"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



domingo, 27 de janeiro de 2019

ENTREVISTA: ANTONY BEEVOR - "AS EXECUÇÕES DE PRISIONEIROS PELOS AMERICANOS É UM ASSUNTO TABU"

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O historiador militar inglês revela em seu novo livro que o exército americano praticava fuzilamentos sumários como os alemães e que a união dos Aliados não impediu que britânicos e americanos discutissem feio


Por Luiz Antônio Giron

História militar é um gênero peculiar de historiografia. O historiador que se dedica ao tema em geral vasculha um número enorme de arquivos e recolhe depoimentos que, aparentemente, não alteram muito a interpretação de fatos do passado bélico. Mas é justamente nesses detalhes que reside a distinção do historiador militar do historiador habitual. Um dado quase imperceptível por estes é capaz de mudar a visão daquele em relação ao tema que pesquisa. 

O inglês Antony Beevor, de 71 anos, é um desses vasculhadores de bancos de dados e bibliotecas capaz até mesmo de inverter a concepção de alguns episódios da Segunda Guerra Mundial. São dele os livros “Stalingrado”, “Berlim 1945: A Queda” e “A Segunda Guerra Mundial”, um dos volumes mais completos e atualizados sobre o tema. Seu novo livro, “A Batalha das Ardenas: A Cartada Final de Hitler”, de 2015, acaba de ser lançado no Brasil pela editora Planeta.

Mais uma vez, Beevor apresenta pequenos grandes detalhes inéditos. A ofensiva que envolveu Aliados e Eixo na tríplice fronteira da Bélgica, França e Luxemburgo, entre dezembro de 1944 e janeiro de 1945, passou à história como uma campanha coadjuvante da tomada de Berlim pelo Exército Vermelho. Beevor demonstra, porém, que a Batalha das Ardenas propiciou o avanço soviético, pois abalou os recursos do exército alemão e eliminou suas reservas de soldados experientes. Não apenas: o autor revela que foi a batalha mais sangrenta no front ocidental, a ponto de ter comprometido a reputação de exército ético alimentada pelos americanos. 

Conforme Beevor, o exército americano fuzilou sumariamente prisioneiros com crueldade semelhante aos inimigos nazistas – estes, sim, já conhecidos pela selvageria.  Nesta entrevista exclusiva, Beevor conta que escolheu as Ardenas como objeto de pesquisa para fazer uma revisão das ideias estabelecidas sobre o episódio. Beevor mostra que é um subversor de noções preconcebidas.


Por que o senhor escolheu a Batalha das Ardenas como o tema?
Havia muitas razões fortes para escolher a ofensiva das Ardenas, em dezembro de 1944, como assunto. Os russos sempre reivindicaram, e fizeram isso novamente no ano retrasado, que derrotaram os alemães por conta própria. Isso não é verdade. A derrota imposta aos alemães pelos americanos arruinou a retaguarda da Wehrmacht e permitiu que o Exército Vermelho logo depois atravessasse o rio Vístula e atingisse o rio Oder em duas semanas. Desnecessário dizer que Stalin tentou afirmar que ele salvou os americanos com sua ofensiva de janeiro.

A história dos combates nas condições de inverno mais severas fez com que muitas pessoas comparassem a batalha com Stalingrado, mesmo que não tenha ocorrido em uma cidade. O exército alemão desprezou os americanos, e cometeu um grande erro. Embora muitos soldados tenham fugido, um número suficiente se manteve tão bravamente que retardou os atacantes. Foi o suficiente para que o general Eisenhower trouxesse reforços em massa e invertesse a situação.

O assunto também é interessante por causa das rivalidades e do mal-estar entre os generais aliados. Por causa da surpresa e do choque do ataque, Eisenhower teve que dar o comando de dois exércitos americanos no flanco do norte ao marechal britânico Montgomery. Embora Montgomery tenha manuseado sua parte da batalha sensivelmente, ele conseguiu indignar os americanos. Seu superior em Londres, marechal Brooks disse uma vez que “nada traz o pior nas pessoas do que o alto comando”. Certamente foi aqui. Montgomery se comportou com tamanha arrogância perante os generais americanos que azedou o relacionamento da Grã-Bretanha com os Estados Unidos por um longo tempo.

Montgomery (ao centro), com seus quatro comandantes de Exército subordinados nas Ardenas: Beevor demonstra que sua arrogância prejudicou a relação entre britânicos e norte-americanos por um bom tempo.


Qual a importância da Batalha das Ardenas hoje?
A importância das Ardenas hoje se refere em parte à questão das relações anglo-americanas, mas também às relações Leste-Oeste e a compulsão do presidente Putin de criar uma lenda de que a União Soviética poderia ter derrotado a Alemanha nazista sozinha.


Que informação não publicada o senhor descobriu durante a pesquisa do livro?
Encontrei muitos dados novos, especialmente sobre as discussões furiosas entre os generais, o sofrimento dos civis e a experiência dos soldados em condições terríveis. Eu também descobri muitos detalhes sobre a execução dos prisioneiros pelos americanos. É  um assunto tabu, que os historiadores evitaram no passado. Porém, os arquivos nos EUA, Alemanha, Bélgica e Grã-Bretanha possuem uma quantidade enorme de documentos fascinantes.


Ao contrário de muitos estudos da Segunda Guerra Mundial, seu livro não se concentra em um conjunto de personagens. Na verdade, parece uma história muito impessoal, baseada em uma grande quantidade de depoimentos. Por que você escolheu essa forma de narrativa?
Meu livro tem muitos personagens e nenhum dos revisores da Grã-Bretanha, da Alemanha ou dos Estados Unidos concorda que é impessoal. O ponto do livro, como todos os meus outros trabalhos, é tentar transmitir, especialmente para uma geração mais nova, como era a realidade daquela guerra para soldados e civis.

O historiador militar Antony Beevor


As Ardenas foram o melhor momento para os soldados americanos na Europa?
Os confrontos nas Ardenas foram, junto com a luta na Floresta de Hürtgen, os piores momentos para os soldados americanos na Europa.


Quais foram os principais erros e acertos entre oponentes?
Todo o plano alemão estava condenado ao fracasso, já que parece ter sido foi inventado por Hitler quando doente de icterícia e sob a influência de drogas. Ele tinha uma visão irremediavelmente otimista daquilo que o exército alemão enfraquecido poderia alcançar. A ideia de abrir caminho até Antuérpia e tomar o principal posto de abastecimento dos Aliados era ridícula. Seus generais sabiam que a operação não tinha chances, mas eles tinham que passar por isso. O plano ocorreu após a tentativa de assassinar Hitler, em 20 de julho, e mostrava que o Partido Nazista e as SS poderiam forçar a nação alemã a lutar até que o próprio Hitler morresse. 

O erro dos Aliados foi achar que a Alemanha não poderia durar muito tempo e seria incapaz de montar um ataque com dois exércitos de tanques e um exército de infantaria, sem que eles percebessem. Seu grande erro foi ver o curso das prováveis ações alemãs pelos olhos de generais racionais, quando na verdade as decisões estavam sendo tomadas por um megalômano.


Há uma diferença sensível entre a quantidade e qualidade dos relatos de soldados americanos, britânicos, russos e alemães na Segunda Guerra Mundial?
Havia uma grande diferença entre unidades de elite e unidades comuns em todos os exércitos. Mas o que é impressionante são as semelhanças entre as unidades comuns. Um estudo britânico de 1943 mostrou que em um pelotão de cerca de 30 homens, três ou quatro enfrentariam os oponentes, um número similar evitaria o combate a todo custo, e o resto seguiria os corajosos se as coisas fossem bem ou fugiria com os outros se as coisas corressem mal.



Se fosse possível escolher apenas um livro da Segunda Guerra Mundial, qual escolheria? E por quê?
É impossível escolher apenas um livro para toda a Segunda Guerra Mundial, mas se eu escolhesse um livro da frente oriental, seria o romance de Vasili Grossman, “Vida e Destino”. É uma homenagem deliberada a Tolstoi. Esse romance é uma espécie da “Guerra e Paz” da era estalinista e daquela guerra.


O senhor já cobriu em seus livros uma boa parte das principais campanhas da frente européia na Segunda Guerra Mundial, com Stalingrado, Berlim, Dia D, Ardenas e Creta. Qual é o próximo?
O meu próximo livro é “Arnhem – A Batalha das Pontes”,  sobre a invasão aérea aliada da Holanda, em setembro de 1944. Era um plano britânico muito ruim e que falhou, fazendo os civis holandeses sofrerem até o fim da guerra com a fome infligida pelos alemães. Em algum momento também poderei abordar Kursk [a maior batalha de tanques da história, ocorrida em julho de 1943, na Rússia].


Como foi o desempenho de vendas de “Berlim 1945: A Queda” na Rússia? Lá eles não gostaram de algumas afirmações suas sobre a tomada da capital alemã, como no caso dos estupros
Eles certamente não gostaram. Sou tecnicamente sujeito a cinco anos de prisão na Rússia se voltar. Provavelmente nada aconteceria, mas não vale a pena correr o risco.

Fonte: Isto É


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CONTRA-ALMIRANTE JAMES NORTON

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* 9/6/1798 - Newark-upon-Trent, Inglaterra

+ 20/8/1835 - ??


James Norton foi um oficial naval britânico que participou como combatente e comandante da marinha brasileira durante a Guerra da Cisplatina.

Ingressou na marinha britânica em 1802, tomando parte nas guerras napoleônicas, sob o comando do almirante Edward Pellew. Com a independência do Brasil, D. Pedro I iniciou a formação de uma poderosa marinha, contratando os serviços do Lorde Thomas Cochrane, tendo enviado Felisberto Caldeira Brant à Grã-Bretanha para recrutar oficiais, entre eles James Norton.

Com o início da guerra Cisplatina, foi enviado ao Rio da Prata, comandando a fragata Niterói. Logo depois assumiu o comando da segunda divisão, conduzindo um bloqueio exitoso sobre o rio da Prata, que levou as finanças públicas argentinas ao limite do colapso, apressando o acordo de paz que deu fim à guerra, apesar das derrotas brasileiras em terra. Comandou a marinha do Brasil na batalha de Monte Santiago.

Fragata Niterói, no comando da qual James Norton seguiu para a campanha da Cisplatina

Terminada a guerra, foi nomeado cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro, e recebeu também a Imperial Ordem da Rosa. Em 17 de outubro de 1829 foi promovido a chefe de divisão, com o posto de contra-almirante.

Sua viúva, Eliza Bland, publicou em 1837 uma pequena obra, intitulada A noiva do Brasil (The Brazilian Bride)O entusiasmo do casal pelo novo país, segundo o historiador britânico Brian Vale, é revelado por alguns dos nomes dados aos seus filhos: Fletcher Carioca, Fredrick da Prata e Maria Brasília.

Fontes:
- NORTON, Eliza Bland Erskine. The Brazilian Bride. In: The ladies' scrap-book, 1845.
- The Naval Review, Vol. XXXIX, N° 3, 1951
- GALSKY, Nélio. Mercenários ou libertários: as motivaçoes para o engajamento do Almirante Cochrane e seu grupo nas lutas da independência do Brasil, Universidad Federal Fluminense, Niterói, 2006
- CUTOLO, Vicente Osvaldo. Nuevo diccionario biográfico argentino (1750-1930). Editorial Elche, 1968.
- CARRANZA, Angel Justiniano. Campañas Navales de la República Argentina. Buenos Aires: Talleres de Guillermo Kraft Ltda., 1962.
- ARGUINDEGUY, Pablo; RODRÍGUEZ, Horacio. Buques de la Armada Argentina 1810-1852 sus comandos y operaciones. Buenos Aires: Instituto Nacional Browniano, 1999.
- Wikipedia.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

JAPÃO E RÚSSIA BUSCAM FIM PARA DISPUTA DA SEGUNDA GUERRA

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Moscou e Tóquio nunca chegaram a assinar um acordo de paz, mantendo os dois países tecnicamente em conflito. Apesar de novas conversações, uma disputa por quatro ilhas no Pacífico pode atrapalhar as esperanças de trégua.


Os ministros do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, e do Japão, Taro Kono, se reuniram nesta segunda-feira (14/01) em busca de um plano para pôr fim a uma antiga disputa territorial entre os dois países, que, ao menos tecnicamente, seguem em conflito desde a Segunda Guerra Mundial.

As conversas envolvem quatro ilhas disputadas no Oceano Pacífico Norte, parte das chamadas ilhas Curilas, segundo Moscou, ou dos Territórios do Norte, como se refere Tóquio.

O encontro em Moscou marcou a "primeira rodada de conversações entre russos e japoneses sobre o problema de se chegar a um acordo entre os dois países", afirmou nesta segunda-feira a porta-voz do Ministério do Exterior russo, Maria Zakharova.

Os ministros do Exterior japonês, Taro Kono, e russo, Serguei Lavrov, durante reunião em Moscou

Lavrov, por outro lado, foi mais intransigente e destacou que, como ponto de partida para o diálogo, o Japão deve reconhecer as ilhas como parte do território russo – um balde de água fria nas esperanças de Tóquio de um acordo que seja favorável ao país.

"A soberania da Rússia sobre as ilhas não está sujeita à discussão. Elas fazem parte do território da Federação Russa", disse o ministro após o encontro com seu homólogo japonês.

No início da reunião, Kono havia afirmado que os dois países precisam solucionar essa disputa territorial para que possam se dedicar a outras questões, como a expansão de seus laços econômicos. Refletindo as acentuadas divergências nas conversas desta segunda-feira, a delegação japonesa anunciou que fará outro pronunciamento no final do dia.

No fim da Segunda Guerra Mundial, as quatro ilhas mais ao sul das Curilas foram ocupadas pelas forças da então União Soviética, mas são reivindicadas pelo Japão, que as chama de Territórios do Norte. Os locais são hoje administrados pela Rússia.

Em 1951, as forças aliadas e o Japão assinaram o chamado Tratado de Paz de São Francisco, estabelecendo que Tóquio deveria desistir de todas as suas reivindicações sobre as ilhas Curilas. Não assinado por Moscou, o pacto tampouco reconhece a soberania soviética sobre os territórios disputados, o que alimenta a disputa entre os dois países.

Carcaça de carro de combate japonês abandonada nas ilhas Curilas, disputadas entre o Japão e a Rússia

Por não terem assinado qualquer acordo de paz após o fim da Segunda Guerra, o Japão e a Rússia continuam tecnicamente em conflito. Em novembro do ano passado, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ensaiaram uma aproximação e concordaram em acelerar as negociações para um tratado.

Após o encontro entre seus chanceleres nesta segunda-feira, os dois líderes devem se reunir no fim deste mês na capital russa para dar continuidade às conversações – embora Moscou não venha dando sinais de que vai abrir mão de sua soberania sobre as ilhas no Pacífico e, com isso, pôr fim a um conflito que já dura mais de sete décadas.

Fonte: DW


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

ERRO CRASSO




O termo erro crasso é muito utilizado quando alguém comete um erro tido como ingênuo. Você sabia que essa expressão tem ligação com o general romano Marco Licinius Crasso? A época de Crasso, 59 a.C, foi marcada por três importantes figuras de generais que foram Júlio César, Pompeu Magnus e Crasso.

Os dois primeiros generais citados entraram para a história por terem conseguido ampliar os domínios romanos. Porém, Crasso não era um general tão bom e era mais conhecido por sua fortuna. Enquanto César conquistou a Gália (França) e Pompeu a Hispânia (Península Ibérica), Crasso deseja dominar o povo Parto. Esse povo vivia no Oriente Médio numa região que hoje em dia é ocupada pela Armênia, Irã, Iraque e outros.

O grande erro de Crasso foi que ele acreditou que somente ter mais soldados era o suficiente. Com 50 mil soldados, ele deixou de seguir as famosas táticas militares romanas (que sempre garantiram excelentes resultados) e resolveu somente atacar por atacar. Para chegar mais rapidamente ao inimigo, ele resolveu cortar caminho por um estreito que não tinha boa visibilidade.

O que Crasso nem imaginava era que nas saídas dos vale os partos esperavam os soldados, conseguindo dizimar boa parte dos 50 mil homens, inclusive o general Crasso. Esse erro cometido pelo general se tornou em muitas línguas um sinônimo de um erro estúpido.

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ARQUEÓLOGOS JAPONESES DESENTERRAM NOVAS RESPOSTAS SOBRE A 2ª GUERRA MUNDIAL

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Por Priscila Piltz

KAGOSHIMA (IPC Digital) – Maho Chochi, diz que seus estudos contestam a antiga crença de que granadas de cerâmicas foram produzidas em número limitado durante a Segunda Guerra Mundial para que os soldados pudessem se matar, evitando assim a desgraça de ser capturado.

Minha pesquisa mostrou que (granadas de cerâmica) foram fabricadas em grande número, com o objetivo de usá-las como armas”, disse Chochi, pesquisador do Centro de Arquivos Históricos Reimeikan, na província de Kagoshima.

O relatório do pesquisador fascinou arqueólogos em uma convenção na província de Kagoshima. Para eles, os restos e relíquias relacionados com a guerra são um novo campo de pesquisa.

Chochi, identificou os locais onde as granadas de cerâmica foram fabricadas, quando o Japão estava enfrentando uma grave escassez de metal, perto do final da Segunda Guerra Mundial. Confirmou também que as granadas foram armazenadas para estudos posteriores, para comparar as suas estruturas e materiais cuidadosamente.

Um novo campo da arqueologia estuda informações relacionadas com a Segunda Guerra Mundial, estabelecida há 30 anos no Japão com base na proposta de Shiichi Toma, um arqueólogo da província de Okinawa, que queria lançar novos aspectos da guerra, que eram desconhecidos devido a escassez de documentação.

Embora muitos arqueólogos estivessem relutantes inicialmente em assumir tal tema, uma série de reuniões de estudo e locais de expedição foram organizados no ano passado para coincidir com o 70º aniversário do fim da Segunda Guerra.  Um relatório da província de Okinawa publicado no ano passado, descreve cerca de 1000 sítios relacionados com a guerra, local da Batalha de Okinawa, que durou meses e matou quase um quarto da população da ilha.

Em Kumamoto, o governo de Nishiki começou uma pesquisa no ano passado, de um local usado pela Marinha Imperial Japonesa, para descobrir a imagem completa da base militar pouco conhecida durante a Guerra.

Há muito se sabe que os restos de uma base militar estão na cidade”, disse Tomoharu Teshiba, que encomendou a pesquisa. A base, que abrange 36.000 metros quadrados de terra, abriga instalações subterrâneas em mais de 10 locais.

Essas instalações, incluindo uma sala de operação e uma sala onde torpedos estavam sintonizados, permaneceram intactos desde o fim da Guerra. A sala do torpedo tem paredes de concreto que revelam pilares de madeira. Tal estrutura gigantesca de guerra ainda estar intacta é raridade no Japão, segundo especialistas. Funcionários de Nishiki planejam, eventualmente, abrir as instalações para o público.

Gostaríamos que os visitantes refletissem sobre a guerra após ver os restos daqueles tempos”, disse Teshiba. “Estamos determinados a realizar um estudo aprofundado para esse fim, também”.

Fonte: Jornal Asahi

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

ARMAS - TÊNDER DE HIDROAVIÕES "GIUSEPPE MIRAGLIA"

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O tênder de hidroaviões italiano Giuseppe Miraglia foi lançado em 1921 como a balsa Città di Messina, destinada ao uso pela Companhia Ferroviária Estatal Italiana, mas foi adquirido pela Regia Marina logo após seu lançamento em 1923. Os trabalhos para convertê-lo em transportador de hidroaviões começaram imediatamente, mas, em 1925, quando estava quase completo, o navio emborcou durante uma tempestade. Recuperado sob a direção de Umberto Pugliese, foi concluído e comissionado em novembro de 1927.

Como muitos navios de sua geração, o Giuseppe Miraglia foi convertido a partir de um mercante


O Giuseppe Miraglia podia transportar cerca de 17 hidroaviões (originalmente Macchi M.18, depois IMAM Ro.43 e Reggiane Re-2000) e era equipado com duas catapultas. Os hidroaviões podiam ser recuperados por meio de grandes portas e guindastes nas laterais do hangar.

Um Reggiane Re-2000 posicionado em uma catapulta do Giuseppe Miraglia

O navio participou da Segunda Guerra Ítalo-Abissínia e da Guerra Civil Espanhola. Durante a Segunda Guerra Mundial, após sobreviver à Batalha de Taranto, foi empregado no Mediterrâneo. Depois do armistício, assinado pela Itália com os Aliados em 1943, o Giuseppe Miraglia navegou, juntamente com grande parte da frota italiana, para Malta, para o internamento.

Com o fim da guerra, o Giuseppe Miraglia foi empregado para repatriar prisioneiros de guerra italianos e passou o resto de sua carreira como quartel e oficina em Taranto até sua desativação em 1950.

O Giuseppe Miraglia em Taranto


Ficha técnica

Classe e tipo: Tênder de hidroaviões
Deslocamento: 5.400 toneladas normais / 5.913 toneladas completas
Comprimento: 121,22 metros
Boca: 14,99 metros
Propulsão: 2 turbinas a vapor Parsons, com 8 caldeiras Yarrow gerando 16.700 shp
Velocidade: 21 nós (39 km/h)
Tripulação: 16 oficiais, 40 sargentos, 240 marinheiros
Armamento: 4 canhões de 102 mm/35 e 12 metralhadoras AAe de 13,2mm
Aeronaves transportadas: 17 hidroaviões
Instalações de aviação: 2 catapultas

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sábado, 8 de dezembro de 2018

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MAGUBA SYRTLANOVA, "BRUXA DA NOITE"

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Conheça Maguba Syrtlanova, uma destacada "Bruxa da Noite"


Maguba Syrtlanova nasceu no dia 15 de julho de 1912 em Belebey, no Bascortostão. Começou a voar na Escola de Voo de Bashalov em 1932, e se associou a uma escola de planadores em Tbilisi. Com a invasão alemã, alistou-se no Exército Vermelho em julho de 1941 e foi designada para a aviação. De etnia tártara, tornou-se membro do Partido Comunista da União Soviética em 1941.

Syrtlanova foi enviada para treinamento em 27 de dezembro de 1942 e voou sua primeira missão na noite de 10 de fevereiro de 1943, pelo 588º Regimento de Bombardeiros Noturnos, que mais tarde foi renomeado para 46º Regimento de Aviação de Bombardeiros Taman. Ela voou em missões de bombardeio no norte do Cáucaso, Bielorrússia, Península de Taman, Crimeia, Polônia e Prússia.

No final da guerra, acumulou 928 horas de voo em combate, realizou 780 missões de combate, lançou 190 toneladas de bombas em território inimigo e conduziu com segurança a sua aeronave através de pesadas barragens antiaéreas e mau tempo. Devido à precisão de seus bombardeios, ela conseguiu destruir duas estações ferroviárias, dois holofotes, três unidades de artilharia, quatro carros blindados, um depósito de combustível e 85 instalações inimigas.

Por seus feitos na guerra, Maguba Syrtlanova foi premiada com o título de Heroína da União Soviética, no dia 15 de maio de 1946. Há uma rua com o seu nome em Kazan, assim como um monumento e um ginásio. Também foi condecorada com a Ordem de Lênin, duas Ordens da Bandeira Vermelha, a Ordem da Guerra Patriótica de 2ª Classe, a Ordem da Estrela Vermelha e diversas outras medalhas de campanha.

Busto homenageando Maguba Syrtlanova em Belogorsk.

Após a Segunda Guerra Mundial retirou-se do Exército Vermelho e trabalhou em uma fábrica em Kazan, de 1951 a 1962. Maguba Syrtlanova morreu em 1º de outubro de 1971 e foi enterrada no cemitério Novo-Tatar Sloboda.


Conheça mais sobre a participação das mulheres nas guerras lendo

BRUXAS DA NOITE: AS AVIADORAS SOVIÉTICAS NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Reserve já o seu exemplar e delicie-se com a história das corajosas jovens aviadoras na defesa de sua Pátria.

A guerra, no feminino.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

JOSÉ SABAS LIBORNIO, O MÚSICO DA BANDEIRA PERUANA

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Depois do Hino Nacional, a 'Marcha das Bandeiras' é uma das composições mais emocionantes existentes no Peru.

Por Lilia Córdova Tábori


Filho de professor e bordador, José Sabas Libornio Ibarra nasceu em Manágua (Filipinas) em 5 de dezembro de 1855, quando essas terras ainda estavam sob domínio espanhol.

Cativado pela música, José iniciou seus estudos no Colégio Geral de Música de Santa Cecília, em Manila. Ele era um excelente aluno graduando com uma licenciatura por ter as melhores notas. José Sabas Libornio foi considerado um dos melhores saxofonistas do seu tempo. Entre 1873 e 1875 dirigiu a Faixa Cívica da Espanha em Manila. Ele começou a viajar pelo mundo e estabeleceu-se em Honolulu, onde foi diretor da Royal Hawaiian Band, com a qual continuou viajando pela Europa e América.


Sua chegada ao Peru

Em 1895, o presidente do Peru, Nicolás de Piérola, planejava reorganizar o Exército, incluindo não apenas o aspecto militar, mas também o aspecto musical. É por isso que ele contratou o famoso mestre Libornio.

Após a sua chegada ao país, o músico foi incorporado ao Exército com o posto de Capitão e nomeado Diretor Geral da Banda do Exército. Libornio encomendou a compra de instrumentos e selecionou os integrantes da banda. Seus alunos aprenderam não apenas os acordes musicais, mas também como cuidar dos instrumentos. Libornio destacou-se pelo seu empenho e dedicação. O professor adotou o Peru como sua segunda pátria, onde formou família com sua esposa María Estrada e seus cinco filhos.


Uma marcha para os peruanos

Parecia a José Sabas Libornio que uma marcha deveria prestar homenagem à bandeira peruana. Até aqueles momentos, o Hino Nacional era cantado em missas, cerimônias militares e quando o ato oficial era apresentado. Libornio expressou sua ideia ao Presidente Piérola, que o encorajou a seguir em frente. No dia 9 de dezembro de 1897, na missa em honra da Batalha de Ayacucho, a chegada do presidente foi qualificada pela famosa marcha. Libornio foi promovido ao posto de Sargento Major.

A "Marcha das Bandeiras" entrou em vigor como "Marcha Nacional Peruana", de 17 de dezembro de 1897. No governo de Augusto B. Leguia foi convocada para ser chamada de "Marcha das Bandeiras" e realizada em eventos oficiais. no momento de ser içado o Pavilhão Nacional. Além disso, a "Marcha das Bandeiras" anuncia a chegada do Presidente do Peru em atos religiosos como a Missa Te Deum.

Durante os 20 anos de serviço no exército Jose Sabas Libornio compôs outras grandes marchas, como El Morro, Meu país, Esquadrão peruana Huamachuco, Coronel La Puente, entre outras. Ele também foi cativado pela música crioula e escreveu valsas, como Hotensia, Orquídeas, dentre outras.

O maestro José Sabas Libornio, filipino de nascimento e peruano de coração.


José Sabas Libornio morreu aos 60 anos em 9 de dezembro de 1915. Uma multidão reuniu-se em sua casa, localizada no bairro de Huancavelica, para despedir-se do músico filipino, mas de coração peruano.

Fonte: El Comercio



REMEMORAÇÃO DOS 150 ANOS DA BATALHA DE ITORORÓ

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Atendendo ao convite formulado pelo comando do 5º Batalhão de Infantaria Leve, "Regimento Itororó", uma das mais tradicionais unidades de infantaria do Exército Brasileiro, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar esteve em Lorena-SP para ministrar a palestra A BATALHA DE ITORORÓ NO CONTEXTO DA GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA.

Grande público acorreu ao evento

Esboço mostrando o terreno e as posições das tropas na Batalha de Itororó


O marquês de Caxias investe contra as posições paraguaias no arroio Itororó 

O evento foi realizado na universidade UNIFATEA e contou com grande público. A Batalha de Itororó foi travada em 6 de dezembro de 1868 e foi a primeira da sequência de vitórias brasileiras que passou à história com o nome de "Dezembrada".

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sábado, 1 de dezembro de 2018

MORRE AOS 94 ANOS GEORGE BUSH, EX-PRESIDENTE DOS EUA

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George Bush levou o país à guerra contra Saddam Hussein e é considerado o último presidente dos EUA na Guerra Fria

Por Carlos Eduardo Lins da Silva

O ex-presidente americano George Herbert Walker Bush morreu no início da madrugada deste sábado (1º), aos 94 anos. O anúncio foi feito pelo porta-voz da família, Jim McGrath, às agências de notícias internacionais.

"Jeb, Neil, Marvin, Doro e eu estamos tristes em anunciar que, após 94 extraordinários anos, nosso querido pai morreu", disse seu filho, o 43º presidente dos Estados Unidos George W. Bush, na nota divulgado por McGrath.

"George HW Bush era um homem do mais alto caráter e o melhor pai que um filho ou filha poderia pedir. Toda a família Bush está profundamente grata pela vida e amor do 41º, pela compaixão daqueles que se preocuparam e oraram pelo papai, e pelas condolências dos nossos amigos e parceiros cidadãos."

George Herbert Walker Bush foi o último presidente dos EUA a ter lutado na Segunda Guerra Mundial, a mais popular da história do país, e um dos cinco no século XX que perderam a reeleição. 

Seu governo registra uma grande vitória militar em 1990, a operação "Tempestade no Deserto", que pôs fim à ocupação militar do Kuait pelo Iraque, e contou com grande respaldo da comunidade internacional e da opinião pública americana.

Foi também na sua administração que terminou a Guerra Fria, com a queda do Muro de Berlim em 1989, seguida da dissolução da União Soviética e do estabelecimento por Bush e Mikhail Gorbachev da parceria estratégica entre Rússia e EUA, em 1991, destroçada ao longo desta década.

Em grande parte devido a esses fatos, Bush registrou na primeira metade de seu único mandato altíssimos níveis de popularidade, comparáveis aos que seu filho, George W. Bush, obteria logo após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Mesmo assim, perdeu a reeleição em 1992 para Bill Clinton, e teve por muito tempo de se explicar pela decisão de, na sequência da "Tempestade no Deserto", não ter mandado suas tropas até Bagdá para derrubar o presidente Saddam Hussein, algo que seu filho faria em 2002. Ele disse em 2008 que derrubar Saddam teria "acarretado incalculáveis custos humanos e políticos... e seríamos obrigados, de fato, a governar o Iraque".  Sábia avaliação, como os fatos demonstrariam no século XXI.

A debacle americana no Iraque a partir de 2003 foi um dos fatores para a reavaliação pública da figura do 41º presidente americano, que nos 20 anos seguintes à sua maior derrota eleitoral gozou de crescente prestígio.

Bush nasceu em 12 de junho de 1924 em família abastada e influente da elite da Nova Inglaterra. O pai, Prescott, foi banqueiro e senador. Frequentou excelentes escolas, e se formou em economia por Yale. No dia seguinte ao ataque japonês a Pearl Harbor, com 18 anos, alistou-se na aviação da Marinha. Realizou dezenas de missões como piloto no Pacífico. Em uma delas, foi abatido em voo, mas um submarino o resgatou.

Durante a 2ª Guerra Mundial, Bush atuou como aviador naval no Pacífico

De volta à pátria, casou-se com Barbara Pierce (com quem teve seis filhos, uma das quais morreu de leucemia aos quatro anos) e resolveu se iniciar na vida empresarial, no negócio de petróleo no Texas, onde também começou a fazer política. Tornou-se dirigente do Partido Republicano no Texas, candidatou-se ao Senado federal em 1964, e perdeu. Dois anos depois, elegeu-se para a Câmara dos Representantes. 

Em 1970, deixou-se convencer pelo então presidente Richard Nixon a tentar o Senado de novo, e foi outra vez derrotado. Como recompensa pelo sacrifício, Nixon o nomeou embaixador dos EUA junto às Nações Unidas. Em 1972, ainda sob a proteção de Nixon, tornou-se presidente do diretório nacional do Partido Republicano; nesta condição, ajudou a negociar a renúncia de seu protetor antes do impeachment no caso Watergate.

Bush tentou ser o companheiro de chapa de Gerald Ford, o sucessor de Nixon, mas não conseguiu. Ford lhe ofereceu a Embaixada em Paris, mas Bush diz ter pedido a China ("porque lá está o futuro"), e se tornou o primeiro representante dos EUA com status de embaixador em Beijing. 

Outra posição importante que Ford lhe deu foi a direção da CIA, quando ela sofria crise de prestígio, suspeita de atividades ilegais. Bush se saiu bem neste cargo, o que fez subir sua influência no Partido Republicano. Assim, em 1980, ele se lançou candidato à Presidência. Mas perdeu as primárias para Ronald Reagan, que o convidou para compor a chapa com ele. Nas duas administrações de Reagan, Bush foi discreto vice-presidente. Sua única missão de maior envergadura foi coordenar esforços para diminuir a entrada ilegal de drogas no país.

Com as bênçãos do popularíssimo Reagan, ganhou com facilidade a indicação do Partido Republicano para concorrer à Casa Branca em 1988 contra o eleitoralmente fraco Michael Dukakis. Venceu com 53,4% dos votos populares e 426 dos 538 do Colégio Eleitoral. Na campanha, entretanto, Bush disse uma frase que o ajudou a ganhar votos, mas, depois, contribuiu muito para sua derrota em 1992: "Leiam os meus lábios: mais impostos, não", uma promessa não cumprida, como seus adversários quatro anos depois exaustivamente lembrariam.

Parte da herança de Reagan foi um déficit orçamentário gigantesco, que Bush tentou conter por meio de um acordo com os democratas do qual constou aumento de impostos, além de cortes de despesas públicas. Isso lhe custou intensa impopularidade, especialmente entre os grupos mais conservadores, tradicionais apoiadores do Partido Republicano. Além disso, boa parte do governo Bush transcorreu com a economia em crescimento modesto ou recessão moderada, e a maioria da população em 1992 não estava otimista quanto ao futuro.

Suas conquistas sociais (surpreendentes, se observadas da perspectiva atual), como leis de inclusão para deficientes físicos, para facilitar a entrada de imigrantes legais nos EUA e contra a poluição do ar, não foram suficientes para animar o eleitorado a seu favor.

Bush visita as tropas norte-americanas no Iraque em 1991

Outras decisões importantes de seu governo, como a intensificação das negociações para criar o Nafta, acordo de livre-comércio com México e Canadá, a invasão do Panamá para prender o presidente Manuel Noriega, acusado de ajudar o tráfico de drogas, e a indicação do primeiro negro para a Suprema Corte, Clarence Thomas, tampouco o ajudaram eleitoralmente. 

Mais do que tudo, a presença no pleito de terceiro candidato forte, Ross Perot, que recebeu 20% dos votos populares, quase todos de conservadores que provavelmente teriam votado em Bush, deu a vitória a Bill Clinton. Bush foi durante a maior parte do tempo um ex-presidente tão discreto quanto havia sido vice, mesmo nos dois governos do filho.  Mas a simples comparação entre os dois presidentes Bush fez com que a imagem do mais velho se sobressaísse positivamente: no exercício do poder ele sempre dissera querer construir um país "mais gentil e mais bondoso", algo que se tornou especialmente relevante após as atrocidades no Iraque e em Guantánamo cometidas na gestão do mais novo.

Aos poucos, na liderança de missões humanitárias nos EUA e em outros países, algumas das quais ao lado de Bill Clinton, de quem se tornou amigo, ganhou exposição positiva e reconhecimento bipartidário. Em 2013, o presidente Barack Obama o homenageou na Fundação "Points of Light", que Bush fundou em 1990 com um nome que se refere a uma frase por ele usada em um dos poucos discursos seus lembrados como exemplo de boa retórica política, ao aceitar a indicação do Partido Republicano para concorrer à Presidência em 1988. 

Além de Obama e Clinton, outros adversários políticos históricos dos Bush o homenagearam nos últimos anos de vida, como a família Kennedy, que lhe concedeu a medalha "Perfil de Coragem" de 2014, pela sua decisão em 1990 de aumentar impostos para equilibrar o Orçamento federal.  Por muito tempo, manteve boa forma física. Comemorou 85 anos com um célebre salto de paraquedas. Repetiu a façanha aos completar 90 anos.

A partir de 2012, no entanto, acometido por uma forma de mal de Parkinson, teve suas atividades físicas muito limitadas e passou a ser visto em público em cadeira de rodas, mas sempre com aparente bom humor. Perguntado sobre qual o ato de seu governo mais seria lembrado na história, disse que seria a inauguração do avião presidencial jumbo que virou até tema de filme de sucesso.  

Frequentemente pescava e navegava na costa de Kennebunkport, no estado de Maine, o lugar de que mais gostava e onde dizia querer passar os últimos dias de sua vida.

Fonte: Yahoo Notícias