"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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segunda-feira, 8 de maio de 2023

FORTE ALEXANDER DE SÃO PETERSBURGO

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O Forte Alexander, também conhecido como Forte da Praga: Abandonado, mas não esquecido.


Depois que São Petersburgo foi fundada, em 1703, a construção de um número de fortificações foi iniciada. Eles foram instalados estrategicamente em todo o Golfo da Finlândia, no Mar Báltico, para proteger a cidade e fortalecer toda a área. A decisão foi tomada no meio da Grande Guerra do Norte, que durou até 1721. 

Os fortes juntos formavam uma defesa quase inexpugnável contra ataques inimigos provenientes do mar. Ao longo dos próximos dois séculos, a Rússia construiu mais de 40 fortes entre as margens sul e norte do Golfo da Finlândia, garantindo ainda mais a segurança da área. 

Vista aérea do Forte Alexander

De todos os fortes no golfo, um em particular tem a história mais interessante. Construído entre 1838 e 1845, o Forte Alexander foi erguido por ordem do imperador Nicolau I, e batizado em homenagem a seu irmão, Alexander I. Como muitos outros no golfo, foi construído sobre uma ilha artificial.

Projetado para ser uma base militar, a simples presença imponente do forte era suficiente para impedir qualquer um que tentasse invadir São Petersburgo. A instalação de forma oval media 295 por 197 pés no total, com três andares, um pátio no centro e uma grande sala que podia abrigar até 1.000 soldados. O edifício possuía um total de 103 portinholas de canhão, e mais 34 armas grandes no telhado, proporcionando ao forte uma expressiva vantagem militar.

Embora os soldados nunca tivessem realmente participado de qualquer combate, o forte em si desempenhou um papel fundamental na Guerra da Crimeia, impedindo as tentativas da Marinha Real e de frotas francesas de entrar na base naval russa em Kronstadt. Depois disso, o Forte Alexander foi usado militarmente apenas mais duas vezes: em 1863, quando se esperava um ataque do Império Britânico, e, finalmente, na Guerra Russo-Turca de 1877-1878.

A imponente fortificação possui 103 janelas para canhões

Mas, no final do século XIX, o forte já estava um tanto obsoleto devido à evolução da artilharia moderna e das granadas de alto explosivo, e passou a ser utilizado apenas para o armazenamento da munição.

Alguns anos mais tarde, com a descoberta do patógeno da peste (bactéria Yersinia) em 1894 por Alexandre Yersin, uma comissão especial sobre a Prevenção da Doença de Peste foi formada pelo governo russo.  Tudo o que eles precisavam era de um local apropriado para acelerar a pesquisa e, devido ao fato de que Forte Alexander não ser mais usado como uma instalação militar e ao isolamento do local do continente, era o lugar perfeito onde os cientistas russos poderiam estudar todos os tipos de vírus mortais, como cólera, tétano, tifo, escarlatina e infecções pelo Streptococcus. Seu foco principal, contudo, era a peste e o desenvolvimento de um soro e de uma vacina.

O Instituto Imperial de Medicina Experimental encomendou o forte como um novo laboratório de pesquisa em janeiro de 1897, e, com uma doação substancial dada pelo Duque Alexander Petrovich de Oldenburg, a base foi remodelada para servir à sua nova finalidade.

Durante  o começo do século XX, o Instituto Imperial de Medicina Experimental encomendou o forte como um laboratório de pesquisa

Os cientistas utilizaram cavalos para realizar sua pesquisa que nem sempre foi bem sucedida, e, durante seu curso, três casos de peste pneumônica e bubônica apareceram entre os membros do pessoal resultando em duas vítimas, um deles o diretor do laboratório Dr. V.I. Turchaninov-Vyzhnikevich. Os corpos foram cremados emfornos do forte, devido ao alto risco de infectar outros funcionários.

Mas, em geral, a instalação do Forte Alexander foi um sucesso, desenvolvendo soros contra cólera, tétano e tifo. Em 1917, após a tomada do controle pelos comunistas, o laboratório foi fechado e o forte entregue à Marinha Russa. A pesquisa foi transferida para institutos em Moscou e Petrogrado

Hoje o Forte Alexander encontra-se abandonado


O Forte Alexander foi oficialmente abandonado em 1983. Hoje é mais conhecido como o Forte da Praga. Logo o local transformou-se um lugar para exploradores e fotógrafos urbanos, e, até o início dos anos 2000, era um lugar para festas clandestinas ilegais, raves, e discotecas.  No inverno, quando a água congela, o forte pode ser alcançado a pé, e durante os meses quentes de verão, passeios de barco estão disponíveis para os visitantes.



sexta-feira, 29 de março de 2019

OS UNIFORMES DO EXÉRCITO DE PEDRO, O GRANDE

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O Exército russo reformado por Pedro I no início do século XVIII tornou-se um dos mais fortes do mundo. Entre as forças armadas da Europa, não só se destacava pela resistência e formação dos soldados, como também como pela farda original e prática.


Por Aleksandr Verchínin


Pedro I, o Grande, vestiu o seu Exército seguindo um modelo específico. Os dois regimentos pessoais de infantaria – Preobrajenski e Semenovski – surgiram inicialmente como formações para os jogos de guerra do tsar. Com o passar do tempo, ganharam o estatuto de unidades militares plenas, com armas e uniformes.

Os soldados de Preobrajenski vestiam caftans verdes, jaquetas vermelhas, calças na altura do joelho, meias brancas e sapatos que podiam ser substituídos por botas de cano alto. O chapéu de feltro também era verde. Já o casaco do uniforme dos soldados do regimento de Semenovski tinha outra cor: o caftan era de tecido azul.

Uniforme de oficial do Regimento Semenovski 


Em 1720, o padrão para ambos os regimentos passou a ser o uniforme verde-escuro. Apenas alguns elementos – como o colarinho e os punhos – se diferenciavam, sendo vermelhos no regimento de Preobrajenski, e azul claro no de Semenovski.

O corte da vestimenta militar escolhida por Pedro I como modelo não se distinguia particularmente do difundido na Europa na época. Ao vestir os seus guardas ao estilo europeu, o czar quis vestir todo o novo Exército russo com as mesmas cores. Mas isso acabou se tornando um problema.

A indústria têxtil russa não conseguia produzir a quantidade necessária de determinadas cores. Durante todo o reinado de Pedro, as tropas mantiveram uma séria discrepância nos uniformes. Os soldados podiam usar uniformes de qualquer cor que estivesse mais à mão. Não era raro ver regimentos inteiros vestidos com tecido cinzento de produção familiar camponesa.


Símbolo da resistência

O exército de Pedro I, vestido e armado às pressas, acabou enfrentando um dos inimigos mais fortes da Europa naquela época – a Suécia. Em 1700, o rei sueco havia derrotado o antigo Exército russo em Narva, e apenas os guardas de Pedro I mostraram resistência na batalha.

Granadeiro do Regimento Preobrajenski em 1700


Os guardas de Preobrajenski e Semenovski rechaçaram todos os ataques suecos, apesar das grandes perdas sofridas. Para assinalar o valor dos regimentos da sua guarda, Pedro I acrescentou distintivos ao uniforme: emblemas com a data “1700”, em forma de meia-lua e feitos de prata ou ouro, dependendo da graduação do oficial.

Assim, os regimentos de Preobrajenski e Semenovski tinham os únicos soldados do Exército russo que usavam meias vermelhas e não brancas, como prova de sua bravura por terem resistido de pé em Narva.

Cada regimento do Exército russo tinha um grupo de granadeiros composto pelos soldados mais valentes e fortes. Embora tivessem a tarefa de apenas lançar granadas – daí a palavra “granadeiro” –, acabaram assumindo as mesmas funções dos soldados comuns. Só as especificidades dos seus uniformes foram mantidas.

A característica mais distintiva era o chapéu especial em forma de cúpula e sem abas, pois elas atrapalhavam no lançamento das granadas. Na parte frontal do chapéu era colocada uma placa com o brasão russo gravado – a águia bicéfala.


Bigode e lenço

Por decisão de Pedro I, todos os soldados usavam bigode e cabelo cortado acima dos ombros. O “lenço”, uma imensa faixa de fios entrelaçados que se lançava sobre os ombros e era fixada na cintura, era característica marcante do uniforme. Na qualidade de adorno, essa faixa podia ser tecida com fios de ouro ou prata.

Às vezes, esse lenço era mais resistente do que uma corda. Em 1799, durante a Batalha da Ponte do Diabo, nas montanhas da Suíça, pedaços de madeira amarrados uns aos outros com os lenços dos oficiais foram usados pelos russos como ponte.

Oficial e soldado do exército de Pedro I. Os bigodes eram obrigatórios


A cor verde do uniforme militar determinada por Pedro I se manteve por mais de um século. Nessa época, a cavalaria vestia uniformes azuis, e a artilharia, vermelhos.


O conforto vence

O caftan foi gradualmente se transformando até que, em meados do século, adquiriu contornos parecidos com os do atual fraque, com abas em vez de cauda. A jaqueta foi encurtada, e o chapéu armado de três pontas passou para bicorne.

Com o tempo, também foi introduzida uma farda especial para os generais. Nesses casos, a vestimenta foi ficando cada vez mais rica, destacando-se pelos bordados de prata ou ouro nas laterais, na gola e nos punhos.

Soldados do exército Potemkin


Durante o reinado de Catarina II, o uniforme militar russo foi parcialmente alterado por iniciativa do favorito da imperatriz, o kniaz (príncipe) Grigôri Potemkin. Os soldados ganharam um confortável casaco mais curto e sobretudo de tecido grosso. Essa farda foi disseminada pelo Exército e ganhou popularidade devido à sua praticidade.

Fonte: Gazeta Russa


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

UMA ARMA UNIFORME CONTRA OS INIMIGOS

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Muitos consideram que a história do uniforme militar na Rússia teve início com o czar Pedro I, o Grande. No entanto, em busca de maior unidade e eficiência, tropas russas do século 16 já contavam com soldados uniformizados.

Por Aleksandr Verchínin


O uniforme militar não tem como objetivo servir à moda. É claro que o soldado deve ter um aspecto impecável, mas também não deve se destacar por sua aparência – aqui a moda se sujeita a leis diferentes das da vida social. Como um elemento integrante do Exército regular, o uniforme disciplina, cria um elo especial entre os soldados e, em última instância, introduz um sistema especial de diferenciação.

Na Idade Média não existia a noção de vestimenta militar uniformizada. Todo mundo vestia o que calhava. Quanto mais de destacava a armadura do cavaleiro, maior era o seu status. Já o soldado moderno, ganha não por suas qualidades individuais, mas como parte de uma formação militar – justamente a união que o uniforme simboliza.

Na Rússia, muitos consideram que a história do uniforme militar nacional teve início com Pedro I, o que não é exatamente verdade. Os padrões elaborados para a vestimenta de todos os soldados do Exército apareceram somente no início do século XVIII. Porém, eles foram introduzidos em solo já preparado.

Até o século XVII, o Exército russo, assim como a maioria das forças europeias, não tinha um padrão único para vestes militares. A espinha dorsal dos exércitos da época tinha a seguinte configuração: milícia nobre montada.

O pomeschik (senhor feudal na Rússia) recebia um lote de terra do Estado e, com a renda dela, tinha que se armar e participar de campanhas militares. Ele tinha que cumprir a norma em “termos equinos, humanos e bélicos”. Assim, equipavam-se dentro de suas possibilidades e do modo que considerasse aceitável.

É evidente que não se pensava aqui em nenhuma uniformização da roupa militar: os coloridos caftans russos (casaco até os joelhos abotoado pela frente) eram vistos junto a roupas de couro tártaras e armaduras polonesas obtidas como troféu de guerra. Esse tipo exército apresentava baixo desempenho em combate.


Moda streltsi

Em meados do século XVI, Ivan, o Terrível, decidiu formar as primeiras forças armadas regulares da Rússia. Surgiriam, então, os regimentos de streltsi (“flecheiros”), que contavam com 3.000 homens. Eles combatiam com um novo tipo de arma, os mosquetes manuais, vivem em quartéis nos arredores de Moscou, passaram a receber uma quantia regular e ganharam uniformes: um caftan com um corte específico e sem cor definida nos primeiros tempos. Registros de época revelaram a existência de caftans vermelhos, amarelo e azuis.

Streltsi russos


Com a aproximação da virada do século, a cor também foi uniformizada. Em 1606, um observador estrangeiro descreveu o regimento de infantaria de streltsi “com caftans de lã vermelhos e uma faixa branca no peito”. Nessa época, já havia um destacamento de streltsi montados, porém igualmente vestidos.

No início do século XVII, surgiu um tipo único de uniforme militar entre os streltsi russos e que se manteve inalterado até Pedro I. Era basicamente composto por um caftan longo abotoado da direita para a esquerda. O número de casas da abotoadura variava dependendo do regimento, e as dos oficiais eram feitas com fios de prata ou ouro. A cor do chapéu, botas e caftan também variava conforme o regimento.

Por cima do caftan era usado um zipun (tipo de casaco) da mesma cor. Na cabeça vinha um gorro alto de pele, geralmente valiosa, e na parte da frente do uniforme exibiam toda uma variedade de emblemas em ouro ou moedas.

Os oficiais carregavam consigo um tipo especial de lança chamado protazan. Era pela cor da empunhadura da protazan que se distinguiam os diferentes títulos militares. Um elemento essencial do equipamento de soldados de baixo escalão era a faixa branca que passava por cima do ombro e que guardava cargas de pólvora e uma sacola para as balas.


Disputa de estilo

As primeiras representações de uniformes russos foram feitas por ilustradores estrangeiros em meados do século XVII. “Os caftans deles”, escreveu um austríaco ao serviço do Exército russo, “eram bastante vistosos: em um regimento eram confeccionados com lã verde clara, e em outra, verde escuro, abotoados no peito, segundo os costumes russos, com cordões de ouro”.

Soldado russo em 1720


Segundo a opinião pública, a primeira pessoa a introduzir um uniforme militar unificado para seus soldados foi o inglês Oliver Cromwell, em 1645. A moda teria então se espalhado 30 anos mais tarde por todo o continente a partir da França.

Poucas pessoas sabem que na época descrita pelo escritor Alexandre Dumas em seu romance “Os Três Mosqueteiros”, os guardas reais franceses ainda não usavam a sua famosa capa azul com a cruz. Na realidade, ela foi introduzida apenas 50 anos mais tarde, na década de 1670, quando Charles d'Artagnan, o protótipo real do herói de Dumas, já não estava mais vivo.

Por isso, é de se imaginar que o caftan dos streltsi russos esteja entre os primeiros tipos de uniformes militares na Europa – ou até mesmo seja o primeiro de todos.

Fonte: Gazeta Russa


segunda-feira, 4 de março de 2013

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – CARLOS XII DA SUÉCIA




* 17/06/1682 – Estocolmo, Suécia

+ 30/11/1718 – Fredrikshald, Noruega




 

Carlos XII da Suécia passou toda a sua vida adulta combatendo na Grande Guerra do Norte, de 1700 a 1721. Sua liderança no campo de batalha e sua modernização do exército tornaram a Suécia uma força militar considerável no início do século XVIII.

Filho mais velho de Carlos XI, nascido em Estocolmo, em 17 de junho de 1682, perdeu a mãe aos onze anos de idade. Tinha apenas 15 anos, em 1697, quando seu pai morreu, deixando-o como monarca absoluto da Suécia. A educação que recebera de seu pai o qualificou muito bem para o cargo; era um excelente cavaleiro, mas inclinado a se arriscar. Carlos também foi adequadamente instruído nas artes militares, e seu pai lhe deixou um exército bem treinado.


Grande Guerra do Norte

Em abril de 1700, foi formada uma coalizão entre a Dinamarca, a Saxônia, a Polônia e a Rússia. Carlos ordenou um ataque contra a Zelândia em agosto e forçou a Dinamarca a sair da guerra. Aos 18 anos de idade, Carlos desembarcou na Livônia, em outubro de 1700, e sitiou os russos em Narva. Em 20 de novembro, liderou sua força de apenas 10.000 homens em uma nevasca, surpreendendo completamente Pedro, o Grande, e seu exército de 70.000 homens. Ao derrotá-los, ele forçou os russos a sair das províncias suecas transbálticas. Em seguida, atacou a Polônia. As vitórias em Polstok, em 1703, e em Fronstadt, em 1706, permitiram-lhe depor Augusto II - rei da Polônia e príncipe-eleitor da Saxônia – e colocar um rei seu no trono. Depois, marchou para a Saxônia.

Enquanto isso, Pedro havia encontrado tempo para reconstruir seu exército e, aos poucos, foi conquistando as províncias suecas no leste do Báltico. Em 1707, Carlos lançou ataques de suas bases polonesas, mas, no ano seguinte, cometeu o erro de invadir a Rússia. Conseguiu um êxito inicial com a vitória na Batalha de Holowczyn, em 4 de julho de 1708. Os russos, então, bateram em retirada, aplicando a tática da terra arrasada. Depois, Carlos tentou se unir aos cossacos ao sul, mas Pedro derrotou os cossacos em outubro de 1708. Também destruiu o comboio de suprimentos sueco em Lesnaya, em 9 de outubro. Carlos retirou-se para a Ucrânia devido ao inverno, perdendo 20.000 homens nesse processo.


Carlos XII recebe a rendição do comandante russo em Narva, 1700


Rumo ao desastre

Na primavera seguinte, enfrentou a escolha de retirar-se para a Polônia ou combater uma força russa mais poderosa. Atacou o acampamento russo em Poltava, em 28 de junho, embora tivesse levado um tiro no pé antes da batalha. Depois de 18 horas de combate, os suecos foram completamente derrotados: apenas Carlos e 1.500 homens escaparam do massacre. A maior parte de seus homens rendeu-se três dias depois, enquanto Carlos e uma pequena escolta fugiram para o sul, rumo ao território dominado pelos turcos.
 
Com a solicitação de Carlos, os turcos declararam guerra contra a Rússia – quatro vezes - , mas o apoio que esperavam da Suécia jamais chegou. Finalmente, os turcos ficaram fartos de seu hóspede indesejado e sitiaram seu acampamento, em Bender, na Moldávia, com o objetivo de entregá-lo a Augusto, que havia retornado ao trono da Polônia.

Estátua de Carlos XII no centro de Estocolmo

 
Em 1714, Carlos escapou e viajou disfarçado pela Hungria e Alemanha até a Pomerânia sueca. Lá, começou um combate de retaguarda, enquanto tentava maquinar alianças com a França e com os jacobitas, os quais estavam se rebelando novamente na Inglaterra, desta vez contra Jorge I, príncipe-eleitor de Hanover.


Últimas ações

Ao retornar à Suécia pela primeira vez em dez anos, Carlos começou a reconstruir o seu exército. Planejou iniciar uma nova ofensiva, invadindo a Noruega dinamarquesa. No outono de 1718, seu exército de 60.000 homens iniciou o cerco de Fredrikshald (atual Halden), Durante o cerco, Carlos foi baleado fatalmente na cabeça, havendo rumores de que havia sido atingido por um de seus próprios homens.

Carlos XII foi sucedido por sua irmã Eleonora, que iniciou as conversações de paz. O Tratado de Nystad, de 1721, garantiu a autonomia da Suécia, mas lhe retirou as suas possessões no Báltico, tornando a Rússia a maior potência da região.
 

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

A BATALHA DE NARVA (1700)

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A Batalha de Narva aconteceu no início da Grande Guerra do Norte, em 30 de novembro de 1700. O exército sueco sob o comando do rei Carlos XII derrotou forças russas quatro vezes mais numerosa, comandada por Pedro, o Grande. Narva marcou o ponto alto do poderio sueco no continente, com a Rússia obtendo posteriormente vitórias decisivas no final do conflito.

A guerra começou com um ataque não-provocado sobre a Suécia por uma coligação composta pela Polônia, Rússia e Dinamarca, com o objetivo de diminuir a influência sueca no Báltico. Carlos XII da Suécia havia recém assumido trono em 1697, com a idade de quatorze anos, e a Suécia não lutava uma guerra desde que sofrera uma séria derrota na Guerra Scania (1674-1679). A coligação aliada esperava uma vitória fácil.

Carlos XII, rei da Suécia

Carlos XII reagiu, isolando a Dinamarca e colocando-a fora da guerra com a invasão da Zelândia (Tratado de Travendal, de 18 de agosto de 1700). Os suecos, então, puderam se concentrar a leste a fim de lidar com a ameaça russa. Pedro, o Grande, liderou um exército de 35 mil homens na direção de Ingria, sitiando a cidade de Narva (atualmente situada na Estônia). O bombardeio russo teve início em 31 de Outubro.

Carlos XII respondeu com um contra-ataque agressivo, uma marca registrada no exército sueco. Com um exército de apenas 8.000 homens, tomou a iniciativa e avançou na direção de Narva, eliminando pequenos destacamentos russos no caminho. Confrontado com o avanço do exército sueco, Pedro decidiu deixar Narva, e passou o comando de seu exército a Charles Eugène de Croy.

Apesar da saída de Pedro do comando, os russos ainda estavam em posição confortável. Pelo menos 26 mil deles guarneciam as trincheiras de circunvalação que cercavam Narva, o que significa que Carlos teria de atacar um inimigo entrincheirado que ultrapassava seu exército em 3 por 1.


Os suecos responderam com um movimento rápido. Sob a proteção de uma repentina tempestade, lançaram um ataque contra as linhas russas, rompendo-a em dois lugares. A poderosa força de cavalaria russa, composta por 5.000 veteranos, fugiu na primeira carga, enquanto de Croy foi surpreendido pelas pequenas dimensões do exército sueco, o qual pensava ser apenas uma guarda avançada.

Com sua linha dividida em três e com a neve bloqueando a visibilidade, o exército russo entrou em colapso e Carlos XII foi capaz de combater as três partes da linha russa separadamente. Um grande número de soldados fugiu, muitos se afogando no rio Dvina. Pelo menos 20 mil infantes foram capturados pelos suecos para, em seguida, serem liberados após terem entregado seus mosquetes. A Suécia perdeu 667 homens no combate, enquanto que o exército russo perdeu cerca de 15.000 homens, e a maioria do exército restante foi capturada. Muitos foram mortos pelo ataque sob a proteção da nevasca, que deixou as tropas russas sem reação. Outros tantos morreram ao tentar escapar do combate, atravessando as águas geladas do rio Narva. Os suecos também apreenderam uma grande quantidade de mosquetes russos.

Soldados russos entregam suas armas diante de oficiais suecos.  Grande quantidade de material bélico foi capturada ao término da Batalha de Narva


A rendição russa trouxe para o exército de Carlos XII todos os canhões de Pedro, mosquetes e suprimentos militares. Isto deixou o que restou das forças armadas da Rússia sem praticamente nenhum equipamento. Caso a Suécia, ou qualquer outro agressor, tivesse invadido a Rússia logo após a batalha de Narva, Pedro teria sido quase impotente para detê-los.

O próximo movimento dos suecos após Narva permanece controverso até os dias atuais. Ao invés de perseguir Pedro, o Grande, através da Rússia, Carlos XII decidiu convergir seu exército para o sul em direção à Polónia e à Lituânia, onde obteve uma série de vitórias. No entanto, tal movimento deu a Pedro o tempo para recuperar e reforçar o exército russo e, quando Carlos XII voltou-se para o leste a fim de enfrentar os russos, em 1708-9, foi decisivamente derrotado na batalha de Poltava e forçado a fugir em direção ao Império Otomano. A própria cidade de Narva caiu nas mãos da Rússia em 1704, enquanto Carlos XII estava ausente na Polônia.

A eficiência do exército russo em Narva também era controversa. A má qualidade do seu exército em 1700 contrastava com a propaganda realizada por Pedro, o Grande, deliberadamente exagerada para possibilitar a reforma do exército diante da corte russa. Os soldados russos foram qualificados como inexperientes, uma horda de bárbaros e que “lutavam como gado”. Na verdade, apenas o Regimento de Lefortovskii era constituído por tropas veteranas, enquanto os dois regimentos de guardas só tinham visto em ação em Azov.

Tropas suecas em ação durante a Grande Guerra do Norte

Outros observadores mais imparciais, contudo, sugerem que o exército russo de 1700 em Narva foi muito melhor do que isso, contendo um núcleo de infantaria bem treinado e conduzindo operações de cerco de forma bem organizada. O cerco a Narva durava apenas quatro semanas quando Carlos XII chegou e expulsou o exército russo. A Rússia vinha se envolvendo em constantes conflitos em sua fronteira sul, o que deve ter dado a alguns dos homens presentes em Narva a experiência militar necessária. As táticas agressivas de Carlos XII, na verdade, seriam bem sucedidas contra quaisquer exércitos ocidentais de qualidade comprovada.

Narva foi uma esmagadora derrota para a Rússia, mas a Suécia não soube tirar proveito, deixando de explorar todo o seu potencial. Como Carlos XII acabou se envolvendo em conflitos mais perto de casa, Pedro foi capaz de fazer avançar suas capacidades militares de maneira como ele tinha sempre almejado. Estas melhorias nas tropas russas acabariam por vencer os suecos na Batalha de Poltava, terminando com o predomínio militar do Império Sueco e marcando o surgimento do Império Russo.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

IMAGEM DO DIA - 16/10/2009

Grande Guerra do Norte, 1708. Junto ao rio Neva, granadeiros russos investem contra bateria de canhões sueca.

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