"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 13 de junho de 2023

AS CRIANÇAS-SOLDADO DA GUERRA CIVIL AMERICANA

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Este fascinante conjunto de imagens revela muitas das crianças soldados que lutaram na guerra mais sangrenta da história americana.


Por Pesala Bandara


A Guerra Civil Americana, travada entre 1861 e 1865, produziu cerca de 620 mil mortes - quase tantas vítimas americanas ocorridas em todas as outras guerras travadas pelos Estados Unidos combinadas. Uma em cada cinco pessoas que se alistou para arriscar sua vida lutando contra seus compatriotas era menor de 18 anos e estima-se que 100 mil soldados da União eram menores de 15 anos.

Neste conjunto impressionante de imagens, crianças de até oito anos são retratadas, algumas das quais foram feridas em batalha.

Uma foto mostra um garoto de 11 anos que acabara de se tornar um herói de guerra depois de atirar em um soldado confederado adulto, posando orgulhosamente em seu uniforme.

O pequeno Johnny Clem, com 12 anos em 1863, em seu uniforme, ostentando as listras de sargento

Alguns desses soldados-crianças retratados foram capturados, alguns ficaram feridos e alguns foram mortos, mas todos viram os horrores da guerra de primeira mão, observando homens mortos e morrendo. 

Os registros históricos revelam que essas crianças eram frequentemente assombradas pelas memórias da guerra.  Escrevendo após a batalha de Shiloh, em 1862, Elisha Stockwell Jr, de 15 anos, disse: "Enquanto nos deitamos lá e as granadas estavam voando sobre nós, meus pensamentos se voltaram para minha casa, e eu pensei que menino tolo eu era de entrar em uma bagunça como a que eu estava. Eu ficaria feliz por ter visto meu pai vir atrás de mim".

Um jovem soldado negro fica ao lado de um oficial da União


Um jovem soldado da União fotografado com seu fuzil


As crianças-soldado da Guerra Civil Americana eram geralmente músicos, tambores, esclarecedores, criados ou mensageiros, que marchavam ao lado dos homens que combatiam. 

Outros, no entanto, experimentaram a violência em primeira mão.  Alguns serviram como "macacos de pólvora" (powder monkeys) nos navios de guerra, transportando pólvora para os canhões. Outros pegaram os próprios fuzis e foram direto para as trincheiras, morrendo e lutando entre os homens adultos.

Um "macaco de pólvora" a bordo do USS New Hampshire ao largo de Charleston, Carolina do Sul


Jimmy Doyle, um garoto-tambor, foi ferido em combate em 1863

À medida que mais e mais homens adultos morriam no campo de batalha, as crianças se tornaram uma força de combate barata e prontamente disponível para ambos os lados.

Edward Black tornou-se o mais jovem soldado americano a ser ferido em batalha, quando estilhaços de uma explosão quebraram seu braço esquerdo. Ele tinha oito anos de idade. Inúmeras outras crianças lutaram, com crianças brancas carregando tambores, clarins e armas, e crianças negras trabalhando como criadas de oficiais brancos.

William Black, o soldado mais jovem a ser ferido em serviço ativo, tinha 8 anos quando seu braço foi atingido por uma estilhaços de granada


Fonte: The Mirror

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sexta-feira, 2 de junho de 2023

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – GENERAL TADAMICHI KURIBAYASHI

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* 7/7/1891 — Nagano, Japão

+ 23/3/1945 - Iwo Jima, Japão


O Tenente-General Tadamichi Kuribayashi, descendente de uma família de samurais, foi o comandante da defesa japonesa durante a Batalha de Iwo Jima.


Tadamichi Kuribayashi formou-se na 26ª Turma da Academia do Exército Imperial em 1914, tendo-se especializado na arma de Cavalaria. Prosseguiu seus estudos na Escola de  Cavalaria do Exército até 1918, e, em 1923, graduou-se na 35ª Turma do Army War College dos EUA, com excelentes notas, recebendo, como prêmio, um sabre militar do Imperador Taisho. No início de 1928, passou dois anos em um centro militar em Washington, onde pôde observar o poder industrial norte-americano.

Depois de voltar para Tóquio, Kuribayashi foi promovido ao posto de major, e apontado como o primeiro militar japonês para ser adido no Canadá. Foi promovido a tenente-coronel em 1933 e, nesse mesmo ano, foi designado para a Área de Pessoal do Exército, em Tóquio, onde permaneceu até 1937. Nesse período, escreveu letras para várias canções marciais. Em 1940, Kuribayashi foi promovido a major-general.

Em dezembro de 1941, foi nomeado como Chefe do Estado-Maior do 23º Exército japonês, comandado por Takashi Sakai, na invasão de Hong Kong. Em 1943, foi promovido a tenente-general, e transferido para ser o comandante da 2ª Divisão da Guarda Imperial, que era uma divisão de reserva e de formação. Em 27 de maio de 1944, tornou-se comandante da 109º Divisão Imperial.


Iwo Jima

Em Junho de 1944, foi escolhido pelo Imperador Hirohito para liderar a defesa da ilha de Iwo Jima. Na noite anterior à sua partida, reuniu-se em particular com o Imperador, que lhe alertou sobre a importância de os Estados Unidos não tomarem o local.

Três divisões de fuzileiros navais americanos desembarcaram na ilha em 16 de fevereiro, na Operação Detachment. Kuribayashi teria dito às suas tropas que cada um deveria abater dez soldados americanos ou um tanque antes de tombar. Recusou-se a deixá-los participar em ataques suicidas. Ao invés disso, preferiu utilizá-los em táticas de guerrilha.

O general Kuribayashi orienta as defesas em Iwo Jima


Em 22 de Março, após mais de um mês de intensos combates, comentou, via rádio que, "continuaremos a lutar", mesmo diante da derrota iminente. Ele completou dizendo: "As forças sob o meu comando são agora quatrocentas. Tanques estão a nos atacar. O inimigo sugeriu através de alto-falantes que nos rendêssemos, mas os oficiais e o restante dos homens apenas se riram e não deram atenção". 

Esta foi a sua última mensagem:
"Já se delineia o epílogo da nossa situação. Esta noite comandarei a ofensiva final, com votos de que nosso império realmente emerja vitorioso e seguro. Estou satisfeito em poder relatar que tenazmente lutamos bem contra a superioridade material esmagadora do inimigo. Todos os meu oficiais e soldados merecem a mais alta recomendação. Todavia humildemente peço perdão a Sua Majestade de não ter correspondido às expectativas e tenha que ceder ilha ao inimigo, depois de ter visto morrer tantos oficiais e soldados.

Enquanto nossa ilha não for reconquistada, nosso império não estará em segurança. Mesmo como espírito desejo estar na vanguarda das futuras operações japonesas contra este lugar. Não temos mais munição e a água se esgotou. Agora que estamos pronto para o ato final, sinto-me grato por ter sido concedida esta oportunidade de corresponder ao gentil desejo de Sua Majestade.

Permita-me dizer adeus.
Em conclusão, tomo a liberdade de acrescentar o seguinte poema desajeitado:
Granadas e balas se exauriram e nós perecemos;
Com a alma vergada de remorso pelo fracasso da nossa missão.
Meu corpo não se decomporá no campo de batalha
Antes da hora da nossa vingança;
Sete vezes mais nascerei da terra;
Minha única preocupação;
É o futuro da pátria.
Quando as ervas daninhas cobrirem a ilha."

Ferido na batalha final, o general teria sido levado, ainda que gravemente ferido, ao seu Quartel-General, onde cometeu o suicídio ritual (seppuku). Seu corpo nunca foi encontrado.

Os EUA declararam Iwo Jima segura em 26 de março de 1945. Quase 28 mil soldados (21 mil japoneses e 7 mil americanos) morreram na batalha.


No cinema

A história do General Kuribayashi tornou-se mundialmente conhecida sessenta anos após a Batalha de Iwo Jima, por meio do filme Cartas de Iwo Jima, que descreve sua odisseia através de cartas encontradas nas cavernas da ilha anos depois, escritas por soldados e oficiais antes e durante a batalha e nunca enviadas, no qual foi interpretado pelo ator japonês Ken Watanabe. 

O filme, dirigido por Clint Eastwood, foi um sucesso de crítica e bilheteria, ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (apesar de ser uma produção norte-americana é falado em japonês) em 2006.


Fontes:
- BALDWIN, Hanson. Batalhas Ganhas e Perdidas. Rio de Janeiro: Bibliex, 1978
- NEWCOMB, Richard F. Iwo Jima. São Paulo: Editora Flamboyant, 1978
- YOUNG, Peter. A Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Circulo do Livro, 1980


sábado, 27 de maio de 2023

OS ATAQUES QUE AJUDAM A EXPLICAR O RANCOR HISTÓRICO DA COREIA DO NORTE CONTRA OS EUA

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"Tudo que se movia." Com essas palavras, o ex-secretário de Estado norte-americano Dean Rusk definiu os alvos das bombas lançadas sobre a Coreia do Norte, durante a Guerra da Coreia (1950-1953), uma missão batizada pelo Pentágono de Operação Estrangular.


Por Guillermo Olmo

Segundo historiadores, foram três anos de ataques aéreos contínuos e indiscriminados, que arrasaram cidades e vilarejos da república comunista e mataram dezenas de milhares de civis.

James Person, especialista em política e história coreanas do centro de estudos Wilson Center, em Washington, diz que essa parte da história dos Estados Unidos não é muito divulgada no país. "Como ocorreu entre a Segunda Guerra Mundial e a tragédia do Vietnã, a maioria do público americano não sabe muito sobre a Guerra da Coreia."

Mas, na Coreia do Norte, nunca se esqueceram dela - e essas lembranças continuam a ser uma das razões do rancor que impera ali contra os Estados Unidos e o mundo capitalista. Desde então, Pyongyang sempre viu os americanos como uma ameaça, uma rivalidade que está na raiz da tensão que existe na região, agora em seu auge. Mas como foi esse capítulo não resolvido da história da península coreana?

Só a intervenção chinesa foi capaz de frear o avanço das tropas dos Estados Unidos e da ONU

No ano de 1950, tropas americanas, apoiadas por uma coalizão internacional, tentavam rechaçar uma invasão na Coreia do Sul. Kim Il-Sung, avô do atual líder da Coreia do Norte, havia lançado seus homens contra o país vizinho após uma forte repressão de simpatizantes do comunismo pelo regime militar comandado por Syngman Rhee em Seul.

Apoiado por Stalin, em Moscou, Il-Sung deu início ao primeiro grande conflito da Guerra Fria. Na primeira fase de hostilidades, o enorme poder aéreo americano havia se limitado a atingir alvos estratégicos, como bases militares e centros industriais, mas um fator inesperado mudou tudo.

Pouco depois do início da guerra, a China, temendo o avanço dos Estados Unidos rumo às suas fronteiras, decidiu sair em defesa da Coreia do Norte, sua aliada. Os soldados americanos começaram a sofrer cada vez mais baixas por conta dos ataques das Forças Armadas chinesas, que não eram tão bem equipadas quanto as dos Estados Unidos, mas muito mais numerosas.

"Para o comando americano, era vital interromper os suprimentos enviados por chineses e soviéticos que permitiam a Coreia do Norte manter seus esforços bélicos", explica Person.
Foi então que o general Douglas MacArthur, herói da Segunda Guerra Mundial no Pacífico, decidiu dar início a sua "tática de terra arrasada".

O general Douglas MacArthur foi quem impulsionou a '"tática de terra arrasada" aplicada pelos EUA


Ofensiva aérea

Foi o marco do início da guerra total contra a Coreia do Norte. A partir desse momento, todas as cidades e vilarejos passaram a receber a visita diária dos bombardeiros americanos B-29 e B-52 e sua carga mortal de napalm, nome dado a um conjunto de líquidos inflamáveis.

Ainda que MacArthur tenha caído em desgraça pouco depois, sua estratégia continuou a ser aplicada. Segundo Taewoo Kim, professor de Humanidades da Universidade Nacional de Seul, todas as cidades e vilarejos da Coreia do Norte foram reduzidos as escombros.
O general Curtis LeMay, chefe do Comando Aéreo Estratégico durante o conflito, declarou muito anos depois: "Aniquilamos cerca de 20% da população".

Cálculos assim levaram o jornalista e escritor Blaine Harden, autor de várias obras sobre a Coreia do Norte, a qualificar como "crime de guerra" a ação militar americana. Person não enxerga assim: "Aquilo foi uma guerra total em que todas as partes envolvidas cometeram atrocidades".

As estimativas de pesquisadores dão conta que, nos três anos de guerra, foram lançadas 635 mil toneladas de bombas contra a Coreia do Norte. De acordo com Pyongyang, 5 mil escolas, mil hospitais e 600 mil residências foram destruídos. Um documento soviético redigido pouco antes do cessar-fogo de 1953 fala em 282 mil civis mortos pelos bombardeios.

As bombas fizeram milhares de civis deixarem suas casas para se salvar

É impossível confirmar esses números, mas ninguém nega a magnitude da devastação. Uma comissão internacional que percorreu a capital norte-coreana após a guerra atestou que não havia restado um único edifício que não tenha sido afetado pelo bombardeios.

Como havia ocorrido com os habitantes de cidades alemãs como Dresden na ofensiva final dos Aliados contra o Terceiro Reich, os norte-coreanos viram suas ruas e casas devorados por chamas, ao ponto de a maioria ter de ir para os minúsculos abrigos subterrâneos improvisados para se salvar.


Medo nuclear

Enquanto o mundo inteiro estava atento à península coreana, temendo que os Estados Unidos e a União Soviética acabassem travando uma guerra nuclear, o então ministro de Relações Exteriores norte-coreano, Pak Hen En, denunciava na ONU o "bestial extermínio de civis pacíficos pelos imperialistas americanos".

Seu relato contava que, para garantir que Pyongyang ficasse sempre cercada por incêndios, os "bárbaros transatlânticos" a bombardeavam com artefatos de ação retardada que detonavam de forma alternada, "impossibilitando que as pessoas saíssem de casa".

Infraestruturas essenciais, como barragens, usinas elétricas e ferrovias, foram sistematicamente atacadas. Taewoo Kim destacou que, "em todo o país, ficou impossível levar uma vida normal na superfície".

As autoridades comandaram uma mobilização nacional para que fossem erguidos mercados, acampamentos militares e outras instalações sob a terra para que o país pudesse funcionar. A Coreia do Norte virou uma nação subterrânea e em permanente estado de alerta.

Person diz que "toda a cidade de Pyongyang se mudou para debaixo da terra, e isso teve um tremendo impacto psicológico nos seus habitantes". O especialista explica que o medo persiste até hoje e a isso se deve o fato de que armazéns e instalações críticas continuem sendo mantidos em grandes profundidades.

Durante a noite, os norte-coreanos recrutados pelo Estado trabalhavam freneticamente para reparar as vias de comunicação e as usinas destroçadas pelas explosões durante o dia. O fruto desse trabalho causava surpresa e frustração no comando americano, que viam alvos de ataques sendo restaurados em pouco tempo.

Uma vez que o conflito em terra se estabilizou, diante da incapacidade de ambos os lados de se imporem, a campanha aérea tornou-se uma luta de desgaste em que os norte-coreanos levaram a pior.

Finalmente, em 1953, após longas negociações, veio o cessar-fogo. O então presidente americano Harry S. Truman sempre quis evitar uma escalada do conflito que pudesse levar a um confronto direto com os soviéticos.

Seu sucessor, Dwight D. Eisenhower, também compreendeu de partida que o país não poderia manter indefinidamente seus esforços bélicos na península. A morte do líder soviético Stálin em março daquele ano mudou o clima político em Moscou, o que facilitou o fim das hostilidades.

A historiadora Kathryn Weathersby, da Universidade da Coreia em Seul, explica que "sabemos pelos arquivos soviéticos que Stálin insistia que as duas Coreias e a China continuassem a lutar para que as forças americanas seguissem ali por ao menos dois ou três anos e, assim, os países do bloco comunista na Europa continuassem a atuar sem medo de uma intervenção".

Sem ele, o armistício foi mais fácil. O acordo de paz definitivo e a reunificação das Coreias seguem pendentes, mas tudo isso cimentou o mito que continua alimentando a retórica oficial norte-coreana.

Às vezes, os meios de comunicação do regime recordam os cidadãos da enorme dor infringida pelos aviões estrangeiros. Tanto Kim Il-sung como seus sucessores Kim Jong-il e Kim Jong-un se apresentam como representantes da heróica resistência que livrou a nação de sucumbir à "agressão" estrangeira. Trata-se, nas palavras de Person, "de reforçar essa narrativa em que a Coreia do Norte mantém os americanos longe com sua grande defesa e sua capacidade de dissuasão".

A propaganda oficial apresenta o avô de Kim Jong-un, Kim Il-Sung, como o artífice da resistência norte-coreana

De alguma maneira, o legado da guerra funciona como combustível ideológico para o regime dos Kim. Também é uma das razões que explicam sua insistência em desenvolver um arsenal nuclear, apesar das constantes críticas internacionais. "Eles decidiram usar a história para justificar a opressão do povo e a miséria", diz Person.

De acordo com especialistas, em seu afã propagandístico, as autoridades de Pyongyang não têm dúvidas em deformar o passado já suficientemente brutal. Weathersby diz que "os museus norte-coreanos diminuem a importância dos bombardeios, talvez porque destacar a superioridade tecnológica americana geraria perguntas incômodas". Em vez disso, explica a pesquisadora, "mostram uma narrativa de matanças gratuitas supostamente perpetradas pelas tropas americanas".

Os americanos também recorreram à propaganda para justificar seu papel no conflito

Para ela, uma divisão da península nunca resolvida definitivamente e o potente poderio militar que o Pentágono mantém na Coreia do Sul e no Japão explicam por que a Coreia do Norte segue ainda sob uma espécie de estado de exceção permanente.

E explicam também, como destacou recentemente em um artigo da BBC o analista Justin Bronk, o fato de suprimentos e munição do exército serem guardados próximos da fronteira sul, em silos sob a terra, para fazer frente a uma hipotética invasão. A guerra e o fogo que choviam do céu fizeram da Coreia do Norte um Estado-bunker. Mais de 70 anos depois, isso não mudou.

Fonte: BBC (transcrição)


segunda-feira, 8 de maio de 2023

MILITAR QUE CAPTUROU CHE GUEVARA NA BOLÍVIA MORRE AOS 84 ANOS

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Gary Prado Salmón foi considerado herói nacional ao comandar patrulha no sudoeste da Bolívia em 8 de outubro de 1967. Ele estava hospitalizado desde abril, afirma a família.

O general boliviano Gary Prado Salmón, que capturou o guerrilheiro argentino Ernesto "Che" Guevara em 1967, morreu neste sábado (6), na cidade de Santa Cruz, na Bolívia, aos 84 anos.

A confirmação foi publicada pelo filho do militar nas redes sociais. "Ele estava ao lado da esposa e dos filhos. Nos deixa um legado de amor, honradez e bom temperamento. Foi uma pessoa extraordinária", escreveu no Facebook. Prado Salmón estava hospitalizado desde abril.


Morte de Che Guevara e aposentadoria após tiro na coluna

De 1953 a 1959: Che Guevara, junto com figuras como Fidel Castro, lidera a Revolução Cubana e derruba a ditadura de Fulgêncio Batista.

8 de outubro de 1967: General Gary Prado Salmón comanda uma patrulha no sudoeste da Bolívia e vira herói nacional ao capturar Che Guevara, que tentava levar a revolução socialista para o país.

9 de outubro de 1967: O Exército boliviano cumpre a ordem de executar o líder Che Guevara.

1981: Um tiro acidental atinge Salmón e o deixa em uma cadeira de rodas.

1988: O general aposenta-se da carreira militar.

Gary Prado, à esquerda, por ocasião da captura do guerrilheiro Che Guevara em 1967

Fonte: EFE

FORTE ALEXANDER DE SÃO PETERSBURGO

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O Forte Alexander, também conhecido como Forte da Praga: Abandonado, mas não esquecido.


Depois que São Petersburgo foi fundada, em 1703, a construção de um número de fortificações foi iniciada. Eles foram instalados estrategicamente em todo o Golfo da Finlândia, no Mar Báltico, para proteger a cidade e fortalecer toda a área. A decisão foi tomada no meio da Grande Guerra do Norte, que durou até 1721. 

Os fortes juntos formavam uma defesa quase inexpugnável contra ataques inimigos provenientes do mar. Ao longo dos próximos dois séculos, a Rússia construiu mais de 40 fortes entre as margens sul e norte do Golfo da Finlândia, garantindo ainda mais a segurança da área. 

Vista aérea do Forte Alexander

De todos os fortes no golfo, um em particular tem a história mais interessante. Construído entre 1838 e 1845, o Forte Alexander foi erguido por ordem do imperador Nicolau I, e batizado em homenagem a seu irmão, Alexander I. Como muitos outros no golfo, foi construído sobre uma ilha artificial.

Projetado para ser uma base militar, a simples presença imponente do forte era suficiente para impedir qualquer um que tentasse invadir São Petersburgo. A instalação de forma oval media 295 por 197 pés no total, com três andares, um pátio no centro e uma grande sala que podia abrigar até 1.000 soldados. O edifício possuía um total de 103 portinholas de canhão, e mais 34 armas grandes no telhado, proporcionando ao forte uma expressiva vantagem militar.

Embora os soldados nunca tivessem realmente participado de qualquer combate, o forte em si desempenhou um papel fundamental na Guerra da Crimeia, impedindo as tentativas da Marinha Real e de frotas francesas de entrar na base naval russa em Kronstadt. Depois disso, o Forte Alexander foi usado militarmente apenas mais duas vezes: em 1863, quando se esperava um ataque do Império Britânico, e, finalmente, na Guerra Russo-Turca de 1877-1878.

A imponente fortificação possui 103 janelas para canhões

Mas, no final do século XIX, o forte já estava um tanto obsoleto devido à evolução da artilharia moderna e das granadas de alto explosivo, e passou a ser utilizado apenas para o armazenamento da munição.

Alguns anos mais tarde, com a descoberta do patógeno da peste (bactéria Yersinia) em 1894 por Alexandre Yersin, uma comissão especial sobre a Prevenção da Doença de Peste foi formada pelo governo russo.  Tudo o que eles precisavam era de um local apropriado para acelerar a pesquisa e, devido ao fato de que Forte Alexander não ser mais usado como uma instalação militar e ao isolamento do local do continente, era o lugar perfeito onde os cientistas russos poderiam estudar todos os tipos de vírus mortais, como cólera, tétano, tifo, escarlatina e infecções pelo Streptococcus. Seu foco principal, contudo, era a peste e o desenvolvimento de um soro e de uma vacina.

O Instituto Imperial de Medicina Experimental encomendou o forte como um novo laboratório de pesquisa em janeiro de 1897, e, com uma doação substancial dada pelo Duque Alexander Petrovich de Oldenburg, a base foi remodelada para servir à sua nova finalidade.

Durante  o começo do século XX, o Instituto Imperial de Medicina Experimental encomendou o forte como um laboratório de pesquisa

Os cientistas utilizaram cavalos para realizar sua pesquisa que nem sempre foi bem sucedida, e, durante seu curso, três casos de peste pneumônica e bubônica apareceram entre os membros do pessoal resultando em duas vítimas, um deles o diretor do laboratório Dr. V.I. Turchaninov-Vyzhnikevich. Os corpos foram cremados emfornos do forte, devido ao alto risco de infectar outros funcionários.

Mas, em geral, a instalação do Forte Alexander foi um sucesso, desenvolvendo soros contra cólera, tétano e tifo. Em 1917, após a tomada do controle pelos comunistas, o laboratório foi fechado e o forte entregue à Marinha Russa. A pesquisa foi transferida para institutos em Moscou e Petrogrado

Hoje o Forte Alexander encontra-se abandonado


O Forte Alexander foi oficialmente abandonado em 1983. Hoje é mais conhecido como o Forte da Praga. Logo o local transformou-se um lugar para exploradores e fotógrafos urbanos, e, até o início dos anos 2000, era um lugar para festas clandestinas ilegais, raves, e discotecas.  No inverno, quando a água congela, o forte pode ser alcançado a pé, e durante os meses quentes de verão, passeios de barco estão disponíveis para os visitantes.



sexta-feira, 5 de maio de 2023

EDITOR DO PORTAL MINISTRA AULAS NA ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO

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O editor do portal Carlos Daróz-História Militar contribuiu com a Seção de Liderança e História Militar da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército participando de seminário sobre a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), à época chamada de Grande Guerra.

Na oportunidade, compartilhou seus conhecimentos ministrando três aulas para os oficiais-alunos do 2º ano do Curso de Comando e Estado-Maior:
- A Grande Guerra (1914-1918);
- Participação do Brasil na Grande Guerra; e
- Evolução da arte da guerra (1914-1918).





Uma excelente oportunidade para analisar e discutir com os futuros oficiais de estado-maior do EB as características da guerra total deflagrada no princípio do século XX, bem como seus reflexos geopolíticos, doutrinários e técnicos que são percebidos até os dias de hoje, decorrido mais de um século.


terça-feira, 25 de abril de 2023

IMAGEM DO DIA - 25/4/2023

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Blindados do Exército Português ocupam o centro de Lisboa em 25 de abril de 1974 por ocasião da Revolução dos Cravos, que deu início ao restabelecimento do regime democrático em Portugal.


segunda-feira, 24 de abril de 2023

CARTA DE DESPEDIDA DE UM PILOTO KAMIKAZE

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Carta manuscrita de despedida para sua família escrita pelo Cabo Nobuo Aihana, 18 anos de idade, pertencente ao Corpo Especial Kamikaze da Marinha Imperial japonesa. 


“Entrei para o Corpo Shinbu Esquadrão de Ataque e vou pagar minha dívida de gratidão para com o país.

Pai e Mãe, eu me propus à batalha em alto astral. Pai e Mãe, eu coloquei uma foto do meu irmão mais velho no meu macacão de voo. Pai e mãe, estou profundamente envergonhado de mim mesmo que, até o final, não corrigi o meu discurso impróprio e rude de uma criança.

Mãe, você me criou desde que eu tinha seis anos de idade, e eu nunca disse 'mãe' para você que é mais do que minha mãe biológica. Como deve ter sido triste para você. Eu pensei muitas vezes em chamá-la, mas eu não fiz diante de você, pois tinha vergonha. Agora é a hora para eu chamá-la em voz alta: 'Mãe'.

Aeronave Kamikaze atacando em baixa altura o porta-aviões USS Yorktown

Provavelmente o meu irmão mais velho, no centro da China, também sente o mesmo. Mãe, por favor, perdoe nós dois. Agora, como estou saindo para a batalha para fazer um ataque especial, a minha única preocupação são as duas coisas mencionadas acima. Para além destas, eu não tenho arrependimentos.

As pessoas vivem 50 anos e eu viverei uma vida longa de 20 anos de idade. Quanto aos 30 anos restantes, dei a metade a cada um de vocês, pai e mãe. Por favor, usem o dinheiro guardado na caixa de cigarros.

Pai e Mãe, eu estou indo. Eu estou indo com um sorriso e a certeza de destruir um navio inimigo."
Nobuo Aihana


Cabo Nobuo Aihana, kamikaze da Marinha Imperial japonesa morto aos 18 anos de idade


Fonte: Museu de Imagem do Japão

quarta-feira, 19 de abril de 2023

EDITOR DO BLOG APRESENTA COMUNICAÇÃO EM COLÓQUIO DO EXÉRCITO PORTUGUÊS

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O editor do Blog Carlos Daróz-História Militar representou hoje o Brasil e o Exército Brasileiro junto ao Exército Português, o qual, por intermédio de sua Direção de História e Cultura Militar (DHCM), realizou uma homenagem ao Dia do Exército Brasileiro com a realização do Colóquio "A DEFESA DO BRASIL PORTUGUÊS CONTRA OS HOLANDESES (1645-1654)".

Dividindo o tablado com o Tenente-Coronel Abílio Lousada, do Exército Português, Carlos Daróz apresentou a comunicação "GUARARAPES E SEU LEGADO PARA O BRASIL E PARA O EXÉRCITO BRASILEIRO".

Na parte final do evento, os convidados puderam apreciar uma exposição com painéis ilustrados com a evolução histórica da Insurreição Pernambucana e seus líderes militares. Coroando a exposição, figuravam armamentos leves e uma couraça e capacete originais do século XVII, expostos pelo Museu Militar de Lisboa. 











O evento foi presidido pelo Major General Anibal Flambó, Diretor de História e Cultura Militar, e organizado pelo Coronel Vilela Santos (da equipe da DHCM) e pelo Coronel Hermes Menna Barreto Gonçalves, Oficial de Ligação Cultural e Doutrinária do Exército Brasileiro na República Portuguesa. 

O editor do Blog manifesta seu orgulho em poder representar o EB e o Brasil neste importante evento bilateral na área da História e da Cultura, e contribuir para estreitar os laços entre as duas Nações-irmãs.



sábado, 8 de abril de 2023

POR QUE OS SOVIÉTICOS BOMBARDEARAM BERLIM QUANDO OS NAZISTAS ESTAVAM ÀS PORTAS DE MOSCOU?

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A famosa operação Doolittle, na qual a Força Aérea dos Estados Unidos atacou Tóquio em retaliação a Pearl Harbor, teve um ancestral eslavo ainda mais arriscado. A URSS, já severamente enfraquecida, resolveu bombardear Berlim pelos céus.


Por Boris Egorov

Quando, em 7 de agosto de 1941, aviões inimigos apareceram no céu sobre Berlim, os alemães pensaram que se tratava de equipamentos britânicos. Porém, eles logo notaram que a capital do Terceiro Reich estava sendo bombardeada pelos soviéticos, algo que não achavam possível, já que os alemães estavam convencidos de que a URSS havia perdido a guerra. A essa altura, a Wehrmacht já ocupava a maior parte da região do Báltico, a Bielorrússia, metade da Ucrânia, e estava nos arredores de Leningrado (atual São Petersburgo), avançando em direção a Moscou.

No mês de julho, o comandante da Luftwaffe alemã, Hermann Goering, assegurou a Hitler que a Força Aérea Soviética fora completamente destruída. Na realidade, porém, continuava em operação e capaz de bombardear Berlim por um mês inteiro.


Vingança pela capital

A ideia de um ataque aéreo de retaliação contra Berlim surgiu à liderança soviética após os alemães começarem a bombardear Moscou em julho de 1941. O bombardeio da capital da URSS minou a fé do povo soviético em sua força militar e de sua capacidade para resistir ao inimigo; por isso, decidiu-se combater fogo com fogo, bombardeando o coração do Terceiro Reich.

“Se bem-sucedido, um ataque a Berlim terá grande importância. Afinal, os nazistas garantiram ao mundo que a Força Aérea Soviética estava destruída”, recordou o comandante da Marinha Soviética, almirante Nikolai Kuznetsov, em sua autobiografia de 1975. 

As possibilidades, no entanto, eram incertas. A Força Aérea Soviética sofreu perdas catastróficas (milhares de aeronaves) durante os primeiros meses da guerra, o que deu aos alemães a supremacia nos céus. É por isso que cada avião valia ouro e tinha que ser usado racionalmente. Além disso, a URSS não controlava mais os aeródromos dos quais os aviões poderiam fazer voos sem escalas para Berlim.

Bombardeiro DB-3 soviético camuflado na região do Báltico

Os aeródromos em operação mais próximos à capital alemã estavam situados nos entornos de Leningrado, mas, ainda assim, eram muito distantes, e os bombardeiros soviéticos só poderiam chegar a Libau (atual Liepāja, na costa oeste da Letônia). Foi então que a liderança chegou a uma decisão ousada: a URSS usaria pistas precárias no arquipélago Moonsund, no Mar Báltico, que ficavam mais perto do inimigo.

A partir dali, os bombardeiros soviéticos DB-3 poderiam percorrer 900 quilômetros de ida e volta para Berlim. No entanto, as tropas alemãs estavam então perto Tallinn, a principal base do mar Báltico, e se dirigiam ao Golfo da Finlândia. 

Bombardeiro Illyushin DB-3: capacidade para lançar 2,5 toneladas de bombas


Preparativos

O aeródromo na ilha de Ösel (atual Saaremaa), a maior do arquipélago Moonsund, não estava preparado para o uso de bombardeiros de longo alcance. Teve de ser urgentemente reequipado para os bombardeiros soviéticos serem implantados na ilha.

“Os homens da Marinha enfrentaram uma tarefa difícil. Não havia suprimentos suficientes de combustível nem bombas aéreas na ilha. Sob proteção pesada, pequenas barcaças carregadas com gasolina e munição atravessaram as águas minadas do Golfo da Finlândia até Tallinn, e, em seguida, para a ilha de Ösel. Havia perigo a cada passo. Deve-se notar que Tallinn já estava sendo sitiada pelo inimigo”, escreveu Kuznetsov em seu já citado livro de memórias.

Ainda mais perigosos eram os possíveis ataques da Luftwaffe. Para não atrair a atenção dos alemães, os aviões foram escondidos em diferentes partes da ilha, em fazendas e cobertos com redes de camuflagem. O aeródromo de Ösel continuava parecendo abandonado e sem qualquer utilidade.


Operação Berlim

Em 6 de agosto, cinco aviões fizeram um voo de reconhecimento rumo a Berlim, o que acabou sendo um sucesso. Dois dias depois, 15 bombardeiros DB-3 plenamente carregados iniciaram a Operação Berlim no meio da noite. A maior parte da viagem foi realizada sobre o mar Báltico, mudando de rota em Stettin (atual Szczecin, na Polônia) e então se dirigindo para a capital alemã.

A invasão pegou os alemães de surpresa. A princípio, eles pensaram que os aviões soviéticos eram de seu própria força aérea. “Os alemães não esperavam nada tão ousado. Quando nossos aviões se aproximaram do alvo, eles nos enviaram sinais do solo: ‘Que aviões são vocês?’, ‘Para onde estão voando?’. Eles pensaram que eram aviões alemães que haviam perdido o rumo, e os convidaram para pousar nos aeródromos mais próximos”, escreveu Kuznetsov.

Bombeiros alemães combatendo incêndio após ataque aéreo contra Berlim

A capital alemã estava totalmente iluminada e era claramente visível. Ataques aéreos britânicos costumavam vir do oeste e naquela época eram raros. A defesa aérea alemã não esperava um ataque a partir do norte e reagiu tarde demais.

Cinco aviões soviéticos chegaram a Berlim e lançaram bombas; os outros bombardearam os subúrbios e Stettin. Após a operação, todas as tripulações retornaram à base sem sofrer perdas.

No mesmo dia, a rádio alemã informou: “Nas primeiras horas de 8 de agosto, um grande destacamento da Força Aérea Britânica, cerca de 150 aviões, tentou bombardear nossa capital. Dos 15 aviões que chegaram à cidade, 9 foram abatidos”.

Quando ficaram sabendo quem havia bombardeado Berlim, a reação foi de choque total, tanto entre os líderes da Alemanha nazista, quanto entre as pessoas comuns. Ninguém percebera que a Força Aérea Soviética ainda estava viva – e atacando. 


Vitória psicológica

Ao longo de um mês, aviões soviéticos fizeram outras nove incursões à capital alemã, mas o elemento surpresa já não existia mais: o inimigo estava pronto.

Nos ataques subsequentes, a União Soviética perdeu 18 aeronaves. No início de setembro, após a tomada de Tallinn, as tropas alemãs invadiram as ilhas de Moonsund e, em 5 de setembro, a operação “Berlim” foi interrompida.

Major Rasskazov parabeniza tripulação de bombardeiro DB-3 pela missão bem-sucedida

Os ataques aéreos soviéticos receberam ampla cobertura na imprensa nacional e ocidental. Embora não tenha causado danos sérios, o bombardeio de Berlim teve um importante efeito psicológico: mostrou ao mundo que a aviação soviética não apenas seguia viva, mas era capaz de desferir golpes dolorosos contra a Alemanha nazista.

“Depois do primeiro bombardeio, o povo russo começou a dizer, pensar e escrever nos jornais: se chegamos a Berlim por via aérea, também iremos fazê-lo por terra”, relembrou o tenente-coronel Serguêi Ostápenko, que conhecia alguns dos pilotos que participaram dos ataques.

Fonte: Russia Beyond