"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quarta-feira, 4 de março de 2026

DIETRICH VON SAUCKEN - O GENERAL QUE ENFRENTOU HITLER

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* 16/5/1892 -  Fischhausen, Alemanha
Por por Nigel Mountford
+ 27/9/1980 - Munique, Alemanha


Este, na foto à direita, é o General Dietrich von Saucken, literalmente um arquétipo do general prussiano, imagem reforçada por seu monóculo.

Durante a 1ª Guerra Mundial ele foi ferido sete vezes em combate, sendo por isso altamente condecorado. A serviço do Exército Alemão, esteve por algum tempo na Rússia, onde aprendeu o idioma local.

Atuou em diversas batalhas da 2ª Guerra Mundial, sendo condecorado mais algumas vezes (Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro - 6 de janeiro de 1941); com Folhas de Carvalho (22 de agosto de 1943); Espadas (31 de janeiro de 1944); e Diamantes (8 de maio de 1945), adquirindo a fama de tentar salvar o máximo possível de seus comandados. Em Fevereiro de 1945, após 35 anos de leais e relevantes serviços, foi demitido por expressar sua opinião de que era inútil continuar a guerra.

Um mês depois, foi reintegrado - era um general muito bom para não ser aproveitado. Hitler convocou Von Saucken ao seu 'bunker' e lhe deu a ordem: defender a Prússia (o centro da Alemanha) contra o avanço da Rússia. À sua chegada, olhares nervosos foram trocados entre os auxiliares diretos de Hitler, que parecia não perceber o desprezo que Von Saucken demonstrava abertamente contra ele. O general agia de forma casual, portando sua espada de Cavalaria (o que era proibido na presença de Hitler), e havia saudado apaticamente o Fuhrer, deixando de fazer a saudação nazista que era obrigatória a todos os oficiais frente a Hitler, desde o ano anterior.

Von Saucken olhava seu chefe com indisfarçável aversão. Hitler falou de forma calma: "e você vai se reportar ao gauleiter Forster" (gauleiter =  líder nazista local). Isso não combinava com Von Saucken: um general prussiano receber ordens de um chefete partidário?  Von Saucken lançou um olhar fulminante a Hitler. Sua expressão facial parecia dizer: "Sai fora, Cabo".  Hitler não percebeu, ele olhava seus mapas sobre a mesa. Dietrich Von Saucken inclinou-se sobre a mesa e bateu fortemente sua mão nela. Isto chamou a atenção de Hitler. Von Saucken o olhou nos olhos e disse: "Eu não tenho nenhuma intenção, Herr Hitler, de receber ordens de um gauleiter!"

Imagina-se que poderia se ouvir a queda de um alfinete na sala. Fegelein (general da Waffen-SS e concunhado de Hitler) havia sido morto por muito menos do que isso. Von Saucken estava claramente se rebelando, recusando uma ordem direta de Hitler e menosprezando-o ao tratá-lo como Herr Hitler e não como os regulamentos determinavam, "Mein Fuhrer".

Houve silêncio por algum tempo. Então Hitler falou em voz baixa: "Tudo bem, Saucken, você será o seu Comandante". E acenou para que o general se fosse. Von Saucken fez um arremedo de continência e, novamente sem fazer a saudação nazista, virou as costas para Hitler e saiu, para nunca mais se verem.

General de Cavalaria Dietrich von Saucken fotografado durante a guerra

O que mais espanta nesta história é que Hitler, o homem que os homens temiam desobedecer ou desagradar, simplesmente cedeu quando confrontado por um homem melhor que ele. E na frente de sua equipe de assessores. Se houvesse mais homens como Von Saucken, Hitler poderia ter sido interrompido antes de destruir seu país.

Von Saucken comandou seus homens com correção até o último dia da guerra. Foi determinado que ele deveria deixar a Prússia em um navio quando começou a evacuação dos alemães, mas ele preferiu continuar lutando e enviou seus subordinados feridos em seu lugar. Pouco antes do fim, um avião foi enviado para que ele escapasse de ser capturado pelos russos. Ele se recusou a abandonar seus subordinados, e enviou de volta o avião, com soldados feridos em seu lugar.

Em 8 de maio, quando houve o final oficial da guerra na Europa, recebeu sua última condecoração, e foi o último alemão condecorado na guerra. Como era previsível, os russos o trataram cruelmente. Ele já devia imaginar o que iria acontecer quando recusou-se a abandonar seus comandados. As torturas físicas que os russos lhe infligiram o colocaram em cadeira de rodas para o resto de sua vida. Após dez anos de cativeiro, Dietrich Von Saucken foi repatriado e aposentou-se, indo morar na Baviera onde dedicou-se à pintura.  

Ele foi um conservador, e provavelmente um nacionalista. Não fez parte de grupos de resistência e não há registro de seu envolvimento com os conspiradores de Von Stauffenberg.

Acredito que ele foi a melhor representação do tradicional Cavalariano germânico, e que, se o restante das Forças Armadas alemãs tivesse sido composta por homens como Dietrich Von Saucken, não teriam ocorrido crimes de guerra, nem crimes contra a humanidade, e, possivelmente, sequer a 2ª Guerra Mundial.

Acredito, ainda, que se o Estado-Maior alemão na 1ª Guerra Mundial fosse constituído por homens como ele, meu país - o Reino Unido - seria uma colônia alemã desde 1918. 


Bibliografia:

- BEEVOR, A. Berlin the Downfall: 1945

- BOLDT, G. Hitler’s Last Days: An Eye-Witness Account 

Fonte:  War History Online


sábado, 28 de fevereiro de 2026

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - TENENTE-GENERAL MORDECHAI GUR

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* 6/5/1930 - Jerusalém, Israel

+ 16/7/1995 - Tel Aviv, Israel


O tenente-general Mordechai "Motta" Gur foi um militar e político israelense e o 10º Chefe de Gabinete das Forças de Deefesa de Israel (IDF). Durante a Guerra dos Seis Dias (1967) comandou a divisão que penetrou na Cidade Velha de Jerusalém e transmitiu as famosas palavras: "O Monte do Templo está em nossas mãos!" Como Chefe de Gabinete foi responsável pelo planejamento e execução da Operação Entebbe (1976), para libertar reféns judeus em Uganda. Mais tarde, entrou no partido Knesset e ocupou várias pastas ministeriais.

Gur nasceu em Jerusalém em 1930 e, mais tarde, se juntou ao Palmach Haganah, o grupo armado subterrâneo dos judeus no Mandato Britânico da Palestina. Continuou a servir como oficial com a fundação da IDF, durante a Guerra árabe-israelense de 1948.

Nas IDF, Gur serviu como paraquedista durante a maior parte de sua carreira, e se tornou um dos símbolos da Brigada Paraquedista. Durante os anos 1950, comandou uma companhia sob as ordens de Ariel Sharon. Gur foi ferido durante uma missão de contraterrorismo ao invadir Khan Yunis, em 1955, e recebeu uma recomendação de honra do Chefe de Gabinete Moshe Dayan. Em 1957, foi nomeado ajudante do comandante da brigada. Depois de servir nessa posição, Gur foi estudar na École Militaire em Paris.

Em 1966 foi nomeado comandante da 55º Brigada Paraquedista da Reserva, a qual liderou durante a Guerra dos Seis Dias. Gur e suas tropas faziam parte da força de assalto que tomou Jerusalém dos jordanianos, e que foi a primeira a visitar o Muro das Lamentações e o Monte do Templo. As imagens de paraquedistas chorando na gravação  junto ao Muro e as palavras de Gur nas redes de comunicação, "O Monte do Templo está em nossas mãos!"  tornaram-se um dos símbolos mais tocantes da guerra junto ao público israelense.

Soldados israelenses plantam sua bandeira no Monte do templo, em 1967. na ocasião, Gur transmitiu a famosa mensagem: "O Monte do Templo está em nossas mãos!"


Em 16 de julho de 1995, gravemente doente com câncer terminal, Gur cometeu suicídio com um revólver. Tinha  a idade de 65 anos.

Em sua homenagem, a Área 21, uma base militar localizada na Planície Sharon, foi renomeada como Campo Motta Gur. Na cidade de Modiin, uma rua e uma escola foram batizados com seu nome.



sexta-feira, 20 de junho de 2025

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL MASAHARU HOMMA

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* 27/11/1887 – Sado, Japão

+ 03/05/1946 – Los Baños, Filipinas


O tenente-general Masaharu Homma foi o comandante das tropas que invadiram e ocuparam as Filipinas durante a 2ª Guerra Mundial, responsável pela "Marcha da Morte" contra prisioneiros norte-americanos e filipinos em 1942, pela qual seria executado como criminoso de guerra ao final do conflito.

Homma era conhecido como um militar moderado, não-fanático, escritor amador apelidado de "general poeta", com profundo respeito pela civilização ocidental, tendo morado na Inglaterra e estudado em Oxford, no começo do século

. Após a queda de Nanquim, China, na guerra Sino-Japonesa, declarou publicamente que “ao menos que a paz seja conseguida imediatamente, haverá um desastre”. Durante as batalhas, ele pintava e compunha poesias.


Crime de guerra

No começo da guerra no Pacífico, Homma comandou com sucesso o 14º Exército japonês na invasão das Filipinas, em dezembro de 1941, pouco depois do ataque japonês a Pearl Harbor.  Apesar das vitórias conquistadas por suas tropas, seu comportamento com relação aos civis filipinos, ordenando a seus soldados que evitassem o saque e o estupro da população civil, e que os tratassem como amigos e não inimigos, respeitando seus costumes e religião, causaram desagrado a seus superiores e um princípio de rebelião entre oficias subordinados mais fanáticos. Acabou causando sua destituição e remoção para o Japão, após a vitória de Corregidor, pelo que o comando central do Exército Japonês considerava falta de agressividade na guerra, que custou ao Japão uma inesperada demora em derrotar as forças norte-americanas nas Filipinas.

 Prisioneiros americanos durante a "Marcha da Morte", que seria responsável pela condenação de Homma após a guerra

Entretanto, seu comportamento leniente em relação à população não foi imitado no tocante aos militares inimigos prisioneiros de guerra. Após a vitória das forças japonesas sob seu comando, na Batalha de Bataan, a mais dura das batalhas pela conquista das Filipinas, Homma ordenou que os prisioneiros americanos e filipinos fossem levados a pé, da península de Bataan até o campo de prisioneiros O'Donnell, em uma marcha de mais de 150 km sem água e comida, sob forte calor, atacados pela malária e sem descanso. 75 mil prisioneiros participaram da marcha, que causou a morte de cerca de 650 americanos e de 10 mil filipinos, a qual ficou conhecida nos anais militares como " a marcha da morte". 


Este fato lhe custaria a vida ao final da guerra.
 


Julgamento e execução

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Após a rendição japonesa em 1945, Homma, que se encontrava desligado do Exército e na obscuridade em Tóquio, desde o episódio das Filipinas, foi preso e levado de volta ao país por ordem do general Douglas MacArthur e submetido a corte marcial perante a Comissão Aliada de Crimes de Guerra.


 Homma com seus oficiais nas Filipinas

Sua responsabilidade direta na "marcha da morte" não ficou absolutamente clara, já que ele havia emitido ordens para o transporte de prisioneiros ainda durante as batalhas pela conquista de Corregidor, onde norte-americanos e filipinos ainda lutavam e nas quais ele estava focado, e ela foi levada cabo por seus oficiais, sem que ele tomasse conhecimento dos detalhes da operação, assim como das atrocidades cometidas pelos japoneses aos prisioneiros após a chegada ao campo de destino.

O tenente-general Masaharu Homma conversa com sua esposa, Fujiko Homma, durante um breve recesso em seu julgamento por crimes de guerra em Manila, Filipinas, em 7 de fevereiro de 1946. Pouco depois, a Sra. Homma depôs em defesa do marido.

Ainda assim, foi considerado culpado e condenado à morte por crimes de guerra pela Comissão,em um veredicto criticado por juristas, que consideraram seu julgamento irregular e carregado de fatores emocionais. A mulher de Homma pediu clemência ao general MacArthur, mas teve seu pedido negado.

Masaharu Homma foi executado por um pelotão de fuzilamento no dia 3 de abril de 1946 em Los Baños, nas cercanias de Manila, a cidade que havia conquistado quatro anos antes.


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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL PAUL VON LETTOW-VORBECK

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* 20/3/1870 - Saarlouis, Prússia

+ 9/3/1964 - Hamburgo, Alemanha



Paul Emil von Lettow-Vorbeck, conhecido como "O leão da África", foi um general alemão, comandante da campanha da África Oriental Alemã na Primeira Guerra Mundial, a única campanha colonial dessa guerra onde a Alemanha não foi derrotada. Também foi o único comandante a invadir solo britânico na Primeira Guerra Mundial.

A sua primeira missão de relevo aconteceu em 1900 quando, ainda tenente, foi encarregue de comandar um destacamento alemão que colaborou com forças militares de outras potências europeias na contenção da Rebelião Boxer, na China.

Em 1904 partiu para o Sudoeste Africano Alemão (atual Namíbia) como ajudante-de-campo do general Martin Chales de Beaulieu, comandante das forças enviadas para apoiar as Schutztruppe (as “tropas de proteção”) da colônia na denominada Guerra dos Hotentotes, a insurreição dos povos nama e herero que ocorreu entre 1904 e 1908 e que conduziu ao genocídio dos hereros e namas, a primeira grande catástrofe humanitária do século XX. Nessa campanha foi ferido no olho esquerdo e forçado a retirar-se para a África do Sul, onde, durante essa estadia forçada, conviveu com o general Jan Smuts, de quem se tornaria amigo para toda a vida, apesar de depois ter de o enfrentar durante a Primeira Guerra Mundial.

No princípio de 1914, von Lettow-Vorbeck foi escolhido para comandante da pequena guarnição alemã de 300 soldados e doze companhias de askari que guarneciam a África Oriental Alemã, atual Tanzânia. Com o início da guerra na Europa, em agosto daquele ano, sabendo da vantagem do poder iniciativa num contexto periférico ao palco do conflito principal, como era no caso a África Oriental, ignorou as ordens recebidas do governo de Berlim e do governador da colônia, o Dr. Heinrich Schnee, que insistiam na necessidade de manter a neutralidade da África Oriental Alemã.

Oficiais alemães instruindo tropas askari na África Oriental


Von Lettow-Vorbeck de imediato ignorou as ordens do governador, nominalmente seu superior, e preparou-se para a guerra, a qual se iniciou por um ataque anfíbio à cidade de Tanga, que teve lugar entre 2 e 5 de novembro de 1914, repelindo os britânicos e os seus aliadas na ação que ficou conhecida pela Batalha de Tanga, uma das mais violentas de toda a campanha.

Reuniu então os escassos homens e suprimentos disponíveis e preparou-se para ganhar a iniciativa e atacar as ferrovias britânicas na África Oriental. No processo conseguiu uma segunda vitória sobre os britânicos, vencendo a Batalha de Jassin, travada a 18 de janeiro de 1915.

As vitórias que foi conseguindo permitiram-lhe capturar armamento moderno e outros abastecimentos urgentemente necessários, dado o isolamento das forças alemães em relação à metrópole, consequência do bloqueio naval aliado ao Império Alemão.

Para além das vantagens logísticas, as vitórias deram grande impulso ao moral de seus homens, embora von Lettow-Vorbeck também nelas perdesse muitos dos seus soldados mais experientes, entre eles o "esplêndido” capitão Tom von Prince, que não poderiam facilmente ser substituídos no isolamento em que se encontrava.

O plano de von Lettow-Vorbeck para era simples: sabendo que no contexto da guerra a África Oriental não passaria de um palco periférico, decidiu capturar o máximo de tropas britânicas possível e manter o máximo de pressão sobre as forças remanescentes, pois as removeria da Frente Ocidental, contribuindo dessa forma para a vitória alemã na Europa.

Von Lettow-Vorbeck sabia que podia contar com os seus oficiais, altamente motivados e competentes (sua taxa de vítimas era certamente prova disso). Como consequência das perdas custosas de pessoal, passou a evitar confrontos diretos com soldados britânicos, em vez disso levou seus homens a engajar invasões de guerrilha nas províncias britânicas do Quênia e da Rodésia, atacando os fortes britânicos, ferrovias e comunicações - tudo com o objetivo de forçar a Entente a desviar o efetivo do teatro de guerra na Europa. 

Von Lettow-Vorbeck utilizou os canhões do cruzador Königsberg (afundado em 1915) como artilharia de campanha para apoiar suas tropas africanas


Convocou 12.000 soldados, a maioria deles askari, mas todos bem treinados e bem disciplinados. Os askari ganharam uma especial reputação pela sua capacidade de luta e lealdade. Von Lettow-Vorbeck também servia como comandante-modelo, ganhando pelo exemplo o respeito e lealdade dos seus homens. Percebeu as necessidades críticas da guerra de guerrilha em que ele usou tudo o que lhe era disponível se tratando de suprimento, inclusive o grupo e artilharia do cruzador alemão SMS Königsberg (afundado no delta do Rio Rufiji em 1915), que possuía uma tropa capacitada sob o comando de Max Looff, bem como suas numerosas armas, que foram convertidas em peças de artilharia para a luta em terra, representando o mais alto padrão de peças de artilharia de terra usadas na guerra.

Em março de 1916, os britânicos, sob o comando do seu amigo general Jan Smuts, lançaram uma formidável ofensiva com 45.000 homens. Von Lettow-Vorbeck pacientemente usou o clima e o terreno como seus aliados enquanto suas tropas lutavam contra os britânicos em condições vantajosas. Os britânicos, entretanto, continuaram enviando mais tropas forçando von Lettow-Vorbeck a ceder território. Não obstante, ele conseguiu impor por diversas vezes pesadas derrotas aos britânicos, incluindo uma em Mahiwa, em outubro de 1917, onde perdeu 100 homens enquanto os britânicos perderam 1.600 homens.

Companhia de soldados askari com seus oficiais e sargentos alemães na África Oriental


Apesar dos seus esforços, os britânicos mantinham uma decisiva vantagem em efetivo, e não tinha ilusões de que qualquer território que ele capturasse poderia ser guarnecido por muito tempo. Decidiu então fazer uma incursão na direção sul, penetrando na então colônia portuguesa de Moçambique, onde ganhou homens e abastecimentos ao atacar guarnições portuguesas. Reingressou no território da África Oriental Alemã em agosto de 1918, apenas para rumar para oeste e atacar a Rodésia do Norte, evitando a armadilha que os britânicos lhe haviam preparado na África Oriental Alemã.

A 13 de novembro de 1918, dois dias após a assinatura do Armistício de Compiègne, tomou a cidade de Kasama, que os britânicos haviam evacuado, naquela que foi a última vitória alemã no conflito. Daí continuou rumando para sudoeste, internando-se no coração de África em direção ao Katanga. Quando alcançou o rio Chambeshi, na manhã de 14 de novembro, o magistrado britânico Hector Croad apareceu sob uma bandeira branca e entregou uma mensagem do tenente-general Sir Jacob van Deventer, informando-o do armistício. Von Lettow-Vorbeck imediatamente concordou com um cessar-fogo. O local onde o encontro ocorreu, hoje território da Zâmbia, está assinalado pelo Memorial von Lettow-Vorbeck.

Aceitou então as instruções dos britânicos para se dirigir com as suas forças para norte, até Abercorn (atual Mbala) para aí formalmente render o seu exército invicto, o que ocorreu a 23 de novembro. As suas forças consistiam então de 30 oficiais alemães, 125 sargentos e outros postos graduados e 1.168 askaris.

Rendição das tropas de Von Lettow-Vorbeck em Abercon, na visão de um desenhista africano


Em 1964, ano em que von Lettow-Vorbeck faleceu e meio século após sua chegada a Dar es Salaam, o Bundestag da Alemanha Ocidental votou uma dotação destinada a financiar o pagamento dos salários devidos aos askari ainda vivos. Foi instalada uma pagadoria temporária em Mwanza, nas margens do Lago Vitória, à qual os interessados se deveriam dirigir. Contudo, dos cerca de 350 sobreviventes, apenas um grupo limitado dispunha dos certificados que von Lettow-Vorbeck lhes havia entregue em 1918. Outros apresentaram como prova pedaços de seus velhos uniformes, mas muitos não dispunham de qualquer meio de prova da sua condição de veterano. O funcionário alemão encarregado do pagamento teve então a seguinte ideia: a cada requerente que se apresentasse sem documentos seria dado uma vassoura e ordenado, em alemão, que simulasse um manejo de arma. Nenhum dos homens que se apresentaram falhou no teste.


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quinta-feira, 15 de agosto de 2024

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CONDE FRANZ CONRAD VON HÖTZENDORF

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* 11/11/1852 - Viena, Áustria

+ 25/8/1925 - Bad Mergentheim, Alemanha



O Conde Franz Conrad von Hötzendorf foi o chefe do Estado-maior da Áustria-Hungria durante o início da Primeira Guerra Mundial.


Conrad von Hötzendorf nasceu em Penzing, um subúrbio de Viena. Seu pai era um coronel aposentado, originário do sul da Morávia. Seu avô havia ascendido à nobreza em 1816 quando adicionou ao seu nome "von Hötzendorf", o sobrenome da sua esposa. Sua mãe era a filha do famoso artista vienense Kübler. Ele tornou-se cadete quando ainda era muito jovem, e permaneceu nas forças armadas até o final da Primeira Guerra Mundial. Conrad ascendeu na hierarquia militar muito rapidamente.

Conrad casou-se com Wilhelmine le Beau em 1886, com a qual teve quatro filhos. Posteriormente, ele viria se casar com Virginia von Reininghaus, em 1915, contra a vontade de seus filhos.

Em novembro de 1906, Conrad tornou-se comandante do Exército Austro-Húngaro, e lutou pela modernização do exército e da marinha. Ele era algo como um darwinista social, e acreditava que uma batalha entre os alemães e a civilização eslava era inevitável. O poder da elite magiar na Áustria-Hungria também o desiludia, uma vez que acreditava que a Áustria deveria constituir um império essencialmente germânico. Também se preocupava com as ambições italianas na península balcânica, e uma de suas maiores ambições era uma guerra preventiva contra a Sérvia, como forma de neutralizá-la e também mudar o balanço de poderes da Áustria-Hungria contra os magiares, ao incorporar mais eslavos à população do império.

De acordo com Hew Strachan, "Hötzendorf propôs uma guerra preventiva contra a Sérvia pela primeira vez em 1906, e o fez o mesmo em 1908/09, em 1912/13, em outubro de 1913 e em maio de 1914: entre 1 de Janeiro de 1913 e 1 de Janeiro de 1914, ele propôs uma guerra contra a Sérvia por vinte e cinco vezes".


Primeira Guerra Mundial

Conrad von Hötzendorf foi um dos principais proponentes de uma guerra com a Sérvia como resposta ao assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando. Entretanto, apesar de seu desejo por guerra, o exército austro-húngaro não conseguia estava preparado para um conflito de grandes proporções.

Conrad muitas vezes propôs grandiosos planos fora da realidade, desconsiderando as realidades do terreno e do clima. Os planos feitos frequentemente subestimavam o poder dos inimigos. Por exemplo, o exército sérvio provou-se muito mais eficaz em batalha do que se esperava. Além disso, suas primeiras ofensivas contra a Itália ficaram conhecidas por sua falta de eficácia combinada com uma maciça perda de homens. Seus erros levaram ao desastroso primeiro ano da Áustria-Hungria na guerra, que acabou por minar todas as suas capacidades militares. 

A derrota mais desastrosa veio em 1916, com a Ofensiva Brusilov na Rússia. As forças austro-húngaras sob o comando de Conrad perderam aproximadamente 1,5 milhão de homens, e o exército nunca voltou a se tornar capaz de montar uma ofensiva sem ajuda alemã. A maior parte das últimas vitórias austríacas foram possíveis apenas com a ajuda de exércitos alemães, que acabaram por tornar o exército austro-húngaro extremamente dependente.

Conrad von Hötzendorf durante uma visita de inspeção

Por outro lado, o historiador britânico Cyril Falls contra-argumenta, afirmando que Conrad era provavelmente o melhor estrategista da guerra e que seus planos eram brilhantes na teoria. Os generais alemães do leste basearam muitas de sua operações nos planos de Conrad.

Conrad von Hötzendorf foi demitido do seu posto no exército pelo novo imperador, Carlos I da Áustria, e foi nomeado para o comando do Grupo de Exércitos que lutava no front italiano. Depois do fracasso na Batalha de Piave, foi demitido definitivamente das Forças Armadas.

Muitos historiadores acreditam que a razão da derrota austríaca no conflito deve-se à divisão das forças de ataque em duas: o grupo Conrad que lutou próximo ao Platô Asiago e o grupo Boroevic, que lutou nas planícies. 

No final de sua carreira, Conrad também se opôs ao imperador, que tentava chegar a um acordo de paz com a Tríplice Entente.  Em 1918, ele tornou-se Graf (conde), depois de ter sido um barão.

Após a guerra, Conrad negou qualquer culpa pessoal pela derrota e pelos resultados da guerra e culpou a corte imperial e os políticos por ela. Acometido por doença e desgostoso, morreu em 25 agosto 1925, em Bad Mergentheim, Alemanha.

Quando foi sepultado no cemitério de Hietzing, em Viena, em 2 de setembro de 1925, mais de 100 mil pessoas participaram dos funerais. Após longas discussões, seu Ehrengrab (túmulo de honra) foi transformado em túmulo histórico em 2012.


Fontes:
- FROMKIN, David. O Último Verão Europeu. Quem Começou a Grande Guerra de 1914? Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
- FALLS, Cyril. The Great War (1914-1918). Nova Iorque: Capricorn Books, 1961.


segunda-feira, 24 de junho de 2024

24 DE JUNHO DE 1360 - NASCIMENTO DE D. NUNO ÁLVARES PEREIRA

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A 24 de junho de 1360, nascia D. Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino, e figura central de Portugal nos finais da Idade Média.


Segundo o cronista Fernão Lopes, D. Nuno revelava desde cedo uma grande apetência para as matérias militares. Era ainda um homem culto e puro, materializando, assim, o ideal de cavalaria da época.

Além de um gênio militar, era um líder nato. São várias as conquistas como comandante das tropas do rei D. João I, durante a crise dinástica de 1383-85. Entre elas contam-se o cerco e a rendição do alcaide do Castelo de São Jorge, em 1383; a Batalha dos Atoleiros e a de Aljubarrota, ambas em 1384; ou a Batalha de Valverde, em 1385. 

Fez parte da hoste de guerra que conquistou a cidade de Ceuta, em 1415, sendo solicitado para liderar a guarnição dessa praça, cargo que renunciou por querer abandonar a vida militar e abraçar a monástica. Ingressou no Convento do Carmo, a casa religiosa que fundou em 1389, lugar onde esteve sepultado até ao grande terremoto de 1 de novembro de 1755.

Fonte: Castelo de São Jorge


sábado, 11 de maio de 2024

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - IVAN TURTCHANINOV, O OFICIAL CSARISTA QUE SE TORNOU GENERAL DO EXÉRCITO DOS EUA

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Herói na Guerra Civil Americana, Ivan Turtchaninov (John Basil Turchin) deixou a Rússia Imperial em busca de liberdade. Nos EUA, fez amizade com Abraham Lincoln e foi o único russo a ascender ao posto de general. Apesar dessas conquistas, seu o final de sua vida foi desastroso.

Por Oleg Egorov


Em 1862, durante a Guerra Civil Americana, o enviado russo a Washington, Eduard de Stoeckl, expressou descontentamento com o fato de o oficial russo Ivan Turtchaninov estar servindo no Exército da União: "As fileiras deste exército consistem de revolucionários e aventureiros de todos os cantos da Terra", escreveu Stoeckl a São Petersburgo.

Apesar de o Império Russo apoiar o Norte, Stoeckl acreditava que lutar em batalhas internas dos Estados Unidos era uma vergonha para um oficial que havia servido ao Imperador. Mas Turtchaninov não se importava com o que pensavam oficiais russos que não o apoiavam, pois havia deixado a terra natal para sempre.


Coronel teimoso

Nascido em 1822 na região do rio Don, no sul da Rússia, Turtchaninov seguiu os passos de seu pai, um cossaco. Em 1841, ele se formou na Escola Militar Imperial de São Petersburgo e, em 1848, participou da repressão à Revolução Húngara, lutando mais tarde na Guerra da Crimeia (1853-1856).

Turtchaninov  (John Basil Turchin) fotografado no posto de Brigadeiro-General


"No final da guerra [da Crimeia], Turtchaninov era coronel e tinha uma perspectiva de ter uma vida rica e uma carreira de destaque à frente. Mas ele não quis isto", escreveu o articulista David Zaslavski.

Em 1856, Turtchaninov e sua mulher, Nadejda, deixaram a Rússia e atravessaram o Atlântico, fugindo para os EUA. O motivo era ideológico: o coronel era um republicano ardente, ansiando por viver em um país livre onde uma pessoa pudesse decidir seu destino por si própria.

Na década de 1850, os EUA eram o único Estado proeminente a terem um governo republicano (todos as potências europeias eram monárquicas). Assim, após cruzar o oceano, o casal Turtchaninov comprou uma pequena fazenda próxima à cidade de Nova York.


Sentimentos contraditórios sobre os EUA

No novo continente, o russo adotou o nome John Basil Turchin. Mas o casal enfrentou muitas dificuldades. "Os Estados Unidos me ajudaram a me desfazer de meus preconceitos aristocráticos e me reduziram ao nível de um mero mortal. Eu renasci. Não temo nenhum trabalho; nenhum setor de negócios me espanta e nenhuma posição social me rebaixa”, escreveu Turtchaninov a Aleksandr Herzen, famoso dissidente político russo que morava em Londres.

E Turtchaninov teve mesmo que mudar de carreira muitas vezes: foi agricultor, operário e engenheiro. Sua fazenda em Nova York não deu tão certo, então os Turchins se restabeleceram em Chicago, onde o coronel trabalhou como engenheiro e teria conhecido até mesmo o futuro presidente norte-americano, Abraham Lincoln. Mais tarde, isso o ajudaria.

Turchin, porém, não estava completamente apaixonado pela vida nos EUA. Na mesma carta a Herzen, reclamava: "Estou totalmente desapontado; não vejo nem uma fração de liberdades de verdade aqui... Isto é um paraíso para os ricos, onde podem se safar de crimes perversos com dinheiro". O oficial idealista teve que enfrentar a dura realidade de todos os vícios do capitalismo norte-americano.


Batalhas e escândalos

Turchin criticou demais a América, mas quando a Guerra Civil estourou, em 1861, não hesitou em se juntar às fileiras do Exército da União. Graças a seu passado militar, ele recebeu o posto de coronel, e o 19º Regimento de Infantaria de Voluntários de Illinois ficou sob seu comando, lutando contra a Confederação no Tennessee e no Alabama.

Oficial ativo, Turchin confrontava frequentemente seu comandante, o general Don Carlos Buell, e, às vezes, agia até mesmo sem sua permissão. Turchin e seus homens ajudaram, por exemplo, a cercar Huntsville, no Alabama, cortando as linhas ferroviárias da Confederação. Este foi um grande sucesso tático que rendeu o respeito dos soldados. Mas novamente, ele entrou em confusão.


O saque de Atenas

Em 2 de maio de 1862, o 19º Regimento tomou a cidade de Atenas, no Alabama. Na ocasião, o exército estava frustrado com a situação em que se encontrava na guerra, já que os guerrilheiros dos Confederados frequentemente derrotavam os soldados da União com a ajuda dos residentes locais sulistas. Assim, o coronel russo decidiu ensinar aos rebeldes uma lição.

Em um episódio conhecido como “O saque de Atenas”, o coronel teria levado seus soldados da União à cidade, deixando-os saquear tudo o que podiam – quase 55 mil dólares, uma fortuna na época.

Turchin caiu em desgraça após o saque de Atenas, mas foi reabilitado por Abraham Lincoln

Após o incidente ganhar popularidade, Turchin foi demitido e levado à corte marcial. Mas muitos o apoiaram, e o jornal Chicago Tribune o classificou como uma "vítima da malícia pró-escravidão". Em seu discurso na corte, Turchin ressaltou que a União estava lutando contra os escravizadores com os quais “não se deveria lidar com luvas de pelica, mas um pouco mais duramente”.

Enquanto isto, a mulher de Turchin foi a Washington para levar o caso do marido diretamente a Lincoln, que não apenas liberou Turchin, mas também o promoveu a general de brigada. Afinal, a União precisava de oficiais ativos e inteligentes.


Esquecimento pós glória

Turchin continuou a servir ao Exército, lutando na Batalha de Chickamauga e na campanha de Chattanooga, onde deu seu melhor. Em 1864 ele teve que deixar o exército após sofrer um derrame. Depois da guerra, ele levou teve uma vida cheia de problemas, mudando de profissão o tempo todo. 

Turchin morreu em 1901, aos 79 anos e muito pobre.

Fonte: Russia Beyond

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - JOSEPH BEYRLE, O SOLDADO QUE LUTOU PELO EXÉRCITO DOS EUA E PELO EXÉRCITO VERMELHO NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

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Joseph R. Beyrle é considerado o único soldado norte-americano a servir no Exército dos Estados Unidos da América (EUA) e no Exército Vermelho Soviético durante a Segunda Guerra Mundial.
 

Beyrle participou da Missão Albany, no assalto aeroterrestre da 101ª Divisão Aeroterrestre na noite de 5 para 6 de junho de 1944, como membro do 506º Regimento de Infantaria Paraquedista. Na ocasião, ele foi capturado pelos alemães e enviado para o leste como prisioneiro de guerra.

Depois de várias tentativas mal sucedidas, Beyrle escapou do campo de prisioneiros Stalag III-C alemão em janeiro de 1945, e se juntou a um batalhão de tanques soviético sob o comando de Aleksandra Samusenko. Ferido, ele foi evacuado e, finalmente, retornou aos EUA em abril de 1945. Beyrle morreu em 2004 e foi enterrado no Cemitério Nacional de Arlington.

Joe era o terceiro de sete filhos de William e Elizabeth Beyrle, cujos pais tinham vindo da Alemanha para a América nos anos 1900. Ele tinha seis anos quando ocorreu a Grande Depressão. Seu pai, um operário de fábrica, perdeu o emprego, a família foi despejada de sua casa e obrigado a morar com a avó de Joe. Em algumas de suas primeiras memórias, Beyrle contou mais tarde que seus filhos, eram de ficar nas filas de comida do governo com seu pai. Seus dois irmãos mais velhos largaram o colégio e se juntaram ao Corpo de Conservação Civil , um programa de ajuda-desemprego que enviava para casa dinheiro suficiente para permitir que o resto da família ficasse junto. Uma irmã mais velha morreu de escarlatina aos 16 anos.

Após seu alistamento, Beyrle se ofereceu para se tornar um paraquedista, e depois de completar o treinamento básico de infantaria aerotransportada em Camp Toccoa, ele foi designado para o 506º Regimento de Infantaria Paraquedista da 101ª Divisão Aeroterrestre na graduação de sargento. Beyrle se especializou em radiocomunicação e demolição, e foi inicialmente estacionado em Ramsbury, Inglaterra, para se preparar para a invasão da Aliada. Após nove meses de treinamento, Beyrle completou duas missões na França ocupadas em abril e maio de 1944, entregando ouro para a Resistência Francesa.


Em 6 de junho, Dia D, o C-47 de Beyrle foi atacado por fogo inimigo sobre a costa da Normandia, e ele foi obrigado a saltar de uma altitude extremamente baixa de 360 ​​pés (120 metros). Depois de pousar em Saint-Côme-du-Mont, o sargento Beyrle perdeu contato com seus colegas paraquedistas, mas conseguiu destruir uma usina de energia inimiga. Ele realizou outras missões de sabotagem antes de serem capturados por soldados alemães, alguns dias mais tarde.

Nos sete meses seguintes, Beyrle foi detido em sete prisões alemãs. Ele escapou duas vezes e foi recapturado nas duas oportunidades. Beyrle e seus companheiros de prisão esperavam encontrar o Exército Vermelho, que estava posicionado a uma curta distância. Após a segunda fuga (na qual ele e seus companheiros partiram para a Polônia, mas embarcaram em um trem para Berlim por engano), Beyrle foi entregue à Gestapo por um civil alemão. Espancado e torturado, foi entregue aos militares alemães, depois que os oficiais intervieram e determinaram que a Gestapo não tinha jurisdição sobre prisioneiros de guerra. A Gestapo mandou atirar em Beyrle e seus camaradas, alegando que ele era um espião americano que havia caído de paraquedas em Berlim.

Beyrle foi levado para o campo de prisioneiros de guerra Stalag III-C em Alt Drewitz, de onde ele escapou no início de janeiro de 1945. Ele se tornou para o leste, na esperança de se encontrar com o Exército Soviético. Encontrando uma brigada de tanques soviéticos em meados de janeiro, ele se estendeu pelas mãos, segurando um maço de cigarros Lucky Strike, e concentrado em russo: 'Amerikansky tovarishch ! ' ("Camarada Americana!"). Beyrle conseguiu persuadir uma comandante do batalhão (Aleksandra Samusenko, a única mulher comandante de unidade blindada na guerra) a permitir que ele lutasse ao lado da unidade a caminho de Berlim, iniciando assim sua passagem de um mês em um batalhão de tanques soviético, onde sua experiência em demolições foi apreciada.

O novo batalhão de Beyrle foi o que libertou seu antigo acampamento, Stalag III-C, no final de janeiro, mas na primeira semana de fevereiro foi ferido durante um ataque de bombardeiros de mergulho Stukas alemães. Ele foi evacuado para um hospital soviético em Landsberg an der Warthe (agora Gorzów Wielkopolski, na Polônia), onde recebeu a visita do marechal soviético Georgy Zhukov, que, intrigado com o único não soviético do hospital, soube de sua história por meio de um intérprete, e apresentou a Beyrle documentos oficiais para reunir-se às forças americanas.

Beyrle em foto tomada quando prisioneiro de guerra

Juntando-se a um trem militar soviético, Beyrle chegou à embaixada dos EUA em Moscou em fevereiro de 1945, apenas para saber que havia sido relatado pelo Departamento de Guerra dos EUA como morto em ação em 10 de junho de 1944, na França. Uma missa fúnebre foi realizada em sua homenagem em Muskegon, e seu obituário foi publicado no jornal local. Os oficiais da embaixada em Moscou, inseguros de sua boa fé, colocaram-no sob a guarda da Marinha no Hotel Metropol, até que sua identidade fosse estabelecida por meio de sua RH digital.

Beyrle voltou para casa em Michigan em 21 de abril de 1945, e comemorou o Dia da Vitória na Europa duas semanas depois, em Chicago. Ele se casou com JoAnne Hollowell, em 1946, coincidentemente, na mesma igreja e pelo mesmo padre que celebrou sua missa fúnebre dois anos antes. Beyrle trabalhou para a Brunswick Corporation por 28 anos, apresentando-se como supervisora ​​de embarque.

Seu serviço exclusivo rendeu-lhe medalhas do presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e do presidente russo Boris Yeltsin, em uma cerimônia no Rose Garden da Casa Branca marcando o 50º aniversário do Dia D em 1994.

Túmulo de Joseph Beyrle no Cemitério Militar de Arlington


Joseph Beyrle morreu durante o sono, de insuficiência cardíaca em 12 de dezembro de 2004, durante uma visita a Toccoa, Geórgia, onde havia treinado como paraquedista em 1942. Ele tinha 81 anos. Foi enterrado com honras na Seção 1 do Cemitério Nacional de Arlington em abril de 2005.

Beyrle e sua esposa JoAnne tiveram uma filha, Julie, e dois filhos. O filho mais velho, Joe Beyrle II, serviu na 101ª Divisão Aeroterrestre durante a Guerra do Vietnã. Seu outro filho, John Beyrle, serviu como Embaixador dos Estados Unidos na Rússia entre 2008 e 2012.

Em 2005, uma placa foi descoberta na parede da igreja em Saint-Côme-du-Mont, França, onde Beyrle aterrou em 6 de junho de 1944. Uma placa permanente foi dedicada no local em 5 de julho de 2014.

Uma exposição dedicada à vida e experiências de guerra de Joe Beyrle foi exibida em Moscou e três outras cidades russas em 2010.  A exposição abriu uma turnê americana de quatro cidades no Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial em Nova Orleans, com exibições em Toccoa e Omaha em 2011 e a cidade natal de Beyrle, Muskegon, em junho de 2012. Uma instalação permanente da exposição está agora em exibição no Museu USS Silversides em Muskegon.