"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quinta-feira, 24 de maio de 2018

O ÚLTIMO SUSPIRO DO IMPÉRIO



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Para os britânicos, a crise do canal de Suez não significou apenas a perda de um importante ponto estratégico no Oriente Médio; representou uma humilhante derrota e o fim de sua hegemonia, em declínio desde a 2ª Guerra Mundial.

Por Dominic Sandbrook

Às cinco horas de uma manhã de outono, grupos de aeronaves britânicas sobrevoavam a costa do Egito.  Depois que os caças da Marinha abriram caminho, tropas de paraquedistas saltaram, despencando 300 metros até a cidade de Port Said.  Em poucas horas, consolidavam a invasão do local.

No dia seguinte, começava a segunda fase da operação.  Enormes nuvens de fumaça negra subiam do porto egípcio, à medida que helicópteros britânicos rumavam para a praça central, onde uma estátua de Ferdinand de Lesseps, o arquiteto do Canal de Suez, permanecia intacta. À noite, a resistência local já havia sido esmagada e a estrada sul em direção ao canal liberada.

Os soldados agora se encaminhavam para o objetivo principal embarcados em blindados, bebendo uísque para se aquecerem na noite fria.  De repente, a 32 km da costa, alguém acenou.  Para completa surpresa da tropa, o comandante avisou que não poderiam mais prosseguir – os americanos impediam o avanço.

 Helicópteros britânicos a caminho de Port Said

Zona ocupada

As origens da crise de Suez, talvez a maior humilhação britânica nos tempos modernos, remontam à história do relacionamento anglo-egípcio.  O Egito ficou sob o domínio da Grã-Bretanha desde o fim do século XIX e, até o começo dos anos 1950, o país europeu mantinha guarnições na Zona do Canal de Suez, uma estreita faixa de pistas de decolagem e instalações ao lado da grande hidrovia artificial construída entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho.

Mas, em 1952, um golpe de estado derrubou o rei Farouk e o substituiu por um governo militar, chefiado pelo carismático coronel Gamal Abdel Nasser, que havia decidido se tornar a grande expressão do nacionalismo na região.  A ruptura com a Grã-Bretanha era, portanto, inevitável, uma vez que a autoafirmação egípcia estava destinada a colidir com os interesses estratégicos britânicos.

Em 1955, Nasser se recusou a participar do pacto anticomunista de Bagdá e fechou um acordo com a comunista Tchecoslováquia.  Com a Guerra Fria no auge, Grã-Bretanha e EUA decidiram que o líder egípcio era uma ameaça e, em julho de 1956, os dois países desistiriam de financiar o projeto de desenvolvimento da represa de Assuã, no rio Nilo.



Apenas uma semana depois, Nasser se vingou. No aniversário do golpe que o levou ao poder, ele fez um discurso diante de uma enorme multidão em Alexandria e anunciou a imediata nacionalização do Canal de Suez.  Seus proprietários, os acionistas franceses e britânicos, seriam compensados, mas o símbolo supremo do colonialismo europeu, a hidrovia crucial que levava petróleo do Oriente Médio ao Ocidente, ficaria em mãos egípcias.

O anúncio chocou o mundo, afetando Londres de forma mais aguda.  A Grã-Bretanha era a força dominante no Oriente Médio havia muito tempo.  Agora, ela era desafiada, e muita gente – no governo, na imprensa e na sociedade em geral – insistia para que o líder egípcio fosse impedido.

Anarquia e caos

A decisão cabia ao primeiro-ministro inglês Anthony Eden, um conservador que havia sido lugar-tenente de Winston Churchill durante a 2ª Guerra Mundial e que esperara durante anos a chance de sucedê-lo.  Eden havia, finalmente, assumido o governo em 1955 e vencido uma eleição geral, mas sua popularidade estava em queda.  Enfraquecido por uma série de doenças e cirurgias, tinha uma aparência frágil que contrastava com seu irascível vice, Rab Butler.

Muitos consideram que a maneira como Eden conduziu o caso foi equivocada.  Para começar, ele encarou o desafio de Nasser de forma pessoal.  Eu o quero destruído, está entendendo?”, perguntou a um de seus oficiais.  Não quero uma alternativa, nem quero saber se o Egito está em meio à anarquia e ao caos.”

 O primeiro-ministro britânico Anthony Eden falando à BBC

Convencido que aquela era a oportunidade de reforçar a posição mundial da Grã-Bretanha, em declínio desde a guerra, Eden ordenou a mobilização das forças armadas quando as negociações para resolver a disputa ainda não tinham acabado.  Mas em Washington, o governo de Dwight Eisenhower não estava propenso a embarcar na empreitada de seus antigos aliados – o presidente norte-americano iria tentar a reeleição em novembro e temia aborrecer seus eleitores.  Sem o apoio dos EUA, Eden foi bater em outra porta.

Em 22 de outubro, Eden convidou seu ministro das Relações Exteriores, Selwyn Lloyd, para um encontro secreto em Paris com seus colegas da França e de Israel. Lá, fecharam um acordo extraordinário: Israel invadiria o Egito e, logo em seguida, Grã-Bretanha e França dariam um ultimato para que os dois lados batessem em retirada e aceitassem a intervenção na Zona do Canal.  Quando Nasser recuasse – o que eles sabiam que aconteceria -, os dois aliados europeus atacariam. Parecia infalível, embora fosse eticamente questionável.

A operação pode ter entrado para a história como um fracasso por conta de seus resultados, mas do ponto de vista militar foi um triunfo.  O ataque israelense ocorreu exatamente como planejado: Grã-Bretanha e França deram o prometido ultimato e, em 5 de novembro, começou a invasão aliada do Egito.  Então, o que deu errado?  A resposta, bastante simples, é que os norte-americanos intervieram.

 O motivo da discórdia: Canal de Suez

A poucos dias da eleição presidencial, Eisenhower ficou furioso ao saber que Eden o enganara.  Mas a oportunidade para uma represália não tardou a surgir, graças ao fator econômico.  Com a libra esterlina sob forte pressão no mercado de câmbio e o bloqueio do Canal de Suez interrompendo o acesso ao petróleo do Oriente Médio, a situação da Grã-Bretanha era desesperadora.  Quando representantes do ministério da Fazenda britânico procuraram ajuda financeira em Washington, receberam uma resposta gelada.

Encarando a humilhação

E assim, o fim logo veio.  Eden teve de se submeter a Eisenhower e fazer um discurso humilhante na Câmara dos Comuns: “Seu rosto era cinza, com exceção das bordas negras que cercavam as brasas apagadas de seus olhos.  A personalidade parecia completamente ausente”, registrou um observador.  Duas semanas depois, exausto e alquebrado, o primeiro-ministro foi se recuperar na Jamaica. Ao voltar, sua saúde continuava em frangalhos e, assim, no dia 9 de janeiro de 1957, Eden renunciou ao cargo com a carreira aparentemente destruída pelo maior fiasco diplomático da história britânica.

A humilhação pessoal de Eden era comparável à vergonha de seus generai e também à de seus colegas franceses e israelenses, que gradualmente retiraram suas tropas e deram espaço às forças de paz das Nações Unidas.  Enquanto isso, Suez permanecia em mãos egípcias e Nasser saiu como o grande vitorioso.  Poucos anos depois de chegar ao poder, ele assegurava sua reputação como o paladino que ousara puxar o tapete do Império Britânico.

 Posição britânica em Port Said: o Império desmorona

Qual foi o impacto da Crise de Suez na Grã-Bretanha?  A opinião pública estava dividida: manifestantes lotaram a Trafalgar Square para protestar contra a invasão, mas boa parte da imprensa apoiou Eden.  O historiador Robert Rhodes James registrou que jovens e idosos apoiavam fervorosamente o governo e “desprezavam os antipatrióticos socialistas” que se opunham à guerra.  De fato, os números mostram que Eden era mais popular após a derrocada do que antes, enfraquecendo o mito de que ele foi destroçado pela opinião pública.

Também é mito que Suez tenha causado o declínio do Império.  A verdade é que o poder bretão estava minguando de toda forma, graças à dispendiosa participação do país nas duas guerras mundiais.  A crise no Oriente simplesmente demonstrou isso, de forma incontestável, para o mundo inteiro.

Para piorar, quaisquer pretensões de superioridade moral foram demolidas pelas revelações de que Eden conspiravam com os franceses e israelenses para atacar o Egito.  Pierson Dixon, representante britânico na ONU, raciocinou que “com nossa ação, nos rebaixamos de uma potência de primeira para uma de terceira classe.  Revelamos nossa fraqueza ao pararmos e jogamos fora a posição moral da qual nossos status mundial largamente dependia.

Existe pouca dúvida de que o episódio deixou marcas profundas na nação.  O escritor Peter Vansittart não estava sozinho quando relembrou ter “sentido uma mudança nas ruas, bares e lares depois de Suez: uma redução das expectativas, a sensação de que os tempos bons haviam acabado.”  Acho que o fracasso no Egito teve um efeito arrasador sobre o moral do governo britânico.  O fedor da derrota era uma coisa assombrosa”, afirmou um ministro do Partido Conservador.  Mais de uma centena de parlamentares assinou uma moção parlamentar acusando os norte-americanos de “pôr em risco de forma muito grave a Aliança Atlântica”. E muitas pessoas comuns destilavam sua amargura contra o velho aliado.  “Não atendemos norte-americanos aqui”, dizia uma placa na entrada de uma revenda de automóveis em Hertfordshire.

O fim de uma era

Mais de cinco décadas depois, Suez ainda é um divisor de águas histórico.  Depois de 1956, a Grã-Bretanha nunca mais pôde usar sua força como antigamente.  E ninguém duvidava de que o verdadeiro poder estava em Washington, não em Londres.  Mas o que se costuma esquecer é que a crise no Egito também foi o início de uma nova era de riqueza e ambição.  Sem o fardo da grandeza imperial, os britânicos estavam livres para se divertir, esbanjando com carros, aparelhos de TV, máquinas de lavar e toda a parafernália da sociedade de consumo.

Três anos depois, o fisco no Egito havia sido esquecido em grande parte e os Conservadores, liderados por Harold Macmillan – chanceler que assumiu o governo após a renúncia de Eden - , rumava à reeleição.  Depois veio o escândalo Profumo, os Beatles e todo o florescimento cultural dos anos 1960.  Suez pode ter sido o último suspiro do esplendor imperial britânico, mas foi o tiro de largada para uma nova aventura cultural.

Fonte: Guerras e conflitos do século XX, BBC

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

IMAGEM DO DIA - 17/10/2017

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Durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714), tropas do 1º Regimento de Guardas a Pé britânico avançam para atacar Blenheim, em 2 de agosto de 1704


terça-feira, 9 de agosto de 2016

1902: TERMINA A GUERRA DOS BÔERES

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No dia 31 de maio de 1902 terminava, depois de três anos, a Guerra dos Bôeres na África do Sul, o pior conflito colonial dos britânicos.


Por Volker Wagener

O que em princípio era para ser uma guerra-relâmpago, acabou se tornando o pior conflito colonial dos britânicos. No dia 11 de outubro de 1899, a República Sul-Africana, mais os estados independentes de Orange e Transvaal, declararam guerra ao Reino Unido. Os colonos holandeses (bôeres, de Buren, agricultores) exigiam sua equiparação na comunidade sul-africana. Os britânicos, por seu lado, queriam ampliar o império colonial.

Os bôeres estavam bem armados, eram considerados bons atiradores e conheciam bem a região. Mesmo assim, não conseguiram se impor em cidades importantes controladas pelo britânicos, como Natal e no Cabo. Em março de 1900, as tropas de Londres conquistaram Bloemfontain, capital do Estado Livre de Orange. Os colonos receberam armas e apoio militar da Alemanha, mas seus 25 mil homens não podiam se impor diante do contingente de 250 mil britânicos.


Supremacia britânica e campos de concentração

Os bôeres tentaram, sem êxito, continuar a luta através de guerrilhas. Mas a vingança dos britânicos foi terrível: 30 mil propriedades foram incendiadas, plantações e animais mortos. Mulheres e crianças foram internadas em campos de concentração, onde morreram aos milhares.

A resistência dos colonos fracassou diante da falta de alimentos. A última guerra colonial entre colonos europeus e a metrópole terminou com 22 mil soldados mortos e sete mil vítimas fatais entre os bôeres.


Grupo de bôeres em Spion Kop, 1900

Apesar da derrota, por um certo tempo os colonos conseguiram impor condições aos britânicos, tentando convencê-los de que conheciam melhor o território. Mas, com o passar do tempo, o Reino Unido tentou impor-se diante dos colonos, incentivando a migração de ingleses para a região e proibindo o holandês nas escolas. O nacionalismo bôer, no entanto, ressurgiu no interior. Pouco a pouco, os colonos começaram a deixar os centros dominados pelos britânicos.

Os negros, a grande maioria da população, assistiram ao conflito. Nem britânicos nem colonos buscaram grandes alianças. Paradoxalmente, os bôeres demoraram muito mais para reconhecer os direitos dos negros, apesar de terem lutado tanto pela sua soberania.

Fonte: DW
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sábado, 16 de maio de 2015

IMAGEM DO DIA - 16/05/2015

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  Guerreiros Maori realizando o ritual de guerra Haka, antes da batalha de Maketu em 1864, durante as Guerras Maori

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

IMAGEM DO DIA - 28/08/2012

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Durante a 2ª Guerra do Ópio (1856), tropas britânicas atacam uma posição defensiva chinesa, cujos soldados lutam com o que possuem, inclusive lançando pedras


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sábado, 25 de fevereiro de 2012

O FIM DOS GURKAS !?

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O Parlamento do Nepal recomendou que o alistamento de cidadãos do país em exércitos estrangeiros seja proibido, uma iniciativa que pode causar a extinção do mito dos gurkas, um povo composto por ferozes guerreiros que combateram em meio mundo. A recomendação, formulada por um comitê parlamentar neste mês, segue um preceito maoísta de que esses soldados são um resquício colonial. Antes de adotar a medida, no entanto, o governo do país terá que conseguir a aprovação da Índia e do Reino Unido, conforme estipulado em acordo assinado pelos três países em 1947.


Soldados gurka em 1900


A Índia e o Reino Unido são as únicas nações que contam com a presença em seus exércitos dos gurkas, que fizeram da região do Himalaia um reduto de heróis de guerra. A recomendação apresentada pela comissão parlamentar, no entanto, define esses soldados como simples "mercenários".

O mito dos gurkas, nome oriundo de Gorkha - o distrito do Nepal de onde saíram os primeiros soldados que lutaram em fileiras estrangeiras -, nasceu no século XIX, depois que as tropas britânicas derrotaram em 1815 as nepalesas. Apesar de derrotados, os soldados do Nepal causaram uma forte impressão nos oficiais britânicos, que fizeram o máximo para obter o apoio das tropas do país asiático, a maioria formada por gurkas, para vencer a Índia em 1857, na Revolta dos Cipaios.

Integrados ao exercito britânico, os gurkas conquistaram fama internacional na 1ª e 2ª Guerras Mundiais, quando tornaram famosos o "khukri", a típica faca curva usada pelo grupo, e seu grito de batalha: "Aayo Gorkhali" (aqui vêm os gurkas). Posteriormente, participaram da Guerra das Falklands, realizada em 1982 entre o Reino Unido e a Argentina para disputar a posse do arquipélago situado no Atlântico.


Fuzileiro gurka com sua faca khukri durante a 2ª Guerra Mundial


A última contribuição dos gurkas ao Exército britânico foi na invasão do Afeganistão, onde 11 deles morreram desde o início dos conflitos, há mais de uma década. Junto às Forças Armadas indianas, os gurkas lutaram contra a China, em 1962, e contra o Paquistão por três vezes, em 1947, 1965 e 1971.
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Atualmente, 30 mil gurkas estão alistados nos exércitos da Índia, e 3,5 mil no do Reino Unido. Os soldados gurkas que se aposentaram das Forças Armadas britânicas antes de 1997 recebem menos do que os militares do Reino Unido, o que provocou protestos entre o povo do Himalaia.
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Segundo explicou à Agência Efe o presidente da Organização Gurka de Antigos Servidores do Exército (GAESO), Padam Bahadur Gurung, a associação levou o assunto duas vezes para a justiça de Londres, que, em ambas as vezes, rejeitou a equiparação das pensões. Para Gurung, esse fato demonstra que os gurkas são vistos como meros refugiados, apesar de milhares de nepaleses terem morrido nos dois últimos séculos nos campos de batalha em defesa da Coroa britânica.
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Soldados gurka em patrulha no Afeganistão.  A nova recomendação do parlamento do Nepal pode significar o fim dos gurka nos exércitos britânico e indiano.


Após ressaltar "o valor e a coragem" de gerações de guerreiros gurkas, o coronel britânico Andew Mills, encarregado de recrutar combatentes no Nepal, considerou corretas as condições oferecidas aos antigos aposentados. "A pensão é generosa, em termos nepaleses", disse Mills à Agência Efe. O salário de um gurka "britânico" é de US$ 1.500, enquanto no Nepal um soldado ganha apenas US$ 125, o que explica que 7,5 mil jovens lutem, todos os anos, pelas 176 vagas que o Reino Unido destina aos militares do país asiático.
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Fonte: Terra


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domingo, 8 de maio de 2011

A CARGA DA BRIGADA LIGEIRA





A Carga da Brigada Ligeira foi uma desastrosa ação de cavalaria, dirigida por Lord Cardigan no decorrer da Batalha de Balaclava, em 25 de outubro de 1854, durante a Guerra da Crimeia. Passou para a História como tema do célebre poema The Charge of The Light Brigade, de Alfred Tennyson, cujos versos dizem "Não há nenhuma razão / só há que agir e morrer", fazendo desta carga um símbolo do absurdo da guerra.


Acontecimentos

A carga é considerada como um dos episódios mais heróicos ou mais desastrosos de toda a história militar britânica. Lord James Cardigan realiza uma carga de cavalaria da Brigada Ligeira contra a bem defendida artilharia russa durante a Guerra da Crimeia. Os britânicos combatiam na Batalha de Balaclava quando Cardigan recebeu a ordem de atacar os russos, comandados por Pavel Liprandi. A cavalaria britânica carregou sobre os inimigos sem hesitar, mas foi dizimada pela artilharia russa, sofrendo 40% de baixas em poucos minutos. Posteriormente, soube-se que a ordem foi o resultado de um erro (uma ordem que não foi dada intencionalmente). Lord Cardigan, que sobreviveu à carga, foi considerado um herói nacional na Grã-Bretanha.

Os protagonistas do desastre: Lordes Raglan (a esquerda) e Cardigan


A Brigada Ligeira era formada pelos 4º e 13º Regimentos de Dragões Ligeiros, pelo 17º Regimento de Lanceiros, e pelos 8º e 11º Regimentos de Hussardos, sob as ordens do general Lord Cardigan. Carregaram junto com a Brigada Pesada, formada pelo 4º Regimento de Dragões Irlandeses da Guarda, pelo 5º Regimento de Dragões da Guarda, pelo 6º Regimento de Dragões de Inniskilling e pelo Regimento Scots Greys. Estas unidades eram as principais forças de cavalaria britânicas no campo de batalha. O comando da cavalaria recaía em Lord Lucan.

Lucan recebeu uma ordem do comandante-chefe do exército, Lord Raglan, indicando que «Lord Raglan deseja que a cavalaria avance rapidamente para diante, persiga o inimigo, e tente impedir que retire os seus canhões. A artilharia montada pode acompanhá-la. A cavalaria francesa encontra-se à sua direita. Imediatamente.». Quem levava a ordem era o capitão Nolan, que talvez tenha transmitido informações complementares de viva voz.



Como resposta à ordem, Cardigan dirigiu 673 (ou 661) ginetes diretamente através do vale existente no sopé da colina de Fedyukhin, que mais tarde o poeta Alfred Tennyson denominaria vale da morte. As tropas russas, sob o comando de Pavel Liprandi, eram formadas por aproximadamente 20 batalhões de infantaria com o apoio de mais de cinquenta peças de artilharia. Tais forças estavam distribuídas de ambos os lados e no fundo do vale.

Parece que a ordem de Cardigan se referia à massa de canhões russos existentes em um reduto no fundo do vale, aproximadamente 1,5 km mais longe, enquanto Raglan teria percebido que se referia a um grupo de redutos na outra vertente da colina que formava o lado esquerdo do vale. Aqueles não eram visíveis desde as posições ocupadas pela Brigada Ligeira, colocada na entrada do vale.

A carga da Brigada Ligeira sob o ponto de vista dos russos


A brigada alcançou o contato com as forças russas do fundo do vale, e obrigou-as a fugir do reduto. Sofreu fortes perdas, e foi rapidamente obrigada a recolocar-se. Lucan fracassou na sua missão de apoiar Cardigan, e alguns suspeitam que isso se devia à animosidade que sentia contra o seu cunhado: a Brigada Pesada alcançou o vale, mas não avançou mais. A cavalaria francesa, os Caçadores de África, foram mais eficazes, já que romperam a linha russa da colina de Fedyukin e cobriram os sobreviventes da Brigada Ligeira durante a sua retirada.

Cardigan sobreviveu, e descreveu o combate num discurso na Mansion House, em Londres, que foi registado e amplamente citado posteriormente na Câmara dos Comuns:

"Avançámos por uma encosta gradual de mais de um quilómetro, as baterias vomitavam sobre nós obuses e metralha, com uma bateria à nossa esquerda e outra à nossa direita, e o espaço intermédio cheio de fuzis russos; assim, quando chegámos a 50 metros da boca dos canhões que tinham lançado a destruição sobre nós, estávamos, de facto, rodeados por um muro de fogo, além do dos fuzis no nosso flanco.
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Enquanto subíamos a colina, o fogo oblíquo da artilharia caía sobre a nossa retaguarda, de tal modo que recebíamos um forte fogo sobre a vanguarda, os flancos e a retaguarda. Entramos no espaço da bateria, atravessamo-la, os dois regimentos à cabeça ferindo um grande número de artilheiros russos ao passar. Nos dois regimentos que tive a honra de dirigir, cada oficial, com uma única exceção, foi ou bem ferido, ou morto, ou viu o cavalo que montava morto ou ferido. Estes regimentos passaram, seguidos pela segunda linha, formada por dois regimentos suplementares, que seguiram o seu dever de ferir os artilheiros russos.

Depois veio a terceira linha, formada por outro Regimento, que completou o trabalho dado à nossa Brigada. Creio que se fez com verdadeiro êxito, e o resultado foi que esse corpo, formado por apenas 670 homens aproximadamente, conseguiu atravessar a massa da cavalaria russa que — como soubemos posteriormente — dispunha de 5240 homens; e tendo atravessado esta massa, deram a volta, como se diz na nossa expressão técnica militar, «ao fundo de tudo», e retiraram-se do mesmo modo, provocando tantos danos como era possível na cavalaria inimiga. De regresso à colina de qual havia partido o ataque, tivemos que sofrer a mesma mão-de-ferro e padecer o mesmo risco de disparos dos atiradores no nosso flanco que na ida. Muitos dos nossos homens foram atingidos, homens e cavalgaduras resultaram mortos, e muitos dos homens cujas montadas morreram foram massacrados quando tentavam escapar.

Mas, mylord, qual foi o sentimento destes valentes que regressaram à sua posição, se de cada regimento não voltou senão um pequeno destacamento, e dois terços dos efetivos implicados na ação se tinham perdido?. Creio que cada homem que participou neste desastroso assunto de Balaclava, e que teve a bastante sorte para continuar com vida, deve notar que foi somente por um decreto da Divina Providência que escapou à morte mais certa que era possível conceber".


Consequências

A brigada não foi completamente destruída, embora sofresse terríveis perdas: 118 mortos, 127 feridos, e a perda de 362 cavalos. Depois de serem reagrupados, apenas 195 homens dispunham de cavalo. A futilidade da ação e a sua bravura imprudente fizeram afirmar o general francês Pierre Joseph François Bosquet: "É magnífico, mas isso não é a guerra". Diz-se que os chefes russos acreditavam a princípio que os ginetes tinham abusado da bebida. A reputação da cavalaria britânica melhorou notavelmente com esta carga, embora o mesmo não se possa dizer do seu comando.

O jornalista irlandês William Howard Russell, presente no local do combate, apresentou na época a seguinte informação acerca dos efetivos e perdas da Brigada Ligeira nessa batalha:

4º Dragões Ligeiros - total 118 - perdas 79
13º Dragões Ligeiros - total 130 - perdas 69
8º Hussardos - total 104 - perdas 66
11º Hussardos - total 110 - perdas 85
17º Lanceiros - total 145 - perdas 110
Total - 607 sabres - perdas 409

Remanescentes da Brigada Ligeira fotografados após a batalha

A lentidão das comunicações marítimas fez com que as notícias do desastre não chegassem ao conhecimento do público britânico senão três semanas depois. Os relatos da frente dos chefes britânicos publicaram-se numa edição extraordinária da London Gazette em 12 de novembro de 1854. Raglan implica Lucan pela carga, declarando que "Por sua incompreensão da ordem de avanço, o tenente-general (Lucan) considerou que devia atacar a qualquer preço, e ordenou o major-general Cardigan avançar com a Brigada Ligeira".

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

IMAGEM DO DIA - 25/01/2011

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Soldados da Real Artilharia a Cavalo britânica sob ataque de tropas afegãs na batalha de Maiwand, durante a 2ª Guerra Anglo-Afegã, em 1880

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O MOTIM DE 1915 EM CINGAPURA

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Em pleno curso da 1ª Guerra Mundial, o Exército Britânico enfrentou um motim de soldados indianos na guarnição de Cingapura, um dos baluartes do Império de Sua Majestade no continente asiático. A rebelião demonstrou a difícil relação entre colonizadores e colonizados, inclusive no seio de suas forças armadas.




Placa alusiva ao motim de 1915 na entrada do  Victoria Memorial Hall

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No meio da tarde do dia 15 de fevereiro de 1915, um segunda-feira, 815 soldados do 5° Batalhão de Infantaria Ligeira do Exército Indiano, juntamente com cem guias malaios da Bateria de Mulas da Artilharia de Montanha se amotinaram contra o comando britânico. Deixando seus quartéis, dispararam contra um grupo de cinco oficiais britânicos, matando três. Os outros conseguiram escapar e fugiram atrás de ajuda, conseguindo reunir forças suficientes junto a outras unidades militares para debelar a rebelião.

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Uma coluna de cerca de cem amotinados segui em direção ao quartel de Tanglin, onde havia 309 prisioneiros de guerra alemães, inclusive os integrantes da tripulação do cruzador SMS Emdem. Sem nenhum aviso prévio, os rebeldes dispararam contra a guarda do quartel, matando todos os seus integrantes, mas não antes que um guarda conseguisse correr por todo o pátio sob fogo pesado para acionar o alarme. Os amotinados tentaram convencer os alemães a se juntarem a eles, mas apenas 17 destes, mais três holandeses, decidiram unir-se ao movimento. Os demais se recusaram e permaneceram onde estavam, por não terem nada a ver com a rebelião e por considerarem um ato desonroso.

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Outros amotinados seguiram para Keppel Harbour e Pasir Panjang, onde mataram muitos homens e mulheres que transitavam pelas ruas, inclusive um juiz. Ao cair da noite, as autoridades começara a organizar uma força efetiva para enfrentar a ameaça. Fuzileiros navais e marinheiros da tripulação do HMS Cadmus desembarcaram e foram mobilizadas outras tropas da guarnição que não tinham se amotinado. Uma mensagem de rádio foi enviada à Índia, além de ter sido solicitado apoio a alguns navios de guerra aliados que estavam nas proximidades.




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O cruzador francês Montcalm, cuja tripulação auxiliou na contenção do motim

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Em suas ações, os rebeldes cercaram o bangalô do Coronel Martin, comandante da guarnição, o qual se interpunha na direção da estrada para a cidade de Cingapura. O coronel e alguns homens permaneceram cercados por toda a noite, até que foram libertados ao amanhecer por voluntários armados e civis. Tal ação foi tão bem sucedida que foi possível capturar boa parte da artilharia que estava em poder dos amotinados, embora custasse aos voluntários um morto e cinco feridos. Os amotinados dispersos, apesar de continuarem inquietando a população e as tropas da guarnição britânica com atiradores isolados.

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Na quarta-feira, 17 de fevereiro, o cruzador francês Montcalm e alguns navios de guerra menores russos e japoneses chegaram ao porto. Essas unidades navais desembarcaram numerosa tropa de fuzileiros que, imediatamente, avançaram sobre os amotinados. A batalha que se seguiu abalou a organização dos rebeldes: um grande número se rendeu de imediato, outros conseguiram fugir e internaram-se na selva. Boa parte desses fugitivos tentou se evadir, atravessando o Estreito de Johore, mas foram cercados e capturados pelas forças do exército do Sultão de Johore. Nesse tempo, alguns rebeldes que permaneceram escondidos na floresta permaneceram inquietando os britânicos e os franceses com fogo de sniper dirigido contra suas tropas.
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Em 20 de fevereiro, seis companhias do 5° Regimento Territorial de Shropshire britânico chegaram de Rangun, na Birmânia, aliviando os marinheiros e fuzileiros navais. O reforço possibilitou eliminar o foco do motim em curto espaço de tempo.

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Dois dias depois, em 22 de fevereiro de 1915, foram instauradas as devidas cortes marciais, que resultaram na condenação à morte por fuzilamento de grande número de soldados amotinados, além de outras penas menores conforme o envolvimento no motim. A maior das execuções públicas ocorreu com uma companhia de 110 homens disparando, de uma só vez, contra 22 amotinados condenados. Os rebeldes que haviam se rendido precocemente foram enviados para lutar na África contra as tropas alemãs do General Von Lettow Vorbeck.
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Além dos militares, o inquérito provou que um comerciante indiano também se envolveu no movimento, enviando mensagens ao cônsul turco em Rangun oferecendo-lhe ajuda e incentivando a guarnição indiana naquela cidade a também se amotinar. Da mesma forma que os principais líderes do movimento, o comerciante também foi fuzilado.
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O saldo do motim: sipaios amotinados são executados em cerimônia pública
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Como balanço final do motim de 1915, foram registradas, entre os britânicos, 47 vítimas fatais (33 militares e 14 civis); um fuzileiro naval francês e três marinheiros russos foram feridos nos combates. O motim levou as autoridades britânicas a determinarem o serviço militar obrigatório para todos os cidadãos britânicos de 18 a 55 anos residentes em Cingapura.