"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



quarta-feira, 4 de março de 2026

DIETRICH VON SAUCKEN - O GENERAL QUE ENFRENTOU HITLER

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* 16/5/1892 -  Fischhausen, Alemanha
Por por Nigel Mountford
+ 27/9/1980 - Munique, Alemanha


Este, na foto à direita, é o General Dietrich von Saucken, literalmente um arquétipo do general prussiano, imagem reforçada por seu monóculo.

Durante a 1ª Guerra Mundial ele foi ferido sete vezes em combate, sendo por isso altamente condecorado. A serviço do Exército Alemão, esteve por algum tempo na Rússia, onde aprendeu o idioma local.

Atuou em diversas batalhas da 2ª Guerra Mundial, sendo condecorado mais algumas vezes (Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro - 6 de janeiro de 1941); com Folhas de Carvalho (22 de agosto de 1943); Espadas (31 de janeiro de 1944); e Diamantes (8 de maio de 1945), adquirindo a fama de tentar salvar o máximo possível de seus comandados. Em Fevereiro de 1945, após 35 anos de leais e relevantes serviços, foi demitido por expressar sua opinião de que era inútil continuar a guerra.

Um mês depois, foi reintegrado - era um general muito bom para não ser aproveitado. Hitler convocou Von Saucken ao seu 'bunker' e lhe deu a ordem: defender a Prússia (o centro da Alemanha) contra o avanço da Rússia. À sua chegada, olhares nervosos foram trocados entre os auxiliares diretos de Hitler, que parecia não perceber o desprezo que Von Saucken demonstrava abertamente contra ele. O general agia de forma casual, portando sua espada de Cavalaria (o que era proibido na presença de Hitler), e havia saudado apaticamente o Fuhrer, deixando de fazer a saudação nazista que era obrigatória a todos os oficiais frente a Hitler, desde o ano anterior.

Von Saucken olhava seu chefe com indisfarçável aversão. Hitler falou de forma calma: "e você vai se reportar ao gauleiter Forster" (gauleiter =  líder nazista local). Isso não combinava com Von Saucken: um general prussiano receber ordens de um chefete partidário?  Von Saucken lançou um olhar fulminante a Hitler. Sua expressão facial parecia dizer: "Sai fora, Cabo".  Hitler não percebeu, ele olhava seus mapas sobre a mesa. Dietrich Von Saucken inclinou-se sobre a mesa e bateu fortemente sua mão nela. Isto chamou a atenção de Hitler. Von Saucken o olhou nos olhos e disse: "Eu não tenho nenhuma intenção, Herr Hitler, de receber ordens de um gauleiter!"

Imagina-se que poderia se ouvir a queda de um alfinete na sala. Fegelein (general da Waffen-SS e concunhado de Hitler) havia sido morto por muito menos do que isso. Von Saucken estava claramente se rebelando, recusando uma ordem direta de Hitler e menosprezando-o ao tratá-lo como Herr Hitler e não como os regulamentos determinavam, "Mein Fuhrer".

Houve silêncio por algum tempo. Então Hitler falou em voz baixa: "Tudo bem, Saucken, você será o seu Comandante". E acenou para que o general se fosse. Von Saucken fez um arremedo de continência e, novamente sem fazer a saudação nazista, virou as costas para Hitler e saiu, para nunca mais se verem.

General de Cavalaria Dietrich von Saucken fotografado durante a guerra

O que mais espanta nesta história é que Hitler, o homem que os homens temiam desobedecer ou desagradar, simplesmente cedeu quando confrontado por um homem melhor que ele. E na frente de sua equipe de assessores. Se houvesse mais homens como Von Saucken, Hitler poderia ter sido interrompido antes de destruir seu país.

Von Saucken comandou seus homens com correção até o último dia da guerra. Foi determinado que ele deveria deixar a Prússia em um navio quando começou a evacuação dos alemães, mas ele preferiu continuar lutando e enviou seus subordinados feridos em seu lugar. Pouco antes do fim, um avião foi enviado para que ele escapasse de ser capturado pelos russos. Ele se recusou a abandonar seus subordinados, e enviou de volta o avião, com soldados feridos em seu lugar.

Em 8 de maio, quando houve o final oficial da guerra na Europa, recebeu sua última condecoração, e foi o último alemão condecorado na guerra. Como era previsível, os russos o trataram cruelmente. Ele já devia imaginar o que iria acontecer quando recusou-se a abandonar seus comandados. As torturas físicas que os russos lhe infligiram o colocaram em cadeira de rodas para o resto de sua vida. Após dez anos de cativeiro, Dietrich Von Saucken foi repatriado e aposentou-se, indo morar na Baviera onde dedicou-se à pintura.  

Ele foi um conservador, e provavelmente um nacionalista. Não fez parte de grupos de resistência e não há registro de seu envolvimento com os conspiradores de Von Stauffenberg.

Acredito que ele foi a melhor representação do tradicional Cavalariano germânico, e que, se o restante das Forças Armadas alemãs tivesse sido composta por homens como Dietrich Von Saucken, não teriam ocorrido crimes de guerra, nem crimes contra a humanidade, e, possivelmente, sequer a 2ª Guerra Mundial.

Acredito, ainda, que se o Estado-Maior alemão na 1ª Guerra Mundial fosse constituído por homens como ele, meu país - o Reino Unido - seria uma colônia alemã desde 1918. 


Bibliografia:

- BEEVOR, A. Berlin the Downfall: 1945

- BOLDT, G. Hitler’s Last Days: An Eye-Witness Account 

Fonte:  War History Online


sábado, 28 de fevereiro de 2026

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - TENENTE-GENERAL MORDECHAI GUR

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* 6/5/1930 - Jerusalém, Israel

+ 16/7/1995 - Tel Aviv, Israel


O tenente-general Mordechai "Motta" Gur foi um militar e político israelense e o 10º Chefe de Gabinete das Forças de Deefesa de Israel (IDF). Durante a Guerra dos Seis Dias (1967) comandou a divisão que penetrou na Cidade Velha de Jerusalém e transmitiu as famosas palavras: "O Monte do Templo está em nossas mãos!" Como Chefe de Gabinete foi responsável pelo planejamento e execução da Operação Entebbe (1976), para libertar reféns judeus em Uganda. Mais tarde, entrou no partido Knesset e ocupou várias pastas ministeriais.

Gur nasceu em Jerusalém em 1930 e, mais tarde, se juntou ao Palmach Haganah, o grupo armado subterrâneo dos judeus no Mandato Britânico da Palestina. Continuou a servir como oficial com a fundação da IDF, durante a Guerra árabe-israelense de 1948.

Nas IDF, Gur serviu como paraquedista durante a maior parte de sua carreira, e se tornou um dos símbolos da Brigada Paraquedista. Durante os anos 1950, comandou uma companhia sob as ordens de Ariel Sharon. Gur foi ferido durante uma missão de contraterrorismo ao invadir Khan Yunis, em 1955, e recebeu uma recomendação de honra do Chefe de Gabinete Moshe Dayan. Em 1957, foi nomeado ajudante do comandante da brigada. Depois de servir nessa posição, Gur foi estudar na École Militaire em Paris.

Em 1966 foi nomeado comandante da 55º Brigada Paraquedista da Reserva, a qual liderou durante a Guerra dos Seis Dias. Gur e suas tropas faziam parte da força de assalto que tomou Jerusalém dos jordanianos, e que foi a primeira a visitar o Muro das Lamentações e o Monte do Templo. As imagens de paraquedistas chorando na gravação  junto ao Muro e as palavras de Gur nas redes de comunicação, "O Monte do Templo está em nossas mãos!"  tornaram-se um dos símbolos mais tocantes da guerra junto ao público israelense.

Soldados israelenses plantam sua bandeira no Monte do templo, em 1967. na ocasião, Gur transmitiu a famosa mensagem: "O Monte do Templo está em nossas mãos!"


Em 16 de julho de 1995, gravemente doente com câncer terminal, Gur cometeu suicídio com um revólver. Tinha  a idade de 65 anos.

Em sua homenagem, a Área 21, uma base militar localizada na Planície Sharon, foi renomeada como Campo Motta Gur. Na cidade de Modiin, uma rua e uma escola foram batizados com seu nome.



quarta-feira, 24 de setembro de 2025

DUNQUERQUE, O ÚLTIMO MISTÉRIO DA 2ª GUERRA MUNDIAL

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Por que Hitler permitiu que as tropas britânicas voltassem para casa após sua derrota na França?

Por Guillermo Altares

A batalha de Dunquerque, na França, ainda é um dos grandes mistérios da Segunda Guerra Mundial. Por que Hitler ordenou a interrupção do ataque contra um exército em retirada, em muitos casos em barcos que não tinham nenhuma proteção? Os historiadores mantêm uma disputa aberta sobre um episódio crucial do conflito que arrasou a Europa entre 1939 e 1945. Os nazistas começaram a guerra no dia 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia. Os Aliados, França e Reino Unido, declararam abertas as hostilidades e começou então o que se conhece como a “drôle de guerre”, a guerra de mentira.

Com uma falsa sensação de segurança, os Aliados se acreditavam protegidos pela Linha Maginot. Durante quase um ano, as potências europeias estavam em conflito, mas nada acontecia. Em maio, entretanto, os carros de combate nazistas lançaram uma ofensiva imparável rumo ao sul e atravessaram as defesas aliadas como faca na manteiga. Em 11 de junho, de 1940, Paris era uma cidade aberta.

Prevendo o desastre que se aproximava, as tropas britânicas começaram a organizar no final de maio sua evacuação do continente, uma façanha retratada por Christopher Nolan em seu último filme, Dunkirk. “O Governo de Londres começou a preparar uma frota feita de quase tudo, botes e barcos, que pudessem encontrar em suas costas”, escreve Richard J. Evans em seu clássico reeditado O Terceiro Reich em Guerra

Soldados britânicos aguardam pela evacuação nas praias de Dunquerque.

Apesar dos ataques da aviação alemã, 700 barcos chegaram às praias de Dunquerque para levar às ilhas tudo o que pudessem salvar de um Exército em retirada. 340.000 soldados conseguiram retornar à Inglaterra graças à ordem pessoal de Hitler para que se parasse a ofensiva mesmo com a opinião contrária de muitos de seus oficiais. “Se não continuarmos, os ingleses poderão transportar o que desejarem, diante de nossos narizes”, exclamou o Marechal de Campo, Fedor von Bock. Quando os nazistas retomaram a ofensiva, já era muito tarde e a evacuação havia sido um sucesso.

Hitler queria reservar suas tropas para chegar a Paris o quanto antes? Confiava muito em sua força após o sucesso das guerras relâmpago de 1939 e 1940? Planejava chegar a um acordo com os britânicos antes de começar a fase seguinte do conflito, com a invasão da URSS? Demonstrou mais uma vez sua incompetência como estrategista? Nunca o saberemos. 

A realidade é que em 6 de junho de 1944 alguns desses soldados desembarcaram na Normandia para expulsar os nazistas da Europa e conseguir sua revanche.

Fonte: El País


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O DESENVOLVIMENTO DA BLITZKRIEG NO PERÍODO ENTREGUERRAS

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No início da 1ª Guerra Mundial, a ideia vigente era baseada nos conceitos prussianos de ataque frontal e decisivo contra o inimigo. Ambos os contendores procuraram tal ação, no entanto o aparecimento de novas tecnologias no campo de batalha, como a metralhadora e a artilharia de alma raiada, provocaram uma situação de estagnação, a partir do fim de 1914, devido à impossibilidade de se progredir no terreno e alcançar as posições inimigas para desalojá-las.

Esse fato provocou o estabelecimento de frentes defensivas quase imutáveis no terreno, onde qualquer tentativa de desaferramento, ataque ou conquista de territórios resultava ineficiente e com elevado grau de letalidade. As pesadas baixas deslocaram o pensamento estratégico para a concepção da guerra de desgaste. Ao fim do primeiro ano da guerra, podia-se constatar a ausência de dois importantes princípios da guerra no campo de batalha: a surpresa e a mobilidade.

A "guerra de trincheiras" representou o impasse na Frente Ocidental.  Novas tecnologias iriam vencer o imobilismo

A solução para esse impasse mórbido, pois acarretava alto índice de mortes por causas alheias ao combate em si, incluindo doenças originadas nas precárias condições de higiene nas trincheiras, foi vislumbrada inicialmente pelos alemães com o uso de gases venenosos em 1915, mas os resultados não foram contundentes e, também, estavam à mercê das condições climáticas. Outras duas soluções surgidas iniciaram a extrema mudança futura na estratégia militar. Com maior importância e poder decisivo no campo de batalha o carro de combate e, com menor valor durante a 1ª Guerra e gradual aumento de importância posterior à guerra, o avião.

Esquadrão de caças alemão durante a 1ª Guerra Mundial

A 1ª Guerra Mundial também foi o primeiro conflito a ter ações aéreas significativas. A aviação militar desenvolveu-se em ritmo intenso durante a guerra, mas ainda estava em seus primórdios em 1918. O destaque era para os pilotos de caça, cuja missão principal era obter superioridade aérea local. Essa condição permitiu que os pilotos dos primeiros aviões conduzissem suas funções básicas de reconhecimento e ajuste de fogo de artilharia. Mesmo a Alemanha, que estabeleceu um estado-maior específico para a aviação em 1916 e desenvolveu um conceito maduro de poder aéreo, reconheceu a necessidade tanto do reconhecimento e da superioridade aérea local quanto dos bombardeios de longo alcance.

O carro de combate, por sua vez, apesar de seu desenvolvimento ainda primitivo, conseguiu influir decisivamente no resultado final da batalha. Podia avançar sob o fogo das metralhadoras e tinha relativa proteção contra as granadas da artilharia. Foi usado pela primeira vez, de forma reduzida, com apenas 46 carros, em setembro de 1916 na aldeia de Fleur-Courcelette na campanha do Somme. No decorrer do ano de 1917, os carros continuaram sendo usados em pequeno número, como apoio à infantaria e com êxito variável. Nesse mesmo ano, em junho, os britânicos criaram o primeiro Corpo de Tanques da história, tendo como comandante o General Hugh Elles e como planejador de operações o então Maj J. F. C. Fuller. Esse embrião começou a mudar o panorama, ao se pensar como uma arma independente e com poder de choque e surpresa.

J.F.C. Fuller, um dos criadores do Corpo de Tanques britânico

A prova de fogo veio em 20 de novembro de 1917, quando o Corpo de Tanques fez um ataque em massa com 476 carros, na batalha de Cambrai, com enorme sucesso, no entanto uma decisão equivocada do estado-maior britânico mudou o plano inicial de Fuller, fazendo com que se perdesse a conquista inicial. Mas a prova de fogo valeu, ficava comprovado o potencial decisivo dos tanques se usados planejadamente.

Com o fim do conflito, os planos de desenvolvimento dos carros se estagnaram entre os ingleses e franceses, que defendiam o conceito de defesa. No entanto os alemães aprenderam com a derrota e passaram a dar elevado valor a esses dois vetores – o carro e o avião – iniciando os estudos que originaram a “blitzkrieg”, avassalador conceito responsável pelas esmagadoras vitórias nos anos iniciais da Segunda guerra Mundial.

Carros de combate Vickers Mk.I britânicos em manobras durante a década de 1930

Esse novo conceito baseado nessas novas armas, era de velocidade, ação de choque e potência de fogo. Suplantou e extinguiu a cavalaria a cavalo e foi o alvorecer da nova cavalaria dos blindados. Criou a aviação e abriu possibilidades, desde o lançamento de tropas, passando pelos bombardeios e culminando com as missões de caça.

O leque de opções agora era bem maior, diretamente proporcional ao poder de letalidade dos combates futuros.



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segunda-feira, 30 de junho de 2025

EDITOR DO BLOG TORNA-SE MEMBRO HONORÁRIO DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA

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Há 40 anos quase ingressei na Escola Preparatória de Cadetes do Ar.  Aprovado (e bem classificado!) no exame intelectual, sucumbi no exame de vista do CEMAL e acabei seguindo por outros caminhos.  

Voltas que a vida dá, tornei-me ontem membro honorário da Força Aérea Brasileira, reconhecimento pela minha contribuição com pesquisas históricas junto à instituição sobre o Poder Aéreo e a aviação de combate em geral.












Muito honrado, agradeço ao Tenente-brigadeiro do Ar Vincent Dang, diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, e ao Brigadeiro do Ar Roberto Pitrez pela homenagem, seguramente, uma das mais significativas honrarias que recebi em minha vida profissional.

Agora, com muito orgulho e quatro décadas depois, torno-me membro da gloriosa Força Aérea Brasileira.  

Ad Astra!




sexta-feira, 20 de junho de 2025

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL MASAHARU HOMMA

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* 27/11/1887 – Sado, Japão

+ 03/05/1946 – Los Baños, Filipinas


O tenente-general Masaharu Homma foi o comandante das tropas que invadiram e ocuparam as Filipinas durante a 2ª Guerra Mundial, responsável pela "Marcha da Morte" contra prisioneiros norte-americanos e filipinos em 1942, pela qual seria executado como criminoso de guerra ao final do conflito.

Homma era conhecido como um militar moderado, não-fanático, escritor amador apelidado de "general poeta", com profundo respeito pela civilização ocidental, tendo morado na Inglaterra e estudado em Oxford, no começo do século

. Após a queda de Nanquim, China, na guerra Sino-Japonesa, declarou publicamente que “ao menos que a paz seja conseguida imediatamente, haverá um desastre”. Durante as batalhas, ele pintava e compunha poesias.


Crime de guerra

No começo da guerra no Pacífico, Homma comandou com sucesso o 14º Exército japonês na invasão das Filipinas, em dezembro de 1941, pouco depois do ataque japonês a Pearl Harbor.  Apesar das vitórias conquistadas por suas tropas, seu comportamento com relação aos civis filipinos, ordenando a seus soldados que evitassem o saque e o estupro da população civil, e que os tratassem como amigos e não inimigos, respeitando seus costumes e religião, causaram desagrado a seus superiores e um princípio de rebelião entre oficias subordinados mais fanáticos. Acabou causando sua destituição e remoção para o Japão, após a vitória de Corregidor, pelo que o comando central do Exército Japonês considerava falta de agressividade na guerra, que custou ao Japão uma inesperada demora em derrotar as forças norte-americanas nas Filipinas.

 Prisioneiros americanos durante a "Marcha da Morte", que seria responsável pela condenação de Homma após a guerra

Entretanto, seu comportamento leniente em relação à população não foi imitado no tocante aos militares inimigos prisioneiros de guerra. Após a vitória das forças japonesas sob seu comando, na Batalha de Bataan, a mais dura das batalhas pela conquista das Filipinas, Homma ordenou que os prisioneiros americanos e filipinos fossem levados a pé, da península de Bataan até o campo de prisioneiros O'Donnell, em uma marcha de mais de 150 km sem água e comida, sob forte calor, atacados pela malária e sem descanso. 75 mil prisioneiros participaram da marcha, que causou a morte de cerca de 650 americanos e de 10 mil filipinos, a qual ficou conhecida nos anais militares como " a marcha da morte". 


Este fato lhe custaria a vida ao final da guerra.
 


Julgamento e execução

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Após a rendição japonesa em 1945, Homma, que se encontrava desligado do Exército e na obscuridade em Tóquio, desde o episódio das Filipinas, foi preso e levado de volta ao país por ordem do general Douglas MacArthur e submetido a corte marcial perante a Comissão Aliada de Crimes de Guerra.


 Homma com seus oficiais nas Filipinas

Sua responsabilidade direta na "marcha da morte" não ficou absolutamente clara, já que ele havia emitido ordens para o transporte de prisioneiros ainda durante as batalhas pela conquista de Corregidor, onde norte-americanos e filipinos ainda lutavam e nas quais ele estava focado, e ela foi levada cabo por seus oficiais, sem que ele tomasse conhecimento dos detalhes da operação, assim como das atrocidades cometidas pelos japoneses aos prisioneiros após a chegada ao campo de destino.

O tenente-general Masaharu Homma conversa com sua esposa, Fujiko Homma, durante um breve recesso em seu julgamento por crimes de guerra em Manila, Filipinas, em 7 de fevereiro de 1946. Pouco depois, a Sra. Homma depôs em defesa do marido.

Ainda assim, foi considerado culpado e condenado à morte por crimes de guerra pela Comissão,em um veredicto criticado por juristas, que consideraram seu julgamento irregular e carregado de fatores emocionais. A mulher de Homma pediu clemência ao general MacArthur, mas teve seu pedido negado.

Masaharu Homma foi executado por um pelotão de fuzilamento no dia 3 de abril de 1946 em Los Baños, nas cercanias de Manila, a cidade que havia conquistado quatro anos antes.


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quarta-feira, 2 de abril de 2025

VISITANDO O CENTRO CULTURAL DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar visitou o Centro Cultural da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, onde prestou consultoria para a implantação do projeto de História Oral da instituição.

Excelente ocasião para conhecer o Museu da PMERJ, que tem sua origem a partir do acervo da antiga Sala D´Armas criada em 1911 para servir de Centro de Adestramento de Oficiais e Praças no manuseio de espadas.

Fachada do Centro Cultural/Museu da PMERJ, no Centro do Rio de Janeiro


O Diretor do Centro Cultural/Museu da PMERJ e o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar

Atualmente, o acervo conta com 3.000 objetos reunidos ao longo dos mais de 200 anos de existência da instituição. Destacam-se a coleção de armaduras dos séculos XV e XVI, trazidas com a Corte Portugesa, em 1808; um acervo de armas antigas; e as réplicas de uniformes, o cão Brutus taxidermizado e o canhão La Hitte, empregados na Guerra da Tríplice Aliança.

Réplica do uniforme do 12º Corpo de Voluntários da Pátria que atuou na Guerra da Tríplice Aliança, uma das unidades formadoras da PMERJ


Junto ao canhão La Hitte, de fabricação francesa, e utilizado pela Artilharia brasileira na Guerra da Tríplice Aliança


Cão Brutus, taxidermizado, o qual acompanhou as unidades de polícia da Corte nos campos de batalha do Paraguai


Réplica do uniforme do 31º Corpo de Voluntários da Pátria que atuou na Guerra da Tríplice Aliança, uma das unidades formadoras da PMERJ


Caixa de socorro policial utilizada na transição dos séculos XIX para XX. Tecnologia de ponta de segurança pública em sua época


Metralhadora Maxim, utilizada pela polícia no início do século XX


Junto a uma viatura de patrulha Volkswagen Fusca "joaninha", completamente restaurada e funcional


Oportunidade para fazer novos amigos e estabelecer novas parcerias.

O Museu da PMERJ está localizado na Rua Marquês de Pombal nº 128 - Centro, Rio de Janeiro, e funciona de 3ª a 6ª feira, das 0900h às 1600h.




quinta-feira, 27 de março de 2025

O APOIO DOS ALIADOS À RÚSSIA DURANTE PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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Campanha foi terrível para a Rússia, que dificilmente poderia competir com potencial industrial de inimigos. País contou, porém, com apoio do Reino Unido, França e Estados Unidos.

Por Aleksêi Timofeitchev


"Não há comida suficiente. As pessoas estão morrendo de fome. Muitos soldados não têm botas. Eles envolvem seus pés em bandeiras... Há grandes perdas entre a infantaria e os oficiais. Existem regimentos onde restam apenas alguns soldados. Particularmente preocupante é o estado dos fornecimentos de artilharia. Recebi a ordem de um comandante de não gastar mais de 3 a 5 projéteis de artilharia por canhão. Nossa artilharia não ajuda a infantaria, que sofre com centenas de projéteis do inimigo. Foram enviados 14 mil soldados e eles não têm fuzis", escreveu um dos comandantes militares russos em seu diário, no final de 1914, cinco meses após o início da Primeira Guerra Mundial.

Na primavera de 1915, ficou claro que a guerra era um desastre para a Rússia. Os alemães e austríacos lançaram uma grande ofensiva, colocando o exército russo em fuga. As tropas russas perderam muitos soldados nos territórios a oeste. O general Alekséiev, futuro chefe do Estado-Maior da Rússia, apontou cinco principais razões para o desastre, dentre as quais a primeira foi a falta de artilharia: "Este é o déficit mais importante e preocupante, que tem consequências fatais".

Além disso, faltava artilharia pesada, bem como fuzis e munições.


Sem canhões

A Rússia estava terrivelmente despreparada para a guerra. Além da baixa industrialização, o país enfrentava sérios problemas econômicos e não conseguia tornar as indústrias militares mais ativas. O país, então, recorreu à Grã-Bretanha, França e EUA para receber armas de fogo, fuzis, canhões e munições.

Cossacos russos com canhão de origem francesa: faltavam peças de artilharia

A artilharia pesada da Rússia estava na pior situação possível. O país começou a fabricar canhões apenas em 1916, no terceiro ano da guerra. No entanto, o país não produzia projéteis de 8, 9, 10 e 11 polegadas, como os que eram usados na maioria das armas de artilharia. Assim, a Rússia começou a importar essas armas, mas nunca recebeu o volume necessário.

No início de 1917, a Rússia tinha 5 vezes menos armas de artilharia de campanha e 9 vezes menos armas pesadas do que os Aliados. Por exemplo, havia dois canhões na frente russa por quilômetro e 12 na frente francesa.


Sem munição

Havia também uma terrível escassez de munições de artilharia.

"Lembro-me da batalha de Przemyśl, em meados de maio de 1915. Onze dias de combates violentos... Onze dias do terrível ruído da artilharia pesada alemã que destruía trincheiras junto com os soldados. Quase não respondemos ao fogo, não tínhamos nada. Os regimentos esgotados responderam aos ataques com baionetas ou atirando à queima-roupa. O sangue corria... Aumentou o número de túmulos, pois dois regimentos foram quase completamente destruídos pelo fogo da artilharia alemã", escreveu o general do exército russo Anton Deníkin.

Invólucros de munição de artilharia do Exército Imperial: carência de granadas

A Rússia aumentou drasticamente a própria produção de projéteis de artilharia, mas não conseguia produzir o volume necessário. Os Aliados forneciam até 75% das munições para o país.


Limitação da demanda

Receber ajuda externa também não era fácil. Quando uma missão diplomática russa chegou à Grã-Bretanha no outono de 1915 para informar Londres sobre as necessidades do exército russo, o primeiro-ministro britânico, Lloyd George, disse: "Nossas próprias necessidades [em armas] são maiores que as de nossos aliados".

Os Aliados começaram começaram a estender as mãos aos russos apenas no final de 1915. Em 1917, a Rússia adquiriu quase 4 milhões de fuzis dos Estados Unidos, pagando em ouro.  Dentre muitas empresas, apenas a Winchester cumpriu o acordo, fornecendo 300 fuzis à Rússia, enquanto as outras empresas entregaram cerca de 10% do que havia sido pago.

Soldados de infantaria russos armados com fuzis Winchester de origem norte-americana: armas boas, mas em quantidade insuficiente

O ex-ministro da Defesa, Mikhaíl Beliaev, revelou que as empresas norte-americanas aceitaram as encomendas com "uma facilidade criminosa", por que simplesmente não havia capacidade de produção para fornecer a quantidade de armas prometida.

Também houve reclamações sobre encomendas da Grã-Bretanha: os produtos eram de baixa qualidade e muito caros. 

Em fevereiro de 1917, a Rússia enviou novos pedidos aos Aliados para a importação de mais armas, mas os países ocidentais aceitaram entregar apenas um terço do que os russos solicitaram.

Assim, a ajuda dos Aliados foi extremamente importante para a Rússia, mas foi insuficiente, e levou a Rússia a sair da guerra em março de 1918.

Fonte: Russia Beyond


sábado, 15 de março de 2025

ACOMPANHANDO O PRÊMIO TASSO FRAGOSO NO RECIFE

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Coroando o Prêmio Cultural Tasso Fragoso, acompanhei os cinco militares agraciados em uma enriquecedora viagem de estudos à guarnição do Recife, oportunidade única que uniu aprendizado e vivência histórica.

O Prêmio Cultural Tasso Fragoso, instituído pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, reconhece os militares mais bem classificados na disciplina História Militar que concluem os cursos de formação de oficiais e sargentos. 








Durante a programação, tivemos a oportunidade de visitar o quartel-general do Comando Militar do Nordeste/Forte Guararapes, o Museu Militar do Forte do Brum, o Parque Histórico Nacional dos Guararapes, o Forte das Cinco Pontas/Museu da Cidade do Recife. A programação também incluiu visitas ao Instituto Ricardo Brennand e ao Museu do Homem do Nordeste, permitindo conhecer a história militar e cultural da região.