"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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terça-feira, 11 de outubro de 2022

A BATALHA DE FLEURUS (1622)

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Há quatrocentos anos, os espanhóis venciam um exército de mercenários protestantes na sangrenta Guerra dos Trinta Anos 


Em Fleurus, durante a Guerra dos Trinta Anos, o exército mercenário protestante do Conde Palatino, sob o comando do general mercenário Peter Ernst II von Mansfeld e seu tenente-general e comandante de cavalaria, o Duque Christian von Brunswick, de apenas 22 anos, foi interceptado pelo Exército do Palatinado espanhol, liderado por Gonzalo Fernández de Cordoba y Cardona (bisneto do Gran Capitan Gonzalo de Cordoba). 

Em julho de 1622, o Exército da Flandres, sob Ambrosio Spinola, havia iniciado o cerco de Bergen-op-Zoom. O exército mercenário de 12.000 homens recebeu a missão de invadir o sul da Holanda e aliviar o cerco da cidade. Depois que as tropas de Mansfeld atravessaram o rio Sambre, em 29 de agosto, os 8.000 homens liderados por Córdoba os confrontaram perto da cidade de Fleurus (Fleuru, no condado de Namur). Se o exército mercenário pudesse romper a linha católica, as tropas de Spinola corriam o risco de serem atacadas pela retaguarda.

Peter Ernst II von Mansfeld, Conde Palatino, comandante do exército de mercenários

Mansfeld comandou a infantaria no centro e o Duque Christian a cavalaria na ala direita. Córdoba, cuja cavalaria era fraca, ordenou a Baltasar de Santander que organizasse a infantaria em quatro grandes quadrados defensivos. Brunswick esperava romper a formação espanhola com um ataque frontal completo. 

A primeira carga foi repelida pela cavalaria do coronel Gauchier, mas Brunswick ordenou uma segunda carga. A primeira linha foi empurrada para trás novamente, mas a segunda linha conseguiu derrotar a cavalaria valã.  Brunswick, então, concentrou-se contra a infantaria espanhola, mas não conseguiu resistir ao ataque, pois os homens do famoso Tercio de Napoli, sob o comando do mestre de campo Francisco de Ibarra, mantiveram-se firmes enquanto os mosqueteiros camuflados na floresta começaram a disparar contra a cavalaria protestante. 

Mapa mostrando a primeira fase da Batalha de Fleurus (1622)


Durante uma quarta e última carga desesperada, Brunswick foi gravemente ferido por um tiro no braço esquerdo, que, mais tarde, foi amputado. Após cinco horas de combate, Mansfeld ordenou uma retirada. A cavalaria protestante fugiu, deixando a infantaria alemã à sua própria sorte, e muitos dos homens foram mortos ou capturados. Gauchier também capturou a artilharia de 11 canhões do inimigo e sua bagagem.

Derrotado na batalha, Brunswick teve seu braço esquerdo amputado por um tiro de mosquete

Os protestantes sofreram 5.000 baixas (mortos, feridos ou capturados), o Exército do Palatinado muito menos, cerca de 1.200.  Entre os mortos estavam vários nobres espanhóis, incluindo mestre de campo de Ibarra, atingido por um tiro de mosquete, bem como dois coronéis de Mansfeld: o Duque Frederick de Saxe-Weimar e o Conde Heinrich von Ortenburg.

A Batalha de Fleurus foi comemorada como uma grande vitória pelos espanhóis. Fernández de Cordoba y Cardona foi feito Marquês de Maratea pelo Rei Felipe IV. No entanto, Cordoba não havia conseguido impedir que 3.000 cavaleiros protestantes chegassem a Breda. Os esquadrões de Mansfeld se reuniram ao exército de Maurício de Nassau, Príncipe de Orange, e participaram do levantamento do cerco de Bergen-op-Zoom, no dia 2 de outubro.


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

GUARDA VARANGIANA: OS VIKINGS EM CONSTANTINOPLA

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Do século X até o século XIV, mercenários escandinavos se tornaram parte central na defesa do Império Romano do Oriente


Por Letícia Yazbek e Thiago Lincolins

Durante o verão de 987, os homens do general bizantino Bardas Focas se preparavam para invadir Constantinopla. Antes aliado do imperador Basílio II, Focas havia se rebelado para lhe tomar o poder e controlar o Império. Mas o imperador, que já esperava o ataque inimigo, contava com uma arma secreta. Em um acordo com o príncipe Vladimir I, dos Rus de Kiev, 6 mil guerreiros foram enviados para lutar pelo exército bizantino — em troca, Vladimir se casou com Ana, irmã do imperador.

Antes que Focas pudesse atacar, um grupo atravessou o Estreito de Bósforo em direção a Crisópolis, atual Üsküdar, onde os rebeldes festejavam. Armados com machados e espadas, os nórdicos trucidaram grande parte dos inimigos e colocaram em fuga os poucos que restaram.

No ano seguinte, os guerreiros enfrentaram Bardas Focas e seus homens na sangrenta Batalha de Abido, que terminou com a morte do general e na consolidação do poder de Basílio II — e de seu exército estrangeiro.

Era a instituição permanente da guarda varangiana, unidade de elite do exército bizantino que atuou como tropa de choque e defesa pessoal dos imperadores até o século 14. Conhecida pela fidelidade e violência extremas, seria a tropa mercenária mais famosa da História.


Vikings russos

O que vikings faziam na Ucrânia? No século IX, parte dos nórdicos que viviam na região de Uppland, hoje pertencente à Suécia, iniciou um movimento de migração em direção ao leste, em busca de prata e produtos como peles e âmbar. Liderados pelo rei Rurik, tomaram a cidade eslava de Novgorod.

Esses invasores eram chamados de rus. Segundo os pesquisadores Hunt Janin e Ursula Carl, autores de Mercenaries in Medieval and Renaissance Europe (Mercenários na Europa Medieval e Renascentista), “a palavra rus provavelmente tem origem no idioma nórdico antigo, e significa os homens que remam”, referência à forma como os vikings chegavam, de barco.

Navio Viking: "homens que remam".
 
Excelentes navegadores, os rus passaram a comercializar com os árabes e os gregos, controlando importantes rotas comerciais, como a do Rio Volga, que ligava o Mar Báltico ao Mar Cáspio, e a do Rio Dniepre, que os levava ao Mar Negro e a Constantinopla — o mais poderoso e organizado Estado da Europa, que seria alvo de ataques rus.

“Em 860, os varangianos [nome pelo qual os bizantinos os chamavam] atacaram e pilharam os arredores da capital imperial e, mesmo sem conseguir atacar Constantinopla devido à sua fortificação, eles se mostraram, conforme fontes bizantinas, como forças devastadoras”, afirma o historiador Johnni Langer, da Universidade Federal da Paraíba.

Escudo e armas Vikings
 
Em 882, sob o comando de Oleg, sucessor do rei Rurik, os rus migraram para o sul, em direção ao Rio Dniepre e à cidade de Kiev, expandindo seu território e influência na região. A partir de então, até por volta de 970, realizaram mais uma série de ataques ao Império Romano do Oriente (eles nunca se chamaram de bizantinos), que, diante do poder ofensivo inimigo, acabaram cedendo vantagens comerciais e oferecendo acordos de paz.


A serviço do imperador

No fim do século 10, enquanto muitos rus se aventuravam pelas rotas comerciais, outros optaram por atuar como uma guarda mercenária. Segundo Langer, há evidências de que a presença de vikings em uma elite militar bizantina teve início ainda no século 9, durante o governo do imperador Teófilo (829-842), quando estrangeiros eram contratados para lutar em batalhas específicas.

Autor de The Varangian Guard — 988-1453 (A Guarda Varangiana — 988-1453), o historiador Raffaele D’Amato cita uma operação realizada contra os muçulmanos de Creta, em 902, quando cerca de 700 varangianos estavam a serviço dos bizantinos.

O termo varangiano surgiu no século IX, quando os primeiros rus começaram a servir o Império Bizantino. Foi usado inicialmente pelos bizantinos e depois apropriado pelos rus. Segundo Janin e Carl, a palavra tem origem no termo nórdico antigo vaering, que significa algo como aliado, confiança ou voto de fidelidade.

Mercenários da Guarda Varangiana a serviço do Imperador bizantino
 
Ela se refere a um grupo de guerreiros ou comerciantes que jurou lealdade ao seu líder e fraternidade entre si.” Foi só em 988, após o acordo entre Basílio II e Vladimir I de Kiev, quando a tropa de 6 mil homens foi enviada em auxílio ao imperador, que a aliança política entre norte e sul foi consolidada.

Impressionado com a rapidez, a ferocidade, o empenho e as técnicas de ataque com que ao varangianos derrotaram os homens de Bardas Focas, Basílio II decidiu contratá-los como sua guarda pessoal. A vantagem, para ele, era enorme: além da fama de brutalidade, que fazia com que fossem respeitados por onde passassem, o povo era conhecido por sua lealdade comprovada.

Os estrangeiros logo se mostraram muito mais habilidosos e confiáveis do que os próprios guardas bizantinos. “Sendo mercenários, podiam ser controlados com dinheiro, sempre uma vantagem em vez de recrutar bizantinos — que poderiam se rebelar por questões políticas ou sociais”, conta Langer.

Utilizada principalmente como defesa do palácio e do imperador, a guarda varangiana era a unidade mais bem paga de todas as tropas do Império. Focados no objetivo de enriquecer, os soldados nórdicos se entregavam à tarefa em troca de dinheiro, terras e cidadania.

Diante da lealdade e do terror provocado pelos varangianos, os sucessores de Basílio II continuaram a utilizá-los como guardas pessoais e tropa especial. Ao longo dos séculos que se seguiram, a guarda ganhou importância e se tornou uma das forças mais respeitadas do Império.


Ajuda decisiva 

Inicialmente, a guarda era composta de descendentes de escandinavos. À medida que crescia, passou a incluir diferentes homens, entre eles: anglo-saxões, irlandeses e escoceses. Na época, era uma honra servir aos imperadores bizantinos.

Assim, uma taxa de 7 a 16 libras (328 g, na libra romana) de ouro passou a ser cobrada para que os homens pudessem entrar na guarda. Muitas vezes o próprio imperador emprestava a quantia. Em troca, os soldados pagariam a dívida com o salário que recebiam por suas atuações. A confiança que os imperadores investiram nos guerreiros só foi possível devido aos esforços nos campos de batalha.

Guardas Varangianos escoltando o corpo do Imperador leão V, em 820, em uma iluminura bizantina

Durante a Batalha de Beroia, em 1122, no local que é hoje a Bulgária, a guarda varangiana demonstrou todo o seu poder. Inicialmente, o conflito foi travado entre o exército regular com pechenegues, um povo seminômade da Ásia Central que havia invadido o Império. Essas tropas bizantinas não foram capazes de conter a invasão.

A luz no fim do túnel veio com os varangianos. Com machados dinamarqueses que mediam em torno de 1 metro, e com uma enorme fúria, os vikings fizeram com que os pechenegues fugissem. Os que sobreviveram foram aprisionados e se juntaram às fileiras da guarda varangiana.


Soldado-celebridade

Um nome notório que atuou na guarda foi Harald Hadrada. O futuro rei da Noruega chegou a Constantinopla em 1034. Como membro da guarda, se diferiu dos vikings que protegiam os imperadores. Hadrada e os seus 500 homens participaram de batalhas nas fronteiras do Império.

Inicialmente, ele e os seus homens participaram de campanhas contra piratas árabes no Mediterrâneo. Depois foram para as cidades do interior da Ásia Menor. Por volta de 1035, Harald também prestou serviços no leste do Eufrates.

Harald Hadrada, rei da Noruega, atuou como membro da Guarda Varangiana.

De acordo com os relatos de Thiodholf Arnorsson, poeta da corte dos reis, ele participou da captura de 80 fortalezas árabes. O prestígio veio quando Harald, e os outros guerreiros varangianos, foram enviados para lutar na Bulgária, em 1041, ao lado do exército liderado por Miguel IV, contra a revolta búlgara.

Após o conflito, Harald recebeu o título de honra bizantino Spatharokandidatos (Espatarocandidato) e o apelido Bolgara brennir (Búlgaro incendiário), devido à sua participação intimidadora.

“No serviço da Guarda, Hardrada viu ação extensiva, tendo participado de campanhas na Itália, Sicília, Bulgária e no Oriente, tendo ainda viajado até Jerusalém, possivelmente em escolta de peregrinos de alta importância no Império Bizantino. Sua vida no leste lhe garantiu fama, reputação e uma boa fortuna, que usou para financiar sua reivindicação ao trono da Noruega”, diz Langer.

Harald teria sido preso após a realização de um saque indevido da fortuna do imperador Miguel V. Ele foi libertado quando o imperador perdeu o trono após um reinado curto de quatro meses. Só deixaria a guarda de fato em 1043, quando voltou para a sua terra e iniciou o processo para assumir o trono da Noruega.


Desastre 

O declínio dos vikings bizantinos se relaciona, em grande parte, à queda de Constantinopla, devido às consequências da Quarta Cruzada, de 1204. Foi feito um acordo com a República de Veneza para prover o transporte deles até o Egito, no caminho para a reconquista de Jerusalém. Mas, antes mesmo de saírem, receberam uma proposta do príncipe Alexios Angelos para realizarem um desvio para Constantinopla.

Angelos queria que eles o ajudassem a se instalar no trono de seu pai, Alexios III, deposto por uma revolta. Em troca, receberiam suprimentos e financiamento para o resto da missão. Com a ajuda dos cruzados e seus aliados venezianos, Alexios, o filho, seria feito imperador em 1203.

No ano seguinte, outra revolta o levou do trono para o precipício. Quando os cruzados souberam que Alexios havia sido executado, decidiram tomar Constantinopla — o notório saque seria a forma de receberem o pagamento prometido pelo imperador.

O cerco começou em 8 de abril de 1204, e no dia 12 os cruzados conseguiram atravessar os muros, iniciando um saque que iria até o dia seguinte. E foi nesse momento que os vikings bizantinos entraram em ação. A guarda travou uma sangrenta luta com os venezianos que escalaram as muralhas pelo mar. Mas foi em vão, diante dos números dos cruzados.

O cerco de Constantinopla em 1204
 
Com a capital do Império queimada, saqueada e vandalizada, a guarda varangiana perdera o seu impacto. Passou a desempenhar funções secundárias ou cerimoniais. Alguns dos guerreiros ainda serviram ao Império de Niceia ou ao Principado do Epiro, fragmentos do Império Romano do Oriente.

Outros varangianos lutaram contra os búlgaros em 1265. Em 1351, foram mencionados como guardas do imperador João V. “Diversos elementos da identidade dos vikings bizantinos eram providos pela cultura e religião nórdica pagã, que desapareceram aos poucos com a cristianização dos guerreiros”, afirma Langer.

Constantinopla voltaria às mãos dos bizantinos, pela Dinastia Paleóloga, em 1261 . A essa altura, os nórdicos já estavam totalmente integrados na vida cristã europeia. Não havia mais vikings. A guarda não foi reconstruída.

O novo Império Romano — eles continuaram a se chamar assim, nunca bizantinos ou gregos — não duraria dois séculos, caindo diante dos canhões de 5 metros do Império Otomano em 1453. Provavelmente, a essa altura, uma força viking não teria muito a fazer. Mas nunca vamos saber.

Fonte: Aventuras na História

segunda-feira, 22 de julho de 2019

IMAGEM DO DIA - 22/7/2019

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Um sargento e três legionários pertencentes ao 2º Regimento Estrangeiro francês em serviço no Marrocos. Junho de 1903.

sábado, 11 de maio de 2019

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - BERNARD DE SAXE-WEIMAR

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Bernard, Duque de Saxe-Weimar, foi um general protestante durante a Guerra dos Trinta Anos.

* 16/8/1604 - Weimar, Alemanha

+ 18/7/1639 - Neuenburg am Rhein, Alemanha


Tendo começado sua carreira muito jovem, no início do conflito, sofreu junto com as forças protestantes as primeiras derrotas contra as forças do imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Sua fama teve início após a entrada da Suécia no conflito, pois Bernard logo conquistou a confiança do rei Gustavo II Adolfo. Distinguiu-se na batalha de Breitenfeld (1931) ao comandar o flanco esquerdo do exército sueco. Na batalha de Lützen, em novembro de 1632, desempenhou um papel ainda mais relevante. Quando, no auge da batalha, o rei sueco foi morto, coube a Bernard realinhar as forças protestantes, deter as tropas de Albrecht von Wallenstein e capturar a artilharia imperial.

Após a morte de Gustavo Adolfo, o campo protestante entrou em nova crise e Bernard, tendo a seu lado o general sueco Horn, foi fragorosamente derrotado na batalha de Nördlingen (1634).

Bernard Saxe-Weimar reunido com seus oficiais


Após aquela derrota, Bernard de Saxe-Weimar, embora sem deixar de combater os imperiais, tornou-se, na prática, um general mercenário. Em 1635 transferiu seu pequeno exército (cerca de 9.000 homens) à França, que acabara de entrar na guerra. Com estas ferozes tropas weimarianas, ele tentaria criar seu próprio domínio territorial, centrado na praça forte de Breisach. Antes que isto fosse possível, contudo, morreu após uma forte febre em 1639.

O príncipe Bernard em sua montaria

Após sua morte, os comandantes mercenários perderam sua influência política, e até militar, durante o absolutismo. Já não se veriam mais homens como Wallenstein, Mansfeld e Saxe-Weimar tentando usar seus exércitos para criar para si novos estados. Já não se veriam mais exércitos mercenários autônomos, mas sim regimentos formados por mercenários e enquadrados aos exércitos nacionais.

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

IMAGEM DO DIA - 5/4/2018

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Lansquenetes alemães na Batalhão de Marignano (1515). De acordo com o Sacro Imperador Romano-Germânico Maximiliano I, "sua vida é tão curta que se alegrar com suas roupas é um de seus poucos prazeres."




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sábado, 5 de agosto de 2017

UMA NADA ORTODOXA FORÇA AÉREA PRIVADA NO AFEGANISTÃO

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O fundador da companhia militar privada Blackwater quer impulsionar a guerra aérea afegã com sua força aérea particular

Por Shawn Snow e Mackenzie Wolf 


Erik Prince, o ex-CEO da companhia militar privada conhecida como Blackwater, quer intensificar a guerra aérea afegã com uma força aérea privada capaz de coleta de inteligência e apoio aéreo aproximado, de acordo com uma proposta recente submetida ao governo afegão.

De acordo com um oficial superior afegão, Prince apresentou uma proposta de negócios que oferece uma "ala aérea composta" para ajudar a incipiente força aérea afegã em sua luta contra o Talibã e outros grupos militantes.

O desenvolvimento vem no momento em que a Casa Branca está considerando um plano para desencadear o envolvimento dos EUA no Afeganistão e substituir o vácuo de poder que se segue com empreiteiros privados.

Erik Prince, fundador e ex-CEO da Blackwater ofereceu ao governo afegão os serviços de sua força aérea privada

Os funcionários do Pentágono são céticos com esse plano. Além disso, um alto funcionário de defesa afegão disse ao jornal Military Times que o general John Nicholson, comandante das forças dos EUA no Afeganistão, se recusou a encontrar-se com Prince para tratar do plano.

O Military Times tentou entrar em contato com funcionários militares dos EUA no Afeganistão para um comentário sobre a reunião de Nicholson - ou a inexistência dela - com o Prince, mas ainda não recebeu uma resposta.

A proposta apresentada ao governo afegão em março inclui uma impressionante variedade de aeronaves de combate para uma empresa privada. A proposta inclui aviões de asa fixa, helicópteros de ataque e drones capazes de fornecer apoio aéreo aproximado para a manobra das forças terrestres, de acordo com uma cópia da proposta obtida pelo Military Times.

A proposta promete fornecer apoio aéreo de "resposta de alta velocidade", no qual "todo o país pode ser atendido em menos de 1 hora".  A proposta afirma que as decisões de liberação de armas ainda serão feitas pelos afegãos.

Dois jatos L-39 Albatross do Corpo Aéreo Nacional Afegão realizando voo de formatura sobre Cabul

Os quadros aéreos também serão equipados com sensores para fornecer coleta de inteligência, que inclui inteligência de imagens, inteligência de sinais e inteligência de comunicação. A aeronave seria operada pelos funcionários da empresa privada.

Uma ferramenta em particular é uma aplicação do iPhone chamada Safe Strike, uma ferramenta para os controladores aéreos aproximados chamarem com segurança e precisão os ataques aéreos. A proposta também promete "conduzir a evacuação médica em situações de combate", com "ex-médicos militares e atiradores de porta".

A força aérea afegã está nos primeiros estágios de transição de sua antiga frota de helicópteros russos de transporte Mi-17 para o modelo UH-60A modelo Black Hawks - um desenvolvimento que Nicholson considera necessário para ajudar a quebrar o impasse no Afeganistão.  No entanto, esses helicópteros não chegarão ao Afeganistão antes de dois anos, e o treinamento não deverá começar até o final deste outono.

Com o aumento das baixas do campo de batalha e o contínuo balanço do território entre o controle do governo afegão e do Talibã, a proposta de Prince procura fornecer uma força aérea privada provisória, enquanto a força aérea afegã atinge a capacidade operacional total.

No entanto, nem todos estão de acordo com o plano. Ronald Neumann, o embaixador dos EUA no Afeganistão de 2005 a 2007 e agora presidente da Academia Americana de Diplomacia, disse que o Afeganistão não aceitará uma força contratada privada. "O presidente Ghani me disse que não vai aceitar", disse Neumann ao Military Times em uma entrevista. "Os afegãos nunca aceitarão isso".

Neumann também questionou a legalidade e o custo de usar uma força contratada privada ao invés de utilizar os recursos militares dos EUA. "Não pode ser mais barato", disse ele. "Essa ideia de que é de alguma forma mais barata é ridícula. Qualquer força terá os mesmos requisitos [de suporte e logísticos].” As forças contratadas também não teriam as mesmas proteções legais sob o direito internacional, disse Neumann.

No entanto, este não é o primeiro rodeio de Erik Prince. O ex-CEO da Blackwater provocou uma controvérsia há uma década, quando sua empresa forneceu centenas de milhões de dólares em serviços de apoio à segurança para o governo dos EUA no Iraque.

Mais recentemente, Prince usou sua força aérea privada em todo o mundo para incluir Somália, Iraque e Sudão do Sul. Prince também teria laços estreitos com o governo Trump: ele é o irmão da Secretária de Educação, Betsy DeVos, e foi supostamente aprovado para criar uma linha de comunicação do canal de retorno com o governo russo durante a transição do Trump.

Helicóptero Bell 412, com matrícula civil, pertencente à EP Aviation

A empresa Prince é agora chamada Frontier Services Group e tem sede em Hong Kong. Através de uma afiliada conhecida como EP Aviation, Prince opera sua própria força aérea pessoal. Na África Central, a luta contra o Exército de Resistência do Senhor é reforçada pelo poder aéreo de Prince. Os helicópteros registrados na EP Aviation foram vistos transportando tropas das Forças Especiais dos EUA na região da África Central, conforme relatório do Daily Beast.

A empresa nomeada na proposta ao governo afegão, Lancaster6, já está operando algumas de suas aeronaves no Afeganistão, oferecendo transporte de mão-de-obra, transporte de tropas e lançamento de suprimentos e cargas com paraquedas.  Não está claro exatamente o papel atual de Prince na Lancaster6, que é baseada em Dubai. O oficial afegão disse que Prince apresentou pessoalmente a proposta de Lancaster6 às autoridades afegãs.

O atual CEO da Lancaster6, de acordo com um perfil pessoal do LinkedIn, é o ex-diretor de operações e diretor de aviação do Prince's Frontier Services Group, Christiaan Durrant. Durrant foi recrutado por Erik Prince para construir sua força aérea privada, de acordo com um relatório do jornal The Intercept.  Tanto o Frontier Services Group e a Lancaster6 não responderam aos pedidos de comentários do Military Times.

As forças afegãs, desde que assumiram a responsabilidade pela segurança do Afeganistão em 2015, têm suportado o peso do sacrifício com dezenas de vidas perdidas todos os dias, disse um oficial afegão ao Military Times. "A aviação é uma parte importante da luta contra o terrorismo", disse o militar. "Esperamos que as forças de segurança afegãs sejam providas de aeronaves adequadas, modernas e sofisticadas, em última instância, estas são as forças afegãs que continuarão a garantir que a região esteja protegida contra o terrorismo, a um longo prazo".

Comandos do Exército Nacional Afegão se preparam para realizar uma missão na província de Kandahar, em 20 de fevereiro de 2013. A capacidade da força aérea afegã continua limitada.

Uma porta-voz do Pentágono se recusou a comentar especificamente sobre a proposta contratada por Prince. "O secretário escuta muitos pontos de vista diferentes na formulação de planos militares", disse Dana W. White, porta-voz do secretário de Defesa, James Mattis.  "No momento, seu foco permanece em trabalhar com seus colegas membros do gabinete e com a Casa Branca para completar uma estratégia nacional para o sul da Ásia", disse ela. "Qualquer decisão que ele tome em relação aos níveis das trocas ou outro apoio ao Afeganistão apoiará essa estratégia".

De acordo com a proposta, o apoio aéreo contratado continuará até que os afegãos deixem de perder território até 2017-2018, e as forças afegãs começarem a retomar o terreno perdido para o Talibã.

Atualmente, há cerca de 8.500 soldados dos EUA no Afeganistão, número muito abaixo do pico de cerca de 100.000 em 2011. Os EUA fornecem apoio aéreo aproximado para forças terrestres afegãs em operações contra o Talibã e a facção do grupo do Estado islâmico no Afeganistão.

Fonte: Air Force Times

sábado, 28 de setembro de 2013

A BATALHA DE PAVIA (1525)

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A Batalha de Pavia, ocorrida na manhã de 24 de fevereiro de 1525, foi um acontecimento decisivo para a Guerra Italiana de 1521-1526. O exército Habsburgo, sob o comando nominal de Carlos de Lannoy e trabalhando em conjunto com a guarnição de Pavia, comandada por Antonio de Levya, atacou os franceses sob o comando pessoal do rei Francisco I no grande campo de Mirabello, no lado externo dos muros da cidade.

Em quatro horas de luta, o exército francês foi dividido e derrotado fragrorosamente. O gauleses tiveram vítimas numerosas, que incluíam muitos dos principais nobres de França. O próprio Rei Francisco I foi capturado pelas tropas inimigas e, levado preso ao seu oponente, Imperador Carlos V, foi forçado a assinar o humilhante Tratado de Madri, pelo qual cedia territórios significantes ao adversário.


Antecedentes

Os franceses, tendo a possessão da Lombardia deste o começo da Guerra Italiana de 1521-1526, foram forçados a abandoná-la depois de sua derrota na Batalha de Bicocca, em 1522. Determinado a recuperá-la, Francisco I ordenou a invasão da região no começo do ano seguinte, sob as ordens de Guillaume Gouffier, Senhor de Bonnivet; mas este foi derrotado pelas tropas imperiais na Batalha de Sesia e forçado a se retirar para a França.

Carlos de Lannoy lançou uma invasão da Provença, que estava sob o comando de Fernando de Ávalos, Marquês de Pescara, e de Carlos III, Duque de Bourbon, que havia recentemente traído Francisco, pois este lhe retirara os domínios, e aliara-se ao Imperador. Embora inicialmente obtivesse sucesso, a ofensiva imperial perdeu valioso tempo durante o Cerco de Marselha e foi forçada a bater em retirada para a Itália, com a chegada em Avignon de Francisco I e do grosso do exército.

Francisco I, rei da França, derrotado e capturado em Pavia

Em meados de outubro de 1524, o rei franco cruzou os Alpes e avançou sobre Milão, ele próprio no comando de um exército que somava mais de quarenta mil homens. Bourbon e Ávalos, cujas tropas ainda não haviam se recuperado da campanha em Provença, não estavam em condições para oferecer nenhuma resistência séria. O exército francês movia-se em muitas colunas, ignorando as tentativas imperiais de conter seu avanço, mas sem levar o corpo principal para o combate. A este tempo, Carlos de Lannoy, que conseguira juntar cerca de dezesseis mil homens para resistirem aos trinta e três mil das tropas francesas em Milão, decidiu que a cidade não poderia ser defendida e ordenou a retirada para Lodi em 26 de outubro. Tendo entrado em Milão e instalado Luís II de la Trémoille como seu governador, Francisco, pressionado por Bonnivet e contrariando o conselho dos seus demais velhos comandantes, que defendiam uma vigorosa perseguição as tropas de Lannoy em retirada, avançou para Pavia, onde Antônio de Leyva permanecia com uma considerável guarnição imperial

O grosso das tropas francesas chegou a Pavia nos últimos dias de outubro. A 2 de novembro, Montmorency tinha cruzado o rio Ticino e investiu contra a cidade pelo sul, completando seu cerco. Em seu interior havia um contingente de aproximadamente nove mil soldados, principalmente mercenários que Leyva só conseguiu pagar derretendo a prata das igrejas. Um período de escaramuças e bombardeios de artilharia se seguiu e, em meados de novembro, várias aberturas foram feitas no muro.

Em 21 de novembro Francisco I tentou uma incursão na cidade, através de duas dessas aberturas, mas desistiu depois de sofrer pesadas baixa. Impedido de realizar novo ataque por causa da chuva e escassez de pólvora, o francês decidiu que a fome grassasse entre os defensores da cidade.


No começo de dezembro, uma força espanhola comandada por Hugo de Moncada aportava próximo a Gênova, com a inteção de interferir num conflito entre as facções pró-Valois e pró-Habsburgo da cidade. Francisco, então, despachou sua maior tropa, ao comando do Marquês de Saluzzo, para os interceptar. Confrontados pelo maior contingente das tropas francesas, e sem poder contar com apoio naval com a chegada de uma frota francesa comandada por Andrea Doria, as tropas espanholas se renderam. Francisco assinou um acordo secreto com o Papa Clemente VII para que este não apoiasse Carlos I em troca de sua ajuda na conquista de Nápoles.

Novamente contrariando seus conselheiros militares, Francisco destacou um grande contingente de suas forças, sob comando de John Stewart, Duque de Albany, e as enviou rumo sul para ajudar ao Papa. Lannoy tratou de interceptar a expedição de Stewart perto de Fiorenzuola, mas sofreu severas baixas e viu-se forçado a voltar a Lodi por causa da intervenção dos temidos Bandos Negros – segundo muitos autores os melhores mercenários italianos do momento — de Giovanni de Médicis, que acabaram por entrar no conflito ao serviço dos franceses por iniciativa do Papa, primo da mãe de Giovanni, também da família Médicis. Ato contínuo, o Condottieri Giovanni dirigiu-se a Pavia com reservas de pólvora, reunidas pelo Duque de Ferrara. Naquele momento as posições francesas viram-se debilitadas com a partida de cerca de cinco mil grisões, mercenários, que regressaram aos seus cantões para defendê-los de iminente ataque de lansquenetes.

Em janeiro de 1525, doze mil lansquenetes chegaram, sob comando de Georg von Frundsberg, para alívio de Lannoy, que retomou a ofensiva. Ávalos capturou a posição francesa em San Angelo, cortando a comunicação entre Pavia e Milão, enquanto uma coluna à parte de lansquenetes avançava em Belgiojoso e, apesar de retê-los brevemente um ataque liderado por Médicis e por Bonnivet, ocuparam a cidade. Em 2 de fevereiro Lannoy havia chegado a poucos quilômetros de Pavia. Francisco havia levantado o acampamento com o grosso de seu exército no grande campo amuralhado de Mirabello, fora dos muros da cidade, entre a guarnição de Levya e o exército auxiliar que vinha a caminho. No correr de fevereiro as tropas de Levya continuaram hostilizando os sitiantes. Médicis foi seriamente ferido e se retirou para Piacenza para recuperar-se, forçando Francisco a trasladar grande parte de sua guarnição em Milão para suprir a falta dos Bandos Negros. Tais escaramuças tiveram efeito quase nulo no resultado final da batalha. A 21 de fevereiro os comandantes imperiais, com escassas provisões e crendo equivocadamente serem inferiores em número aos franceses, decidiram lançar um ataque ao castelo de Mirabello, tanto para fazerem boa figura e desmoralizar os franceses, como para poderem se retirar com certa segurança.


Ocupação do dispositivo

Na noite de 23 de fevereiro, as tropas imperiais de Lannoy saíram das muralhas, enquanto a artilharia imperial distraía os franceses com mais um bombardeio de suas linhas - algo que já era rotineiro durante o longo cerco - e assim ocultar o movimento de Lannoy. Enquanto isso, na madrugada do dia 24, engenheiros imperiais trabalhavam nas muralhas do acampamento francês, a fim de abrir passagens, próximo à Porta Pescarina e da aldeia de San Genesio, por onde o exército imperial pudesse atravessar rapidamente.

Fernando de Ávalos, um dos comandantes imperiais em Pavia

Antes de cinco horas da manhã, cerca de três mil arcabuzeiros, sob comando de Fernando de Ávalos tinham entrado no acampamento e avançavam rapidamente pelo Castelo de Mirabello, onde acreditavam ser o quartel-general dos franceses. Simultaneamente, a cavalaria ligeria imperial espalhou-se pelo parque, a fim de interceptar qualquer movimento francês. Enquanto isso, um destacamento da cavalaria francesa, comandado por Charles Tiercelin, encontrou-se com a cavalaria imperial, iniciando as escaramuças. Um bloco de piqueiros de mercenários suíços, comandados por Robert de la Marck, moveu-se em seu auxílio, precedendo uma bateria da artilharia espanhola que tinha sido arrastada para o interior do acampamento inimigo. Perderam os arcabuzeiros de De Vasto - que tinham, antes das seis horas e meia, emergido dos bosques próximos ao castelo e rapidamente o invadido - pois estes, num infeliz acaso, encontraram com seis mil lansquenês de Georg Frundsberg. Às sete hora uma batalha em larga escala das infantarias tinha se desenvolvido não muito longe da passagem original.


O ataque francês

Uma terceira onda de tropas - as cavalarias pesadas espanholas e imperiais, sob comando do próprio Lannoy, e a infantaria sob as ordens Ávalos - moveram-se para o interior dos bosques, justamente onde acampava o rei Francisco I. O monarca, em um primeiro momento, não percebera a magnitude do ataque imperial, mas, por volta das sete horas e vinte minutos, Ávalos avançou contra a bateria francesa de artilharia, que iniciara o fogo contra as linhas espanholas. Isto alertou Francisco, que lançou finalmente uma carga da inteira força de gendarmes contra a imensa cavalaria de Lannoy, dispersando os espanhóis às sete horas e quarenta minutos.

Cavalaria francesa ataca precipitadamente as forças espanholas


O avanço precipitado de Francisco, entretanto, não apenas colocou suas tropas na linha de fogo da artilharia - impedindo-a, portanto, de agir - como ainda afastou para longe a infantaria francesa, comandada por Richard de la Pole e por François de Lorraine, que comandava os Bandos Negros, formados por renegados piqueiros lansquenetes, que somavam entre quatro e cinco mil homens. Fernando de Ávalos, assumindo o comando das tropas espanholas depois que Lannoy tinha acompanhado os embates da cavalaria, reuniu seus homens na extremidade dos bosques e enviou mensageiros a Bourbon, Frundsberg e De Vasto, pedindo ajuda.

Frundsberg estava provisoriamente batendo a infantaria pesada suíça que lhe excedia em número; Tiercelin e Flourance não haviam conseguido se unir às suas tropas, e os franceses começaram a fugir do campo de batalha.


Desfecho

Às oito horas o grupo de piqueiros e aracabuzeiros imperiais investiram sobre a cavalaria francesa por todos os lados. Precisando de espaço para manobrar junto aos bosques, os gendarmes foram cercados e sistematicamente mortos. Suffolk e Lorraine, avançando para auxiliar o rei, foram atacados pelos lansquenetes de Frundsberg que chegavam. A infantaria francesa estava dividida e derrotada, Richard de la Pole e Lorraine foram mortos no combate. Uma luta particularmente intensa foi travada entre os lansquenetes, a serviço do seu Imperador, e os renegados dos Bandos Negros, que foram cercados pelos piqueiros de Frundsberg e completamente exterminados.

Artilharia imperial abre fogo contra as linhas francesas

O Rei dos franceses lutava sobre seu cavalo, que foi morto pelo condottieri Cesare Hercolani. Sem sua montaria e cercado por arcabuzeiros, Francisco I foi feito prisioneiro e levado sob escolta para fora do campo. Os fatos exatos da rendição de Francisco - em particular sobre quem o tenha feito prisioneiro – são controversos, havendo uma variedade de personagens como Alonso Pita da Veiga e o próprio Lannoy indicados por diversos historiadores.

Enquanto isso, Antônio de Leyva saíra com a guarnição, perseguindo os três mil suíços sob comando de Montmorency que estavam na linha do cerco. As tropas suíças - bem como os comandantes Montmorency e Flourance - tentaram fugir pelo rio, sofrendo com isso numerosas baixas. A retarguada francesa, sob comando do Duque de Alençon, não havia tomado parte da batalha e, quando este percebeu o que havia ocorrido no acampamento, retirou-se rapidamente para Milão. Às nove horas da manhã a batalha já havia terminado.


Consequências

A derrota francesa em Pavia foi decisiva. Além do rei, vários nobres, incluindo os principais comandantes Montmorency e Flourance, foram capturados; um número ainda maior - entre eles Bonnivet, Le Tremoille, La Palice, Suffolk e Lorraine - foram mortos na luta. Francisco foi levado preso à fortaleza de Pizzighettone, onde escreveu uma famosa carta à sua mãe, que ficara como regente, dizendo: “Para informar-te de como vão ocorrendo-me as desgraças, tudo está perdido, menos a honra e a vida, que estão a salvo.”

Logo depois soube que o Duque de Albany havia perdido a maior parte de seu exército por atritos e deserções, e tinha retornado à França sem jamais ter chegado em Nápoles. O remanescente das alquebradas tropas francesas, fora uma pequena guarnição que partira para guardar o Castelo Sforzesco em Milão, retirou-se pelos Alpes sob o comando de Charles IV de Alençon, alcançando Lion em março.

 

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sábado, 3 de novembro de 2012

IMAGEM DO DIA - 03/11/2012

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 Mercenários alemães durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Praticamente todos os exércitos da Idade Moderna empregavam tropas mercenárias.

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sábado, 12 de março de 2011

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GEORG VON FRUNDSBERG


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*  23/09/1473

+  20/08/1528


Georg von Frundsberg foi um cavaleiro e chefe lansquenete alemão do Sacro Império Romano-Germânico durante a dinastia austríaca dos Habsburgos. Frundsberg era filho de Ulrich von Frundsberg e sua esposa Barbara von Rechberg em Mindelheim, numa velha linhagem de cavaleiros tiroleses que se instalaram na Suábia Superior.

Lutou a serviço do Imperador do Sacro Império Maximiliano I, contra a Suíça durante a Guerra da Suábia de 1499 e, no mesmo ano, integrou as tropas Imperiais enviadas para ajudar Ludovico Sforza, Duque de Milão, contra os franceses. Ainda servindo a Maximiliano, tomou parte em 1504 na guerra pela sucessão do ducado da Bavaria-Landshut, lutando contra os Condes Pfalz, Philipp e Ruprecht. Distinguiu-se durante a batalha de Regensburgo. Maximiliano pessoalmente distinguiu-o com o título de cavaleiro. Mais tarde, lutou também nos Países Baixos.

Convencido da necessidade de um corpo nativo de infantaria treinado, Frundsberg auxiliou Maximiliano na organização dos Lansquenetes. Um ano depois foi feito comandante dos lansquenetes nos países mais ao sul. Depois disso, Frundsberg teve uma vida de guerras ininterruptas, em campanhas pelo Império ou pelos Habsburgos. Em 1509, tornou-se "Capitão de Campo Superior" do Regimento Lansquenete (força de ocupação) e participou da guerra contra a República de Veneza, ganhando fama para si e seus homens, após defender a cidade de Verona contra numerosos ataques.

Depois de curta visita à Alemanha, retornou para a península italiana onde, entre 1513 e 1514 conquistou os louros da vitória por suas lutas contra franceses e venezianos. A paz sendo celebrada, retornou ao seu país à frente da infantaria da Liga da Suábia, que auxiliou Ulrich, duque de Württemberg, a recuperar seus domínios em 1519.

Durante a Dieta de Worms em 1521, proferiu palavras de encorajamento a Martinho Lutero e, durante a Guerra Italiana de 1521-1526, Frundsberg ajudou a comandar o Exército Imperial através da Picardia. Quando o rei Francisco I da França apareceu no campo de batalha com a força de aproximadamente quarenta mil homens, a retirada estratégica de Carlos V salvou-lhe a vida. Frundsberg considerou esta retirada em Valenciennes como "a maior sorte e a mais apropriada medida durante a guerra".

Soldado mercenário lansquenete

Depois de terminada a campanha da França, em 1522, Frundsberg resignou-se do comando dos lansquenetes, mas foi reconduzido na marcha de seis mil homens até o norte da Itália, numa dura travessia pela neve alta pelos Alpes Italianos, até a batalha de Bicocca, próximo a Milão, em abril. Mercenários suíços a pé lutaram ao seu lado no front. A vitória imperial em Bicocca permitiu a recuperação do domínio de Carlos V sobre Gênova e Milão, e também da maior parte da Lombardia.

Em 1525, após um breve descanso em Mindelheim, como "Maior Capitão de Campo" da Nação Alemã (tendo doze mil homens e vinte e nove porta-bandeiras), foi novamente enviado á Itália do norte para socorrer Pavia e o Ducado de Milão. Apesar do reforço de seis mil homens, dos quais alguns espanhóis, enfrentou na batalha um inimigo duas vezes mais numeroso e sagrou-se vencedor, na batalha de Pavia. Esta foi sua mais famosa vitória - coroada com a captura do próprio Rei de França, que foi então mantido prisioneiro.

Apenas um ano mais tarde, quando a guerra na Itália foi renovada, recebeu um chamado de auxílio das tropas imperiais na Lombardia, para decidir a guerra. Obteve então 36 mil táleres alemães para organizar um novo exército, quantia que era insuficiente. Durante sua permanência em Mindelheim, Frundsberg pediu dinheiro emprestado, vendeu a prataria da casa e jóias da esposa, a fim de adquirir os fundos restantes para organizar suas tropas. Em menos de três semanas reuniu mais de doze mil homens e novamente cruzou os Alpes, em meados de novembro de 1526. Uniu-se ao Condestável de Bourbon perto de Piacenza e marchou para Roma. Entretanto, a ordem e a disciplina foram quebradas próximo a Modena, no dia 13 de março de 1527, quando nenhuma batalha decisiva ocorrera após meses de campanha pela Itália. O pagamento dos mercenários vencera e não fora quitado e, ao final, Frundsberg não conseguiu reunir seus lansquenetes e restabelecer o comando.

A insubordinação abalou o velho comandante, que sofreu um ataque. Incapacitado de recuperar seu vigor físico, foi removido para a Alemanha depois de tratamento em hospitais italianos. Atormentado pela situação de seus mercenários, a quem chamava de "filhos amados", com a perda de seu patrimônio e a morte de um dos filhos, morreu no seu castelo em Mindelheim, legando a fama de soldado competente e cavalheiresco, fiel servo dos Habsburgo.

Seu filho Caspar (1500–1536) e seu neto Georg (morto em 1586) foram soldados distintos. Com a morte deste último, a família extinguiu-se.  Durante a 2ª Guerra Mundial, a 10ª Divisão Panzer das Waffen-SS foi batizada de Frundsberg, em homenagem ao antigo militar alemão.

 
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