"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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domingo, 21 de julho de 2024

UNIFORME - COURACEIRO BÁVARO, 1870

 

Tenente do 2º Regimento de Kürassiers bávaro (regimento "Príncipe Adalbert"). Foto batida antes do início da Guerra Franco-Prussiana. Esse regimento de cavalaria pesada lutou na feroz batalha de cavalaria que ocorreu durante/dentro da grande Batalha de Mars-la-Tour/Rezonville. A Bavária era um Estado independente em 1870, aliado da Prússia.
(Contribuição de Renato Coutinho).


terça-feira, 24 de agosto de 2021

IMAGEM DO DIA - 24/08/2021

 

Granadeiros da Guarda Imperial Francesa. Foto batida no Campo de Châlons, França, em 1866.  


terça-feira, 29 de junho de 2021

UNIFORMES - OFICIAL DOS ATIRADORES ARGELINOS, 1867

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Tenente do 3º Regimento de Atiradores Argelinos do Exército Imperial Francês. 


Renato Coutinho


Excelente foto batida em 1867. Este veterano veio de baixo. Começou sua carreira militar como praça, sargento na Guerra da Criméia, servindo no 5º Batalhão de Caçadores a Pé do Exército Imperial Francês, quando foi condecorado por bravura com a Medaille Militaire (condecoração que aparece nesta foto). Foi promovido a 2º tenente (sous-lieutenant em francês), promoção que recompensou sua conduta exemplar sob fogo, quando tinha 29 anos de idade. Foi promovido a 1º tenente com 34 anos (simplesmente "tenente" em francês). 

O oficial também lutou na Campanha do México. Em 1870, quando eclodiu a Guerra Franco-Prussiana, era capitão comandando uma companhia de um dos batalhões do excelente 3º Regimento de Atiradores Argelinos. Na Batalha de Froeschwiller, o 3º Regimento de Atiradores Argelinos combateu com uma tenacidade fora do comum e sofreu baixas muito pesadas. O capitão teve o quepe arrancado de sua cabeça por um projétil de fuzil prussiano, o qual também arrancou alguns cabelos de sua cabeça. Outra bala inimiga partiu a lâmina de seu sabre (esse mesmo sabre que aparece na foto). O capitão deu sorte naquele dia... Não foi ferido... Cerca de 82% dos oficiais do regimento foram mortos ou feridos naquele terrível dia. 

Ele foi agraciado com a Légion d'Honneur pela conduta/liderança exemplar que teve naquela batalha. Encerrou sua carreira militar em 1884, como coronel comandando um regimento de infantaria de linha francês.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

HISTÓRIA MILITAR NA FRANÇA - A DEFESA DE PARIS

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“A história só nasce para uma época quando ela está inteiramente morta. Assim, o domínio da história é o passado, o presente convém à política e o futuro pertence a Deus.”  
(J. Thiénot)


O futuro a Deus pertence!  A máxima de Thiénot deixa clara a imprevisibilidade do que pode acontecer com nossos projetos de vida e a incerteza da nossa caminhada.  Assim, mesmo nunca imaginando esta possibilidade, a vida trouxe o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar a residir na França, mais precisamente em Paris, por uma temporada.

Já nos dois primeiros dias aqui, é muito fácil constatar que a capital francesa transpira história, patrimônio, cultura, tradição e, acima de tudo, encerra inúmeras referências relacionadas com a História Militar.  Nesse sentido, a partir de hoje procurarei postar aqui no Blog todas as visitas, referências, monumentos, sítios e indicações relacionadas com o tema que eu tiver condições no período em que estiver morando aqui, embora, de antemão, tenha a consciência de que será impossível esgotar o assunto, devido à sua riqueza.

Hoje começo com o belíssimo monumento A Defesa de Paris, que faz referência à obstinada defesa da capital francesa diante do cerco realizado pelos prussianos durante a Guerra Franco-Prussiana.

A Defesa de Paris é uma escultura de Louis-Ernest Barrias inaugurada em 12 de outubro de 1883 na encruzilhada de Courbevoie (hoje distrito de La Défense), no território da cidade de Puteaux, nos Hauts-de-Seine.  Homenageia a memória das vítimas militares e civis que caíram durante o cerco de Paris na Guerra Franco-Prussiana de 1870.

O escultor Louis-Ernest Barrias venceu o disputado concurso para elaboração da escultura

Contexto histórico

Em 19 de setembro de 1871, os alemães começaram a sitiar Paris. O novo governo dispôs-se a negociar com Bismarck, mas suspendeu as conversações quando soube que os alemães exigiam a Alsácia e a Lorena. O principal líder do novo governo francês, Léon Gambetta, fugiu de Paris num balão, estabelecendo um governo provisório na cidade de Tours para reorganizar o exército no interior. A partir daí seriam organizadas 36 divisões, todas destinadas ao fracasso.

Mapa mostrando o cerco de Paris pelos prussianos

Esperanças de um contra-ataque francês dispersaram-se quando o marechal François Achille Bazaine, com um exército de 173.000 homens, apresentou sua rendição em Metz, no dia 27 de outubro.

A capitulação oficial de Paris ocorreu em 28 de janeiro de 1871. Louis Adolphe Thiers, velho político francês, foi eleito pela assembleia como chefe do executivo e solicitou um armistício aos prussianos, o qual foi concedido por Bismarck. O armistício incluía a eleição de uma assembleia nacional francesa que teria a autoridade de firmar uma paz definitiva. A Assembleia Nacional Francesa reuniu-se em Bordéus, em 13 de fevereiro, nomeando Louis Adolphe Thiers o primeiro presidente da Terceira República Francesa. O acordo, negociado por Thiers, foi assinado em 26 de fevereiro e ratificado em 1º de março. A população de Paris, entretanto, recusou-se a depor as armas e, em março de 1871, revoltou-se, estabelecendo um breve governo revolucionário, a Comuna de Paris.

Em 1879, os republicanos se tornaram maioria no parlamento e se estabeleceram definitivamente no poder. O novo regime procurou distinguir-se da República de Mac Mahon, insistindo em recordar a política de defesa nacional que os republicanos haviam conduzido de setembro de 1870 a janeiro de 1871, durante a Guerra Franco-Prussiana.

Nesse sentido, em homenagem à obstinada defesa de Paris, os republicanos também manifestaram seu desejo de reintegrar a capital na comunidade nacional e acabar com as divisões nascidas da Comuna de Paris.

A construção de monumentos também afetou a ordem simbólica: a Terceira República foi percorrida do nível nacional a nível local a partir da década de 1880, por meio de uma "estatuomania" sem precedentes, que variava do Bourgeois de Calais de Rodin, ao Triunfo da República de Jules Dalou, valorizando os "pequenos patriotas", bem como a grande Pátria francesa.

Um concurso com grandes artistas

Para comemorar a defesa heroica de Paris contra os prussianos, a Prefeitura do Sena organizou, em 1879, um concurso para a construção de um monumento na rotatória de Courbevoie, localizada no final da Avenida de Neuilly, e no alinhamento do Arco do Triunfo, onde os Guardas Nacionais se reuniram antes da última batalha de Buzenval, ocorrida em 19 de janeiro de 1871 na fase final da conflito.

Cem artistas competiram, incluindo Gustave Doré, Auguste Bartholdi, Carrier-Belleuse, Alfred Boucher, Alexandre Falguière e Auguste Rodin, mas a escolha dos jurados foi pelo projeto de Louis-Ernest Barrias. O monumento foi erguido sobre o que era a rotatória de Courbevoie e ali permaneceu até 1965, instalado em uma base que, até então, havia apoiado uma estátua de Napoleão I.

A localização tornou-se o distrito comercial e financeiro de La Défense, cujo nome deriva da obra de Barrias.  Devido aos trabalhos de construção do moderníssimo distrito, a escultura foi desmontada e armazenada por vários anos, até ser reinstalada, em 21 de setembro de 1983, cem anos após a sua inauguração e praticamente no mesmo local que antes.
  
A prestigiada inauguração

Na tarde de 12 de agosto de 1883, uma grande multidão, estimada em mais de cem mil pessoas, participou da inauguração de escultura de Barrias em cerimônia presidida pelo Ministro do Interior da França, Pierre Waldeck-Rousseau.

A escultura ainda instalada sobre a base original em 1910


A cerimônia começa às 16 com uma salva de vinte e um disparos disparos de canhão posicionados no Monte Valerian, enquanto a banda de música da Guarda Republicana executava a Marseillaise. Após os discursos habituais, homenageando o patriotismo dos combatentes e a coragem heroica dos parisienses sitiados, a inauguração terminou com um grande desfile militar.

Após a partida das autoridades, o público pode finalmente aproximar-se do monumento, colocado no centro da praça instalado em uma base de granito, cercado por um portão de ferro, e iluminado por lanternas a gás nos quatro vértices.

Na inauguração, os partidários da Comuna de Paris perturbaram a cerimônia patriótica, uma bandeira vermelha foi desdobrada, e pôde-se ouvir as palavras de ordem: "vida longa à anistia; vida longa à República Social".

A escultura e suas representações

A escultura produzida em bronze representa as três figuras que simbolizam a defesa de Paris:
- Uma mulher, vestida com o uniforme da Guarda Nacional, apoiada em um canhão e segurando uma bandeira, representa a figura alegórica da cidade de Paris.
- Os defensores assumem as características de um jovem soldado mobilizado, que coloca um último cartucho no seu fuzil Chassepot. As duas figuras olham para Buzenval, o lugar dos últimos combates em janeiro de 1871.
- Do outro lado do monumento, uma menina prostrada que, com sua expressão triste e aparência miserável, personifica os sofrimentos da população civil.

A mulher vestida com o uniforme da Guarda Nacional e empunhando a bandeira representa a própria Paris. O soldado colocando o último cartucho em seu fuzil faz referência ao exército francês.


A menina prostrada , com sua expressão triste e aparência miserável, personifica os sofrimentos da população civil parisiense


Placa indicativa do monumento

Barrias inspirou-se no trabalho de Amédée Doublemard, A Defesa da barricada de Clichy, também conhecido como monumento ao marechal Moncey, da Place de Clichy em Paris.

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar diante do monumento A defesa de Paris

O monumento emprestou seu nome ao distrito La Défence, que se tornou o principal centro de negócios e finanças da Europa.

O distrito de La Défence, maior centro financeiro da Europa, recebeu seu nome devido à referência do monumento de Barrias

Referências
- BEST, Janice. Les monuments de Paris sous la Troisième République: Contestation et commémoration du passé. Paris: L'Harmattan, coll. Histoire de Paris, 2010.

- LAVALLE, Denis. Le monument de la Défense et la statuaire du XIX siècle. Paris: Archives départementales des Hauts-de-Seine, 1983.

sábado, 27 de maio de 2017

O HEROÍSMO DOS ATIRADORES ARGELINOS NA BATALHA DE FROESCHWILLER

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Por Renato Coutinho

"Nós vamos todos morrer aqui, se necessário for!" 
Coronel Pierre François Jean Raphael Suzzoni 
(comandante do 2º Regimento de Atiradores Argelinos em 1870).


Guerra Franco-Prussiana, agosto de 1870, França invadida. Batalha de Froeschwiller/Wörth (6 de agosto de 1870): 37.000 soldados e oficiais franceses, apoiados por 101 canhões, enfrentam 81.000 soldados e oficiais prussianos, bávaros e de Württemberg, com 300 canhões. Os militares franceses combateram com uma tenacidade fora do comum naquele dia, lutando em grande desvantagem numérica e enfrentando o devastador fogo da artilharia prussiana, superior em quantidade e qualidade. Aliás, diga-se de passagem, a artilharia prussiana salvou o dia, pois as brigadas e divisões de infantaria germânicas foram repelidas com muitas baixas sofridas nas primeiras três horas de batalha. 

Vários regimentos de infantaria de linha franceses lutaram muito bem. Muitos batalhões de Caçadores a Pé, quase todos, combateram muito bem (alguns combateram de modo extraordinário), mas o grande destaque foi para os três regimentos de Zuavos e os três regimentos de Atiradores Argelinos. Eles simplesmente combateram como demônios, lutando com ferocidade e tenacidade raramente observadas em um campo de batalha, pagando preço altíssimo pela resistência incrivelmente tenaz.

O 2º Regimento de Atiradores Argelinos foi a unidade francesa que sofreu maior número de baixas naquele dia. Esse regimento de infantaria de elite foi praticamente destruído. Durante quase seis horas de intenso combate, defendendo parte de uma floresta logo abaixo da vila de Froeschwiller, o 2º de Atiradores Argelinos primeiro derrotou e repeliu uma brigada de Infantaria da Bavária, com três regimentos de infantaria, contra-atacando ferozmente com carga de baioneta depois de violento e demorado tiroteio, colocando os bávaros em fuga acelerada. Em seguida, derrotou e repeliu uma brigada de Infantaria da Prússia, também com três regimentos de infantaria, novamente contra-atacando ferozmente com baionetas após sangrento e demorado tiroteio. 

"Nós vamos todos morrer aqui, se necessário for!", bradou o Coronel Pierre François Jean Raphael Suzzoni, comandante do 2º Regimento de Atiradores Argelinos, antes de perder a vida na batalha


Antes que a brigada prussiana entrasse em contato com seu regimento, o Coronel Suzzoni proferiu a arrepiante frase que aparece no topo do texto:

- "Nós vamos todos morrer aqui, se necessário for!"

O devastador fogo da artilharia prussiana causou muitas baixas no regimento durante o ataque da infantaria prussiana, e não cessou com o recuo da brigada prussiana.

Às 14:30h, Suzzoni foi morto ao ser atingido por um estilhaço de projétil de artilharia prussiano. A batalha continuou. Regimentos das duas brigadas germânicas que foram repelidas, mais uma descansada brigada de infantaria prussiana, lançaram novo ataque com enorme apoio da precisa artilharia prussiana. 

O 2º Regimento de Atiradores Argelinos resistiu durante mais 55 minutos antes de praticamente deixar de existir. O regimento foi flanqueado por ambos os lados e quase completamente cercado. Os militares deste regimento não arredaram, não perderam a coesão, não entraram em pânico, não tentaram correr e combateram até o amargo fim.

Atirador argelino na Guerra Franco-Prussiana.  Durante a Batalha de Froeschwiller, os homens do 2º Regimento lutaram como leões e a unidade sofreu 93% de baixas.

"Estávamos em um círculo de ferro e fogo", disse um atirador argelino. Quase todos os oficiais do regimento tombaram mortos ou feridos. O 2º Regimento de Atiradores Argelinos iniciou a batalha com 2.900 militares, oficiais e praças, e terminou o dia com apenas 250 homens aptos para o combate (esses 250 conseguiram escapar do cerco sob o comando de um capitão do regimento). O regimento sofreu 2.650 baixas, aproximadamente 93% de seu efetivo.


O capitão Henry Arthur Viénot foi o oficial mais antigo a sobreviver à batalha, e liderou os 250 homens remanescentes do regimento

Se o feito e o oficial protagonista fossem norte-americanos, britânicos ou alemães, e o combate tivesse acontecido no século XX, principalmente durante a 2ª Guerra Mundial, (aparentemente, a história militar se resume ao século XX), seria um feito de armas muito mais conhecido, admirado e lembrado e, provavelmente, já teria virado filme. Porém, como o combate não ocorreu no século XX e teve militares franceses como protagonistas, desses que se rendem após o primeiro disparo (o estereótipo idiota que predomina na internet), quase ninguém conhece essa batalha e número ainda menor conhece esse combate em particular. 

Poucos já ouviram falar ou leram sobre os soldados franceses que combateram como leões na Batalha de Froeschwiller. Raramente são lembrados fora da França.

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

GUERRA FRANCO-PRUSSIANA: MOLTKE E O PENSAMENTO MILITAR




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A Guerra Franco-Prussiana remodelou a Europa e preparou o caminho para a 1ª Guerra Mundial. Desenrolou-se de 19 de Julho de 1870 a 10 de Maio de 1871, tendo como adversários o Império Francês e o Reino da Prússia. O conflito marcou o clímax das tensões entre as duas potências após o crescente domínio da Prússia sobre a Alemanha, na época ainda uma federação de territórios quase que independentes.

Esta guerra sinalizou o crescente poderio militar e o imperialismo da Alemanha. Foi provocada por Otto von Bismarck, o chanceler prussiano, como parte do seu plano de criar um Império Germânico unificado. No campo militar, o papel de Helmuth von Moltke foi da maior importância, na preparação e condução da guerra com o trabalho de estado maior

A Guerra Franco-Prussiana foi o principal conflito armado da Europa no final do século XIX, teve como objetivo maior a unificação alemã, e segundo algumas interpretações de analistas, ela somente foi prolongada além do necessário, com o objetivo de propiciar o tempo para que alguns dos pequenos estados alemães se unissem em torno da Prússia contra um inimigo comum.

O conflito foi, de certa forma, a última guerra napoleônica, em relação à tática, e a primeira guerra industrial, em relação aos recursos logísticos e tecnologia. Este panorama se evidencia, primeiramente, pelo uso de novas, mas também das tradicionais táticas pela infantaria e artilharia, pelo papel secundário da cavalaria nos combates (que deveria ser repensado diante do novo tipo de guerra). Em segundo lugar, pela introdução do fuzil de retrocarga, das metralhadoras, canhões pesados de retrocarga e alma raiada, transporte maciço de tropas por ferrovias, comunicações por telégrafos, navios blindados à vapor, dentre outras inovações.

Helmuth von Moltke

No conflito surgem como grandes personagens, o chanceler Bismarck e o General Helmuth von Moltke, que comandou o exército prussiano na vitória contra os franceses, mas permaneceu como chefe do Estado-Maior durante 30 anos. Para ele, as guerras possuíam um fator fundamental que era sua capacidade de mobilização nacional, e não suas manobras no terreno. Ele não acreditava que houvesse um conjunto rígido de regras que poderiam ser seguidas pelos estrategistas, dessa forma, a estratégia era uma arte e seria fundamental saber agir sob pressão nas condições presentes. Moltke ainda afirmava que para se conquistar a vitória, era imprescindível ter capacidade de colocar um exército armado superior ao do inimigo, antecipar-se ao seu desdobramento e envolvê-lo pelos flancos, visando a sua retaguarda.

Moltke instituiu a função principal do Estado-Maior através da coordenação e apoio logístico, que exigiria oficiais altamente habilitados e treinados para a exploração das novas técnicas e das ferrovias, tendo poderes para realizar interferências diretamente sobre os comandantes nas batalhas. Ele implementou novas medidas como o sistema de “diretivas gerais” no lugar da rigidez das “ordens de operação”, garantindo liberdade de ação aos subordinados e a dispersão dos exércitos durante os deslocamentos, para somente se agruparem na hora do combate, aumentando a rapidez destes deslocamentos.

Estes conceitos e ideias de Moltke foram colocados em prática na Guerra Franco-Prussiana e, somados a ação efetiva do Estado-Maior, propiciaram a vitória do Exército Prussiano. Através de esmerada organização e planejamento, houve a mobilização rapidamente de quase 400 mil homens do Exército Alemão para os lugares dos combates. Havia uma superioridade numérica das tropas, mas também superioridade logística e da artilharia quanto a sua organização e mobilidade.


Tropas francesas sob fogo da artilharia prussiana


Durante a Batalha de Wörth, por exemplo, o Exército Alemão envolveu e derrotou o flanco direito francês, porém com muitas baixas. Já nas batalhas sangrentas de Vionville e Gravelotte, não houve vencedores, e após a reorganização do exército por Moltke, abandonando a tripartição e dividindo o exército alemão em dois grupos iguais, ocorreu a vitória esmagadora e decisiva na batalha de Sedan, onde as tropas francesas foram cercadas na fronteira belga pelo fogo cerrado da artilharia, e pelo ataque das tropas de infantaria e cavalaria alemãs.

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sexta-feira, 9 de maio de 2014

FRANCESES X ALEMÃES: RIVAIS SECULARES

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O conflito entre as duas potências europeias é antiquíssimo, 

e o histórico inclui guerras longas e disputas que resultariam em guerras até o século 20

 

 

Por Cristiano Dias


De um lado o rei Luís XIV, Napoleão Bonaparte e o general Charles De Gaulle. Do outro, o déspota da Prússia Frederico II, o chanceler Otto von Bismarck e o führer Adolf Hitler. As duas potências continentais européias têm uma longa história de desentendimentos e crises. A relação conflituosa entre franceses e alemães arrastou o continente a pelo menos quatro guerras.

A americana Ruth Putnam, autora de Alsace and Lorraine: from Caesar to Kaiser (ainda sem tradução para o português), diz que o começo da rivalidade está nas escaramuças entre tribos celtas e germânicas, que no tempo do Império Romano ocupavam o que viria a ser os territórios atuais de França e Alemanha. Já o historiador francês René Lauret não vai tão longe. "Celtas e germânicos se espalhavam em tribos isoladas e não se adequavam ao conceito moderno de nação", afirma o autor de France and Germany: the Legacy of Charlemagne (também sem tradução para o português). A primeira fagulha entre franceses e alemães, portanto, esperou pelo nascimento de França e Alemanha, séculos mais tarde.

Lauret, como a maioria dos pesquisadores, considera como marco zero das duas nações a partilha de Verdun, em 843. O tratado dividiu o reino de Carlos Magno entre seus três netos: Lotário, Carlos e Luís. Carlos ganhou as terras ocidentais, que mais tarde se tornariam a França. Luís recebeu o reino oriental, de tradição germânica. No meio dos dois ficou o neto mais velho, Lotário, que herdara a cereja do bolo: todo o prestígio imperial, a capital, Aachen, e a região central do antigo reino. Mas, sem a menor unidade política, seu reino se esfacelou e o espólio passou a ser disputado freneticamente pelos outros dois. Desde então, franceses e germânicos passaram por pequenos desentendimentos de fronteira, nada grave. Isso porque a França, até o século XVI, só tinha olhos para o Atlântico, alimentando uma rivalidade mais antiga com os ingleses. Já os vizinhos alemães se mantinham ocupados com a Itália e os Bálcãs, tentando sempre expandir sua esfera de influência para além dos Alpes. Mas o quadro mudou quando os franceses expulsaram os ingleses do continente ao conquistar o porto de Calais em 1558. Só restava apontar a espada contra a Germânia.

Nunca é demais lembrar: o que entendemos hoje por Alemanha era, na época, um punhado de pequenos reinos que gravitavam em torno de uma confederação conhecida por Sacro Império Germânico, capitaneada pela Áustria e governada pela dinastia dos Habsburgos. O império era uma colcha de retalhos, o que o colocava em posição de desvantagem à França. Freqüentemente, os franceses apenas assistiam de camarote as pendengas internas, esperando tirar algum proveito territorial em intermediações de paz.


ATÉ QUE A GUERRA OS SEPARE

Foi exatamente isso o que aconteceu no primeiro grande choque entre os dois novos rivais, na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). O conflito teve início por causa de diferenças religiosas entre católicos e protestantes no Sacro Império Germânico e arrastou várias nações para uma guerra travada em solo alemão. O resultado foi desastroso. A população alemã foi reduzida de 16 para 8 milhões de habitantes, e o império, fragmentado em mais de 300 territórios soberanos. "A França saiu como vitoriosa. Em meio ao cenário caótico, anexou a Alsácia e rapidamente começou a escalada para se tornar a maior potência do planeta. O território seria fundamental para deflagrar conflitos futuros entre as duas nações", diz a inglesa Mary Fulbrook, professora de história da University College, de Londres.

A Guerra dos Trinta Anos, travada no século XVII, foi o primeiro conflito entre germânicos e franceses 


No século seguinte, aproveitando-se da debilidade do adversário, os franceses expandiram o país à custa de pequenos reinos alemães. Conquistaram a Lorena, a cidade de Estrasburgo e fincaram o pé na margem esquerda do Reno. Com a Alemanha dividida, ninguém poderia deter esse avanço. Manter os alemães enfraquecidos se tornou ponto comum na diplomacia francesa.

O século XVIII trouxe um novo componente à rivalidade: o surgimento da Prússia. No início, austríacos e prussianos lutaram ferozmente pela hegemonia regional. Esses conflitos eram tudo o que os franceses queriam - claro, torciam para que ninguém saísse vencedor. Durante a Guerra de Sucessão Austríaca (1740-1748), apoiaram a Prússia contra a Áustria. Dez anos mais tarde, na Guerra dos Sete Anos (1756-1763), cerraram fileiras com a Áustria contra a Prússia. "A rivalidade austro-prussiana neutralizava as duas nações e deixava os territórios germânicos à mercê da intervenção externa", escreveu o inglês Geoffrey Barraclough em The Origins of Modern Germany (ainda sem tradução para português).

Se a ascensão da Prússia acirrou a rivalidade interna com a Áustria e facilitou a vida da França, a Revolução Francesa teve o efeito contrário. Em 1792, pela primeira vez prussianos e austríacos se uniram contra os franceses, formando a primeira de uma série de coalizões contra os revolucionários que queriam varrer as monarquias da Europa. Apesar de terem sido fregueses de carteirinha da grande armée de Bonaparte, Prússia e Áustria foram sempre um obstáculo em todo o período napoleônico. Foi somente após a fracassada campanha de Napoleão na Rússia, em 1812, que prussianos e austríacos conseguiram derrotar o inimigo pela primeira vez - em 1813, na Batalha de Leipzig.

A derrota significou o maior equilíbrio entre franceses e alemães. O Congresso de Viena, em 1815, que redesenhou o mapa europeu, foi generoso com a Prússia, que herdou territórios na Renânia e na Vestfália, dobrando sua população e aumentando consideravelmente a influência sobre a recém-criada Confederação Germânica, a Deutsche Bund, o embrião da atual Alemanha.

O período que se seguiu à queda de Napoleão foi de relativa tranqüilidade para as relações franco-prussianas. A Prússia deu prioridade à consolidação frente aos estados germânicos. O plano era conseguir tomar a liderança regional, que até então sempre fora da Áustria. Por sua vez, a França continuava monitorando tudo de perto, mas não tinha tanta liberdade de ação por ainda se ressentir bastante das últimas desastrosas batalhas de Napoleão.

Tropas francesas resistem aos prussianos durante a Guerra Franco-Prussiana


O crescimento da Prússia, porém, fez com que uma vitória contra a Áustria fosse questão de tempo. Lentamente, sob a batuta do chanceler Otto von Bismarck, os prussianos foram colocando os austríacos para escanteio até confiná-los em um estado à parte. Bismarck sabia que a França jamais permitiria que a Prússia anexasse determinados estados germânicos e patrocinasse a unificação. Não sem outro conflito. Assim, em 1870 estourou a Guerra Franco-Prussiana. O embate durou cerca de um ano e foi uma rápida e contundente vitória da cada vez mais poderosa nação alemã, agora unificada sob a égide do kaiser Guilherme I da Prússia.

A vitória sobre a França deu à Alemanha o direito de reaver a Alsácia, boa parte da Lorena e ainda pedir uma fortuna de indenização aos franceses. Com isso, estava inventada uma fórmula incendiária que culminaria em duas guerras mundiais no século seguinte. Com a França batida e uma economia que não parava de crescer, o império alemão começou a procurar colônias.

Esse expansionismo embaralhou os interesses da Alemanha com os das potências coloniais já estabelecidas, principalmente Inglaterra e França. Um novo confronto era inevitável. Isoladas, Alemanha, Áustria e Itália formaram a Tríplice Aliança, à qual se opôs a Tríplice Entente, de russos, ingleses e franceses. E o barril de pólvora da Europa foi de novo pelos ares.

Hitler entra triunfante em Paris em 1940: ápice do antagonismo franco-germânico


O Tratado de Versalhes, que deveria selar a paz após a Primeira Guerra Mundial, foi uma sentença humilhante para os alemães, parecido com o acordo que pôs fim à Guerra Franco-Prussiana anos antes. Novamente a paz deveria ser mantida à base de indenizações bilionárias e de uma total desmilitarização do inimigo. Não demorou muito para que o conflito fosse retomado. Dessa vez, a Alemanha, sob o comando de Hitler, invadiu a França com facilidade e ocupou o país por quatro anos.

A Segunda Guerra Mundial enterrou quase 40 milhões de pessoas. E, paradoxalmente, com elas morreu a hostilidade. França e Alemanha descobriram a parceria. Mas o caminho do diálogo foi longo. Os franceses só permitiram que os alemães reconquistassem a soberania em 1955. A importância estratégica da Alemanha Ocidental na Guerra Fria lhe garantiu lugar de honra na Otan e no nascente Mercado Comum Europeu. Ainda hoje franceses e alemães discordam de direções econômicas dentro da Comunidade Econômica Europeia - mas uma nova guerra entre Paris e Berlim é algo inimaginável.

Fonte: Aventuras na História
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domingo, 17 de julho de 2011

HELMUTH VON MOLTKE E O ESTADO-MAIOR PRUSSIANO





* 26/10/1800 – Parchim, Mecklemburgo

+ 24/04/1891 – Berlim, Alemanha


Helmuth Karl Bernhard Von Moltke, depois Conde Von Moltke, era mecklemburguês de nascimento, de família de tradicional nobreza que emigrara para o Holstein.


Início da vida militar

Após cursar a Escola de Cadetes de Copenhage, serviu no Exército Dinamarquês como oficial, de onde deu baixa em 1821 para ingressar no Exército da Prússia.

Em 1826 terminou brilhantemente o curso da Academia de Guerra Prussiana, onde se doutrinava Clausewitz. Sete anos depois, fazendo parte do Estado-Maior prussiano, viajou pelo sul da Alemanha e pelo norte da Itália. Licenciado em 1835, como capitão, viajou pela Europa Sul-Oriental, entrou em serviço na Turquia, conheceu os Dardanelos, o Bósforo, a Bulgária, a Romênia e outras regiões próximas dos estreitos. Como conselheiro militar do Exército Turco, conheceu outras regiões, incluindo o Eufrates.

Depois de haver participado da batalha de Nisif, na guerra contra o Egito, em 1839 voltou à Prússia e, no ano seguinte, já no posto de major, foi reincluído no Estado-Maior prussiano. Na oportunidade, já gozava de bom conceito de oficial inteligente e de grande capacidade de trabalho e publicou alguns trabalhos técnico-militares que lhe aumentaram a reputação.


Chefe do Estado-Maior prussiano

Após desempenhar alguns comandos e comissões militares, já promovido a major-general, ascende, em 1856, à chefia do grande Estado-Maior do Exército prussiano. Nessa época, Bismarck já dirigia a diplomacia prussiana.

Como chefe do Exército e amigo do rei da Prússia, Moltke, todavia, manteve-se à margem da política, nesta só influenciando em função dos interesses puramente militares.

Von Moltke fotografado em 1871, em pleno exercício da função de chefe do estado-Maior prussiano


À frente do Estado-Maior, deu continuidade ao trabalho iniciado por Scharnhorst e aplicou a doutrina clausewitziana. Tratou de aperfeiçoar o Exército Prussiano, juntamente com Roon, Ministro da Guerra, ambos assessorando o rei. Enfrentaram as dificuldades que lhes opôs o Parlamento e, para vencê-las, contaram com a ajuda de Bismarck.

Sob a direção de Moltke, o Estado-Maior realizou o seu papel precípuo: a preparação para a guerra, consubstanciada em planos de operações decorrentes dos planos de guerra traçados pela política de segurança nacional. Isso exigia que o Estado-Maior se mantivesse em dia com os fatores do poder nacional, tanto da Prússia, quanto de seus prováveis adversários. Além disso, o Estado-Maior preparava a execução dos planos elaborados.


Novas táticas e organizações

Como a marcha de um corpo de exército, com todos os seus meios, apresentava uma coluna muito profunda, exigindo seu acantonamento em uma grande área, o exército não podia marchar reunido. Moltke assumiu a paternidade da fórmula “marchar separados, mas combater reunidos” para os corpos de exército. A execução dessa fórmula seria facilitada pelo uso intensivo das estradas de ferro.

O planejamento militar tal como era concebido pelo Estado-Maior de Moltke partia das hipóteses de guerra concebidas pela política de defesa nacional e compreendia: o plano de mobilização, o plano de concentração, o plano de transporte e o plano de operações. Assim, a preparação para a guerra era feita com antecedência, atentando para os mínimos detalhes, e esse planejamento precisava ser constantemente atualizado para atender às modificações indicadas pela política de segurança nacional.


Oficiais de estado-maior prussianos realizando reconhecimento para prepar um plano de operações


Surgia daí, pela primeira vez, o verdadeiro Serviço de Estado-Maior, o qual, no caso prussiano, era integrado por oficiais competentes, imbuídos de uma doutrina e em consonância com o pensamento de seu chefe: Moltke.

A amplitude dos efetivos impôs a criação dos exércitos de campanha. Moltke, verificando que na guerra moderna o comandante-em-chefe somente devia dirigir e coordenar o plano estratégico, conferia aos seus comandantes de exército grande liberdade tática, que os marechais de Napoleão jamais conheceram.


O resultado

Com um exército bem preparado e planos estabelecidos minuciosamente, a Prússia obteve a vitória nas guerras Austro-Prussiana (1864-1866) e Franco-Prussiana (1870-1871), todas de objetivos limitados e adequados aos meios disponíveis, impostos por Bismarck e conduzidas por Moltke.


Fonte: Texto adaptado da obra A Arte da Guerra, de Francisco Ruas Santos.




sexta-feira, 27 de maio de 2011

GUERRA FRANCO-PRUSSIANA - CAUSAS

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No dia 19 de setembro de 1870, o cerco das tropas alemãs a Paris, marcou o início do fim da guerra de Bismarck contra Napoleão III.

O fato que conduziu diretamente ao irrompimento da Guerra Franco-prussiana de 1870 foi a candidatura do príncipe Leopoldo von Hohenzollern-Sigmaringen, um parente distante do rei prussiano Guilherme I, ao trono espanhol, que havia ficado vago após a revolução de 1868.

Embora sem o consentimento de Guilherme I, o então chefe de governo da Prússia, Otto von Bismarck, convenceu Leopoldo de que o trono espanhol deveria ser ocupado por alguém da dinastia Hohenzollern. Já a França, governada por Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, foi contra, por temer um desequilíbrio de poder na Europa em favor dos alemães.


Num gesto extremo, Paris ameaçou a Prússia com guerra, caso não retirasse o apoio ao candidato ao trono espanhol. A pressão de Guilherme I cresceu, a ponto de Leopoldo desistir oficialmente. Mas Napoleão III, que pretendia ver a Prússia humilhada, exigiu do soberano alemão um pedido oficial de desculpas e, acima de tudo, a garantia de que também no futuro a dinastia Hohenzollern não ambicionaria o trono espanhol.

Esta exigência foi manipulada por Bismarck para ser entendida como um ultimato da França. Ele não só acreditava que seu país estivesse preparado para um conflito armado; apostava, também, no efeito psicológico que uma declaração de guerra contra a Prússia teria nos países vizinhos. Contando com a solidariedade dos países de idioma alemão, estaria praticamente atingida a meta da unificação (que desembocaria no II Reich).


Vizinhos do sul aliaram-se à Prússia

A guerra foi declarada pela França a 19 de julho de 1870 e, imediatamente, a Alemanha e seus vizinhos sulinos uniram-se numa frente contra Napoleão III e suas tropas. O Império Áustro-Húngaro, a Rússia, a Itália e a Inglaterra preferiram manter a neutralidade. Enquanto as tropas alemãs, do comandante-em-chefe conde Helmuth von Moltke, dispunham de 400 mil soldados, os franceses conseguiram mobilizar apenas 200 mil.

A primeira batalha, a 2 de agosto, em Saarbrücken, foi vencida pela França. Quatro dias depois, entretanto, o país sofria a primeira derrota. As seguintes seriam em Vionville (15 de agosto), Gravelotte (18) e Beaumont (30/08).

A batalha decisiva foi iniciada na manhã de 1º de setembro, em Sedan. Napoleão chegou ao campo de batalha na tarde do mesmo dia e assumiu o comando militar. Ao conscientizar-se da situação desoladora, ordenou que fosse içada a bandeira branca. Na mesma noite, foi negociada a capitulação e a prisão de Napoleão e 83 mil soldados franceses.

Quando esta notícia chegou a Paris, houve uma rápida rebelião, a Assembléia Constituinte foi dissolvida e, a 4 de setembro, proclamada a República Francesa. No dia 19 de setembro de 1870, as tropas alemãs cercaram Paris. Nos conflitos que se seguiram, comandados pelo governo da resistência, em Tours, os franceses foram derrotados pelos prussianos. Os sérios problemas de abastecimento e a forma rudimentar com que a população civil tentava evitar a tomada da capital apressaram a capitulação, a 19 de janeiro de 1871.

Um dia antes, Guilherme I havia sido coroado imperador alemão no Palácio de Versalhes, selando o objetivo de Bismarck, de uma grande potência alemã. A capitulação formal de Paris e o armistício aconteceram a 28 de janeiro de 1871. Seguiram-se a composição da Assembléia Nacional francesa e a constituição da Terceira República. O acordo de paz foi selado em Frankfurt, a 10 de maio de 1871. Como reparação de guerra, a França abdicou da Alsácia  e foi forçada a pagar uma alta soma em dinheiro.


 
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ARMAS - FUZIL CHASSEPOT

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O Chassepot, oficialmente conhecido como o Fuzil modèle 1866, era um fuzil de repetição de ferrolho, famoso por ser a arma empregada pelas tropas francesas durante a Guerra Franco-Prusiana. Substituiu a uma grande variedade de fuzis de antecarga Minié, muitos dos quais tinham sido modificados como fuzis de retrocarga em 1867 (Fuzil Tabatière). Sendo uma grande melhora com respeito aos fuzis militares existentes em 1866, o Chassepot marcou o início de era dos fuzis de ferrolho. A partir de 1874, o fuzil foi modificado com facilidade para empregar cartuchos metálicos - com a denominação de Fuzil Gras.

Antoine Alphonse Chassepot

O fuzil era fabricado pela Manufacture d'Armes de St. Etienne (MAS), Manufacture d'Armes de Châtellerault (MAC) and Manufacture d'Armes de Tulle (MAT). Vários destes fuzis foram fabricados sob licença na Inglaterra (Potts and Hunt), Bélgica (diversas empresas de Lieja), bem como em Placentia e Brescia (posteriormente Itália). O número aproximado de fuzis Chassepot disponíveis para o Exército francês em 1870, era de 1.200.000 unidades. A fabricação do Chassepot foi cancelada em fevereiro de 1875, quatro anos após o final da Guerra Franco-Prusiana.

O Chassepot foi chamado assim em homenagem a seu inventor, Antoine Alphonse Chassepot (1833-1905) que, desde 1857, tinha construído vários modelos experimentais de fuzis de retrocarga. O desenvolvimento da Guerra de Secessão norte-americana ou as mais próximas de Prússia contra a Dinamarca ou contra Áustria demonstrou claramente a superioridade das armas de retrocarga com cartuchos integrais (que incluem o fulminante). Baseando no sistema de agulha e cartucho combustível do fuzil Dreyse, este desenvolveu seu próprio fuzil.

Em uma competição contra os sistemas Fave e Plumere, realizada em 11 de julho de 1866 no campo de Châlons sul Marne, o sistema de Chassepot saiu-se vencedor. No mês seguinte obteve a patente francesa pela invenção de um "fuzil de agulha do chamado sistema Chassepot". Prevendo o sucesso de seu sistema, registou também patentes na Bélgica, Espanha e Estados Unidos.

Mecanismo de disparo do fuzil Chassepot


Em combate

Adotado para o serviço em momentos em que tinha lugar um intenso debate, a raiz do sucesso obtido pelo fuzil prusiano Dreyse na Batalha de Sadowa (3 de julho de 1866), no ano seguinte o Chassepot foi empregado em combate pela primeira vez, na batalha de Mentana. As tropas francesas equipadas com Chassepots derrotaram as forças dirigidas por Giuseppe Garibaldi devido ao maior alcance e velocidade de disparo de seus fuzis, com respeito às obsoletas armas de antecarga dos garibaldinos. O relatório enviado ao Parlamento francês mencionava que "Lhes Chassepots ont fait merveille!", em uma tradução livre: "os Chassepots fizeram maravilhas!". A verdade era que as pesadas balas cilíndricas de chumbo disparadas a grande velocidade pelo fuzil Chassepot produziam feridas bem mais graves do que as produzidas pelo fuzil Minié.

O fuzil foi utilizado pelo exército francês pouco depois de terminada a segunda intervenção francesa no México (1862-1867) e durante a Guerra Franco-Prusiana (1870-1871), bem como em diversos conflitos coloniais contemporâneos.

Na Guerra Franco-Prusiana, o Chassepot demonstrou ser superior ao fuzil alemão Dreyse ao dobrar o alcance deste último. Apesar de ser de um calibre inferior (11 mm diante de 15,4 mm do fuzil alemão), o cartucho do Chassepot tinha maior quantidade de pólvora e, portanto, maior velocidade inicial (33% superior à do Dreyse), obtendo uma trajetória mais estável e um maior alcance (próximo aos 1.300 metros). Graças ao comprimento do cano, conseguia uma precisão e penetração superiores. Os Chassepots foram responsáveis pela maior parte das baixas prusianas durante este conflito.

Atirador francês armado com fuzil Chassepot durante a Guerra Franco-Prussiana


O fuzil Chassepot foi substituído no Exército Francês, a partir de 1874, pelo fuzil Gras, que empregava um cartucho metálico. Muitos dos Chassepots foram modificados para usar este cartucho (Fuzil modelo 1866/74). Também foi usado pelo Exército peruano e o pelo Exército boliviano na Guerra do Pacífico (1879-1884).


No Brasil

O Brasil chegou a estudar a sua adoção para a guerra do Paraguai, sendo ela uma das armas que passaram pelos testes competitivos que foram feitos a partir de 1868. Não foi a escolhida, contudo, a Roberts sendo adotada para testes em grande escala.

Apesar disso, em 1872, o Império se viu frente à uma nova ameaça de guerra no Sul, em torno das excessivas reivindicações territoriais feitas pela Argentina após a derrota do Paraguai (ela pedia cerca de 50% do território do inimigo derrotado, o que não era aceitável para o Império).

Como uma forma de enfrentar a ameaça de conflito, o ministro da Guerra informou no relatório daquele ano, que o governo tinha adquirido 8.631 "espingardas Chassepot, que foram compradas por motivos que não são desconhecidos, e porque era a única espécie de arma moderna de que havia provisão nos mercados da Europa".

Essas armas, entretanto, nunca foram distribuídas oficialmente ao Exército, apesar da Comissão de Melhoramentos ter preparado e mandado publicar uma edição de 3.000 exemplares de um manual dela. Não havia razões de repassá-las para a tropa, quando já havia a decisão de compra das Comblain.



Características


Peso - 4,63 kg
Comprimento - 1,30 m (sem baioneta); 1,88 m (com baioneta)
Munição - Cartucho de papel 11 mm Chassepot
Calibre - 11 mm
Funcionamento - Repetição
Alcance útil - 1.200 a 1.300 m

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