"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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domingo, 14 de julho de 2024

SURGE A BOMBA ATÔMICA

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Quando a notícia de que a primeira bomba atômica fora testada com sucesso chegou a Potsdam, onde as lideranças aliadas reuniam-se em conferência, o americano Henry Stimson, secretário da guerra do governo Truman, exultou. Na noite de 16 de julho, escreveu em seu diário: "Agora, com nossa nova arma, não precisaremos da assistência dos russos para conquistar o Japão." Estava certo. Com somente dois desses fatais artefatos nucleares - os mais poderosos armamentos já vistos no mundo -, os nipônicos baixaram as armas, rendendo-se quase de imediato, sem a necessidade da intervenção do Exército Vermelho de Josef Stalin. Mas de onde veio essa arma que abreviou a resistência nipônica e deixou os americanos em posição tão segura no jogo militar-diplomático?

As origens da bomba atômica remontam a antes mesmo do início dos combates. Cientistas de diversos países já perseguiam o conceito de energia nuclear em meados da década passada. A Alemanha ganhou um trunfo quando invadiu a Noruega, em 1940, e apoderou-se da única planta para a fabricação da água pesada, fundamental para o processo nuclear. Alguns cientistas germânicos, porém, fugindo da perseguição nazista, estabeleceram-se na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Os britânicos, por sua vez, possuíam estoques de água pesada, mas viram que não contavam com materiais suficientes para criar uma bomba. Assim, concordaram em dividir sua experiência com os EUA. Desta forma, em 1942, instalou-se o ultra-secreto Projeto Manhattan, também com a colaboração do Canadá, destinado a criar a "arma vencedora".

Leslie Groves (a esquerda) e o Robert Oppenheimer, líderes do Projeto Manhattan

Esta causaria um impacto gigantesco apenas por dividir a menor das partículas da matéria: o átomo. Quando atingido por um nêutron, o núcleo do átomo de urânio-235 - como foi o caso da bomba Fat Man - se parte e libera um fluxo de energia de enormes proporções, além de mais nêutrons. Por sua vez, estes bombardeiam outros núcleos atômicos, dando origem a uma reação em cadeia que gera tamanha quantidade de energia em tão pouco tempo que acaba por provocar uma colossal explosão. Uma quantidade específica de urânio-235, conhecida como "massa crítica", é necessária para engatilhar a reação; dentro da bomba, o urânio é mantido separado em duas partes, reunidas apenas no momento da detonação para formar a "massa crítica" e gerar a explosão.


Uso desnecessário?

De acordo com o coronel Leslie Groves, chefe do Projeto Manhattan em Washington, a empreitada custou mais de 2 bilhões de dólares e envolveu uma força de trabalho de cerca de 600.000 pessoas. A título de comparação, a Grande Pirâmide, segundo o relato de Heródoto, requereu 100.000 homens trabalhando durante 20 anos, enquanto a construção da Muralha da China teria envolvido cerca de um milhão de trabalhadores.


Foi emblemático que essa monumental operação tenha culminado no revide ao ataque que arrastou os EUA para a guerra: Pearl Harbor, no fim de 1941. Desde então, os japoneses tornaram-se alvo do mais profundo ódio dos americanos - com a ajuda, como foi comum na guerra inteira, de uma raivosa campanha de propaganda. A construção da imagem malévola dos nipônicos funcionou tão bem que os EUA tiveram de prender os imigrantes daquele país em campos de detenção, uma medida que constrangeu o governo mas foi amplamente aceita entre a população.

Assim que a primeira bomba explodiu em Hiroxima, o coronel telefonou para o doutor Robert Oppenheimer, chefe do laboratório de Los Alamos, no Novo México, onde a bomba fora desenvolvida e construída, para congratular os responsáveis pelo momento histórico. "Estou muito orgulhoso de você e de toda sua equipe", afirmou. Nem todos concordam com Groves, porém. Nos bastidores, o almirante William Leary, Comandante da Marinha dos Estados Unidos, argumentou que o uso da devastadora arma no Japão foi moralmente equivocado e militarmente desnecessário, uma vez que o bombardeio convencional já minava as forças japonesas, ainda mais combalidas pela falta de petróleo no país. Outros, contudo, como o general George Marshall, Comandante do Exército, apoiaram Truman em sua decisão. Para ele, o lançamento da bomba atômica faz o Japão render-se rapidamente e evitou a morte de milhares de soldados americanos, baixas que seriam inevitáveis em caso de invasão.

Talvez ainda mais importante, de acordo com fontes em Washington: a capitulação rápida do Império impediu os soviéticos de alcançar Tóquio, permitindo assim que os Estados Unidos fossem a única força a ocupar o Japão, região estratégica para seus interesses no Pacífico - esta sim, talvez a verdadeira (e também pouco justificável) razão para a devastação de Hiroxima e Nagasaki. De qualquer forma, os americanos não carregam só o peso de ter dizimado duas cidades inteiras – a partir de agora, levam nas costas também a responsabilidade pela detenção da tecnologia mais letal já imaginada pelo homem.

Fotografias aéreas do centro de Nagasaki, antes e depois do ataque atômico

Cientistas afirmam que o poder de destruição da bomba atômica é tão monstruoso que seria potencialmente capaz de simplesmente destruir a Terra, reduzindo a pó o planeta e varrendo a humanidade do Universo – bastaria produzir artefatos em número suficiente para isso. O pesadelo da guerra podia ter acabado, mas os tempos de paz prometiam ser cheios de incerteza e tensão.

Fonte: Veja online

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

"SALVEI O MUNDO DE UMA GUERRA NUCLEAR"

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No lugar certo e na hora certa. Assim Stanislav Petrov descreve seu feito à frente do sistema de monitoramento nuclear da União Soviética em 1983 que, possivelmente, salvou o mundo da Terceira Guerra Mundial.


Responsável por reportar qualquer ataque ou possibilidade de ataque dos Estados Unidos à União Soviética no auge da Guerra Fria, na década de 1980, Petrov recebeu um alerta que desesperaria qualquer pessoa na sua situação. O sistema de monitoramento soviético alertava para um ataque de mísseis vindo dos Estados Unidos na direção do país socialista.


Ao ver o alerta, Petrov deveria reportá-lo aos seus superiores, que preparariam a retaliação ao ataque, o que provavelmente daria início a uma guerra nuclear mundial. Mas o militar soviético desconfiou e, em poucos minutos, tomou uma decisão que pode ter mudado o rumo da humanidade. Ele reportou o alerta como falso.


"Não acho que fiz algo extraordinário, eu era um homem que estava fazendo apenas seu trabalho da maneira correta. Não acho que fiz nada heroico, eu só estava no lugar certo, na hora certa", disse Stanislav Petrov em entrevista ao programa de rádio Outlook, do Serviço Mundial da BBC.
 
"Na minha frente estava um painel brilhante, com letras vermelhas, dizendo que o computador havia detectado sinal de mísseis", contou. Mas Petrov desconfiou do alerta. A certeza do sistema sobre o ataque era tão grande que fez com que o militar suspeitasse que havia algum problema técnico.


Eu olhei para o painel de novo e ainda dizia que o míssil havia sido lançado e que a probabilidade de ataque era 100%. E, para o computador, prever uma probabilidade dessas é simplesmente impossível. O número deveria ser um pouco menor, havia 28 ou 29 níveis de segurança no sistema e, depois que o alvo fosse identificado, ele teria de passar por todos esses pontos de segurança. Então aquilo era inacreditável. Isso foi o grande motivo da minha dúvida.


A decisão de Petrov poderia ser fatal, tanto se ele reportasse o ataque – por causa da retaliação -, como se não reportasse e estivesse errado quanto ao erro do sistema.


"Eu tinha que pensar rápido. Cada segundo era crucial para a resposta militar da União Soviética. Eu sabia também que ninguém seria capaz de corrigir meu erro se eu estivesse realmente errado. Eu olhei para a minha equipe e percebi que eles estavam entrando em pânico.

  Durante a Guerra Fria a ameaça de uma guerra nuclear entre os EUA e a URSS foi uma cosntante



Mesmo tendo 50% de chance de estar errado, Sanislav Petrov decidiu reportar o ataque como falso. Ele ligou para os superiores e disse que havia um problema no sistema.


"Liguei para meus superiores e disse que o alarme era falso. Na mesma hora, o alarme tocou de novo e veio um novo aviso vermelho. Eu ainda estava falando com eles e disse que havia um novo alerta, mas que eu também o considerava falso", relata.


"Eles aceitaram o que eu disse e desligaram. Logo em seguida, veio um terceiro alerta dizendo que mais um míssil estava vindo, depois outro e outro. E aí veio a mensagem dizendo que um 'ataque de mísseis' estava acontecendo."



Segredo


Petrov sabia de sua responsabilidade e, conscientemente, "não queria ser o responsável pelo início da Terceira Guerra Mundial". Depois que reportou o ataque como falso, ainda viveu momentos de muita tensão até esperar cerca de 15 minutos e ver que, realmente, nenhum míssil havia caído na União Soviética e que, portanto, o sistema havia falhado.

O coronel Petrov, hoje já reformado, vestindo orgulhosamente o seu uniforme das Forças Nucleares da URSS


Depois do ocorrido, Stanislav Petrov não pôde contar a ninguém o que havia se passado em sua sala. A decisão que salvou o mundo de uma guerra nuclear ficou desconhecida por muito tempo, porque os militares soviéticos não queriam que ninguém soubesse que o sistema de monitoramento que tinham havia falhado.


"Eu tive que manter tudo em segredo, não pude nem contar para minha mulher, só contei para ela 10 anos depois. Você precisava ver a cara dela."


A história acabou saindo na imprensa, e Stanislav Petrov recebeu inúmeras homenagens pelo seu feito que salvou o mundo. Ainda assim, ele gosta de minimizar o fato. "Aquele era o meu trabalho."


Apesar disso, ele diz que se outra pessoa estivesse monitorando o sistema naquele momento, era bem provável que a história fosse diferente. "Meus colegas de trabalho eram soldados profissionais. Eles só aprenderam a dar ordem e obedecer. Eles tiveram sorte que era eu quem estava monitorando o sistema naquele momento.”



Fonte: BBC

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quinta-feira, 31 de julho de 2014

MORRE O ÚLTIMO TRIPULANTE DO ENOLA GAY

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O último sobrevivente da tripulação do Enola Gay, o avião que lançou a primeira bomba atômica sobre o Japão, no final da Segunda Guerra Mundial, morreu na Geórgia, no sul dos Estados Unidos, informou a imprensa americana nesta terça-feira (28).

Theodore Van Kirk, também conhecido como 'Dutch', morreu na segunda-feira, aos 93 anos, de causas naturais no Retiro Park Springs, em Stone Mountain, segundo a rede de televisão NBC.

Na época com 24 anos, Van Kirk era o navegador do Enola Gay, o bombardeiro B-29 que lançou a 'Little Boy' sobre Hiroshima, às 8h15 do dia 6 de agosto de 1945, provocando a morte de 140 mil pessoas.

Três dias após o primeiro ataque nuclear da história, os EUA lançaram outra bomba atômica, matando 80 mil pessoas em Nagasaki.  No dia 15 de agosto de 1945, o Japão se rendeu e a Segunda Guerra Mundial teve fim.

 Van Kirk será enterrado no dia 5 de agosto, em sua cidade natal, Northumberland, na Pensilvânia, em cerimônia privada, segundo a rede CBS.

Fonte: G1

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

COMO PARAR UMA GUERRA NUCLEAR - REFLEXÕES SOBRE A CRISE DOS MÍSSEIS DE 1962

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Por Michael Dobbs

 
À medida que estuda como responder à bravata militar da Coreia do Norte, Barack Obama está aprendendo a lição que John F. Kennedy precisou assimilar durante a Crise dos Mísseis de Cuba. No caso de um possível confronto nuclear, delegar poderes para os generais antecipadamente pode ser um grande erro.
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De acordo com notícia publicada esta semana no Wall Street Journal, a Casa Branca abriu mão de um "manual" previamente aprovado que exigia uma demonstração de força contra a Coreia do Norte em resposta às suas ameaças de um ataque nuclear. Em vez de adotar uma série de medidas, bem orquestradas e bem divulgadas, com o objetivo de aumentar a pressão sobre Pyongyang, o governo Obama estaria agora examinando maneiras de acalmar a tensão na Península Coreana.
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Funcionários da Casa Branca estariam contrariados com o fato de a Marinha ter tornado pública a mobilização de dois destróieres lançadores de mísseis teleguiados para a região - o que poderia provocar uma resposta imprevisível de Kim Jong-un.
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Esses sinais de divergência entre civis e militares lembram um célebre confronto no auge da Crise dos Mísseis, entre o secretário de Estado Robert McNamara e o comandante das operações navais, almirante George Anderson. Depois de o presidente anunciar um bloqueio naval de Cuba, Anderson achou que tinha toda a autoridade necessária para impedir que os navios soviéticos cruzassem a "linha de quarentena", se necessário, à força. "Sabemos como fazer isso", ele disse a McNamara, agitando no ar sua bastante manuseada cópia das leis militares em caso de guerra. "Fazemos isso desde os tempos de John Paul Jones."
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O confronto chegou a tal clímax que o secretário da Defesa, furioso, respondeu ao comandante: "Nenhum tiro será disparado sem minha permissão expressa". Alguns meses depois o almirante Anderson foi exilado como embaixador dos EUA em Portugal.
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O presidente Kennedy e seu secretário de Estado Robert McNamara
 
 
Esse episódio foi um momento decisivo de mudança nas relações entre civis e militares. Durante a 2ª Guerra, os comandantes militares desfrutavam de muita autonomia. O general Dwight Eisenhower deu ordens para "libertar a Europa" - mas não houve nenhum político interferindo, supervisionando cada detalhe das suas operações. Ele tomou decisões históricas - como sua recusa em disputar com o Exército soviético a chegada a Berlim - o que decidiu sozinho.
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A era nuclear acabou com o tradicional comportamento militar do "diga-nos o que fazer, mas não como". Erros são inevitáveis em guerras - mas não existe nenhuma margem de erro quando ela envolve o uso de armas nucleares.
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Preocupado com a possibilidade que um simples erro pudesse ter conseqüências cataclísmicas, John F. Kennedy e Robert McNamara insistiram na criação de um centro de tomada de decisões militares. O símbolo dessa mudança foi a criação da "Sala da Situação de Emergência" na Casa Branca, que permite ao presidente e seus assessores obter informações quase em tempo real do campo de batalha e portanto ter um controle e poder de comando muito maiores.
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Com material suficiente para fabricar meia dúzia de armas nucleares, Kim Jong-un dificilmente pode ser comparado ao arqui-inimigo de Kennedy, Nikita Kruchev. Em 1962, a União Soviética possuía 300 armas nucleares capazes de atingir o território dos EUA, incluindo 32 em Cuba, a 145 quilômetros de Florida Keys.
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Entretanto, existem paralelos inquie- tantes com a Crise dos Mísseis. Apesar de Kim precisar de alguns anos até poder atingir o território americano com um míssil, ele poderá transformar Seul num monte de cinzas amanhã. Com seus ternos estilo Mao e uma imagem de Doutor Maldade, Kim pode servir de tema para os comediantes de programas de TV, mas o fato é que ele controla um arsenal nuclear crescente que ameaça aliados dos EUA. Como Kennedy, Obama precisa se preocupar com a possibilidade de um erro de cálculo que pode resultar no que McNamara chamou de "resposta espasmódica" do outro lado.
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O bloqueio marítimo contra Cuba: solução para ganhar tempo na crise

 
Quatro décadas se passaram desde que o mundo chegou à beira de uma destruição nuclear, em outubro de 1962, mas as repercussões desse incidente continuam relevantes. A seguir, um sumário das lições mais importantes oferecidas pela Crise dos Mísseis, no que se refere à Coreia do Norte (ou ao Irã):
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1) Uma única bomba nuclear muda tudo. Confiando que os EUA desfrutavam de uma vantagem nuclear de 10 para 1 em relação à União Soviética, os que defendiam uma guerra, liderados pelo general Curtis LeMay, insistiram para o presidente acertar as contas com os "bastardos comunistas" de uma vez por todas. Mas a superioridade nuclear esmagadora dos EUA pouco importava para Kennedy, que mais tarde admitiu que a possibilidade de uma única ogiva nuclear soviética atingir úma cidade americana fora um "fator de dissuasão substancial".
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2) Evitar uma escalada cega. Quando um avião espião U-2 foi derrubado em Cuba no dia 27 de outubro, no auge da crise, Kennedy foi informado de que os planos de guerra existentes estabeleciam uma imediata resposta contra o sistema antimísseis soviético. Preocupado com a possibilidade de uma retaliação ter conseqüências imprevisíveis, Kennedy ordenou ao Pentágono retardar a resposta, permitindo mais tempo para a diplomacia.
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3) Prestar atenção às "incógnitas". Por mais confiantes que os chefes da inteligência possam estar, eles podem ser incapazes de informar muita coisa. Durante a Crise dos Mísseis, Kennedy ignorava que as tropas soviéticas em Cuba possuíam quase 100 armas nucleares táticas capazes de aniquilar uma força invasora dos EUA. O presidente parecia um cego tropeçando na escuridão, mal sabendo o que ocorria em torno dele. Como JFK, Obama está descobrindo que precisa agir com base no instinto tanto quanto na inteligência, em tempo real e confiável.
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4) Compreender os limites da "administração da crise". Gomo resultado da Crise dos Mísseis, acólitos de Kennedy como Arthur Schlesinger alimentaram o mito de um presidente resoluto usando um poder militar "calibrado" e uma diplomacia hábil para fazer frente ao seu homólogo no Kremlin. Acreditando na sua própria propaganda, de "melhores e mais brilhantes", eles acharam que poderiam usar uma estratégia similar durante a Guerra do Vietnã. Mas superestimaram seu poder de controlar os acontecimentos. Desconhecendo os princípio da teoria do jogo da maneira ensinada pela Rand Corporation, os comunistas norte-vietnamitas se igualaram aos americanos a cada escalada da guerra.
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5) Evitar traçar linhas que levem a arrependimentos mais tarde. Antes da Crise dos Mísseis, Kennedy ficou cada vez mais pressionado pelos republicanos, que o acusaram de ignorar a expansão militar soviética em Cuba. Ele reagiu publicando uma declaração na qual disse que "problemas mais graves" surgiriam se os soviéticos desenvolvessem "uma capacidade de ofensiva significativa" na ilha. Depois de ficar comprovado que Kruchev tinha enviado de fato mísseis nucleares para Cuba, Kennedy desejaria não ter feito aquela declaração. E foi compelido a agir, não porque os mísseis soviéticos haviam mudado consideravelmente a balança do poder militar, mas porque temia parecer fraco. Ele se viu enjaulado.
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6) Conversar com os inimigos. Depois de analisar seriamente um possível ataque aéreo cujo alvo seriam locais onde estavam estacionados os mísseis, Kennedy decidiu-se por uma ação intermediária, um bloqueio parcial a Cuba, limitado a "equipamentos. militares ofensivos". O bloqueio serviu para dar tempo de todos voltarem à razão. Kruchev mais tarde elogiou Kennedy por seu enfoque "racional". Tivesse o presidente americano seguido seus instintos iniciais e os conselhos de pessoas como LeMay, Kruchev provavelmente teria autorizado algum tipo de resposta militar que desencadearia uma cadeia imprevisível de acontecimentos.
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7) A contenção funciona. O comunismo não foi derrotado militarmente; ele foi vencido econômica, cultural e ideologicamente. Esgotados em razão da competição militar com os EUA, os sucessores de Kruchev não conseguiram oferecer ao seu próprio povo um nível básico de prosperidade material. Com a aquisição de armas nucleares, os comunistas norte-coreanos conseguiram afastar a ameaça de uma intervenção estrangeira. Mas não resolveram nenhum dos problemas econômicos subjacentes e podem até mesmo tê-los aprofundado. O comunismo no final será derrotado na Coreia do Norte, como ocorreu na União Soviética. Precisamos apenas ser pacientes
 
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Fonte: Estadão
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ENCONTRADA FOTO RARA DA BOMBA ATÔMICA DE HIROSHIMA

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Uma foto rara mostrando uma nuvem em forma de cogumelo, causada pela bomba atômica de Hiroshima, foi descoberta, divulgou o curador do Memorial da Paz, na semana passada.

Acredita-se que a imagem em preto e branco tenha sido tirada meia hora após o bombardeio no dia 6 de agosto de 1945, a cerca de 10 quilômetros a leste do epicentro.

"A existência deste registro já era conhecida nos livros de história, mas esta é a primeira vez que a fotografia original foi descoberta", explicou o curador do Memorial da Paz de Hiroshima ao destacar a raridade de uma foto que registra “a nuvem de cogumelo dividida em dois".

A foto foi encontrada no meio de artigos relacionados à bomba atômica, que estão sob a guarda da escola primária Honkawa na cidade de Hiroshima.

As imagens mais conhecidas após a explosão da bomba são aéreas e foram tiradas por militares americanos. O bombardeiro americano B-29, apelidado de "Enola Gay", lançou a bomba atômica, sob o codinome "Little Boy", transformando a cidade no oeste do Japão em um inferno nuclear.

A bomba matou um número estimado de 140 mil pessoas no momento em que a 2ª Guerra Mundial já estava próxima do fim.  Três dias depois, uma segunda bomba atômica, com o codinome de "Fat Man", foi despejada na cidade de Nagasaki, tirando outras 70 mil vidas.

Fonte: AFP


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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

MARINHA RUSSA ANUNCIA A RECUPERAÇÃO DE SUBMARINOS NUCLEARES AFUNDADOS



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Dois submarinos atômicos afundados, o K-27 e o K-159 da Frota do Norte da Marinha Russa, serão içados e reciclados em terra. Segundo informações de uma fonte do Ministério da Defesa da Rússia ao jornal “Izvéstia”, esse ponto foi incluído no projeto “Estratégia de Desenvolvimento da Zona Ártica da Federação Russa”.

Foi examinado uma série de medidas para limpeza dos mares polares. Além dos submarinos afundados, será dada especial atenção à eliminação de resíduos perigosos de equipamentos militares deixados na Terra de Francisco José (arquipélago polar entre o mar de Barents e o oceano Glacial Ártico), nas ilhas de Novossivirsk, na ilha Beli”, informou a fonte que preferiu não se identificar.

Outra fonte, do Estado Maior da Marinha, disse ao jornal “Izvéstia” que as forças e os recursos técnicos russos não são suficientes para operações de tamanha dimensão. Para erguer embarcações, que se encontram a grandes profundidades, são necessários navios especiais de apoio a mergulhadores, rebocadores, barcas e lanchas com sistema de guindaste. A experiência de içamento do Kursk, 11 anos atrás, mostrou que a Rússia não tem condições de garantir toda a parte técnica sozinha. Na época, os trabalhos básicos foram realizados pela empresa holandesa Mammoet.

Até hoje não temos as embarcações necessárias. Logo após a tragédia do submarino Kursk, a Frota adquiriu da Grã-Bretanha cinco aparelhos Venom, que submergem a grandes profundidades sem piloto, e agora eles serão substituídos por três Gavia islandeses de tecnologia avançada. Eles conseguem realizar operações específicas com seu complexo de instrumentos hidráulicos, como brocas, perfuradores e serras, mas são aparelhos de busca e salvamento, não de içamento”, disse o entrevistado.

Ele explicou que a Frota da Marinha Russa praticamente não possui pessoal especializado para trabalhos em grandes profundidades. Por isso, será necessária a abertura de uma licitação internacional entre empresas especializadas dos EUA, Holanda, França e Coreia do Sul.

O submarino K-159 afundou em 2003 no Mar de Barents, quando era rebocado para desmonte e reciclagem


Um representante da holding Corporação Industrial Reunida considera que os requisitos de içamento do K-27 e do K-159 podem ser atendidos por uma série de empresas russas, inclusive pela Corporação de Construção Naval Reunida. “Porém, ninguém pode dizer o preço e o prazo de realização dos trabalhos sem saber os parâmetros da solicitação. Içar a embarcação inteira é uma coisa, serrá-la no fundo do mar e erguer as partes é outra”, explicou o representante da indústria da defesa.

O submarino K-27 está no fundo do Mar Cáspio desde 1980. O K-159 afundou em 2003 no Mar de Barents, quando o rebocavam para reciclagem. O primeiro, numa profundidade de 75 m, não apresenta grandes dificuldades para içamento, mas a situação do segundo é mais complexa. Ninguém sabe com exatidão a profundidade em que se encontra, algo entre 170 m e 250 m.


Fonte: Gazeta Russa


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