"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL PAUL VON LETTOW-VORBECK

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* 20/3/1870 - Saarlouis, Prússia

+ 9/3/1964 - Hamburgo, Alemanha



Paul Emil von Lettow-Vorbeck, conhecido como "O leão da África", foi um general alemão, comandante da campanha da África Oriental Alemã na Primeira Guerra Mundial, a única campanha colonial dessa guerra onde a Alemanha não foi derrotada. Também foi o único comandante a invadir solo britânico na Primeira Guerra Mundial.

A sua primeira missão de relevo aconteceu em 1900 quando, ainda tenente, foi encarregue de comandar um destacamento alemão que colaborou com forças militares de outras potências europeias na contenção da Rebelião Boxer, na China.

Em 1904 partiu para o Sudoeste Africano Alemão (atual Namíbia) como ajudante-de-campo do general Martin Chales de Beaulieu, comandante das forças enviadas para apoiar as Schutztruppe (as “tropas de proteção”) da colônia na denominada Guerra dos Hotentotes, a insurreição dos povos nama e herero que ocorreu entre 1904 e 1908 e que conduziu ao genocídio dos hereros e namas, a primeira grande catástrofe humanitária do século XX. Nessa campanha foi ferido no olho esquerdo e forçado a retirar-se para a África do Sul, onde, durante essa estadia forçada, conviveu com o general Jan Smuts, de quem se tornaria amigo para toda a vida, apesar de depois ter de o enfrentar durante a Primeira Guerra Mundial.

No princípio de 1914, von Lettow-Vorbeck foi escolhido para comandante da pequena guarnição alemã de 300 soldados e doze companhias de askari que guarneciam a África Oriental Alemã, atual Tanzânia. Com o início da guerra na Europa, em agosto daquele ano, sabendo da vantagem do poder iniciativa num contexto periférico ao palco do conflito principal, como era no caso a África Oriental, ignorou as ordens recebidas do governo de Berlim e do governador da colônia, o Dr. Heinrich Schnee, que insistiam na necessidade de manter a neutralidade da África Oriental Alemã.

Oficiais alemães instruindo tropas askari na África Oriental


Von Lettow-Vorbeck de imediato ignorou as ordens do governador, nominalmente seu superior, e preparou-se para a guerra, a qual se iniciou por um ataque anfíbio à cidade de Tanga, que teve lugar entre 2 e 5 de novembro de 1914, repelindo os britânicos e os seus aliadas na ação que ficou conhecida pela Batalha de Tanga, uma das mais violentas de toda a campanha.

Reuniu então os escassos homens e suprimentos disponíveis e preparou-se para ganhar a iniciativa e atacar as ferrovias britânicas na África Oriental. No processo conseguiu uma segunda vitória sobre os britânicos, vencendo a Batalha de Jassin, travada a 18 de janeiro de 1915.

As vitórias que foi conseguindo permitiram-lhe capturar armamento moderno e outros abastecimentos urgentemente necessários, dado o isolamento das forças alemães em relação à metrópole, consequência do bloqueio naval aliado ao Império Alemão.

Para além das vantagens logísticas, as vitórias deram grande impulso ao moral de seus homens, embora von Lettow-Vorbeck também nelas perdesse muitos dos seus soldados mais experientes, entre eles o "esplêndido” capitão Tom von Prince, que não poderiam facilmente ser substituídos no isolamento em que se encontrava.

O plano de von Lettow-Vorbeck para era simples: sabendo que no contexto da guerra a África Oriental não passaria de um palco periférico, decidiu capturar o máximo de tropas britânicas possível e manter o máximo de pressão sobre as forças remanescentes, pois as removeria da Frente Ocidental, contribuindo dessa forma para a vitória alemã na Europa.

Von Lettow-Vorbeck sabia que podia contar com os seus oficiais, altamente motivados e competentes (sua taxa de vítimas era certamente prova disso). Como consequência das perdas custosas de pessoal, passou a evitar confrontos diretos com soldados britânicos, em vez disso levou seus homens a engajar invasões de guerrilha nas províncias britânicas do Quênia e da Rodésia, atacando os fortes britânicos, ferrovias e comunicações - tudo com o objetivo de forçar a Entente a desviar o efetivo do teatro de guerra na Europa. 

Von Lettow-Vorbeck utilizou os canhões do cruzador Königsberg (afundado em 1915) como artilharia de campanha para apoiar suas tropas africanas


Convocou 12.000 soldados, a maioria deles askari, mas todos bem treinados e bem disciplinados. Os askari ganharam uma especial reputação pela sua capacidade de luta e lealdade. Von Lettow-Vorbeck também servia como comandante-modelo, ganhando pelo exemplo o respeito e lealdade dos seus homens. Percebeu as necessidades críticas da guerra de guerrilha em que ele usou tudo o que lhe era disponível se tratando de suprimento, inclusive o grupo e artilharia do cruzador alemão SMS Königsberg (afundado no delta do Rio Rufiji em 1915), que possuía uma tropa capacitada sob o comando de Max Looff, bem como suas numerosas armas, que foram convertidas em peças de artilharia para a luta em terra, representando o mais alto padrão de peças de artilharia de terra usadas na guerra.

Em março de 1916, os britânicos, sob o comando do seu amigo general Jan Smuts, lançaram uma formidável ofensiva com 45.000 homens. Von Lettow-Vorbeck pacientemente usou o clima e o terreno como seus aliados enquanto suas tropas lutavam contra os britânicos em condições vantajosas. Os britânicos, entretanto, continuaram enviando mais tropas forçando von Lettow-Vorbeck a ceder território. Não obstante, ele conseguiu impor por diversas vezes pesadas derrotas aos britânicos, incluindo uma em Mahiwa, em outubro de 1917, onde perdeu 100 homens enquanto os britânicos perderam 1.600 homens.

Companhia de soldados askari com seus oficiais e sargentos alemães na África Oriental


Apesar dos seus esforços, os britânicos mantinham uma decisiva vantagem em efetivo, e não tinha ilusões de que qualquer território que ele capturasse poderia ser guarnecido por muito tempo. Decidiu então fazer uma incursão na direção sul, penetrando na então colônia portuguesa de Moçambique, onde ganhou homens e abastecimentos ao atacar guarnições portuguesas. Reingressou no território da África Oriental Alemã em agosto de 1918, apenas para rumar para oeste e atacar a Rodésia do Norte, evitando a armadilha que os britânicos lhe haviam preparado na África Oriental Alemã.

A 13 de novembro de 1918, dois dias após a assinatura do Armistício de Compiègne, tomou a cidade de Kasama, que os britânicos haviam evacuado, naquela que foi a última vitória alemã no conflito. Daí continuou rumando para sudoeste, internando-se no coração de África em direção ao Katanga. Quando alcançou o rio Chambeshi, na manhã de 14 de novembro, o magistrado britânico Hector Croad apareceu sob uma bandeira branca e entregou uma mensagem do tenente-general Sir Jacob van Deventer, informando-o do armistício. Von Lettow-Vorbeck imediatamente concordou com um cessar-fogo. O local onde o encontro ocorreu, hoje território da Zâmbia, está assinalado pelo Memorial von Lettow-Vorbeck.

Aceitou então as instruções dos britânicos para se dirigir com as suas forças para norte, até Abercorn (atual Mbala) para aí formalmente render o seu exército invicto, o que ocorreu a 23 de novembro. As suas forças consistiam então de 30 oficiais alemães, 125 sargentos e outros postos graduados e 1.168 askaris.

Rendição das tropas de Von Lettow-Vorbeck em Abercon, na visão de um desenhista africano


Em 1964, ano em que von Lettow-Vorbeck faleceu e meio século após sua chegada a Dar es Salaam, o Bundestag da Alemanha Ocidental votou uma dotação destinada a financiar o pagamento dos salários devidos aos askari ainda vivos. Foi instalada uma pagadoria temporária em Mwanza, nas margens do Lago Vitória, à qual os interessados se deveriam dirigir. Contudo, dos cerca de 350 sobreviventes, apenas um grupo limitado dispunha dos certificados que von Lettow-Vorbeck lhes havia entregue em 1918. Outros apresentaram como prova pedaços de seus velhos uniformes, mas muitos não dispunham de qualquer meio de prova da sua condição de veterano. O funcionário alemão encarregado do pagamento teve então a seguinte ideia: a cada requerente que se apresentasse sem documentos seria dado uma vassoura e ordenado, em alemão, que simulasse um manejo de arma. Nenhum dos homens que se apresentaram falhou no teste.


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sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

UNIFORMES - SOLDADO DE INFANTARIA SOMALI

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Exército Somali
Soldado de infantaria
Guerra do Ogaden (1977-1978)
 
A breve Guerra do Ogaden começou com a invasão somali da Etiópia. A União Soviética desaprovou a invasão e cessou seu apoio à Somália, passando a apoiar a Etiópia. A Etiópia foi salva de uma grande derrota e da perda permanente de território por meio de um transporte aéreo massivo de suprimentos militares no valor de US $ 1 bilhão, a chegada de entre 12.000 e 24.000 soldados cubanos enviados por Fidel Castro para obter uma segunda vitória africana (após seu primeiro sucesso em Angola em 1975-1976).

O Soldado de infantaria acima utiliza uniforme com peças de camuflagem de diferentes origens, bastante flexível e adequado ao combate em área de savana e de selva. Seu armamento é um fuzil de assalto AK-47, de fabricação soviética.


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

ETÍOPE QUE LUTOU COM EUA LEMBRA "CAPÍTULO ESQUECIDO" DA GUERRA DA COREIA

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Esta é a história pouco conhecida de um oficial etíope condecorado pelos Estados Unidos por sua imensa bravura. Ela se passou há 70 anos, quando a Etiópia entrou em guerra. Não na África, mas do outro lado do mundo, na Coreia.


Em 1951, o imperador etíope, Hailé Selassié, decidiu enviar milhares de soldados para integrar as forças da ONU que, lideradas pelos Estados Unidos, lutavam ao lado da Coreia do Sul contra os comunistas norte-coreanos e sua aliada China.

Os chamados batalhões Kagnew pertenciam ao corpo dos Guarda-Costas Imperiais - a tropa de elite da Etiópia.  O capitão Mamo Habtewold era na época um jovem tenente do 3º Batalhão Kagnew.  Em entrevista à BBC, ele disse que se lembra com clareza do dia em que deixou a Etiópia para ir lutar no outro lado do mundo. O próprio imperador veio se despedir das tropas.

"Quando um batalhão partia para a Coreia, ele sempre vinha pessoalmente, fazia um discurso e dava a cada batalhão uma bandeira", contou. "Ele determinou que trouxéssemos a bandeira de volta".


Três mil anos de independência

Quando a Etiópia foi invadida pela Itália, em 1935, Hailé Selassié havia condenado a Liga das Nações por sua não intervenção no conflito. Anos mais tarde, como aliado fiel dos Estados Unidos, o imperador quis dar um exemplo.

"Nosso rei, Haile Selassie, era um grande defensor do princípio da segurança coletiva. E quando a ONU pediu a ele (que enviasse) tropas para a Coreia, ele aceitou sem questionar", explicou Mamo. O próprio Mamo estava 'louco para ir', especialmente após o retorno, em 1953, do primeiro batalhão etíope enviado à Coreia. "Todos voltaram da Coreia se gabando, então, todo mundo queria lutar".

Mamo Habtewold em fotografia tirada logo após a guerra

Os etíopes lutaram como parte da 7ª Divisão dos Estados Unidos. O Exército americano havia, muito recentemente, eliminado a segregação racial entre as tropas, mas, para Mamo, segregação racial não era um problema: "A Etiópia tem uma história de três mil anos como país independente. Nós etíopes éramos orgulhosos e nos gabávamos de ser etíopes. Não nos importávamos com essa questão de cor. Os americanos não nos chamavam de negros porque ficaríamos com raiva". (O uso do termo negro, tradução literal de "nigger", em referência à raça negra é considerado ofensivo em países de língua inglesa.) 

E Mamo tem orgulho da participação da Etiópia na Guerra da Coreia. "Éramos os melhores combatentes. Os três batalhões etíopes lutaram em 253 batalhas e nenhum soldado etíope foi feito prisioneiro na Guerra da Coreia", contou. "Esse era o mote etíope: Nunca seja capturado no campo de batalha".

O mote dos soldados africanos seria colocado a duras provas.


Cercados pelo Inimigo

Em 1953, enquanto as negociações de paz se arrastavam, ambas as facções tentavam fortalecer sua posição nas negociações ao brigar pelo controle de uma área árida e montanhosa situada logo após um dos trechos ocupados pela ONU.  A 7ª Divisão americana, que incluía o batalhão Kagnew, foi encarregada de defender uma dessas montanhas, apelidada de Pork Chop Hill.

Guarnição de canhão sem recuo etíope na Coreia

Uma noite, em maio de 1953, Mamo liderava uma pequena patrulha que desceu do topo da montanha para inspecionar as terras abaixo. Ele não suspeitava de que sua patrulha estava prestes a ser alvo de uma grande ofensiva chinesa.  "Éramos 14 etíopes e um americano na nossa patrulha. Mais tarde, foi escrito que lutamos contra 300 soldados chineses - um homem contra 20".  Quatro integrantes da patrulha foram mortos, incluindo o americano. Todos os outros foram feridos.  "Eles tentaram levar meu operador de rádio como prisioneiro, mas eu matei o soldado chinês e salvei aquele homem. Uma hora, vieram acabar conosco quando estávamos todos feridos, eu tinha uma granada e os matei. Foi muito duro".

A luta continuou, com interrupções, durante toda a noite. Isolado, com seus homens feridos, Mamo sabia que não conseguiriam aguentar por muito mais tempo. "Fui ferido várias vezes, estava cansado, exausto, e perdi a consciência duas vezes. A coisa mais importante era encontrar um rádio para contatar a artilharia americana. Mas meus três rádios tinham sido destruídos.  Eu dei minha pistola a um soldado para que ele me desse cobertura enquanto eu procurava por um rádio. Desmaiei de novo e tive medo de ser capturado. Queria me matar. Mas quando ordenei ao soldado que devolvesse minha pistola, ele se recusou."

"Não dê [a pistola] a ele", os outros soldados disseram.  Então, Mamo decidiu continuar a lutar.  "Procurei por uma arma de um dos homens mortos e, quando os chineses atacavam, eu atirava. Quando as coisas se aquietavam, eu procurava um rádio", contou.  Ele acabou encontrando um rádio. Chamou a artilharia americana, que pôs fim à ofensiva chinesa. Reforços foram enviados e, sob uma cobertura de fumaça, seus homens feridos foram resgatados.

De volta à base, Mamo era o único da patrulha ainda em pé. "Todos foram para o hospital. Eu fui o único a retornar para o alojamento. É como um homem que está vivendo com sua família e, de repente, a família inteira está morta e ele retorna para uma casa vazia - foi assim que me senti. Senti tanto por eles, fiquei muito deprimido".

Soldados do Batalhão Kagnew nas montanhas da Coreia


Por seus atos, Mamo recebeu a mais elevada honraria militar existente na Etiópia. E os americanos lhe deram uma Estrela de Prata, por sua bravura em combate.

Mais de três mil etíopes lutaram na Guerra da Coreia, mais de 120 foram mortos, mais de 500 foram feridos. Os sobreviventes retornaram a Addis Abeba, capital do país, como heróis. "Foi realmente um grande dia. Especialmente, quando voltamos da Coreia, trouxemos nossos soldados mortos. Addis Abeba estava lotada de gente. Metade chorava, metade celebrava", Mamo contou.

Medalha concedida aos etíopes que participaram da guerra


Depois da guerra, Mamo foi promovido a capitão. Ele foi obrigado a deixar o Exército em 1960, no período que sucedeu uma tentativa de golpe por membros do corpo dos Guarda-Costas Imperiais. Acabou fazendo carreira como homem de negócios e administrador.

Em 2012, o governo da Coreia do Sul anunciou que daria aposentadoria aos veteranos etíopes sobreviventes da Guerra na Coreia. Mamo ainda espera retornar à Coreia do Sul uma última vez e visitar o lugar onde se tornou um herói de guerra etíope.

Fonte: BBC


sábado, 21 de janeiro de 2023

UNIFORME - CONSELHEIRO MILITAR CUBANO

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Exército Cubano
Conselheiro militar
Guerra do Ogaden (1977-1978)

A breve Guerra do Ogaden começou com a invasão somali da Etiópia. A União Soviética desaprovou a invasão e cessou seu apoio à Somália, passando a apoiar a Etiópia. A Etiópia foi salva de uma grande derrota e da perda permanente de território por meio de um transporte aéreo massivo de suprimentos militares no valor de US$ 1 bilhão, a chegada de entre 12.000 e 24.000 soldados cubanos enviados por Fidel Castro para obter uma segunda vitória africana (após seu primeiro sucesso em Angola em 1975-1976).

O sargento cubano atuou como conselheiro militar cubano junto ao Exército etíope. Utiliza uniforme com peças de camuflagem de origem cubana e soviética, bastante adequado ao combate no ambiente operacional africano. Está armado com um fuzil de assalto AKS-47 com coronha rebatível, de fabricação soviética. 

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

1798: NAPOLEÃO COMEÇA A CAMPANHA DO EGITO

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Em 19 de maio de 1798, Napoleão partiu com 18 mil soldados para conquistar o Egito. Dois meses depois, suas tropas chegariam ao Cairo. Antes disso, venceram os mamelucos na lendária Batalha das Pirâmides.


Por Catrin Möderler

A Revolução Francesa, cujo auge fora a queda da Bastilha em junho de 1789, ainda não fora superada: o país estava sacudido por conflitos. Napoleão Bonaparte, jovem general corso, conseguiu estabilizar a situação ao sufocar um levante monarquista em Paris em 1795. Ele reorganizou as tropas francesas e venceu os austríacos e piemonteses, bem como seus aliados Prússia e Saboia. Seu domínio logo se estendeu à margem esquerda do rio Reno, à Bélgica e a Milão.

Foi nesse cenário que Napoleão decidiu iniciar a campanha do Egito. O objetivo era desmantelar uma importante rota inglesa de comércio. O rei Jorge III não havia reconhecido as conquistas territoriais francesas na Itália. Vendo que não tinha qualquer possibilidade de invadir a Inglaterra, Napoleão planejava derrotá-la no setor econômico.

Soldado caçador da 22ª Meia-brigada de Infantaria Ligeira francesa no Egito

A base da economia inglesa eram as colônias, das quais a Índia era a principal. O comércio de mercadorias indianas era vital para a Inglaterra. E Napoleão planejou exatamente bloquear o longo caminho inglês até a Índia, que passava por território egípcio. A 19 de maio de 1798, partiu com 18 mil soldados para conquistar o  Egito.


Supostas boas intenções napoleônicas

Em 18 de julho, suas tropas chegaram ao Cairo. Antes disso, venceram os mamelucos na lendária Batalha das Pirâmides, onde, porém, sofreram pesadas perdas. Em meio ao tiroteio, os disparos dos canhões franceses destruíram o rosto da Grande Esfinge de Gizé, a "sentinela da eternidade".

Napoleão e suas tropas durante a Batalha das Pirâmides

Como pretexto para invadir o Egito, Napoleão Bonaparte alegou que queria apenas garantir, por todos os meios, o acesso seguro dos peregrinos a Meca. "Somos amigos dos muçulmanos e da religião do profeta Maomé", disse. Hábil estrategista e mestre em empolgar as tropas, lembrou aos soldados, à base das pirâmides, de que eles se encontravam diante de 40 séculos de história. Suas supostas boas intenções, contudo, não convenceram os adversários.

O sultão turco Selim III, que encarregara os mamelucos do xeque Abdallah al Charkawi de administrar o território egípcio, tentou fazer uma guerra santa contra Napoleão. Suas tropas precariamente armadas tornaram-se presa fácil para os franceses. Ao contrário dos soldados britânicos sob o comando do almirante Horatio Nelson: estes conseguiram derrotar a frota napoleônica na Baía de Abukir, reconquistando a rota inglesa para a Índia, e barrando o retorno de Napoleão à França.

"Tracé du théatre des opérations militaires" dos manuscritos de E.L.F. Hauet da Campanha no Egito na Universidade Americana do Cairo


Ascensão de Napoleão na França

Somente um ano mais tarde, Napoleão conseguiu derrotar o exército turco em terra na Batalha de Abikur. Em seguida, deixou o general Kléber no Egito, como comandante-em-chefe das tropas francesas, e voltou para casa, escoltado por uma guarda pessoal mameluca.

O que só alcançara em parte no Egito, o militar corso logrou inteiramente na França: a ascensão ao poder. Auxiliado por militares e membros do governo, Napoleão Bonaparte derrubou o Diretório a 10 de novembro de 1799, dissolveu a Assembleia e implantou o Consulado, uma ditadura disfarçada. Depois de ser cônsul-geral, em 1804 coroou-se imperador, como Napoleão I. Era o fim da Revolução Francesa.

O ditatorial governo napoleônico foi marcado tanto pelo êxito nas guerras e nas reformas internas, como pela censura à imprensa e a repressão policial. Napoleão I interveio em toda a Europa, passando a controlar grande parte dos países europeus. Foi temendo a expansão francesa que a família real portuguesa fugiu em 1808 para o Brasil. Em 1812, o império napoleônico incorporava 50 milhões dos 175 milhões de habitantes do continente europeu.

Fonte: DW



segunda-feira, 7 de junho de 2021

UNIFORMES - MILÍCIA POPULAR SOMALI

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Milícia Popular Somali
Miliciano
Guerra do Ogaden (1977-1978)

A breve Guerra do Ogaden começou com a invasão somali da Etiópia. A União Soviética desaprovou a invasão e cessou seu apoio à Somália, passando a apoiar a Etiópia. A Etiópia foi salva de uma grande derrota e da perda permanente de território por meio de um transporte aéreo massivo de suprimentos militares no valor de US $ 1 bilhão, a chegada de entre 12.000 e 24.000 soldados cubanos enviados por Fidel Castro para obter uma segunda vitória africana (após seu primeiro sucesso em Angola em 1975-1976).

O miliciano acima utiliza uniforme camuflado modelo de selva e equipamento de origem soviética. Está armado com uma metralhadora DP-27, remanescente dos estoques da Segunda Guerra Mundial.


quinta-feira, 20 de maio de 2021

CRIANÇA-SOLDADO QUE SE TORNOU COMANDANTE REBELDE É CONDENADO POR CRIMES DE GUERRA

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Tribunal Penal Internacional condena Dominic Ongwen a 25 anos de prisão por crimes de guerra. Ex-guerrilheiro foi uma criança-soldado ugandesa que se tornou comandante do Exército de Resistência do Senhor.


Dominic Ongwen, 45 anos, foi condenado em fevereiro por 61 acusações, incluindo gravidez forçada, sobre a qual o Tribunal Penal Internacional (TPI) nunca antes se tinha pronunciado. Em audiência do último dia 6 de Maio, em Haia, ele também foi considerado culpado de homicídio, violação, escravidão sexual e recrutamento de crianças-soldado.

"À luz da gravidade dos crimes que cometeu, a câmara condena-o a um período total de prisão de 25 anos", disse o juiz Bertram Schmitt ao dirigir-se a Dominic Ongwen.

De acordo com o tribunal, Ongwen ordenou ataques aos campos de refugiados no início de 2000, enquanto servia como comandante do Exército de Resistência do Senhor (ERS), um grupo armado liderado pelo fugitivo Joseph Kony, que empreendeu uma guerra brutal no Uganda e em três países vizinhos, para estabelecer um Estado baseado nos Dez Mandamentos da Bíblia.

Dominic Ongwen, apelidado de "formiga branca", fotografado no tempo em que comandava o ERS


Cogitava-se prisão perpétua

Ongwen enfrentava uma sentença de prisão perpétua, mas tendo em conta a sua própria história de rapto pelo grupo rebelde, quando tinha cerca de 9 anos, a acusação optou por pedir 20 anos de prisão. "Esta é uma circunstância que distingue este caso de todos os outros julgados por este tribunal", disse Colin Black, um membro da acusação, na audiência de sentença de abril no TPI.

Depois de ter invocado a absolvição durante o julgamento, sublinhando que o próprio acusado tinha sido vítima da brutalidade do grupo rebelde, a defesa pediu 10 anos de prisão para esta antiga criança-soldado, apelidada de "formiga branca", durante a audiência da sentença. As vítimas, por outro lado, pediam prisão perpétua.

Dominic Ongwen sentado no banco dos réus do Tribunal Penal Internacional


"Em nome de Deus", Ongwen sempre negou todas as acusações, alegando que o ERS o forçou a comer feijões embebidos no sangue das primeiras pessoas que foi obrigado a matar, como iniciação após ter sido raptado."Sou a primeira vítima. Estou perante este tribunal internacional com tantas acusações e, no entanto, sou a primeira vítima de rapto de crianças", afirmou durante o seu julgamento.

"O que me aconteceu, acho que nem sequer aconteceu a Jesus Cristo", acrescentou. Ao declará-lo culpado, os juízes do TPI reconheceram que Ongwen tinha sofrido muito, mas disseram que os seus crimes tinham sido cometidos "como adulto responsável e comandante do Exército de Resistência do Senhor".

Memorial às vítimas do massacre perpetrado pelo ERS em Lukodi, Uganda

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o ERS massacrou mais de 100.000 pessoas e 60.000 crianças, numa violência que se espalhou pelo Sudão, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.  Ongwen, que se rendeu em 2015, é o primeiro comandante do ERS a ser julgado pelo TPI. O fundador do grupo, Joseph Kony, é objeto de um mandado de captura do tribunal.

Fonte: DW/Agência Lusa


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL: ATIRADORES TIRANIZADOS

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Quase 200.000 soldados da África Subsaariana foram enviados para o front pela França, que então os esqueceu.

 

Por Maria Malagardis

 “Vocês, chocolates negros africanos, são naturalmente os mais bravos entre os bravos. Grata, a França admira vocês”, explica o capitão Armand às suas tropas africanas, em Brotherhood of Soul, o último romance de David Diop, que conta o destino de um fuzileiro senegalês enviado durante a Primeira Guerra para a fornalha de um campo de batalha. Publicado em 2018, esperada por Goncourt e Renaudot, este soberbo romance não obteve qualquer atenção. Que pena, o símbolo seria forte. Neste ano de comemoração, como não recordar o papel decisivo das tropas africanas no desfecho desta guerra assassina? Como podemos esquecer o quão populares eles eram?

No entanto, várias gerações de crianças francesas tomaram o seu café da manhã perante a imagem - folclórica e certamente não muito gratificante - do tirailleur (atirador) senegalês exposta nas caixas de Banania, chocolate em pó comercializado desde 1914.

Estampa na lata de Banania, popular chocolate em pó comercializado na França, mostrando um atirador senegalês: visão folclórica e pouco gratificante.
 

Conquista

Essa popularidade muitas vezes exótica não durou muito. E a "pátria grata" provará ser muito ingrata, congelando pensões de 1959, sujeitando essas tropas do Império Francês a condições de vida degradantes, muitas vezes recrutadas em todo o continente africano. Porque os famosos "atiradores senegaleses" não eram todos senegaleses. Devem o seu nome ao organismo criado em 1857 pelo governador do Senegal, Louis Faidherbe.

Por muito tempo, esses soldados foram os responsáveis pelo apoio às conquistas coloniais, até que a Primeira Guerra Mundial os impeliu para a frente. Quase 200.000 soldados da África subsaariana, aos quais se somam 40.000 malgaxes e 270.000 norte-africanos, foram, assim, de boa vontade e frequentemente à força, enviados para o campo de batalha. As perdas foram estimadas em 28.000 homens e 22% dos que foram enviados para Chemin des Dames se perderam. Outros morreram de doenças, mesmo na viagem de volta, como os 192 atiradores que naufragaram amontoados abominavelmente no transatlântico Africa, em 12 de janeiro de 1920.

 

Massacre

Em 2018 ano, os heróis negros não foram esquecidos. O presidente Macron esteve em Rheims para inaugurar o Monumento aos Heróis do Exército Negro, ou melhor, sua reinauguração: erguido em 1924, esse bloco de granito de quatro metros de altura, representando quatro atiradores senegaleses em torno de um oficial branco - afinal - fora destruído em 1940 pelos nazistas. “Eles vieram aqui para derramar sangue sob a neve na sua região”, lembrou o presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, convidado para a cerimônia em Rheims. “Para nós, este monumento é mais do que um símbolo. É uma luta. Demorou um século para conseguir isso”, sublinha o escritor de origem congolesa Alain Mabanckou. 

 

Atiradores senegaleses a serviço da França durante a Primeira Guerra Mundial

 

A memória finalmente ressurge. É preciso lembrar que essa guerra também aconteceu na África, onde a Alemanha perdeu suas colônias. Este continente e os seus habitantes participarão de forma decisiva na guerra que se seguirá e verá, por algum tempo, Brazzaville no Congo tornar-se a capital da "França livre".

Isso não impediu que soldados negros fossem massacrados em Thiaroye, Senegal, em 1944, quando apenas reivindicavam suas pensões. Não foi até 2010 que eles foram reavaliados para o mesmo nível dos veteranos brancos. O último fuzileiro senegalês não teria vivido este momento: morreu em 1998, na véspera de receber a Legião de Honra. Ele era senegalês e seu nome era Abdoulaye Ndiaye.

 Monumento aos Heróis do Exército Negro em Rheims. Homenagem tardia. 

 Fonte: Libération


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O DIA EM QUE TROPAS DAS EX-COLÔNIAS NA ÁFRICA AJUDARAM A LIBERTAR A FRANÇA DO NAZISMO

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15 de agosto de 1944: o dia em que tropas das ex-colônias na África liberaram a França do nazismo

Por Adriana Moysés

A França comemorou ontem (15) os 75 anos do desembarque de tropas aliadas na região da Provença (sul), também conhecida como “Operação Dragão”, uma etapa determinante para a liberação do país da ocupação nazista no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Dos 235.000 combatentes franceses que chegaram às praias na costa do Mediterrâneo, 90% eram soldados africanos provenientes das ex-colônias do norte da África e da África subsaariana.

O reconhecimento da importância dos atiradores senegaleses, marroquinos, argelinos e tunisianos para a liberação da França da ocupação alemã demorou várias décadas. Alguns especialistas, como o historiador Pascal Blanchard, da Sorbonne, estimam que até hoje a França não presta uma homenagem justa a esses homens, à altura do que eles fizeram pela liberdade dos franceses.

Até os anos 2000, os dirigentes franceses ocultaram o papel dos soldados africanos e de ex-colônias do Índico e do Pacífico na vitória dos aliados contra o Exército de Hitler. Blanchard, especialista no império colonial francês, observa que sempre que o Estado fazia referência ao desembarque de tropas aliadas nas comemorações oficiais, as imagens exibidas eram da Normandia, em junho de 1944, que envolveu uma maioria de soldados brancos – americanos, canadenses e britânicos. “Poucos africanos integraram divisões que liberaram Paris, enquanto nas praias da Provença as tropas eram negras”, disse em entrevista à RFI.

Atirador marroquino com uniforme de combate
 
Era preciso mostrar que a França se liberou por si mesma, com soldados brancos”, afirmou o historiador. Essa postura de encobrir a participação crucial dos ex-colonos na Segunda Guerra só mudou a partir de 2004. O então presidente Jacques Chirac declarou, pela primeira vez, durante as comemorações do 60° Desembarque da Provença, que os soldados das ex-colônias tiveram “uma atuação magnífica nos combates para nossa liberação”. Na cerimônia realizada em Toulon, Chirac reconheceu que eles “pagaram um preço alto pela vitória”. Superado esse “esquecimento”, os presidentes Nicolas Sarkozy e François Hollande passaram a convidar líderes africanos para a ocasião. No caso de Emmanuel Macron, quase houve um retrocesso.

Inicialmente, o Palácio do Eliseu não havia previsto uma celebração especial neste 75° aniversário. Mas em julho, Blanchard e outras 22 personalidades, incluindo escritores, jornalistas e historiadores, publicaram um artigo no jornal Le Monde criticando o descaso do governo com esse fato histórico. Após a publicação, Macron admitiu que houve um descuido e se comprometeu a organizar e participar pessoalmente da cerimônia. Blanchard apreciou a reatividade do chefe de Estado.


Cerimônia no sul

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, e da Guiné, Alpha Condé, participaram do 75° aniversário celebrado nesta quinta, nos arredores de Saint-Raphael (sul), ao lado de Macron. Sarkozy também estava entre os convidados. A comemoração aconteceu na necrópole de Boulouris, onde estão sepultados os corpos de 464 combatentes.

O escritor senegalês David Diop fez um discurso em homenagem aos atiradores senegaleses, lembrando que muitos deles foram massacrados pelos nazistas de maneira ainda mais violenta por serem negros. “Todos deram prova de coragem e de bravura fora do comum, pagando caro pela vitória que ajudaram a conquistar”, declarou Macron. O presidente da Guiné assinalou que os soldados africanos dividiram com os franceses o sangue e o suor dos últimos combates da Segunda Guerra Mundial. “O Desembarque da Provença faz parte de uma memória coletiva compartilhada pelos povos francês e africano para salvar a liberdade”, concluiu.

Os presidentes da Guiné, França e Costa do Marfim participam da homenagem aos soldados que participaram do Desembarque da Provença, em cerimônia realizada em Boulouris.


Convidado para a cerimônia, Jacky Klingère, filho de um militar argelino, contou à reportagem da RFI que seu pai desembarcou na localidade de Saint-Maxime, depois de chegar ao litoral da França a bordo de um cargueiro com americanos. “Ele anotou diariamente o que fazia num pequeno caderno que guardo até hoje. Meu pai subiu do Mediterrâneo até Colmar (leste), ao lado de outros combatentes.

Para o cineasta e historiador Éric Deroo, mais importante do que a França demonstrar arrependimento por ter passado décadas sem reconhecer o papel dos soldados africanos na vitória sobre o nazismo, é realizar um trabalho de fundo na sociedade.

Temos uma história em comum com as ex-colônias. A questão não é permanecer numa rivalidade pela memória. O que pode ajudar a fortalecer essa identidade comum é fazer filmes, teses de pesquisa e criar museus para informar os jovens e as futuras gerações sobre a participação das tropas africanas para a liberação da França”, disse Deroo à rádio France Info.


A ofensiva militar

Dois meses depois do desembarque aliado na Normandia, iniciado em 6 de junho de 1944, a “Operação Dragão” teve o objetivo de enfrentar as tropas alemãs entrincheiradas em Toulon e desbloquear o acesso aos portos franceses do Mediterrâneo. A estratégia era ocupar uma área entre as cidades de Bormes e Saint-Raphael, para escapar do fogo inimigo, e sem seguida reconquistar Marselha e Toulon.

A ofensiva militar dos aliados ocorreu em duas etapas. Em uma primeira campanha aérea, 5 mil soldados paraquedistas foram lançados ao longo de uma rodovia com o objetivo de isolar os alemães. Na sequência, uma frota de 220 navios americanos e britânicos, vindos do norte da África, da Córsega e do sul da Itália, desembarcou dezenas de milhares de soldados nas praias do Var. 

Soldados nativos de zonas tribais do Marrocos, que integravam um regimento de infantaria das forças aliadas, desfilam após a reconquista do porto de Marselha, em agosto de 1944.

Ao todo, 350.000 combatentes aliados foram mobilizados para enfrentar os 250 mil homens do exército inimigo espalhados na região. Mas os alemães ofereceram pouca resistência e se renderam, sob as ordens de Hitler. No dia 21 de agosto, com a ajuda dos africanos, as cidades de Aix-en-Provence, Arles e Avignon foram reconquistadas. Tropas francesas e americanas liberaram em seguida Toulon, Marselha, Cannes e Nice. Em 14 dias, o sul da França estava livre dos nazistas.

Fonte: RFI Brasil

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