"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quinta-feira, 20 de outubro de 2022

EDITOR DO PORTAL PUBLICA ARTIGO EM REVISTA EQUATORIANA

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O editor do portal Carlos Daróz-História Militar publicou artigo na Revista Acadêmica de História Militar, no Equador.


A edição especial nº 8 da Revista Académica de Historia Militar, que trata das independências dos países latino-americanos, publicou o  artigo "INDEPENDENCIA O MUERTE!": EL BICENTENARIO DE LA INDEPENDENCIA DE BRASIL, no qual Carlos Daróz analisa o processo de emancipação política de Portugal e a guerra de independência que consolidou a formação do Império do Brasil.

A revista é editada pelo Centro de Estudios Históricos del Ejercito Ecuatoriano e contou com artigos de pesquisadores de diversos países, como: Equador, Brasil, Colômbia, Argentina, Peru, Venezuela e Espanha.







sexta-feira, 30 de setembro de 2022

EDITOR DO PORTAL PARTICIPA DE SEMINÁRIO INTERNACIONAL PROMOVIDO PELA REDE MARIA QUITÉRIA

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O editor do portal Carlos Daróz-História Militar participou do seminário internacional "Bicentenário em Perspectiva", organizado pela Rede Maria Quitéria de Segurança e Defesa em comemoração aos 200 anos da emancipação política do Brasil.

A Rede Maria Quitéria, fundada em 2021, reúne pesquisadores com o objetivo de produzir estudos e pesquisas sobre a área de segurança, defesa, política externa, política de inteligência, cibersegurança e segurança pública.


A sessão temática de ontem, dedicada às perspectivas regionais das independências dos estados latino-americanos foi mediada pela Profa. Dra. Ana Paula Lage de Oliveira, da PUC de Campinas, contou com a apresentação das pesquisas de Carlos Daróz (Instituto de Geografia e História Militar do Brasil-Universidade Federal Fluminense/Université Libre de Bruxelles), Michel Laguerre (Marina de Guerra del Peru) e Maria Aparecida Lopes (California State University).


Na ocasião, Carlos Daróz apresentou pesquisa sobre O PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DAS COLÔNIAS IBÉRICAS NAS AMÉRICAS, SOB A PERSPECTIVA DA HISTÓRIA COMPARADA E DO PODER MILITAR.

Quem quiser conferir, segue o link


sexta-feira, 9 de setembro de 2022

"NOSSA INDEPENDÊNCIA FOI CONSOLIDADA NA GUERRA" - ENTREVISTA COM O DIPLOMATA HÉLIO FRANCHINI NETO

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O historiador e diplomata Hélio Franchini Neto diz que batalhas contra Portugal envolveram mais soldados que as de Simon Bolívar e ajudaram a criar a identidade nacional


Por Duda Teixeira 
   

O quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, eternizou o momento em que D. Pedro I declarou, em 7 de setembro de 1822, que o Brasil seria um império separado de Portugal. Para o historiador e diplomata Hélio Franchini Neto, a pintura em que o protagonista ergue a espada não traduz a realidade, por mostrar a independência como algo rápido, pacífico e sem complicações. Amparado em pesquisas recentes, ele afirma que a consolidação desse processo só se deu após batalhas encarniçadas, que envolveram mais homens que aquelas lideradas pelo venezuelano Simon Bolívar, o Libertador da América espanhola. 

Formado em direito, com mestrado em ciência política, Franchini Neto defendeu uma tese de doutorado em história sobre esse tema, em 2015. O material foi adaptado para o público geral e acaba de ser publicado no livro Redescobrindo a Independência: uma História de Batalhas e Conflitos Muito Além do Sete de Setembro (Editora Benvirá). Depois de trabalhar na embaixada brasileira em Bogotá, Franchini Neto, de 43 anos, assumiu no início do ano a vice-chefia na assessoria de relações federativas do Itamaraty com o Congresso. Ele conversou com a Crusoé.


Em seu livro, o senhor argumenta que a “Independência foi um desenrolar caótico, incerto, marcado por disputas, heterogeneidade de visões e de interesses, conflito político e guerra”. Como chegou a essa conclusão?

Uma vez, li em um livro que a guerra entre as forças de Portugal e de D. Pedro na Bahia envolveram mais soldados que a tropa do libertador venezuelano Simon Bolívar. O jovem imperador mobilizou, entre Exército e Marinha, algo em torno de 15 mil soldados no primeiro semestre de 1823. Bolívar, que liderou a independência de Venezuela, Colômbia e Equador, não ultrapassou 10 mil. Esse dado me impressionou muito. Então, continuei estudando o tema até decidir fazer um doutorado. Meu objetivo inicial era apenas o de mapear as operações militares desse período, mas aos poucos fui vendo que as batalhas eram muito maiores do que eu imaginava e que ocorreram em três frentes principais: na Bahia, no Norte e na Cisplatina, hoje Uruguai. Além dos números superlativos, elas se chocavam com as narrativas existentes. Ainda se fala muito que o conflito na Bahia foi entre baianos e tropas portuguesas ali presentes. Mas a guerra foi muito mais ampla e complexa.


Em que sentido?

Para começar, os dois militares baianos que começaram a luta eram originalmente defensores das Cortes de Lisboa. A disputa que se seguiu era local, pelo poder militar da província. Depois que um dos lados , aquele liderado por Manoel Pedro, foi derrotado, seus partidários refugiaram-se na cidade de Cachoeira e se aproximaram de D. Pedro. No fim de 1822, essa guerra civil já tinha ganhado outra dimensão. Portugal enviou sucessivamente o máximo de tropas que pôde, para apoiar o brigadeiro Ignácio Luiz Madeira. De 3 mil soldados, ele passou a contar com 10 mil no final do ano. Essa diferença, de 7 mil ou 8 mil soldados, é equivalente à expedição enviada pela Espanha para lutar contra Bolívar na Venezuela e na Colômbia. Vale ressaltar também que, entre os que defenderam o lado de D. Pedro, não havia só baianos. Pernambucanos, paraibanos e mineiros também lutaram.


A realidade nessas três frentes foi muito cruenta?

Uma estimativa é a de que entre 3 mil e 5 mil morreram no período de um ano, entre 1822 e 1823. Só na Bahia teria havido de 2 mil a 4 mil óbitos. Cerca de mil baixas foram por doenças no fronte. Considerando que 30 mil soldados foram mobilizados, isso dá uma taxa de 10% de mortos, sem contar os feridos. É uma proporção muito alta. No Piauí, o major português João José da Cunha Fidié reuniu 1,5 mil homens para lutar contra os partidários de D. Pedro, que recrutaram entre 2,5 mil e 3 mil para combater na Batalha do Jenipapo. Eles se enfrentaram ao longo de cinco horas, deixando entre 200 e 400 mortos. Foi um período de lutas encarniçadas.

Batalha do Jenipapo, no Piauí: um dos maiores enfrentamentos da Guerra de Independência


O que dizem os relatos desses conflitos?

Alguns depoimentos são incríveis. Comandantes portugueses reclamaram que, no cerco a Salvador, não se podia colocar a cabeça para fora da trincheira, porque isso seria morte na certa. Do lado oposto, um coronel que tinha mil soldados falou da dificuldade de alimentá-los e de conseguir calçados para eles. Também conta que cada ferido que ia para o cirurgião era uma morte certa. D. Pedro chamou isso de uma “crua guerra de vândalos”.


Por que o sr. não fala em brasileiros lutando contra portugueses?

Até a chegada da corte portuguesa, em 1808, o Brasil era formado por duas identidades: a local — como mineiros, paraenses, cearenses, baianos — e a portuguesa, ligada ao rei. A identidade brasileira ainda era incipiente. As longas distâncias dificultavam um laço mais forte entre as distintas populações. Quem saísse do Maranhão num barco demorava 15 dias para chegar a Lisboa. Mas a viagem até a Bahia, por causa das correntes marítimas do Atlântico, tardava quase três meses. A vinda de D. João VI alterou completamente essa ordem. Em 1808, o Rio de Janeiro se tornou a capital do Império Português, com tribunais, academias militares, corpo diplomático. Em 1815, o Brasil deixou de ser colônia, com a criação do Reino do Brasil, o que constituiu um primeiro elemento unificador. Esse movimento de coesão não se deu na América Espanhola, onde os núcleos continuaram vivendo de forma relativamente autônoma. Se a Coroa não tivesse vindo para o Brasil, poderíamos hoje estar fragmentados em vários países, como ocorreu no restante da América Latina.


As guerras que se seguiram à Independência ajudaram a moldar essa identidade brasileira?

A presença da corte, embora trouxesse essa sensação de unidade, não gerava benefícios homogêneos para todas as regiões. No Norte, havia descontentamento por causa dos impostos pagos para financiar o Estado. Quando os portugueses finalmente tomaram a decisão de acabar com o poder do Rio de Janeiro e dar primazia a Lisboa, após a Revolução do Porto, vários grupos políticos buscaram um projeto alternativo. Mas, em muitas províncias, o apoio a D. Pedro era frágil. Então, tudo ocorreu de maneira caótica, incerta. Fagulhas de guerra civil se espalharam por todos os lados. Em muitos casos, houve lutas violentas. Em outros, negociação. A guerra na Bahia foi o primeiro confronto que se poderia chamar de nacional, com forças mobilizadas por D. Pedro e por Lisboa. Quando a poeira baixou, paraibanos, cearenses, baianos e mineiros começaram a se identificar como brasileiros.


O que teria acontecido se os partidários de D. Pedro tivessem perdido essas guerras?

Depois da Declaração da Independência, Portugal tentou salvar alguma coisa do território. Naquela época, o Brasil era visto como dividido em duas regiões. O Sul já estava perdido, mas os portugueses ainda nutriam esperanças de recuperar o Norte. Um parlamentar português sugeriu que se fizesse algo parecido com o que ocorreu nos Estados Unidos, em que o Império Britânico logrou manter o Canadá entre suas possessões. No Brasil, a Bahia era o centro estratégico, pois era a transição entre o Norte e o Sul. Se os militares portugueses tivessem vencido as batalhas nessa região, eles poderiam ter permanecido com Pernambuco, Piauí, Pará e Maranhão. O Norte do Brasil se tornaria um país separado e avançar sobre o Sul, na tentativa de retomar tudo. Não foi o que aconteceu. Portanto, pode-se deduzir que nossa independência foi consolidada na guerra. Um desfecho distinto dessas batalhas mudaria radicalmente o rumo da história.

Fonte: Crusoé

quarta-feira, 4 de maio de 2022

EDITOR DO PORTAL PARTICIPA DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

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Editor do portal realiza conferência em Portugal sobre os 200 anos da independência do Brasil


Na última semana o editor do portal Carlos Daróz-História Militar participou, como conferencista, do Seminário Internacional 200 anos da Independência do Brasil, organizado em Lisboa, pela Direção de História e Cultura Militar do Exército Português e pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército Brasileiro.

No seminário, três historiadores de cada país apresentaram resultados de suas pesquisas, abrangendo diferentes olhares sobre o tema. 

O editor do portal Carlos Daróz-História Militar na Direção de História e Cultura Militar do Exército Português


O editor do portal Carlos Daróz-História Militar apresentando sua conferência


Coube ao editor do portal discutir, à luz da História Comparada e da teoria do poder militar, os processos de emancipação política das colônias ibéricas nas Américas.

Diploma de amigo da Direção de História e Cultura Militar do Exército Português


Medalhão ofertado pelo Exército Português

Na ocasião, Carlos Daróz foi agraciado com o diploma de amigo da Direção de História e Cultura Militar do Exército Português, e recebeu outras condecorações.  


sábado, 23 de abril de 2022

SEMINÁRIO INTERNACIONAL 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

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Na próxima semana o editor do portal Carlos Daróz-História Militar estará em Portugal para participar, como um dos representantes do Brasil, no Seminário internacional 200 anos da Independência do Brasil, evento organizado em conjunto pelos exércitos português e brasileiro.

Para quem tem interesse pelo tema, fica o convite para acompanhar o seminário virtualmente.

Maiores informações no link 


quinta-feira, 5 de agosto de 2021

I SEMINÁRIO INTERNACIONAL "INDEPENDENCIAS LATINOAMERICANAS: UNA MIRADA DESDE LA HISTORIA MILITAR"

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Comemorando o bicentenário do Exército do Peru, o Instituto de Estudios Históricos del Ejército del Perú-CPHEP promove na próxima semana o I Seminário Internacional "Independencias hispanoamericanas: una mirada desde la historia militar".

Contando com a participação de pesquisadores de todos os países da América do Sul, o editor do Blog Carlos Daróz-História Militar representará com muito orgulho o Brasil com a comunicação "Um nuevo ejército para un nuevo país: el soldado brasileño en la guerra de la independencia", pesquisa no âmbito da história social que desenvolvi tendo como objeto as forças do nascente exército brasileiro no contexto da emancipação política do Brasil.

Para quem gosta de História Militar, uma excelente dica.





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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CONTRA-ALMIRANTE JAMES NORTON

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* 9/6/1798 - Newark-upon-Trent, Inglaterra

+ 20/8/1835 - ??


James Norton foi um oficial naval britânico que participou como combatente e comandante da marinha brasileira durante a Guerra da Cisplatina.

Ingressou na marinha britânica em 1802, tomando parte nas guerras napoleônicas, sob o comando do almirante Edward Pellew. Com a independência do Brasil, D. Pedro I iniciou a formação de uma poderosa marinha, contratando os serviços do Lorde Thomas Cochrane, tendo enviado Felisberto Caldeira Brant à Grã-Bretanha para recrutar oficiais, entre eles James Norton.

Com o início da guerra Cisplatina, foi enviado ao Rio da Prata, comandando a fragata Niterói. Logo depois assumiu o comando da segunda divisão, conduzindo um bloqueio exitoso sobre o rio da Prata, que levou as finanças públicas argentinas ao limite do colapso, apressando o acordo de paz que deu fim à guerra, apesar das derrotas brasileiras em terra. Comandou a marinha do Brasil na batalha de Monte Santiago.

Fragata Niterói, no comando da qual James Norton seguiu para a campanha da Cisplatina

Terminada a guerra, foi nomeado cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro, e recebeu também a Imperial Ordem da Rosa. Em 17 de outubro de 1829 foi promovido a chefe de divisão, com o posto de contra-almirante.

Sua viúva, Eliza Bland, publicou em 1837 uma pequena obra, intitulada A noiva do Brasil (The Brazilian Bride)O entusiasmo do casal pelo novo país, segundo o historiador britânico Brian Vale, é revelado por alguns dos nomes dados aos seus filhos: Fletcher Carioca, Fredrick da Prata e Maria Brasília.

Fontes:
- NORTON, Eliza Bland Erskine. The Brazilian Bride. In: The ladies' scrap-book, 1845.
- The Naval Review, Vol. XXXIX, N° 3, 1951
- GALSKY, Nélio. Mercenários ou libertários: as motivaçoes para o engajamento do Almirante Cochrane e seu grupo nas lutas da independência do Brasil, Universidad Federal Fluminense, Niterói, 2006
- CUTOLO, Vicente Osvaldo. Nuevo diccionario biográfico argentino (1750-1930). Editorial Elche, 1968.
- CARRANZA, Angel Justiniano. Campañas Navales de la República Argentina. Buenos Aires: Talleres de Guillermo Kraft Ltda., 1962.
- ARGUINDEGUY, Pablo; RODRÍGUEZ, Horacio. Buques de la Armada Argentina 1810-1852 sus comandos y operaciones. Buenos Aires: Instituto Nacional Browniano, 1999.
- Wikipedia.



sexta-feira, 20 de julho de 2018

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - MARECHAL JOAQUIM DE OLIVEIRA ÁLVARES



* Ilha da Madeira, Portugal -19/11/1776

+ Paris, França - ??/??/1835


Nascido na Ilha da Madeira, Portugal, Joaquim de Oliveira Álvares foi um dos  primeiros generais do Exército Brasileiro, formado logo após a independência do Brasil, e o primeiro Ministro da Guerra do novo imperador D. Pedro I.

Completou seus estudos preparatórios na Inglaterra, depois frequentou a Universidade de Coimbra, onde formou-se em matemática e filosofia, e de lá saiu para alistar-se na marinha.

Após combates com a esquadra francesa de Napoleão Bonaparte, foi feito prisioneiro, mas conseguiu escapar, alistando-se, então, no exército. Transferido em 1804 para o Brasil, como capitão de artilharia da Legião de Voluntários de São Paulo. Em 1807, promovido a major comandante desta legião, foi transferido para o Rio Grande do Sul, onde ascendeu ao posto de tenente-coronel em 1810.

Participou das campanhas de 1811 e 1812, sendo promovido a coronel e depois a brigadeiro, em 1814.  Comandou as forças de cavalaria, que na Guerra contra Artigas, venceram as tropas inimigas na Batalha de Carumbé, derrotando a José Antonio Berdún, e participando depois da Batalha de Catalão.

Acabada a guerra, adoentado, mudou-se para Santa Catarina, em 1820, e depois para o Rio de Janeiro. Em 7 de janeiro de 1822 foi promovido a marechal. No Rio de Janeiro foi membro do 'Clube Conspirado', o qual também frequentavam Joaquim da Rocha Nóbrega, Francisco Maria Gordilho Veloso de Barbuda, apoiando D. Pedro I na Independência do Brasil.


Ofício de Joaquim de Oliveira Álvares à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil, 1823 



Em 11 de janeiro de 1821, dois dias após o Dia do Fico, comandou as tropas locais que resistiam às tropas portuguesas do general Avilez, que queriam que D. Pedro I cumprisse o decreto de D. João VI e retornasse à Europa, para aprimorar sua educação. Logo em seguida foi nomeado ministro da Guerra, cargo que exerceu entre 16 de janeiro de 1821 a 27 de julho de 1822, tendo deixado o ministério por motivo de doença. Retornou ao ministério, entre 24 de julho de 1828 e 4 de agosto de 1829, tendo negociado um tratado de paz com a Argentina. 


Em fevereiro de 1829 uma revolta em Pernambuco foi prontamente sufocada, entretanto, por exageros no relatório do presidente da província, tanto o Ministro da Guerra, quanto o da Justiça, tomaram ações excessivas contra a pretensa rebelião. Álvares criou um tribunal militar para julgar os envolvidos, ação pela qual foi depois acusado de não respeitar a Constituição, que não permitia tribunais excepcionais e extraordinários, e, após extensos debates, foi depois inocentado.


Foi eleito deputado provincial pelo Rio Grande do Sul, na segunda legislatura. Em 1830 partiu para Londres para receber uma herança que lhe tinha recebido de seu irmão, que lá era negociante. Da herança gastou 80 mil libras na compra de títulos brasileiros, valorizando os títulos em Londres. Também avisou o governo brasileiro que poderia atrasar o seu pagamento de dividendos, caso necessário, que não tomaria nenhuma ação a respeito.


Adoentado na Europa, mudou-se para Paris, onde faleceu em 1835, sendo sepultado no Cemitério do Père-Lachaise.


Recebeu a comenda da Imperial Ordem de Avis, e depois foi nomeado oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, em 1825 e grã-cruz da recém criada Imperial Ordem da Rosa, em 1829.




Fontes:

- DARÓZ, Carlos Roberto.  A milícia em armas: o soldado brasileiro da guerra de independência. Anais do XXXVII Congresso Internacional de História Militar, Rio de Janeiro, 2011. 
- SILVA, Alfredo P.M. Os Generais do Exército Brasileiro, 1822 a 1889. Rio de Janeiro: M. Orosco & Co, 1906, vol. 1.

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL CASTRIOTO

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* ??/??/????  - Niterói-RJ

+ ??/??/????  - Niterói-RJ


João Nepomuceno Castrioto ingressou cedo na vida militar, seguindo carreira no Exército Brasileiro até o posto de capitão, quando, servindo com Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, foi indicado para comandar a recém criada Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Foi companheiro de longa data de Caxias, tendo seu batismo de fogo ocorrido na Bahia, junto com aquele que seria o patrono do Exército. Em 3 de junho de 1835, o capitão Castrioto, que já se havia distinguido na Guerra da Independência e da Cisplatina, foi nomeado Comandante Geral, exercendo este cargo por mais de vinte e cinco anos, quando foi reformado em 14 de março de 1861, sendo substituído pelo capitão Thomaz Gonçalves da Silva.

Nesse período em que comandou a força policial e nos tempos seguintes, durante trinta e quatro anos, foi deputado provincial da Rio de Janeiro pelo Partido Conservador. Ao término de sua carreira alcançou o posto de marechal, tendo recebido ao longo da mesma a Ordem de São Bento de Avis, no grau de comendador; do Cruzeiro, no grau de cavaleiro; e da Rosa; e a medalha da Guerra da Independência.

Atuou, como comandante da polícia, no combate ao tráfico de escravos no litoral da província fluminense e na pacificação das províncias de São Paulo e Minas Gerais quando das Revoltas Liberais contra o governo imperial, controlado por conservadores. Com a falta de efetivo do exército, agravada pela desmobilização ocorrida durante o período das regências, o Império teve de recorrer às províncias que se alinhavam politicamente consigo, tendo a frente o Rio de Janeiro, que resolveu enviar tropas no dia 20 de agosto daquele ano para a pacificação de ambas as províncias, resultando na emancipação da Província do Paraná. À frente da tropa, para o combate com os paulistas, estava Castrioto.

Com seu nome foi batizado o espadim que era entregue aos cadetes da Escola de Formação de Oficiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, entre 1958 e 1975 e atualmente denomina o quartel do 4º Comando de Policiamento de Área e uma medalha concedida por aquela corporação, além de escolas e logradouros públicos.

Aquartelamento do 4º Comando de Policiamento de Área da PMERJ em Niterói-RJ


Após reformar-se no posto de brigadeiro, recolheu-se à Fazenda de Sant'Anna, cuja sede ficava no bairro de mesmo nome em Niterói, para cuja capela cogitou-se transferir a igreja da freguesia de São Lourenço. Seu filho Carlos Frederico Castrioto foi deputado provincial e do Império, ministro da Marinha e senador da República.

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domingo, 30 de julho de 2017

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - CAPITÃO-DE-FRAGATA LUÍS BARROSO PEREIRA

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* ??/??/1786 - Minas Gerais

+ 27/04/1826 - Montevidéu, Uruguai


O Capitão-de-Fragata Luís Barroso Pereira, era filho do Desembargador Antônio Barroso Pereira e de dona Maria Inácia de Castro Sampaio, nasceu em Minas Gerais, em 1786. Mandado para Lisboa, matriculou-se aos 15 anos de idade na Real Academia dos Guardas-Marinha.  Ao concluir o curso, demonstrou, de imediato, “as suas belas qualidades de oficial hábil e inteligente.”

Distinguiu-se pelo seu zelo e galhardia, quando, no comando de algumas barcas-canhoneiras, prestou inestimáveis serviços na guerra da península, principalmente em Santarém, quando ai se achava o General francês Massena. Em 1816, regressou ao Brasil, fazendo parte da esquadra que sob o mando de José Rodrigo Lôbo dirigia-se à Banda Oriental, transportando as tropas do General Lecor (Voluntários Reais), com o fito de combater Artigas.  Depois de desembarcar as tropas em Santa Catarina a esquadra seguiu para o Rio da Prata onde estacionou. 

Após a vitória de India-Muerta, Lecor entrou triunfalmente em Montevidéu. Precisava ele enviar a Buenos Aires um comissário que tratasse com esse governo de assuntos importantíssimos, concernentes à guerra na Banda Oriental. Era mister que o encarregado dessa missão possuísse, a par da habilidade, circunspeção, prudência e ilustração. O Almirante Lôbo enviou ao General o jovem Barroso, dizendo-lhe que não encontraria, nem no Exército nem na Esquadra, oficial mais inteligente, hábil e probo. Depois de receber Instruções do General Lecor, Barroso Pereira dirige-se a Buenos Aires, onde saiu-se muito bem, graças a seu trato afável e sua bela educação. Conservou-se algum tempo em Buenos Aires, retirando-se depois para o Rio de Janeiro.

Com a proclamação da Independência, embarcou na Fragata Nichteroy como seu imediato, e, com Lorde Cochrane, partiu para a Bahia, a fim de combater a esquadra portuguesa, que se rebelou contra o novo governo. Destacou-se no combate de 4 de maio de 1823.

Taylor culminou de elogios o seu imediato, e como recompensa dos seus serviços, Barroso Pereira recebeu o Oficialato da Imperial Ordem do Cruzeiro, sendo nomeado para comandar a Fragata Imperatriz, que se achava no Pará.  Tomou parte na pacificação de Pernambuco.

Regressando ao Rio de Janeiro, ai se achava ele, quando irrompeu a Guerra da Cisplatina.
Comandando a fragata Imperatriz, foi enviado para Montevidéu a fim de garantir as Província Unidas do Prata. Nessa luta, voltou a demonstrar a sua desmedida bravura.

A esquadra argentina, sob o comando, do Almirante William Brown, não cessava de hostilizar as forças brasileiras, atacando a Colônia do Sacramento e Montevidéu. Brown alimentava a ideia de capturar um navio brasileiro, mesmo no seio da nossa esquadra. Pretendia, sobretudo, aprisionar a Nichteroy, comandada por Norton, seu rival em audácia.

Para isso, com seis dos seus melhores navios, foi fundear junto ao banco Ortiz; posteriormente, fez-se de vela e penetrando durante a noite entre os navios ali fundeados, procurou a Nichteroy e, ao invés dela, atacou a Imperatriz “que se achava distante dos demais e com o aparelho arriado para refrescar.”

Brown enganara-se; não era Norton o rival com quem ia medir-se, mas outro não menos digno, o Capitão-de-Fragata Luis Barroso Pereira. Depois de um rude combate que durou uma hora e um quarto, a fragata Imperatriz repele o inimigo.  

O navio transporte de tropa Barroso Pereira (G-16) foi batizado em homenagem ao comandante da fragata Imperatriz, morto na Cisplatina


Mortalmente ferido, ao tombar, ainda teve uma palavra de incentivo aos seus camaradas, quando gritou: “Não foi nada camaradas! Ao Fogo!”  Muitos foram os esforços para salvá-lo. Poucos momentos depois expirou. Era o dia 27 de abril de 1826.

Em homenagem a Luís Barroso Pereira, o navio de transporte de tropas Barroso Pereira - G-16 foi o primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome. Foi construído pelo estaleiro Ishikawajima Heavy Industries Co. Ltd., em Tóquio, no Japão. Teve sua quilha batida em 13 de dezembro de 1953, foi lançado ao mar em 7 de agosto de 1954, e entregue à Marinha do Brasil em 1° de dezembro de 1954, sendo incorporado em 22 de março de 1955. Em 3 de abril de 1995 deu baixa do serviço ativo.

Fontes:
- ANDRÉA, Júlio. A Marinha Brasileira: florões de glórias e de epopeias memoráveis. Rio de Janeiro, SDGM, 1955.
- NOMAR - Notícias da Marinha, Rio de Janeiro, SRPM, n.º 541, set. 1988.
- Biografia de Luís Barroso Pereira, de autoria do Barão do Rio Branco.


segunda-feira, 26 de março de 2012

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL JOÃO JOSÉ DA CUNHA FIDIÉ




* Fins do século XVIII

+ 1856


João José da Cunha Fidié assentou praça como cadete no Exército Português, em Janeiro de 1809, no Regimento de Infantaria nº 10. Participou da Guerra Peninsular, tomando parte nas batalhas do Buçaco, Albuera, Vitória, Pirinéus, Nivelle, Nive, Orthez e Tolouse, assim como nos sítios de Olivença e Badajoz.

Ofereceu-se para embarcar na Divisão dos Voluntários de El-Rei que seguiu para Montevideu, na então Província Cisplatina, no Brasil, mas não foi admitido por ser tenente ainda moderno. Em 1817 embarcou para o Brasil uma Divisão Portuguesa e, como o seu regimento não havia sido nomeado para essa expedição, trocou com um oficial do Regimento de Infantaria nº 15, conseguindo assim partir para a América do Sul, onde serviu entre 1817 e 1818. Em seguida, serviu como ajudante de ordens do governador da ilha da Madeira, em 1819 e 1820.

A 9 de dezembro de 1821 foi nomeado como Governador das Armas da Província do Piauí. Em junho de 1822, com seus oficiais, partiu de Lisboa na charrua Gentil Americana, comandada pelo capitão-de-fragata Joaquim Manuel Mendes, chegando ao Piauí no dia 8 de agosto de 1822 e tomando posse no dia seguinte.

Em 13 de novembro de 1822, às 10h00min horas, o major João José da Cunha Fidié, Governador das Armas, com tropas de 1ª e 2ª Linha e o Batalhão de Infantaria da guarnição da capital partiu de Oeiras em marcha acelerada para sufocar o movimento de Independência proclamado na Vila São João da Parnaíba. No dia 18 de dezembro de 1822 entrou com sua tropa na Vila São João da Parnaíba, encontrando as ruas desertas tendo em vista que o povo se trancara em suas casas e ninguém ousou em sair para recebê-lo. Arrastando a artilharia e demais apetrechos de guerra percorreu as ruas desertas e mandou a tropa ficar perfilada em formação no Largo da Matriz com frente à Casa da Câmara para onde logo se dirigiu e dela exigiu a imediata renovação do juramente de fidelidade a D. João VI.

Tomando conhecimento da adesão de Oeiras ao movimento brasileiro e a proclamação em Campo Maior por Leonardo de Carvalho Castelo Branco, resolveu o major Fidié deixar a Vila São João da Parnaíba no dia 1º de março de 1823 e marchar sobre a capital piauiense. Antes de sair expulsou todo o povo da vila enquanto os marinheiros do brigue Infante D. Miguel saqueavam as alfaias e dinheiro das igrejas, as jóias, o cofre dos Órfãos e os livros do Senado da Câmara.

No dia 13 de março de 1823 o major João José da Cunha Fidié enfrentou as tropas brasileiras às margens do riacho Jenipapo, de onde saiu vitorioso. Atendendo a pedido do Senado da Câmara de Caxias, entra nessa vila a 17 de abril de 1823. De lá poderia refazer sua força militar e marchar sobre Oeiras. Em Caxias enfrenta tropas brasileiras, saindo-se novamente vitorioso, e lá permaneceu, fortificando-se no Monte Tabocas aguardando auxílio da capital maranhense e de Portugal.

Batalha do Jenipapo, da qual Fidié saiu-se vitorioso

Cercada novamente Caxias por tropas brasileiras, a população decide pela capitulação depois de uma reunião com o Senado da Câmara. Desgostoso com essa atitude Fidié demitiu-se do cargo e passou o comando ao tenente-coronel Luís Manoel de Mesquita. No dia 1º de agosto de 1823 o major João José da Cunha Fidié rendeu-se. Preso foi enviado oito meses depois entre uma escolta para Oeiras, sendo depois transferido para a Bahia e de lá passando ao Rio de Janeiro onde ficou encarcerado encarcerado na Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegagnon até que o Imperador Pedro I lhe concedeu a liberdade, permitindo que regressasse a Portugal.

Em 1825 foi nomeado primeiro comandante do Real Colégio Militar e, por vezes, durante a ausência do diretor, ficou encarregado da direção daquele estabelecimento até que, saindo de Lisboa, e apresentando-se no Porto ao duque de Bragança, foi por ele nomeado subdiretor do arsenal daquela cidade.

Regressando depois a Lisboa, foi diretor efetivo do Real Colégio Militar, cargo que exerceu de 1837 a 1848, ano em que obteve a sua exoneração. Reformou-se em 1854 no posto de tenente-general e faleceu dois anos mais tarde.

 
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domingo, 26 de dezembro de 2010

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL POLIDORO

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* 02/11/1800? - São Miguel da Terra Firme-SC

+ 13/01/1879 – Rio de Janeiro-RJ


Filho do Coronel João Florêncio Jordão, Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão nasceu em São Miguel da Terra Firme, Santa Catarina, no dia 2 de novembro de 1800. Após concluir o curso de humanidades, assentou praça em 7 de fevereiro de 1824, como Cadete da Escola Militar. Promovido ao posto de alferes em 1824, tenente em 1825 e capitão em 1827, integrou o Imperial Corpo de Engenheiros na Guerra dos Farrapos, sob as ordens do então Barão de Caxias. Como capitão do 1° Corpo de Artilharia de Posição, foi nomeado juiz de uma comissão, formada em 1831, para examinar os estrangeiros no Exército e na Armada que não haviam aderido à nacionalidade brasileira.

Foi promovido ao posto de major em julho de 1837, tenente-coronel em 1841 e coronel em 1851. Neste último ano, o Coronel Polidoro teve atuação notável na implantação do telégrafo no País.


Na Guerra da Tríplice-Aliança

Em 1856, foi promovido a Brigadeiro, tendo ocupado a Pasta da Guerra em 1862, no Gabinete do Marquês de Olinda. Quando irrompeu a Guerra da Tríplice-Aliança, foi solicitada pelo general Osório, comandante-chefe do Exército Imperial no Teatro de Operações, a nomeação de um oficial de confiança que pudesse substituí-lo em seus impedimentos. Foi então o General Polidoro nomeado pelo governo, não somente para os impedimentos de Osório, mas também para substituir o visconde de Porto Alegre no comando do 2° Corpo de Exército.

Tão logo chegou ao Paraguai, com o aumento dos padecimentos do General Osório em decorrência de ferimento recebido, assumiu o comando do 1° Corpo, iniciando seus trabalhos por ocasião da Batalha de Curupaití, onde as forças sob seu comando enfrentaram com heroísmo a metralha do inimigo acorbertado por entricheiramentos inacessíveis.

Após a guerra foi, por muitos anos, diretor da Escola Militar do Rio de Janeiro.


Homenagens

Polidoro recebeu do Imperador Pedro II o título nobiliárquico de Visconde de Santa Teresa. Foi condecorado com a grã-cruz da Imperial Ordem de São Bento de Avis, dignitário da Ordem do Cruzeiro, comendador da Imperial Ordem da Rosa, com as medalhas do Mérito e Bravura Militar e a da Guerra do Paraguai.

Fachada do 13º Grupo de Artilharia de Campanha, Grupo General Polidoro


Seu nome foi dado à antiga rua Berquó, no bairro carioca de Botafogo, uma das mais tradicionais da cidade do Rio de Janeiro, em memória a seus serviços prestados, em sessão da câmara municipal.

Por intermédio da Portaria Ministerial nº 283, de 15 de março de 1995, o 13º Grupo de Artilharia de Campanha do Exército Brasileiro, com sede em Cachoeira do Sul-RS, recebeu a designação histórica de Grupo General Polidoro.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – VICE-ALMIRANTE JOHN PASCOE GRENFELL

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* 30/09/1800 - Battersea, Inglaterra

+ 29/03/1869 – Liverpool, Inglaterra


John Pascoe Grenfell foi um militar inglês a serviço do Império Brasileiro. Filho de John G. Grenfell e Sofia, aos onze anos de idade ingressou na Companhia Britânica das Índias Orientais, a serviço da qual fez diversas viagens à Índia. Em 1819 passou a servir como tenente sob as ordens de Thomas Cochrane, participando das lutas da Guerra de Independência do Chile, inclusive o corte do Esmeralda, onde foi gravemente ferido.

Em 1823 acompanhou Cochrane ao Império do Brasil, já no posto de comandante, juntamente com outros oficiais e soldados europeus, para tomar parte nas lutas da Guerra da Independência do Brasil (1822-1823).

Comissionado como primeiro-tenente, partiu do Maranhão, comandando o brigue Maranhão da Marinha do Brasil, e conseguiu a adesão da Província do Pará ao Império. No exercício dessa comissão, fuzilou cinco paraenses no Largo do Palácio, em 17 de outubro de 1823, tendo mesmo chegado a amarrar, à boca de um canhão, o cônego Batista Campos, que, graças à interferência de amigos, foi salvo da morte. De todos os crimes que lhe foram imputados, o mais célebre foi a chamada "tragédia do brigue Palhaço", onde foram vitimados 256 prisioneiros, detidos no porão daquela embarcação no porto de Belém.

Em 1824, deixou o Pará e, embora houvesse ordem de prisão contra ele, conseguiu escapar. Habilidoso, ofereceu mais uma vez os seus serviços ao Imperador, desta vez para combater os revoltosos republicanos da Confederação do Equador, em Pernambuco. Após derrotá-los, retornou ao Rio de Janeiro, onde, julgado em Conselho de Guerra, foi absolvido de seus crimes.

Posteriormente serviu na Guerra Cisplatina em 1826, tendo participado de combates em Buenos Aires, onde veio a perder o seu braço direito. Retornou para a Inglaterra para restabelecer a sua saúde, voltando ao Brasil em 1828. Em 1829 casou-se com Maria Dolores Masini, em Montevidéu, com quem teve vários filhos.

Brigue da Marinha Imperial brasileira

Durante o Período Regencial foi destacado, em 1836, para reprimir a Revolução Farroupilha, no sul do país. Nomeado comandante das forças navais estacionadas no Rio Grande do Sul, comandou a esquadra imperial na Batalha do Fanfa, à frente de dezoito navios de guerra, escunas e canhoneiras. A esquadra bloqueou o lado sul da ilha do Fanfa, no Rio Jacuí, enquanto que as tropas sob o comando de Bento Manuel fechavam o cerco por terra. Ao final da batalha renderam-se ou foram capturadas várias importantes lideranças farroupilhas: Bento Gonçalves da Silva, Tito Lívio Zambeccari, Pedro Boticário, José de Almeida Corte Real, José Calvet, entre outros.

Em 1841 foi nomeado vice-almirante e, em 1846, cônsul geral do Brasil em Liverpool. Retornou ao Brasil quando da Guerra contra Oribe e Rosas, nomeado comandante-em-chefe das forças navais brasileiras na bacia do Rio da Prata, destacando-se na Passagem de Tonelero.

Em 1852 reassumiu as funções de cônsul na Inglaterra, onde veio a falecer, em 1869.

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