"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quarta-feira, 19 de abril de 2023

EDITOR DO BLOG APRESENTA COMUNICAÇÃO EM COLÓQUIO DO EXÉRCITO PORTUGUÊS

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O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar representou hoje o Brasil e o Exército Brasileiro junto ao Exército Português, o qual, por intermédio de sua Direção de História e Cultura Militar (DHCM), realizou uma homenagem ao Dia do Exército Brasileiro com a realização do Colóquio "A DEFESA DO BRASIL PORTUGUÊS CONTRA OS HOLANDESES (1645-1654)".

Dividindo o tablado com o Tenente-Coronel Abílio Lousada, do Exército Português, Carlos Daróz apresentou a comunicação "GUARARAPES E SEU LEGADO PARA O BRASIL E PARA O EXÉRCITO BRASILEIRO".

Na parte final do evento, os convidados puderam apreciar uma exposição com painéis ilustrados com a evolução histórica da Insurreição Pernambucana e seus líderes militares. Coroando a exposição, figuravam armamentos leves e uma couraça e capacete originais do século XVII, expostos pelo Museu Militar de Lisboa. 











O evento foi presidido pelo Major General Anibal Flambó, Diretor de História e Cultura Militar, e organizado pelo Coronel Vilela Santos (da equipe da DHCM) e pelo Coronel Hermes Menna Barreto Gonçalves, Oficial de Ligação Cultural e Doutrinária do Exército Brasileiro na República Portuguesa. 

O editor do Blog manifesta seu orgulho em poder representar o EB e o Brasil neste importante evento bilateral na área da História e da Cultura, e contribuir para estreitar os laços entre as duas Nações-irmãs.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – JOÃO DE SOUZA PEREIRA, O “BOTAFOGO”

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Um dos bairros mais antigos do Rio de Janeiro é Botafogo, que foi inicialmente habitado por franceses. Estes foram expulsos por Estácio de Sá, em 1565. Então, as terras foram adquiridas pelo morador que deu nome ao bairro: João de Souza Botafogo.

 
* c. 1540

+ 1627
 
João de Souza Pereira, apelidado de “Botafogo“, foi capitão-mor da capitania de São Vicente, nomeado por meio de uma ordenança do governador D. Francisco de Sousa.

Na condição de lugar-tenente do governador-geral D. Antônio Salema, Pereira de Sousa ganhou duas sesmarias, a de Francisco Velho e a de Inhaúma. A primeira, na bela enseada que hoje leva seu nome, adotado por seus ancestrais pela fama do galeão São João Batista, mandado construir pelo rei D. João II, em 1519. O galeão tinha poder de fogo de 200 peças de artilharia pesada e ganhou o apelido de “Botafogo”. Os feitos do galeão foram tantos que os nobres portugueses produziram uma carta com base em seu brasão de armas com o título de Botafogo.

O galeão português São João Batista ("Botafogo") em ação na Batalha de Tunis, em 1535. Era o navio mais poderoso de sua época

Em 1560, o governador geral Mem de Sá, tendo expulsado os Franceses da Baía de Guanabara, deteve-se na Capitania de São Vicente e "providenciou para que o provedor Brás Cubas e o mineiro Luís Martins fossem ao sertão adentro a buscar minas de outro e prata". Os sertanistas percorrem trezentas léguas de sertão em busca de outro e prata. Partindo de São Paulo e passando por Mogi das Cruzes, desceram o rio Paraíba, guiados pelos índios até a paragem de Cachoeira, onde encontraram o caminho que atravessava do litoral para a serra acima, e, tomando esse caminho, subiram a serra de Jaguamimbaba (Mantiqueira), na direção do rio das Velhas, e correram a margem do rio São Francisco até o Pará-Mirim, de onde voltaram pelo mesmo caminho.

Navegando a favor da correnteza nas águas do rio Paraíba do Sul, os paulistas e outros sertanistas e aventureiros atingiram as terras de Guapacaré (atual Lorena ) e, transpondo o rio "antes dele encachoeirar-se", atravessavam a garganta do Embaú, por onde se transpunha a serra da Mantiqueira e penetraram os sertões mineiros.

As expedições de João Pereira de Souza “Botafogo” (1596), de Martim Corrêa de Sá e Anthony Knivet (1597), de André de Leão e Wilhelm Glimmer (1601), Jerônimo da Veiga ( 1643), Sebastião Machado Fernandes Camacho (1645), de Fernão Dias Paes (1674), atravessaram o Vale do Paraíba percorrendo o rio e as velhas trilhas, abrindo o chamado "caminho geral do sertão", que ligava a vila de São Paulo aos primeiros núcleos de povoamento nos sertões do Paraíba e  às minas dos Cataguás, de Taubaté e da Gerais.

Bandeirantes. A expedição de João de Souza Pereira auxiliou a desbravar o sertão brasileiro

Desde os primeiros anos do século XVII "foi esse caminho senhoreado e frequentado pelos paulistas, tornando-se a linha de penetração mais importante do Brasil, senão na América do Sul" , até a abertura do "caminho novo de Garcia Rodrigues ", que ligou, diretamente, Rio de Janeiro às Minas Gerais.

O bairro de Botafogo recorda João Pereira de Souza "Botafogo", aí morador desde 1590, donde também chamar-se-ia "praia de João de Souza", antes, "praia de Francisco Velho", companheiro de Estácio de Sá, que, da praia Vermelha ou de Martim Afonso, avançou pela praia da Saudade, costeando o morro, depois chamado de Matias, do Pasmado, da Azinhaga (começo da avenida Pasteur de hoje), atravessando o rio de Berquó, nome do ouvidor Berquó, onde está hoje se encontra o Pavilhão Mourisco. Desbravou então, daí, a pequena baía encerrada entre os morros do Pasmado e da Viúva: a atual enseada de Botafogo, cartão-postal do Rio de Janeiro e do Brasil.

No âmbito da atual Região Administrativa de Botafogo, estão localizadas duas importantes edificações: o Palácio Guanabara, sede do Governo Estadual (localizado em Laranjeiras); e o Palácio da Cidade, sede do Governo Municipal (situado em Botafogo).


terça-feira, 2 de novembro de 2021

PESQUISA REVELA TROCA DE CARTAS EM TUPI ENTRE INDÍGENAS DO SÉCULO XVII

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Traduzidos pelo professor Eduardo Navarro, da Universidade de São Paulo (USP), documentos dão informações sobre a Insurreição Pernambucana


Por Juliana Alves

A história é escrita pelos vencedores. No caso brasileiro, primeiro foram os portugueses e, depois, os holandeses. Documentos que contam a história brasileira pela perspectiva dos que foram vencidos – os povos originários – são raros. O professor Eduardo Navarro, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, especialista em tupi antigo e em literatura do Brasil colonial, mostra uma dessas exceções. Navarro pesquisou seis cartas trocadas entre indígenas em 1645, os únicos textos conhecidos que os próprios indígenas escreveram em tupi nos tempos coloniais. Essas cartas estão guardadas nos arquivos da Real Biblioteca de Haia, na Holanda, e detalham uma guerra religiosa travada entre portugueses e holandeses, com a presença de indígenas em cada lado, conhecida como Insurreição Pernambucana (1645-1654).

O professor explica que essas seis cartas pertenciam ao arquivo da Companhia das Índias Ocidentais, uma empresa de comércio com capitais privados e também capitais do Estado holandês. Essa companhia organizou uma invasão do Nordeste brasileiro em 1625, que não foi bem-sucedida. Os integrantes da companhia voltaram para o país europeu com alguns indígenas a bordo, entre eles os caciques Pedro Poti e Antônio Paraopeba. Na Holanda, os caciques foram convertidos ao protestantismo calvinista. Cinco anos depois, houve outra tentativa de invadir a costa do Nordeste. E dessa vez deu certo, principalmente, em Pernambuco, onde os holandeses permaneceram por 24 anos, desde 1630 até 1654. 

“E por que Portugal deixou a Holanda invadir o seu território?”, provoca Navarro. Ele relata que, em 1645, fazia cinco anos que Portugal tinha saído do domínio espanhol e, para firmar sua independência, era necessário obter apoio dos holandeses. Essa aliança foi consolidada pelo padre Antônio Vieira, que também era diplomata. Ele escreveu o plano Papel Forte, que consistia em entregar o Nordeste brasileiro em troca de apoio político. Já os senhores de engenho não queriam a presença dos holandeses, pois muitos estavam endividados com a Companhia das Índias Ocidentais. Queriam que os holandeses fossem embora, para não pagar suas dívidas. Nesse período, o conde Maurício de Nassau foi quem administrou Pernambuco e conseguiu apaziguar os conflitos religiosos e dos senhores de engenho. Ele criou um ambiente de tolerância religiosa, numa época em que em território português era obrigatório o catolicismo e as outras religiões eram consideradas heresia. 

Carta de Diogo Pinheiro Camarão a Pedro Poti, de 21 de outubro de 1645

Quando Nassau voltou para a Europa, em 1644, começaram a acontecer conflitos religiosos. Jacob Rabbi, um alemão a serviço do governo holandês, provocou um massacre em Cunhaú, no Rio Grande do Norte. As portas da Igreja de Nossa Senhora das Candeias foram trancadas e dezenas de fiéis foram mortos. Esse foi o estopim para a Insurreição Pernambucana.

Navarro descreve que, do lado holandês, ficaram Pedro Poti e Antônio Paraopeba, indígenas protestantes, e, do lado português, Felipe Camarão, indígena católico, que pedia a seus parentes Poti e Paraopeba que voltassem para o lado português. “Esses pedidos estão nas cartas, todas de 1645: a primeira é de agosto e as últimas são de outubro. Foram preservadas seis cartas, mas imagino que deve haver mais”, destaca o professor. Ele conta que a primeira carta de que há registro é de Felipe Camarão, pedindo para que Pedro Poti deixasse os holandeses, sob a alegação de que eram hereges e “estão no fogo do diabo”. Camarão escrevia que os indígenas precisavam se unir, pois eram do mesmo sangue e não podiam se matar daquela maneira. A resposta do Poti é conhecida através de um resumo em holandês feito por um pastor holandês. “Poti respondeu que não havia motivo para apoiar os portugueses, já que eles só fizeram mal para seu povo: escravizaram e praticaram violência contra os potiguaras. Uma crítica bem contundente”, ressalta Navarro. Diferentes dos holandeses, os portugueses não preservaram as cartas dos indígenas, entre elas a resposta de Poti. “Por isso só é possível ver as cartas que os holandeses receberam”, lamenta o professor.

O conteúdo das cartas é constituído por textos sobre indígenas que desejam que seus parentes se unam, que abandonem as suas posições na guerra e parem de matar os seus parentes. Há comentários em que eles pedem que suas antigas tradições sejam revigoradas. Por meio das cartas, obtêm-se também informações mais específicas, como os nomes dos caciques que morreram na guerra e os lugares em que eles lutaram.

Pelo fato de as cartas serem escritas pelos próprios indígenas, pode-se observar como era a língua efetivamente falada e usada por eles, de acordo com Navarro. Assim, as cartas também são consideradas provas de que os missionários descreveram a língua corretamente. Como conta o professor, há estudiosos que dizem que os missionários jesuítas teriam adaptado a língua aos seus interesses. Entretanto, não foi isso o que aconteceu. “As cartas comprovam que missionários escreveram exatamente aquilo que os indígenas falavam.”

Antes de Navarro, houve algumas tentativas de traduções das cartas. Uma delas foi feita pelo engenheiro Teodoro Sampaio, que recebeu as cartas pelo historiador José Hygino Duarte Pereira, que foi quem as descobriu, em 1885. O engenheiro confessa, em seu artigo Cartas tupis dos Camarões (1908), que até conseguia reconhecer o assunto das cartas, mas não conseguia traduzi-las efetivamente. Eram “verdadeiros mistérios”. Ninguém mais tentou traduzi-las até a década de 1990, quando o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Aryon Rodrigues foi à Holanda buscar essas cartas. Não conseguiu traduzi-las e mostrou-as a Navarro. “Eu pedi para a biblioteca na Holanda e elas chegaram em microfilmes. E percebi que ninguém conseguia traduzi-las porque não havia dicionário em tupi antigo. Eu tive que elaborar um dicionário para depois traduzir as cartas”, explica Navarro. Após publicar Dicionário de Tupi Antigo: a Língua Indígena Clássica do Brasil (2013), Navarro começou a analisar as seis cartas de forma mais intensa.

“São os primeiros e os únicos documentos escritos pelos próprios indígenas até a Independência do Brasil. É muito raro ter algo escrito pelos indígenas que tenha sido preservado. Esse é o verdadeiro valor dessas cartas”, destaca Navarro. Com esses “documentos preciosos”, de acordo com Navarro, observa-se também os rumos da guerra. As cartas mostram o movimento dos exércitos, aspectos da cultura dos indígenas potiguaras e certa tristeza por terem perdido sua cultura tradicional.

“Esse trabalho me alegra muito”, comenta Navarro. Ele afirma que há duas razões para essa alegria. A primeira é que a pesquisa é uma contribuição para a cultura brasileira. A segunda é que as cartas auxiliam no ensino. O professor conta que desde 2001 ensina tupi para um grupo de indígenas potiguaras, na Paraíba, que tinham deixado de falar sua língua e hoje buscam uma afirmação da sua identidade e querem aprender a língua. 

Fonte: Jornal da USP


quinta-feira, 5 de agosto de 2021

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - TENENTE-GENERAL MANUEL MARQUES DE SOUZA 1º

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* 27/2/1743 - Rio Grande-RS

+ 22/9/1822 - Rio de Janeiro-RJ


Manuel Marques de Souza 1º foi o primeiro filho do Rio Grande do Sul a governá-lo como província independente, a então Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, e a comandar suas Armas, embrião da atual 3ª Região Militar. Ainda, foi o primeiro gaúcho a atingir a maior posição na hierarquia militar da época, o posto de tenente-general, hoje general de exército.

Nascido no ano de 1743, em Rio Grande-RS, apenas 6 anos depois da fundação da cidade pelo Brigadeiro de Infantaria José da Silva Paes, assentou praça aos 22 anos de idade no Regimento de Cavalaria de Milícias, em 1765, ingressando como tenente, 5 anos mais tarde, na 1ª linha do Exército. Tinha início o período de sua vida de integral dedicação às lides castrenses, só interrompido por sua morte, em 1822. Assim, das Milícias do Rio Grande ao Comando das Armas da Capitania, foram cerca de 57 anos de significativos serviços prestados, quase que totalmente exercidos no atual Rio Grande do Sul, os quais em muito contribuíram para a demarcação e manutenção das fronteiras brasileiras, protegendo-as ou as reconquistando de invasores espanhóis em diversas oportunidades.

Ao longo de sua trajetória militar, evidenciou sempre notável vocação para a profissão das armas e um acendrado espírito guerreiro, os quais transmitiu ao filho e ao neto, seus homônimos e igualmente partícipes da história da fronteira do Rio Grande e do Brasil, tendo o neto sido consagrado como Conde de Porto Alegre. A despeito da primazia familiar, foi nos campos de batalha, longe de seus herdeiros, onde as qualidades de Manuel Marques mais se assinalaram.

Entre as principais campanhas das quais participou, ressalta-se a reconquista da Vila de Rio Grande, sua cidade natal, em 10 de abril de 1776, quando foi considerado herói ao dirigir sobre ela o ataque principal, na ocasião em que ocupava o posto de tenente ajudante de ordens do Comandante do Exército do Sul. Como coronel, comandou a fronteira do Rio Grande e a sua tropa - a Legião de Cavalaria Ligeira - na vitoriosa guerra de 1801, onde eliminou as guardas espanholas entre os rios Piratini e Jaguarão, as do Chuí e São Miguel e venceu o combate do Passo das Perdizes, incorporando, ao final, expressiva faixa do atual território brasileiro. 

Oficial e soldado portugueses atuantes na fronteira Sul do Brasil na Guerra de 1801

Como marechal-de-campo, coube-lhe comandar a vanguarda da campanha do Exército Pacificador da Banda Oriental em 1812, na qual obteve expressivas vitórias em Santa Teresa, Castilhos, Rocha e Maldonado, adotando a sua estratégia preferida de "atacar antes de ser atacado". Nas guerras contra Artigas, de 1816 e 1820, a qual contou com a participação de seu filho, prestou assinalado concurso ao esforço de guerra que culminou com as vitórias sobre Artigas na fronteira do Rio Pardo, em Catalão e em Taquarembó, além do apoio à Divisão de Voluntários Reais, enviada de Portugal, que conquistou Montevidéu.

Por seu valor indiscutível, seu dinamismo e liderança nas batalhas e imensurável contribuição para o estabelecimento e proteção da fronteira sul do País, o Tenente-General Manuel Marques de Sousa foi imortalizado na História do Brasil e do Exército Brasileiro como paladino da defesa da integridade e da soberania do Brasil na Região Sul, região hoje em grande parte sob responsabilidade militar da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada, a qual, presta-lhe uma homenagem, assumindo a designação histórica de “Brigada Manuel Marques de Sousa 1º”.

Fonte: 8ª Bda Inf Mtz



quarta-feira, 10 de abril de 2019

AS DEFESAS DE SALVADOR NÃO CONSEGUEM IMPEDIR A INVASÃO DOS HOLANDESES

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Em 1623, o sistema defensivo de Salvador baseava-se nas defesas marítimas, que protegiam a cidade contra ataques vindos do mar, e nas defesas continentais, com o objetivo de impedir ações procedentes do continente.

A primeira providência defensiva foi realizada por Tomé de Sousa, logo após a instalação da vila de São Salvador, consistindo em um muro de taipa e um fosso, que protegiam a localidade de ataques terrestres, particularmente os realizados por indígenas hostis aos colonizadores portugueses. O muro foi ampliado e reforçado por outros governadores, que construíram também portas de acesso à cidade: a de São Bento, ao sul, e a do Carmo, no limite norte.

O dispositivo de defesa contra ataques marítimos era um pouco mais sofisticado, embora precário. O governador-geral D. Manuel Teles Barreto, que exerceu seu mandato entre 1582 e 1587, iniciou as obras de construção de três fortificações que dominavam a enseada na qual estava instalada a vila de São Salvador, os fortes da Ribeira, ao centro do dispositivo; de Montserrat, ao norte, e de Santo Antônio da Barra, localizado ao sul. Posteriormente, como consequência das incursões holandesas no Recôncavo, o governador D. Francisco de Souza procurou dar mais segurança à vila erigindo os fortins de Santo Alberto (posteriormente conhecido como Forte Lagartixa), São Francisco e São Tiago d´água dos Meninos.

Planta do Forte de Santo Alberto


Ciente das deficiências defensivas da cidade, o governador D. Diogo Botelho escreveu ao rei Filipe IV, em 1609, relatando as dificuldades existentes:

"No que toca aos fortes desta Bahia bem se lhe pudera escusar este nome, pois tudo tem de contrário; só o [os] forte [fortes] de Tapagipe [Montserrat] e Santo Antônio têm guarnição, os outros chamados fortes nem a têm nem pera que nem em que a ter, pelo que não tive que fazer neles sem necessidade; o [os] de Santo Antônio e Tapagipe só têm guarnição como V. Mag. [Vossa Majestade] de verá nas listas que hão de ir e o que tem hoje de soldados de praças é o menos que podem ter e nem esses têm onde se agasalhar, sendo seis ou sete."

Com efeito, no sentido de melhorar a capacidade defensiva, D. Diogo Botelho começou a construir, em um pequeno banco de arrecifes a cerca de 300 metros da costa, um reduto denominado Forte da Lagem (Laje), posteriormente nomeado Forte do Mar. A fortificação, ficou pronta em 1623, apenas um ano antes da invasão holandesa, e localizava-se em uma posição estratégica que dominava a entrada do porto. Em razão de sua excelente posição e artilhado com dez canhões de bronze, o Forte do Mar era a principal fortificação defensiva do Recôncavo. Mas, apesar de existirem em boa quantidade, as fortificações não podiam defender adequadamente a cidade, pois a grande distância entre eles impossibilitava o apoio mútuo e o cruzamento dos fogos de seus canhões.

Esboço mostrando o Forte do Mar

Outro problema técnico impedia o estabelecimento de uma defesa mais adequada: a barra da Baía de Todos os Santos não podia ser totalmente fechada, pois os canhões existentes na época não possuíam alcance para tal.

Iconografia mostrando a invasão holandesa a salvador. Podem ser vistos o Forte de Santo Alberto e o Forte do Mar.


Conheça essa e outras histórias lendo

A GUERRA DO AÇÚCAR: AS INVASÕES HOLANDESAS NO BRASIL

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

PALESTRA DO PROF. MARCOS ALBUQUERQUE ABORDA A PRESERVAÇÃO DOS MONTES GUARARAPES

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Alô, amigos e amigas do Recife e região,

Palestra sobre os Montes Guararapes e o Brasil Holandês ministrada pelo Prof. Marcos Albuquerque, um dos mais importantes arqueólogos e uma das maiores autoridades sobre o tema em nosso país é absolutamente imperdível.

Compareçam e conheçam mais sobre esse importante período de nossa História Colonial.

Fica a dica!


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sexta-feira, 14 de julho de 2017

DEZ FORTIFICAÇÕES HISTÓRICAS QUE VIRARAM PONTO TURÍSTICO NO BRASIL

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Edificações à beira-mar, criadas para proteger o país de invasões, guardam histórias incríveis


Dez fortes militares históricos, alguns deles com mais de 400 anos, se transformaram em pontos turísticos de grande interesse no Brasil. Representantes de diferentes passagens da história do país, as obras foram erguidas em locais estratégicos à beira mar, para proteger o território brasileiro de possíveis invasões estrangeiras. Atualmente, algumas delas cumprem a função de orientar embarcações e todas estão abertas ao público. 

A visita a tais obras permite a contemplação e o estudo da arquitetura trazida ao país pelos colonizadores europeus, além de revelar outras curiosidades, como os hábitos dos soldados e momentos marcantes do nosso passado. O Forte de Copacabana, por exemplo, serviu de prisão para o presidente deposto, Washington Luís.  A lista de fortalezas, a seguir, foi elaborada pelo site AlugueTemporada. 


Forte de Copacabana (RJ)

O Forte de Copacabana foi idealizado no fim do século 19 para compor o sistema defensivo da cidade do Rio de Janeiro e do seu porto. Momentos históricos envolveram o forte, como o Movimento Tenentista de 1922 e a Revolução de 1930, quando a fortaleza serviu de prisão para o presidente deposto, Washington Luís. Atualmente, o local, que tem uma vista incrível para a orla de Copacabana, é um dos pontos turísticos do Rio. Além disso, o espaço abriga um pequeno museu militar e a Confeitaria Colombo, que faz parte do patrimônio cultural da cidade.



Fortaleza de Santa Cruz da Barra (RJ)

Localizado em Niterói, o Forte de Santa Cruz da Barra foi durante os períodos de colônia e império brasileiro a principal estrutura defensiva da Baía de Guanabara e do Porto do Rio de Janeiro, já que à época o forte de Copacabana não existia. Com uma arquitetura imponente e preservada até hoje, a fortaleza atrai uma média de dois mil visitantes por mês e é o segundo ponto turístico mais visitado do município. O último disparo do forte foi dado em 1955.


Forte São Matheus (RJ)

O lindo forte de São Matheus, localizado na Praia do Forte, em Cabo Frio, é o mais antigo monumento da Região dos Lagos. A edificação foi construída a mando da coroa portuguesa no século de XVII a fim de defender as terras de possíveis invasões de ingleses, franceses e holandeses. Preservado, o forte é de fácil acesso e proporciona uma vista linda do oceano e da orla cabo-friense.


Forte das Cinco Pontas (PE)

Localizado em Recife, o Forte das Cinco Pontas foi edificado pelos holandeses no ano de 1630 durante a ocupação de Pernambuco. Durante uma restauração do forte no século XVII, o forte perdeu sua estrutura original e ficou apenas com quatro pontas, como permanece preservado atualmente. Foi neste forte que os holandeses se renderam à revolta luso-brasileira em 1654. Atualmente, a fortaleza abriga o Museu da Cidade do Recife.



Forte Orange (PE)

O Forte Orange localiza-se a 50 km de Recife, na ilha de Itamaracá, e é mais um exemplo de construção holandesa na região. Após a saída dos holandeses, os portugueses reformularam a estrutura do local que se tornou patrimônio histórico nacional no século passado. Atualmente, a fortaleza encontra-se fechada para melhorias e a previsão é de reinauguração em dezembro deste ano. Quando o trabalho terminar, os visitantes poderão contemplar vestígios da construção holandesa que estavam escondidos sob a atual fortificação portuguesa.


Forte dos Reis Magos (RN)

O Forte dos Reis Magos foi o marco inicial da cidade de Natal - fundada em 25 de Dezembro de 1599. O nome remete à data de início da sua construção, 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis. Sua arquitetura é singular e linda, tendo o forte um formato de estrela. A edificação ainda preserva os canhões expostos na parte superior, capela com poço de água doce e alojamentos.



Forte de Santo Antônio da Barra (BA)

Construído em 1696 para proteger a Baía de Todos os Santos, o Forte de Santo Antônio, em Salvador, ganhou, logo após sua inauguração, um farol para orientar as embarcações que ali entravam, missão que é cumprida até hoje. O espaço abriga o Museu Náutico da Bahia, que oferece visitas monitoradas. Atualmente, é comum os baianos e turistas se reunirem no farol para observar o pôr do sol.


Forte São Marcelo (BA)

O Forte São Marcelo, também chamado de Forte do Mar, em Salvador, é o único forte do Brasil em formato circular. Foi construído em 1623 e sua forma cilíndrica foi inspirada no Forte de São Lourenço do Bugio, localizado na foz do rio Tejo, próximo à Vila de Oeiras, em Portugal, que possui um formato similar. Atualmente, porém, este fortificação só pode ser vista por fora, pois está fechada para obras de melhorias até o fim de 2015.



Forte de São João da Bertioga (SP)

O primeiro forte a ser construído no Brasil foi o de São João de Bertioga, localizado na ponta sul de Bertioga, ao lado do canal e próximo à balsa. Erguido em 1532, é considerado patrimônio histórico e cultural do Brasil desde 1940. Tem diversos artefatos históricos em seu interior, como a réplica de uma armadura medieval.


Forte de São José da Ponta Grossa (SC)

Construído em 1740, o Forte de São José da Ponta Grossa está próximo a um dos destinos mais procurados por turistas atualmente: a praia de Jurerê, em Florianópolis. Do forte é possível observar parcialmente a praia de Jurerê e a ponta da praia da Daniela, além do lado continental da Grande Florianópolis. Ou seja, além de abrigar uma parte da história de Florianópolis, a edificação proporciona vistas privilegiadas da cidade.

Fonte: Casa Vogue


domingo, 4 de junho de 2017

OS PORTUGUESES RECONQUISTAM O ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA

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Nos últimos dias de 1629, Matias de Albuquerque organizou uma pequena expedição para expulsar os holandeses que haviam invadido a ilha de Fernando de Noronha. Composta por sete caravelões e comandada pelo capitão de milícias Ruy Calaza Borges, a força portuguesa conseguiu retomar a ilha sem dificuldades, aprisionando sete holandeses e uma lancha com seis roqueiras (canhões que disparavam projéteis de pedra). Francisco Pereira da Costa deixou um relato sobre a ação:

“Em 14 de janeiro de 1630 regressa a Pernambuco o capitão Ruy Calaza Borges, de volta de sua expedição a Fernando de Noronha, trazendo consigo sete prisioneiros holandeses. Conforme as ordens que recebera, abordou ele a ilha pela parte L.S. [sudeste] onde existe uma pequena enseada e de lá seguiu a pé com toda a sua gente para o lado em que está o porto principal, onde contava achar os navios [holandeses]. Assim o fez de noite e encontrou fundeada uma só embarcação.

Tratou logo de formar três emboscadas sendo duas ao pé do ancoradouro e outra dirigida pelo capitão Pedro Teixeira Franco, no lugar em que se fazia a aguada.

Não tardaram os holandeses em vir à terra buscar n´uma lancha, tripulada por onze pessoas. Apenas os viu em terra caiu sobre eles a nossa gente, matando-lhes quatro homens, aprisionando sete e dando liberdade a sete prisioneiros portugueses que eles empregavam no serviço de marinhagem e haviam sido apresados numa embarcação que tinham capturado, e como sucedeu isto em lugar de bordo do navio não fora visto, ordenou o capitão Ruy Calaza que na mesma noite fosse o artilheiro Jorge da Fonseca com gente sua na mesma lancha levando preparações necessárias para deitar fogo na embarcação, o que este efetuou, retirando-se apenas [quando] viu que era percebido pela gente de bordo, que pressurosa correu a extinguir o incêndio que só danificou a popa do navio.

No dia seguinte fizeram-se de vela, e a nossa gente tratou de inutilizar tudo o que eles tinham feito na ilha e constava de uma bateria capaz de oito peças, que ainda não tinha, e quatro povoações, duas aonde se recolhiam quando estavam em terra e duas de negros que haviam capturado em um navio de Angola, os quais já tinham plantado muita mandioca. Havia também uma grande plantação de legumes e fumo. Tudo isso foi destruído, aprisionando-se alguns negros, fugindo a maior parte para as altas serras da dita ilha, aonde se esconderam.”

“Carta náutica do Atlântico”, do cartógrafo holandês Harmen Jansz, mostrando a Baía de Santo Antônio com galeões fundeados.



Conheça essa e outras histórias lendo:

A GUERRA DO AÇÚCAR: AS INVASÕES HOLANDESAS NO BRASIL



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segunda-feira, 24 de abril de 2017

EDITOR DO BLOG PARTICIPA DE PAINEL SOBRE AS INVASÕES HOLANDESAS NO COMANDO MILITAR DO NORDESTE

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O Comando Militar do Nordeste, com sede no Recife, promoveu o painel "Guararapes: berço da nacionalidade brasileira", com a participação de militares, professores e acadêmicos das universidades de Pernambuco.

Na oportunidade, o editor do Blog Carlos Daroz-História Militar apresentou a conferência "As invasões holandesas a as batalhas dos Guararapes".  A seguir, algumas imagens do painel.

















sexta-feira, 9 de setembro de 2016

LANÇAMENTO DA 2ª EDIÇÃO DE "A GUERRA DO AÇÚCAR" NO RIO DE JANEIRO

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Convidamos todos os amigos a prestigiarem o lançamento da 2ª edição do nosso livro A guerra do açúcar: as invasões holandesas no Brasil, que será realizado no Espaço Cultural Laguna, no Rio de Janeiro, às 11h do dia 15 de setembro próximo.




O Espaço Cultural Laguna fica na Rua general Canabarro nº 731, Maracanã, Rio de Janeiro-RJ (próximo à estação do Metrô de São Cristóvão).


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terça-feira, 30 de agosto de 2016

"A GUERRA DO AÇÚCAR" NA REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO

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O historiador Armando Alexandre dos Santos, sócio do IHGB, publicou uma resenha bastante completa do nosso livro A Guerra do Açúcar no nº 468 da “Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro” – a revista de entidade cultural mais antiga, publicada ininterruptamente, em todo o Ocidente.

A resenha pode ser lida a partir da pág. 283 da edição on-line da revista, no link a seguir:


Capa da 1ª edição (2014) 

Capa da 2ª edição (2016) 


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quarta-feira, 27 de julho de 2016

"A GUERRA DO AÇÚCAR" É DESTAQUE NO EXÉRCITO PORTUGUÊS

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Nosso livro A guerra do açúcar: as invasões holandesas no Brasil foi escolhido como destaque bibliográfico do mês pela Biblioteca do Exército Português.

Orgulho e honra.

Visite a página da Biblioteca clicando aqui.

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sábado, 18 de junho de 2016

LANÇAMENTO DE "A GUERRA DO AÇÚCAR" EM CAMPO GRANDE-MS

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Atenção amigos do Mato Grosso do Sul,

Depois dos lançamentos do nosso livro realizados no Recife, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, estaremos lançando A GUERRA DO AÇÚCAR: AS INVASÕES HOLANDESAS NO BRASIL em Campo Grande, durante o III Encontro do Grupo de Pesquisa Historiografia e Ensino de História, realizado na UFMS.

Será uma honra contar com sua presença.

Saiba como adquirir, via internet, enviando um e-mail para:
 
aguerradoacucar@yahoo.com.br


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domingo, 22 de maio de 2016

REINAUGURADOS OS FORTES DE SÃO DIOGO E DE SANTA MARIA EM SALVADOR

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Há pouco mais de um ano e meio, o Comando da 6ª Região Militar cedeu à Prefeitura de Salvador, por intermédio de termo de cessão de uso de áreas, espaços dentro dos Fortes em contrapartida da revitalização desses sítios, que permitirá a reabertura à visitação dos soteropolitanos e dos turistas. Os Fortes permanecem sob a administração da 6ª RM. Todavia, a gestão dos espaços adaptados será de responsabilidade da Prefeitura Municipal.
 
As riquezas naturais e a posição geográfica fizeram de Salvador uma cidade, historicamente, almejada. A defesa territorial foi estabelecida por meio da construção de fortalezas ao longo de todo o litoral da Baía de Todos os Santos. Os imponentes Fortes de São Diogo e de Santa Maria compõem alguns dos monumentos arquitetônicos que contam, hoje, a história militar da cidade.

 
No Forte de São Diogo, uma área de 90 m² foi adaptada para abrigar o Espaço Carybé de Artes e, no Forte de Santa Maria, em área semelhante, foi instalado o Espaço Pierre Verger da Fotografia Baiana. Nesses locais, serão realizadas exposições artísticas de alta tecnologia e interatividade para visitação pública. Em complemento, os Fortes contarão com agradáveis ambientes gastronômicos, no perfil de bistrô. Assim, em seu aniversário de 467 anos, a cidade recebeu um “abraço de entretenimento” para todos os soteropolitanos e para o público em geral.

Fonte: Exército Brasileiro

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