

Como reconhecimento pelos seus 25 anos de profícuos serviços ao Rei de Portugal, Pedro Teixeira foi nomeado para o cargo de Capitão-Mor do Grão-Pará. Tomou posse em fevereiro de 1640. Infelizmente, sua gestão foi curta, durando até maio de 1641. A 4 de julho desse ano faleceu na mesma Belém que auxiliou a fundar e consolidar.

Mais de três séculos após sua morte, os empreendimentos de Pedro Teixeira ainda causam admiração. As lutas travadas contra os invasores estrangeiros e a exploração da bacia amazônica fizeram-no um dos maiores heróis da então Colônia no século XVII.

Por isso, sua figura representa o símbolo da luta pela preservação da soberania brasileira sobre a Amazônia.

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II ENCONTRO NACIONAL DE VEÍCULOS MILITARES



O II Encontro Nacional de Veículos Militares, vai ocorrer nos dias 27 à 30/08/2009.

No dia 27/08/2009, às 17:00 horas haverá a solenidade de abertura. O evento transcorrerá no Forte de Copacabana (www.fortecopacabana.com)
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

DOCUMENTO - RENDIÇÃO ALEMÃ NA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Ato de rendição militar das forças alemãs


Nós abaixo assinados, agindo com a autoridade do Alto Comando Alemão, e por meio deste, rendemos incondicionalmente todas as forças em terra, mar e ar, que estão até esta data sobre controle alemão, ao Comando Supremo da Força Expedicionária Aliada e simultaneamente ao Alto Comando Soviético.



O Alto Comando Alemão irá, de uma só vez, ordenar todas os militares alemães, autoridades navais e do ar, e todas as forças sob controle alemão, cessar as atividades e operações as 2301 horas do horário europeu central do dia 8 de maio e manter suas atuais posições naquele momento e a se desarmar completamente, abaixando suas armas e entregando seus equipamentos ao comandante aliado local ou aos oficiais designados pelos representantes do Comando Supremo Aliado. Nenhum navio, nave ou aviões deve fugir, ou qualquer dano deve ser causa em seu casco, maquinário ou equipamentos e também às maquinas de quaisquer tipos, armamentos, aparatos de guerra, e todos os significados técnicos dessa ação de guerra em geral.


O Alto Comando Alemão irá, de uma só vez, ordenar ao comandante apropriado, e assegurar o cumprimento de quaisquer ordens feitas pelo Comando Supremo da Força Aliada Expedicionária e pelo Alto Comando Soviético.


Este ato de rendição militar é imparcial, e substitui qualquer instrumento geral de rendição imposto por ou em nome das Nações Unidas e aplicável na Alemanha e em todas as forças armadas alemãs como um todo.


No caso de forças sob o Comando do Alto Comando Alemão não cumprirem este ato de rendição, o Comando Supremo da Força Aliada Expedicionária e o Alto Comando Soviético irão tomar ações punitivas ou qualquer outra ação que vejam apropriadas.


Este ato está sendo escrito em inglês, russo e alemão. As versões em russo e inglês são as únicas versões autenticas.




Berlim, 08 de maio de 1945


(a) General Jodl, pelo Alto-Comando Alemão

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IMAGEM DO DIA - 6/8/2009

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Enganam-se os que acreditam que a Guerra do Vietnã foi travada contra as forças do Vietnã do Norte e da guerrilha Vietcong apenas pelos Estados Unidos. Outros países com interesse geopolítico na região - Austrália, Nova Zelândia e Coréia do Sul, por exemplo - atuaram ao lado dos norte-americanos no conflito. Na imagem acima, tropas australianas aguardam o pouso de helicópteros do Exército dos EUA que as conduzirão para mais uma patrulha de busca e destruição.


V CICLO DE HISTÓRIA MILITAR E LIDERANÇA DA ECEME



O V CICLO visa a promover um amplo fórum de debates sobre temas relacionados a História Militar e Liderança. Será conferido um certificado de participação com a carga horária do Ciclo (09 horas). Presença mínima 2 dias.Participação Gratuita.


INFORMAÇÕES
Data:De 11 a 13 de agosto de 2009
Telefones:(21)3873-3871 / (21)3873-3872
Local:Praça General Tibúrcio, 125Praia Vermelha - Urca Rio de Janeiro - RJ

INVASÕES MONGÓIS DA EUROPA (1241-1277)




As invasões mongóis prosseguiram durante o século XIII e resultaram na expansão do Império Mongol cobrindo a maior parte da Ásia e da Europa Central.



Após devastarem e conquistarem a Rússia, o próximo alvo das hordas mongóis de Batu Khan e Subedei foi a Europa Central, mais precisamente Polônia, Hungria e Romênia. Estes eventos ficaram conhecidos como as invasões mongóis da Europa. Alguns historiadores discutem se a campanha mongol do Leste Europeu teve alguma importância macro-histórica.

Grande parte dos historiadores militares considera que tais ataques foram essencialmente advertências, objetivando enfraquecer os poderes ocidentais de forma a não atrapalhar os interesses mongóis no oriente, principalmente na Rússia. Diversas evidências, no entanto, indicam que Batu Khan estava preocupado em assegurar as fronteiras ocidentais das conquistas russas, e só depois da destruição dos exércitos locais que passou a pensar em conquistar toda a Europa.


A invasão da Europa

O ataque à Europa foi planejado e conduzida por Subadei, no qual alcançou sua vitória mais importante. Após devastar os vários principados russos, Subadei enviou espiões para Polônia, Hungria e até a Áustria, preparando um ataque ao coração da Europa. Tendo uma noção clara dos reinos europeus, ele brilhantemente preparou um ataque teoricamente comandado por Batu Khan e outros dois príncipes de sangue. Batu era o líder supremo, porém no campo Subedei era o comandante, assim como foi nas campanhas na Rússia e na Ucrânia. Os ataques à Polônia e Romênia serviram para distrair os reinos vizinhos da Hungria, impedindo-os de ajudarem os húngaros e assim arruinarem seus planos para a Europa Central. O verdadeiro objetivo dos mongóis era a Hungria, que possuía uma área de estepes muito fértil.



Na Europa Central os mongóis se dividiram em três grupos. Ao norte um grupo conquistou a Polônia, arrasando várias cidades do sul do país (dentre elas Sandomierz, Lublin e Cracóvia) e derrotando, em Legnica, uma força combinada de tropas germânicas e polonesas sob o comando de Henrique o Piedoso, duque da Silésia e o Grão-Mestre da Ordem Teutônica. Ao sul atravessaram os montes Cárpatos, na atual Romênia, e no centro o exército principal atravessou o Danúbio. Os três exércitos reagruparam-se e devastaram a Hungria em 1241, vencendo em 11 de abril os exércitos húngaros.

Os exércitos alcançaram as planícies húngaras no verão e na primavera de 1242 retomaram seu ímpeto e estendeu seu controle até a Áustria e Dalmácia assim como atacando Boêmia.

O exército novamente reunificado então se retirou do rio Sajo, onde infligiu uma vitória decisiva sobre o rei Bela IV da Hungria na batalha de Mohi. Subadei comandou pessoalmente as ações e esta foi, sem dúvida, uma de suas maiores vitórias, se não a maior.
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Soldado de cavalaria húngaro


A Batalha de Mohi

O rei da Hungria convocou um conselho de guerra em Gran (Esztergom), um grande e importante assentamento acima do rio de Buda e Pest. Batu Khan avançava sobre a Hungria vindo do nordeste e ficou decidido pelo próprio rei que suas forças se concentrariam em Pest e posteriormente se dirigiram ao norte para enfrentar o exército mongol. Quando as notícias da estratégia de batalha húngara chegaram aos ouvidos dos comandantes mongóis, estes lentamente se retiraram arrastando os seus inimigos. Esta era a estratégia mongol clássica, aperfeiçoada por Subadei. Ele preparou o campo de batalha e esperou. Era uma forte posição, pois a vegetação impedia que suas fileiras fossem claramente rastreadas ou vistas, enquanto que ao longo do rio, na planície de Mohi, o exército húngaro encontrava-se completamente exposto.

Então na noite de 10 de abril de 1241 Subadei lançou a batalha de Mohi, apenas um dia antes de o exército menor na Polônia vencer a batalha de Legnica. Em Mohi uma divisão cruzou o rio em segredo para avançar no campo húngaro pelo flanco sul. O corpo principal começou a cruzar o Sajo pela ponte em Mohi. Após enfrentar forte resistência, foram utilizadas catapultas para limpar a margem oposta. Quando a travessia foi completada, o outro contingente atacou ao mesmo tempo. O resultado foi o pânico e, para impedir que os húngaros não lutassem desesperadamente até o último homem, os mongóis deixaram uma brecha óbvia no seu cerco.

Como Subadei planejou, os húngaros em fuga se retiraram pela brecha deixada deliberadamente e foram canalizados para uma área pantanosa. Quando os cavaleiros húngaros se dividiram, os arqueiros ligeiros mongóis dispararam à vontade, resultando em grande matança no espaço de dois dias. Dois arcebispos e três bispos foram mortos no Sajo, somados a 40.000 homens do exército, o orgulho da Hungria.


Soldado mongol

No final de 1241 Subadei estava discutindo planos para invadir Áustria, Itália e os estados germânicos, quando chegaram notícias da morte de Ogadei. Como resultado os mongóis tiveram de se retirar, já que Subadei foi chamado à Mongólia. Depois disso os exércitos mongóis nunca mais avançaram tão a oeste, concentrando-se mais na conquista da China.


Ataques posteriores

Depois do grande grande ataque de 1241, os mongóis ainda promoveram algumas incursões em pequena escala contra reinos vizinhos da Europa Central e Oriental. Em 1259, sob a liderança de Burundai e Nogai Khan, foi realizado um novo ataque à Lituânia e à Polônia que, tal como o primeiro, foi bem-sucedido. Com um exército de 20.000 soldados, os mongóis saquearam Lublin, Zawichost, Sieradz, Sandomierz, Cracóvia e Bytom, arrebanhando expressivo butim para financiar a guerra de Berke contra Hulagu.

Ainda um terceiro ataque mongol ocorreu em 1287. De início foi bem-sucedido, porém fracassou em tomar Cracóvia. Em 1265 houve um reide bem sucedido contra a Trácia, e, como resultado, o Imperador bizantino Miguel VIII Paleólogo deu sua filha Euphrosyne em casamento a Nogai. Na Hungria ainda houve uma segunda tentativa de invasão mongol em 1285, liderada por Nogai Khan. Após atacar com sucesso a Transilvânia, pilhando cidades como Brasov, Reghin, Bistrita e Arad, a força invasora foi detida próxima à Pest pelo exército do rei Ladislau IV da Hungria e emboscado pelos Szekély no retorno.

A Bulgária foi alvo de investidas mongóis em 1271, 1274, 1280 e 1285, e a Lituânia sofreu novos ataques em 1275 e 1277.


sábado, 18 de julho de 2009

SEMINÁRIO DE GEOPOLÍTICA GENERAL MEIRA MATTOS

Ocorrerá, entre 21 e 23 de julho, o I Seminário de Geopolítica e Estratégia General Carlos de Meira Mattos.

O evento será realizado no no Auditório Senna Madureira do Clube MilitarClube Militar, na Av. Rio Branco 251 - 7º Andar, Centro, Rio de Janeiro-RJ.


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quarta-feira, 15 de julho de 2009

IMAGENS DO DIA - 15/7/2009

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Fotos do primeiro lote de carros de combate M-4 Sherman recebidos pelo Exército Brasileiro durante exercício em Gericinó na década de 1950.

As imagens coloridas foram publicadas pela Revista LIFE e recentemente disponibilizadas na internet.

As imagens falam por si mesmas ....






Fonte: Revista LIFE

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MORRE ROBERT MACNAMARA, SECRETÁRIO DE DEFESA DURANTE A GUERRA DO VIETNÃ

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McNamara, um dos arquitetos da estratégia americana no conflito, morreu em sua casa, em Washington.


Robert McNamara, secretário de Defesa dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã e a crise dos mísseis em Cuba (1962), morreu, nesta segunda-feira (6 de julho), aos 93 anos de idade. McNamara ocupou o cargo de secretário de Defesa dos EUA durante os governos de John F. Kennedy e Lyndon B. Jonhson. Em 1968, ele deixou a pasta e assumiu a Presidência do Banco Mundial.

De acordo com sua mulher, Diana, McNamara já sofria de problemas de saúde há algum tempo e morreu na manhã desta segunda-feira enquanto dormia em sua casa, em Washington.

Antes de assumir a chefia do Departamento de Defesa, em 1961, McNamara foi presidente da montadora de automóveis Ford. Ele ficou conhecido como um dos principais arquitetos da estratégia americana na guerra do Vietnã entre os anos de 1961 e 1968. Para muitos ativistas antiguerra, McNamara se tornou um símbolo das políticas que levaram à morte de mais de 58 mil soldados americanos durante o conflito no país asiático.

Em seu livro de memórias, In Retrospect: The Tragedies and Lessons of Vietnam, publicado em 1995, McNamara, no entanto, afirmou se arrepender de seu papel durante o conflito. No livro, o ex-secretário de Defesa descreveu a guerra como “terrivelmente errada” e afirmou que as falhas durante o conflito aconteceram devido a uma combinação do clima anticomunista do período e de uma compreensão errônea a respeito de política internacional e estratégia militar.

Em 1967, McNamara criticou a decisão de bombardear o Vietnã do Norte em retaliação a ataques contra bases americanas no sul. No ano seguinte, foi retirado do cargo pelo presidente Lyndon Johnson, que ofereceu a McNamara a Presidência do Banco Mundial.

Fonte: BBC/ Estadão


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segunda-feira, 13 de julho de 2009

IMAGEM DO DIA - 13/7/2009

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Durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937, tropas Republicanas travam combate de rua utilizando cavalos mortos como proteção.


SEMINÁRIO DA UNIFA


O NAVIO CONSTRUÍDO COM O AÇO DO WORLD TRADE CENTER

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Para conhecimento e reflexão. É de um grande povo que se forja uma grande nação.


é com "flexibilidade ética", nem com falta de memória histórica ou com falta de senso cívico.  O navio feito com aço do World Trade Center é o navio de assalto USS New York (LPD-21). Foi construído com 24 toneladas de fragmentos de aço do World Trade Center.

Este é o 5º numa nova classe de navios de guerra, projetados para missões que incluem operações especiais contra terroristas. Carregará uma tripulação de 360 marinheiros e 700 fuzileiros navais, combatentes prontos para sair e atuar através de helicópteros e embarcações de ataque.

O aço do World Trade Center foi derretido numa fundição em Amite, Los Angeles para moldar a parte curva do navio. Quando o aço derretido foi derramado nos moldes em 9 de setembro de 2003, "aqueles trabalhadores grandes e rústicos do aço trataram aquilo com total reverência", recordou o capitão da Marinha, Kevin Wensing, que estava lá. "Foi um momento espiritual para todos lá."

O USS New York na cerimônia de comissionamento: 24 toneladas do aço do World Trade Center


Junior Chavers, o gerente de operações da fundição, disse que assim que o aço do Trade Center chegou, ele o tocou com sua mão e "o cabelo da minha nuca se arrepiou". "Aquilo tinha um grande significado para todos nós" ele disse. " Eles nos golpearam. Eles não podem nos manter por baixo. Nós vamos voltar."

O lema do navio?

“Nunca Esqueceremos!”

O lema do navio: "Never forget" - Nunca esqueceremos



terça-feira, 9 de junho de 2009

ENTREVISTA COM FRANK McCANN: OS EUA, O BRASIL E A 2ª GUERRA MUNDIAL




Para o pesquisador americano Frank McCann, a contribuição feita pelo Brasil ao esforço aliado durante a 2ª Guerra Mundial foi maior do que se imagina. As bases americanas instaladas em território brasileiro, afirma, foram fundamentais para os aliados na África, na ex-União Soviética e até na China durante o conflito, que poderia ter tido outra história se elas não existissem.


McCann lembra ainda que os Estados Unidos chegaram a temer que, assegurado o norte africano, os alemães atravessassem o Atlântico para invadir o Brasil, com apoio de revoltas das comunidades germânicas e italianas do Sul do país. O pesquisador também relata que ocorreu, na 2ª Guerra, um choque de culturas, no qual os norte-americanos tiveram uma visão negativa dos brasileiros por causa da falta de condições de saúde dos soldados do Brasil. Segundo ele, após o fim da Guerra Fria, e desde que foi superada a tensão que precedeu o rompimento, em 1977, do acordo militar de 1952, há mais respeito mútuo entre os dois países. "Havia alguma suspeita entre oficiais brasileiros de que os americanos estavam interessados demais na Amazônia", disse McCann. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por ele ao Estado:




O senhor diz que o Brasil na 2ª Guerra foi um dos primeiros exemplos do uso de civis em projetos militares. Como isso ocorreu?
Eu estava me referindo à construção das bases aéreas. Os militares americanos não poderiam fazê-lo, então foram à Pan American Airways, cuja subsidiária Pan Air do Brasil foi encarregada de obter as terras, os trabalhadores, e organizar as construção. O contrato da Pan Am com o Exército dos EUA estabelecia que construiria bases de Miami a Natal e então, através da África, de Dacar à Somália. Quando a Europa estava sob domínio alemão, e os japoneses dominavam o Pacífico, essa rede abasteceu os britânicos no Norte da África, a União Soviética e até o crucial teatro da China, Burma e Índia. Sem as bases brasileiras, a Segunda Guerra Mundial teria tido uma história diferente.

Qual foi o peso que teve, para a entrada do Brasil na guerra, a Operação Pote de Ouro, invasão planejada do Nordeste por 100 mil americanos para garantir a área para as operações dos EUA?
Não acredito que tenha tido alguma influência na tomada de decisão. Franklin Delano Roosevelt e o Exército americano não desejavam combater brasileiros. Em vez disso, temiam que a Alemanha, após assegurar o norte da África, lançasse um ataque no Nordeste brasileiro e que as comunidades alemãs e italianas no Sul se revoltassem em apoio ao esforço alemão. A vitória alemã contra a França e o ataque aéreo à Grã-Bretanha assustaram todo mundo.

Houve um choque de culturas entre brasileiros e americanos na 2ª Guerra?
O Brasil deu aos americanos uma visão negativa do País. Grandes recursos, maravilhosa hospitalidade, mas uma população doente. Embora o intenso treinamento tenha irritado alguns oficiais brasileiros, não era diferente daquele aos quais os soldados americanos eram submetidos. A regra era simples, soldados subtreinados poderiam logo ser mortos. Minha impressão é que oficiais como Castello Branco logo entenderam que o contínuo treinamento era necessário.


Por que a FEB teve apenas 25 mil homens? O que faltou? Dinheiro?
Não, foi simplesmente uma questão de não ter homens jovens saudáveis em número suficiente. Um dos problemas foi que o processo decisório no Brasil era muito lento. As decisões certas foram tomadas muito tarde para tirar vantagens das oportunidades que passavam rapidamente. Se o Brasil tivesse estado pronto para enviar suas forças em 1943 como parte da campanha no Norte da África, mesmo que tivesse tido somente um par de divisões, seu status teria sido diferente.


Como ficou a relação Brasil-EUA na área militar após o fim da Guerra Fria?
Acho que há mais respeito mútuo. Havia alguma suspeita entre oficiais brasileiros de que os americanos estavam interessados demais na Amazônia. O Brasil negou permissão para pouso aos EUA em alguns campos em Roraima no fim dos anos 80, mesmo em missões humanitárias. E, com pelo menos um treinamento envolvendo paraquedistas brasileiros em Roraima, os EUA foram advertidos para que mantivessem distância.
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Recentemente, o Brasil lançou um extenso programa de compras militares. Comprou equipamentos da Rússia e da França. Os americanos continuarão distantes ou Obama poderia mudar esse quadro?
Ouvi que o presidente Obama estava impressionado com o presidente Lula. Mas ficaria surpreso se ele tivesse uma ideia clara sobre o que o Brasil é hoje. Espero que ele venha logo e consiga ver muito do País. Como regra, os americanos têm poucas ideias concretas sobre o Brasil. Quanto mais Obama ver, melhor será.

Fonte: Estadão

 

sexta-feira, 5 de junho de 2009

IMAGEM DO DIA - 5/6/2009

 

Canhões franceses sob fogo em Sedan, 1870, durante a Guerra Franco-Prussiana. Alguns dias depois desta foto, Sedan capitulava diante do Exército da Prússia.

 

DOCUMENTO - DECLARAÇÃO DE GUERRA DE PORTUGAL À FRANÇA

 
Com a invasão das tropas de Napoleão em Portugal e a consequente transmigração da Família Real portuguesa para o Brasil, D. João VI declarou guerra contra a França, cujo decreto é transcrito a seguir:




Decreto de 10 de Junho de 1808

Havendo o Imperador dos Francezes invadido os meus Estados de Portugal de uma maneira a mais aleivosa e contra os Tratados subsistentes entre as duas Corôas, principiando assim sem a menor provocação as suas hostilidades e declaração de guerra contra a minha Corôa; convem á dignidade della, e á ordem que occupo entre as Potencias, declarar semelhantemente a guerra ao referido Imperador e aos seus vassallos; e por tanto ordeno que por mar e por terra se lhes façam todas as possiveis hostilidades, autorizando o corso e armamento, a que os meus vassallos queiram propor-se contra a Nação Franceza; declarando que todas as tomadias e prezas, qualquer que seja a sua qualidade, serão completamente dos aprezadores sem deducção alguma em beneficio da minha Real Fazenda. A Mesa do Desembargo do Paço o tenha assim entendido e o faça publicar, remettendo este por cópia ás Estações competentes e affixando-o por editaes.

Palacio do Rio de Janeiro em 10 de Junho de 1808.
Com a rubrica do Principe Regente Nosso Senhor."

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

LEGIÃO LIVRE INDIANA - O EXÉRCITO VOLUNTÁRIO DE HITLER



A Legião Indiana Livre foi uma unidade de infantaria criada em agosto de 1941, e integrada por combatentes voluntários de origem indiana, que lutaram pelo III Reich alemão.


Por Mike Thomson


Nos estágios finais da Segunda Guerra Mundial, enquanto os Aliados e as forças de resistência francesas expulsavam as agora desmoralizadas tropas de Hitler da França, três altos oficiais alemães desertaram.

A informação que eles deram à inteligência britânica foi considerada tão crítica que, em 1945, foi trancada, não sendo marcada para liberação antes de 2021. Agora, 17 anos antes, o departamento de documentação da BBC teve acesso especial a esse arquivo secreto.Ele revela que milhares de soldados indianos que tinham se juntado aos britânicos na luta contra o fascismo trocaram seus juramentos à coroa britânica por outros para Adolf Hitler – um impressionante conto de lealdade, desespero e traição que ameaçou o domínio britânico na Índia, conhecido como Raj.

A história que os oficiais alemães contaram aos seus interrogadores começou em Berlim, em 3 de abril de 1941. Essa foi a data em que o líder revolucionário indiano Subhas Chandras Bose chegou à capital alemã. Bose, que tinha sido preso 11 vezes pelos britânicos na Índia, fugiu do Raj com uma missão em mente: buscar o apoio de Hitler para expulsar os britânicos de seu país. Seis meses depois, com a ajuda do ministro alemão das relações exteriores, ele tinha montado o que chamava de “Centro da Índia Livre”, de onde publicava panfletos, escrevia discursos e organizava transmissões de rádio em apoio à sua causa.

No fim de 1941, o regime de Hitler reconheceu oficialmente o “Governo da Índia Livre” provisório no exílio, e até concordou em ajudar Chandras Bose a montar um exército para lutar por sua causa. Foi a chamada “Legião da Índia Livre”. Bose esperara conseguir uma força de 100.000 homens que, quando armados e treinados pelos alemães, poderiam ser usados para invadir a Índia britânica.Ele decidiu recrutar seus homens durante visitas a campo de prisioneiros de guerra que, naquele tempo, era lar de dezenas de milhares de soldados indianos capturados por Rommel no Norte da África. Finalmente, em agosto de 1942, o recrutamento de Bose começou a ganhar impulso. 

Soldados da Legião Indiana em serviço na França

Cerimônias públicas eram realizadas nas quais dúzias de prisioneiros indianos prestavam juramento de fidelidade a Adolf Hitler. Essas foram as palavras usadas pelos homens que previamente haviam jurado fidelidade ao Rei da Inglaterra:

“Eu faço por Deus este juramento sagrado,no qual obedecerei ao líder da raça e do estado alemão, Adolf Hitler, como comandante das forças armadas alemãs na luta pela Índia, cujo líder é Subhas Chandras Bose”.

Consegui rastrear um dos antigos recrutas de Bose, Tenente Barwant Singh, que ainda se lembra do revolucionário indiano chegando a seu campo de prisioneiros. “Ele foi apresentado a nós como líder do nosso país que queria falar conosco”, ele diz. “Ele queria 500 voluntários que seriam treinados na Alemanha e saltariam de pára-quedas na Índia. Todos levantaram as mãos. Milhares de nós se voluntariaram”.

Ao todo, 3.000 prisioneiros indianos se alistaram na Legião da Índia Livre. Mas, ao invés de ficar feliz, Bose ficou preocupado. Um esquerdista admirador da Rússia, ele ficou arrasado quando os tanques de Hitler penetraram a fronteira soviética. As coisas ficaram mais difíceis após a derrota em Stalingrado, quando tornou-se claro que as forças alemãs agora em retirada não estavam em posição de oferecer a Bose qualquer ajuda para expulsar os ingleses da distante Índia. Quando o revolucionário indiano encontrou-se com Hitler em maio de 1942 suas suspeitas foram confirmadas, e ele começou a acreditar que o líder nazista estava mais interessado em usar seus homens mais para ganhar vitórias de propaganda do que militares. Então, em fevereiro de 1943, Bose deu as costas aos legionários e entrou secretamente em um submarino a caminho do Japão. Lá, com ajuda japonesa, ele iria formar uma força de 60.000 homens que marcharia para a Índia. Já na Alemanha, os homens recrutados por Bose tinham sido deixados sem liderança e desmoralizados. Após muita decepção e mesmo um motim, o Alto-Comando alemão os despachou inicialmente para a Holanda e depois para o sudoeste da França, onde ajudariam a fortificar a costa contra a esperada invasão Aliada.

Soldados indianos guarnecendo a "Muralha do Atlântico"

Após o Dia-D, a Legião da Índia Livre, que tinha sido trazida para a Waffen-SS de Himmler, estava em franca retirada através da França, junto com unidades regulares alemãs. Foi durante esse período que eles ganharam uma reputação selvagem entre a população civil. O antigo membro da Resistência Francesa, Henri Gendreaux, se lembra da Legião passando por sua casa na cidade de Ruffec: “Me lembro de diversos casos de estupro. Uma senhora e suas duas filhas foram estupradas e em outro caso eles ainda fuzilaram uma pequena garota de dois anos de idade”.

Finalmente, ao invés de expulsar os ingleses da Índia, a Legião da Índia Livre se viu expulsa da França e depois da Alemanha. Seu tradutor militar alemão naquele tempo era o Soldado Rudolf Hartog, que agora tem 80 anos: “No último dia em que estávamos juntos um tanque apareceu. Eu pensei, meu Deus, o que posso fazer? Estou acabado”, ele diz. “Mas ele queria apenas levar os indianos. Nós nos abraçamos e começamos a chorar. Você percebe quando é o fim”.

Um ano depois os legionários indianos foram mandados de volta para a Índia, onde todos foram soltos após pequenas sentenças prisionais. Mas, quando os britânicos puseram três de seus oficiais mais graduados em julgamento perto de Delhi, houve motins no exército e protestos nas ruas. Com os britânicos agora cientes de que o Exército Indiano não mais dependia do Raj para exercer sua função, a independência seguiu-se quase imediatamente. Não que Subhas Chandras Bose tenha vivido para ver o dia pelo qual tanto tinha lutado. Ele morreu em 1945.

Desde então, pouco tem sido dito sobre o Tenente Barwant Singh e seus companheiros legionários. No fim da guerra a BBC foi proibida de divulgar sua história e essa impressionante saga foi trancafiada nos arquivos, até agora. Não que o Tenente Singh tenha se esquecido daqueles dramáticos dias: Em frente aos meus olhos eu posso ver como todos nos éramos, como nós cantávamos e como todos falávamos sobre o que eventualmente iria acontecer conosco”, recorda ele.


Fonte: BBC News

IMAGEM DO DIA - 3/6/2009


Acampamento britânico nas proximidades da planície de Balaclava na Guerra da Crimeia, alguns dias antes da célebre Carga da Brigada Ligeira.



terça-feira, 2 de junho de 2009

PENSAMENTO MILITAR - GUERRA E POLÍTICA


"A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra é uma política com derramamento de sangue."


Mao Tse Tung, líder comunista chinês


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