"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



terça-feira, 25 de maio de 2010

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – BRIGADEIRO ANTÔNIO DE SAMPAIO



* 24/05/1810 – Tamboril, CE

+ 06/07/1866 – a bordo do vapor Eponina



No último dia 24 de maio, comemorou-se em todo o Brasil o bicentenário do Brigadeiro Antônio de Sampaio, o patrono da arma de Infantaria do Exército Brasileiro e um dos maiores soldados brasileiros do período Imperial.

A homenagem do Blog História Militar ao Brigadeiro Sampaio e aos infantes de todo o Brasil.

Antônio de Sampaio nasceu em 24 de maio de 1810 no pequeno povoado do Tamboril, localizada na então Capitania do Ceará-Grande. Era filho de Antônio Ferreira de Sampaio, ferreiro, e de D. Antônia de Souza Araújo Chaves. O local de nascimento, paupérrimo e encravado em pleno sertão, deixava supor que somente um prodigioso esforço pessoal poderia fazer com que o jovem Antônio saísse daquele recanto distante para atingir o posto de Brigadeiro do Exército Imperial brasileiro.

Em 1830, ao completar 20 anos, fugindo de pistoleiros contratados para matá-lo pelo pai de uma jovem pela qual tinha se apaixonado, Sampaio deixa o Tamboril e assenta praça como voluntário no 22º Batalhão de Caçadores de 1ª linha do Exército, com sede no Forte - hoje cidade de Fortaleza. Em menos de dois anos, recebia seu batismo de fogo no violento combate de Icó, travado para debelar rebelião que se opunha à abdicação de D. Pedro I. O general e historiador Paulo de Queiroz Duarte relata a bravura de Sampaio em seu batismo de fogo:

O combate nas ruas e casario de Icó assumiu feição desesperadora, tendo a duração de seis horas; nessa ação uma força comandada pelo furriel Antônio de Sampaio teve saliente ação, conduzida com determinação por seu comandante e se empenhou na luta corpo-a-corpo contra numerosos adversários.

O combate de Icó foi um marco na vida de Sampaio. Com apenas 22 anos de idade, experimentou o sabor da batalha e, praticamente, não parou de combater até o final de sua vida, dando início a uma carreira de lutas que iria extrapolar as fronteiras nacionais.

Durante a Cabanagem, na Província do Pará, Sampaio participou da expedição que, em 1835, atacou e tomou Turiaçu. Depois, na Província do Maranhão, lutou com denodo na repressão à Balaiada: de 1839 a 1841, tomou parte em 40 combates, tendo exercido o comando em 36 deles. Mercê de sua competência, dedicação e bravura, Sampaio ascendeu rapidamente na hierarquia militar. Em 1844, já capitão, foi destacado para o exército do Barão de Caxias, em operações contra os farroupilhas da Província do Rio Grande do Sul. Combateu sempre na linha de frente e ali permaneceu até a paz do Poncho Verde. Em seguida, tomou parte na pacificação da Revolução Praieira, em 1848, na Província de Pernambuco. Em ordem do dia, Sampaio foi citado “pela inteligência, zelo e circunspecção com que desempenhou suas funções”.

Em 1850, Sampaio retornou ao sul do País e, dois anos depois, atuou na decisiva e gloriosa jornada de Monte Caseros, que restituiu a justiça e a liberdade ao povo argentino, jogando no exílio o ditador Rosas. Em 1861, era promovido a coronel e passava a comandar a 5ª Brigada, pertencente ao Exército do Sul.
Sampaio inspecionando a instrução da tropa durante a Guerra da Tríplice-Aliança

Nessa época, a guerra civil entre blancos e colorados grassava no Estado Oriental do Uruguai trazendo tensão à fronteira meridional do Brasil. Com o fracasso da ação diplomática junto ao governo blanco de Aguirre, o Império do Brasil foi levado a outro confronto. O Brigadeiro João Propício Mena Barreto, designado comandante-em-chefe do Exército do Sul, dispunha de divisões comandadas pelos Brigadeiros Manoel Luís Osório e José Luís Mena Barreto. Em 1865, a brigada comandada pelo Coronel Sampaio, integrante dessa última divisão, exerceu papel de destaque na vitória brasileira em Paissandu. Após esse combate, Sampaio e sua brigada tomaram parte no cerco e na capitulação de Montevidéu. A brilhante atuação na Campanha do Uruguai rendeu-lhe, naquele mesmo ano, as dragonas de Brigadeiro.

Mas seria na Guerra da Tríplice-Aliança contra a República do Paraguai que a glória cobriria definitivamente a figura do estóico sertanejo do Tamboril e o consagraria como grande soldado do Império.

Em 1866, Sampaio rumou para o Paraguai. À frente da 3ª Divisão - a Divisão Encouraçada  - o Brigadeiro Sampaio lutou nas operações de transposição do Rio Paraná, conduzidas pelo legendário Marechal Osorio, e nas batalhas da Confluência e do Estero Bellaco. Na marcha para Tuiuti, coube-lhe o comando da vanguarda, oportunidade na qual o 26º Batalhão de Infantaria, integrante de sua divisão, foi duramente castigado pelo fogo paraguaio. Na véspera da batalha, coordenou o perigoso e bem-sucedido reconhecimento na Linha Negra, de onde provieram preciosas informações de combate e grande número de prisioneiros.

Tuiuti: foi a maior batalha campal já travada na América do Sul. A Divisão Encouraçada detém várias vagas de assalto inimigas, mas, em certo momento, esquadrões paraguaios valem-se de uma brecha aberta na frente argentina e investem contra ela. A despeito da extrema dificuldade imposta pelo terreno pantanoso, os infantes da Encouraçada resistem ao violento embate sem ceder um palmo. Sampaio, no entanto, é ferido duas vezes, um dos quais com gravidade.

Osório, confiante na combatividade da Divisão Encouraçada, envia um de seus ajudantes-de-ordens ao encontro do Brigadeiro, a fim de encorajá-lo a resistir a qualquer custo. Sampaio, coberto de poeira e sangue, fala ao oficial: “Capitão, diga ao Marechal Osório que estou cumprindo meu dever, mas, como já perdi muito sangue, seria conveniente que me mandasse substituir”. No momento em que o ajudante-de-ordens se retirava, Sampaio sofre mais um ferimento, mas, antes de perder os sentidos, ainda se dirige ao oficial: “Diga ao marechal que este é o terceiro!”

Antes de terminar o dia, a posição de Tuiuti estava assegurada e os paraguaios repelidos. A tenacidade e a valentia de Sampaio e de sua Encouraçada fizeram com que fracassasse o bem planejado ataque de Solano Lopez.

Evacuado do campo de batalha, Antônio de Sampaio faleceu no dia 6 de julho de 1866, a bordo do transporte de guerra “Eponina”, pouco antes deste atracar em Buenos Aires.

Seu corpo foi sepultado na capital argentina dois dias mais tarde. Seus restos mortais foram repatriados em 1869, para o Rio de Janeiro, sendo depositados na Igreja do Bom Jesus da Coluna, no Asilo dos Inválidos da Pátria, onde permaneceram até 14 de novembro de 1871, quando foram novamente trasladados para sua terra natal - o Ceará.

Atualmente os restos mortais do Brigadeiro Sampaio repousam no Panteão Brigadeiro Sampaio, erguido na parte frontal da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, sede do Quartel-General da 10ª Região Militar.

Sampaio só foi consagrado Patrono da Arma de Infantaria do Exército em 1962, mas o 1º Regimento de Infantaria (atual 1º Batalhão de Infantaria Motorizado-Escola)– unidade originária do Terço Velho de Mem de Sá e “cuja fama se perde distante, no silêncio dos tempos passados” –, ostenta com orgulho, desde 1940, o nome do bravo líder.

Panteão do Brigadeiro Sampaio em Fortaleza-CE

Na 2ª Guerra Mundial, quando a Medalha Sangue do Brasil foi instituída para condecorar os feridos em ação, a saga de Sampaio também foi lembrada. Na comenda, três estrelas esmaltadas em vermelho representam os três ferimentos recebidos pelo brigadeiro durante a Batalha de Tuiuti.

Estandarte do Regimento Sampaio

.


quarta-feira, 19 de maio de 2010

SEMINÁRIO SAMPAIO 200 ANOS - CORAGEM E DETERMINAÇÃO

.

Será realizado em 20 de maio de 2010, no auditório do Colégio Militar do Recife, o seminário Sampaio 200 anos - coragem e determinação, onde será apresentada e debatida a trajetória do Brigadeiro Antônio de Sampaio - patrono da Infantaria do Exército Brasileiro.

O seminário contará com os seguintes trabalhos, apresentados pelos historiadores militares que se seguem:

- A vida de Sampaio: do nascimento aos primeiros anos no Exército Imperial
          Major Carlos Roberto Carvalho Daróz

- As campanhas militares de Sampaio: de Icó até a Guerra da Tríplice Aliança
          Major Haroldo Galvão

- Batalha de Tuiuti: o último combate de um soldado
          General-de-divisão Aureliano Pinto de Moura



Local: Auditório do Colégio Militar do Recife
End: Av. Visconde de São Leopoldo n° 198
         Engenho do Meio
         Recife-PE

.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

ENCONTRADA MINA DA 2ª GUERRA MUNDIAL EM ALAGOAS

.
Aconteceu esta semana na bela cidade de Maragogi-AL, aqui perto do Recife ...

Uma mina flutuante foi encontrada nesta terça-feira durante a escavação de uma obra de saneamento e reurbanização do centro e da orla de Maragogi, litoral norte de Alagoas. A descoberta deixou tensos os moradores da região. O artefato bélico foi detonado por uma equipe especializada da Polícia Militar à tarde.

Trabalhador mostra a mina semi-enterrada em Maragogi

O artefato foi encontrado por trabalhadores que quebravam parte do calçamento da Avenida Senador Rui Palmeira, a principal da praia. Eles esbarraram na bomba, usada pela Marinha do Brasil na época da 2ª Guerra Mundial para afastar os navios inimigos.

- Eram artefatos usados na 2ª Guerra soltados em alta profundidade. Quando as embarcações se aproximavam, as minas explodiam e destruíam parte dos navios - detalhou o subcomandante da Capitania dos Portos.

Mina flutuante em operação, semelhante a que foi encontrada em Alagoas

Os militares levaram a bomba para uma área reservada, a dois quilômetros do Hotel Salinas e a enterram em uma vala de aproximadamente dois metros de profundidade. Com a detonação, que foi sentida num raio de três quilômetros, o buraco causado pela bomba passou dos quatro metros de diâmetro. Moradores da região próxima afirmam que algumas casas foram danificadas pela força da explosão.



Fonte: O Globo

domingo, 2 de maio de 2010

CARRO DE COMBATE COM AS CORES DO EXÉRCITO BRASILEIRO EM BOVINGTON

 .

O Museu do Tanque de Bovington, Inglaterra, possui  um dos maiores acervos de carros de combate no mundo.  Dentre os muitos modelos existentes, destaca-se um exemplar do carro de combate leve M-3 A1 Stuart com as cores do Exército Brasileiro, onde recebeu de suas guarnições o apelido carinhoso de perereca.

O blindado, pintado com a matrícula EB 11-209, traz em sua placa descritiva a inscrição "Este é um de diversos importados recentemente do Brasil para o mercado de colecionadores".

A seguir, algumas fotos do perereca brasileiro em Bovington ...





IMAGEM DO DIA - 02/05/2010


Tração animal:  bateria de artilharia de montanha do exército indiano utilizando elefantes para tracionar seus canhões em 1897

.

XXVII SEMANA DE HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

.

A XXVII Semana de História  da UFJF tem como tema:

O Brasil em Conflitos Armados: guerras, revoltas e revoluções.

O evento, cujo tema foi escolhido pelos acadêmicos do curso de História da UFJF por via de pleito eleitoral no ano de 2009, acontecerá nas dependências do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Juiz de Fora entre os dias 24 e 28 de maio de 2010.

Mais informações referentes ao evento podem ser encontradas no site:
 http://www.ufjf.br/semanadehistoria


.

sábado, 1 de maio de 2010

"O FANTASMA DA MORTE" – O TREM BLINDADO PAULISTA DE 1932

.

A década de 1930, asseguram os especialistas,  foi o princípio do fim das ferrovias. Curiosamente, também foi um período em que elas se destacaram como coadjuvantes de acontecimentos que marcaram aqueles tempos. Um dos mais lembrados pelos estudiosos prende-se à participação do trem no transporte de tropas na Revolução de 1932, que colocou São Paulo contra o resto do Brasil, uma guerra civil travada em nome das eleições e da Constituição.

São Paulo podia se dar a esse luxo: era dono de uma malha formada por cinco importantes estradas de ferro que haviam propiciado a integração do estado, ainda no século passado, em favor da cafeicultura.

O "fantasma da morte" em sua configuração de combate com pintura camuflada


Além de levar os soldados para as frentes de batalha, o trem foi adaptado pelos paulistas para, no palavrear do então coronel Euclides Figueiredo, um dos comandantes do levante, "fazer incursões diabólicas nas linhas inimigas". Ele se referia ao trem blindado, ou "Fantasma da Morte", como foi apelidado pelos combatentes, uma composição formada por dois carros, um de cada lado da máquina e revestidos de aço (duas placas de aço entremeadas de pranchões de cerne de peroba duríssima).

Camuflado - era pintado com listas de diversas cores - o trem era armado com canhão de 75 milímetros e metralhadoras pesadas nos flancos, e carregava dois potentes holofotes na parte superior. "Quando ele entrava nas posições inimigas, fazia funcionar os holofotes, iluminando as trincheiras adversárias", escreveu Samuel Baccarat, autor do livro "Capacetes de aço". De acordo com o relato de Baccarat, "os soldados inimigos, desafeitos a essas coisas, tomavam-se de pânico, desabando pelos morros, inteiramente descobertos. Era o momento do trabalho infernal das metralhadoras".


Guarnição do trem blindado paulista posa para uma fotografia durante uma parada de abastecimento

Essa couraça invulnerável, segundo depoimento de Figueiredo feito em 4 de agosto de 1932, dia da estréia do aterrorizante blindado, "causou pavor entre os ditatoriais, que abandonaram as suas posições". Fernando Penteado Medici, autor do livro "Trem blindado", descreveu assim a ação da composição: "Dois quilômetros e o inimigo à vista. Os homens avançavam, certos de que era um trem de mercadoria, ou de víveres (realmente, como estava disfarçado), e, em posição de atirar, ajoelhavam pelos trilhos. As nossas metralhadoras picotaram os inconscientes. A primeira impressão foi dolorosa. Pungente mesmo. Presenciar umas cenas destas".

Apenas duas composições do trem blindado foram fabricadas, em Sorocaba-SP, especialmente para atender às tropas paulistas,  na revolução de 1932.

Fonte: Portal Railbuss



..

quinta-feira, 29 de abril de 2010

UNIFORMES - SOLDADO AUSTRALIANO, 1941

Soldado de infantaria australiano
2ª Guerra Mundial, 1941


Durante toda 2ª Guerra Mundial a estratégia militar da Austrália foi diretamente atrelada à da Grã-Bretanha. Em razão disso a maior parte das unidades militares australianas no período de 1940-41 foram enviadas para os fronts do Mediterrâneo e Oriente Médio, além do Pacífico, onde representaram uma importante parcela das forças da Commonwealth (Comunidade britânica).

O uniforme do soldado de infantaria ao lado é representativo do fardamento utilizado pelo Exército australiano não somente na época da 2ª Guerra, mas também dos vinte anos anteriores a este conflito. O item mais característico é a cobertura: o tradicional chapéu de feltro com abas largas, onde a aba esquerda é levantada e afixada à parte superior por um distintivo regimental. A gandola de combate é confeccionada com quatro grandes bolsos na frente e quatro botões de bronze para fechá-lo, com as insígnias da divisão costurada no colarinho e na manga. Utiliza calças cáqui terminadas por perneiras de lona.

Amplamente empenhado em campanhas aliadas no Norte da África, em regiões desérticas de clima sufocante, o soldado australiano carrega um kit necessário para a sua sobrevivência neste ambiente hostil, além do armamento individual representado pelo robusto fuzil Lee Enfield calibre .303 polegadas, o cinturão modelo 1908 com bolsas para munição e outros itens, e a baioneta modelo 1907. Transporta, a tiracolo, um bornal contendo ração individual para dois dias de combate.

FORTE DE SANTANA DO ESTREITO

.




No início desta semana tivemos o privilégio de conhecer Florianópolis, sem dúvida uma das mais belas cidades brasileiras e um rico sítio de história militar. Em nossa visita, pudemos visitar, por intermédio de nosso amigo Major Bombeiro Militar César, a quem agradecemos imensamente, o Forte de Santana e o Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas, da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina (PMESC).

Eis um pouco de sua história ...

O Forte de Santana do Estreito – ou simplesmente Forte Santana - foi construído pelos portugueses entre 1761 e 1763, junto ao estreito de união das Baías Norte e Sul da ilha de Santa Catarina, ponto no qual mais se aproxima do continente (cerca de 400 metros). A fortificação tinha a função de proteger o antigo ancoradouro da Vila de Nossa Senhora do Desterro - atual Florianópolis - de embarcações inimigas que tentassem adentrar pela Baía Norte.


Construção

Atendendo a uma ordem do ministro Marquês de Pombal, em 1760 o governador e capitão-general da Capitania do Rio de Janeiro Gomes Freire de Andrade determinou ao Tenente-coronel engenheiro militar José Custódio de Sá e Faria que elaborasse um projeto para melhorar as existentes defesas na ilha de Santa Catarina, organizadas anteriormente pelo Brigadeiro José da Silva Paes. Após estudar a região e analisar o sistema defensivo existente, o Tenente-coronel Sá e Faria concluiu que a vila do Desterro ficaria sem defesa ante um invasor no caso de um invasor desbordar as fortalezas da barra Norte da ilha e propôs a contrução de duas baterias fortificadas, uma na praia de Fora, ao norte da vila - o Forte de São Francisco Xavier da Praia de Fora - e outra na ponta da ilha mais próxima ao continente - o Forte de Santana do Estreito.

A construção do Forte de Santana foi concluída em 1763 e seu primeiro comandante do qual existem registros foi o Alferes Rodrigo José Brandão. A fortificação foi erguida em alvenaria de pedra e cal, sobre um único terrapleno, protegida por muralhas com 1,20 metro de espessura. O projeto original do forte possuía forma de um hexágono irregular e uma única guarita cilíndrica posicionada no vértice da muralha vigiando o canal da baía norte. O forte era de concepção bastante simples, de dimensões reduzidas para os padrões da engenharia militar portuguesa setecentista e compreendia apenas as instalações e edificações necessárias a seu funcionamento, tais como: corredor de acesso com portada; plataforma ou terrapleno, com sete canhoneiras dispostas; alojamento da tropa; cozinha; casa dos oficiais; corpo da guarda; casa da palamenta (material de artilharia) e casa da pólvora (paiol de pólvora).

A fortificação foi artilhada, inicialmente, com nove peças de artilharia, mas, por ocasião de um inventário realizado em 1786 pelo Alferes José Correia Rangel a mando da Coroa Portuguesa, o forte contava com dez canhões de diferentes calibres: seis de ferro e quatro de bronze. O sistema defensivo do estreito foi reforçado a partir de 1793, com a construção do Forte de São João do Estreito, erigido do lado oposto do estreito, no continente, para cruzar fogos com o Forte Santana.


O forte em ação

Quando os espanhóis tomaram a ilha de Santa Catarina dos portugueses, em 1776, o Forte Santana foi uma das instalações militares capturadas pelo Exército Espanhol. Um ano depois, contudo, a ilha voltou ao domínio português pelo Tratado de Santo Ildefonso (1777) com o compromisso da não utilização dos fortes pelos portugueses, o que ocorreu em parte, pois os portugueses mantiveram a bateria artilhada.

Em 1857 o Forte de Santana passou a abrigar a Escola de Aprendizes-Marinheiros de Santa Catarina e, após ser parcialmente reformado, recebeu, em 1876, Companhia dos Inválidos, formada por soldados incapacitados pelos combates da Guerra da Tríplice-Aliança. Na ocasião o Duque de Caxias, então Ministro da Guerra, mandou fornecer ao forte quatro canhões raiados La Hitte, calibre 12 antecarga.

Em 1880 o Forte de Santana passou a ser sede da Polícia Marítima. Já no período republicano, por ocasião da Revolução Federalista, em setembro de 1893 o forte foi novamente artilhado para combater os navios da esquadra federalista que atuavam nas imediações da ilha. No intuito de proteger a ilha de um ataque naval, o Alferes Hermínio Coelho dos Santos, do 25º Batalhão de Infantaria, reuniu no Forte de Santana uns poucos canhões antigos de ferro, do tipo antecarga já obsoletos, utilizados como enfeite à época, enterrados invertidos pela metade em logradouros públicos na ilha. Apesar da precariedade de sua artilharia improvisada, o forte chegou a trocar tiros com navios rebeldes: o cruzador República e o vapor Palas. Os navios permaneceram prudentemente fora do alcance dos antiquados canhões – cerca de trezentos metros - e responderam ao fogo bombardeando o forte e forçando seu comandante, ferido na ocasião com mais um soldado, a ordenar o cessar-fogo.

O editor do BLOG HISTÓRIA MILITAR junto a um dos canhões do Forte de Santana


 
 Decadência e restauração

No final do século XIX, em 1898, o comandante do forte à época, apresentou um relatório informando que seria necessária uma grande restauração no conjunto da fortificação, em função do desgaste provocado pelo tempo de uso. Todavia, o Forte de Santana foi posto fora de serviço pelo Exército a partir de maio de 1907 e cedido ao Ministério da Agricultura, que nele instalou uma estação meteorológica.

Apesar de ter sido tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938, o forte permaneceu um longo tempo abandonado e dervindo como moradia para população de rua e “sem-tetos”. Entre 1969 e 1970, contudo, o forte foi restaurado definitivamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e teve suas formas originais restituídas. A restauração do Forte de Santana representou o início do processo de redescoberta e recuperação das fortificações catarinenses, durante anos abandonadas e arruinadas.


 O forte hoje

Do conjunto de edifícios originais, somente a casa da pólvora não existe mais. Situado sob a atual Ponte Hercílio Luz, que liga a ilha de Santa Catarina ao continente desde a década de 1920, o Forte de Santana encontra-se é administrado, atualmente, pela PMESC mediante convênio com o IPHAN.

Acervo do Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas

Em 1975 o Forte de Santana passou a abrigar, em um prédio anexo, o Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas, da PMESC, cujo acervo é composto por armas históricas usadas pela Polícia Militar, armas selecionadas pelo próprio Major Lara Ribas, entre os anos de 1938 a 1945, peças de fardamentos, fotografias e insígnias, dentre outros objetos expostos permanentemente em uma área de exposição de 122 m².

O Forte de Santana e o museu podem ser visitados diariamente, na Avenida Beira-Mar Norte, sob a Ponte Hercílio Luz, no centro de Florianópolis-SC, distante apenas poucos metros da Rodoviária Rita Maria. A entrada é franca e o conjunto possui estacionamento próprio.


Uniforme histórico do Acervo do Museu de Armas Major Antônio de Lara Ribas


Vale a pena uma visita.

Endereço:

Avenida Osvaldo Rodrigues Cabral, 525 (Beira Mar Norte)
CEP: 88015-710 - Centro - Florianópolis – SC
(Localizado sob a cabeceira insular da Ponte Hercilio Luz)
Fone: (48) 3229-6263
e-mail: museu@pm.sc.gov.br

Horário de visitação:
De terça-feira a domingo das 9hs às 17hs


.

sábado, 24 de abril de 2010

PENSAMENTO MILITAR - A JUSTIÇA MILITAR


"A justiça militar está para a justiça assim como a música militar está para a música."


Georges Clemenceau, estadista francês

IMAGEM DO DIA - 24/04/2010

.

Durante a intervenção israelense no Líbano de 1982, um bem equipado veículo blindado M-113 das Forças de defesa de Israel entra no território libanês

.

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - GENERAL HOLLAND SMITH


* 20/04/1882 – Seale, EUA
+ 12/01/1967 – San Diego, EUA



Holland McTyeire ("Howlin Mad") Smith foi um dos mais notáveis generais do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos durante a 2ª Guerra Mundial, sendo considerado o pai das táticas de guerra anfíbia dos EUA. Durante a 2ª Guerra Mundial o General Smith comandou com sucesso os desembarques dos EUA no Pacífico, com destaque para a ações contra Kiska e Attu, nas Aleutas, e no assalto às Gilberts, Marshalls e Saipan e Tinian, nas Marianas.
.
Durante a Operação Marianas, além do V Corpo Anfíbio, comandou todas as tropas expedicionárias, incluindo as que recapturaram Guam. Após isso serviu como Comandante-geral das forças anfíbias do Teatro de Operações do Pacífico, e liderou a Força-Tarefa 56 no ataque à Iwo Jima, em 1945.
.
Início da carreira
.Filho de um advogado, o general nasceu em 20 de abril de 1882, na cidade de Seale, Alabama. Em Abril de 1906, depois de graduar-se oficial fuzileiro naval na Academia Naval de Annapolis, Smith partiu para as Filipinas, onde serviu em tarefas expedicionárias com a 1ª Brigada de Fuzileiros Navais até setembro de 1908. Voltou aos Estados Unidos no mês seguinte, onde foi designado para servir na base da Marinha em Annapolis. Em dezembro de 1909, embarcou para tarefas expedicionárias no Panamá. Retornou do Panamá em abril do ano seguinte e serviu, sucessivamente, em Annapolis, San Diego e na estação de Recrutamento de Seattle, antes de partir novamente para as Filipinas em setembro de 1912.
.
Durante este período Smith foi designado novamente para a 1ª Brigada de Fuzileiros navais, até abril de 1914, quando foi transferido para servir a bordo do USS Galveston. Serviu em águas Asiáticas até julho de 1915, e retornou aos Estados Unidos no mês seguinte, para servir na Base Naval de New Orleans, Louisiana. Desse posto foi designado para a República Dominicana, em junho de 1916, como membro do 4º Regimento de Fuzileiros Navais. Durante as operações da unidade contra os rebeldes, participou da marcha para Santiago e lutou em La Peña e Kilometro 29. Retornou aos EUA em maio de 1917, e, em seguida, partiu para a França a fim de lutar na 1ª Guerra Mundial, onde assumiu o comando da 8ª Companhia de Metrelhadoras do 5º Regimento de Fuzileiros Navais.
.
.
1ª Guerra Mundial
.
Na França, Smith foi destacado do 5º Regimento de Fuzileiros e enviado para cursar estado-maior no Colégio de Estado-Maior Geral em Langres, que concluiu em fevereiro de 1918, tornando-se um dos seis únicos oficiais fuzileiros navais a concluírem tal curso na história.
.
Foi nomeado ajudante da 4ª Brigada de Fuzileiros Navais, integrante da 2ª Divisão de Infantaria do exército, que lutou na frente de Verdun, onde tomou parte da Batalha de Belleau Wood. Transferido para o I Corpo do 1º Exército em 1918, serviu como oficial assistente de operações, durante as ofensivas Aisne-Marne, Oisne-Aisne, St. Mihiel e Meuse-Argonne. Após o armistício, atuou no Reno, através da Bélgica até Luxemburgo, como um oficial ligação com o 3º Exército e serviu nas forças de ocupação na Alemanha.
..
Pelos seus serviços em Belleau Wood, Smith recebeu a Croix de Guerre pelo governo francês. Também recebeu a Meritorious Service Citation do comandante das forças expedicionárias americanas, e, mais tarde, a Medalha Purple Heart.
.

Nova fase na carreira
.Ao voltar aos EUA, em abril de 1919, as tarefas de Smith nos quatro anos seguintes incluíram postos em Norfolk, Virginia. Entrou no Colégio de Guerra Naval e serviu em Washington, com a seção de planos de guerra do Departamento de Operações Navais. Novamente foi designado para embarcar nos encouraçados USS Wyoming e Arkansas, onde atuou como chefe dos fuzileiros navais da esquadra.
.
Entre 1924 e 1925, seguiu para o Haiti, a fim de participar das operações dos fuzileiros navais contra forças rebeldes. Após regressar desse país, em agosto de 1925, assumiu a chefia do estado-maior da 1ª Brigada da Fuzileiros Navais em Quantico, Virginia, onde permaneceu até setembro do ano seguinte, quando foi matriculado na Escola do Corpo de Fuzileiros Navais, na mesma cidade.
.
Em abril de 1931, tomou parte de nova viagem embarcado, desta vez a bordo do encouraçado USS California como ajudante-de-ordens do comandante da Força de Fuzileiros Navais da Esquadra. Em junho de 1933 foi nomeado comandante da unidade de fuzileiros navais da Base Naval de Washington, onde permaneceu até o início de 1935. No dois anos seguintes , serviu San Francisco, California, como chefe do estado-maior do Departamento do Pacífico, e chefe de operações e treinamento do Comando do Corpo de Fuzileiros Navais.
.

General Holland Smith (a esq) desembarca durante uma operação anfíbia no Pacífico

2a Guerra Mundial
Após as suas colocações anteriores, Smith assumiu o comando da 1ª Brigada de Fuzileiros Navais em Quantico, levando essa unidade até a baía de Guantánamo, Cuba, para realizar treinamento anfíbio, em outubro de 1940. Em fevereiro do ano seguinte, quando a brigada foi expandida e redesignada 1ª Divisão de Fuzileiros Navais, tornou-se seu primeiro comandante. Em junho de 1941 assumiu o comando da Força Anfíbia da esquadra do Atlântico. Nesse posto, sob seu comando, a 1ª Divisão de Fuzileiros Navais e as 1ª e 9ª Divisões de Infantaria do Exército receberam treinamento inicial em tácticas anfíbias.
.
Em agosto de 1942, foi novamente transferido, desta vez para São Diego, a fim de assumir o comando do Corpo Anfíbio da Esquadra do Pacífico, no qual completou a doutrina anfíbia da 2ª e 3ª Divisão de Fuzileiros Navais, antes de partir para a campanha contra os japoneses para batalha, além de instruir a 7ª Divisão de Infantaria do Exército e outras unidades envolvidas nas operação anfíbias nas ilhas Aleutas. A força anfíbia foi, mais tarde, redesignada V Corpo Anfíbio e, em setembro de 1943, como comandante dessa unidade, o General Smith chegou a Pearl Harbor, para começar o planejamento da campanha das ilhas Gilberts. Permaneceu no comando do V Corpo Anfíbio até agosto de 1944, quando foi nomeado Comandante-Geral da das forças anfíbias do Teatro de Operações do Pacífico. Cumulativamente com essa função, foi nomeado comandante da Força-Tarefa 56 no ataque à ilha japonesa de Iwo Jima, antes de voltar aos EUA em julho de 1945, para líderar o Comando de Treinamento e Recompletamento do Corpo de Fuzileiros Navais em Camp Pendleton, California.

General Holland Smith (a dir) ao lado do Almirante Spruance em Saipan, 1944

Reforma
Holland Smith reformou-se no posto de tenente-general em 15 de maio de 1946, com 64 anos de idade, sendo promovido a general (4 estrelas) em seguida. Na inatividade mudou-se para La Jolla, California, onde passou a viver para seu hobby, a jardinagem.
Após longa e desgastante doença, o General Holland Smith faleceu no dia 12 de janeiro de 1967 no Hospital Naval de San Diego, California, com a idade de 84 anos. Seu funeral foi celebrado em 14 de fevereiro na Capela do Corpo de Fuzileiros, tendo recebido as mais altas honrarias militares no Cemitério Nacional do Forte Resocrans, sobre o porto de San Diego.
Seu estilo de liderança e os meios de treinamento empregados por Smith renderam-lhe o apelido de "Howlin' Mad" ("Howlin Maluco"), atribuído por suas tropas.
Em sua homenagem, o quartel do Comando das Forças Anfíbias da Esquadra do Pacífico, localizado em Oahu, no Havaí, foi batizado como Campo H.M. Smith.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

NOTÍCIA - REPARAÇÃO DE GUERRA

.
Parentes de brasileiros mortos por ataques nazistas na costa do Rio de Janeiro na
Segunda Guerra querem indenização do governo alemão


Por Claudio Dantas Sequeira


Na Segunda Guerra Mundial, foram a pique 33 embarcações brasileiras em ataques de submarinos da Alemanha nazista. E, apesar do saldo de mais de mil mortos, até hoje nenhuma das famílias das vítimas – muitas delas civis – recebeu qualquer reparação por parte do Estado alemão, como ocorreu com civis de outros países por onde a máquina de guerra nazista marcou sua passagem com destruição e mortes. Essa história, no entanto, pode ser reescrita. Está na mesa do ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, a polêmica causa do barco Changri-lá. Um pequeno navio pesqueiro que foi torpedeado na manhã de 22 de julho de 1943, no litoral de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, pelo submarino alemão U-199. Os corpos dos dez pescadores que estavam a bordo nunca foram encontrados.
.
“É uma obrigação da Alemanha indenizar os familiares dos mortos”, diz o advogado Luiz Roberto Leven Siano, especialista em direito marítimo que assumiu voluntariamente o caso. Filha do pescador José da Costa Marques, comandante do Changri-lá, Josefa Marques Cardoso tinha dez anos na época do ataque. “Foi muito difícil. Perdi meu pai e meu irmão Zacarias”, conta. Irmã de outro pescador morto, Etelvina de Navarra Porto emociona-se ao lembrar do episódio. “Meu pai ficou doente com a morte do Joaquim e dois anos depois também faleceu”, diz. O advogado Leven Siano pede o pagamento de até R$ 6 milhões por danos morais.
.
Leven Siano entrou com a primeira ação na Justiça em 2003, depois que um pesquisador descobriu provas da ação do U-199 e a Procuradoria da Marinha resolveu reabrir o caso. Após perder em primeira instância, o advogado recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e o caso foi parar no Superior Tribunal de Justiça. Os ministros do STJ ficaram divididos em torno do eventual direito da Alemanha de não se submeter à jurisdição brasileira. Para o ministro Fernando Gonçalves, por exemplo, o assassinato dos pescadores é considerado um “ato de império”, imune a eventuais processos em outro país. Mesmo assim, determinou que o Estado alemão seja intimado a manifestar-se. O ministro Luís Felipe Salomão pensa diferente e defende o julgamento. “Naquele período, já se encontrava vigente o regime instituído pela Convenção de Haia, de 1907, que confere especial importância à proteção dos não combatentes”, escreveu Salomão.
.
A tese, segundo Leven Siano, ganha respaldo na postura adotada pela própria Alemanha nos Julgamentos de Nuremberg. “Ela renunciou ao direito de imunidade, a fim de se submeter aos processos com vítimas estrangeiras atingidas fora das fronteiras alemãs”, afirma o advogado, cuja artilharia inclui 11 recursos legais e cartas à Marinha. O impasse no STJ levou o caso ao STF. O ministro Ayres Britto espera agora um parecer da Procuradoria-Geral da República para elaborar seu voto. Já o governo alemão não se pronunciou.
.
Fonte: Revista Isto é
.

sábado, 10 de abril de 2010

AS BANDAS DE MÚSICA MILITARES



A história da música na antiguidade evidencia a sua importância na sociedade como instrumento de integração e socialização. Porém, a terminologia “banda de música” só é apresentada, pela primeira vez, em 1678 na Inglaterra, pois, até então, só havia notícia de músicos nas tropas. A partir dessa data as bandas de música militares não cessaram de se multiplicar e desenvolver repertório próprio inerente à sua condição de militar. Na Europa, a banda de música parece ter suas origens na França. No Brasil, os músicos militares também exercem um papel relevante na sociedade brasileira desde os tempos coloniais, porém, não mais motivados pelos combates e batalhas, mas, principalmente, pelas suas apresentações cívicas, religiosas e muito mais sociais do que no início da história da música em ambiente militar.
.
Embora haja a confirmação da existência de bandas militares na segunda metade do século XVIII, em Pernambuco, elas vieram a ser mais populares a partir da chegada de D. João VI, com sua corte ao Rio de Janeiro em 1808. O rei trouxe consigo uma banda de música portuguesa e, durante a estada da família real no Rio de Janeiro, foram realizados vários concertos pelas bandas existentes na época.
.
As bandas de música militares do final do século XVIII foram criadas nos regimentos milicianos do Recife e Olinda, por ato do governador D. Tomás José de Melo. A exemplo destas, foi criada também uma banda no terço auxiliar de Goiana (PE), em 1789, mantida pela respectiva oficialidade. Mediante consentimento daquele governador, também se registra uma banda de um regimento de linha da guarnição da vizinha cidade da Paraíba em 1809, composta por dois pífaros, um dos quais, de Manuel de Vasconcelos Quaresma, que era o mestre, e mais duas clarinetas, duas trompas, um fagote e um zabumba.
.
Desde os tempos coloniais e, principalmente, após a decadência da exploração de ouro no Rio de Janeiro, as primeiras bandas de música, formadas por barbeiros, escravos em sua maioria, tocavam fandangos, dobrados e quadrilhas em festas religiosas e profanas.
.
Em 1831, são criadas as bandas de música da Guarda Nacional, e esta arte espalha-se pelo país. Em 1896, Anacleto de Medeiros funda a mais famosa de todas as bandas de música: a do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Naquela época, um grande número de músicos militares atuava em orquestras e outros nas igrejas onde participavam do serviço religioso. Como no Brasil, nos tempos da colônia, existiam os músicos das tropas de cavalaria e de infantaria, os quais não se limitavam à música militar.
.
Pode-se dizer que a primeira banda militar, organizada como um conjunto, apresenta-se em 1808 com a vinda da família Real para o Brasil. Tratava-se da banda marcial da Brigada Real da Marinha, que deu origem a Banda do Corpo de Fuzileiros Navais. Após a chegada do Rei, em 1810, foram criadas as bandas para os Regimentos de Cavalaria e Infantaria da Corte. O apoio do D. Pedro I foi imprescindível para o surgimento das bandas de música, tendo em vista sua habilidade como compositor, pianista, clarinetista e fagotista.
.
Da Guerra do Paraguai, se não há melhores registros de organização das bandas militares, há copiosas referências à atuação dos nossos músicos militares em campanha, constantes de comovidas reminiscências, nas quais há relatos de “Combate entre Músicos”. Esses documentos registram a luta da Banda de Música do 42° de Voluntários contra a banda do 40° Corpo do Exército paraguaio, a Guardiã de Lopez, culminando com a banda inimiga destroçada e sobrevivência de apenas seis integrantes da nossa Banda. Entre os nossos mortos, estava o seu mestre Felipe Neri Barcelos, comandante daquela ação.
.
Com a decadência do ouro no século XIX, toda a pompa e o brilho do cerimonial viram-se diminuídos, como em todos os setores da sociedade. Já não havia tanto dinheiro para o pagamento dos serviços de música, o que contribuiu para a redução do número de músicos e refletiu diretamente na diminuição do número das orquestras, fator que deu origem às bandas civis. Essas bandas assumiram, como herança, o serviço eclesiástico que era executado pelas orquestras. No fim do século XIX, usando uniformes que lembram o dos militares, surgiram as associações, liras e filarmônicas, que logo se espalharam pelas diversas cidades do Brasil. As bandas de música evoluíram e transformaram-se em uma das mais populares manifestações da cultura nacional: onde havia um coreto, existia uma bandinha, orgulho da cidade.
.
No seio das bandas de música, formaram-se notáveis músicos profissionais e amadores, eruditos e populares, dentre os quais se destacam renomados maestros e instrumentistas, como Patápio Silva, Anacleto de Medeiros, entre outros. As bandas também foram um centro gerador de novos gêneros musicais e de um vasto repertório de chorinhos, marchas e dobrados.
.
De todas as manifestações artísticas produzidas pelo ser humano, poucas guardam tanta afinidade com a profissão militar quanto a música. Desde a mais remota antiguidade até às guerras de alta tecnologia de nossos dias, as bandas militares cumprem o singular e insubstituível papel de reforçar o moral e o ânimo daqueles que, nas casernas em tempos de paz ou nas agruras das campanhas, dedicam-se à profissão das armas.

Fonte: Adaptado da Revista Verde-Oliva nº 201
.

sexta-feira, 26 de março de 2010

PENSAMENTO MILITAR


"É possível ter que evitar uma batalha mais de
uma vez para ganhá-la."


Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica

UM ESCLARECIMENTO

.
Caros leitores,
.
Temos recebido muitas solicitações de informações e consultas a respeito de assuntos variados da História Militar, o que nos alegra muito, pois, para nós, é um prazer contribuir para a construção do conhecimento da história do fenômeno guerra.
.
No entanto, alguns leitores têm procurado contato conosco solicitando informações específicas sobre determinado assuntro utilizando o espaço para comentários disponível no BLOG. Ocorre que, por uma condição técnica do sistema de hospedagem http://www.blogger.com/, o endereço eletrônico de quem nos procura não fica registrado, o que impede nossa resposta.
.
Desta forma, solicitamos àqueles que buscam contato conosco que deixem registrados seus endereços eletrônicos de modo que possamos enviar as respostas ou, caso prefiram por razões de privacidade, entrem em contato diretamente conosco por intermédio do seguinte endereço eletrônico:
.
Embora possa demorar um pouco, nosso objetivo é responder a todos os que nos procuram. Mais uma vez, agradecemos a todos os nossos leitores pela visita e pelos contatos.
Um abraço a todos,
Carlos Daróz
.

IMAGEM DO DIA - 26/3/2010



Durante a Revolução de 1932, tropas federais apertam o cerco contra os paulistas rebelados. Na imagem acima, um pelotão de soldados legalistas ocupa uma trincheira nos arredores de Itapira.



.

NOTÍCIA - CÂMARA FEDERAL HOMENAGEIA EX-COMBATENTES DA FEB

.
No dia 15 de abril de 2010 a Câmara dos Deputados homenageou em sessão solene os ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), por ocasião dos 65 anos do fim da 2ª Guerra Mundial, e pelas vitórias brasileiras nos campos da Itália.


.
Dezenas de Pracinhas, como são carinhosamente conhecidos, estiveram presentes no plenário para receber as merecidas homenagens dos deputados, representantes das Forças Armadas, e do Grupo Histórico FEB, composto por representantes do Imperial Jeep Club (IJC) e do Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro (CVMARJ).
.
Atendendo a uma proposta do historiador e colecionador Marcos Renault, o deputado Ciro Pedrosa, de Minas Gerais, propôs a realização da Sessão Solene, que teve como objetivo lembrar a atuação da FEB na 2ª Guerra Mundial.
.
O 1º/2º Grupo de Transporte da Força Aérea Brasileira, do Rio de Janeiro, disponibilizou uma aeronave Embraer 145, designação C-99, para transporte dos Pracinhas e membros do Grupo Histórico FEB. Durante uma escala em Belo Horizonte foi embarcado mais um grupo de Pracinhas. Trajeto inverso foi realizado ao fim das comemorações.
.
Após o embarque em viaturas históricas preservadas por colecionadores, os Pracinhas e os membros do Grupo Histórico FEB, trajados com uniformes utilizados na Itália durante o conflito, o comboio de onze viaturas, se deslocou para a Câmara dos Deputados escoltado por batedores do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, cruzando as principais avenidas da capital do Brasil, despertando curiosidade e recebendo cumprimentos dos cidadãos que paravam para admirar o desfile.


.
Na chegada à Câmara, as viaturas ficaram estacionadas em frente à rampa de acesso, onde permaneceram em exposição durante todo o dia, chamando a atenção de todos os que por lá passavam.

.
Uma grande recepção aguardava os homenageados. Foram recebidos com muita alegria e reverência passando por uma Guarda de Honra formada por cavalarianos do Regimento Dragões da Independência. Uma vez no Plenário, foi iniciada a Sessão Solene, transmitida ao vivo para todo o Brasil pela TV Câmara, além de muitos outros meios de comunicação.

.
A sessão foi aberta com a apresentação da banda do Batalhão da Guarda Presidencial, tocando o Hino Nacional Brasileiro, cantado por todos os presentes. Logo após a Sessão foi aberta solenemente. Discursaram os deputados Mauro Benevides, representado o Presidente da casa, Dep. Michel Temer, e Ciro Pedrosa, Coordenador da Frente Parlamentar Mista para Revalorização Histórica da Força Expedicionária Brasileira. Por parte do Grupo Histórico FEB, também discursaram os Srs. João Barone, Presidente do CVMARJ e Marcos Renault, idealizador dessa justa homenagem.
.
Foram mostradas aos presentes algumas cenas do documentário “Caminho dos Heróis”, do Sr. João Barone, que está em fase de finalização e deve ser lançado ainda este ano. O documentarista ressaltou que o principal objetivo do documentário é estimular uma releitura da participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial.
.
O documentário foi filmado em 2009, na Itália, quando o Grupo Histórico FEB passou pelos caminhos percorridos pela FEB, participando de diversas solenidades e sendo homenageados em nome dos Pracinhas que são tratados como “Libertadores da Itália”. A apresentação do rico material sobre a campanha do Brasil na 2ª Guerra Mundial causou muita emoção na platéia, principalmente aos Pracinhas, por terem relembrado os momentos inesquecíveis além mar.
.
Encerrando a Sessão Solene, foi entoada a Canção do Expedicionário, o que criou um clima de saudade e orgulho aos presentes, àquela pequena homenagem feita aos brasileiros que tem como lema, o jargão “A Cobra Fumou”!

.
Foi oferecido pela Câmara dos Deputados um almoço de confraternização para a comitiva dos Pracinhas e do Grupo Histórico FEB. Momento profícuo ao orgulho e rememoração dos fatos ocorridos antes, durante e depois do conflito na Itália.
.
Todo o evento foi coordenado pela Frente Parlamentar Mista de Revalorização Histórica da Força Expedicionária Brasileira, cujos objetivos são homenagear a memória daqueles que tombaram em combate durante a 2ª Guerra Mundial e lutar pela valorização do soldado brasileiro e das Forças Armadas.

.

A COBRA CONTINUA FUMANDO!
BRASIL!


Fonte: CVMARJ
.

sábado, 13 de março de 2010

O RESGATE DO "FANTASMA DO PÂNTANO"

Um bombardeiro B-17E, semelhante ao Swamp Ghost resgatado na Nova Guiné


Sob muito sol, tremenda umidade e temperaturas que chegavam aos 40 graus, Alfred Hagen finalmente viu o ventre do bombardeiro da 2ª Guerra Mundial, no qual ele tanto trabalhou para retirar de um remoto pântano em Papua Nova Guiné.
.Hagen, um empresário norte-americano, estava bastante preocupado em manter a fuselagem de seis toneladas e parcialmente inundada, em uma única peça. Quando um helicóptero começou a levantá-la, Hagen – sobre a asa direita separada do avião – começou a ficar nervoso.
.A fuselagem subia e descia, rangendo” - disse ele - “meu estômago estava embrulhando. Eu temia que não fosse conseguir... Ele apenas levantou-a e foi embora”. Isso aconteceu em 2006. Hagen teria que esperar mais três anos e oito meses para colocar o B-17 E, apelidado de “Swamp Ghost” (fantasma do pântano), em um navio para a Nova Zelândia onde, agora, aguarda transporte para Los Angeles – devendo chegar lá em meados de abril. O empresário celebrou um acordo de exibição com o Museu Aeroespacial Pima, em Tucson, no Arizona.
.
Empresário do ramo de construção e também um entusiasta da aviação, Hagen teve um tio-avô morto na Nova Guiné durante a guerra. Na última década, ele fixou sua atenção no Swamp Ghost, que avistou pela primeira vez em 1996.
.
“Eu me apaixonei no instante em que desci lá para vê-lo” - disse Hagen - “É como quando você é jovem... caminhando pela rua e vê uma bela mulher, e você quer tê-la com todas as fibras do seu ser”. E concluiu: “Eu simplesmente pensei: que belo avião”.
.
A história
O Swamp Ghost decolou ao amanhecer de 23 de fevereiro de 1942 da base de Townsville, na Austrália, para atacar os navios japoneses no porto de Rabaul, na Nova Bretanha. Ao chegar ao alvo, contudo, as portas do compartimento de bombas não abriram, e a tripulação decidiu circundar o alvo mais uma vez. Desta vez o compartimento abriu-se, mas também subiram os caças japoneses.
.

O Fantasma do Pântano logo após ter sido içado por um helicóptero
.
Durante os 30 minutos seguintes, diversos Zeros alvejaram o avião, e 33 furos foram feitos em sua cauda. Um projétil antiaéreo também atingiu a asa direita do B-17.
.
O Swamp Ghost escapou do ataque e voou para a Nova Guiné, onde foi reabastecido em Port Moresby, mas a tripulação logo percebeu que não tinha potência suficiente para superar a cordilheira Owen Stanley.
.O piloto então fez um pouso forçado no que pensava ser um campo gramado. Mas, assim que tocaram a vegetação, perceberam que haviam pousado num pântano, e o bombardeiro deslizou 90 graus de lado.
.
A tripulação saiu e viu-se em meio a mais de um metro de água. Após quatro dias de caminhada sob intenso calor, nos quais alguns membros começaram a sofrer de alucinações, eles encontraram nativos. Então, após mais de cinco semanas de viagem, finalmente conseguiram chegar a Port Moresby.

O resgate do Fantasma do PântanoEm 1999, Hagen assinou um contrato de compra da fuselagem com o Museu Nacional de Papua Nova Guiné, no valor de 100 mil dólares, mas, devido a atrasos de diversas naturezas, somente em 2005 obteve permissão de retirar o B-17 do país.

Um dos únicos quatro B-17E recuperados no mundo, o Swamp Ghost entrará em exibição ainda este ano. O objetivo a longo prazo é restaurá-lo até ter condições de vôo novamente.


Fonte: Philadelphia Daily News, 6 de março de 2010.

.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A ARTILHARIA DURANTE A GUERRA DAS ROSAS



A guerra das Rosas confrontou duas famílias nobres, entre os anos de 1453 e 1485, pela conquista do poder inglês. O nome Guerra das Rosas teve origem devido ao fato de a família real trazer no seu brasão uma rosa vermelha, e a Casa de York uma rosa branca.
.
A luta começou quando Ricardo, duque de York, aprisionou Henrique VI, da família Lancaster e rei da Inglaterra. Na Batalha de Wakefield, que ocorreu em 1460, os York foram derrotados e, em 1461, Eduardo IV, da Casa de York, na Batalha de Towton, assumiu o trono dos Lancaster, mas foi traído pela nobreza e obrigado a devolver o poder para Henrique VI.
.
Em 1473, Eduardo IV morreu. Seu irmão Ricardo III assumiu o trono, e ordenou que estrangulassem seus sobrinhos, pois eram os próximos da linha de sucessão. O fim da guerra em 1485 ocorreu quando Ricardo III foi derrotado na Batalha de Bosworth por Henrique Tudor. Como Henrique Tudor estava ligado às duas famílias nobres, pois era genro de Eduardo IV e tinha ligação com os Lancasters por parte de mãe, uniu as duas casas reais. Henrique Tudor ascendeu ao trono da Inglaterra iniciando a dinastia Tudor (1485-1603), que implantou o absolutismo na Inglaterra, nomeando Henrique VII, rei da Inglaterra. 

.

O papel da Artilharia na Guerra
.
Por ocasião do início da Guerra das Rosas, a artilharia vinha sendo utilizada na Europa há cerca de um século. Praticamente todos os exércitos desfrutavam de seu poderio, mesmo que possuíssem apenas uma pequena força de artilharia.
.
O ritmo do avanço tecnológico na produção de armas na Europa havia acelerado na década de 1370, quando as pequenas, imprecisas e pouco confiáveis peças de artilharia, utilizadas no início da Guerra dos Cem Anos, deram lugar a armas maiores e mais poderosas que eram capazes de romper as altas muralhas de pedra de vilas fortificadas e castelos. Embora a nova artilharia ainda pudesse ser considerada imprevisível - Jaime II da Escócia foi morto em 1460, quando um de seus canhões de sítio explodiu -, os ingleses começaram a empregar tais armas com grande efeito no País de Gales e na fronteira da Escócia no início do século XV.
.
As novas armas passaram a ser fabricadas com tipos e tamanhos variados, desde a bombarda maciça, que podia demolir muralhas com enormes bolas de pedra ou de ferro; até os canhões menores, capazes de serem disparados em tripés ou utilizados como armas portáteis, além de uma variedade de canhões de tamanho intermediário. Os canhões de século XV eram fabricados em ferro ou em bronze, apesar de as armas de bronze serem mais comuns, pois as técnicas de fundição do ferro somente atingiriam a qualidade necessária no final do século XVI. Em razão das armas serem despadronizadas e disparassem projéteis feitos “sob medida” para elas, era comum os fabricantes de canhões também atuarem como artilheiros. Essa singularidade no tamanho de cada projétil levou as grandes armas a receberem nomes próprios que as individualizavam, como o Mons Meg, atualmente em exposição no Castelo de Edimburgo, Escócia, um canhão 14.000 libras com calibre de 20 polegadas.
.

O gigantesco Mons Meg pesava 14.000 libras. Em primeiro plano, os projéteis de ferro fundido

Disparar uma peça de artilharia do século XV era um processo lento e difícil. As armas de sítio maiores disparavam pedras e projéteis de ferro que podiam pesar centenas de libras. Para disparar a arma, o atirador usou um disparador constituído de uma barra de ferro aquecida em uma panela de carvão que era mantida quente e ao alcance de sua mão. Devido ao fato de que um quilo de pólvora era necessário para lançar nove libras de peso de granada e que o tubo precisava ser lavado com uma mistura de água e vinagre depois de cada tiro, a cadência de dez tiros por hora era considerada satisfatória. Na Guerra das Rosas, tal lentidão fez com que os canhões fossem utilizados, principalmente, na véspera ou no início de uma batalha, disparando uma saraivada contra o inimigo antes que o combate corpo-a-corpo tivesse início.
.
Durante a noite que antecedeu a batalha de Barnet, Richard Neville, Conde de Warwick, disparou seu canhão continuamente com o objetivo de amedontrar e levar a desordem às fileiras de York. No entanto, Warwick não tinha conhecimento de quão próximo o inimigo estava de suas linhas e os disparos foram ineficazes. Para impedir que Warwick aprendesse com seu próprio erro, Eduardo IV ordenou à sua artilharia que se abstivesse de revelar a sua posição respondendo ao fogo. Poucas semanas depois, na Batalha de Tewkesbury, Eduardo neutralizou o ataque da Casa de Lancaster a partir de uma excelente posição defensiva, abrindo fogo com sua artilharia.

.
Apesar de seu poderio, as peças de artilharia foram muito menos decisivas durante a Guerra das Rosas do que em campanhas posteriores no continente europeu. Capazes de disparar uma bola de ferro a um alcance de 2.000 a 2.500 passos, os canhões produziam um efeito devastador contra concentrações emassadas de tropas imobilizadas, como na travessia de rios, ou contra as paredes dos castelos e das cidades durante um cerco, situações nas quais a limitada cadência de tiro não resultava em limitação relevante. A arte da fortificação era menos avançada na Inglaterra do que em outros lugares, pelo que as guerras civis inglesas foram caracterizadas, principalmente, por batalhas em campo aberto e não por cercos. Durante a Guerra das Rosas era comum as cidades e castelos inimigos renderem-se tão logo seus exércitos eram derrotados no campo de batalha. 

Ricardo III


Ainda assim, ambas as partes reconheceram a importância crescente da artilharia e tomaram medidas para garantir um bom fornecimento de canhões e bombardas. Desde 1415 a Coroa Inglesa designou um mestre-artilheiro para supervisionar a Artilharia Real. Em 1456, John Judde, um comerciante de Londres, recebeu a nomeação para o cargo por oferecer armamentos e suprimento de pólvora para a artilharia de Henrique VI às suas expensas. Judde iniciou um ambicioso programa de produção armas para a Casa de Lancaster, motivo pelo qual os partidários de York o emboscaram e o mataram em junho 1460, quando supervisionava a entrega de uma nova remessa de armamentos.
.
Eduardo IV também reconhecia a importância da artilharia, e seus mestres-artilheiros - como John Wode, que ocupou o cargo entre 1463 e 1477 - eram membros de confiança da família real. Eduardo frequentemente inspecionava sua artilharia e suas campanhas normalmente incluíam um considerável trem de artilharia.
,
Assim, desde o reinado de Henrique VII, a Coroa Inglesa reuniu uma grande e crescente coleção de material de artilharia, atualmente em exposição na Torre de Londres.

,
,

PENSAMENTO MILITAR – LIDERANÇA EM COMBATE



“Na Guerra Mundial nada era mais assustador do que assistir a uma cadeia de homens, começando num comandante de batalhão e acabando num comandante de exército, sentados em cabines telefônicas, improvisadas ou não, falando, falando, falando, e não liderando, liderando, liderando.”

J.F.C. Fuller, General britânico, criticando o tipo de liderança dos Aliados durante a 1ª Guerra Mundial

.