"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



domingo, 8 de maio de 2011

A CARGA DA BRIGADA LIGEIRA





A Carga da Brigada Ligeira foi uma desastrosa ação de cavalaria, dirigida por Lord Cardigan no decorrer da Batalha de Balaclava, em 25 de outubro de 1854, durante a Guerra da Crimeia. Passou para a História como tema do célebre poema The Charge of The Light Brigade, de Alfred Tennyson, cujos versos dizem "Não há nenhuma razão / só há que agir e morrer", fazendo desta carga um símbolo do absurdo da guerra.


Acontecimentos

A carga é considerada como um dos episódios mais heróicos ou mais desastrosos de toda a história militar britânica. Lord James Cardigan realiza uma carga de cavalaria da Brigada Ligeira contra a bem defendida artilharia russa durante a Guerra da Crimeia. Os britânicos combatiam na Batalha de Balaclava quando Cardigan recebeu a ordem de atacar os russos, comandados por Pavel Liprandi. A cavalaria britânica carregou sobre os inimigos sem hesitar, mas foi dizimada pela artilharia russa, sofrendo 40% de baixas em poucos minutos. Posteriormente, soube-se que a ordem foi o resultado de um erro (uma ordem que não foi dada intencionalmente). Lord Cardigan, que sobreviveu à carga, foi considerado um herói nacional na Grã-Bretanha.

Os protagonistas do desastre: Lordes Raglan (a esquerda) e Cardigan


A Brigada Ligeira era formada pelos 4º e 13º Regimentos de Dragões Ligeiros, pelo 17º Regimento de Lanceiros, e pelos 8º e 11º Regimentos de Hussardos, sob as ordens do general Lord Cardigan. Carregaram junto com a Brigada Pesada, formada pelo 4º Regimento de Dragões Irlandeses da Guarda, pelo 5º Regimento de Dragões da Guarda, pelo 6º Regimento de Dragões de Inniskilling e pelo Regimento Scots Greys. Estas unidades eram as principais forças de cavalaria britânicas no campo de batalha. O comando da cavalaria recaía em Lord Lucan.

Lucan recebeu uma ordem do comandante-chefe do exército, Lord Raglan, indicando que «Lord Raglan deseja que a cavalaria avance rapidamente para diante, persiga o inimigo, e tente impedir que retire os seus canhões. A artilharia montada pode acompanhá-la. A cavalaria francesa encontra-se à sua direita. Imediatamente.». Quem levava a ordem era o capitão Nolan, que talvez tenha transmitido informações complementares de viva voz.



Como resposta à ordem, Cardigan dirigiu 673 (ou 661) ginetes diretamente através do vale existente no sopé da colina de Fedyukhin, que mais tarde o poeta Alfred Tennyson denominaria vale da morte. As tropas russas, sob o comando de Pavel Liprandi, eram formadas por aproximadamente 20 batalhões de infantaria com o apoio de mais de cinquenta peças de artilharia. Tais forças estavam distribuídas de ambos os lados e no fundo do vale.

Parece que a ordem de Cardigan se referia à massa de canhões russos existentes em um reduto no fundo do vale, aproximadamente 1,5 km mais longe, enquanto Raglan teria percebido que se referia a um grupo de redutos na outra vertente da colina que formava o lado esquerdo do vale. Aqueles não eram visíveis desde as posições ocupadas pela Brigada Ligeira, colocada na entrada do vale.

A carga da Brigada Ligeira sob o ponto de vista dos russos


A brigada alcançou o contato com as forças russas do fundo do vale, e obrigou-as a fugir do reduto. Sofreu fortes perdas, e foi rapidamente obrigada a recolocar-se. Lucan fracassou na sua missão de apoiar Cardigan, e alguns suspeitam que isso se devia à animosidade que sentia contra o seu cunhado: a Brigada Pesada alcançou o vale, mas não avançou mais. A cavalaria francesa, os Caçadores de África, foram mais eficazes, já que romperam a linha russa da colina de Fedyukin e cobriram os sobreviventes da Brigada Ligeira durante a sua retirada.

Cardigan sobreviveu, e descreveu o combate num discurso na Mansion House, em Londres, que foi registado e amplamente citado posteriormente na Câmara dos Comuns:

"Avançámos por uma encosta gradual de mais de um quilómetro, as baterias vomitavam sobre nós obuses e metralha, com uma bateria à nossa esquerda e outra à nossa direita, e o espaço intermédio cheio de fuzis russos; assim, quando chegámos a 50 metros da boca dos canhões que tinham lançado a destruição sobre nós, estávamos, de facto, rodeados por um muro de fogo, além do dos fuzis no nosso flanco.
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Enquanto subíamos a colina, o fogo oblíquo da artilharia caía sobre a nossa retaguarda, de tal modo que recebíamos um forte fogo sobre a vanguarda, os flancos e a retaguarda. Entramos no espaço da bateria, atravessamo-la, os dois regimentos à cabeça ferindo um grande número de artilheiros russos ao passar. Nos dois regimentos que tive a honra de dirigir, cada oficial, com uma única exceção, foi ou bem ferido, ou morto, ou viu o cavalo que montava morto ou ferido. Estes regimentos passaram, seguidos pela segunda linha, formada por dois regimentos suplementares, que seguiram o seu dever de ferir os artilheiros russos.

Depois veio a terceira linha, formada por outro Regimento, que completou o trabalho dado à nossa Brigada. Creio que se fez com verdadeiro êxito, e o resultado foi que esse corpo, formado por apenas 670 homens aproximadamente, conseguiu atravessar a massa da cavalaria russa que — como soubemos posteriormente — dispunha de 5240 homens; e tendo atravessado esta massa, deram a volta, como se diz na nossa expressão técnica militar, «ao fundo de tudo», e retiraram-se do mesmo modo, provocando tantos danos como era possível na cavalaria inimiga. De regresso à colina de qual havia partido o ataque, tivemos que sofrer a mesma mão-de-ferro e padecer o mesmo risco de disparos dos atiradores no nosso flanco que na ida. Muitos dos nossos homens foram atingidos, homens e cavalgaduras resultaram mortos, e muitos dos homens cujas montadas morreram foram massacrados quando tentavam escapar.

Mas, mylord, qual foi o sentimento destes valentes que regressaram à sua posição, se de cada regimento não voltou senão um pequeno destacamento, e dois terços dos efetivos implicados na ação se tinham perdido?. Creio que cada homem que participou neste desastroso assunto de Balaclava, e que teve a bastante sorte para continuar com vida, deve notar que foi somente por um decreto da Divina Providência que escapou à morte mais certa que era possível conceber".


Consequências

A brigada não foi completamente destruída, embora sofresse terríveis perdas: 118 mortos, 127 feridos, e a perda de 362 cavalos. Depois de serem reagrupados, apenas 195 homens dispunham de cavalo. A futilidade da ação e a sua bravura imprudente fizeram afirmar o general francês Pierre Joseph François Bosquet: "É magnífico, mas isso não é a guerra". Diz-se que os chefes russos acreditavam a princípio que os ginetes tinham abusado da bebida. A reputação da cavalaria britânica melhorou notavelmente com esta carga, embora o mesmo não se possa dizer do seu comando.

O jornalista irlandês William Howard Russell, presente no local do combate, apresentou na época a seguinte informação acerca dos efetivos e perdas da Brigada Ligeira nessa batalha:

4º Dragões Ligeiros - total 118 - perdas 79
13º Dragões Ligeiros - total 130 - perdas 69
8º Hussardos - total 104 - perdas 66
11º Hussardos - total 110 - perdas 85
17º Lanceiros - total 145 - perdas 110
Total - 607 sabres - perdas 409

Remanescentes da Brigada Ligeira fotografados após a batalha

A lentidão das comunicações marítimas fez com que as notícias do desastre não chegassem ao conhecimento do público britânico senão três semanas depois. Os relatos da frente dos chefes britânicos publicaram-se numa edição extraordinária da London Gazette em 12 de novembro de 1854. Raglan implica Lucan pela carga, declarando que "Por sua incompreensão da ordem de avanço, o tenente-general (Lucan) considerou que devia atacar a qualquer preço, e ordenou o major-general Cardigan avançar com a Brigada Ligeira".

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

ÚLTIMO VETERANO DA 1ª GUERRA MUNDIAL MORRE AOS 110 ANOS NA AUSTRÁLIA



Britânico de nascimento, Choules mentiu sobre a própria idade para ser aceito na Marinha britânica quando tinha 14 anos


O último militar veterano da Primeira Guerra Mundial, Claude Choules, morreu na Austrália aos 110 anos de idade, informou nesta quinta-feira a sua família.

Britânico de nascimento, Choules mentiu sobre a própria idade para ser aceito na Marinha britânica quando tinha 14 anos. Dizia que queria seguir os passos dos irmãos mais velhos e defender seu país.

A bordo do navio HMS Revenge, ele serviu no Mar do Norte, onde viu a rendição das tropas alemãs no estuário do rio Forth, na Escócia, em 1918, e a derrota do inimigo nas águas de Scapa Flow, nas ilhas Orkney.


Conhecido entre os seus amigos por 'Chuckles' (algo como "Risadinha", em uma tradução livre), Choules descrevia os anos da Primeira Guerra (1914-1918) como "uma época difícil".

Depois de servir em missões de paz no Mar do Norte, foi enviado a uma missão de treinamento para a Austrália em 1926. A bordo do navio de passageiros no qual viajava, conheceu a futura esposa Ethel, com quem permaneceu casado por 76 anos.

Ele se transferiu para a Marinha australiana, na qual serviu até 1956, e, desde então, vivia no país do Hemisfério Sul. Apesar do histórico militar, o britânico era considerado um pacifista. Expressava publicamente sua oposição ao principal dia em memória dos soldados mortos da Austrália e da Nova Zelândia, o Anzac Day, e se recusava a marchar nas tradicionais paradas militares anuais.

Aos 80 anos, fez um curso de escrita criativa e, em 2009, anos 108 anos de idade, publicou seu primeiro e único livro, a coletânea de memórias "The Last of the Last" ('O Último dos Últimos').

Choules morreu dormindo na casa de repouso onde vivia, em Perth, três anos depois da morte da esposa. Deixou três filhos e 11 netos. Com a morte do veterano, a também britânica Florence Green, que completou 110 anos em fevereiro, passa a ser a última sobrevivente que serviu na Primeira Guerra. Green não era militar, mas garçonete da Força Aérea feminina.


Fonte: The Telegraph
 
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

PENSAMENTO MILITAR - A OUSADIA NA GUERRA


"Desde o condutor de transportes e o tocador de tambor até o general, a ousadia é a mais nobre das virtudes, o aço verdadeiro que dá à arma o seu gume e brilho."



Carl von Clausewitz, general prussiano
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PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL SIR ARCHIBALD WAVELL


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* 05/05/1883 – Colchester, Inglaterra

+ 24/05/1950 – Londres, Inglaterra


Archibald Percival Wavell nasceu em Colchester no dia 5 de maio de 1883, filho de um major-general do Exército. Foi educado em Winchester e cursou a Academia Militar Real de Sandhurst. Comissionado no Regimento Black Watch em 1901, serviu com essa unidade na Índia e África do Sul, antes de ingressar na Escola de Estado-Maior em 1909. Ao graduar-se, foi transferido para a inteligência, especializando-se em assuntos militares russos.


1ª Guerra Mundial e período entreguerras

Em 1914, Wavell foi selecionado como oficial de inteligência do IV Corpo, mas conseguiu ser comissionado como major-brigadeiro da 9ª Brigada de Infantaria. Foi ferido em 1915, perdendo a visão do olho esquerdo, e serviu o restante da guerra numa série de posições de estado-maior na França e Palestina.
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Em 1926, foi designado para a 3ª Divisão de Infantaria. Isso deu-lhe a oportunidade de trabalhar com forças mecanizadas experimentais adidas àquela grande-unidade, e, nos anos seguintes, Wavell adquiriu grande apreciação pelo valor da mobilidade e flexibilidade numa força de infantaria, com também o valor do poder aéreo.


No Egito

Após mais um período na Palestina, como comandante militar, Wavell retornou à Grã-Bretanha como Tenente-General em 1938, para assumir o Comando do Sul. Esse posto, contudo, durou pouco. Em julho de 1939 foi transferido novamente, para se tornar Comandante-em-Chefe do Oriente Médio, com responsabilidades de tempo de guerra sobre Egito, Palestina, Transjordânia, Chipre, Etiópia, Somalilândia Britânica, Aden, Iraque e Golfo Pérsico. O total de forças sob seu comando era de 90.000 homens, dos quais um terço estava no Egito.

Os recursos eram escassos e, como seu subordinado, Sir Claude Auchinleck, Wavell estava determinado a esperar antes de comprometer suas forças em batalha. Ele pediu por tempo para organizar os homens e o material que precisava, bem como aclimatá-los às condições locais. Isso rendeu-lhe a antipatia de Churchill, sempre impaciente para ação imediata, mas, quando Wavell finalmente fez seu movimento, despachando a Força do Deserto Ocidental de Richard O’Connor para a Líbia, e o Tenente-General Alan Cunningham para a Somalilândia Italiana e a Abissínia, a vitória foi rápida e decisiva.

Generais Auckinleck e Wavell (a direita) planejando no Egito


Esses sucessos marcaram o ponto alto da carreira de Wavell no Oriente Médio. A invasão alemã da Grécia e a subsequente captura de Creta, a resposta alemã na Cirenaica, bem como a revolta pró-Alemanha no Iraque, forçaram todas as tropas britânicas para a defensiva. Após a falha das Operações Brevity e Battleaxe na fronteira do Egito durante maio e junho de 1941, Wavell foi dispensado e enviado à Índia como Comandante-em-Chefe.


Combatendo os japoneses

Se essa transferência foi feita para colocar Wavell em um papel pouco relevante, então os esforços falharam. Imediatamente, Wavell viu-se enfrentando a declaração de guerra dos japoneses e, de seu quartel-general em Java, foi designado Comandante-Supremo das Forças Aliadas (americanos, britânicos, holandeses e australianos) na Birmânia, Cingapura, Malásia, Índias Orientais Holandesas, Filipinas e noroeste da Austrália.

Havia pouco que Wavell pudesse fazer para conter o avanço do inimigo, devido à falta de recursos, dificuldades de comunicação sobre área tão vasta, e natureza intratável de alguns de seus aliados americanos e chineses. A falha na contraofensiva em Arakan foi a gota d’água para Churchill. Em setembro de 1943, o agora Marechal-de-Campo Wavell aceitou o convite para se tornar Vice-Rei da Índia. Em seu novo posto, ele perdeu contato com Churchill e seu sucessor, Clement Attle, sendo rapidamente dispensado em fevereiro de 1947.
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Wavell, vice-rei da Índia, discursando em Nova Delhi em 1946



Crítica e legado

Wavell foi uma personalidade desconcertante. Ele se tornou lendário por seus silêncios, apresentando uma máscara quase impenetrável que provocava suspeitas, e mesmo hostilidade, entre políticos, especialmente Churchill, que gostava de uma boa discussão. Wavell ainda desapontou o Primeiro-Ministro por recusar-se a ir à guerra na Líbia e África Oriental até que seus homens estivessem aclimatados e bem-equipados.

O sucesso de ambas as ofensivas provaram o acerto da decisão de Wavell, e apresentou marcado contraste com os eventos seguintes na Grécia, Líbia, e mais tarde na Birmânia, quando, até certo ponto, ele pagou o preço do equipamento ruim e ultrapassado do Exército.

Wavell subestimou a capacidade dos japoneses, embora, nesse caso, de forma alguma estava sozinho. Ainda assim era querido e respeitado por aqueles que serviram sob seu comando e, em contraste com seus hábitos conservadores, sempre apoiou e encorajou os não-ortodoxos: os Chindits e a Força V (unidade de inteligência) devem sua existência a Wavell.

Ao retornar para a Inglaterra em 1947, foi feito Visconde de Keren e Winchester. O Marechal-de-Campo Sir Archibald Wavell faleceu em Londres aos 67 anos de idade, no dia 24 de maio de 1950.


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sexta-feira, 29 de abril de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

IMAGEM DO DIA - 26/04/2011

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Durante a primeira cruzada, entre 1097 e 1098, cruzados cristãos cercam a cidade de Antioquia ocupada pelos turcos seljúcidas

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LIVROS - EXCERTOS DA HISTÓRIA MILITAR


Excertos da História Militar de Meados do Século XIX Até o Fim do Séc. XX
192 págs.  - Editora: Vitória Gráfica e Editora


Foi lançado, no último dia 19 de abril, a obra "Excertos da História Militar de Meados do Século XIX Até o Fim do Século XX" de autoria do General de Brigada César Augusto Nicodemus de Souza.

Em 192 páginas, o General Souza, reconhecido internacionalmente por suas pesquisas, sistematizou parte do conhecimento sobre a História Militar contemporânea ocidental através de nove estudos de caso selecionados da História Militar, de meados do Século XIX ao final do Século XX, período que marca a mudança da condução personalística das guerras por reis e imperadores para as decisões de governos amparados na vontade de seus povos, conduzidas por estados-maiores constituídos por profissionais de carreira.

São abordadas os casos Guerra México-Estados Unidos, Guerra de Secessão, Batalha de Königgrätz (ou Sadowa), Campanha contra o Paraguai, Guerra Franco-prussiana de 1870, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Coréia, e Falklands / Malvinas.


Sobre o Autor

Natural de Bagé-RS, o autor pertence a Turma de 1960 da Academia Militar das Agulhas Negras.  Foi instrutor do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.  Cursou a École Supérieure de Guerre em Paris, implantando e coordenando em 1988 a primeira turma do CPEAEx, curso de mais alto nível do Exército.  Comandou o 5° Grupo de Artilharia Autopropulsado em Curitiba-PR. Como Oficial General comandou a 17ª Brigada de Infantaria de Selva de Porto Velho-RO e foi Diretor de Educação Preparatório e Assistencial do Exército.

Após passar para a Reserva em 1997, vem se dedicando a Educação e História, ministrando palestras em Universidades e em Institutos de História e Geografia; tem participado de Congressos de História Militar no exterior, apresentando comunicações; foi docente em cursos de pós-graduação em História Militar na UNIRIO e PUC/PR. Possui vários artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e no exterior. Ocupa a Cadeira nº 1 do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.


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sábado, 23 de abril de 2011

PENSAMENTO MILITAR - COMANDO E LOGÍSTICA



“Encontramos na História muito mais exércitos que se perderam por falta de pão e de administração que pelo esforço de exércitos inimigos.”

Cardeal Richelieu, primeiro-ministro francês

LOCALIZADO UM DORNIER 17 INTACTO NO FUNDO DO MAR NO REINO UNIDO





A descoberta de um bombardeiro alemão da 2ª Guerra Mundial praticamente intacto na região costeira da cidade de Kent, na Grã-Bretanha, deixou especialistas surpresos.

Imagens recém-divulgadas sugerem que o Dornier 17 ainda está intacto e há esperanças de que ele possa vir a ser resgatado e exibido posteriormente.  O avião era chamado de ''lápis voador'', uma aeronave fina e elegante criada originalmente em 1934 para transportar passageiros, mas que no começo da Segunda Guerra Mundial foi convertida em um instrumento mortal.

O Dornier 17 foi um dos destaques das frotas de bombardeio da Luftwaffe, a Força Aérea alemã, que começou seu ataque sobre as cidades e os aeroportos britânicos da Força Aérea Real britânica, no verão de 1940, no que ficou conhecido como a Batalha da Grã-Bretanha.  Um total de 1.700 Dorniers foram construídos, mas o avião descoberto próximo a Kent é considerado o último dessa linha.

Segundo Ian Thirsk, responsável pelas coleções do Museu da Força Aérea Real, a descoberta do avião de 52 metros de comprimento e 18 metros de envergadura é uma das ''mais importantes na história da aeronáutica mundial''.

Os destroços do avião afundaram mais de 16 metros no mar e a aeronave virou de cabeça para baixo nas chamadas areaias Goodwin, um célebre banco de areia próximo à costa de Kent, no qual várias embarcações já desapareceram.

O Dornier 17 Z-2, número de série 1160, do esquadrão de número 7, Grupo 3, foi derrubado no dia 26 de agosto de 1940 e fez um pouso de emergência no mar.  Dois membros da tripulação morreram durante a queda da aeronave. Outros dois, inclusive o piloto, sobreviveram e foram feitos prisioneiros de guerra.

No mês passado, uma equipe do porto de Londres se dirigiu para a área em que o avião teria caído munida de equipamentos ultra-modernos com tecnologia de sonar.  O trabalho dos pesquisadores confirmou que o avião agora não estava mais coberto pela areia, devido à ação do tempo, ao longo de mais de setenta anos, e por inúmeras correntes marítimas.

''A notícia realmente boa é que agora temos imagens bem claras'', afirmou John Dillon-Leetch, um dos hidrofotógrafos da equipe de pesquisadores.  ''Os destroços estão ali. Ele parece estar intacto e nós teremos mais informações nos próximos dias, ao analisarmos em mais profundidade as informações que temos'', acrescentou.


O Dornier 17 no fundo do mar de Kent captado em imagem tridimensional


A BBC teve acesso exclusivo às imagens tridimensionais retratando a aeronave, que impressionam pela sua clareza.  O mais importante é que elas mostram que o avião não sofreu danos graves em sua estrutura. O Dornier está intacto em boa parte, exceto por estragos registrados em sua cabine dianteira e em suas janelas.

O plano de pesquisadores agora é restaurar a aeronave e colocá-la em exibição no Museu da Força Aérea Real, na cidade britânica de Hendon.  O museu, financiado pelo Ministério da Defesa britânico, está pleiteando verbas de organizações de preservação de patrimônio para cobrir os custos.O trabalho se faz urgente, porque mergulhadores descobriram o local em que os destroços se encontram e caçadores de suvenires já começaram a retirar pedaços do avião. Ao fazê-lo, no entanto, eles arriscam serem processados, já que o avião é propriedade do Ministério da Defesa da Grã-Bretanha.


Fonte: Estadão

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sábado, 16 de abril de 2011

IMAGEM DO DIA - 16/04/2011


Durante a Guerra da Argélia, soldados franceses examinam cuidadosamente uma estrada a procura de minas

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PRIMEIRAS INVASÕES FRANCESAS NO BRASIL





 A França não admite a existência do Tratado de Tordesilhas – estabelecido entre D. João II, rei de Portugal, e os Reis Católicos, em 7 de Junho de 1494, em Tordesilhas, no qual se determinou a divisão do mundo em duas regiões de influência, uma portuguesa e outra espanhola – e advoga o direito de posse do território brasileiro a quem primeiro atingisse o território em questão.


Tais fatores resultaram na tentativa francesa de colonização de parte do litoral do Rio de Janeiro (1555) – a chamada França Antártica – e da costa do Maranhão (1612) – França Equinocial.
 
 
Mapa da França Antártica (Rio de Janeiro), de Duval, elaborado a partir das viagens de Villegagnon e Jean de Leri ao Brasil nos anos de 1557 e 1558


França Antártica
 

No contexto da desastrosa administração de Duarte da Costa, iniciada em julho de 1553, os franceses, chefiados pelo Vice-Almirante Nicolas Durand de Villegagnon, desembarcaram na Baía da Guanabara, em 1555, com a franca intenção de fundar uma colônia nas Américas, a França Antártica.

Villegagnon, desiludido com a sociedade francesa e contando com a prestimosa ajuda do Almirante Gaspar de Chântillon, o Conde de Coligny, e ainda com a permissão do Rei Henrique II, após receber a esperada ajuda material e financeira e promover um rápido recrutamento pelos cantões das cidades francesas, partiu em direção ao Novo Mundo, a fim de dividi-lo com portugueses e espanhois. Contando com a ausência de resistência militar organizada por parte dos portugueses, ocupou, sucessivamente, as ilhas da Lage e de Serigipe, erguendo, nessa última, o fortim de Coligny. Assim, mediante a aliança com os indígenas e dispondo de reforços militares recebidos a partir de 1557, consolidou-se, no Rio de Janeiro, a presença militar francesa no Brasil.

Vice-almirante Nicolas Durand de Villegagnon


A  verdadeira reação à ocupação francesa desencadeou-se somente a partir de 1557, com a chegada de Mem de Sá ao Brasil, na condição de novo Governador-Geral. Ciente das disparidades numéricas e materiais concernentes às forças portuguesas e francesas e da necessidade de prudência diante de ações ofensivas contra as bases francesas, Mem de Sá tratou de fundar uma base terrestre na altura da Capitania do Espírito Santo, com a intenção de obter apoio cerrado em suas incursões e, ao mesmo tempo, impedir o acesso dos franceses à capital da colônia. Após um breve período de reorganização da sociedade colonial e organização das companhias compostas por portugueses e indígenas, voltou-se, então, para a difícil tarefa de expulsão do estrangeiro.

Mapa de época mostrando a entrada da Baía de Guanabara e o Forte de Coligny


A primeira investida de Mem de Sá contra os franceses deu-se no decorrer do ano de 1560, após receber valiosas informações sobre as tropas francesas fundeadas no Rio de Janeiro e recolher reforços nas capitanias pelas quais passava. Em 15 de maio iniciaram-se os combates e, apesar da discordância dos chefes portugueses em relação à oportunidade do ataque, prevaleceu a decisão de Mem de Sá. Mesmo diante da reação inimiga e de sua superioridade numérica, a vitória sobre os franceses foi rápida. Entretanto, a intempestiva saída do Rio de Janeiro somada a vários erros de conduta permitiram a reorganização dos franceses e dos indígenas seus aliados, fato que culminou na reconstrução do Fortim de Coligny, bem como na fortificação de uma aldeia na ilha de Paranapuã (atual Ilha do Governador) e na formação de um reduto em Uruçu-Mirim (atual bairro da Glória).


Mem de Sá


A partir de 1563, reorganizou-se a reação aos franceses com os reforços vindos de Portugal e chefiados por Estácio de Sá. Contanto com auxílio dos índios temiminós, inimigos dos tamoios, e com os reforços enviados por seu tio, Mem de Sá, Estácio erigiu fortificações e um povoado que seria o embrião da cidade do Rio de Janeiro. Reforçado por tropas oriundas de São Vicente, atacou as fortificações francesas e, em 1567, estes foram expulsos da Baía de Guanabara, refugiando-se, provisoriamente, na localidade de Cabo Frio. De lá, continuaram a pilhagem da costa e o comércio com os tamoios, e acabaram sendo novamente expulsos devido aos esforços de Salvador Correia de Sá, Capitão-Mor do Rio de Janeiro e Antônio Salema, Governador da Repartição do Sul, ambos auxiliados por indígenas.


França Equinocial

Depois de serem expulsos do Rio de Janeiro e já no contexto da união das Coroas Ibéricas, os franceses, unindo-se aos índios potiguaras, voltaram a assolar o litoral brasileiro acima de Pernambuco. Tal fato levou, a partir de 1580, à fundação de várias fortificações e povoados com vistas à defesa das terras luso-espanholas. Em 1584, tropas chefiadas por Frutuoso Barbosa iniciaram a construção de um forte denominado “Cabedelo”, no litoral da Paraíba, e o povoado de Nossa Senhora das Neves (Filipéia), erguido em seus arredores, originou a cidade de João Pessoa. Posteriormente, a ida dos franceses para o litoral do atual Rio Grande do Norte motivou, entre 1597 e 1598, a construção do Forte dos Reis Magos.

Em 1612, os franceses rumaram em direção ao litoral do atual estado do Ceará, onde tropas luso-espanholas fundam uma igreja e um forte dedicados a Nossa Senhora do Amparo, os quais originaram a atual cidade de Fortaleza. Ainda em 1612, os franceses, comandados por Daniel de la Touche, senhor de La Ravardière, invadiram o Maranhão e fundaram um núcleo, sede da França Equinocial, que deu origem à cidade de São Luís.

Diante da notícia da presença de franceses no Maranhão, o Rei Felipe II emitiu, de imediato, ordens para expulsá-los e, nesse contexto, o bravo Jerônimo de Albuquerque foi imbuído da missão. Recrutando homens até mesmo nas prisões e convencendo os indígenas à luta, Jerônimo organizou uma tropa mista de portugueses e indígenas e, contando com reforços vindos de Portugal, iniciou os combates contra os franceses. Diante da inferioridade numérica, os portugueses construíram fortificações e passaram a, literalmente, cercar as tropas francesas que desembarcavam nas praias. Em Guaxenduba, na madrugada de 19 de novembro de 1614, uma força naval formada por 50 canoas que conduziam franceses e tupinambás foi atacada e, diante da maré baixa desfavorável e da impossibilidade de os franceses receberem reforços, bem como de fugir para os sertões, deu-se a vitória portuguesa.

Após a derrota francesa, um acordo temporário de paz, respeitado por Jerônimo de Albuquerque mas contestado pelo governo luso-espanhol, levou à nomeação de um novo comandante das forças do Maranhão: o General Alexandre de Moura. Em 31 de outubro de 1615, iniciou-se um novo ataque aos franceses, chefiado por Jerônimo de Albuquerque, por terra, e por Alexandre de Moura, pelo mar, o qual levou, incondicionalmente, os franceses a uma grande retirada e à entrega do Forte de São Luís aos luso-espanhóis.

Busto de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravàrdiere, existente em São Luís-MA

Enquanto os franceses se  retiravam das terras do Maranhão, o governo espanhol, que já sabia da presença de estrangeiros no delta do Amazonas, emitiu ordens para que Francisco Caldeira Castelo Branco seguisse para o norte e fundasse a capitania do Pará. De 1616 a 1632 ocorreram vários conflitos entre luso-espanhóis, de um lado, e ingleses e holandeses, de outro, fato que resultou, dentre outros fatores, na fundação do Forte do Presépio, o qual originou Belém, na presença e conquista portuguesa nas áreas ribeirinhas do Rio Amazonas, e na ocupação das terras denominadas de Cabo Norte, a qual se estendia até o Rio Oiapoque.
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No século XVIII, os franceses ainda ensaiariam uma nova tentativa de invasão ao Rio de Janeiro, mas logo desistiram da idéia. De todos os processos de invasão à América do Sul, somente na região da atual Guiana Francesa os franceses conseguiram estabelecer uma efetiva exploração colonial.






sábado, 9 de abril de 2011

XXXVII CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA MILITAR

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Pela primeira vez na América Latina, será realizado no Rio de Janeiro o XXXVII Congresso Internacional de História Militar.  O congresso ocorrerá de 27 de agosto a 2 de setembro, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, e tem como objeto principal de estudo as guerras coloniais e de independência do século XVIII até o presente.




Maiores informações no site: http://www.cihm2011.com.br/index.php/br/informacoes


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sexta-feira, 8 de abril de 2011

PRESTES ATRIBUIU AO EXÉRCITO VERMELHO A FORÇA DA URSS


Defesa do aparato militar do proletariado está em artigo do líder comunista que se exilou em Moscou nos anos 30 do século passado.  Documento integra um lote de manuscritos de Prestes recentemente entregues pelo governo da Rússia ao Brasil




Por Graciliano Rocha


De Porto Alegre - Exilado em Moscou nos anos 30, o líder comunista Luiz Carlos Prestes (1898-1990) relacionava a sobrevivência do regime comunista na URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) à força do Exército Vermelho.

A conclusão está em esboço de artigo destinado possivelmente à imprensa comunista, onde Prestes previa, em 1934, que o aparato militar seria a "grande garantia da política de paz da URSS" e contra a invasão de forças estrangeiras ao que chamava de "Pátria do proletariado".  O documento integra um lote de manuscritos de Prestes recentemente entregues pelo governo russo ao Brasil e obtidos com exclusividade pela Folha.

"O Exército Vermelho, como arma do proletariado no poder, [...] é um dos grandes fatores que vão auxiliando o proletariado de todo o mundo na luta que sustenta contra a guerra imperialista e contra o ataque à Pátria do proletariado", escreveu.

A análise de Prestes se mostraria correta à luz dos fatos que ocorreriam na Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando Adolf Hitler mandou tropas invadirem a URSS em junho de 1941.  A invasão nazista rompeu o pacto Ribbentrop-Molotov, acordo secreto de não agressão estabelecido entre Joseph Stálin e Hitler, em 1939.

Depois, o Exército Vermelho venceria a histórica batalha de Stalingrado contra os nazistas, marcando o início de uma contraofensiva que conduziria os russos à tomada de Berlim (1945) e seria fundamental para a vitória dos países aliados.

Na Segunda Guerra, a URSS lutava com os aliados - EUA, Inglaterra e França - contra os países do Eixo -Alemanha, Itália e Japão.

Historiadores afirmam que a marcha do Exército Vermelho rumo à Alemanha deu a Stálin a vantagem definitiva para delimitar esfera de influência soviética.

O manuscrito de Prestes é do final do seu primeiro exílio na URSS (1931-34), período em que suas atividades são pouco conhecidas.  Prestes só retornaria ao Brasil no ano seguinte para comandar a fracassada tentativa de derrubar Getúlio Vargas do governo na década de 30.


Fonte: Folha de São Paulo

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domingo, 3 de abril de 2011

LIVRO - ULTRAMAR SUL

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Ultramar Sul.  Juan Salinas e Carlos de Nápoli.  Record, 490 págs.


A investigação empreendida por Juan Salinas e Carlos de Nápoli contém ingredientes suficientes para lançar dúvidas sobre fatos históricos até pouco tempo considerados irrefutáveis. Em Ultramar Sul, os historiadores se valem de relatos, testemunhos e documentos para questionar a versão oficial sobre o destino de Adolf Hitler e o afundamento do cruzador brasileiro Bahia, logo após o fim da 2° Guerra Mundial.

Segundo os autores, a Operação Ultramar Sul foi a última jogada de Hitler, que consistia num audacioso plano de fuga com destino à Patagônia Argentina. Esta intenção tornou-se ainda mais factível quando, em 2009, foi confirmado oficialmente que o crânio encontrado em um bunker do Führer, e considerado por mais de sessenta anos uma prova conclusiva do seu suicídio, não lhe pertencia.
Salinas e Nápoli apresentam documentos, fotos e testemunhos que comprovam a chegada de um comboio de submarinos com oficiais nazistas na costa Argentina. Apesar de parecer pouco provável que o alto comando do Terceiro Reich tenha desembarcado nas praias de Miramar ou Mar del Sur, até hoje ninguém consegue ou deseja assegurar quem chegou naquela região.

Baseados em vasta documentação, os historiadores reconstroem a história do afundamento do Cruzador Bahia (4 de julho de 1945), a maior tragédia naval brasileira de que se tem conhecimento, com 336 mortos. Oficialmente, o episódio foi dado como acidente, fato que os autores põem em dúvida ao apresentar documentos que apontam para o torpedeamento do navio. O algoz da embarcação brasileira teria sido um dos submarinos que levava o alto comando nazista rumo à América do Sul.

O livro de navegação do USS Omaha é um dos principais documentos que comprovam a tese dos historiadores. O cruzador norte-americano resgatou o único oficial sobrevivente do Bahia, o primeiro-tenente Lúcio Torres Dias. Neste documento que leva o rótulo de confidencial, o comandante W.L Freseman relata que 

“às 10h22 (8 de julho), fui chamado diretamente pelo Comando da Força Atlântico Sul. Fui informado pelo almirante de que, sem dúvida alguma, o cruzador Bahia havia sido afundado nas proximidades da estação de guarda de aviões n° 13 (...) e que era necessário que o Omaha e todos os navios brasileiros disponíveis se dirigissem para a área”.

Após o trágico episódio, os submarinos tiveram destinos diferentes e alguns indeterminados. Um deles se entregou ao alcançar a costa de Mar del Plata. Centenas de pessoas testemunharam dois outros seguirem para o extremo sul do Atlântico. Após um mês de viagem, um deles também se rendeu.

Apesar de todas as evidências, o incidente náutico foi encoberto pela Marinha Argentina em cumplicidade com britânicos e norte-americanos. No Brasil, o afundamento do cruzador Bahia foi oficialmente considerado um acidente.


 
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

PENSAMENTO MILITAR

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"A força, às vezes, impede a agressão; a fraqueza, no entanto, é um convite a ela."

Henry Wallace, vice-presidente dos EUA durante a 2ª Guerra Mundial




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segunda-feira, 28 de março de 2011

IMAGEM DO DIA - 28/03/2011

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Durante a Guerra do Vietnã, patrulha norte-americana passa ao lado de helicóptero abatido em um arrozal.

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O SISTEMA MILITAR PERSA

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Desde o século VIII a.C., os medos tinham constituído um reino e possuíam um exército ágil e organizado. Valendo-se disso, submeteram os outros povos iranianos, inclusive os persas, cobrando-lhes tributos. Essa situação prolongou-se até 550 a.C., em que o príncipe Ciro, o Grande, liderou uma rebelião contra os medos e sai vitorioso. Com o objetivo de obter riquezas e resolver problemas causados pelo aumento da população e pela baixa produção agrícola local, Ciro, o Grande, deu início ao expansionismo persa. Em poucos anos, o exército persa apoderou-se de uma imensa área. Ciro tornou-se, então, o imperador do Oriente Antigo.

Dario I dividiu o Império Persa em províncias e nomeou administradores de sua confiança. No Império, as comunicações, o comércio e o deslocamento de tropas eram facilitados por grandes estradas. Dario e Xerxes foram derrotados ao tentarem conquistar a Grécia. Essas derrotas, somadas às rebeliões dos povos dominados e às disputas pelo poder, enfraqueceram o Império Persa, que foi conquistado por Alexandre da Macedônia em 330 a.C.

O controle exercido pelos persas sobre um império vastíssimo permitiu-lhes levar a campo exércitos excepcionalmente numerosos segundo os padrões do mundo antigo. Heródoto afirma em seus escritos que mais de um milhão de soldados tomaram parte na invasão da Grécia em 480 a.C. É uma cifra exagerada, mas os persas poderiam facilmente reunir um exército com mais de 100.000 homens, recrutando-os nas vinte províncias de seu império.

Arqueiros persas em um relevo.  É possível observar que estão armados com arcos compostos e lanças


Os soldados de melhor qualidade eram os da própria Pérsia e os das tribos guerreiras dos citas, oriundos do norte. A infantaria persa empunhava poderosos arcos compostos, manufaturados de camadas de madeira e chifre animal, e portava lanças e escudos leves. O escudo podia ser apoiado contra a lança para criar uma barricada em pequena escala.

Como preparação para os ataques, os arqueiros disparavam suas flechas contra as formações inimigas. Ao mesmo tempo, arqueiros montados da Cítia circundavam os flancos e a retaguarda do inimigo. Quando o exército oponente já tinha sido suficientemente abalado pelos arqueiros, a infantaria brandia suas lanças e escudos e unia-se à cavalaria, armada de lanças curtas, investindo contra o inimigo em um assalto final.

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domingo, 20 de março de 2011

A POLÊMICA DA BOMBA ATÔMICA ALEMÃ

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Tal tese poderia revolucionar a história: físicos alemães a serviço de Hitler teriam fabricado e testado com sucesso uma bomba atômica antes mesmo dos americanos. É o que argumenta Rainer Karlsch em seu livro "A bomba de Hitler". Mídia e especialistas questionam sua veracidade.



Se comprovada, a tese do historiador alemão Rainer Karlsch poderia mudar a história do século 20: Hitler teria desenvolvido e testado armas atômicas pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Mas especialistas questionam se as informações do livro A Bomba de Hitler, lançado em Berlim, não passam de uma tese.

Tanto historiadores quanto físicos se recusam a aceitar a tese de Karlsch. Mesmo que muitos deles reconheçam em sua obra dados interessantes e até então desconhecidos, faltariam provas à maioria deles.

A mídia tampouco se deixou levar pelos argumentos de Karlsch, insinuando que a "sensação" prometida abuse do contexto histórico do aniversário de 60 anos do final da guerra. Seus títulos foram categóricos: "Não existiu uma bomba atômica alemã", escreveu o Berliner Zeitung; "Falta a prova final", acusou o Süddeutsche Zeitung.

Karlsch garante: "Cientistas alemães conseguiram liberar energia nuclear na primavera de 1944, nove meses antes dos americanos". Pesquisadores de Hilter teriam criado uma "minibomba atômica", que teria sido inclusive testada com sucesso em março de 1945 no Estado alemão da Turíngia, próximo ao campo de concentração de Buchenwald, custando a vida de cerca de 500 prisioneiros.

Mas a bomba de Hitler não teria a potência das de Hiroshima ou Nagasaki. Por isso, o autor preferiu falar em "granadas atômicas, que não se podeM menosprezar".

Rainer Karlsch no lançamento de seu polêmico livro


Crítica admite méritos

Mas para Dieter Hoffmann, pesquisador de História da Ciência do Instituto Max Planck de Berlim, Karlsch não é um mero charlatão. "Ele contribui com elementos importantes para a ciência e, devido à sua tenacidade, foi o primeiro a ter acesso aos arquivos russos", disse.

No entanto, Hoffmann questiona a tese central do livro. "A fissão do urânio foi descoberta na Alemanha. Agora, que a primeira bomba atômica tenha sido detonada lá nos anos 40, me parece pouco digno de crédito."

Segundo ele, outro mérito de Karlsch teria sido a atenção dada a outros grupos de pesquisa que se empenharam no desenvolvimento de armas militares. Até hoje, pesquisadores ocupados em investigar a pesquisa nuclear no período nazista se concentraram nos trabalhos do grupo de cientistas ligados ao físico Werner Heisenberg, que dizia que Hitler estava muito longe de possuir a bomba.

Karlsch argumenta que esta tarefa talvez estivesse a cargo de um grupo menor e menos conhecido. "O grupo em torno de Kurt Diebner parece ter estado mais próximo do que até então se acreditava", admite Hoffmann.


Reator em Berlim é novidade

Gerhard Fußmann, físico da Universidade Humboldt de Berlim, tampouco se deixou convencer. "Nada se sabe sobre a constituição da bomba testada pelos nazistas na Turíngia. Só existem depoimentos de leigos e especulações baseadas em documentos históricos", alerta.

Ele, porém, admite que o livro surpreende em diversos pontos. "Para mim, é novidade que existia um reator nuclear ao sul de Berlim", acrescenta. Análises do solo comprovam que lá foi realizada fissão de urânio, o que, segundo ele, mostra que os nazistas possuíam mais material e conhecimento técnico do que se acreditava até então.

As análises indicam que eles conseguiram produzir urânio 235 enriquecido a 10%, ao menos em pequenas quantidades", disse Fussmann. Mas, para fabricar uma bomba como a de Hiroshima, por exemplo, é necessário um enriquecimento a 80%.

Além do mais, os russos, que confiscaram os relatórios da pesquisa nazista sobre armas atômicas em 1945, ficaram curiosos a respeito dos resultados obtidos, mas de forma alguma prescindiam dos mesmos. "E lá havia mais de 10 mil páginas de material de espionagem só sobre a pesquisa nuclear americana", argumenta Fussmann. Ao que parece, a história da Guerra Fria não deverá ser modificada.

Fonte: DW
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PENSAMENTO MILITAR


“Um exército de cervos comandado por um leão é muito mais temível que um exército de leões comandado por um cervo. ”

Plutarco, filósofo grego

sábado, 12 de março de 2011

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GEORG VON FRUNDSBERG


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*  23/09/1473

+  20/08/1528


Georg von Frundsberg foi um cavaleiro e chefe lansquenete alemão do Sacro Império Romano-Germânico durante a dinastia austríaca dos Habsburgos. Frundsberg era filho de Ulrich von Frundsberg e sua esposa Barbara von Rechberg em Mindelheim, numa velha linhagem de cavaleiros tiroleses que se instalaram na Suábia Superior.

Lutou a serviço do Imperador do Sacro Império Maximiliano I, contra a Suíça durante a Guerra da Suábia de 1499 e, no mesmo ano, integrou as tropas Imperiais enviadas para ajudar Ludovico Sforza, Duque de Milão, contra os franceses. Ainda servindo a Maximiliano, tomou parte em 1504 na guerra pela sucessão do ducado da Bavaria-Landshut, lutando contra os Condes Pfalz, Philipp e Ruprecht. Distinguiu-se durante a batalha de Regensburgo. Maximiliano pessoalmente distinguiu-o com o título de cavaleiro. Mais tarde, lutou também nos Países Baixos.

Convencido da necessidade de um corpo nativo de infantaria treinado, Frundsberg auxiliou Maximiliano na organização dos Lansquenetes. Um ano depois foi feito comandante dos lansquenetes nos países mais ao sul. Depois disso, Frundsberg teve uma vida de guerras ininterruptas, em campanhas pelo Império ou pelos Habsburgos. Em 1509, tornou-se "Capitão de Campo Superior" do Regimento Lansquenete (força de ocupação) e participou da guerra contra a República de Veneza, ganhando fama para si e seus homens, após defender a cidade de Verona contra numerosos ataques.

Depois de curta visita à Alemanha, retornou para a península italiana onde, entre 1513 e 1514 conquistou os louros da vitória por suas lutas contra franceses e venezianos. A paz sendo celebrada, retornou ao seu país à frente da infantaria da Liga da Suábia, que auxiliou Ulrich, duque de Württemberg, a recuperar seus domínios em 1519.

Durante a Dieta de Worms em 1521, proferiu palavras de encorajamento a Martinho Lutero e, durante a Guerra Italiana de 1521-1526, Frundsberg ajudou a comandar o Exército Imperial através da Picardia. Quando o rei Francisco I da França apareceu no campo de batalha com a força de aproximadamente quarenta mil homens, a retirada estratégica de Carlos V salvou-lhe a vida. Frundsberg considerou esta retirada em Valenciennes como "a maior sorte e a mais apropriada medida durante a guerra".

Soldado mercenário lansquenete

Depois de terminada a campanha da França, em 1522, Frundsberg resignou-se do comando dos lansquenetes, mas foi reconduzido na marcha de seis mil homens até o norte da Itália, numa dura travessia pela neve alta pelos Alpes Italianos, até a batalha de Bicocca, próximo a Milão, em abril. Mercenários suíços a pé lutaram ao seu lado no front. A vitória imperial em Bicocca permitiu a recuperação do domínio de Carlos V sobre Gênova e Milão, e também da maior parte da Lombardia.

Em 1525, após um breve descanso em Mindelheim, como "Maior Capitão de Campo" da Nação Alemã (tendo doze mil homens e vinte e nove porta-bandeiras), foi novamente enviado á Itália do norte para socorrer Pavia e o Ducado de Milão. Apesar do reforço de seis mil homens, dos quais alguns espanhóis, enfrentou na batalha um inimigo duas vezes mais numeroso e sagrou-se vencedor, na batalha de Pavia. Esta foi sua mais famosa vitória - coroada com a captura do próprio Rei de França, que foi então mantido prisioneiro.

Apenas um ano mais tarde, quando a guerra na Itália foi renovada, recebeu um chamado de auxílio das tropas imperiais na Lombardia, para decidir a guerra. Obteve então 36 mil táleres alemães para organizar um novo exército, quantia que era insuficiente. Durante sua permanência em Mindelheim, Frundsberg pediu dinheiro emprestado, vendeu a prataria da casa e jóias da esposa, a fim de adquirir os fundos restantes para organizar suas tropas. Em menos de três semanas reuniu mais de doze mil homens e novamente cruzou os Alpes, em meados de novembro de 1526. Uniu-se ao Condestável de Bourbon perto de Piacenza e marchou para Roma. Entretanto, a ordem e a disciplina foram quebradas próximo a Modena, no dia 13 de março de 1527, quando nenhuma batalha decisiva ocorrera após meses de campanha pela Itália. O pagamento dos mercenários vencera e não fora quitado e, ao final, Frundsberg não conseguiu reunir seus lansquenetes e restabelecer o comando.

A insubordinação abalou o velho comandante, que sofreu um ataque. Incapacitado de recuperar seu vigor físico, foi removido para a Alemanha depois de tratamento em hospitais italianos. Atormentado pela situação de seus mercenários, a quem chamava de "filhos amados", com a perda de seu patrimônio e a morte de um dos filhos, morreu no seu castelo em Mindelheim, legando a fama de soldado competente e cavalheiresco, fiel servo dos Habsburgo.

Seu filho Caspar (1500–1536) e seu neto Georg (morto em 1586) foram soldados distintos. Com a morte deste último, a família extinguiu-se.  Durante a 2ª Guerra Mundial, a 10ª Divisão Panzer das Waffen-SS foi batizada de Frundsberg, em homenagem ao antigo militar alemão.

 
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domingo, 6 de março de 2011

MUSEU MILITAR CONDE DE LINHARES

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Inaugurado em 12 de outubro de 1998, o Museu Militar localiza-se em São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Construído de agosto de 1920 a outubro de 1921, o prédio do Museu Militar Conde de Linhares foi ocupado inicialmente pela 1ª Companhia de Metralhadoras.

Mais tarde seviu de aquartelamento da Companhia de Intendência, onde eram formados os oficiais do Serviço de Intendência, os quais, com a transferência da Escola Militar do Realengo para Resende, passaram a compor o efetivo da Academia Militar das Agulhas Negras.

Foi sede também do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), passando em seguida a ser ocupado pela  5ª Brigada de Cavalaria Blindada, a qual permaneceu até 1996.

Em 1998 foi fundado o Museu Militar, que homenageia Dom Rodrigo de Souza Coutinho Teixeira de Andrade, o Conde de Linhares, nascido em Chaves, Portugal, em 1745.

Em 1808, o Conde de Linhares acompanhou a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, onde exerceu as funções de Ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros. Criou a Academia Real Militar, construiu a Casa da Pólvora e remodelou o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro. Faleceu nesta cidade no ano de 1812.

Carro de combate Renault FT-17 existente no acervo do MMCL

Recentemente, com o apoio de órgãos do Estado, Prefeitura, Fundação Cultural Exército Brasileiro e da iniciativa privada, encerraram-se em quase sua totalidade o que restava das adaptações e reformas, dando início a uma nova etapa do MMCL, agora como Centro Cultural, abrindo suas portas ao público em 6 de maio de 2001.

Hoje o museu conta com exposições de longa duração, como a evolução do armamento brasileiro e da tropa da Força Expedicionária Brasileira.  Além disso, o Museu dispõe de espaços para eventos que abrigam diversas exposições culturais. Consulte a programação no link:

http://www.fortedecopacabana.com/modules/mastop_publish/?tac=Inicio


Visitas:

Av. Pedro II, 383 - São Cristóvão
Rio de Janeiro - RJ, 20941-070
Tel:(21) 2589-9581
Exposições: terça a domingo e aos feriados das 10 às 17hs
Militares, menores de 10 anos, maiores de 80 anos e  grupos escolares têm entrada franca.

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