"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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terça-feira, 30 de agosto de 2022

RECRIAÇÃO HISTÓRICA DO CERCO A CAMPO MAIOR, PORTUGAL, 1811

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Mais uma recriação histórica em Portugal. Não perca a oportunidade de assistir ou participar. 

Para mais informações contatar anp.portugal@gmail.com



sexta-feira, 12 de agosto de 2022

CERCO DE ALMEIDA - A MAIOR RECRIAÇÃO HISTÓRICA EM PORTUGAL ESTÁ DE VOLTA

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O Município de Almeida organiza a 18ª edição da Recriação Histórica do Cerco de Almeida, nos dias 26, 27 e 28 de agosto de 2022, na fortaleza abaluartada de Almeida.


A vila histórica de Almeida regressa novamente ao ano de 1810 para recriar o histórico Cerco de Almeida, aquando da terceira Invasão Francesa, com um vasto programa de atividades histórico militares e animação permanente para toda a família.

As atividades iniciam ainda no dia 25 de agosto – a partir das 21 horas, com uma visita encenada à Praça-Forte, estando o início oficial das atividades Histórico-Militares agendadas para as 17 horas do dia 26 na Câmara Municipal de Almeida.

Durante os três dias do evento serão recriados diversos combates entre as Tropas Aliadas e o Exército de Napoleão, Oficinas e manobras militares de época, visitas encenadas, um acampamento histórico-militar, mercado e baile oitocentista, e muita animação permanente para toda a família.

O Presidente da Câmara Municipal de Almeida, António José Monteiro Machado, destaca o momento do cerco à praça-forte e explosão do castelo com espetáculo piromusical, no qual este ano, se verifica um aumento de participação de recriadores ingleses, atingindo um expressivo número de cerca de 500 recriadores de várias nacionalidades.

Salienta ainda, a homenagem ao Exército, presidida pelo Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército Tenente-General Guerra Pereira, Cerimónia esta que surge no seguimento do excelente relacionamento entre o Município de Almeida e o Exército Português, fruto de um trabalho conjunto com o Museu Histórico Militar de Almeida e a Direção de História e Cultura Militar. 

Fonte: Mais Beiras Informação


segunda-feira, 25 de março de 2019

PORTUGAL CLASSIFICA AS LINHAS DE TORRES VEDRAS COMO MONUMENTO NACIONAL

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O Presidente da República promulgou o decreto que classifica Linhas de Torres Vedras como Monumento Nacional. O local recebe por ano cerca de 10 mil visitantes.

Adaptado do texto de Atur Rocha


O Presidente da República de Portugal promulgou, na última quinta-feira (21/3), o decreto que classifica como Monumento Nacional os fortes e estradas militares construídos há mais de 200 anos para defender Lisboa das invasões francesas, que integram as chamadas Linhas de Torres Vedras.

De acordo com o site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa “assinou o decreto do Governo que classifica como Monumento Nacional o conjunto das primeiras e segundas Linhas de Defesa a Norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular”. O decreto tinha sido aprovado no Conselho de Ministros da semana anterior.

Para o Governo, “a classificação deste conjunto de obras militares reforça um longo processo de preservação física da memória material e imaterial deste sistema defensivo, reconhecendo, entre outros critérios, o gênio do respetivo criador e o interesse como testemunho notável de vivências ou fatos históricos”.


“A aprovação peca por tardia, mas os municípios veem com muita satisfação esta classificação, porque é uma mais-valia para a salvaguarda deste patrimônio tão importante para o país e para o promovermos enquanto produto turístico”, disse à agência Lusa o presidente da Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres, José Alberto Quintino.


A classificação como Monumento Nacional foi proposta há um ano ao Governo pela Direção-Geral do Patrimônio Cultural (DGPC).

A candidatura integrou 128 estruturas militares, como fortes e estradas militares, das primeira e segunda linhas defensivas, mas só 114 foram classificados, tendo 14 ficado de fora por se encontrarem degradados ou destruídos. Além da classificação como patrimônio nacional, vai ser criada uma zona especial de proteção em volta de cada uma das estruturas.

Há oito anos que a Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres, que integra as câmaras de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, pedia a sua inclusão no inventário do patrimônio nacional.

As Linhas de Torres Vedras foram construídas sob a orientação do general inglês Wellington, comandante das tropas luso-britânicas no período das invasões francesas, para defender Lisboa das forças napoleônicas entre 1807 e 1814, durante a Guerra Peninsular.

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar em visita às Linhas de Torres Vedras em 2018

Em 2010, ano em que se comemoraram os 200 anos da construção das linhas defensivas, foram inauguradas obras de recuperação a que foram sujeitas e centros de interpretação, um investimento estimado em cerca de seis milhões de euros.

Em 2014, a empreitada de desmatamento, recuperação e reabilitação dos fortes venceu o prêmio Europa Nostra, na categoria “Conservação”.  Nesse ano, a Assembleia da República instituiu o dia 20 de outubro como o Dia Nacional das Linhas de Torres. 

As Linhas de Torres recebem por ano cerca de 10 mil visitantes, inclusive o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar, que esteve por lá em 2018, conhecendo os excelentes projetos de conservação e exploração turística desenvolvidos.

Parabéns ao Governo Português e à Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres pela iniciativa.

Fonte: Agência Lusa


domingo, 22 de abril de 2018

HISTÓRIA MILITAR EM PORTUGAL - PESQUISA DE CAMPO NAS LINHAS DE TORRES VEDRAS

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Dentre os eventos programados pelo Instituto Universitário Militar, tivemos a oportunidade de realizar uma pesquisa de campo em um sítio de História Militar muito importante, a Linha de Torres Vedras.

   
Juntamente com os professores de História Militar do Instituto Universitário Militar, coronel Leonel Martins e major Fernando Ribeiro, e com o coronel José Paulo Berger, do Gabinete de Arqueologia da Engenharia Militar do Exército Português, e responsável pelos trabalhos arqueológicos e de recuperação das fortificações da linha, pude percorrer, no terreno, os sítios das defesas de Lisboa, preparados por ocasião da Guerra Peninsular, no princípio do século XIX.  

O coronel Berger encontra-se à frente de um projeto de mais de dez anos, que reúne o Exército Português e os concelhos de diversas municipalidades para preservarem os vestígios arqueológicos das Torres e preservarem a memória das defesas portuguesas contra a invasão  francesa.


Mapa mostrando as Linhas de Torres Vedras



Reencenadores portugueses revisitando um dos enfrentamentos contra as tropas francesas durante a Guerra Peninsular


As Linhas de Torres eram um conjunto de fortificações, dispostas ao longo de três linhas de defesa, que tinham como objetivo impedir o acesso à Lisboa às forças da terceira invasão francesa.  As Linhas de Torres foram mandadas construir pelo Duque de Wellington, em outubro de 1809, com o objetivo de deter uma terceira invasão francesa que se visualizava. Tentava-se evitar que as forças napoleônicas chegassem a Lisboa.

Diante do fosso da Obra nº 18 - Reduto da Ajuda Grande, com seu fosso inundado pela chuva


Aspecto do reduto da Ajuda Grande, com cavalos de frisa restaurados


Na entrada do Reduto da Ajuda Grande

Nesse sentido foram construídas três linhas de defesa com várias dezenas de quilômetros. A primeira linha estende-se de Torres Vedras, passa pelo Sobral do Monte Agraço e termina em Alhandra. A segunda percorre as áreas de Mafra, Montachique e Bucelas. A terceira cobre a enseada de S. Julião das Barra.


O coronel engenheiro militar José Paulo Berguer, do Gabinete de Arqueologia da Engenharia Militar do Exército Português, e responsável pelos trabalhos arqueológicos e de recuperação das fortificações da linha, mostrando o dispositivo e a configuração defensiva do Forte da Carvalha (Obra nº 10)



Junto ao paiol de munições do Forte da Carvalha



Posição de comandamento do terreno a partir do Forte da Carvalha, sobre o vale onde se deslocavam as forças francesas.

As construções defensivas aproveitaram as irregularidades do terreno e compreendiam linhas de trincheiras, baluartes de artilharia, fortins e fortes. Em alguns pontos foram também abertos fossos ou realçados acidentes naturais do terreno.

A construção deste intricado sistema de defesa levou cerca de um ano, e Wellington esperava parar as tropas francesas antes destas chegarem à capital ou, pelo menos, ganhar tempo para embarcar as tropas ingleses em Lisboa.


No mirante do Forte do Alqueidão (Grande Forte - Obra nº 14), uma das posições-chave das Linhas de Torres Vedras



Estrada militar (à esquerda), construída para fazer a ligação entre os fortes e redutos.



Planta do Forte do Alqueidão



No interior do paiol do Forte do Alqueidão

Após a batalha do Buçaco, em 27 de setembro de 1810, as tropas francesas continuaram a avançar apesar da derrota. As primeiras unidades francesas avistaram as linhas de torres em 11 de outubro e o marechal Massena, comandante francês, percebeu que seria impossível ultrapassar o obstáculo sem reforços.


Diante das muralhas do Forte São Vicente, em Torres Vedras, com uma guarnição de 2.000 homens e 26 bocas de fogo

Registro aqui o meu agradecimento ao coronel José Paulo Berger, do Gabinete de Arqueologia da Engenharia Militar do Exército Português, responsável pelo trabalho arqueológico e pela sensibilização das municipalidades no sentido da preservação do patrimônio histórico-militar. 

Homenageando o Regimento de Engenharia nº 1, tradicional unidade de Engenharia do Exército Português, que, ao longo de mais de dez anos, vem trabalhando em prol da preservação da Linha de Torres Vedras


A equipe que realizou o trabalho de campo. Muito orgulho e convicção da importância histórica do sítio.



domingo, 30 de julho de 2017

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CAPITÃO-DE-FRAGATA LUÍS BARROSO PEREIRA

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* ??/??/1786 - Minas Gerais

+ 27/04/1826 - Montevidéu, Uruguai


O Capitão-de-Fragata Luís Barroso Pereira, era filho do Desembargador Antônio Barroso Pereira e de dona Maria Inácia de Castro Sampaio, nasceu em Minas Gerais, em 1786. Mandado para Lisboa, matriculou-se aos 15 anos de idade na Real Academia dos Guardas-Marinha.  Ao concluir o curso, demonstrou, de imediato, “as suas belas qualidades de oficial hábil e inteligente.”

Distinguiu-se pelo seu zelo e galhardia, quando, no comando de algumas barcas-canhoneiras, prestou inestimáveis serviços na guerra da península, principalmente em Santarém, quando ai se achava o General francês Massena. Em 1816, regressou ao Brasil, fazendo parte da esquadra que sob o mando de José Rodrigo Lôbo dirigia-se à Banda Oriental, transportando as tropas do General Lecor (Voluntários Reais), com o fito de combater Artigas.  Depois de desembarcar as tropas em Santa Catarina a esquadra seguiu para o Rio da Prata onde estacionou. 

Após a vitória de India-Muerta, Lecor entrou triunfalmente em Montevidéu. Precisava ele enviar a Buenos Aires um comissário que tratasse com esse governo de assuntos importantíssimos, concernentes à guerra na Banda Oriental. Era mister que o encarregado dessa missão possuísse, a par da habilidade, circunspeção, prudência e ilustração. O Almirante Lôbo enviou ao General o jovem Barroso, dizendo-lhe que não encontraria, nem no Exército nem na Esquadra, oficial mais inteligente, hábil e probo. Depois de receber Instruções do General Lecor, Barroso Pereira dirige-se a Buenos Aires, onde saiu-se muito bem, graças a seu trato afável e sua bela educação. Conservou-se algum tempo em Buenos Aires, retirando-se depois para o Rio de Janeiro.

Com a proclamação da Independência, embarcou na Fragata Nichteroy como seu imediato, e, com Lorde Cochrane, partiu para a Bahia, a fim de combater a esquadra portuguesa, que se rebelou contra o novo governo. Destacou-se no combate de 4 de maio de 1823.

Taylor culminou de elogios o seu imediato, e como recompensa dos seus serviços, Barroso Pereira recebeu o Oficialato da Imperial Ordem do Cruzeiro, sendo nomeado para comandar a Fragata Imperatriz, que se achava no Pará.  Tomou parte na pacificação de Pernambuco.

Regressando ao Rio de Janeiro, ai se achava ele, quando irrompeu a Guerra da Cisplatina.
Comandando a fragata Imperatriz, foi enviado para Montevidéu a fim de garantir as Província Unidas do Prata. Nessa luta, voltou a demonstrar a sua desmedida bravura.

A esquadra argentina, sob o comando, do Almirante William Brown, não cessava de hostilizar as forças brasileiras, atacando a Colônia do Sacramento e Montevidéu. Brown alimentava a ideia de capturar um navio brasileiro, mesmo no seio da nossa esquadra. Pretendia, sobretudo, aprisionar a Nichteroy, comandada por Norton, seu rival em audácia.

Para isso, com seis dos seus melhores navios, foi fundear junto ao banco Ortiz; posteriormente, fez-se de vela e penetrando durante a noite entre os navios ali fundeados, procurou a Nichteroy e, ao invés dela, atacou a Imperatriz “que se achava distante dos demais e com o aparelho arriado para refrescar.”

Brown enganara-se; não era Norton o rival com quem ia medir-se, mas outro não menos digno, o Capitão-de-Fragata Luis Barroso Pereira. Depois de um rude combate que durou uma hora e um quarto, a fragata Imperatriz repele o inimigo.  

O navio transporte de tropa Barroso Pereira (G-16) foi batizado em homenagem ao comandante da fragata Imperatriz, morto na Cisplatina


Mortalmente ferido, ao tombar, ainda teve uma palavra de incentivo aos seus camaradas, quando gritou: “Não foi nada camaradas! Ao Fogo!”  Muitos foram os esforços para salvá-lo. Poucos momentos depois expirou. Era o dia 27 de abril de 1826.

Em homenagem a Luís Barroso Pereira, o navio de transporte de tropas Barroso Pereira - G-16 foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome. Foi construído pelo estaleiro Ishikawajima Heavy Industries Co. Ltd., em Tóquio, no Japão. Teve sua quilha batida em 13 de dezembro de 1953, foi lançado ao mar em 7 de agosto de 1954, e entregue à Marinha do Brasil em 1° de dezembro de 1954, sendo incorporado em 22 de março de 1955. Em 3 de abril de 1995 deu baixa do serviço ativo.

Fontes:
- ANDRÉA, Júlio. A Marinha Brasileira: florões de glórias e de epopeias memoráveis. Rio de Janeiro, SDGM, 1955.
- NOMAR - Notícias da Marinha, Rio de Janeiro, SRPM, n.º 541, set. 1988.
- Biografia de Luís Barroso Pereira, de autoria do Barão do Rio Branco.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

DESCOBERTO DIÁRIO QUE CONTA A HISTÓRIA DE CERCO ANGLO-PORTUGUÊS NA GUERRA PENINSULAR

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O título não desvenda muito. “Journal 1811”, da propriedade de John Squire, um oficial do exército inglês, é nada mais nada menos que um importante documento que nos conduz à história do século XVIII, num momento em que Napoleão tentava expandir o seu império. E para qualquer português, há algo na capa que nos capta imediatamente a atenção. A palavra “Alentejo”, no canto superior direito.

Tudo porque, neste diário, o oficial inglês, elogiado pelo seu especial talento para a escrita, descreve alguns detalhes técnicos do cerco anglo-português de 1811 a Badajoz, liderado pelo Duque de Wellington.

Mas como foi um diário de um oficial inglês, que escreve sobre o Alentejo, parar a uma livraria de livros em segunda mão na Tasmânia? “Os donos anteriores colecionaram centenas de milhares de livros”, explicou Mike Gray, um dos proprietários da Cracked and Spineless. “Alguns deles estavam num armário, por isso pedi a uma pessoa interessada em livros antigos para ver se encontrava alguma coisa. Trouxeram-me o diário e eu pensei 'está bem, talvez uns 20 dólares, mas vou verificar’”, acrescentou.

O interior do diário encontrado na Austrália quase por acaso
 
O que Mike Gray não esperava era que os especialistas viessem a considerar este diário um verdadeiro achado. John Squire é conhecido pelos historiadores por ser referido várias vezes em relatórios do Duque de Wellington. Há inclusive cartas da autoria de Squire na British Library.

Para Gavin Daly, perito na Guerra Peninsular da Universidade da Tasmânia, este diário é um “tesouro”, tendo adiantado à BBC que a correspondência entre a caligrafia do diário e a do oficial do exército britânico já foi confirmada.

O vida de John Squire após o cerco de Badajoz foi curta: o oficial inglês morreu em 1812, vítima de doença.

Fonte: BBC

sábado, 16 de maio de 2015

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL WILLIAM CARR BERESFORD

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* ??/??/1768 - Irlanda

+ 08/01/1854


William Carr Beresford nasceu em 1768 na Irlanda, filho ilegítimo do Marquês de Waterford e protegido pelo Partido Tory, onde era amigo de Arthur Wellesley. Serviu no Exército Britânico em Toulon (1793), foi tenente-coronel na Índia, coronel do 88º Regimento no Egito (1801), brigadeiro no Cabo da Boa Esperança, e ocupou Buenos Aires (1806), onde foi aprisionado. Comandou a ocupação da Madeira em dezembro de 1807 e aí aprendeu português. Comandou a expedição da Corunha em 1809 e regressou a Portugal.

Foi em Portugal Marquês-de-Campo-Maior, título recebido por decreto de 17 de dezembro de 1812 de D. Maria I, e Conde de Trancoso; Visconde de Beresford na Grã-Bretanha. Era de grande estatura e corpulento, sendo a presença realçada por um rosto muito irregular e de aparência algo sinistra, pois tinha o olho esquerdo vazado por um tiro, o que surpreendia os interlocutores. Nomeado Marechal do Exército, em março de 1809, pelo Conselho de Regência, Beresford aproveitou a reorganização das forças militares criada por D. Miguel Pereira Forjaz para a adaptar ao serviço de campanha nos moldes do exército britânico.

Encontrando o exército desfalcado pela ausência dos comandos no Brasil e na Legião Portuguesa, e pela relativa velhice e ineficácia de muitos dos oficiais, recorreu à atribuição de comandos a oficiais britânicos, tendo plenos poderes para nomear e demitir (hire and fire) os subordinados. Dentre outras medidas, Beresford criou os depósitos de recrutamento em Peniche, Mafra e Salvaterra; presidiu à distribuição das novas armas e equipamentos; levou um exército treinado à prussiana a manobrar à inglesa; introduziu Ordens do Dia para informar o exército e apurar a disciplina: tanto se lhe conhecem mandatos de prisão e de execução sumária sem julgamento em tribunal militar, como louvores e promoções por mérito. João Pedro Ribeiro chamou-lhe moderador e animador do exército.

Foi um enérgico administrador. Sendo o melhor dos segundos, Wellington preferia-o como seu lugar-tenente, posto muito evitado pelos generais britânicos mais antigos. Era pessoalmente muito bravo, destacando-se em Albuera, onde teve de combater a corpo-a-corpo com um lanceiro polaco, sendo depois auxiliado por um cavaleiro português. Em Salamanca, comandou pessoalmente o ataque da 3ª Brigada portuguesa que imobilizou o contra-ataque francês, ficando gravemente ferido.

Era adulado até 1815 pela população que reconhecia nele o artífice da vitória. Contudo, sua carreira de “protetor” de Portugal após o fim da guerra apagou muito do que lhe deve o país.

Após o julgamento e execução do tenente-general Gomes Freire de Andrade e outros, em 1817, deslocou-se ao Brasil para pedir maiores poderes. Havia pretendido suspender a execução da sentença até que fosse confirmada pelo soberano mas a Regência, "melindrando-se de semelhante insinuação como se sentisse intuito de diminuir-se-lhe a autoridade, imperiosa e arrogante ordena que se proceda à execução imediatamente" (Rocha Pombo, "História do Brasil", volume IV, p. 12). 

Beresford como comandante do Exército Português

Diz o mesmo autor: "Não pequeno susto causou no Rio a vinda inesperada de Beresford. Convocou imediatamente D. João o seu conselho." Achada a fórmula para a solução do momento, "reformou-se a constituição da Regência, reduzindo-lhe as funções ao meramente administrativo e concentrando a autoridade política nas mãos de um delegado imediato do soberano, com o título de marechal-general junto à sua real pessoa. Fizeram então voltar para Lisboa o marechal Beresford investido de tão alto posto, como se respondessem assim aos clamores do povo português - entregando-o à tutela humilhante, ao arbítrio e às truculências daquele estrangeiro."

Mas, afastando para a América o inglês, os absolutistas facilitavam a execução do plano dos liberais: assim que o marechal partiu, em 2 de maio de 1820, trataram os governadores do reino de estabelecer o mais cauteloso sistema policial e de repressão. Fechou-se Portugal ao mundo, e deixou-se a Regência ficar desapercebida dos riscos que sobrevinham. A cidade do Porto levantou-se então contra o obscuro regalismo da Regência. Ali se fundara o Sinédrio, ali Fernandes Tomaz e Silva Carvalho reuniam ao redor de si outros chefes de prestígio. Tudo se preparou para o rompimento, e pela madrugada de 24 de agosto rompeu a revolução.

No regresso do Rio de Janeiro pela nau Vengeur, fundeada no Tejo em 10 de outubro, Beresford foi impedido pela Junta de desembarcar em Lisboa e regressou à Grã-Bretanha.

Ainda esteve em Portugal em 1823 procurando vergar D. João VI às tentativas absolutistas de D. Miguel.

Contribuiu para as obras Strictures on Napier’s History e Further Strictures, escritas por Benjamin D'Urban, refutações da História da Guerra Peninsular de William Napier, que confirmam o respeito pelo exército português, que comandou durante onze anos.
 
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ARMAS – FUZIL BAKER, O MATADOR DE GENERAIS

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Os estados germânicos eram especialmente eficientes na elaboração de tecnologias e táticas de emprego de fuzis.  Pequenas unidades de caçadores prussianos (Jägers) entraram em ação em 1740, empregadas em missões de emboscada, reconhecimento e tiro de precisão.  O fuzil clássico dos caçadores – Jäger Rifle - possuía calibre aproximado de 0,75 polegada, comprimento do cano de 762 a 814 mm e uma coronha curta para absorver o impacto do tiro contra o ombro do atirador.


Atiradores de elite e marcadores

Por intermédio de imigrantes alemães e suíços, os fuzis de caçadores influenciaram o desenvolvimento dos fuzis nos EUA.  Os fuzis “Kentucky” e “Pensylvania” utilizavam como base o mesmo projeto do fuzil de caçadores, mas em escala menor, com calibres entre 0,40 e 0,54 polegada.  Nas mãos de atiradores de elite norte-americanos, que utilizavam táticas de camuflagem e de tiro não convencionais, estes fuzis infligiram baixas terríveis às forças britânicas durante a Guerra de Independência dos EUA (1775-1783), particularmente entre os oficiais.  Os fuzis eram capazes de acertar e neutralizar um homem a 350 metros e seu efeito na cadeia de comando e controle inimiga costumava ser profundo.  Durante a batalha de Freeman’s Farm, por exemplo, travada em 19 de setembro de 1777, um atirador de elite americano atingiu e matou o general Simon Fraser, provocando a retirada das tropas britânicas.



Lições aprendidas

Enquanto muitos oficiais britânicos perdiam tempo criticando o comportamento “não adequado” de soldados comuns matarem cavalheiros oficiais, as lições não foram desperdiçadas por outros.  A capacidade do fuzil nas emboscadas foi ratificada quando versões francesas entraram em serviço nas primeiras batalhas das Guerras Revolucionárias francesas.  Uma pequena quantidade de soldados britânicos foi equipada no final da década de 1770 com fuzis Ferguson, mas demoraria até o início do próximo século para que o Exército Britânico passasse a dispor de unidades de fuzileiros em maior quantidade.

Soldados do 95º Regimento de Fuzileiros britânico disparando seus fuzis Baker durante as Guerras Napoleônicas

Em 1798 o Escritório de Material Bélico britânico começou a buscar alternativas ao fuzil Ferguson, extremamente caro para os padrões da época.  O fuzil Jäger foi a escolha natural e aproximadamente 5.000 exemplares foram distribuídos a várias unidades de infantaria ligeira.  No ano seguinte, o armeiro Ezekiel Baker recebeu a incumbência de desenvolver um novo fuzil, baseado no modelo Jäger, mas adaptado para uso britânico.  O resultado foi lendário fuzil Baker, adotado para o serviço em 1800, e distribuído, inicialmente, ao 95º Regimento de Fuzileiros.  Inicialmente produzido com calibre 0,7 polegada, a maior quantidade produzida foi de calibre menor - 0,62 polegada – com um cano que possuía 7 raias.  Seu comprimento total (1,156 m) era menor do que o do mosquete Brown Bess, anteriormente adotado pelo Exército Britânico, o que fazia do fuzil Baker uma arma de excepcional desempenho para uso em emboscadas por atiradores camuflados.

O fuzil Baker com seus acessórios


 O fuzil Baker era, sob muitos aspectos, diferente dos modelos anteriores.  Sua importância, no entanto, deve-se ao fato de auxiliar o Exército Britânico na transição da tática do tiro emassado em linha para a do fogo e movimento.  O 95º Regimento era conhecido pelo uso inteligente do terreno e pela habilidade de seus atiradores atingirem alvos em alcances superiores a 180 metros, em especial, oficiais, sargentos, tambores e artilheiros inimigos.

Durante a retirada da Coruña, no inverno de 1808-1809, os fuzileiros britânicos foram empregados para resguardar a retaguarda dos freqüentes ataques da cavalaria francesa que os perseguia.  Em 3 de janeiro de 1809, o fuzileiro Thomas Plunkett ocupou uma posição elevada e, com seu fuzil Baker, atingiu o general Auguste-Marie François Colbert, comandante da cavalaria francesa, matando-o.  A morte do general desorganizou os franceses e permitiu o retraimento em segurança das tropas britânicas.


O fuzileiro Thomas Plunkett dispara seu fuzil Baker, matando o General francês Colbert, em 3 de janeiro de 1809 na Espanha


As lições aprendidas pelo 95º foram aproveitadas por todo o exército, mas, com a introdução do cartucho (estojo + carga + projétil) e de processos de fabricação mais baratos no final do século XIX, o fuzil Baker tornou-se obsoleto.  Como legado, ficou a certeza de que, na era do fuzil, o soldado que se expunha em combate era um homem morto.


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