"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quinta-feira, 27 de março de 2025

O APOIO DOS ALIADOS À RÚSSIA DURANTE PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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Campanha foi terrível para a Rússia, que dificilmente poderia competir com potencial industrial de inimigos. País contou, porém, com apoio do Reino Unido, França e Estados Unidos.

Por Aleksêi Timofeitchev


"Não há comida suficiente. As pessoas estão morrendo de fome. Muitos soldados não têm botas. Eles envolvem seus pés em bandeiras... Há grandes perdas entre a infantaria e os oficiais. Existem regimentos onde restam apenas alguns soldados. Particularmente preocupante é o estado dos fornecimentos de artilharia. Recebi a ordem de um comandante de não gastar mais de 3 a 5 projéteis de artilharia por canhão. Nossa artilharia não ajuda a infantaria, que sofre com centenas de projéteis do inimigo. Foram enviados 14 mil soldados e eles não têm fuzis", escreveu um dos comandantes militares russos em seu diário, no final de 1914, cinco meses após o início da Primeira Guerra Mundial.

Na primavera de 1915, ficou claro que a guerra era um desastre para a Rússia. Os alemães e austríacos lançaram uma grande ofensiva, colocando o exército russo em fuga. As tropas russas perderam muitos soldados nos territórios a oeste. O general Alekséiev, futuro chefe do Estado-Maior da Rússia, apontou cinco principais razões para o desastre, dentre as quais a primeira foi a falta de artilharia: "Este é o déficit mais importante e preocupante, que tem consequências fatais".

Além disso, faltava artilharia pesada, bem como fuzis e munições.


Sem canhões

A Rússia estava terrivelmente despreparada para a guerra. Além da baixa industrialização, o país enfrentava sérios problemas econômicos e não conseguia tornar as indústrias militares mais ativas. O país, então, recorreu à Grã-Bretanha, França e EUA para receber armas de fogo, fuzis, canhões e munições.

Cossacos russos com canhão de origem francesa: faltavam peças de artilharia

A artilharia pesada da Rússia estava na pior situação possível. O país começou a fabricar canhões apenas em 1916, no terceiro ano da guerra. No entanto, o país não produzia projéteis de 8, 9, 10 e 11 polegadas, como os que eram usados na maioria das armas de artilharia. Assim, a Rússia começou a importar essas armas, mas nunca recebeu o volume necessário.

No início de 1917, a Rússia tinha 5 vezes menos armas de artilharia de campanha e 9 vezes menos armas pesadas do que os Aliados. Por exemplo, havia dois canhões na frente russa por quilômetro e 12 na frente francesa.


Sem munição

Havia também uma terrível escassez de munições de artilharia.

"Lembro-me da batalha de Przemyśl, em meados de maio de 1915. Onze dias de combates violentos... Onze dias do terrível ruído da artilharia pesada alemã que destruía trincheiras junto com os soldados. Quase não respondemos ao fogo, não tínhamos nada. Os regimentos esgotados responderam aos ataques com baionetas ou atirando à queima-roupa. O sangue corria... Aumentou o número de túmulos, pois dois regimentos foram quase completamente destruídos pelo fogo da artilharia alemã", escreveu o general do exército russo Anton Deníkin.

Invólucros de munição de artilharia do Exército Imperial: carência de granadas

A Rússia aumentou drasticamente a própria produção de projéteis de artilharia, mas não conseguia produzir o volume necessário. Os Aliados forneciam até 75% das munições para o país.


Limitação da demanda

Receber ajuda externa também não era fácil. Quando uma missão diplomática russa chegou à Grã-Bretanha no outono de 1915 para informar Londres sobre as necessidades do exército russo, o primeiro-ministro britânico, Lloyd George, disse: "Nossas próprias necessidades [em armas] são maiores que as de nossos aliados".

Os Aliados começaram começaram a estender as mãos aos russos apenas no final de 1915. Em 1917, a Rússia adquiriu quase 4 milhões de fuzis dos Estados Unidos, pagando em ouro.  Dentre muitas empresas, apenas a Winchester cumpriu o acordo, fornecendo 300 fuzis à Rússia, enquanto as outras empresas entregaram cerca de 10% do que havia sido pago.

Soldados de infantaria russos armados com fuzis Winchester de origem norte-americana: armas boas, mas em quantidade insuficiente

O ex-ministro da Defesa, Mikhaíl Beliaev, revelou que as empresas norte-americanas aceitaram as encomendas com "uma facilidade criminosa", por que simplesmente não havia capacidade de produção para fornecer a quantidade de armas prometida.

Também houve reclamações sobre encomendas da Grã-Bretanha: os produtos eram de baixa qualidade e muito caros. 

Em fevereiro de 1917, a Rússia enviou novos pedidos aos Aliados para a importação de mais armas, mas os países ocidentais aceitaram entregar apenas um terço do que os russos solicitaram.

Assim, a ajuda dos Aliados foi extremamente importante para a Rússia, mas foi insuficiente, e levou a Rússia a sair da guerra em março de 1918.

Fonte: Russia Beyond


segunda-feira, 29 de abril de 2024

29/4/2024 - IMAGEM DO DIA

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Nas proximidades da Linha Gótica, na Itália em 1944, artilheiros pertencentes ao VIII Exército britânico guarnecem um canhão antiaéreo Bofors 40mm, defendendo uma ponte sobre um dos inúmeros cursos d´água existentes na região.




segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

IMAGEM DO DIA - 12/2/2024 - A BARRAGEM ROLANTE

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Mapa mostrando a barragem de rolante de artilharia para o avanço em Vimy Ridge em 1917. O desenvolvimento técnico e tático da artilharia foram marcantes durante a Grande Guerra (1914-1918).


quinta-feira, 21 de julho de 2022

IMAGEM DO DIA - 21/7/2022

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Artilharia norte-americana atacando posições alemães perto de Verdun, setembro de 1918.


quarta-feira, 20 de julho de 2022

EDITOR DO PORTAL PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE ARTILHARIA NA UNIVERSIDAD SIMÓN BOLÍVAR, VENEZUELA

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No último dia 13, o editor do portal Carlos Daróz-História Militar participou do interessante seminário organizado pela Universidad Simón Bolívar, em Caracas, que teve como tema a evolução da Artilharia na América Ibérica.


O evento teve como tema central La Artillería: 4 miradas desde la historia iberoamericana, organizada pelo seminário "Caudillo, Ditador e Força Armada em Venezuela 1830-1958", dirigida pelo Prof. Germán Guia do Departamento de Formação Geral e Ciências Básicas. 

A tertúlia foi patrocinada acadêmica e logisticamente pelo Instituto de Investigações Históricas Bolivarium e pelo Funindes.

Participaram da reunião os seguintes professores, com a exposição dos respectivos temas:

- Carlos Daroz (Brasil): "A artilharia brasileira na defesa do Arquipélago de Fernando de Noronha durante a II Guerra Mundial";

- Germán Guia (Venezuela, USB): "A organização, a tática e as tentativas de profissionalizar a Artilharia Costeira Raiada Venezuelana, 1875-1877";

- Luis Eduardo González (México): "Os Sistemas de Artilharia de Mondragón";

- Alberto Castro (Peru): "O Quartel Santa Catalina e sua relevância na história da artilharia peruana".



Junto ao Prof. Germán Guia, na moderação da tertúlia esteve o Prof. Cristian Garay (Universidade do Chile, Instituto de Estudos Avançados)

Para quem gosta do assunto, segue o link para o vídeo do evento.







sábado, 21 de agosto de 2021

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DO II SEMINÁRIO A FORÇA TERRESTRE NAS OPERAÇÕES DE DEFESA DO LITORAL



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Editor do Blog participa de conferência sobre doutrina da Artilharia de Costa


No dia 10 de agosto, cooperando com a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar, historiador e oficial de Artilharia do EB, participou do II Seminário "A força Terrestre nas operações de defesa do litoral", no qual apresentou a conferência A ARTILHARIA DE COSTA E A DEFESA DO LITORAL NO BRASIL EM UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA.

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar apresentando sua conferência


A Artilharia de Costa durante a Revolta da Armada em 1893


Canhão Vickers-Armstrong 152,4mm do 7º Grupo Móvel de Artilharia de Costa disparando na Praia do Cassino, Rio Grande-RS, década de 1960.


O seminário ocorreu com a participação de integrantes da Artilharia do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais e tem, como principal objetivo, atualizar a doutrina sobre a defesa do litoral.



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quarta-feira, 14 de abril de 2021

ARTILHEIROS NA TOMADA DE MONTESE - 14 DE ABRIL DE 1945


Por Israel Blajberg


As três maiores vitórias da FEB - Força Expedicionária Brasileira - na Itália foram Monte Castelo, Montese e a captura da 148ª Divisão de Infantaria da Wermacht. Montese custou 574 baixas entre mortos e feridos. Milhares de tiros foram disparados pela Artilharia em apoio aos combates urbanos de Montese.

Na impossibilidade de citar todos, aqui recordamos dois dentre muitos Artilheiros que estiveram presentes em Montese, e que em vida costumavam abrilhantar as reuniões da Ordem dos Veteranos Artilheiros (OVArt), nos tempos em que era conduzida pelo saudoso General Cesar Montagna de Souza. Dois Heróis de Montese e da libertação da Itália do domínio nazifascista.


Marechal Waldemar Levy Cardoso (1900-2008)


Da Turma de 1921 da Escola Militar do Realengo, nascido no dia de Santa Bárbara, 4 de dezembro, ultimo marechal do Exercito Brasileiro, sua carreira militar foi vasta e profícua, servindo em diversas unidades de Artilharia, tendo sido Comandante do 1º Regimento de Obuses Autorrebocado, unidade da Força Expedicionária Brasileira em campanha na Itália – 1944-45, a convite do General Cordeiro de Farias, Comandante da Artilharia Divisionária. 

Sua unidade teve desempenho destacado na conquista de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese. Foi agraciado com a Estrela de Bronze, Estados Unidos (EBr, EUA) – Bronze Star (EUA) – 1946, Cruz de Combate 2ª Classe (CZC2) – 1947, entre muitas outras.


Coronel Salli Szajnferber (1923–2010)


Da Turma de 1944 da Escola Militar do Realengo, Salli combateu em dois grandes momentos da FEB, a tomada de Monte Castelo e Montese, nas funções de Comandante de Linha de Fogo, e Observador Avançado da Artilharia. Em Montese foi levemente ferido, quando Observador Avançado junto à 9ª Companhia do III Batalhão do 11º Regimento de Infantaria. Pela sua bravura em ação na tomada de Montese, foi agraciado pelo Presidente da República com a Cruz de Combate de 1ª Classe. 

O diploma assinado pelo Ministro da Guerra, General Pedro Aurélio de Goes Monteiro, destaca sua grande coragem, sangue frio e capacidade de ação, durante os encarniçados combates de 14 e 15 de abril de 1945. Progredindo em terreno minado severamente batido por fogo de artilharia, morteiro e armas automáticas, o Tenente Salli cumpriu a sua missão de observador avançado ajustando com precisão os tiros da nossa artilharia.




segunda-feira, 12 de abril de 2021

IMAGEM DO DIA - 12/4/2021

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Um canhão Bofors AAe britânico protegendo as colunas de artilharia e transporte durante o avanço dos Aliados em direção à Linha Gótica, no norte da Itália em 1944.


segunda-feira, 6 de julho de 2020

IMAGEM DO DIA - 6/7/2020

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Soldados bizantinos utilizando um trabuco durante operação de sítio, Século X



terça-feira, 2 de junho de 2020

OS CANHÕES SOVIÉTICOS DE 305mm

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O gigante Canhão do Tsar em exposição no Kremlin de Moscou é símbolo da capital russa há muito tempo. Sempre que os guias turísticos contam aos visitantes sobre sua história, eles ressaltam que a arma nunca disparou um tiro sequer. No entanto, poucas pessoas sabem que o lendário canhão foi o protótipo de uma geração notável de armas que não só entrou em serviço de combate, mas também garantiu seu lugar como os exemplares mais poderosos de seu tempo.



Por Aleksandr Verchínin



A ideia de criar uma arma terrestre de alta potência foi primeiramente lançada nos círculos militares, em 1915, no auge da Primeira Guerra Mundial, quando o Exército russo sofreu uma sucessão de derrotas contra as forças alemãs.

Essas derrotas no campo de batalha se deviam principalmente a graves lacunas nos arsenais de artilharia da Rússia e na artilharia pesada em particular, enquanto os alemães eram capazes de usar armas de última geração para esmagar uma divisão russa após a outra. O Exército russo precisava urgentemente de poder de fogo capaz de infligir perdas iguais sobre o inimigo.

As armas mais poderosas eram tradicionalmente utilizadas pela Marinha russa, já que os navios proporcionavam uma plataforma conveniente para artilharia pesada. No verão de 1915, oito obuseiros 305 milímetros tinham sido produzidos para a Marinha. Mas por causa da situação difícil no fronte, ficou decidido que quatro deles seriam destinados para as forças de campo do Exército. Os monstros de 64 toneladas podiam ser transferidos entre as localizações por transporte ferroviário, sem qualquer efeito negativo para sua eficácia. O poder devastador dessa arma foi demonstrado logo nos primeiros testes, em que bombas incendiárias, pesando quase 400 kg, provaram ser capazes de perfurar qualquer fortificação reforçada de concreto. Além disso, disparar uma arma de 305 milímetros gerava tal pressão de gases que uma salva  toda criava um vácuo em um raio de vários metros, sugando itens soltos no caminho, como se fosse um redemoinho.

As armas de 305 milímetros chegaram ao fronte no verão de 1916 e tiveram seus primeiros disparos em um momento de ira em 19 de junho. Um ataque direto a um abrigo alemão literalmente o jogou a metros no ar criando uma coluna de terra e detritos.

Canhão soviético de 305mm montado em reparo ferroviário


Naquele inverno, uma divisão das armas também entrou em ação perto de Riga, transformando as posições de tiro e ninhos de metralhadora dos alemães em crateras enormes com alguns bons disparos. A infantaria russa não encontrou resistência ao tomar controle das posições inimigas que tinham sido construídas ao longo de 18 meses.

A Revolução de 1917 e o fim repentino da Primeira Guerra Mundial para a Rússia tornou essas armas pesadas desnecessárias. No entanto, as 30 armas retidas pelo Exército Vermelho serviram de base do projeto das armas soviética de 305 milímetros, que foram mais tarde instaladas em fortalezas e bases de defesa da Marinha.

Sua força foi mostrada sobre as forças de Hitler em setembro de 1941, quando as barragens de oito armas 305 milímetros interromperam o ataque alemão a Sebastopol. Disparando de uma margem de 44 km, a bateria permanecia imune a qualquer disparo do inimigo. As armas foram igualmente usadas para defender posições em torno de Leningrado, que nunca foi dominada pela forças alemãs.

Os velhos canhões do tsar foram agrupados em cinco divisões com poder de fogo especial e enviados para a frente de batalha em 1944. Seu momento de glória aconteceu durante a ofensiva soviética na Karélia, Bielorrússia e Polônia, onde as defesas inimigas estavam concentradas em uma série de linhas reforçadas e cidades-fortalezas.

Uma divisão de artilharia organizada em apoio de tanques e forças navais bastou para romper a zona fortificada finlandesa ao longo da Linha Mannerheim, que o Exército soviético tinha atacado com grandes perdas durante vários meses no inverno de 1939 e 1940.

Canhões soviéticos de 305mm preservados


O poder das armas russas de 305 milímetros também foi sentido por posições alemãs no rio Oder, que o comando nazista tinha calculado ser suficiente para verificar o avanço soviético. Em abril de 1945, as armas pesadas também deram apoiou à tomada de Berlim.

O ponto alto dos canhões do tsar, porém, se deu durante a operação para capturar o forte gigante do Terceiro Reich em Königsberg (atual Kaliningrado), quando três divisões da artilharia pesada infligiram mais de 200 ataques diretos no reduto. Apesar de apenas 15% das bombas penetraram o invólucro de betão das colocações, foi o suficiente para romper as defesas alemãs.

Depois de ter sido produzido para esses elevados padrões de montagem, as velhas continuaram a servir na artilharia soviética muito tempo depois da Segunda Guerra Mundial. As últimas unidades foram retiradas de serviço apenas no final de 1950, e uma delas está agora em exposição no Museu de Artilharia de São Petersburgo.

Fonte: Gazeta Russa


sexta-feira, 10 de abril de 2020

O PRIMEIRO TIRO DE ARTILHARIA DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA NA ITÁLIA

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O 1º Tiro da Artilharia da Força Expedicionária Brasileira no território Italiano foi disparado no dia  16 de setembro de 1944


Em 14 agosto de 1944, o 1º escalão da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária passou a integrar o V Exército Norte-americano, que tinha por missão fixar os nazistas na Linha Gótica. Essa fração da Força Expedicionária Brasileira (FEB) entrou em ação na Itália sob o comando do General Euclides Zenóbio da Costa com um efetivo de 5.075 combatentes.

Dentre eles, o 2º Grupo do 1º Regimento de Obuses (atual 21º Grupo de Artilharia de Campanha, Niterói-RJ),  comandado pelo Coronel Geraldo Da Camino, em apoio direto ao Destacamento composto  pelo 6º Regimento de Infantaria (6º RI), um pelotão de carros de combate americanos e um pelotão de reconhecimento brasileiro, que tinham a missão de ocupar ou conquistar a linha Massarosa – Bozzano – Marti La Certosa – Via del Pretino – Santo Stefano.

Na noite de 15 de setembro de 1944, o Grupo iniciou o deslocamento, em total escuridão, para ocupar posição de tiro nas encostas do Monte Bastione, fora do campo visual dos nazistas, e aguardar a primeira missão de tiro fora do continente sul-americano.

Em 16 de setembro de 1944, a Central de Tiro encaminhou o primeiro comando à Linha de Fogo, para a única artilharia da América Latina, presente em solo europeu, abrir fogo às 14 horas e 22 minutos contra o inimigo nazista, contribuindo para a primeira conquista brasileira na Itália, com a efetiva libertação da cidade de Massarosa.

Fonte: CCOMSEX


domingo, 22 de março de 2020

UNIFORMES - REGIMENTO DE ARTILHARIA DA CORTE PORTUGUESA

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Exército Português
Regimento de Artilharia da Corte
Fortaleza de São Julião (1764)

 

Suas origens remontam ao Troço de Artilharia de Repartição do Mar, que, pelo Decreto de 23 de Novembro de 1708, deu origem ao Regimento de Artilharia da Corte e da Armada. Por alvará de 9 de Abril de 1762, passou a designar-se Regimento de Artilharia da Corte (ou Regimento de Artilharia de São Julião da Barra). 

Em 1801, por Decreto de 22 de Fevereiro, foram-lhe acrescentadas duas companhias de Artilharia a cavalo e o soldo dos seus oficiais e soldados foi aumentado. Por meio do Decreto de 23 de Junho de 1803, a Bateria de Artilharia Ligeira da Legião de Tropas Ligeiras foi incorporada no Regimento de Artilharia da Corte. Em 1804, o Decreto de 22 de Janeiro dissolveu as três companhias de Artilharia a Cavalo adidas ao Regimento, que passou a ser designado Regimento de Artilharia nº 1. 

Em 1808, foi reorganizado na Torre de São Julião da Barra, passando a designar-se novamente Regimento de Artilharia da Corte. 

O oficial aqui representado veste o uniforme azul padrão da Artilharia portuguesa no século XVIII, e chapéu tricórnio, característico dos exércitos da época.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

SISTEMA DE MÍSSEIS AAe BUK - UM PRODUTO DA GUERRA FRIA



Por Ignácio Cobo

O sistema Buk é um produto clássico do final da Guerra Fria, época em que se pensava em um conflito em larga escala entre blocos antagônicos. Nesse contexto, a artilharia antiaérea era o principal elemento para deter a primeira ofensiva dos aviões inimigos.

Em funcionamento desde 1979, o sistema Buk disseminou-se amplamente nos países satélites da Rússia e afins, como Índia, Síria e, naturalmente, Ucrânia. A experiência das guerras árabe-israelenses e a certeza de que um conflito na Europa teria grande mobilidade levaram os criadores do projeto a concluir que o sistema deveria ser autopropulsado e possuir um radar próprio que o tornasse independentemente de qualquer estação fixa. A solução foi colocá-lo sobre um veículo de esteiras, em um lançador com quatro mísseis associados a um radar monopulso, cuja função era guiar o projétil até o alvo.

Cada veículo precisava ser autônomo no momento do disparo, embora o normal fosse agruparem-se em baterias. Cada bateria incluía um posto de comando a partir do qual se controlavam os disparos dos diversos lançadores, um radar de aquisição para localizar alvos a grande distância e vários veículos de abastecimento de armas.

A partir desse modelo básico, que a OTAN apelidou de Gadfly (“Moscão”), foram desenvolvidas várias versões posteriores, algumas com um radar adicional de onda contínua para melhorar a detecção de aeronaves em voo de baixa altitude. Com um alcance de até 32 quilômetros de profundidade e 22 quilômetros de altitude, o sistema Buk se tornou a espinha dorsal da defesa antiaérea de muitos países.

Evidentemente, o manuseio de um sistema tão sofisticado requer pessoal altamente qualificado. Sejam recrutas ou reservistas que tenham prestado o serviço militar em unidades antiaéreas, os operadores devem ser profissionais treinados, dotados de uma visão muito clara do que está voando lá em cima. Com isso, seria quase impossível confundir um avião civil com um de combate.

Um míssil AAe Buk foi o responsável pela derrubada do voo MH-17 da Malaysia Airlines em 2014


Como elemento adicional, a exemplo do que ocorre na maioria dos sistemas antiaéreos modernos, o Buk possui seu próprio sistema de identificação “amigo ou inimigo” (IFF na sigla em inglês), imprescindível para saber que aeronaves estão circulando. Um radar secundário interroga o avião eletronicamente para perguntar “quem está voando”. O avião, seja comercial ou não, responde automaticamente a este sinal. Se, por algum motivo, não houver resposta, os operadores sabem que não é amigo, mas não podem confirmar que seja inimigo. Nesses casos, assim como quando o IFF não funciona, é preciso aplicar as regras de enfrentamento que definem claramente que não se pode derrubar uma aeronave não identificada como inimiga, exceto para autodefesa.

Fazer isso constitui uma ação criminosa que nenhuma eventual vantagem tática justifica. Dizer que o voo MH-17 da Malaysia Airlines foi confundido com uma aeronave militar não é desculpa. Os operadores deveriam saber.

Fonte: El País

domingo, 28 de julho de 2019

OS KATIUSHAS RUSSOS DO SÉCULO XIX

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Os lançadores de foguetes, uma das principais ferramentas de ataque dos arsenais militares modernos, já eram amplamente utilizados em guerras muito antes do século 20. Em 1800, projetistas russos apresentaram um dos sistemas de lançadores mais avançados da época.

Por Yuri Ossokin



Durante a Guerra Russo-Turca de 1828-1829, o Exército russo, posicionado na Península Balcânica, era composto por 24 lançadores armados com cerca de 10 mil sistemas de foguetes produzidos pelo projetista russo Aleksandr Zasiadko.

Alimentados com combinações de pólvora e transportando bombas fragmentárias ou incendiárias, os foguetes eram lançados de plataformas especiais em baterias de 36 unidades. Com alcance de até três quilômetros, eram nada menos que precursores de vários sistemas de foguetes modernos.

Os primeiros foguetes militares foram construídos de modo semelhante aos fogos de artifício, cuja presença era obrigatória nas grandes festas da Europa, Ásia e Rússia desde o século XVII. A variante militar diferia principalmente em suas dimensões maiores – necessária para carregar explosivos pesados.

Foguete do século XVIII

O laboratório de pirotecnia de Zasiadko, primeiro em Moguilev (na atual Bielorrússia) e mais tarde em São Petersburgo, produzia foguetes de diversos calibres, como os usados ​​pela artilharia convencional. Isso ocorria devido à inclusão no componente explosivo das mesmas bombas fragmentárias e incendiárias disparadas por canhões em serviço.

Depois dos sucessos no campo de batalha durante a guerra contra a Turquia, o uso de armamento como lançadores de foguetes foi intensificado. Sua excelente capacidade incendiária deu rapidamente aos armeiros russos a ideia de montar navios de guerra com foguetes. Mas foi Konstantin Konstantinov, outro projetista qualificado e entusiasta por foguetes, que abriu as portas para os lançadores de foguete nos barcos movidos a remo e vela na primeira metade do século XIX.

O projetista de foguetes Konstantin Konstantinov

Konstantinov foi capaz de melhorar tanto o alcance de tiro como a precisão dos foguetes ao girar os projéteis durante o voo. Isso se devia à instalação de aberturas laterais que liberavam parte da força de combustível da mistura de pólvora.

Outra medida para aperfeiçoar a tecnologia veio com novos componentes de pó combustível, o que permitia que os foguetes ganhassem velocidade gradualmente e garantia uma trajetória balística ideal e estabilidade de voo.

Versões modificadas dos foguetes de Konstantinov da década de 1840 podiam atingir um alvo a 4,2 km – uma distância inalcançável para as peças de artilharia sem estrias da época.

O maior fabricante de foguetes militares nas décadas de 1830 e 1840 foi o Instituto de Foguetes de São Petersburgo, que em 1850 produziu 49 mil foguetes de diversas especificações.

Três anos depois, em 1853, eclodiu a Guerra da Crimeia. O conflito contou com amplo uso de foguetes pela Rússia e Reino Unido, especialmente no bombardeio das cidades russas de Odessa e Sevastopol. No entanto, como Konstantinov destacou em suas memórias, as deficiências em suas maneiras de medir o alcance e duração de voo resultaram na ativação prematura de seus detonadores, fazendo com que foguetes explodissem no ar antes de atingirem o alvo. De um modo geral, a construção de foguetes britânicos era, em sua opinião, falha.

Soldado russo disparando foguete durante a Guerra da Crimeia


Enquanto isso, os russos deram o melhor de si, lançando fogo contra os aliados com a primeira artilharia móvel de foguetes do mundo –  em sua essência, precursores dos Katiushas do século XX.

Plataformas de lançamento com seis ou dez tubos foram montadas em carroças puxadas por cavalos, permitindo a rápida implantação dessas armas pesadas. Aliás, a bateria de foguetes do tenente Dmítri Scherbatchiov ganhou fama duradoura por causa desse conflito.
Ao longo do século XIX, a Rússia tinha um dos foguetes mais avançados da época. O surgimento de peças de artilharia precisas e longo alcance com as mesmas capacidades militares básicas causaram, posteriormente, o declínio temporário do uso de lançadores de foguetes. No entanto, como mostra a história, esse foi apenas o prólogo de uma longa história a serviço do exército.

Fonte: Gazeta Russa



sábado, 20 de abril de 2019

OS TRENS BLINDADOS SOVIÉTICOS

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Há quase um século, centenas de trens militares blindados estiveram enfileirados pelas extensões do território russo, simbolizando a Guerra Civil que assolava o país.

Por Alexandr Korolkov


Com a rede ferroviária definindo o cenário de hostilidades e impulso das principais ofensivas, a Guerra Civil também chegou para estimular esse veículo militar pouco comum. A União Soviética mais tarde assumiu a liderança no desenvolvimento dos trens blindados, que ainda permanecem em serviço no Exército russo.

“Nós somos pessoas de paz, mas o nosso trem blindado está pronto na trincheira...”, dizia uma canção da época da Guerra Civil Russa. Quando uma guerra não tem frentes exatas, e forças dispersas lutam por uma vasta área sem nunca saber por onde o inimigo irá aparecer, a mobilidade é que determina o vencedor.

Naquela época, a mobilidade dos grandes exércitos costumava depender do controle das ferrovias para transportar reforços, munições e alimentos. E, com sua armadura, artilharia e metralhadoras, além de rapidez e prontidão para o combate, o bronepoezd, ou trem militar, era um recurso poderoso na Rússia.

As primeiras versões apareceram logo após a construção das primeiras estradas de ferro a vapor, mas acredita-se que o seu precursor tenha surgido na França ainda em 1826.

Equipar os trens com canhões e metralhadoras na Rússia foi uma iniciativa aprofundada pelo coronel Ivan Turtchaninov, um oficial do Exército que emigrou para os EUA e serviu no exército da União durante a Guerra Civil. Durante o cerco de Pittsburgh, em 1864, John Turchin, como ficou conhecido, equipou os trens com morteiros de 13 polegadas que podiam disparar granadas de 100 kg a uma distância de 4,5 km.

A primeira vez que engenheiros franceses equiparam trens com armas foi em 1884, e os avanços técnicos da época rapidamente superaram muitas falhas iniciais do projeto. Nas guerras dos bôeres, entre 1899 e 1902, os britânicos também usaram ativamente trens blindados para proteger suas linhas de comunicações das táticas de guerrilha dos inimigos.

Trem blindado do Exército Vermelho durante a Revolução Russa


Até o início da Primeira Guerra Mundial, a maioria dos exércitos europeus tinham um punhado de trens blindados rudimentares. Quando a Rússia se retirou da guerra, o país tinha sete em serviço. Foi a Guerra Civil que gerou um boom no poderio militar ferroviário.

Alguns trens blindados utilizados pelo Exército Vermelho eram provenientes dos pátios de estocagem do Exército Imperial; outros eram produzidos em massa. A maioria foi, no entanto, construído a partir de peças retiradas de carruagens de passageiros comuns.


Reforço soviético

Ao final da guerra, o Exército Vermelho possuía 122 trens totalmente blindados, com variantes improvisadas elevando o total para 400 unidades. Tal como outros equipamentos complexos herdados do Exército tsarista, os trens blindados foram inicialmente implantados sem grande planejamento tático, sendo simplesmente empurrados para o meio da batalha.

Mas à medida que os bolcheviques ganharam experiência de luta, eles aprenderam a melhor forma de usar esses poderosos “cruzadores de terra”. Durante a defesa de Tsaritsin, atual Volgogrado, no ano de 1918, trens blindados foram implantados em massa pela primeira vez na história.

Na época, 15 deles percorreram diversas linhas ferroviárias locais com grande eficácia. A URSS manteve essa ideia viva até que a Segunda Guerra Mundial exigiu a construção de novos projetos, incluindo baterias de defesa aérea e mudanças táticas. Com os avanços de artilharia, aviação e tecnologia de tanques, a vantagem da mobilidade dos trens foi parcialmente perdida – também armados com canhões e metralhadoras, os tanques podiam atacar com velocidade e sem a necessidade de trilhos.

Esse aparato era apoiado por veículos blindados BTR-40 com estrutura dobrável e amortecedores com molas que lhes permitiam operar a partir de plataformas, além de rodas de aço que facilitam a direção em estradas e trilhos. Quatro desses trens com tanques foram mantidos em armazenamento em subestações a 40 quilômetros da cidade de Chita, até o início da década de 1990.


Do fim ao começo

Trens blindados foram usados pela última vez na Chechênia, onde protegiam equipes de manutenção de trem e trens normais de ataques de insurgentes. Os trens das classes Baikal e Amur tinham portas de disparo para metralhadoras e lançadores de granadas AGS-17, bem como plataformas com veículos de combate de infantaria BMP-2. Eles também eram acompanhados pelos mesmos transportadores de pessoal BTR-40 modificados para fins de reconhecimento e comunicações.

Trem blindado soviético preservado em museu

Atualmente, as forças ferroviárias russas não adquirem mais armamentos para trem. Todos os trens das classes Baikal e Amur em serviço no Distrito Militar Sul foram finalmente desmantelados e desativados, trazendo um fim a essa era. Mas será mesmo?

A ampla experiência na construção e uso desses trens ajudou a melhorar a tríade nuclear soviética na década de 1980, com a introdução de mísseis a bordo de trem RS-22 (“bisturi”). Os sistemas foram desativados após o colapso da União Soviética, mas recentemente a liderança militar e política da Rússia decidiram rever o projeto.

Fonte: Gazeta Russa