"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O DESENVOLVIMENTO DA BLITZKRIEG NO PERÍODO ENTREGUERRAS

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No início da 1ª Guerra Mundial, a ideia vigente era baseada nos conceitos prussianos de ataque frontal e decisivo contra o inimigo. Ambos os contendores procuraram tal ação, no entanto o aparecimento de novas tecnologias no campo de batalha, como a metralhadora e a artilharia de alma raiada, provocaram uma situação de estagnação, a partir do fim de 1914, devido à impossibilidade de se progredir no terreno e alcançar as posições inimigas para desalojá-las.

Esse fato provocou o estabelecimento de frentes defensivas quase imutáveis no terreno, onde qualquer tentativa de desaferramento, ataque ou conquista de territórios resultava ineficiente e com elevado grau de letalidade. As pesadas baixas deslocaram o pensamento estratégico para a concepção da guerra de desgaste. Ao fim do primeiro ano da guerra, podia-se constatar a ausência de dois importantes princípios da guerra no campo de batalha: a surpresa e a mobilidade.

A "guerra de trincheiras" representou o impasse na Frente Ocidental.  Novas tecnologias iriam vencer o imobilismo

A solução para esse impasse mórbido, pois acarretava alto índice de mortes por causas alheias ao combate em si, incluindo doenças originadas nas precárias condições de higiene nas trincheiras, foi vislumbrada inicialmente pelos alemães com o uso de gases venenosos em 1915, mas os resultados não foram contundentes e, também, estavam à mercê das condições climáticas. Outras duas soluções surgidas iniciaram a extrema mudança futura na estratégia militar. Com maior importância e poder decisivo no campo de batalha o carro de combate e, com menor valor durante a 1ª Guerra e gradual aumento de importância posterior à guerra, o avião.

Esquadrão de caças alemão durante a 1ª Guerra Mundial

A 1ª Guerra Mundial também foi o primeiro conflito a ter ações aéreas significativas. A aviação militar desenvolveu-se em ritmo intenso durante a guerra, mas ainda estava em seus primórdios em 1918. O destaque era para os pilotos de caça, cuja missão principal era obter superioridade aérea local. Essa condição permitiu que os pilotos dos primeiros aviões conduzissem suas funções básicas de reconhecimento e ajuste de fogo de artilharia. Mesmo a Alemanha, que estabeleceu um estado-maior específico para a aviação em 1916 e desenvolveu um conceito maduro de poder aéreo, reconheceu a necessidade tanto do reconhecimento e da superioridade aérea local quanto dos bombardeios de longo alcance.

O carro de combate, por sua vez, apesar de seu desenvolvimento ainda primitivo, conseguiu influir decisivamente no resultado final da batalha. Podia avançar sob o fogo das metralhadoras e tinha relativa proteção contra as granadas da artilharia. Foi usado pela primeira vez, de forma reduzida, com apenas 46 carros, em setembro de 1916 na aldeia de Fleur-Courcelette na campanha do Somme. No decorrer do ano de 1917, os carros continuaram sendo usados em pequeno número, como apoio à infantaria e com êxito variável. Nesse mesmo ano, em junho, os britânicos criaram o primeiro Corpo de Tanques da história, tendo como comandante o General Hugh Elles e como planejador de operações o então Maj J. F. C. Fuller. Esse embrião começou a mudar o panorama, ao se pensar como uma arma independente e com poder de choque e surpresa.

J.F.C. Fuller, um dos criadores do Corpo de Tanques britânico

A prova de fogo veio em 20 de novembro de 1917, quando o Corpo de Tanques fez um ataque em massa com 476 carros, na batalha de Cambrai, com enorme sucesso, no entanto uma decisão equivocada do estado-maior britânico mudou o plano inicial de Fuller, fazendo com que se perdesse a conquista inicial. Mas a prova de fogo valeu, ficava comprovado o potencial decisivo dos tanques se usados planejadamente.

Com o fim do conflito, os planos de desenvolvimento dos carros se estagnaram entre os ingleses e franceses, que defendiam o conceito de defesa. No entanto os alemães aprenderam com a derrota e passaram a dar elevado valor a esses dois vetores – o carro e o avião – iniciando os estudos que originaram a “blitzkrieg”, avassalador conceito responsável pelas esmagadoras vitórias nos anos iniciais da Segunda guerra Mundial.

Carros de combate Vickers Mk.I britânicos em manobras durante a década de 1930

Esse novo conceito baseado nessas novas armas, era de velocidade, ação de choque e potência de fogo. Suplantou e extinguiu a cavalaria a cavalo e foi o alvorecer da nova cavalaria dos blindados. Criou a aviação e abriu possibilidades, desde o lançamento de tropas, passando pelos bombardeios e culminando com as missões de caça.

O leque de opções agora era bem maior, diretamente proporcional ao poder de letalidade dos combates futuros.



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quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

TRÊS GRANDES (E DESCONHECIDOS) FEITOS DO T-34 E SUAS GUARNIÇÕES

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O T-34 foi um dos melhores tanques da Segunda Guerra Mundial, não apenas por suas características técnicas. Também foi importante a coragem demonstrada por seus tripulantes, que muitas vezes permitiam a esses tanques soviéticos fazer coisas impensáveis, como enfrentar sozinho – e vencer – uma divisão alemã inteira.


Por Boris Egorov


Incursão frenética na retaguarda do inimigo

Em 17 de outubro de 1941, a 21ª Brigada Soviética de Tanques surgiu nos arredores de Kalinin (Tver), ocupada pela Wehrmacht. Os tanques foram ordenados a fazer uma incursão na retaguarda do inimigo, cercar a cidade e alcançar suas próprias tropas.

Durante o ataque, um tanque T-34 comandado pelo sargento Stepan Gorobets foi separado do grupo principal. Devido a uma falha de rádio, a tripulação do tanque não tinha ideia de que sua brigada havia sido imobilizada por um ataque aéreo, e Gorobets seguia em direção às posições inimigas completamente sozinho.

Sargento Stepan Gorobets

Depois que o T-34 de Gorobets destruiu uma coluna de motocicletas ao longo do caminho, viu-se repentinamente na frente de um aeródromo alemão. Perplexos pela audácia do tanque soviético solitário, os alemães acompanharam o T-34 destruir dois aviões Junkers Ju 87 e suprimentos de combustível, e depois se dirigir a Kalinin.

Ali, o comandante se deu conta que estava sozinho e não receberia apoio de outros tanques. Para chegar a suas próprias linhas, Gorobets dirigiu o tanque sob fogo intenso pelo centro da cidade, cheio de alemães, esmagando uma arma de artilharia e batendo contra um tanque inimigo no caminho.

Finalmente, o T-34 em chamas, cheio de buracos feitos por projéteis inimigos, com uma arma quebrada, alcançou as posições dos soldados soviéticos, que receberam a tripulação como heróis.


Uma fuga inesperada

Durante o rigoroso inverno de 1942, um T-34 dirigido pelo capitão Gavril Polovtchenia ficou atolado em um rio perto da cidade de Andreapol. A tripulação esperava reforços quando os alemães chegaram e cercaram o tanque.

Polovtchenia ordenou que a tripulação não fizesse barulho, embora fosse difícil com tanto frio em um T-34 completamente congelado. Ainda que os alemães não tenham conseguido abrir a escotilha, decidiram que o tanque havia sido abandonado e o tiraram da água.

T-34 passando sobre um Pzkpfw II durante um combate aproximado

Em 15 de janeiro, os alemães enviaram o T-34 de Polovtchenia para Andreapol, enquanto a tripulação permanecia em silêncio. Às 5 horas da manhã seguinte, o tanque soviético tentou escapar. Saiu à toda pelas ruas da cidade, atirando e esmagando o inimigo, desorganizado e em estado de choque. Mais de 20 soldados, 30 veículos e caminhões militares, além de 10 armas de artilharia foram destruídas enquanto o tanque se dirigia para as posições soviéticas. Além disso, os alemães ficaram chocados e não conseguiram resistir ao avanço das tropas soviéticas, que facilmente libertaram Andreapol no mesmo dia. 


Lutando duas semanas em um pântano

Em dezembro de 1943, o Exército soviético estava libertando o nordeste do país. Durante uma operação, um T-34 liderado pelo tenente Stepan Tkatchenko ficou preso em um pântano semicongelado não muito longe de Pskov.

Toda a tripulação ficou gravemente ferida ou morreu, e apenas o operador de rádio Víktor Tchernichenko permaneceu ileso. Durante a noite, ele se juntou a outro motorista de tanque, Aleksêi Sokolov, que chegou ao tanque às escondidas vindo de posições das tropas soviéticas. Mas suas tentativas de libertar o tanque foram inúteis.

T-34 operando em um pântano congelado

Tchernichenko e Sokolov decidiram não deixar o T-34 e, por 13 dias, resistiram aos ferozes ataques da infantaria alemã. Contavam somente com algumas latas de carne, um pouco de açúcar, biscoitos, e água que vazava no tanque do pântano.

Completamente congelados, famintos e sem sono, os dois soldados soviéticos se defenderam da contínua avalanche de ataques alemães até que, em 30 de dezembro, as tropas soviéticas atravessaram as linhas inimigas até o solitário T-34.

Ferido, Sokolov morreu no dia seguinte ao resgate.  Tchernichenko conseguiu sobreviver à batalha, mas, infelizmente, teve ambas as pernas amputadas.

Fonte: Russia Beyond


sábado, 30 de dezembro de 2023

OS ERROS NO USO DE BLINDADOS SOVIÉTICOS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

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Falhas na organização de unidades de blindados quase levaram o exército e país à ruína.

Por Alexandr Verchínin


No início da Segunda Guerra Mundial, as tropas blindadas soviéticas estavam entre as mais fortes do mundo. Em 1941, o Exército Vermelho possuía mais de 25 mil tanques em seu arsenal, contra apenas 4.000 tanques da Alemanha - três vezes menos do que a quantidade de blindados de que dispunha a União Soviética apenas na zona fronteiriça.

Embora especialistas apontem que grande parte dos veículos blindados soviéticos era constituída por modelos obsoletos ou que simplesmente estavam à espera para serem postos fora de operação, os veículos restantes já constituíam uma força considerável. Mais de 1.500 novíssimos tanques KV e T-34, superiores aos blindados alemães em uma série de parâmetros, estavam à disposição de Stalin.

Toda essa armada de tanques foi reunida em vinte corpos mecanizados, cada um dos quais representando um exército independente. Cada corpo mecanizado possuía mais de 1.000 tanques de diferentes tipos e um contingente de 35 mil pessoas. De acordo com informações oficiais, os alemães não tinham nada parecido em seu exército. Mas os generais soviéticos tinham apenas uma tênue ideia de como utilizar esse poderio.

T-60 soviético em chamas nos primeiros dias da guerra

Os corpos mecanizados acabaram se revelando tão ineficazes quanto externamente pareciam ser ameaçadores. Nesse caso, a megalomania prestou um desserviço - o grande número de tanques na divisão não significava que a sua capacidade de combate era superior. A composição dos corpos mecanizados não era equilibrada.

A pressa em torno de sua implantação resultou no fato de que as divisões tinham à sua disposição um número diferente de tanques e diferentes tipos de veículos. Havia escassez de automóveis e caminhões, o que afetou muito a capacidade de manobra das divisões, e o treinamento das tripulações também deixava muito a desejar.

Para ser justo, é preciso destacar que às vésperas da Segunda Guerra Mundial, dominar a tática do uso de tanques em combate era um desafio difícil para todos os grandes exércitos do mundo.

Foram os alemães que encontraram a melhor solução, criando a eficiente Panzerwaffe (Força Blindada), cuja unidade básica era a divisão Panzer, principal instrumento do Blitzkrieg (termo alemão para "guerra-relâmpago", uma tática militar que consistia em utilizar forças móveis em rápidos ataques-surpresa, com o intuito de evitar que as forças inimigas tivessem tempo de organizar sua defesa). 

Em número de tanques, ela era cinco vezes inferior ao corpo mecanizado soviético, no entanto, suas ações eram muito mais eficazes, graças a uma composição mais equilibrada e um alto grau de motorização. A divisão Panzer alemã incluía em sua composição uma infantaria mecanizada móvel, com ênfase especial na artilharia antitanque.


Heroísmo individual contra erros organizacionais

As batalhas de 1941 evidenciaram a dimensão dos erros organizacionais dos responsáveis pelas forças blindadas soviéticas. Os poderosos corpos mecanizados foram completamente derrotados. A tentativa do comando do Exército Vermelho de infligir um contra-ataque à Wehrmacht na Ucrânia resultou em desastre.

No final de junho, os soviéticos haviam perdido na região 4.300 blindados, 75% do total que tinham no início do combate, contra 250 veículos perdidos pelos alemães.

Durante a Campanha de 1941, a coragem do soldado soviético não foi capaz de compensar as deficiências de organização de suas forças blindadas

Grande parte das perdas tinha sido irrevogável. As falhas estruturais dos corpos mecanizados, que os transformavam em armadas pouco ágeis e vulneráveis no confronto com o inimigo experiente, constituíram uma importante causa para a derrota soviética. Mesmo com o fracasso, um grande número de soldados soviéticos agiu heroicamente.

A proeza realizada por D. Lavrinenko, por exemplo, que durante a Batalha por Moscou, em novembro de 1941, destruiu sete tanques alemães em um único combate, entrou para a história. No entanto, o fator humano não podia compensar os graves erros organizacionais. Para corrigi-los foram necessários dois anos difíceis.

Fonte: Gazeta Russa



domingo, 25 de setembro de 2022

A BATALHA DE KURSK ATRAVÉS DOS OLHOS DE SEUS PROTAGONISTAS

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Cidade na região de Prokhorovka foi palco da maior batalha de tanques da história mundial.

Por Viktor Gavrilov e Nezavissiomoie Obozrenie


Paira o silêncio sobre o campo de Prokhorovka. Somente de tempos em tempos ouve-se o repicar dos sinos, chamando os paroquianos para o serviço religioso na Igreja dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, construída com recursos doados pelo povo, em memória dos soldados que morreram na Batalha de Kursk.

Há quase 80 anos, nesse local fervia um terrível combate. Na região de Prokhorovka se desenrolou a maior batalha de tanques da história mundial. Tudo o que poderia se inflamar estava queimando, tudo estava coberto de poeira e fumaça dos tanques, aldeias, florestas e campos de trigo que ardiam em chamas. A terra foi queimada a tal ponto que não restou um único fiapo de grama. Aqui a guarda soviética se encontrou frente a frente com a elite da Wehrmacht, as divisões Panzer SS.

A batalha de Kursk também leva o nome de batalha no saliente de Kursk. Esse nome é devido à forma arqueada da frente de combate, constituída pelas tropas soviéticas (ver mapa abaixo). Os combates na face sul do saliente começaram no dia 4 de julho de 1943, mas os principais eventos ocorreram na madrugada de 5, quando os alemães lançaram o primeiro ataque maciço com as suas formações de tanques.

Mapa da Batalha de Kursk


Na manhã de 5 de julho, o comandante da Divisão SS "Leibstandarte Adolf Hitler", Obergruppenführer, Josef Dietrich, se aproximou dos seus "Tigres", e um dos oficiais gritou para ele: "Vamos almoçar em Kursk!". Mas os integrantes da SS não conseguiram nem almoçar nem jantar em Kursk. Em 12 de julho, às 8h30, os batalhões de assalto soviéticos iniciaram um contra-ataque, opondo-se às tropas do 4º Exército Panzer alemão.

Para revidar os ataques das tropas soviéticas, o comandante alemão Erich von Manstein lançou todas as forças disponíveis, porque entendia perfeitamente que o sucesso do avanço das tropas soviéticas poderia levar à completa derrota dos batalhões de assalto do grupo “Sul” dos exércitos alemães. Na enorme frente, com uma extensão total de mais de 200 km de comprimento, eclodiu uma luta feroz.

Os mais ferozes combates durante o dia 12 de julho estavam sendo realizados na assim chamada ponte (área de estágio tático) de Prokhorovka. Essa área foi conquistada pelo adversário em uma luta tensa ao longo do dia 11 de julho. Ali se estabeleceu e começou a agir o principal grupo das forças inimigas, que integrava a 2ª Divisão Panzer SS "Das Reich". Foi sobre essa força que o comando soviético lançou o seu ataque principal.

Blindados alemães destruídos em Prokhorovka


"Poucos minutos depois, os tanques do primeiro escalão das nossas 29ª e 18ª Divisões, atirando em movimento, com um impacto frontal, penetraram nas disposições militares das tropas alemãs-fascistas e com um rápido e lancinante ataque, literalmente perfuraram as disposições do inimigo. […] Os seus 'Tigres' e 'Panteras' foram privados da supremacia do seu poder de fogo, no combate de curta distância. No início da ofensiva, eles se aproveitaram dessa supremacia durante o confronto com as nossas outras conexões de tanques e agora estavam sendo derrotados com êxito pelos tanques T-34 soviéticos e até mesmo pelos leves T-70, a distâncias curtas. O campo de batalha era um turbilhão de fumaça e pó, a terra tremia devido às explosões poderosas. Os tanques colidiam uns com os outros e ficavam enroscados sem conseguir se separar, então lutavam até a morte até que um deles se inflamava como uma tocha ou parava com as lagartas destruídas. Mas mesmo os tanques abatidos, se as suas armas estivessem em condição de operar, continuavam a disparar”.
Pável Rotmistrov, comandante militar soviético


“O primeiro tanque, eu abati quando estava me movimentando pela estrada de ferro, ao longo da área de desembarque e, literalmente, a uma distância de cem metros, vi um tanque 'Tigre' que estava virado de lado para mim, disparando em nossos. Pelo visto ele tinha atingido vários tanques nossos, pois eles estavam indo de lado para cima dele e ele disparava nas laterais das nossas máquinas. Eu mirei um projétil perfurante e disparei. O tanque pegou fogo. Eu disparei mais uma vez e o tanque se inflamou ainda mais. A tripulação saltou para fora, mas não sei bem porque, eu não estava interessado nela. Eu contornei esse tanque e, em seguida, abati um tanque T-III e um tanque 'Pantera'. Sabe, quando eu abati o tanque 'Pantera', experimentei uma sensação de euforia, pois, vejam só, consegui realizar um feito heroico".
Evguêni Chkurdalov, ex-oficial soviético


"De repente um T-34 irrompeu e dirigiu-se diretamente para nós. O nosso primeiro operador de rádio começou a me passar os projéteis, um a um, para que eu os colocasse no canhão. Enquanto isso, o nosso comandante que estava no compartimento de cima, não parava de gritar: ‘Atirem! Atirem!’, porque um tanque se aproximava cada vez mais. E somente após o quarto ‘Atirem’, eu ouvi ele dizer: ‘Graças a Deus!’. Então, depois de algum tempo, verificamos que o T-34 parou apenas a oito metros de distância de nós! No topo de sua torre, como se tivessem sido carimbados, havia orifícios de 5 centímetros [...]. As disposições militares dos dois lados se misturaram. 'Os nossos tanquistas atingiam com êxito o inimigo, de distâncias próximas, mas também sofriam pesadas perdas'”.
Wilhelm Rees, ex-oficial alemão da divisão “Adolf Hitler” 


"O tanque T-34 do Comandante do 2º Batalhão da 181ª brigada da 18ª divisão, capitão Skripkin, penetrou a formação de 'Tigres' e abateu dois tanques inimigos, antes que um projétil de 88 mm atingisse a torre do seu T-34 e outro perfurasse a sua blindagem lateral. O tanque soviético pegou fogo, e Skripkin, ferido, foi retirado do tanque destroçado pelo condutor, sargento Nikolaev e pelo operador de rádio, sargento Zirianov. Eles se refugiaram na cratera aberta pela bomba, mas ainda assim um dos 'Tigres' os descobriu e partiu para cima deles. Então Nikolaev e seu artilheiro Tchernov saltaram novamente para o tanque em chamas, deram a partida e o orientaram diretamente para o 'Tigre'. Os dois tanques explodiram com o impacto”.
Extraído dos documentos do Arquivo Central do Ministério da Defesa da Federação Russa


Formação de uma divisão blindada em Kursk

O ataque com os blindados soviéticos, tanques novos com um conjunto completo de munição abalou significativamente as divisões do inimigo, já desgastadas pelas batalhas, e a ofensiva alemã malogrou.

Como resultado do contra-ataque das principais forças Soviéticas da 5ª guarda do exército de tanques, a sudoeste de Prokhorovka foi frustrada a ofensiva sobre o nordeste, das divisões Panzer SS Totenkopf” e "Leibstandarte Adolf Hitler". Essas divisões sofreram tamanhas perdas, que não puderam mais implementar uma ofensiva consistente.

As unidades da Divisão Panzer SS “Das Reich” também sofreram pesadas baixas devido aos ataques de unidades. Corpos da guarda de tanques que passaram a contra-atacar ao sul de Prokhorovka.

T-34/76 do 2º Exército de Tanques soviético. Kursk, 1943


Perdas e resultados

As perdas totais dos dois lados do confronto de tanques nas proximidades de Prokhorovka estão avaliadas da seguinte maneira: do lado soviético se perderam 500 tanques e do lado alemão, 300 tanques e canhões autopropulsados.

É claro que o grupo "Sul" do exército alemão sofreu as piores perdas nos primeiros sete dias de combates, antes mesmo da batalha nas proximidades de Prokhorovka.

Mas o significado básico da batalha de Prokhorovka consiste no fato de que os soldados soviéticos deram um duríssimo golpe e conseguiram parar as divisões de tanques da SS que avançavam em direção à Kursk. Isso minou o espírito de combate da elite das tropas blindadas alemãs, e depois disso, elas definitivamente perderam fé na vitória das armas alemãs.

Fonte: Gazeta Russa


terça-feira, 2 de agosto de 2022

OS TANQUES CHRISTIE SOVIÉTICOS

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Construtores soviéticos de tanques e o engenheiro norte-americano John Walter Christie pareciam destinados a trabalhar juntos.

Por Alexandr Verchínin


Em 1929, a delegação soviética que visitou as fábricas norte-americanas e europeias em busca de novos projetos para fabricação de blindados se deparou com John Walter Christie. Na época, o norte-americano trabalhava na melhoria do chassi do seu tanque. A sua ideia era usar grandes molas para a suspensão, mas a instalação delas exigia espaço adicional, o que contrariava a concepção de um taque ligeiro pequeno e rápido. Ao resolver este problema, Christie mostrou seu potencial de inovar: ele introduziu uma alavanca especial que transformava a orientação da mola de vertical para horizontal. Graças a isso, ela podia ter o tamanho que fosse necessário.

O projeto de Christie interessou aos soviéticos, que decidiram agir rapidamente, uma vez que os concorrentes – os poloneses – rondavam ali, e a Polônia era vista como um dos potenciais adversário da União Soviética na guerra que estaria por vir. Decidiram então comprar não o tanque em si, mas apenas o seu chassi – o que de mais valor havia no modelo de Christie.

Outro aspecto que tornava aquele negócio muito importante era o fato de o americano concordar em transferir para a parte soviética toda a documentação técnica, envolvendo-se pessoalmente na organização da produção dos tanques na URSS e permitindo o acesso de engenheiros soviéticos à produção dos veículos.

O revolucionário sistema de Chassis Christie


Os motores Liberty utilizados no modelo de Christie já eram produzidos em fábricas soviéticas sob uma marca diferente. No total, US$ 60 mil foram pagos por dois tanques – um valor bem alto para a época. Pelas peças de reposição foram outros US$ 4.000. Mas a maior parte do custo – US$ 100 mil – correspondia aos direitos técnicos e patentes.

A dificuldade estava no fato de não existirem relações diplomáticas entre a União Soviética e os Estados Unidos em 1930 e, por isso, o negócio foi oficialmente efetuado pela empresa Amtorg, criada pelo governo soviético para a aquisição de tecnologia no exterior. Além disso, um "acordo verba entre cavalheiros" foi feito por Christie e pelo chefe da delegação soviética, Khalepski. No final da década de 1930, dois exemplares do tanque sem torres foram enviados por mar para a URSS.


Bom, mas não ótimo

Já em Moscou, os veículos foram estudados nos mínimos detalhes. Na época, os engenheiros soviéticos tinham adquirido grande experiência em trabalhar com blindados estrangeiros. O modelo de Christie recebeu uma avaliação geral positiva, mas os testes principais seriam feitos no campo de treinamento militar.

Em dez dias, o tanque de Christie (ainda sem torre) percorreu uma distância de 150 km. Ao se livrar das lagartas quando passava para a estrada, o tanque alcançava a velocidade sem precedentes de 70 km/h. Equipado com rodas, superava facilmente as trincheiras e fileiras de arame farpado.

Mas também era evidente que havia deficiências: a suspensão do tanque não era suficientemente estável, o assento do condutor era muito apertado e a unidade de controle, pouco prática: ao fim de 5 horas de marcha, o tanquista ficava exausto. O motor superaquecia e na velocidade máxima era fácil perder o controle da viatura. Em outras palavras, ainda havia muito a ser feito. Mesmo assim, de um modo geral, essa máquina tinha um potencial grande.

Tanque da série BT em ação

"Considerando a forma com que foi apresentado nos testes, o tanque de Christie é uma máquina de deslocamento universal. Como máquina de combate, ainda requer muito trabalho e uma série de melhorias e alterações no projeto", concluiu a comissão responsável por avaliar o modelo. 

O tanque de Christie foi aceito para produção sob o código BT (de “tanque rápido”, em russo). Paralelamente, foi decidido descontinuar a produção dos modelos T-18. Foi a fábrica de Kharkov – uma das maiores do país e especializada na fabricação de veículos lagarta – que ficou incumbida de fabricar o tanque segundo o projeto de Christie. Um ano depois se deu o lançamento dos primeiros BT. Até o início da 2ª Guerra Mundial, esse era um dos tanques mais populares no Exército Vermelho. No entanto, o projeto mais importante desenvolvido com base no modelo de Christie foi o famoso T-34.

BT-7 do Exército Vermelho


Fonte: Gazeta Russa


segunda-feira, 18 de abril de 2022

T-55: O “BURRO DE CARGA” DOS CONFLITOS LOCAIS DO SÉCULO XX

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Se alguém pudesse sintetizar a imagem dos tanques soviéticos, é provável que fosse a de um T-55. O motivo é simples: esse veículo de combate foi utilizado por exércitos de 70 países e teve 24.000 unidades produzidas. Longe de ser ideal ou superior aos tanques da OTAN, ajudou a vencer qualquer inimigo na maioria dos conflitos da segunda metade do século XX.


Por Aleksandr Korolkov


Apesar da corrida armamentista entre os anteriores aliados antinazistas, que procuravam sair vitoriosos em cada classe de armamento, a União Soviética não conseguiu colocar em serviço no Exército o novo tanque T-54 antes do final dos anos 1940. Mas o país não poderia deixar de responder aos tanques inimigos M-48 Patton III, norte-americano, e o inglês Centurion, bem como o aparecimento em 1959 do tanque M-60.

Esses veículos de combate se tornaram um grande desafio para a escola soviética de construtores de tanques. Os trabalhos de criação de um veículo de combate blindado sobre a base do T-54 B foram iniciadas somente em 1957, com o codinome “Obiekt 155”, e envolveram todos os progressos alcançados durante a modernização do T-54.

Entre o final de 1957 e início de 1958, os tanques passaram por testes, até que, em 8 de maio daquele ano, o Obiekt 155 foi adotado pelo Estado-Maior do Exército soviético sob a sigla T-55. A principal melhoria frente ao T-54 foi a instalação de um sistema completo de defesa nuclear. O armamento principal era o mesmo, assim como a blindagem. Mas o tanque foi rebaixado quase um metro e a metralhadora coaxial, assim como o canhão, recebeu estabilizador em dois planos.


T-55 sírio 



Fiasco inicial

O T-55 encontrou em combate seu adversário inglês Centurion durante os conflitos árabe-israelenses. O tanque soviético se mostrou superior em desempenho dinâmico, mas era inferior em termos de eficácia de armas. O veículo inglês era equipado com um canhão L7 de 105 mm, de altas precisão balística, o que proporcionava aos israelenses tiros de maior precisão e penetração à longa distância – essencial em batalhas no deserto.

As guerras no Oriente Médio também revelaram outra característica dos tanques soviéticos: a deficiência de proteção adequada do chassi, tendo em vista que qualquer perfuração na blindagem ocasionava a explosão do veículo.

Foi durante a Guerra dos Seis Dias que ocorreu o primeiro grande embate entre o Centurion e os tanques soviéticos. O lado israelense saiu vitorioso: 20 Centurions israelenses destruíram 32 T-54 e T-55 egípcios na área de Bir Lahfan. No entanto, pouco tempo depois, os egípcios repeliram três ataques da 7ª Brigada Blindada israelense e destruíram 17 tanques na batalha de El Arish.

Coluna de T-55 da Alemanha Oriental durante manobras do Pacto de Varsóvia


Ao fim do conflito, Israel havia perdido 122 tanques de vários modelos. Já o Egito, de 935 tanques e outros blindados, perdera 820, entre destruídos e capturados como troféus. O lado positivo disso? Dos 115 que restaram, 82 eram T-55.


Habilidade x tecnologia

Os tanques soviéticos enfrentaram um desafio ainda maior na Guerra do Yom Kippur. Em outubro de 1973, 1.200 tanques egípcios entraram em atrito contra 750 Centurions e Pattons israelenses, formando a maior batalha de tanques desde a Segunda Guerra Mundial.

Durante as escaramuças, os egípcios perderam 264 tanques e destruíram apenas 25 veículos de Israel. O canhão L7 atingia os blindados egípcios a uma distância maior, e Israel possuía superioridade aérea sobre o Sinai.

Após o fim das hostilidades, as tripulações israelenses notaram que o L7 era superior não somente aos D-10T2S de 100 mm dos T-55, mas também aos modernos U5-TC de 115 mm dos T-62. Perceberam também que os Centurions apresentavam maior inclinação máxima dos ângulos de tiro. No entanto, a guerra mostrou que a chave do sucesso israelense não foi a superioridade técnica, mas o melhor planejamento militar e a organização das manobras militares, o que era justamente o ponto fraco das forças egípcias.

T-55 norte-vietnamita combatendo em Hanói, no final da Guerra do Vietnã


A União Soviética utilizou o T-55 durante combates no Afeganistão entre os anos de 1979 e 1989. Enquanto os tanques mais modernos eram alocados nas Divisões Ocidentais, as fronteiras ao sul eram guardadas pelos T-55 e T-62 mais antigos.

No Afeganistão, os T-55 foram usados em unidades menores com a função de proporcionar maior poder de fogo à infantaria mecanizada e às tropas paraquedistas, bem como na segurança de postos avançados e de comunicação. Para essas tarefas, o blindado serviu como elemento de fogo manobrável e de longo alcance. 

Fonte: Gazeta Russa (Transcrição)


terça-feira, 9 de novembro de 2021

A PRIMEIRA E ÚLTIMA MISSÃO DO GIGANTE SOVIÉTICO

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Cinco torres, três canhões e seis metralhadoras. A bordo, uma dúzia de homens. Não se trata da encarnação flutuante do poder soviético em alto-mar, mas de um tanque do Exército Vermelho, o T-35, que, na década de 1930, por ironia do destino, acabou sendo destruído logo nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial.

Por Alexandr Korolkov


Desde que apareceram durante a Primeira Guerra Mundial, os tanques rapidamente cresceram em tamanho, poder e armamento – até que a agilidade imposta pela Segunda Guerra Mundial os trouxeram de volta a uma dimensão razoável.

O primeiro tanque multitorre pesado foi o francês Char 2C, seguido, no final dos anos 1920, pelo britânico A1E1 Independent, uma imponente máquina de 33 toneladas. Apesar de este modelo de cinco torres jamais ter sido fabricado em massa, tudo leva a crer que ele pode ter inspirado os projetistas soviéticos.

A base industrial herdada pelos bolcheviques, prejudicada pela perda de muitos engenheiros experientes na Revolução Russa, era incapaz de produzir tecnologia moderna para produção em massa e teve de ser erguida a partir do zero. Na época, o planejamento experimental soviética surgiu com todo vapor.

Construir tanques leves era mais fácil e bastava copiar modelos estrangeiros. Mas não havia nenhuma receita pronta para os tanques pesados. Era necessário, portanto, usar o conhecimento adquirido em projetos conjuntos com engenheiro alemão Edward Grotte.

O tanque médio TG, do grupo de design soviético-alemão, não foi produzido em larga escala, mas deu à jovem equipe soviética uma experiência prática de valor inestimável. Com o tempo, os russos evoluíram para projetos maiores – e logo o T-35 saiu do papel.


O monstro de aço T-35: demasiadamente pesado e desajeitado para ser eficiente


Excesso de peso

O tanque deveria pesar cerca de 35 toneladas, mas o protótipo de 1932 ultrapassou em 10 mil toneladas as expectativas iniciais. O monstro resultante tinha mais de três metros de altura, torres com canhões de 76 milímetros acoplados e metralhadoras que podiam girar 360 graus.

Duas torres menores, com canhões de 45 milímetros e outras metralhadoras que podiam dar meia volta, foram implantadas nas partes fronteira e traseira do veículo. Outras duas torres de metralhadora e uma porta de disparo sob a arma traseira completavam o arsenal do tanque.

A máquina era alimentada por um motor de 500 cavalos de potência e atingia velocidade máxima de apenas 28 quilômetros por hora na estrada aberta. Os militares aceitaram o tanque, mas estavam insatisfeitos com o design de chassi complexo e a capacidade reduzida do motor.

No início dos anos 1930, os estrategistas soviéticos planejavam os próximos estágios da guerra entre tanques. Os modelos médios T-28 romperiam as defesas inimigas, os T-35s iriam invadir e aniquilar tudo à volta com seu enorme poder de fogo, seguido por uma terceira onda de T-26s e modelos ainda mais leves.

No entanto, a experiência da Guerra Civil Espanhola, a batalha soviética contra os japoneses e a Guerra de Inverno com a Finlândia demonstraram a ameaça da artilharia antitanque e a necessidade de montar ofensivas.

Em condições severas, a blindagem de 10 a 50 mm era insuficiente. Porém, as tentativas de aumentar a espessura fizeram com que a massa do tanque chegasse a 55 toneladas, e nenhum motor soviético era capaz de fornecer energia para um veículo dessa dimensão.

Outra desvantagem era a incapacidade do comandante de liderar simultaneamente os disparos a partir de cinco torres. Os projetistas tentaram, sem sucesso, equipa-lo com sistemas de armas navais para sincronizar o disparo múltiplo, mas, no início dos anos 1940, o tanque já estava obsoleto em termos de design e táticas de uso.


Garoto-propaganda

O T-35 não entrou em ação até a invasão alemã da União Soviética, em junho de 1941. Ele servia mais na frente ideológica, ocupando praças de cidades como um símbolo do poderio militar soviético e atraindo multidões e observadores estrangeiros.

Um raro T-35 que sobreviveu à guerra preservado em museu


O veículo era representado em cartazes e na medalha “Para coragem”, onde durou muito mais do que na vida real. Em 1943, quando o T-35 já havia entrado para a história, ele ainda lutava pela pátria na propaganda soviética.

No campo de batalha, contudo, a história era menos impressionante. Dos 59 T-35s fabricados entre 1934 e 1939, 48 deles entraram em guerra, enquanto o resto passava por reparos ou era apenas usado em escolas de formação.

O tanque não sobreviveu aos primeiros dias de combate, já que as máquinas criadas para um ataque repentino não eram capazes de realizar um recuo longo. Apenas sete T-35 foram eliminados na batalha; o restante simplesmente quebrou ou foi abandonado por suas tripulações.

A 34ª Divisão de Tanque da URSS, que tinha as unidades a seu dispor, foi alertada no início da manhã de 22 de junho, quando a invasão começou. Três dos tanques quebraram antes mesmo de entrarem em combate. Depois de percorrer o oeste da Ucrânia, dois dias depois restavam apenas 10 tanques prontos para combate.


Hora de partir

Na confusão do recuo e da luta de fronteira, só existe um registro do seu desempenho em combate. Em 30 de junho de 1941, um grupo de tanques, que incluía quatro T-35s, foi enviado para reforçar outras unidades, mas foi atacado quando estava a caminho.

Artilheiro de uma torre frontal, V. Sazonov escreveu mais tarde: “Nossa última luta foi desastrosa. Em primeiro lugar, disparamos a partir da outra margem o rio, de um povoado chamado Sitna, e depois atacamos com o resto de nossa infantaria. Eles titubearam assim que as balas alemãs começaram a soar, então avançamos e ficamos sob fogo de canhão alemão pela esquerda.

Virei a torre para observar melhor, olhei, olhei, mas não vi nada, e então, surpresa: a torre foi atingida. Mas não era possível enfiar a cabeça para fora pois choviam balas sobre nós. As bombas alemãs nos atingiam em intervalos de cinco segundos e não mais apenas no lado da porta. Foi então que eu vi um clarão, quando ainda estávamos a 50 metros da aldeia, e uma das nossas faixas se rompeu.

Os ataques fizeram o motor parar, e a arma ficou obstruída. Em seguida, vimos soldados alemães e sabíamos que era hora de sair dali. Saltamos da torre para a estrada. Das tripulações de T-35, apenas quatro homens sobreviveram, todos de diferentes tanques.


Eterna fama

Como os soldados alemães gostavam de posar ao lado dos monstros stalinistas abandonados, há muitas fotografias de batalha do T-35, apesar de sua breve experiência de combate.

Os soldados alemães gostavam de posar para fotografias ao lado dos T-35 avariados

O gigante desatualizado nunca provou a sua coragem e terminou dias como um mero artifício de engenharia, um símbolo do poderio militar, assim como o Canhão do Tsar, no Kremlin de Moscou, que nunca foi disparado em um momento de raiva.

O último exemplar restante é mantido no museu de tanques de Kubinka, nos arredores de Moscou, onde é a estrela da exposição. Ali, o modelo ajuda os visitantes a lembrar dos projetos de design decisivos do século passado, quando os tanques ainda estavam aprendendo a ser tanques.

Fonte: Gazeta Russa