"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 2 de junho de 2009

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL JAMES DOOLITLLE


* 14/12/1896 – Alameda, EUA

+ 27/09/1993 – Pebble Beach, EUA


James Harold "Jimmy" Doolittle foi um pioneiro da aviação e general da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos durante a 2ª Guerra Mundial. Comandou o histórico Reide Doolittle, o primeiro bombardeiro a Tóquio na guerra, em abril de 1942, pelo qual foi condecorado com a Medalha de Honra do Congresso, a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos.

Californiano de nascimento, Doolittle passou a juvetude no Alaska, onde obteve a reputação de talentoso boxeador. Cursou a Universidade de Berkeley, que abandonou para se alistar como cadete-aviador da reserva do Corpo de Sinaleiros do Exército dos Estados Unidos, em 1917, durante a 1ª Guerra Mundial, e trabalhou como caixeiro viajante para ajudar nas despesas.

Em 1918, após treinamento na Escola Militar da Aeronáutica da Universidade da Califórnia (UCLA), foi comissionado como 2º Tenente no Grupo de Aviação do Corpo de Sinaleiros, tornando-se instrutor de voo durante a guerra. Após o conflito, retornou a Berkeley, onde formou-se com o grau de bacharel em Artes.

No período entre-guerras, ‘Jimmy’ Doolittle tornou-se um dos mais famosos pilotos americanos, fazendo um voo pioneiro costa a costa dos Estados Unidos em 1922, da Flórida até San Diego, e realizando vário voos de demonstração e testes nos Estados Unidos e na América do Sul, onde, num acidente no Chile, quebrou os dois tornozelos. Sua maior contribuição à Aeronáutica, porém, veio através do desenvolvimento de equipamentos de voo. Em 1929, foi o primeiro aviador a fazer um voo solo baseado apenas em instrumentos, sem visão do que ocorria fora da cabine, levantando voo, voando por alguns minutos e aterrisando em seguida. Desenvolveu também dois dos mais precisos e úteis instrumentos de navegação aérea, hoje comuns: o horizonte artificial e o giroscópio direcional, atraindo a atenção mundial ao realizar o primero ‘voo cego’ completo.

Nos anos 1930 quebrou o recorde de velocidade em aviões e conquistou vitórias em importantes e populares corridas aéreas em seu país. Em 1940, com o posto de major, foi enviado à Inglaterra como membro de um missão especial da aeronáutica, trazendo de volta novas informações sobre o avanço da tecnologia aérea em outros países e sobre a composição de diversas forças aéreas européias.

Com a entrada dos Estados Unidos na 2ª Guerra Mundial e promovido a tenente-coronel, em janeiro de 1942 Doolittle foi ao quartel-general da Força Aérea do Exército planejar o que seria o primeiro e histórico ataque aéreo norte-americano ao Japão, num momento da guerra em que as vitórias e a iniciativa ainda eram todas japonesas.

Partindo do porta-aviões USS Hornet no meio do Pacífico, dezesseis bombardeiros B-25, deveriam bombardear as cidades de Tóquio, Kobe, Osaka e Nagoya, como resposta ao ataque a Pearl Harbor, acontecido meses antes, e com o objetivo de abalar o moral do inimigo, mostrando que seu território não estava livre de ataques. A missão, conhecida como Reide Doolittle, compreendia o altíssimo risco de fazer decolar grandes e pesados bombardeiros do pequeno convés de um porta-aviões - algo nunca tentado antes - e que, após os ataques, na impossibilidade de voltar por falta de combustível, deveriam tentar pousar na China, país então aliado dos EUA e em guerra com o Japão; ou, se não conseguissem, cair no mar sem esperança de resgate.
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Doolittle instruindo as tripulações voluntárias a bordo do USS Hornet antes do Reide Doolitlle

Doolittle apresentou-se como voluntário e pessoalmente treinou e liderou os tripulantes – todos também voluntários – da missão, conseguindo pousar seu avião num campo chinês, onde foi auxiliado por guerrilheiros locais e missionários ocidentais. Permaneceu escondido junto com sua tripulação até poder voltar aos Estados Unidos, onde, pelo planejamento e liderança da missão considerada quase impossível, recebeu a Medalha de Honra do Congresso das mãos do Presidente Franklin Roosevelt.

De volta à pátria e promovido a brigadeiro-general, Doolittle passou os próximos dois anos da 2ª Guerra Mundial em comandos no norte da África e no Mediterrâneo. De 1944 a 1945, já como major-general, assumiu seu maior comando, a 8ª Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, baseada na Inglaterra, a qual participou da campanha de bombardeio contra a Alemanha.

Transferida para Okinawa após o final da guerra na Europa, a 8ª Força Aérea se preparava para participar da invasão do Japão quando as bombas de Hiroshima e Nagasaki encerram o conflito mundial.

Doolittle foi transferido para a reserva em e iniciou carreira na vida civil, na empresa petrolífera Shell, onde ocupou o cargo de vice-presidente. Em 1951, como reservista da recém-criada Força Aérea dos EUA, assumiu o cargo de assessor técnico do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, colaborando no desenvolvimento científico de mísseis e da tecnologia utilizada posteriormente no programa espacial americano.

Em 4 de abril de 1985, o Congresso dos Estados Unidos promoveu honorariamente Doolittle ao posto de General da Força Aérea (de quatro estrelas), tendo sua nova estrela no uniforme sido colocada pelas mãos do Presidente Ronald Reagan.

O General da Força Aérea 'Jimmy' Doolittle recebe sua quarta estrela das mãos do Presidente Ronald Reagan em 1985

Casado desde 1917 e pai de dois filhos - dois pilotos que combateram na 2ª Guerra (um deles suicidou-se em 1958) –, herói nacional condecorado por mais de cinco países diferentes, James Doolittle morreu na Califórnia em 1993, e foi enterrado no Cemitério Nacional de Arlington, em Washington, ao lado da esposa e de grandes personagens da história militar dos Estados Unidos.
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Durante seu funeral, aviões B-25 remanescentes da 2ª Guerra Mundial, iguais ao usados no Reide Doolittle, fizeram voos rasantes sobre o cemitério junto a caças supersônicos da 8ª Força Aérea, comandada por ele nos últimos anos da guerra.

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BATALHA DE ALCÁCER-QUIBIR (1578)




A Batalha de Alcácer-Quibir ocorreu no Verão de 1578, entre os portugueses liderados por D. Sebastião, e os mouros do Marrocos. Dela resultou a derrota dos portugueses e o desaparecimento da nata da nobreza portuguesa e do próprio rei D. Sebastião, precipitando a crise dinástica de 1580, e o nascimento do mito do Sebastianismo.


Com o propósito de aliviar a pressão dos mouros sobre as fortalezas portuguesas, Portugal organizou uma força militar constituída por 17.000 homens, dos quais 5.000 eram mercenários estrangeiros. A armada partiu de Lisboa em 25 de Junho de 1578, fez escala em Cadiz e aportou em Tânger, seguindo depois para Arzila.

Nessa oportunidade os portugueses cometeram um primeiro erro, pois a tropa foi mandada seguir a pé de Arzila para Larache, quando o percurso poderia ter sido feito por via marítima, o que permitiria maior descanso às tropas e o necessário reabastecimento em víveres e água.. A partir de Larache a força afastou-se da costa em direção a Alcácer-Quibir.

Pintura que descreve o momento em que a cavalaria portuguesa é cercada e envolvida pelas forças muçulmanas.

Ressalta-se o fato de que, no século XVI, grande parte das vitórias portuguesas ocorreu na zona costeira, onde era possível fazer valer a vantagem do poder de fogo de seus navios de guerra. Longe dos navios, enfrentando o calor de uma região praticamente desértica e um exército superior em efetivo e combatendo no seu território, os portugueses não adotaram as medidas de segurança necessárias. O Rei D. Sebastião recusou-se terminantemente a ouvir os conselhos dos oficiais mais experientes, que ponderavam que o exército se devia manter próximo dos canhões dos navios. Alguns dos comandantes, diante da controvertida decisão, chegam a falar em prender o rei, para impedi-lo de levar seu plano adiante.

As forças muçulmanas compreendiam que não poderiam enfrentar os portugueses perto da costa, e não avançaram em direção à força invasora, preferindo que os portugueses tomassem a iniciativa e buscassem o combate. Por decisão do rei, o exército partiu finalmente em direção a sul afastando-se do litoral.

Quando as forças portuguesas estabeleceram contato com o exército mouro, em 4 de agosto, encontravam-se em marcha há sete dias e depararam-se com forças muçulmanas com cerca de 60.000 combatentes, ultrapassando os efetivos portugueses em uma razão de quatro para um.

No início do combate os arcabuzeiros muçulmanos dispararam contra os portugueses e, em seguida, uma carga de cavalaria ligeira moura forçou as primeiras linhas portuguesas a recuar de forma desordenada. O exército cansado e extenuado reagiu mal, recuando desordenadamente e gerando uma enorme confusão, quando a primeira linha misturou-se com as tropas na retaguarda.

A resposta portuguesa foi rápida, mas ineficaz. No que parece ter sido uma tentativa para desarticular o ímpeto do ataque muçulmano, uma força portuguesa, aparentemente de cavalaria, penetrou as linhas muçulmanas, mas foi subjugada pelos mouros em maior número. Metade do efetivo das tropas portuguesas morreu na batalha e a outra metade foi feita prisioneira. Muito poucos voltam.

Apesar de se duvidar da morte do rei português, é provável que ele tenha perecido nesta batalha.

O Rei D. Sebastião. Seu desaparecimento sem herdeiros provocou uma crise dinástica em Portugal.

O resultado e as consequências desta batalha foram catastróficos para Portugal. D. Sebastião desaparecera, deixando como sucessor o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que veio a falecer sem descendência dois anos depois. Assim levanta-se uma crise dinástica ameaçando a independência de Portugal face a Espanha, pois um dos candidatos à sucessão era Filipe II de Espanha.

A disputa do trono português teve diversos pretendentes: D. Catarina de Médicis, rainha da França, que se dizia descendente de D. Afonso III; D. Catarina, duquesa de Bragança e sobrinha do Cardeal D. Henrique; Manuel Felisberto, duque de Savóia e D. Antônio, Prior do Crato, ambos, sobrinhos do rei; Alberto de Parma e Filipe II.

Filipe efetivamente ascendeu ao trono em 1580. A maioria da nobreza portuguesa que participou da batalha ou morreu ou foi feita prisioneira. Para pagar os elevados resgates exigidos pelos mouros, o país ficou enormemente endividado e depauperado em suas finanças.

Luís de Camões, em carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre militar, à ruína financeira da Coroa portuguesa, à independência nacional ameaçada manifestou o impacto de Alcácer-Quibir para Portugal:  "Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela".

IMAGEM DO DIA - 2/6/2009



Guerras Napoleônicas da 6ª Coalizão, 1814. Vitoriosas, tropas russas entram em Paris após Napoleão Bonaparte ter sido enviado para o exílio na Ilha de Elba.

NOTÍCIA - HOMEM É RECONHECIDO COMO SOBREVIVENTE AOS DOIS ATAQUES ATÔMICOS A HIROSHIMA E NAGASAKI

 

O raio que caiu duas vezes no mesmo lugar: japonês sobreviveu aos dois ataques nucleares contra o Japão no fim da 2ª Guerra Mundial

Um homem japonês de 93 anos foi reconhecido oficialmente como a única pessoa que sobreviveu às duas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki no fim da 2ª Guerra Mundial.

De acordo com funcionários do governo japonês, Tsutomu Yamaguchi sofreu os ataques em Hiroshima e Nagasaki e teve o status de sobrevivente reconhecidos pelo governo japonês em ambos os ataques. Yamaguchi já havia sido certificado como um “hibakusha” (sobrevivente da radiação), da bomba “Fat Man” lançada em 9 de agosto de 1945, em Nagasaki. Agora, foi confirmado que também passou pelo ataque em Hiroshima, 3 dias antes.

Tsutomu estava em Hiroshima em negócios no dia 6 de agosto de 1945, quando um bombardeiro B-29 norte-americano lançou a bomba atômica denominada “Little Boy”, na cidade. Yamaguchi teve sérias queimaduras na parte superior do corpo e passou a noite na cidade.

Quando retornou para sua cidade de origem, Nagasaki sofreu com o segundo ataque. Embora possa haver outros casos semelhantes, até agora o idoso é o único reconhecido oficialmente como sobrevivente dos dois ataques atômicos.

Ter a comprovação de sobrevivência ao bombardeio garante compensações do governo à pessoa, como pagamentos mensais, check-ups gratuitos e custos funerários. Porém o valor recebido por Yamaguchi não terá aumento pelo fato de ele ter sobrevivido aos dois ataques, explicou o funcionário governamental.

O Japão é o único país que sofreu ataques atômicos. Cerca de 140 mil pessoas morreram em Hiroshima e 70 mil em Nagasaki.

Yamaguchi é um dos 260 mil sobreviventes dos ataques, e que desenvolveram várias doenças por causa da exposição à radiação, incluindo cânceres e doenças no fígado. Não há informações sobre a saúde de Yamaguchi.  Milhares de sobreviventes lutam pelo reconhecimento oficial, após o governo declarar que não deve nada a eles.

Tóquio abrandou no ano passado as exigências para conceder o status de sobrevivente, após críticas às regras que não abrangiam várias doenças que os médicos vinculavam à radiação.

 

PENSAMENTO MILITAR - EDUCAÇÃO E DEFESA DA PÁTRIA




"Quem respeita a bandeira desde pequeno saberá defendê-la quando for grande."


Edmondo de Amicis, escritor italiano

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL EMÍLIO LUIZ MALLET



* 10/06/1801 – Dunquerque, França

+ 02/01/1886 - Rio de Janeiro


Émile Louis Mallet, mais conhecido como Emílio Mallet, ou Barão de Itapevy, foi um militar brasileiro nascido na França. Homem de grande porte físico, com 2,01 m de estatura e 120 kg de peso, Mallet veio para o Brasil com a família aos 17 anos de idade, fixou-se na então capital do Império. No Rio de Janeiro, recebeu, do Imperador Dom Pedro I – que estava reorganizando o Exército após a proclamação da Independência do Brasil – convite para iniciar a carreira das Armas, na qual iria se consagrar como um dos maiores heróis de História Militar Brasileira.

Matriculou-se na Academia Real Militar do Império, assentando praça como primeiro cadete em 13 de novembro de 1822. Em breve, optaria pela formação no curso de Artilharia. Como 2º tenente, Mallet comandou uma bateria de Artilharia a Cavalo na campanhas da Cisplatina, de 1825 a 1828. Recebeu seu batismo de fogo em Passo do Rosário e, pela bravura demonstrada, foi promovido a Capitão. Ao término do conflito, em Bagé no Rio Grande do Sul casou-se com Joaquina Castorina de Medeiros Mallet, filha de um abastado estancieiro, parente próximo do mais tarde Marechal Manuel Luís Osório, seu amigo e companheiro por décadas no Exército.

Apesar de ter jurado a Constituição do Império em 1824, foi demitido do serviço ativo em 1831 por "não ser brasileiro nato". No entanto, em 1837, no decorrer da Revolução Farroupilha, foi convidado a servir sob as ordens do General Antônio Elisário de Miranda e Brito, na condição de comandante de uma bateria a Cavalo. Coube-lhe fortificar a vila de Rio Grande, objetivo estratégico dos farroupilhas, recebendo, por tal feito, o título de Major da Guarda Nacional, função privativa de brasileiros natos. Mais tarde, por decisão do Duque de Caxias, veio a ser Chefe de Estado-Maior de Bento Manuel Ribeiro. Após a assinatura da Paz de Ponche Verde, em 1º de março de 1845, Mallet retornou a atividades pastoris como oleiro em sua chácara no Quebracho, nos arredores de Bagé.

A reintegração definitiva de Mallet ao Exército Imperial, após longos anos de afastamento, ocorreu em 1851, quando foi convocado por Caxias para participar da campanha contra Manuel Oribe e Juan Manuel Rosas, na Guerra do Prata. Reiniciou-se, assim, sua trajetória profissional, durante a qual deu inúmeras mostras de ser um soldado de sangue frio, astuto e valente. Em todos os combates de que participou, fez-se respeitado pela tropa, pelos aliados e pelos inimigos.

Mallet combateu ainda na Guerra contra Aguirre e na Guerra do Paraguai. Nesta, à frente do 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, teve participação fundamental na vitória das tropas brasileiras no Passo da Pátria, no Estero Bellaco e em Tuiuti.

Em Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul, suas bocas-de-fogo foram batizadas “artilharia revólver”, tal a precisão e a rapidez de seus fogos. Ainda nessa batalha, a previsão e a criatividade do chefe militar asseguraram importante vitória do Exército Imperial. O profundo fosso que Mallet fez construir para a proteção de suas peças constituiu-se em eficiente obstáculo que impediu o avanço da tropa inimiga. Esse fato passou para a História com a célebre frase do comandante da Artilharia brasileira:

“Eles que venham. Por aqui não passam.”

Em 20 de agosto de 1866, por seu desempenho em Tuiuti, foi promovido ao posto de Coronel.

Mallet foi, posteriormente, alçado à função de comandante da 1ª Brigada de Artilharia e continuou apoiando as ações das forças aliadas nas batalhas de Humaitá, Piquiciri, Angustura, Lomas Valentinas, Ascurra e Campo Grande. Durante a Campanha da Cordilheira, na fase final do conflito, foi Mallet o comandante-chefe do Comando-geral de Artilharia do exército. Finda a campanha, por merecimento, ascendeu ao posto de Brigadeiro.

Em janeiro de 1879, foi promovido a Marechal-de-Campo; em 11 de outubro de 1884, a Tenente-General e, finalmente, em 15 de julho de 1885, a Marechal-de-Exército. Permaneceu no serviço ativo até então, vindo a falecer em 2 de janeiro de 1886, na cidade do Rio de Janeiro, aos 84 anos.

Em 1932 lhe foi conferido, por meio de decreto nº 21.196, o título de Patrono da Artilharia brasileira. Desde então, em 10 de junho, dia de seu aniversário, comemora-se o Dia da Artilharia no Exército Brasileiro.

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

IMAGEM DO DIA - 1/6/2009

 

Representação da Batalha de Azincourt (outubro de 1415), quando tropas inglesas sob o comando do Rei Henrique V, mesmo em inferioridade numérica, derrotaram a cavalaria francesa perto do vilarejo que dá nome à batalha.


  

MISSÃO CUMPRIDA - 4ª TURMA DE HISTÓRIA MILITAR CONCLUI SEU CURSO

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O curso é oferecido pela Escola de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e pelo Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB), aos quais cabe a direção e coordenação.

Realizou-se na última sexta-feira, 29 de maio, no auditório do Departamento de Ensino e Cultura do Exército, a aula de encerramento da 4ª Turma do Curso de Especialização em História Militar.

O objetivo do Curso de Especialização em História Militar é contribuir para o desenvolvimento de estudos e pesquisas da História Militar geral e do Brasil através da formação de especialistas nesse campo.

O curso é oferecido pela Escola de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e pelo Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB), aos quais cabe a direção e coordenação.

O curso contou com 480 horas-aula, iniciadas a partir de 31 de agosto de 2007, com atividades presenciais semanais. As atividades didáticas ocorreram na sede do IGHMB - Casa Histórica de Deodoro - na Praça da República, 197 (Campo de Sant’Anna) e no campus da UNIRIO na Urca.

Foram desenvolvidas ao longo do curso atividades de pesquisa histórica com a elaboração de uma monografia que, apresentada em sua forma escrita, foi objeto de apresentação e defesa oral e avaliada por banca docente acadêmica.

O curso compreendeu as seguintes disciplinas:
Teoria e Metodologia da História, Introdução ao Estudo da História Militar, História Militar Geral (guerras nas idades Antiga, Média, Moderna e Contemporânea), História Militar do Brasil (períodos colonial, monárquico e republicano), Metodologia do Ensino Superior e Projeto, Tópicos Especiais e Atividades Complementares.

Durante os trabalhos foram realizados seminários e visitas em diversos estabelecimentos culturais, tais como: Museu Naval, Museu Histórico do Exército/Forte de Copacabana, complexo de fortalezas de Niterói, Museu Militar Conde de Linhares, Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, Museu Aeroespacial, Arquivo Histórico do Exército, Arquivo Histórico Nacional, Museu Histórico Nacional, dentre outros.

Concluíram com aproveitamento a 4ª Turma de História Militar os seguintes alunos:

- Antônio Ferreira Sobrinho
- Alexandre Santiago Coelho
- Anderson Machado Dantas
- André Luiz Cassiano
- Bárbara Maria Lima de S. Martins
- Carlos Roberto Carvalho Daróz
- Edgley Pereira de Paula
- Fabian Costa Rodrigues
- Fernanda das Graças Corrêa
- Fernando G. de Souza F. Loureiro
- Felipe Duarte Balocco
- George Koppe Eiriz
- Haroldo Gibson Martins
- Haroldo Paiva Galvão
- Jorge Henrique Cardoso Leão
- Juraci Ferreira Galdino
- Lois Pasteur Silva do Nascimento
- Marcelo Hinago
- Piraju Borowski Mendes
- Tiago Manasfi Fgueiredo
- Vania Vidal Luiz
- Washington Luiz de Souza Moreira


O Blog Carlos Daróz-História Militar cumprimenta todos os concludentes do curso e deseja sucesso nas pesquisas futuras.

Aos mestres do corpo docente da UNIRIO e do IGHMB, a nossa homenagem e eterna gratidão.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

PENSAMENTO MILITAR





"A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; alguns transforma em deuses, outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres."


Heráclito, filósofo grego

IMAGEM DO DIA - 15/5/2009

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Guerra Irã-Iraque, década de 1980. Equipado com máscara de proteção contra agentes químicos, soldado iraniano ocupa uma posição defensiva. Durante o conflito o Exército do Iraque empregou a guerra química intensamente.

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INSTITUTO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL (IGHMB)


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Instalado oficialmente no dia 15 de novembro de 1938, em solenidade realizada no Clube Militar, Rio de Janeiro, RJ, o Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB) é hoje uma associação civil de caráter cultural e científico que se destina, primordialmente, a promover estudos de Geografia e História Militar, Estratégia e Geopolítica, bem como incentivar e realizar o culto cívico de personalidades, atos e fatos gloriosos da História do Brasil.

Entidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, o IGHMB não é subordinado ao Ministério da Defesa ou a qualquer órgão cultural, civil, oficial ou não. O IGHMB não admite qualquer tipo de discriminação quanto à raça, cor, sexo, credo, religioso ou pensamento político.

Ao lado de dezenas de outras instituições congêneres no mundo, é filiado à Comissão Internacional de História Militar, na qualidade de representante do Brasil.

O IGHMB tem por objetivos:

- Manter viva a memória nacional.
- Realizar pesquisas, estudos e investigações sobre fatos, personalidades e episódios históricos.
- Manter seu quadro social atualizado quanto a conjuntura nacional e internacional, evolução do pensamento estratégico e as ameaças reais ou potenciais a Nação Brasileira.
- Incentivar o estudo da Geografia, da História Militar, da Estratégia e da Geopolítica, nos estabelecimentos de ensino militares e civis de terceiro grau, nos níveis de graduação e pós-graduação.

O Instituto nasceu no Clube Militar, fruto do idealismo de intelectuais da Marinha e do Exército, por iniciativa do Capitão de Infantaria Severino Sombra de Albuquerque. Foi criado em 7 de novembro de 1936, em sessão solene, no salão nobre da antiga sede da Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, com a denominação de Sociedade Militar Brasileira de História e Geografia. Todavia, logo a seguir, na ata da segunda sessão preparatória, datada de 12 de dezembro desse mesmo ano, figuraria como Instituto de Geografia e História Militar do Brasil (IGHMB), nome que até hoje conserva e que melhor expressa o propósito de seus fundadores.

As sessões preparatórias totalizaram cinco – incluindo a solene de fundação – e se destinaram a conformar a nova instituição para o seu pleno funcionamento, sendo a última a de 20 de abril de 1937. A quarta dentre elas, a de 1° de abril, já informava sobre as tratativas para obtenção de uma sede própria e sobre a aquiescência do Ministro da Guerra, General-de-Divisão Eurico Gaspar Dutra, em ceder ao Instituto, com essa finalidade, o pavimento superior da Casa Histórica de Deodoro, então ocupada pelo Comando de Artilharia Divisionária.

O Instituto funcionou no Clube Militar até as vésperas da demolição que daria lugar à construção de sua nova sede social, iniciada em 5 de agosto de 1941. Nele realizou a primeira sessão ordinária, dia 2 de novembro de 1938, cuja ata registra a encomenda, a José Wasth Rodrigues, do desenho de um emblema para ser comparado com os apresentados pelo sócio Tenente João Egon Prates da Cunha Pinto e o Sr. Luiz Loureiro, Chefe do Gabinete Fotocartográfico do Estado-Maior do Exército, de que resultaria a nossa insígnia. Ali foi realizada a eleição e a posse da primeira diretoria e dos primeiros sócios, escolheu-se os patronos, elaborou-se e aprovou-se o primeiro Estatuto e foi composta a primeira Revista do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.

Impossibilitado de ser acolhido no Ministério da Guerra, inconclusa que estava ainda a construção do atual Palácio Duque de Caxias, teve o Instituto que recorrer ao seu co-irmão, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), aonde encontrou guarida, a partir de 1941, no antigo Silogeu Brasileiro, à Avenida Augusto Severo, esquina com a Rua Teixeira de Freitas.

De 1946 a 1970, passou a funcionar em dependência da Bibliotheca Militar, hoje Biblioteca do Exercito, na Ala Marcílio Dias do Palácio Duque de Caxias. As instalações que lhe foram, de bom grado, destinadas estavam longe de atender às suas aspirações. Por isso, ele continuou procurando opções que pudessem levá-lo à sonhada sede própria. Nesse sentido, a ata da sessão de 8 de maio de 1956 fala sobre a possibilidade de se conseguir uma subvenção permanente de modo a custear o aluguel de um espaço no edifício que o IHGB se propunha construir e, em parte, sublocar; a da sessão de 7 de novembro fala sobre a petição da Casa de Osório para a sede pretendida e, a de 18 de outubro de 1962, sugere que se voltasse a pleitear a Casa de Deodoro paralelamente à de Osório. Nada, entretanto se concretizou. A subvenção jamais conseguida e as condições físicas das Casas cogitadas, não encontrando quem lhes financiasse a imprescindível restauração, inviabilizaram as opções aventadas.

Com a desocupação do Palácio Monroe pelo Senado Federal, o Instituto pensou ter encontrado a sede procurada. E, em condomínio com o Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), aí permaneceu no quarto andar, de 1970 a 1974.

Voltou então o Instituto a ter que se hospedar no IHGB, agora instalado na sede que construíra e inaugurara a 5 de setembro de 1972. Neste local ficou até 1976, quando o Ministro do Exército, General-de-Exército Silvio Coelho Frota, permitiu-lhe instalar-se no décimo oitavo andar do PDC, novamente junto com o EMFA e com a concordância do seu Ministro-Chefe, General-de-Exército Antônio Jorge Correia.

Extinta a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, por ter sido denunciado o Acordo entre as duas nações no Governo Geisel, as instalações que ela ocupava, no décimo segundo andar do Palácio Duque de Caxias, foram transferidas com todo o mobiliário do órgão extinto para o Instituto. Oficializado esse ato pelo General-de-Divisão Geraldo de Araújo F. Braga, Comandante da 1ª Região Militar, julgava o Instituto, agora sim, ter enfim a sua sede própria. E tratou de providenciar, dentro das suas limitações, as adaptações e melhorias requeridas pelas instalações. Entretanto, em 1996, o Ministério do Exército decidiu trazer de volta para o Rio de Janeiro seu Departamento de Ensino e Pesquisa, sendo o décimo-segundo andar requisitado para a Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial.

Ofereceram-lhe então, mediante convênio, transferir-se para o andar superior da Casa Histórica de Deodoro, ressuscitando uma possibilidade aventada, pela primeira vez, cinqüenta e nove anos atrás. Enquanto as adaptações necessárias e reparações do imóvel se realizavam, o Instituto viu-se compelido pela terceira vez a funcionar no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Assim, até que as obras solicitadas fossem concluídas, durante dois anos, 1996 e 1997, nele passaram a ter lugar as atividades culturais, e a sua secretaria foi instalada em dependência cedida pela Biblioteca do Exercito, que se dispôs também a guardar o seu acervo de material.

No dia 24 de março de 1998, a abertura do ano cultural do Instituto foi feita juntamente com a inauguração da nova sede na Casa Histórica de Deodoro. Com ela, punha-se fim a uma saga que durou um ano a mais do que sessenta.

O IGHMB está instalado na Casa Histórica de Deodoro, situada no antigo Campo de Santana, de onde o Marechal Deodoro da Fonseca saiu para proclamar a República.

Preside o IGHMB, atualmente, o General-de-Divisão Aureliano Pinto de Moura.

Maiores informações:

IGHMB – Casa Histórica de Deodoro
Praça da República 197, Centro, Rio de Janeiro-RJ
Página na internet:
http://ighmb.org/

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NOTÍCIA - MORRE NO RIO, AOS 108 ANOS, O ÚLTIMO MARECHAL BRASILEIRO

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Levy Cardoso comandou um dos quatro Grupos de Artilharia de Campanha da Força Expedicionária Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial


Faleceu essa semana no Rio de Janeiro, aos 108 anos, o marechal Waldemar Levy Cardoso, o último marechal vivo no País. O mais alto posto do Exército foi extinto em 1967, quando houve a reforma estrutural da instituição, definindo que somente haveria a promoção de General-de-Exército ao posto de Marechal em caso de guerra. O marechal morreu de insuficiência respiratória no Hospital Central do Exército, na zona norte da capital fluminense. O corpo do marechal foi sepultado com honras militares no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio.

Filho de uma judia de origem argelina e de pai descendente de portugueses, Waldemar Levy Cardoso ingressou na vida militar em 1914, no Colégio Militar de Barbacena. Saiu de lá em 1918, aos dezessete anos de idade, como Coronel-Aluno, por ter sido o primeiro classificado de sua turma. Em 1921 foi declarado Aspirante-a-oficial da arma de Artilharia e designado para servir no 4º Regimento de Artilharia Montado (4º RAM), situado em Itu. Em 1924 envolveu-se na revolta contra Artur Bernardes, quando foi preso e condenado a dois anos de prisão. Depois de cumprir a pena, o Supremo Tribunal Federal reviu seu caso e o condenou a mais três anos de detenção. Levy Cardoso fugiu da prisão e passou alguns anos escondido em Paranaguá, usando nome falso. Anistiado, envolveu-se na Revolução de 1930, já como tenente. Foi então promovido a capitão.

Em fevereiro de 1935 matriculou-se na Escola do Estado-Maior, no Rio de Janeiro, concluindo o curso em dezembro de 1937. Em 1944, como tenente-coronel, seguiu com a Força Expedicionária Brasileira para a Itália para lutar na Segunda Guerra Mundial, onde comandou um dos quatro Grupos de Artilharia da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária brasileira.

Após a volta da guerra, Levy Cardoso permaneceu na ativa do Exército. Em 1951, foi enviado para a Europa como adido militar às embaixadas do Brasil na França e na Espanha. Retornando ao Brasil em 1953, foi nomeado comandante do 2º Regimento de Obuses 105 (Regimento Deodoro) em Itu, onde permaneceu até ser promovido ao posto de General-de-Brigada.

Em 1957, foi nomeado para a chefia do gabinete do Ministro da Guerra, General Henrique Teixeira Lott. Após a Revolução de 1964 assumiu a chefia do Departamento de Provisão Geral (DPG) do Exército. Passou para a reserva em 1966, com a o posto de Marechal. Em abril de 1967, foi nomeado presidente do Conselho Nacional do Petróleo, cargo que manteve até março de 1969, quando assumiu a presidência da Petrobrás. Deixou a presidência em 30 de outubro de 1969. Entre 1971 e 1985, foi conselheiro da Petrobrás.

Waldemar Levy Cardoso foi o último brasileiro detentor da patente de Marechal a falecer. Também por ter sido o mais antigo militar combatente da 2ª Guerra, detinha o bastão de comando da Força Expedicionária Brasileira.

No dia 19 de janeiro de 2008, já com 107 anos, esteve presente à cerimônia comemorativa dos 90 anos do Regimento Deodoro, hoje denominado 2º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, unidade que comandou durante a década de 1950.

O Blog História Militar presta seu tributo ao grande brasileiro e soldado.
A cobra continua fumando ...

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quinta-feira, 7 de maio de 2009

IMAGEM DO DIA - 7/5/2009

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Guerra Civil Grega, 1946. Voluntárias femininas comunistas recebendo treinamento militar.




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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL HERMANN GÖERING



* 12/01/1893 - Rosenheim, Alemanha

+ 15/10/1946 - Nuremberg, Alemanha


Hermann Wilhelm Göring (ou Goering) nasceu na Baviera, o segundo filho da segunda esposa de Heinrich Ernst Goering, um oficial da Cavalaria Prussiana e também Cônsul-geral Alemão no Haiti. A família firmou moradia na Alemanha com a aposentadoria de seu pai, em 1896.

Cresceu próximo a Nuremberg, no pequeno castelo de Veldenstein, pertencente ao Cavaleiro Hermann von Epenstein, um judeu que até 1913 foi amante de sua mãe e seu padrinho.

Estudou no colégio militar e na escola de cadetes e em 1912 foi incorporado ao Exército Prussiano, no Regimento Prinz Wilhelm, na arma de infantaria. E assim seguiu para a 1a Guerra Mundial, servindo como infante nas trincheiras alemãs. Ainda no primeiro ano de conflito, um problema reumático causados pela umidade das trincheiras forçou sua hospitalização.

Pouco depois tentou transferência para a Luftstreitkräfte, o Serviço Aéreo do Exército Imperial Alemão, mas teve seu pedido de ingresso negado. Insistindo em seu intento, conseguiu voar como observador, transferindo-se por conta própria, ignorando a possibilidade de uma corte marcial. Já em 1915 foi qualificado como piloto de caça. No mesmo ano foi derrubado em combate, e retornaria apenas em 1917, onde atingiu a marca de 22 vitórias aéreas, que lhe garantiram a Cruz de Ferro e a medalha Pour le Mérite.

Em 1918 Goering alcançou o posto de comandante do celebrado Esquadrão Richthofen, o qual o lendário aviador alemão Manfred von Richtofen, o Barão Vermelho, servira.

Com o término da Primeira Guerra Mundial, Goering foi intimado a entregar seus aviões aos Aliados em dezembro de 1918. Ao saber disso, ele e outros oficiais fizeram aterrissagens forçadas com os biplanos, causando o máximo de danos possíveis sem destruí-los, para que os países vencedores não receberem os aviões em estado operacional.

Seu ressentimento maior foi com a população civil, devido ao tratamento dado aos oficiais do Exército após a rendição alemã, fato que fez com ele deixasse o país. Passou a pilotar comercialmente na Dinamarca e na Suécia.

Goering tornou-se amigo de Rudolf Hess na Faculdade de Ciências Políticas, logo em seguida, em 1921, conheceu Adolf Hitler num comício, e em 1922, filiou-se ao então, pequeno Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista).

Hermann Göering no auge de seu poder durante o regime nazista

Por ter sido um oficial na 1ª Guerra Mundial, recebeu o comando de uma Unidade das Tropas de Assalto de Hitler (as S.A., Sturmabteilung). Goering participou do fracassado Golpe de Munique de novembro de 1923, no qual Hitler tentou tomar o poder prematuramente. Durante o episódio, Goering foi ferido gravemente na virilha e, com sua prisão decretada, fugiu com sua esposa para a Áustria. O excesso de morfina consumido para aliviar a dor de seus ferimentos o tornou um viciado, fazendo com que buscasse ajuda por duas vezes em 1925-26, junto ao Hospital Mental de Langbro, na Suécia.

Seu retorno à Alemanha ocorreu em 1927 e, graças aos seus contatos na indústria alemã, Göring foi eleito na direção do Partido. Ocupou um dos 12 assentos no Reichstag, conquistados pelo Partido Nazista nas eleições de 1928. Após isso Goering se tornou o famoso líder da bancada do Partido na Câmara Baixa e, quando os nazistas conseguiram 230 assentos nas eleições de 1932, foi eleito Presidente do Reichstag.

Nos anos seguintes, Goering foi o responsável pelo banimento dos jornais católicos na Alemanha, assim como o articulista do rearmamento alemão visando uma nova guerra de conquista. Em 1935 tornou-se comandante e o primeiro Marechal do Ar da Luftwaffe - a nova Força Aérea alemã. Em 1940 Hitler o proclamou seu sucessor e o promoveu ao posto único de Marechal do Reich (Reichsmarschall), a mais alta patente militar do Reich alemão. Também foi Ministro da Economia do Reich, após o afastamento de seu titular por anos, Hjalmar Schacht.

Goering não acreditava que a Alemanha estava pronta para entrar num novo conflito e, particularmente, não acreditava que a Luftwaffe, estivesse à altura da RAF, a Força Aérea britânica. Entretanto, com o início da 2a Guerra Mundial, pôs-se aos esforços de conseguir a vitória.

E elas vieram, nos combates travados pela Luftwaffe, na Polônia e na França. Fatos que conduziram o Reichsmarschal ao seu ápice político e militar na Alemanha nazista. Porém, a capacidade de defesa da Luftwaffe se desfazia ao passo em que as frentes de batalha de Hitler se estendiam do norte da Europa ao Mediterrâneo e ao norte da África, e Goering perdeu prestígio quando a Luftwaffe sofreu derrota na Batalha da Inglaterra e não preveniu os bombardeios Aliados à Alemanha.

Alegando problemas de saúde, Goering se manteve em sua vida privada o quanto Hitler o consentiu, usufruindo do luxo da Carinhall - sua vasta propriedade ao norte de Berlim -, onde cuidou de sua coleção de arte e recebeu diversos presentes daqueles que buscavam seus favores. Seu vício em paracodeína, um derivado da morfina, o tornou eufórico e deprimido.

Se descrente da vitória alemã numa guerra ocidental, Goering se opunha completamente a uma nova guerra na frente oriental contra a Rússia e buscou todos os meios para convencer Hitler a cancelar a Operação Barbarossa. Com a invasão da URSS, empenhou-se então a vencer essa campanha, fato, que apagaria seu fracasso na Batalha da Grã-Bretanha, mas como ele previu, tais conflitos conduziram a Alemanha ao desastre e a aniquilação.

Nos anos finais da 2a Guerra Mundial a Luftwaffe combateu, sempre em desvantagem numérica contra russos, estadunidenses e ingleses, chegando próximo a completa destruição.

Em 1945, próximo ao fim da guerra, diante da Alemanha irremediavelmente derrotada, invadida a leste pelos russos e a oeste pelos demais Aliados, Goering, enviou a Adolf Hitler, um telegrama onde propunha assumir a liderança do Reich como sucessor anunciado do Führer. Hitler recebeu a proposta como uma grande traição e ordenou a prisão de Goering pela SS, assim como o retirou de seu testamento político e o expulsou do Partido Nazista.

Goering foi preso em 8 de maio de 1945, na Áustria, onde se refugiara, e suas condições físicas e mentais eram lamentáveis. Encarcerado em Nuremberg, recuperou-se de seu vício através do tratamento dado pelos estadunidenses na prisão. Seu brilho de orador e sua saúde física e mental voltaram, então, Goering atuou como líder dos acusados, defendendo-se vigorosamente durante o julgamento. As provas, testemunhos e evidências contra seus crimes o renderam pena de morte na forca, por crimes contra a humanidade, contra a paz e crimes de guerra.

Quando tomou conhecimento de sua pena, solicitou ao tribunal que fosse fuzilado, considerando que tal forma de execução seria digna de um militar. Pedido negado pelo Tribunal de Nuremberg.

Na véspera de sua execução, Goering suicidou-se engolindo uma cápsula de veneno de cianeto de potássio - somente em 1967 é que foi revelado que ele havia deixado um bilhete explicando que a cápsula de veneno tinha estado o tempo todo em uma embalagem de pomada.

Postumamente, seu cadáver foi içado à forca junto com os demais executados, num ato macabro autorizado pelos juízes do tribunal de Nuremberg. Em seguida, seu corpo foi cremado e suas cinzas jogadas num rio em Munique.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

IMAGEM DO DIA - 4/5/2009

 
Durante a Guerra do Chaco, travada entre Paraguai e Bolívia em 1932, a canhoneira Paraguay transporta soldados para reforçar uma guarnição.




NOTÍCIA - GUERRA E PAZ COM O PARAGUAI



Os deputados paraguaios Héctor Lacognata e Ricardo Canese apresentaram ao Parlamento do Mercosul proposta para que os quatro países que integram o bloco criem o Memorial da Guerra da Tríplice Aliança. 


Por Aldo Rabelo

A iniciativa remonta aos acontecimentos de 1864 a 1870, quando Brasil, Argentina e Uruguai enfrentaram o Paraguai no confronto mais sangrento e demorado do subcontinente. Quase um século e meio depois do armistício, é pleno de atualidade todo esforço na busca de instrumentos para sublimar na paz o horror da guerra.

O Brasil e o Paraguai podem e devem, para além da iniciativa em exame no Parlamento do Mercosul, constituir um fundo comum para a restauração da memória da guerra, de seus sítios históricos e arquivos, em proveito da história dos dois povos. Governos, Parlamentos, universidades, instituições militares integrarão o trabalho comum. Os recursos serão providos dentro das possibilidades de cada país e com a participação de entidades como a empresa binacional de energia Itaipu.


Em visitas ao itinerário dos combates pude testemunhar o significado e as marcas do conflito nas gerações paraguaias. É comovedor contemplar as ruínas da velha igreja de Humaitá bombardeada pela esquadra imperial e as águas cristalinas do Arroio Aquidabã, em Cerro Corá, em cujas margens tombaram empunhando a espada o marechal Francisco Solano López e seu filho ainda adolescente, o coronel Juan Francisco.

Apesar de registrar que o projeto "não busca fazer sangrar uma antiga ferida", os parlamentares do país irmão falam de "genocídio levado a cabo contra o povo paraguaio", abordagem inaceitável para o propósito da cooperação na reconstrução da memória do conflito.

As análises da Guerra do Paraguai e, sobretudo, a avaliação de seus protagonistas variam de acordo com os autores e as conjunturas, resultando em diferentes construções de heróis nacionais erigidos como figuras míticas calcadas no contexto histórico em que foram elaboradas. Examinar o passado com as lentes do presente é uma distorção de historiadores que submetem os fatos à interpretação. A historiografia ainda tem um longo caminho a percorrer e, sobretudo, muitos documentos a apresentar, antes de oferecer conclusões irrefutáveis acerca de aspectos particularmente controversos da guerra, a começar de suas causas e motivações, das estatísticas e suas manipulações, do desempenho dos chefes de Estado e dos generais, assim como das tropas de formação e composição heterogêneas que integraram os exércitos beligerantes.

As primeiras interpretações tecidas nos panteões oficiais foram sucedidas por um criticismo exacerbado que o historiador Francisco Doratioto, autor de uma Nova História da Guerra do Paraguai, chamou de "revisionismo infantil". Na poeira dessa revisão se forjou um fomentador externo do conflito, a Inglaterra, que teria financiado a Tríplice Aliança para barrar a modernização do Paraguai - capítulo fantasioso já desmontado por pesquisas. De fato, os ingleses tentaram pôr panos quentes na desavença. Nosso Império escravista e militarista seria antípoda à expansão das forças produtivas no Paraguai. Na verdade, o Segundo Reinado era pacifista e manteve o Exército à míngua, e foi a guerra que conferiu a esta força militar fôlego e consciência para se reorganizar e se consolidar como instituição decisiva, a ponto de ser protagonista das rupturas históricas representadas pela Abolição e pela República.

A corrente historiográfica revisionista plantou ainda a tese do "genocídio", do Brasil como combatente desleal que dizimou populações civis indefesas, inclusive crianças. As pesquisas, mesmo as mais recentes, não apresentam conclusões sobre o censo da população paraguaia antes e depois da guerra, mas desautorizam os cálculos imaginosos dos ideólogos do "genocídio". A pesquisadora americana Vera Blinn Reber argumenta que, em lugar de 1,1 milhão, os habitantes do Paraguai eram 320 mil em 1864, e 60 mil morreram durante a guerra - em combate e por causas não militares. Mais uma vez se confirmou o ditado de que na guerra a primeira vítima é a verdade.

A tese do genocídio é uma ignomínia contra o Brasil e não faz justiça ao brio do povo e à valentia do soldado paraguaio. Em Itororó os vencedores - os brasileiros - tiveram mais baixas que os vencidos. No assalto a essa pequena ponte o Brasil perdeu 1.800 soldados, dois generais, dezenas de oficiais, e o futuro primeiro presidente da República, Deodoro da Fonseca, foi gravemente ferido, além de presenciar a morte de dois irmãos oficiais. Os combatentes paraguaios merecem a honra eterna de seus compatriotas. Da mesma maneira, os mais de 50 mil brasileiros mortos merecem e aguardam o reconhecimento pleno da Pátria, pois foi por ela e em nome dela que pereceram num dos mais cruéis e sangrentos conflitos da História.

Cabe-nos perfilar os heróis de cada lado - não como semideuses, e sim como homens concretos, plenos de historicidade, desempenhando, na hora, no lugar e no posto a que foram conduzidos pelas circunstâncias, um papel distintivo nas suas nacionalidades. Reconstruir a História, e não recontá-la, respeitá-la como patrimônio de dois povos e duas nações irmanadas no objetivo comum da fraternidade e do desenvolvimento equilibrado. Vale lembrar que mesmo em meio ao fogo da batalha os dois povos deram início à reconciliação. Tenho parentes em Alagoas descendentes de avó remota paraguaia que casou com soldado brasileiro, da mesma forma que dona Rafaela López de Bedoya, irmã de ninguém menos que o presidente Solano López, casou com o capitão brasileiro Augusto de Azevedo Pedra antes de a guerra acabar.

Fonte: O Estado de S. Paulo