"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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quarta-feira, 20 de julho de 2022

EDITOR DO PORTAL PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE ARTILHARIA NA UNIVERSIDAD SIMÓN BOLÍVAR, VENEZUELA

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No último dia 13, o editor do portal Carlos Daróz-História Militar participou do interessante seminário organizado pela Universidad Simón Bolívar, em Caracas, que teve como tema a evolução da Artilharia na América Ibérica.


O evento teve como tema central La Artillería: 4 miradas desde la historia iberoamericana, organizada pelo seminário "Caudillo, Ditador e Força Armada em Venezuela 1830-1958", dirigida pelo Prof. Germán Guia do Departamento de Formação Geral e Ciências Básicas. 

A tertúlia foi patrocinada acadêmica e logisticamente pelo Instituto de Investigações Históricas Bolivarium e pelo Funindes.

Participaram da reunião os seguintes professores, com a exposição dos respectivos temas:

- Carlos Daroz (Brasil): "A artilharia brasileira na defesa do Arquipélago de Fernando de Noronha durante a II Guerra Mundial";

- Germán Guia (Venezuela, USB): "A organização, a tática e as tentativas de profissionalizar a Artilharia Costeira Raiada Venezuelana, 1875-1877";

- Luis Eduardo González (México): "Os Sistemas de Artilharia de Mondragón";

- Alberto Castro (Peru): "O Quartel Santa Catalina e sua relevância na história da artilharia peruana".



Junto ao Prof. Germán Guia, na moderação da tertúlia esteve o Prof. Cristian Garay (Universidade do Chile, Instituto de Estudos Avançados)

Para quem gosta do assunto, segue o link para o vídeo do evento.







quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

JOSÉ SABAS LIBORNIO, O MÚSICO DA BANDEIRA PERUANA

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Depois do Hino Nacional, a 'Marcha das Bandeiras' é uma das composições mais emocionantes existentes no Peru.

Por Lilia Córdova Tábori


Filho de professor e bordador, José Sabas Libornio Ibarra nasceu em Manágua (Filipinas) em 5 de dezembro de 1855, quando essas terras ainda estavam sob domínio espanhol.

Cativado pela música, José iniciou seus estudos no Colégio Geral de Música de Santa Cecília, em Manila. Ele era um excelente aluno graduando com uma licenciatura por ter as melhores notas. José Sabas Libornio foi considerado um dos melhores saxofonistas do seu tempo. Entre 1873 e 1875 dirigiu a Faixa Cívica da Espanha em Manila. Ele começou a viajar pelo mundo e estabeleceu-se em Honolulu, onde foi diretor da Royal Hawaiian Band, com a qual continuou viajando pela Europa e América.


Sua chegada ao Peru

Em 1895, o presidente do Peru, Nicolás de Piérola, planejava reorganizar o Exército, incluindo não apenas o aspecto militar, mas também o aspecto musical. É por isso que ele contratou o famoso mestre Libornio.

Após a sua chegada ao país, o músico foi incorporado ao Exército com o posto de Capitão e nomeado Diretor Geral da Banda do Exército. Libornio encomendou a compra de instrumentos e selecionou os integrantes da banda. Seus alunos aprenderam não apenas os acordes musicais, mas também como cuidar dos instrumentos. Libornio destacou-se pelo seu empenho e dedicação. O professor adotou o Peru como sua segunda pátria, onde formou família com sua esposa María Estrada e seus cinco filhos.


Uma marcha para os peruanos

Parecia a José Sabas Libornio que uma marcha deveria prestar homenagem à bandeira peruana. Até aqueles momentos, o Hino Nacional era cantado em missas, cerimônias militares e quando o ato oficial era apresentado. Libornio expressou sua ideia ao Presidente Piérola, que o encorajou a seguir em frente. No dia 9 de dezembro de 1897, na missa em honra da Batalha de Ayacucho, a chegada do presidente foi qualificada pela famosa marcha. Libornio foi promovido ao posto de Sargento Major.

A "Marcha das Bandeiras" entrou em vigor como "Marcha Nacional Peruana", de 17 de dezembro de 1897. No governo de Augusto B. Leguia foi convocada para ser chamada de "Marcha das Bandeiras" e realizada em eventos oficiais. no momento de ser içado o Pavilhão Nacional. Além disso, a "Marcha das Bandeiras" anuncia a chegada do Presidente do Peru em atos religiosos como a Missa Te Deum.

Durante os 20 anos de serviço no exército Jose Sabas Libornio compôs outras grandes marchas, como El Morro, Meu país, Esquadrão peruana Huamachuco, Coronel La Puente, entre outras. Ele também foi cativado pela música crioula e escreveu valsas, como Hotensia, Orquídeas, dentre outras.

O maestro José Sabas Libornio, filipino de nascimento e peruano de coração.


José Sabas Libornio morreu aos 60 anos em 9 de dezembro de 1915. Uma multidão reuniu-se em sua casa, localizada no bairro de Huancavelica, para despedir-se do músico filipino, mas de coração peruano.

Fonte: El Comercio



sábado, 13 de maio de 2017

SIMÓN BOLÍVAR DERROTA OS ESPANHÓIS NA VENEZUELA

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Em 24 de junho de 1821, Simón Bolívar comandou o exército de rebeldes sul-americanos que derrotou os espanhóis em Carabobo, perto de Caracas, na principal batalha pela independência do país.


Por Norbert Ahrens


A luta pela independência das colônias e vice-reinos espanhóis na América do Sul já durava 12 anos quando o rei da Espanha, Fernando VII, decidiu enviar reforço europeu para as suas tropas, no início de 1821. O inimigo a ser derrotado chamava-se Simón Bolívar, comandante que superava os espanhóis em determinação e, se necessário, em brutalidade.

Oriundo de família aristocrata criolla, José Antonio de la Santíssima Trindad Simón Bolívar y Palácios (1783-1830) ficou conhecido como El Libertador das colônias espanholas da América do Sul. Educado por um discípulo de Jean-Jacques Rousseau, passou a juventude na Espanha e França, onde acompanhou movimentos revolucionários.


"Guerra até a morte"

Ele retornou à Venezuela em 1807 e iniciou atividades anticoloniais clandestinas. Em 1813, entrou com suas forças em Caracas, onde foi recebido como libertador, mas em seguida enfrentou oposição, sendo levado a refugiar-se na Jamaica. Lá escreveu a célebre Carta da Jamaica, em que expôs as razões da emancipação americana.

De volta ao continente, obteve brilhantes vitórias militares e tornou-se capitão-geral dos revolucionários no norte da América do Sul. Na manhã de 24 de junho de 1821, comandou 5 mil patriotas e um pequeno batalhão de soldados britânicos que enfrentaram cerca de 7 mil espanhóis na planície de Carabobo, cerca de 100 quilômetros a sudoeste de Caracas, na principal batalha pela independência da Venezuela.

Simón Bolivar, El Libertador


Segundo Salvador de Madariaga, historiador espanhol, o exército da Espanha controlava Carabobo e o vale por onde os separatistas queriam chegar à planície. Bolívar foi informado, porém, da existência de uma trilha pouco usada, por onde enviou, sua cavalaria. Comandada pelo major José Antonio Páez, esta surpreendeu os espanhóis pelas costas, exatamente no momento em que Bolívar os atacava pela frente. Os espanhóis entraram em pânico e fugiram para não se tornar prisioneiros de guerra.


Consagração do mito

Cinco dias depois, El Libertador entrou pela segunda vez vitorioso em Caracas. A batalha de Carabobo consolidou o mito de Simón Bolívar, mas ainda seriam necessários mais cinco anos de lutas até a vitória decisiva sobre os espanhóis.

A revolta contra a metrópole fora desencadeada pela Revolução Francesa e foi favorecida pela ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte. "Nesse outono do reinado espanhol, governadores e vice-reis começaram a cair como folhas secas", escreveu Madariaga.

À frente de seu exército, Bolívar atravessou a Cordilheira dos Andes, tomou Bogotá e proclamou a República da Colômbia (união da Venezuela e Nova Granada), da qual foi eleito presidente. Ele comandou também as guerras de independência do Equador, Peru e Bolívia. Em 1826, era o chefe supremo do Peru e acumulava a presidência da Colômbia e da Bolívia.

Embora admirasse pessoalmente os feitos militares de Bolívar, o monarquista Madariaga não perdoou que o "Libertador tenha derrubado o império espanhol".

A máxima de Bolívar — "guerra até a morte" — foi uma realidade constante em sua vida. Em 1830, diante dos conflitos separatistas internos, abandonou o poder e se retirou para Santa Marta, na Colômbia, onde morreu de tuberculose antes de completar 48 anos. Santa Marta havia sido exatamente a cidade que por mais tempo permanecera fiel à coroa espanhola.


Sonho de um bloco hispânico unido

"A América é nossa pátria. Nossos inimigos são os espanhóis. Nossa bandeira é a independência; nosso objetivo, a liberdade." Assim Bolívar sintetizava seu pensamento libertário. Seu grande sonho era criar uma nação latino-americana que integrasse os hispano-americanos com os luso-americanos, como um bloco equivalente à América Saxônica. Mas morreu sem ver realizado esse sonho: a América Hispânica dividiu-se num grande número de pequenas de nações.

Em seus últimos dias de vida, Bolívar só colheu decepções, como descreve Eduardo Galeano, no livro As caras e as máscaras. "Nas ruas de Lima estão queimando sua Constituição os mesmos que lhe tinham dado de presente uma espada cheia de diamantes. Aqueles que o chamavam ‘Pai da Pátria’ estão queimando sua efígie nas ruas de Bogotá. Em Caracas, o declaram, oficialmente, ‘inimigo da Venezuela’. Lá em Paris publicam artigos que o infamam; e os amigos que sabem elogiá-lo não sabem defendê-lo... Bolívar, pele amarela, olhos sem luz, tiritando, delirando, baixa pelo Rio Magdalena rumo ao mar, rumo à morte."


Fonte: DW


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NAPOLEÃO E A AMÉRICA ESPANHOLA

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Quando Napoleão invadiu a Espanha, destituiu o rei Fernando VII e colocou seu irmão, José Bonaparte, no trono Espanhol; os espanhóis reagiram pegando em armas. Os criollos, por sua vez, aproveitaram-se do fato de a Espanha estar sem o seu legítimo rei e formaram juntas governativas (governos locais), passando a se autogovernar em várias colônias da América espanhola.

Essas juntas governativas realizaram o antigo sonho dos criollos de comerciar livremente com todos os países. Algumas delas iniciaram o movimento pela independência.

Foram muitas batalhas sangrentas, e as lutas se intensificaram depois que os franceses foram expulsos da Espanha. O rei espanhol Fernando VII reassumiu o trono e enviou milhares de soldados para tentar impedir a independência na América. Para isso, contou com a ajuda dos exércitos da Santa Aliança, que queriam restabelecer a antiga ordem. Apesar de tantas forças contrárias, os latinos conseguiram a vitória.

Na América do Sul, os exércitos de libertação, com um total de 4 mil soldados comandados pelo argentino José San Martin, libertaram inicialmente a Argentina (1816); depois, libertaram o Chile (1818). Em seguida, o "Exército dos Andes" desembarcou na costa peruana, protegido por navios ingleses, e libertou o Peru (1821). A Inglaterra, tinha interesse em conquistar mercados na América.

Um outro exército de libertação, comandado por Simón Bolivar, venceu as forças espanholas sucessivas vezes, libertando a Colômbia (1819), a Venezuela (1819), o Equador (1822) e a Bolívia (1825).


José de San Martin


Reações externas à independência
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Nas lutas para impedir a libertação de suas colônias americanas, a Espanha contou com a ajuda dos exércitos da Santa Aliança. Apesar disso, foi derrotada pelos exércitos latino-americanos, ajudados pela Inglaterra, país que apoiou abertamente a emancipação política da América Latina.
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A Inglaterra colocou-se ao lado dos países latino-americanos principalmente porque desejava ampliar seu comércio com esses países, comprando matérias-primas deles e vendendo-lhes produtos industrializados.

Outro país que apoiou o processo de independência latino-americana foram os Estados Unidos, que desejavam estender sua influência política e econômica sobre toda a América. Prova dessa intenção é a Doutrina Monroe, lançada pelo presidente americano James Monroe em 1823, cujo lema era "a América para os americanos".


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terça-feira, 22 de setembro de 2009

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - SIMÓN BOLÍVAR



* 24/7/1783, San Mateo, Venezuela


+ 17/12/1830, Santa Marta, Colômbia


Um dos maiores vultos da história latino-americana, Bolivar comandou as revoluções que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios y Blanco nasceu na aristocracia colonial. Recebeu excelente educação de seus tutores e conheceu as obras filosóficas greco-romanas e as iluministas.
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Aos nove anos, perdeu os pais e ficou a cargo de um tio. Este o enviou à Espanha, aos 15 anos, para continuar os estudos. Lá, Bolívar conheceu María Teresa Rodríguez del Toro y Alayza, com quem se casou em 1802. Pouco depois de terem voltado para a Venezuela, a esposa morreu de febre amarela. Bolívar então jurou nunca mais casar.
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Em 1804, retornou para a Espanha. Na Europa, presenciou a proclamação de Napoleão como imperador da França e perdeu o respeito por ele, considerando-o traidor das idéias republicanas. Após breve visita aos Estados Unidos, regressou à Venezuela em 1807.
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No ano seguinte, Napoleão provocou uma grande revolução popular na Espanha, conhecida como Guerra Peninsular. Na América, organizações regionais se formaram para lutar contra o novo rei, irmão de Napoleão.
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Caracas declarou a independência, e Bolívar participou de uma missão diplomática junto à Inglaterra. Na volta, fez um discurso em favor da independência da América espanhola. Em 13 de agosto de 1811, forças patriotas, sob o comando de Francisco de Miranda, venceram em Valencia. Mas, no ano seguinte, depois de vários desastres militares, os dirigentes revolucionários entregaram Miranda às tropas espanholas.
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Bolívar escreveu o famoso "Manifesto de Cartagena", sustentando que Nova Granada deveria apoiar a libertação da Venezuela. Em 1813, invadiu a Venezuela e foi aclamado Libertador. Em junho daquele ano, tomou Caracas e, em agosto, proclamou a segunda república venezuelana.

.Em 1819, organizou o Congresso de Angostura, que fundou a Grande Colômbia (federação que abrangia os atuais territórios da Colômbia, Venezuela, Panamá e Equador), a qual nomeou Bolivar presidente. Após a vitória de Antonio José de Sucre sobre as forças espanholas (1822), o norte da América do Sul foi enfim libertado.


Em julho de 1822, Bolívar discutiu com José de San Martín a estratégia para libertar o Peru, mais ao sul. Em setembro de 1823, ele e Sucre chegaram a Lima para planejar o ataque. Em agosto de 1824, derrotaram o exército espanhol. No ano seguinte, Sucre criou o Congresso do Alto Peru e a República da Bolívia (assim batizada em homenagem a Bolívar). Em 1826, Bolívar concebeu o Congresso do Panamá, a primeira conferência hemisférica.
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Em 1827, devido a rivalidades pessoais entre os generais da revolução, eclodiram guerras civis na Grande Colômbia. Em 25 de setembro de 1828, em Bogotá, Bolívar sofreu um atentado, conhecido como "conspiração setembrina", da qual saiu ileso graças à ajuda de sua companheira, Manuela Sáenz. Com a guerra civil de 1829, a Venezuela e a Colômbia se separaram; o Peru aboliu a Constituição bolivariana; e a província de Quito tornou-se independente, adotando o nome de Equador.
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Acuado e tuberculoso, o Libertador morreu no ano seguinte, aos 47 anos de idade.


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