"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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domingo, 24 de dezembro de 2017

SARGENTO DAS FORÇAS ESPECIAIS SE TORNA A PRIMEIRA MULHER BRITÂNICA A MATAR TERRORISTAS EM COMBATE

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Uma sargento feminina das forças especiais tornou-se a primeira soldado britânica a matar terroristas durante uma operação militar.

Uma sargento feminina das forças especiais tornou-se a primeira soldado britânica a matar terroristas durante uma operação militar. A mulher, que está servindo com o Regimento Especial de Reconhecimento (Special Reconnaissance Regiment - SRR), neutralizou pelo menos três alvos com sua submetralhadora.

Ela fazia parte de uma equipe que havia conseguido entrar em contato com uma informante do Estado islâmico (ISIS), que afirmou ter sido forçada a se casar com um proeminente comandante do ISIS.  A informante se ofereceu para fornecer informações sobre o grupo em troca de ser ajudada a escapar com seu filho. A equipe dos soldados das forças especiais britânicas incluía alguns soldados do Serviço Aéreo Especial (Special Air Service – SAS), um oficial do MI6 e membros da SRR. Eles se encontraram com o informante perto de uma pequena cidade na fronteira entre a Síria e o Iraque. A equipe se retirou para o ponto de encontro após a reunião - mas foi emboscada quando passava por uma área construída, da qual os terroristas do ISIS haviam fugido recentemente.

A sargento abriu fogo contra um grupo de terroristas do ISIS quando ela e seus camaradas foram emboscados na fronteira da Síria com o Iraque

O grupo desembarcou de seu veículo e respondeu ao fogo com fuzis automáticos e lançadores de granadas. A heroica soldado conseguiu matar pelo menos três terroristas com sua metralhadora, enquanto vários terroristas tentavam atingir o veículo de onde a sargento estava protegendo seus colegas.

A sargento feminina do SRR estava armada com uma submetralhadora Heckler & Koch MP5K e matou vários terroristas a tiros. "Toda vez que surgia um terrorista, ela os atingia, informando aos companheiros o que estava acontecendo na retaguarda", disse uma fonte ao jornal The Sun.

Militar feminina pertencente ao SRR, a única unidade de forças especiais britânica a possuir mulheres em seu efetivo


Quando a equipe voltou para a base, seus colegas a estavam, mas ela só queria minimizar o evento e simplesmente disse que estava fazendo seu trabalho.

O incidente ocorreu em setembro, mas somente foi revelado agora, no final de dezembro.
Atualmente, o SRR é a única unidade de forças especiais que permite que mulheres em suas fileiras. O regimento atuou no Afeganistão, no Iraque e na Irlanda do Norte.

Fonte: The Sun

quarta-feira, 11 de maio de 2016

AS RAÍZES HISTÓRICAS DA SÚBITA DESINTEGRAÇÃO DO IRAQUE

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O atual avanço do Estado Islâmico - milícia sunita anteriormente conhecida como Isis - é, essencialmente, uma tentativa de reacomodar fronteiras regionais definidas por razões políticas. Junto com a dificuldade de controlar o conflito na Síria, o avanço do grupo é a tentativa mais séria atualmente de redesenhar o mapa do Oriente Médio.


Se não for barrada, a milícia - que já declarou um califado no leste da Síria e oeste do Iraque - pode por em risco não apenas as minorias étnicas e religiosas iraquianas, mas o próprio Iraque como Estado soberano. O Iraque parece se desintegrar a cada crise e uma das questões é quando tudo começou a sair errado.




Poder para poucos

 

As fronteiras do Oriente Médio hoje são, em grande parte, um legado da Primeira Guerra Mundial. Foram estabelecidas pelas potências coloniais com o fim e a divisão do Império Otomano. A Grã-Bretanha, potência colonial, impôs no atual Iraque o reino Hachemita, que prevaleceu sobre outras comunidades, como xiitas e curdos - uma dinâmica recorrente na história turbulenta do país. A monarquia foi derrubada por um golpe do partido Baath, um movimento nacionalista e de modernização semelhante ao que levou Gamal Nasser ao poder no Egito.


Com a queda da monarquia, assume Saddam Hussein, cabeça de um regime dominado pela facção sunita que também reprimiu reivindicações dos xiitas e curdos. O apoio do Ocidente a Saddam durante a guerra Irã-Iraque só fortaleceu sua liderança brutal.


Mas o governo do Partido Baath foi destruído pela invasão americana e britânica de 2003. Saddam Hussein foi deposto, julgado e executado pelo novo governo iraquiano. O exército iraquiano foi desmontado e deu lugar a novas forças de segurança.  A guerra que os neoconservadores americanos tinham imaginado como meio de levar a democracia à região, estabelecendo novos arranjos políticos e unindo todas as comunidades, produziu um sistema dominado por um estado de maioria xiita. Foi essa maioria que elegeu o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que acusou a população sunita de governar ignorando as necessidades de outras comunidades.

O Oriente Médio após a 1ª Guerra Mundial: as fronteiras estabelecidas pelas potências coloniais estão nas raízes da instabilidade regional



Muitos haviam se perguntando, depois da guerra, se o Iraque poderia permanecer um Estado unitário e uma das razões por trás da questão foi o nível significativo de autonomia alcançada pelos curdos no norte do país.


Atualmente, as forças armadas da região do Curdistão, onde está uma das mais ricas reservas de petróleo, combatem os militantes do Estado Islâmico. O Curdistão também recebeu refugiados que fugiram da ofensiva do EI. Porém, um elemento central desta receita deixou de existir a partir da retirada das tropas americanas do país.




Novo sectarismo


Apesar de planos iniciais de manter um contingente militar no Iraque para assessorar o exército iraquiano, Bagdá e Washington não chegaram a um acordo sobre esse tema. As últimas tropas americanas se retiraram em dezembro de 2011, deixando a segurança do país nas mãos das suas próprias forças de segurança.


Os Estados Unidos tinham feito progressos significativos na luta contra os grupos jihadistas ligados à Al Qaeda ao se aproximar de outros grupos sunitas. Sem os americanos, estes acordos entraram em colapso. Os sunitas ficaram cada vez mais vulneráveis a um exército dominado pelos xiitas. Os excessos das forças de segurança do Iraque serviram de incentivo para grupos extremistas recrutarem militantes sunitas.


Um grande paradoxo da derrubada de Saddam Hussein pelas tropas americanas é que a destruição do Iraque como força regional acelerou e facilitou o crescimento do Irã. Teerã enxergou os xiitas iraquianos como aliados em uma batalha regional mais ampla. Talvez por causa do apoio iraniano, o triunfo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki provocou a rejeição de grupos sunitas, piorando a situação de segurança na região.

A derrubada de Saddam Hussein pela coalizão liderada pelos EUA acelerou o crescimento do Irã na região.



Recentemente, o avanço dos militantes do EI resultou em um fato inédito: Irã e os Estados Unidos dialogaram, pela primeira vez, sobre a situação no Iraque, não como inimigos, mas como potências regionais preocupadas com um rival comum.




Jihad regional


O sectarismo e a divisão entre sunitas e xiitas são vistos por muitos analistas como o dilema do ovo e da galinha: o problema seriam as diferenças sectárias ou as falhas do Estado iraquiano nos âmbitos social e econômico, gerando mais divisões?


Apesar da riqueza em petróleo, a maioria dos iraquianos vive em condições de pobreza e os níveis de corrupção no país são altos.  O premiê iraquiano, acusado de favorecer seus seguidores, continua no poder apesar das críticas da oposição e mesmo de Washington, e agora tenta um terceiro mandato. 


Os iraquianos, mesmo focados em seus próprios problemas, notaram como as correntes da Primavera Árabe vieram e se foram: a transformação política no Egito e, claro, os conflitos na vizinha Síria. O apoio dos países do Golfo aos militantes sunitas extremistas facilitou o surgimento e a consolidação de grupos como o EI, com uma agenda regional cada vez mais ambiciosa. O crescimento da dissidência jihadista na Síria também teve implicações para o outro lado da fronteira. Há relatos consistentes de que o governo sírio de Bashar al-Assad subestimou esses insurgentes e se concentrou mais na luta contra os militantes mais moderados, apoiados pelo Ocidente. Isso deu espaço para o EI estabelecer suas próprias estruturas em áreas de baixo controle.



Fonte: BBC



terça-feira, 15 de julho de 2014

A HISTÓRIA DO GRÄF & STIFT QUE DEU INÍCIO À 1ª GUERRA MUNDIAL

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O século que começou dentro de um carro: atentado ao arquiduque Francisco Ferdinando completa 100 anos


Por Jason Vogel



Um dos episódios mais importantes da História completou cem anos. Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, príncipe herdeiro de Áustria, Hungria e Bohêmia, foi assassinado numa rua de Sarajevo, na Bósnia. Um estopim que detonou a 1ª Guerra Mundial.


No atentado cometido pelo estudante Gavrilo Princip, da organização nacionalista sérvia Mão Negra, morreu também a duquesa Sofia, esposa de Francisco Ferdinando.

O Gräf & Stift Double Phateon que foi palco do atentado é hoje acervo do Museu Militar de Viena



Um mês depois do crime, o Império Austro-Húngaro declarou guerra contra a Sérvia, levando Alemanha, Inglaterra, França, Rússia e muitos outros países ao primeiro conflito em grande escala da era industrial. Começava a 1ª Guerra Mundial (na época chamada apenas de “Grande Guerra”).


Para muitos historiadores, o atentado em Sarajevo marca o momento em que o século XX começou para valer. A guerra só acabaria em 1918, deixando 19 milhões de mortos, alterando fronteiras e mudando o eixo econômico do planeta: da decadência europeia brotava a emergência dos EUA.



BOMBA E TIRO


O atentado ao arquiduque teve como palco um carro da marca Gräf & Stift. Carregado de fatos e lendas, este automóvel existe até hoje, bem preservado no Heeresgeschichtliches Museum (Museu de História Militar), em Viena, na Áustria. Em termos funestos e políticos, supera até o Lincoln Continental em que John Kennedy morreu em 1963.


O fatídico Gräf & Stift tinha uma carroceria tipo double phaeton (espécie de limusine conversível) e fora fabricado em 1911. Não pertencia ao arquiduque Francisco Ferdinando e, nem sequer, a alguma frota oficial. Seu dono era o conde Franz von Harrach, oficial do exército austríaco.


Fato é que Francisco Ferdinando chegou de trem a Sarajevo e foi levado à câmara municipal no Gräf & Stift. No caminho, Nedeljko Cabrinovic, um militante da Mão Negra lançou uma bomba contra o automóvel. Leopold Lojka, o motorista, conseguiu desviar e o artefato explodiu em outro dos seis carros da comitiva, ferindo seus ocupantes.

Gavrilo Princip assassinado o arquiduque e sua esposa



Ainda assim, o arquiduque foi à prefeitura. Após o discurso, decidiu ir ao hospital onde estavam os feridos pela bomba. Houve um desvio da rota planejada e, na tentativa de se fazer o retorno, o carro empacou justamente onde estava Gavrilo Princip. Por obra do acaso, o terrorista de 19 anos se viu a apenas 2 metros de distância do Gräf & Stift e aproveitou a oportunidade: sacou uma pistola e deu dois tiros na direção do automóvel, ferindo mortalmente Francisco Ferdinando e a duquesa Sofia.



MITOS E LENDAS


Conta-se que, após a guerra, o mesmo Gräf & Stift esteve envolvido em diversos acidentes: num, o “governador da Iugoslávia” perdeu o braço; noutro, capotou e matou seu dono.


Os “causos” incluíam um desatre em corrida, uma queda de ribanceira, colisões e até o bombardeio do museu onde o Gräf & Stift fora aposentado. Tudo, porém, é ficção, fruto da imaginação fértil de um radialista americano que escreveu um conto nos anos 50.


Mas, nessa história há uma coincidência que nada tem de boato: o armistício da 1ª Guerra foi assinado em 11 de novembro de 1918. E a placa do Gräf & Stift é A-III-118 (leia-se: “A” de armistício, 11-11-18)...

Fonte: O Globo


domingo, 29 de junho de 2014

CENTENÁRIO DO ASSASSINATO DO ARQUIDUQUE FRANCISCO FERDINANDO

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Há exatos cem anos, com um tiro à queima-roupa, Gavrilo Princip mata o príncipe austro-húngaro, Francisco Ferdinando. É o pretexto para a 1ª Guerra Mundial

 

Por Andressa Rovani


Por pouco, o plano não foi por água abaixo. Inexperientes, os três jovens sérvios, Gavrilo Princip, Nedjelko Cabrinovic e Trifko Grabez, estiveram a um passo do fracasso de sua missão: matar o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando. Mas uma trapalhada da segurança do arquiduque colocou Princip de cara com o seu alvo. O tiro atingiu Ferdinando no pescoço. O crime foi a gota d’água para o início do conflito que deixou um saldo de 10 milhões de mortos.

Por trás do atentado estava a sociedade secreta Mão Negra. A organização nacionalista não havia engolido a anexação da Bósnia ao Império Austro-Húngaro, em 1908. E, em 1914, contratou o trio de sérvios para matar o arquiduque, em Sarajevo. Em seguida, os assassinos deveriam cometer suicídio com cianureto. Eles foram escolhidos justamente porque já estavam condenados à morte pela tuberculose. Não tinham o que perder.

O arquiduque austríaco Francisco Ferdinando


Com um arsenal de quatro pistolas e seis bombas, a ideia era que os rapazes, com a ajuda de agentes da organização, se distribuíssem no caminho que seria feito pela comitiva de Ferdinando com destino à prefeitura. O plano, no entanto, não saiu como eles imaginavam. Mas a sorte - ou azar - estava com Princip, que deu fim à vida do herdeiro do trono austro-húngaro em 28 de junho de 1914.

No total, oito homens foram presos. Princip foi condenado à pena máxima: 20 anos de prisão. O que ele desejava, no entanto, era morrer. "Minha vida já está arruinada. Eu sugiro que me preguem em uma cruz e me queimem vivo. Meu corpo em chamas será uma tocha para iluminar meu povo no caminho para a liberdade", declarou. Mas o jovem ainda viveria para ver, um mês mais tarde, a eclosão de um conflito que mobilizou todas as grandes potências mundiais.

Gavrilo Princip é conduzido preso após disparar contra o arquiduque


Apesar da ameaça de guerra já estar sendo gestada há anos pelos dois lados, o ataque à família real austro-húngara merecia uma resposta imediata - e à altura. Um ultimato, preparado pelo conselho ministerial austríaco, tornou inevitável o confronto. Foi a última tentativa diplomática de paz. Princip morreria antes do final da refrega, em 28 de abril de 1918.

 Fonte: Aventuras na História


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ARMAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS





Por Simone Pallone


Usar substâncias químicas e agentes biológicos como armas não é uma novidade dos últimos tempos. Desde a Antiguidade, os militares já se encantavam pelo poder das armas biológicas. Durante a dominação romana, os exércitos tinham especialistas que envenenavam as fontes de água potável que abasteciam as cidades. Além dessa tática, chegaram a utilizar germes de pessoas doentes de cólera, peste ou lepra, com o intuito de fazer com que as doenças enfraquecessem as forças do inimigo.

Nos séculos XVIII e XIX, os colonizadores europeus utilizaram a mesma estratégia, introduzindo a sífilis, a gripe, a varíola, o tifo e a tularemia, para aniquilar as populações nativas de outros continentes, técnica usada também no Brasil.

Entre 1940 e 1944, na campanha da Coreia contra a Manchúria, os japoneses bombardearam onze cidades com material contaminado com peste e tifo. O número de mortos nunca foi avaliado. E nos campos de concentração de prisioneiros de guerra, os japoneses injetaram em prisioneiros de origem mongol, britânica, americana e coreana, soluções com princípios ativos de diversas enfermidades epidêmicas, resultando na morte de, no mínimo, mil prisioneiros.

Após a 2a Guerra Mundial, nos anos 50 e 60 do século passado, o Governo dos Estados Unidos instalou no estado de Maryland, um complexo de laboratórios militares, conhecido como Forte Detrick, onde foram realizados mais de mil experimentos voltados ao desenvolvimento de armas biológicas.

Em relação às armas químicas, na 1a Guerra Mundial, os exércitos alemão, francês e britânico utilizaram gases venenosos para aniquilar os soldados do exército inimigo. Foram utilizados gás de cloro e de mostarda, a partir de 1916. Isso foi permitido pelo poder da indústria química do século XIX.

Soldados britânicos incapacitados pelo gás durante a 1a Guerra Mundial

Uma primeira experiência com o gás foi feita em 3 de janeiro de 1915. Os alemães lançaram gás de cloro em cartuchos sobre as trincheiras inimigas, mas as baixas temperaturas inibiram o efeito da substância. Porém, em abril do mesmo ano, o exército alemão usou o gás novamente. Nessa ocasião, uma densa névoa verde-cinza, típica do gás de cloro, que foi expelido de 520 cilindros, começou a soprar em direção às linhas de um regimento franco-argelino que sustentava a posição. Os soldados fugiram, tentaram se esconder ou se proteger com máscaras improvisadas. Alguns conseguiram, outros não. Psicologicamente, o ataque deu grande resultado, pois os soldados abandonaram suas posições deixando armas e mochilas no local.

Ainda em 1915, em setembro, os ingleses deram a sua resposta a esse ataque, jogando sobre os alemães entrincheirados, uma substantiva quantidade de gás de cloro. Se nos primórdios desse tipo de recorrência ao gás mortífero era costume utilizar grandes cilindros para despejar veneno ao sabor da direção em que o vento soprava, em seguida avançou-se para o uso de um cartucho próprio, capaz de lançar cápsulas de gás venenoso a enorme distância.

Foi a partir do ano de 1916, especialmente durante a longa batalha de Verdun, travada entre alemães e franceses, que o gás entrou em cena de vez. E desta vez estreou-se um novo gás, muito mais tenebroso em seus efeitos do que o cloro - o chamado gás de mostarda (dichlorethylsulphide). De cor amarelada forte, ele mostrou-se capaz de devastar as linhas adversárias mesmo em meio às tropas equipadas com máscaras antigases. Em contato direto com qualquer parte da pele da vítima, de imediato, ele levantava bolhas amareladas, atacando em seguida os olhos e as vias respiratórias. Além disso, tinha a capacidade de permanecer fazendo efeito durante um tempo bem superior do que os outros, como o gás lacrimogêneo (lachrymator), não-mortal, e o de cloro, seja o fosgênico ou o difosgênico.

Desde então, a paisagem da guerra das trincheiras foi marcada pela presença sistemática dos vapores do gás de mostarda que, utilizado por ambos os lados, passou a ser o manto sombrio e enfumaçado que cobria os soldados em seus últimos momentos de vida.


Guerras atuais

Na Guerra do Vietnã, os Estados Unidos utilizaram o napalm e o agente laranja. O napalm é uma mistura de gasolina com uma resina espessa da palmeira que lhe deu o nome e que, em combustão, gera temperaturas a 1.000º C. Se adere à pele, queima músculos e funde os ossos, além de liberar monóxido de carbono, fazendo vítimas por asfixia.

Ataque com Napalm no Vietnã


O agente laranja é um herbicida que derruba as folhas das árvores. Foi chamado assim porque era guardado pelos soldados em tonéis cor-de-laranja. Foi usado pelo exército americano, com a aprovação do presidente John Kennedy, desde 1961 até 1971, com o objetivo de privar os guerrilheiros vietnamitas de suas fontes de alimento e de proteger os invasores norte-americanos de seus ataques. É por isso que enormes descargas desses venenos se concentraram nas zonas em torno das bases norte-americanas e dos campos de pouso de aviões, assim como nas proximidades das rotas terrestres e fluviais.

Aviões da Força Aérea dos EUA espargindo o agente laranja nas florestas vietnamitas


Os efeitos destruidores do napalm devem-se, em grande parte, ao seu componente principal, a dioxina, um dos produtos tóxicos mais potentes, que perturba as funções hormonais, imunizantes e reprodutivas do organismo. Trinta anos depois da guerra, vê-se ainda nas ruas das cidades e nos campos gente mutilada - sem pernas, sem braços, cegas, com os corpos disformes. Esses problemas estão, em grande parte, ligados ao uso de desfolhantes nas operações militares frequentemente classificadas de a maior guerra ecológica da história da humanidade. Mesmo nos Estados Unidos, os efeitos ainda são notados nos ex-combatentes e em suas famílias. Entre os sintomas apresentados estão: cegueira, diabetes, câncer da próstata e dos pulmões, deformação de braços e pernas, entre outros.

Mais recentemente, em 1995, integrantes da seita apocalíptica Verdade Suprema promoveram um ataque a um trem do metrô de Tóquio. Eles levaram gás sarin dentro de sacos plásticos, escondidos embaixo do banco. Quando deixaram os vagões, os terroristas furaram os sacos plásticos com a ponta do guarda-chuva. O ataque causou a morte de 12 pessoas e deixou cinco mil feridos. O gás sarin, provoca um "curto-circuito" no organismo, com sangramentos e vômitos, que também levam à morte. O sarin pode matar em questão de minutos, após a exposição. A substância penetra no corpo por inalação, ingestão, ou também pelos olhos, ou pela pele.

Vítimas do atentado com sarin no metrô de Tóquio sendo atendidas


Os sintomas mais comuns são olhos lacrimejantes e salivação, ocorre também a contração das pupilas, também ocorre sudorese (suor excessivo), bem como dificuldade de respirar, visão turva, náusea, vômito, espasmos e dor de cabeça. A morte se dá pelo ataque à musculatura, ou seja, no momento em que ocorre o ataque à musculatura corporal, ocorre a incapacidade da sustentação de funções como a respiração, pois ocorre a paralisia dos músculos. O atentado de Tóquio mostra como é fácil disseminar um agente químico no ar.

Traje de proteção QBN (químico, bacteriológico e nuclear) do Exército dos EUA


O mais recente uso de arma biológica foi a contaminação por carbúnculo, ou antraz, ocorrida nos Estados Unidos, após os ataques desse país ao Afeganistão, na busca pelo terrorista Osama bin Laden. Esporos da bactéria Bacillus anthracis foram enviados por carta para políticos e profissionais da imprensa. Quatro pessoas morreram e 13 contraíram antraz desde o início de outubro, em meio a receios de que os Estados Unidos estariam sendo alvo de um ataque biológico. 

O efeito devastador do antraz já havia sido descoberto em 1979, quando uma liberação acidental de esporos de antraz ocorreu em um instituto biológico de Sverdlovsk, na Rússia. Setenta e nove casos de antraz inalado foram registrados e 68 foram fatais.


Equipe de segurança interna investiga suspeita de atentado terrorista com antraz nos EUA


No início da década de 1940, a Grã-Bretanha detonou bombas de antraz experimentais em uma ilha remota da costa nordeste da Escócia chamada Gruinard. Ela foi interditada até 1990, quando autoridades britânicas descontaminaram a ilha com centenas de toneladas de formaldeído.

O antraz humano tem três formas clínicas principais: cutâneo, pulmonar e gastrointestinal. O antraz cutâneo é o resultado da introdução do esporo através da pele; o antraz pulmonar, resultado de inalação, através do trato respiratório; e o antraz gastrointestinal, de ingestão. Se não for tratado, o antraz, em todas suas formas, pode conduzir a septicemia e morte. O tratamento precoce do antraz cutâneo conduz normalmente à cura, e o tratamento precoce de todas as formas é importante para recuperação. Em pacientes com antraz gastrointestinal a taxa de mortalidade varia de 25% a 75%. A taxa de mortalidade para antraz respiratório pode chegar de 90 a 100%.


Fonte: Com Ciência


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