"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quarta-feira, 2 de abril de 2025

VISITANDO O CENTRO CULTURAL DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar visitou o Centro Cultural da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, onde prestou consultoria para a implantação do projeto de História Oral da instituição.

Excelente ocasião para conhecer o Museu da PMERJ, que tem sua origem a partir do acervo da antiga Sala D´Armas criada em 1911 para servir de Centro de Adestramento de Oficiais e Praças no manuseio de espadas.

Fachada do Centro Cultural/Museu da PMERJ, no Centro do Rio de Janeiro


O Diretor do Centro Cultural/Museu da PMERJ e o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar

Atualmente, o acervo conta com 3.000 objetos reunidos ao longo dos mais de 200 anos de existência da instituição. Destacam-se a coleção de armaduras dos séculos XV e XVI, trazidas com a Corte Portugesa, em 1808; um acervo de armas antigas; e as réplicas de uniformes, o cão Brutus taxidermizado e o canhão La Hitte, empregados na Guerra da Tríplice Aliança.

Réplica do uniforme do 12º Corpo de Voluntários da Pátria que atuou na Guerra da Tríplice Aliança, uma das unidades formadoras da PMERJ


Junto ao canhão La Hitte, de fabricação francesa, e utilizado pela Artilharia brasileira na Guerra da Tríplice Aliança


Cão Brutus, taxidermizado, o qual acompanhou as unidades de polícia da Corte nos campos de batalha do Paraguai


Réplica do uniforme do 31º Corpo de Voluntários da Pátria que atuou na Guerra da Tríplice Aliança, uma das unidades formadoras da PMERJ


Caixa de socorro policial utilizada na transição dos séculos XIX para XX. Tecnologia de ponta de segurança pública em sua época


Metralhadora Maxim, utilizada pela polícia no início do século XX


Junto a uma viatura de patrulha Volkswagen Fusca "joaninha", completamente restaurada e funcional


Oportunidade para fazer novos amigos e estabelecer novas parcerias.

O Museu da PMERJ está localizado na Rua Marquês de Pombal nº 128 - Centro, Rio de Janeiro, e funciona de 3ª a 6ª feira, das 0900h às 1600h.




sábado, 23 de setembro de 2023

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - VOLUNTÁRIA DA PÁTRIA MARIANA BARRETO

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A Pernambucana Mariana Amália do Rego Barreto foi enfermeira de campo dos Voluntários da Pátria durante a Guerra do Paraguai. 


* 17/1/1846 - Vitória do Santo Antão-PE

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Filha do capitão Joaquim Pedro do Rego Barreto, sobrinha do tenente-coronel Manoel Joaquim do Rego e prima do Conde da Boa Vista, Mariana Amália do Rego Barreto nasceu em Vitória do Santo Antão, Pernambuco, no dia 17 de janeiro de 1846. 

Com a criação dos Voluntários da Pátria pelo imperador Pedro II, em janeiro de 1865, a fim de mobiliar com efetivos o Exército Imperial e combater as forças paraguaias de Solano López, diversos cidadãos brasileiros se apresentaram para a guerra. Em Vitória de Santo Antão foi nomeada uma comissão para arregimentar os voluntários, composta pelo tenente-coronel Pedro Bezerro Pereira de Araújo Beltrão, major Manoel Cavalcanti de Albuquerque Sá e capitão Aristides Carneiro da Cunha Albuquerque.


Acompanhada do irmão Sidrônio Joaquim do Rego Barreto, ao anunciar na Imprensa local que iria para o campo de batalha como enfermeira, Mariana, então com 18 anos de idade, ganhou fama de heroína em sua cidade natal. Chegou a ser homenageada no teatro Santa Isabel do Recife, saudada por  grande público, além de ser recebida pelo então presidente da Província, o Marquês de Paranaguá, onde assistiu um grande espetáculo de poesias em sua homenagem. 

No dia de sua partida da cidade de Vitória, a jovem Mariana Amália, vestida com saiote amarelo bordado de verde, e tendo no braço a estrela de 1º cadete, postou-se à frente de seus conterrâneos, e pronunciou a seguinte alocução, que foi publicada no Diário de Pernambuco

“Briosa corporação da Guarda Nacional, bravos Vitorienses, vou partir para a guerra. O brado da pátria, tão ultrajada, ecoou em meu peito. As atrocidades praticadas pelo mais requintado canibalismo que o mundo já viu, transpôs-se ao natural acanhamento do meu sexo, e me apresentei Voluntária da Pátria para, no campo de batalha, debelar essas hordas de infames paraguaios que tão ousadamente profanam o solo brasileiro, manchando o brilho de suas fulgurantes estrelas do Império da Santa Cruz, nossa Cara Pátria. Adeus, Adeus vitorienses! Espero que não serei esquecida de vós, e vos peço que por essa última vez entoeis comigo: Viva a Religião Católica Romana! Viva Sua Majestade o Imperador Viva o Sr. Presidente da Província, Viva os Pernambucanos, Amantes da Pátria!”

A jovem voluntária da Pátria Mariana Barreto 

Atendeu a milhares de feridos nos campos de batalha do Paraguai entre 1865 a 1868. Mariana Sobreviveu à guerra e, após o término do conflito, foi morar em Jaboatão dos Guararapes com a família, onde fez parte do Movimento Abolicionista. Agindo com equilíbrio e moderação, Mariana Amália conseguiu convencer os senhores de engenho em Vitória de Santo Antão que dessem cartas de alforria aos seus escravos. 

O ano de sua morte é desconhecido. Em sua homenagem, a principal avenida de sua cidade natal e uma escola do município receberam o seu nome.

Fonte: História da Vitória de Santo Antão e portal Nossa Vitória


sábado, 4 de dezembro de 2021

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CORONEL JOÃO NIEDERAUER SOBRINHO

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* 4/4/1827 - Três Forquilhas-RS

+ 13/12/1868 - Villeta, Paraguai



O Coronel João Niederauer Sobrinho nasceu em 4 de abril de 1827, na colônia alemã de Três Forquilhas, na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, hoje Estado do Rio Grande do Sul. Era filho dos imigrantes alemães Felippe Leonardo Niederauer e Anna Catharina Diehl.

Em 1840, a família mudou-se para Santa Maria da Boca do Monte, mas o pequeno João permaneceu em São Leopoldo, estudando. Após uma temporada passada em Porto Alegre, trabalhando em uma casa comercial, juntou-se à família em Santa Maria, em 1844. Aí passou a trabalhar no curtume e selaria do pai, até viajar a negócios para São Borja, de onde só retornou em 1847.

A partir de então, passou a trabalhar com o tio e padrinho João Niederauer, cuja filha viria mais tarde a desposar. Em 1851, irrompeu a Guerra contra Oribe e Rosas, os caudilhos platinos que desafiavam os interesses brasileiros na região. João Niederauer, com apenas 23 anos, apresentou-se como voluntário, sendo nomeado alferes do 1º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional do Distrito de Santa Maria. Essa nomeação denota o prestígio de que já desfrutava em sua terra adotiva.

Ao retornar da campanha, ostentava a Medalha de Prata com fita verde, por serviços relevantes e logo foi promovido a capitão. Em 21 de setembro de 1852, casou-se com a prima Maria Catharina, na igrejinha que existia no mesmo local onde hoje se ergue o monumento em sua homenagem, na Avenida Rio Branco, próximo à Praça Saldanha Marinho.

Durou pouco a permanência em casa, pois já em março de 1854, apenas 3 meses após o nascimento da primogênita, Delfina, o capitão Niederauer era chamado a integrar, com seu Esquadrão da Guarda Nacional Santamariense, a Divisão Imperial Auxiliadora, enviada ao Uruguai, a pedido do Governo daquele país, para pacificá-lo. Ao retornar a Santa Maria, em 1855, era já um dos mais influentes cidadãos de sua comunidade que àquela época se esforçava pela emancipação política de Cachoeira do Sul.

Voltou ao serviço em campanha nos anos de 1857 e 1858, no 4º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional, que integrava o Exército de Observação no Ibicuí, encarregado de vigiar as fronteiras com os países do Prata, então em constante agitação político-militar. Provavelmente por esse motivo, deixou de participar da Câmara Municipal de Vereadores que instalou a nova Vila de Santa Maria da Boca do Monte, em 17 de maio de 1858.

Em 30 de maio de 1860, com apenas 33 anos, foi promovido a tenente-coronel do 41º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional, sediado em Santa Maria. Em 7 de setembro do mesmo ano, foi eleito para a 2ª Câmara de Vereadores de Santa Maria com a terceira maior votação, para um mandato de 4 anos. Durante seu mandato, exerceu por largos períodos o cargo de Presidente da Câmara, que à época era também o Chefe do Poder Executivo Municipal.

Nas eleições seguintes, em 7 de setembro de 1864, foi o vereador mais votado, mas deixou de assumir o cargo por ter de seguir novamente para a guerra, em mais uma intervenção brasileira no Uruguai, em meio aos desmandos da administração de Aguirre. Deixava pela última vez sua casa, sua família e a terra adotiva. Maria Catharina estava grávida da última filha, Adelaide, que ele não chegaria a conhecer.

Na Campanha contra Aguirre, Niederauer comandou o 7º Corpo Provisório de Cavalaria, formado por voluntários santamarienses. Em 2 de janeiro de 1865, essa tropa participou da conquista de Paissandu e do cerco a Montevidéu, que capitulou a 21 de fevereiro do mesmo ano.

Frustraram-se as esperanças dos bravos cavalarianos de Niederauer de voltar para casa, pois uma nova e mais sangrenta guerra desenhava-se nos charcos do Paraguai. O apresamento do vapor brasileiro Marquês de Olinda e a invasão dos territórios do estado brasileiro do Mato Grosso e da província argentina de Corrientes por forças paraguaias ensejaram o tratado da Tríplice Aliança e a consequente declaração de guerra ao Paraguai.

Cavalarianos brasileiros na Guerra do Paraguai

Em 18 de maio de 1866, foi promovido a coronel e nomeado Comandante Superior da Guarda Nacional de Santa Maria da Boca do Monte e São Martinho, em substituição ao Coronel José Alves Valença, que falecera em Corrientes.

Nas operações da Guerra do Paraguai, comandou a 3ª Brigada de Cavalaria e a 2ª Divisão de Cavalaria. Nessa campanha, enriqueceu com páginas de heroísmo e bravura a História Militar Brasileira.

Além do reconhecimento e admiração de seus superiores, por quem foi muitas vezes oficialmente elogiado, e da estima e respeito de seus comandados, que quase o endeusavam, Niederauer foi agraciado com as mais importantes condecorações do Império: a Ordem da Rosa, por bravura no campo de batalha, após a Batalha de Tuiuti; e a Imperial Ordem do Cruzeiro do Sul, também por bravura, em 2 de abril de 1868.

Depois de participar, à frente de seus cavalarianos santamarienses, de 14 combates e duas batalhas, o Coronel Niederauer foi mortalmente ferido por um lançaço quando coordenava o recolhimento dos mortos e feridos, após a Batalha do Avaí, na qual mais uma vez cobrira-se de glória, em 11 de dezembro de 1868. Viria a falecer dois dias depois, no Hospital de Villeta, e ali perto sepultado. Seus restos mortais nunca foram identificados.

O quartel construído para o 7º Regimento de Infantaria, hoje da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, ostenta na fachada o nome de seu patrono.

Niederauer foi objeto de inúmeras homenagens em sua cidade adotiva. Com razão considerado o mais notável herói militar santamariense, foi-lhe erigido um monumento no centro da cidade, em 1922, no contexto das celebrações do Centenário da Independência. Além disso, uma das mais importantes ruas que do Oeste demandam o centro da cidade recebeu o seu nome.

O Exército Brasileiro homenageou-o no centenário de sua morte, em 1968, dando-lhe o nome à Vila Militar da Avenida Borges de Medeiros; e em 1992, consagrando-o como o Patrono da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, cuja sede, bem como as de 11 de suas 14 organizações militares orgânicas, está em Santa Maria.

Fontes:

6ª Bda Inf Bld

BRENNER, José Antonio. A saga dos Niederauer.

segunda-feira, 7 de junho de 2021

“COM O SACRIFÍCIO DA PRÓPRIA VIDA” ... QUANDO RENDER-SE NÃO É UMA OPÇÃO

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Todas as sociedades são constituídas por diferentes corporações profissionais que, não raro, reúnem homens e mulheres extremamente dedicados a seus ofícios, trabalhando com competência e de forma destacada. Existe, no entanto, uma profissão diferenciada, na qual seus integrantes, ao nela ingressarem, comprometem-se voluntariamente a doar, se necessário for, seu bem jurídico mais valioso: a própria vida. Apenas por esse aspecto singular, a profissão militar revela-se diferente de todas as demais. Ao serem incorporados às fileiras do Exército Brasileiro (EB), todos os homens e mulheres – soldados, sargentos e oficiais – prestam o compromisso de defender a Pátria, “com o sacrifício da própria vida”.

No curso da história militar, não é difícil encontrar exemplos onde tal conceito foi provado no calor da batalha. No distante ano de 480 a.C., cerca de trezentos guerreiros espartanos, sob as ordens de Leônidas, resistiram até a morte diante de uma investida persa, no desfiladeiro das Termópilas. Em 1836, pouco mais de duzentos norte-americanos permaneceram lutando até o fim no Forte Álamo, Texas, ao serem atacados por 1.800 soldados mexicanos. Menos de dez defensores da fortificação sobreviveram. Durante a Segunda Guerra Mundial, por ocasião da blitzkrieg alemã contra a França, em 1940, a 13ª Brigada britânica decidiu “ficar para trás”, a fim de cobrir e possibilitar a retirada em Dunquerque, mesmo sabendo que o destino seria a morte ou a captura.

Tenente Antônio João, defensor da Colônia Militar de Dourados

Em nossa história militar, soldados brasileiros também foram levados até esse limite, onde a rendição não era uma opção a ser considerada. Em dezembro de 1864, nos primeiros movimentos da Guerra da Tríplice Aliança, uma coluna paraguaia com aproximadamente 300 homens sob o comando do Coronel Vicente Barrios investiu contra o Mato Grosso, tomando a direção da Colônia Militar de Dourados, um diminuto posto avançado do Exército Imperial liderado pelo Tenente de Cavalaria Antônio João Ribeiro. Ciente da notícia da aproximação de tropa inimiga de valor incontestavelmente superior, o oficial brasileiro providenciou para que a população civil da colônia fosse evacuada para um local seguro e decidiu resistir, ainda que a vitória fosse impossível. Liderando sua guarnição, não se renderia ao inimigo.

Instado à capitulação pelo major paraguaio Martin Urbieta, Antônio João comunicou-lhe sobre sua disposição em defender aquela longínqua porção do território de sua Pátria, e enviou-lhe a resposta que entraria para a história: "Sei que morro, mas o meu sangue e o de meus companheiros servirá como solene protesto contra a invasão do solo de minha Pátria."

Cópia da página do Almanak do Exército Brasileiro de 1864, onde constam os dados do tenente Antônio João.


Não se renderam. O Tenente Antônio João e sua guarnição não foram poupados pelos paraguaios. Em 1870 o conflito terminaria com a vitória da Tríplice Aliança. Quase 120 anos mais tarde, em 1980, Antônio João foi escolhido pelo EB como Patrono do Quadro Auxiliar de Oficiais (QAO).

Representação do sacrifício do tenente Antônio João em escultura na Praça General Tibúrcio (Praia Vermelha), Rio de Janeiro


No entanto, extrapolando o universo dos integrantes do QAO, na verdade o Tenente de Cavalaria Antônio João representa o compromisso perene e o espírito de sacrifício do soldado do Exército de Caxias, pronto para, se necessário for, entregar seu bem maior – a vida – na defesa da Pátria. 

Não se rendeu... entrou para a história com “o sacrifício da própria vida”.

Fonte: EBlog


terça-feira, 25 de maio de 2021

PRIMEIRA BATALHA DE TUIUTI (1866)

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A Batalha do Tuiuti, travada entre as forças da Tríplice Aliança contra o Paraguai, foi a maior já ocorrida na América do Sul.

Por Ricardo Cabral

Em 24 de maio de 1866 foi travada a Batalha do Tuiuti entre forças do Império Brasileiro, a Repúblicas Argentina e Uruguai contra as forças paraguaias. Foi a maior batalha campal da América do Sul e envolveu cerca de 55 mil homens. As forças aliadas somavam 32 mil homens, sendo 21 mil brasileiros, 9.700 argentinos e 1.300 uruguaios contra 24 mil paraguaios. As baixas foram de em torno de 6 mil mortos e 7 mil feridos entre os paraguaios, com relação aos Aliados foram 996 mortos e 2934 feridos.

Tuiuti é uma região pantanosa localizada no sudoeste do Paraguai, situada na confluência dos rios Paraná e Paraguai. As tropas aliadas estavam acampadas e muito concentradas em uma porção de terra seca, que favorecia a defesa, porém insalubre e suscetível a várias doenças como, por exemplo, o cólera. 

O acampamento Aliado estava próximo a uma sólida posição defensiva paraguaia, a trincheira de Sauce, guarnecida por 1580 homens e várias posições de canhões, a 6 km dali, em Paso Pucú, estavam acampadas as forças de Lopez, que percebendo a intenção dos Aliados de atacar Sauce, decidiu se antecipar.


O Exército paraguaio, atacou de surpresa, com quatro colunas o centro do acampamento, com o objetivo geral era flanquear as forças Aliadas a fim de não permitir sua retirada para Estero Bellaco. As colunas foram organizadas de forma desigual entre elementos de cavalaria e infantaria. A cavalaria liderou o ataque e conseguiu destruir algumas unidades aliadas localizadas no perímetro exterior de defesa.

Apesar do sucesso inicial, as forças aliadas, lideradas pelo general Manuel Luís Osório, resistiu, se reorganizou e aproveitando sua superioridade de efetivos e de sua artilharia, contra-atacou provocando. Além de Osório, se destacaram na batalha, o brigadeiro Antônio Sampaio, comandante da 3ª Divisão de Infantaria (a esquerda do dispositivo) e o tenente-coronel Émile Louis Malett, comandante do 1º Regimento de Artilharia a Cavalo (no centro do dispositivo Aliado a retaguarda de fosso defensivo e fundamental para a vitória). As tropas brasileiras estavam distribuídas por todo o acampamento, com a reserva à retaguarda, também composta por forças Imperiais.

O 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, comandado por Emílio Luiz Mallet, ocupou posição no centro do dispositivo Aliado, a retaguarda de um fosso defensivo, e foi fundamental para a vitória na Batalha de Tuiuti

Aliados e paraguaios cometeram usa série de falhas táticas no planejamento, na montagem do dispositivo defensivo, na condução e coordenação do ataque, no reconhecimento do terreno, das posições inimigas e de suas intenções. Ocorreram várias críticas sobre os motivos que levaram as forças Aliadas a não realizarem uma perseguição e ao aproveitamento do êxito contra as forças paraguaias que se retiravam. Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina e comandante-em-chefe do Exército Aliado, decidiu reforçar a posição em Tuiuti, alegando a falta de cavalos.

1º tenente do 1º Regimento de Artilharia a Cavalo em 1866


Fonte: História militar em debate


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

EXPOSIÇÃO EVOCA CÁNDIDO LÓPEZ, O PINTOR MANETA DA GUERRA DO PARAGUAI

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Um panorama das obras pertencentes ao acervo do Museu Histórico Nacional da Argentina está exposto a partir de hoje nas salas do Parque Lezama

Por Daniel Gigena
 
 
A partir de hoje, a exposição Panorama Cándido pode ser visitada pessoalmente, com a coleção completa de pinturas de Cándido López (1840-1902) pertencentes ao Museu Histórico Nacional (MHN) argentino. As imagens do artista de um braço só serão exibidas ao lado de objetos da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), na qual Argentina, Brasil e Uruguai lutaram contra o Paraguai. O MHN é o museu nacional com maior número de obras de López, o pintor tenente que perdeu a mão direita na sangrenta batalha de Curupaiti e reeducou a esquerda para representar episódios de guerra. O roteiro da exposição ficou a cargo da equipe do museu, que desde 2020 é dirigida pelo historiador, pesquisador e professor Gabriel Di Meglio.

"O trabalho de Cándido López pode ser abordado de diferentes lugares", disse Di Meglio. "Optamos por ordená-los de acordo com as descrições que ele fez: os acampamentos militares, os movimentos de tropas, as batalhas, os momentos de lazer dos soldados e, por fim, um muro com várias obras”. O diretor do museu destaca que a exposição foi pensada para valorizar a obra do artista a partir do momento histórico em que ele foi protagonista.

Panorama Cándido procura contextualizar o pintor, explora as histórias de oficiais e soldados, o papel desempenhado pelas mulheres, as razões dos adversários da guerra e os estragos que esta deixou na sua esteira. Por outro lado, destaca Di Meglio, “a Guerra da Tríplice Aliança foi a primeira guerra fotografada na América do Sul”; A exposição inclui diversos retratos de soldados e cenas da queda de Humaitá, a maior fortaleza paraguaia. 
 
Em 1862, Cándido López posa com um quadro de Bartolomé Mitre, em Mercedes 
 

Anos depois do fim da guerra, em 1885, Cándido López expôs vinte e nove pinturas a óleo no Clube Gimnasia y Esgrima, com grande sucesso. “Embora muitas pessoas não achem interessante do ponto de vista artístico”, diz Di Meglio. A obra foi muito apreciada pelo próprio Bartolomé Mitre, com quem se correspondeu o pintor e ex-soldado de armas. “Suas pinturas são verdadeiros documentos históricos por sua fidelidade gráfica e contribuirão para preservar a memória gloriosa dos eventos que representam”, escreveu Mitre.

O Estado argentino comprou toda a obra do "maneta de Curupaiti" (que estava na pobreza) e, após sua morte, a família López doou algumas outras. “Essa compra era muito rara na época e até hoje”, diz o diretor do MHN. São quatro pinturas de López no Museu e Biblioteca Casa del Acordo em San Nicolás, de onde partiu com o Batalhão de Voluntários nº 17, no Museu Nacional de Belas Artes (além de esboços e desenhos) e trinta e duas no MHN. 
 
"Desembarque do Exército Argentino em frente às trincheiras de Curuzú, em 12 de setembro de 1866" 
 

O MHN possui o maior acervo do artista e a exposição é voltada para mostrá-lo na íntegra: trinta e duas pinturas dedicadas a episódios da Guerra da Tríplice Aliança. Existem batalhas, movimentos de soldados e outras cenas. O trabalho é magnífico e ver tudo junto é impressionante”, afirma Di Meglio. Além das pinturas a óleo nos tamanhos habituais de López (paisagem e 40 x 105 cm, aproximadamente), será exibida uma excepcionalmente grande, onde está representada a Batalha do Boquerón, da qual também participou. A intenção do artista era narrar a guerra por meio de noventa pinturas de batalha; ele fez cinquenta e oito. Nas contas do museu no Facebook, Twitter e Instagram, os fãs da arte argentina são convidados a apreciar as obras do Panorama Cándido.

Na exposição é possível ver parte do acervo de objetos ligados à guerra, que muitos ex-combatentes ou seus familiares doaram ao MHN. “Por isso decidimos contextualizar o trabalho de López, que trata da guerra, com informações sobre o conflito e objetos muito interessantes, como as armas utilizadas, desde sabres a morteiros para lançar sinais; um baú que pertencia a Eliza Lynch, esposa do presidente paraguaio Francisco Solano López; a cocar paraguaia com que Solano López condecorou as paraguaias que arrecadaram dinheiro; a espada do coronel Manuel Rosetti (que morreu no conflito), e outros objetos dos exércitos que intervieram na guerra”. Há também um setor dedicado aos líderes da guerra, outro aos que se opuseram ao conflito (como Juan Bautista Alberdi, Olegario Andrade e Carlos Guido y Spano).
 
"Acampamento em 16 de novembro de 1865. Passagem do rio Batel, província de Corrientes
 

O público verá a obra de Cándido López e poderá conhecer a guerra em que lutou”, resume o diretor do museu. Sua vida está ligada a essa guerra. Foi um jovem artista que fez daguerreótipos nas cidades da província de Buenos Aires e se alistou como voluntário quando o Paraguai invadiu a província de Corrientes”. Após a aquisição de suas pinturas a óleo pelo Estado, ele se tornou o único cronista visual da guerra. 

Fonte: La Nacion
 
 

sábado, 12 de dezembro de 2020

NOSSA LEGIÃO ESTRANGEIRA NA GUERRA DO PARAGUAI

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Por Renato Coutinho


O Brasil contou com sua legião estrangeira, por assim dizer, na Guerra do Paraguai. Com o intuito de reforçar o diminuto exército da República Oriental do Uruguai, após sugestão do então brigadeiro (general de brigada) Osório, o governo imperial brasileiro decidiu organizar um batalhão de infantaria em Montevidéu no ano de 1865. Este batalhão poderia receber voluntários de todas as nacionalidades e realmente recebeu voluntários de diversas nacionalidades (italianos, poloneses, belgas, suíços, turcos, alemães, espanhóis, etc.). Inicialmente, o batalhão recebeu o nome de "Batalhão de Voluntários Auxiliar".

O governo brasileiro arcou com quase todos os custos para equipar, fardar e armar esse batalhão. O soldo também ficava a cargo do governo brasileiro. Os primeiros duzentos voluntários foram fardados através de contribuições de brasileiros proeminentes que viviam na capital uruguaia. Ainda em 1865, o batalhão deixou de ser conhecido como "Batalhão de Voluntários Auxiliar" e recebeu sua designação oficial. Passou a ser o 16º Corpo (Batalhão) de Voluntários da Pátria. De brasileiro mesmo, o batalhão contava apenas com a bandeira imperial brasileira e seu comandante, o gaúcho coronel do Exército Imperial Fidélis Paes da Silva.

Apesar do nome oficial de 16º Corpo Voluntários da Pátria, o batalhão era muito mais conhecido pelo seu apelido, ele recebeu o apelido de "Batalhão Garibaldino" (também chamados simplesmente de "Garibaldinos"), pois os voluntários italianos predominavam na unidade e Garibaldi, famoso revolucionário italiano, era admirado ao redor do mundo, além de ser um dos italianos mais conhecidos no mundo todo naquela época. Garibaldi, liderando sua legião de voluntários conhecidos como "camisas vermelhas", havia conquistado o sul da Itália e a Sicília em 1860, derrotando o exército do Reino de Nápoles e, assim, dando passo importante no processo de unificação da Itália. O segundo em comando do 16º de Voluntários, Major Groppi, era na realidade um velho companheiro de Garibaldi em outras aventuras.



O 16º de Voluntários adotou um uniforme parecido com o uniforme dos "camisas vermelhas" de Garibaldi, com camisa e quepe predominantemente vermelhos (farda e quepe contavam com detalhes na cor verde).

Os Garibaldinos foram integrados ao Exército Uruguaio sob o comando de D. Venâncio Flores, ora fazendo parte da brigada de infantaria uruguaia sob o comando do coronel León Palleja (brigada que contava com quatro batalhões uruguaios de infantaria), ora fazendo parte da 12ª Brigada de Infantaria Brasileira sob o comando do tenente-coronel Joaquim Rodrigues Coelho Kelly. A brigada Coelho Kelly também reforçava o pequeno exército dos nossos aliados uruguaios.


O coronel Fidélis Paes da Silva foi gravemente ferido logo na primeira ação do batalhão, na Batalha de Yataí. Uma bala de mosquete atingiu de raspão sua coxa direita, provocando algum dano, e ele recebeu um golpe de baioneta, uma cravada profunda, na coxa esquerda. O Coronel Fidélis passou um longo período no estaleiro, recuperando-se da baionetada.

O 16º de Voluntários esteve presente na rendição de Uruguaiana e combateu nas batalhas de Yataí, Estero Bellaco, Tuiuti, Isla Carapá e Curupaiti. Em Curupaiti, o 16º não participou do infrutífero e custoso assalto frontal (os aliados sofreram mais de 4.000 baixas, sendo que pouco mais de 2.000 foram brasileiras). O batalhão estava na outra margem do rio, ocupando posição numa espécie de chaco, de frente para o flanco paraguaio, de frente para o flanco das posições defensivas paraguaias, e quase não sofreu baixas. Pelo contrário, o fogo do 16º de Voluntários provocou baixas nas tropas paraguaias e fez com que muitos paraguaios mantivessem suas cabeças abaixadas procurando abrigo. Os paraguaios sofreram poucas baixas naquele dia e, segundo o depoimento de George Thompson, inglês que era Coronel do Exército Paraguaio, "As baixas paraguaias foram incrivelmente pequenas, a maior parte pelas balas dos fuzileiros postados no Chaco [justamente os homens do 16º]. O Tenente Lescano, ajudante de ordens favorito de López, foi morto por uma destas balas."

O 16º de Voluntários passou a ser o 43º de Voluntários na reforma organizacional que Caxias promoveu no fim de 1866, mas vou parando por aqui. Nossa "legião estrangeira" lutou muito bem no Paraguai.

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terça-feira, 27 de outubro de 2020

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - BRIGADEIRO JOÃO MANOEL MENNA BARRETO

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* 24/1/1824 – Porto Alegre-RS

+ 12/8/1869 – Peribebuí, Paraguai

 João Manoel Menna Barreto nasceu em 24 de janeiro de 1824, em Porto Alegre. Era filho legitimado do Marechal-de-Exército João de Deus Menna Barreto, Visconde de São Gabriel. Casou com dona Maria Balbino Palmeiro da Fontoura, irmã da Baronesa de São Gabriel, em 27 de agosto de 1849. O casal teve cinco filhos: o general João Manoel Menna Barreto Filho, o general João Carlos Menna Barreto, Dona Adelaide Menna Barreto, Dona Maria Balbina Menna Barreto e dona Alice Menna Barreto.  

João Manoel assentou praça como voluntário em 1º de julho de 1839, no 1º Regimento de Cavalaria.

Em março de 1841, passou para o 2º Regimento da mesma arma. Foi promovido a alferes em 27 de maio de 1842. A tenente em 30 de setembro de 1846, no 4º Regimento de Cavalaria. A capitão em 27 de agosto de 1849. Por merecimento, em decreto de 14 de abril de 1855, foi promovido a major no 3º Regimento. A tenente-coronel, por merecimento, em 2 de dezembro de 1859. A coronel, por merecimento, em 18 de fevereiro de 1865. E, finalmente, a brigadeiro em 1º de junho de 1867. Foi condecorado com a medalha da Campanha do Estado Oriental (1851-1852), com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1858), com o hábito da Ordem de São Bento de Aviz (1860), com o grau de Oficial da Ordem do Cruzeiro (1865), com o grau de Grande Dignitário da Ordem da Rosa (1869) e com a Medalha de Mérito Militar.

De março de 1841 a março de 1845, João Manoel participou da campanha da província, até a pacificação do Rio Grande do Sul. Posteriormente, em 1851 e 1852, participou da Campanha do Estado Oriental, nas operações contra Rosas e Oribe, tendo atuado no ataque a Paissandu, no Uruguai. O famoso "Combate de São Borja" ocorreu a 10 de junho de 1865, nos primórdios da Guerra do Paraguai. Em seguida, veio o combate de Potrero-Obella, em 29 de outubro de 1867, e o de Taji, em 2 de novembro de 1867.

1868 foi um ano glorioso para João Manoel. Tomou parte no Combate de Jacaré, no dia 7 de junho, e distinguiu-se particularmente no dia 21 de dezembro, ocasião em que se apoderou das trincheiras do Piquissiri, atacando-as de flanco por ordem de Caxias e ficando senhor de mais de 30 canhões.

No ataque de Peribebuí, João Manoel foi ferido mortalmente e faleceu a 12 de agosto de 1869. Lutava na vanguarda, como era de seu feitio, e já conquistara vários troféus de guerra, como bandeiras e armas do inimigo.

Por ocasião da Guerra do Paraguai, na ordem do dia do Exército Nacional, relativa ao dia em que João Manoel faleceu, foi registrado e lamentado o acontecimento. Ficou também assinalado o seu ingresso na História do Brasil. Em sua homenagem, o Exército Brasileiro concedeu ao 2º regimento de Cavalaria Mecanizado, unidade sediada em São Borja, a denominação histórica de Regimento João Manoel.

Fonte: 2º RCMec


sábado, 20 de junho de 2020

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CAPITÃO MARCOLINO JOSÉ DIAS

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Por Renato Coutinho

O Capitão Marcolino José Dias (também conhecido como Marcolino Dias dos Santos) trouxe da Bahia, sob seu comando, a 2ª Companhia de Zuavos baianos. Tinha sido nomeado Alferes em comissão, depois efetivado no posto e, no momento do embarque para o Rio de Janeiro, já havia sido promovido ao posto de Tenente em comissão. No dia 19 de maio de 1865, a Ordem do dia nº 447, da Repartição da Ajudância-Geral, publicou a nomeação para Capitão em comissão do Tenente da 2ª Companhia de Zuavos baianos Marcolino José Dias. O Corpo de Zuavos, mais conhecidos como "Zuavos Baianos" ou "Zuavos da Bahia", chegou a ter como comandante interino o Capitão Marcolino José Dias. 

Sabemos que, infelizmente, o Corpo de Zuavos foi dissolvido e seus membros foram transferidos para outras unidades. Muitos deles foram servir no Corpo de Saúde e, os demais, foram incorporados em diversos batalhões de infantaria brasileiros. O Capitão Marcolino Dias foi servir no 8º Corpo (Batalhão) de Voluntários da Pátria, batalhão este que foi organizado no Rio de Janeiro com grande contingente da Província do Rio de Janeiro e, também, com pequenos contingentes de Alagoas e Sergipe.

O 8º de Voluntários da Pátria participou com destaque do assalto contra Curuzu (3 de setembro de 1866). Conquistamos a posição defensiva paraguaia ao custo de 941 baixas (baixas computadas entre os dias 1º e 3, incluindo as baixas da Marinha). Sofremos mais de 830 baixas, do Exército Brasileiro, no assalto de infantaria do dia 3. Os paraguaios sofreram 2.132 baixas. Avançando debaixo de fogo inimigo, o 8º de Voluntários penetrou no entrincheiramento paraguaio, lutou corpo a corpo com os infantes paraguaios e conquistou a posição com muita determinação e coragem (claro que outros batalhões brasileiros também combateram e tiveram participação na captura da trincheira inimiga). O 8º de Voluntários capturou duas bandeiras paraguaias nesta ação, uma que tremulava no topo da posição paraguaia e, outra, que pertencia a um dos batalhões de infantaria paraguaios que defendia Curuzu. O batalhão sofreu 105 baixas na tomada de Curuzu (talvez 106 baixas).

A bandeira paraguaia que tremulava no topo do entrincheiramento de Curuzu, "desafiando nossos soldados", foi derrubada e capturada pelo bravo e destemido Capitão Marcolino José Dias. Ele foi ferido quando estava se aproximando da bandeira inimiga, mas conseguiu capturá-la e protegê-la. Ficou de posse daquele troféu de guerra até quase o fim do combate e ai de quem tentasse tomá-la de suas mãos. Ele só foi passar adiante o troféu no momento em que o comandante da 1ª Divisão de Infantaria brasileira, Brigadeiro (General de Brigada) Joaquim José Gonçalves Fontes, apareceu no interior da trincheira paraguaia, entregando o estandarte inimigo para o comandante de sua divisão (o 8º de Voluntários fazia parte da 2ª Brigada de infantaria brasileira, a qual, por sua vez, fazia parte da 1ª Divisão de Infantaria brasileira).

O Capitão Marcolino José Dias foi muito elogiado na parte (relatório) de combate do comandante do 8º de Voluntários da Pátria, Major Rufino Voltaire Carapeba (descrevendo o feito de armas do mencionado Capitão). O comandante da 2ª Brigada de infantaria brasileira, Tenente-Coronel Augusto de Barros e Vasconcelos, também elogiou o comportamento e o feito de armas realizado pelo nosso ilustre capitão baiano.

Em 1867, por Decreto de 15 de junho, foram concedidas honras do posto de Capitão do Exército ao Capitão em comissão Marcolino José Dias. Ainda em 1867, Marcolino recebeu baixa por motivo de incapacidade física não especificada (talvez em decorrência do ferimento recebido em Curuzu). 

Fonte: História Militar e Militaria brasileira

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sábado, 8 de fevereiro de 2020

A INVASÃO DE CORRIENTES (1865)

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A Invasão de Corrientes foi um episódio ocorrido no início da Guerra do Paraguai, na segunda etapa da ofensiva paraguaia, após a Invasão do Mato Grosso, no início de 1865.

As forças paraguaias buscavam levar apoio aos blancos, no Uruguai, e precisavam para isso atravessar o território argentino. Em março de 1865, López pediu ao governo argentino autorização para que o exército comandado pelo general Venceslau Robles, com cerca de 30 mil homens, atravessasse a província de Corrientes. O exército do sul paraguaio tinha duas colunas: a força principal com 14 mil homens na infantaria, 6000 na cavalaria e 30 peças de artilharia. A força auxiliar, sob o tenente general Estigarribia com 7.000 homens na infantaria, 3.000 da cavalaria e 5 canhões. O presidente Bartolomeu Mitre, aliado do Brasil na intervenção no Uruguai, negou-lhe a permissão. Em resposta a esta negativa, no dia 18 de março de 1865, o Paraguai declarou guerra à Argentina.

General Estigarríbia, comandante das tropas paraguaias


Uma vez declarada a guerra, os paraguaios buscaram evitar que o Exército Argentino detivesse seu avanço, efetuando uma manobra de distração, ao mesmo tempo em que outra frente avançava pela costa do rio Uruguai. Isto foi feito através da ocupação da cidade de Correntes, numa estratégia que também permitiria controlar o curso superior do rio Paraná, deixando aberta a comunicação através da província de Corrientes.

Na sexta-feira de 13 de abril de 1865, uma esquadra paraguaia de cinco belonaves a vapor, com 2.500 homens, sob o comando de Pedro Ignacio Meza se aproximou de Correntes. Os navios passaram pela cidade em direção ao sul, depois retornaram ruma ao norte e atacaram os vapores de guerra argentinos 25 de Mayo e Gualeguay, que estavam sendo reparados no porto da cidade. No 25 de Mayo havia uma tripulação de 80 homens com uma bateria de artilharia, já o Gualeguay estava em terra, desarmado e somente com uma guarda comandada pelo subteniente Ceferino Ramírez. A tripulação de dois dos navios paraguaios atacou aos argentinos, e após uma breve luta com algumas baixas, aprisionou os navios. Em seguida, as tropas do general Robles tomaram a cidade com uma tropa de entre 3 e 4 mil homens, enquanto o governador Manuel Lagraña abandonava a cidade.

Campanha de Corrientes

À tarde do mesmo dia, enquanto uma coluna de cavalaria de 800 homens chegava por terra à cidade, Robles reuniu uma assembleia popular, aparentemente formada exclusivamente por membros do partido federal, e da oposição ao governo central que, por sua vez, nomeou um governo provisório, formado por Teodoro Gauna, Víctor Silvero e Sinforoso Cáceres. Porém na práctica este governo só referendava as ordens da comissão paraguaia de José Bergés, Miguel Haedo e Juan Bautista Urdapilleta.

Ao invadir Corrientes, López pensava obter o apoio do poderoso caudilho argentino General Justo José de Urquiza, governador das províncias de Corrientes e Entre Ríos, chefe federalista hostil a Mitre e ao governo de Buenos Aires. A invasão da Argentina por López, entretanto, teve efeito oposto.

Soldados de infantaria paraguaios

As ações de López deram aos federalistas argentinos apenas duas opções: lutar contra o invasor ou continuar neutros. Urquíza, inicialmente, prometeu lutar contra López. A atitude ambígua assumida por Urquiza, entretanto, manteve estacionadas as tropas paraguaias, que avançaram posteriormente cerca de 200 km em direção ao sul, mas terminaram por perder a ofensiva.

López deixou 12.000 homens guarnecendo a cidade, enquanto 25.000 foram enviados ao rio Paraná para invasão do Rio Grande do Sul.


terça-feira, 8 de outubro de 2019

UFMS LANÇA NOVO LIVRO SOBRE A GUERRA DO PARAGUAI

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É com grande satisfação que convidamos os amigos para o lançamento do livro 150 Anos após - A Guerra do Paraguai: entreolhares do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, contendo trabalhos de pesquisadores dos quatro países, e organizado pelos professores Ana Paula Squinelo e Ignacio Telesca.

O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar contribuiu com um capítulo que aborda a trajetória do 7º CORPO DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA, unidade de infantaria brasileira formada na Província de São Paulo.

Para quem estiver pelo Mato Grosso do Sul, fica a dica e o convite.



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