"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



sexta-feira, 16 de setembro de 2022

EDITOR DO PORTAL PUBLICA CAPÍTULO EM LIVRO SOBRE A FAMÍLIA MILITAR

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Foi lançado no salão de honra do Comando Militar do Leste o livro "A família militar no século XXI: perfis, experiências e particularidades", organizado pelas Dras. Sabrina Celestino e Eduarda Hamann. A obra contém trabalhos de pesquisadores brasileiros e internacionais, e aborda as especificidades da família militar, um tema para lá de necessário.

O editor do portal Carlos Daróz-História Militar contribuiu com o projeto produzindo o capítulo 5, VIVANDEIRAS E CANTINEIRAS: A FAMÍLIA MILITAR FORJADA NA GUERRA, no qual trilho um percurso histórico acerca das mulheres que acompanhavam os exércitos desde o alvorecer da Idade Moderna. Muitas delas esposas de soldados, acompanhavam seus maridos provendo um informal apoio logístico para as tropas e, eventualmente, participando diretamente dos combates.

A temática é muito pouco discutida no Brasil, e o capítulo contribui para o debate historiográfico sobre o papel da mulher na guerra.



Cantineira francesa atendendo soldados na Guerra da Criméia

O livro é apresentado pelo Ministro da Defesa, general Paulo Sérgio, e pelo comandante do Exército Brasileiro, general Freire Gomes, e prefaciado pelo professor Celso Castro, do CPDOC/FGV.




domingo, 11 de setembro de 2022

FESTIVAL DE CINEMA DE HISTÓRIA MILITAR MILITUM TERÁ SUA QUARTA EDIÇÃO

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Após dois anos suspenso em virtude da pandemia da pandemia da covid-19, o MILITUM - Festival de Cinema de História Militar retoma suas atividades com vigor em 2022, celebrando o Bicentenário da Independência do Brasil. Em sua quarta edição, o Festival Militum recebeu um número recorde de obras inscritas, totalizando 50 filmes, sendo 37 documentários, 8 ficções e 5 animações, provenientes de 11 estados do Brasil. 

As sessões do Festival ocorrerão no Instituto de Geografia e História Militar do Brasil, dias 22 e 23 de setembro, e no Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército, dias  27 e 28 de setembro, localizado no nosso prestigioso Museu Militar Conde de Linhares.

O Festival é uma criação da Pátria Filmes e recebe a colaboração de diversas instituições e entidades para, com muito empenho e criatividade, colocar à disposição de amantes do cinema e da história militar, a produção de cineastas amadores e, também, de profissionais, nas diversas categorias para as quais suas obras concorrerão ao Prêmio Apollo.




sexta-feira, 9 de setembro de 2022

"NOSSA INDEPENDÊNCIA FOI CONSOLIDADA NA GUERRA" - ENTREVISTA COM O DIPLOMATA HÉLIO FRANCHINI NETO

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O historiador e diplomata Hélio Franchini Neto diz que batalhas contra Portugal envolveram mais soldados que as de Simon Bolívar e ajudaram a criar a identidade nacional


Por Duda Teixeira 
   

O quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, eternizou o momento em que D. Pedro I declarou, em 7 de setembro de 1822, que o Brasil seria um império separado de Portugal. Para o historiador e diplomata Hélio Franchini Neto, a pintura em que o protagonista ergue a espada não traduz a realidade, por mostrar a independência como algo rápido, pacífico e sem complicações. Amparado em pesquisas recentes, ele afirma que a consolidação desse processo só se deu após batalhas encarniçadas, que envolveram mais homens que aquelas lideradas pelo venezuelano Simon Bolívar, o Libertador da América espanhola. 

Formado em direito, com mestrado em ciência política, Franchini Neto defendeu uma tese de doutorado em história sobre esse tema, em 2015. O material foi adaptado para o público geral e acaba de ser publicado no livro Redescobrindo a Independência: uma História de Batalhas e Conflitos Muito Além do Sete de Setembro (Editora Benvirá). Depois de trabalhar na embaixada brasileira em Bogotá, Franchini Neto, de 43 anos, assumiu no início do ano a vice-chefia na assessoria de relações federativas do Itamaraty com o Congresso. Ele conversou com a Crusoé.


Em seu livro, o senhor argumenta que a “Independência foi um desenrolar caótico, incerto, marcado por disputas, heterogeneidade de visões e de interesses, conflito político e guerra”. Como chegou a essa conclusão?

Uma vez, li em um livro que a guerra entre as forças de Portugal e de D. Pedro na Bahia envolveram mais soldados que a tropa do libertador venezuelano Simon Bolívar. O jovem imperador mobilizou, entre Exército e Marinha, algo em torno de 15 mil soldados no primeiro semestre de 1823. Bolívar, que liderou a independência de Venezuela, Colômbia e Equador, não ultrapassou 10 mil. Esse dado me impressionou muito. Então, continuei estudando o tema até decidir fazer um doutorado. Meu objetivo inicial era apenas o de mapear as operações militares desse período, mas aos poucos fui vendo que as batalhas eram muito maiores do que eu imaginava e que ocorreram em três frentes principais: na Bahia, no Norte e na Cisplatina, hoje Uruguai. Além dos números superlativos, elas se chocavam com as narrativas existentes. Ainda se fala muito que o conflito na Bahia foi entre baianos e tropas portuguesas ali presentes. Mas a guerra foi muito mais ampla e complexa.


Em que sentido?

Para começar, os dois militares baianos que começaram a luta eram originalmente defensores das Cortes de Lisboa. A disputa que se seguiu era local, pelo poder militar da província. Depois que um dos lados , aquele liderado por Manoel Pedro, foi derrotado, seus partidários refugiaram-se na cidade de Cachoeira e se aproximaram de D. Pedro. No fim de 1822, essa guerra civil já tinha ganhado outra dimensão. Portugal enviou sucessivamente o máximo de tropas que pôde, para apoiar o brigadeiro Ignácio Luiz Madeira. De 3 mil soldados, ele passou a contar com 10 mil no final do ano. Essa diferença, de 7 mil ou 8 mil soldados, é equivalente à expedição enviada pela Espanha para lutar contra Bolívar na Venezuela e na Colômbia. Vale ressaltar também que, entre os que defenderam o lado de D. Pedro, não havia só baianos. Pernambucanos, paraibanos e mineiros também lutaram.


A realidade nessas três frentes foi muito cruenta?

Uma estimativa é a de que entre 3 mil e 5 mil morreram no período de um ano, entre 1822 e 1823. Só na Bahia teria havido de 2 mil a 4 mil óbitos. Cerca de mil baixas foram por doenças no fronte. Considerando que 30 mil soldados foram mobilizados, isso dá uma taxa de 10% de mortos, sem contar os feridos. É uma proporção muito alta. No Piauí, o major português João José da Cunha Fidié reuniu 1,5 mil homens para lutar contra os partidários de D. Pedro, que recrutaram entre 2,5 mil e 3 mil para combater na Batalha do Jenipapo. Eles se enfrentaram ao longo de cinco horas, deixando entre 200 e 400 mortos. Foi um período de lutas encarniçadas.

Batalha do Jenipapo, no Piauí: um dos maiores enfrentamentos da Guerra de Independência


O que dizem os relatos desses conflitos?

Alguns depoimentos são incríveis. Comandantes portugueses reclamaram que, no cerco a Salvador, não se podia colocar a cabeça para fora da trincheira, porque isso seria morte na certa. Do lado oposto, um coronel que tinha mil soldados falou da dificuldade de alimentá-los e de conseguir calçados para eles. Também conta que cada ferido que ia para o cirurgião era uma morte certa. D. Pedro chamou isso de uma “crua guerra de vândalos”.


Por que o sr. não fala em brasileiros lutando contra portugueses?

Até a chegada da corte portuguesa, em 1808, o Brasil era formado por duas identidades: a local — como mineiros, paraenses, cearenses, baianos — e a portuguesa, ligada ao rei. A identidade brasileira ainda era incipiente. As longas distâncias dificultavam um laço mais forte entre as distintas populações. Quem saísse do Maranhão num barco demorava 15 dias para chegar a Lisboa. Mas a viagem até a Bahia, por causa das correntes marítimas do Atlântico, tardava quase três meses. A vinda de D. João VI alterou completamente essa ordem. Em 1808, o Rio de Janeiro se tornou a capital do Império Português, com tribunais, academias militares, corpo diplomático. Em 1815, o Brasil deixou de ser colônia, com a criação do Reino do Brasil, o que constituiu um primeiro elemento unificador. Esse movimento de coesão não se deu na América Espanhola, onde os núcleos continuaram vivendo de forma relativamente autônoma. Se a Coroa não tivesse vindo para o Brasil, poderíamos hoje estar fragmentados em vários países, como ocorreu no restante da América Latina.


As guerras que se seguiram à Independência ajudaram a moldar essa identidade brasileira?

A presença da corte, embora trouxesse essa sensação de unidade, não gerava benefícios homogêneos para todas as regiões. No Norte, havia descontentamento por causa dos impostos pagos para financiar o Estado. Quando os portugueses finalmente tomaram a decisão de acabar com o poder do Rio de Janeiro e dar primazia a Lisboa, após a Revolução do Porto, vários grupos políticos buscaram um projeto alternativo. Mas, em muitas províncias, o apoio a D. Pedro era frágil. Então, tudo ocorreu de maneira caótica, incerta. Fagulhas de guerra civil se espalharam por todos os lados. Em muitos casos, houve lutas violentas. Em outros, negociação. A guerra na Bahia foi o primeiro confronto que se poderia chamar de nacional, com forças mobilizadas por D. Pedro e por Lisboa. Quando a poeira baixou, paraibanos, cearenses, baianos e mineiros começaram a se identificar como brasileiros.


O que teria acontecido se os partidários de D. Pedro tivessem perdido essas guerras?

Depois da Declaração da Independência, Portugal tentou salvar alguma coisa do território. Naquela época, o Brasil era visto como dividido em duas regiões. O Sul já estava perdido, mas os portugueses ainda nutriam esperanças de recuperar o Norte. Um parlamentar português sugeriu que se fizesse algo parecido com o que ocorreu nos Estados Unidos, em que o Império Britânico logrou manter o Canadá entre suas possessões. No Brasil, a Bahia era o centro estratégico, pois era a transição entre o Norte e o Sul. Se os militares portugueses tivessem vencido as batalhas nessa região, eles poderiam ter permanecido com Pernambuco, Piauí, Pará e Maranhão. O Norte do Brasil se tornaria um país separado e avançar sobre o Sul, na tentativa de retomar tudo. Não foi o que aconteceu. Portanto, pode-se deduzir que nossa independência foi consolidada na guerra. Um desfecho distinto dessas batalhas mudaria radicalmente o rumo da história.

Fonte: Crusoé

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

UMA PRINCESA NA GUERRA - HOMENAGEM DO PORTAL À RAINHA ELIZABETH II

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Durante a Segunda Guerra Mundial, a vida mudou drasticamente para o povo da Grã-Bretanha, inclusive para a Família Real e para a Princesa Elizabeth.


Faleceu hoje no Castelo de Balmoral, Escócia, a Rainha Elizabeth II, aos 96 anos de idade.  Em 70 anos de reinado, forneceu estabilidade ao Reino Unido em um momento no qual o mundo passou por profundas transformações, atuando com grande senso de dever e honrando, pelo exemplo,  a Coroa britânica.
  
Seu reinado e influência no cenário mundial são bastante conhecidos, mas, o que muitos ignoram, foi o papel desempenhado por ela, ainda uma jovem princesa, durante os difíceis anos da Segunda Guerra Mundial.

Em 13 de setembro de 1940, logo após o início da campanha de bombardeios da Alemanha contra as cidades da Grã-Bretanha, cinco bombas altamente explosivas foram lançadas sobre o Palácio de Buckingham. A Capela Real, o jardim interno e os portões do palácio foram atingidos, e vários trabalhadores ficaram feridos. Ao invés de fugir da cidade sob ataque, o Rei George VI e sua esposa, a Rainha Elizabeth, permaneceram no Palácio de Buckingham, em solidariedade aos que viviam sob os ataques da Blitz. O casal real visitou áreas de Londres que haviam sido devastadas pelos ataques aéreos, falando aos residentes e membros dos serviços de emergência locais. A Rainha se interessou muito pelo que estava sendo feito para ajudar as pessoas que haviam perdido suas casas. 

A princesa Elizabeth tinha apenas 13 anos quando a guerra eclodiu em setembro de 1939. Como muitas crianças que viviam em Londres, Elizabeth e sua irmã Princesa Margaret foram evacuadas para diminuir os riscos dos bombardeios. Elas foram enviadas ao Castelo de Windsor, aproximadamente 20 milhas fora de Londres. As jovens princesas eram duas de mais de três milhões de pessoas - principalmente crianças - que deixaram as cidades para a segurança das pequenas cidades e do campo durante a guerra. O Conselho de Acolhimento de Crianças do Governo também evacuou mais de 2.600 crianças para a Austrália, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul e Estados Unidos. 

No dia  13 de outubro de 1940, em resposta a este movimento, a Princesa Elizabeth proferiu seu primeiro discurso da sala de visitas do Castelo de Windsor, como parte da Hora das Crianças da BBC, em uma tentativa de elevar o moral do público. Ela falou diretamente com as crianças que haviam sido separadas de suas famílias como parte do esquema de evacuação.
"Milhares de vocês neste país tiveram que deixar suas casas e ser separados de seus pais e mães. Minha irmã Margaret e eu sentimos muito por vocês, pois sabemos por experiência própria o que significa estar longe daqueles que vocês amam mais do que tudo. A vocês que vivem em novos ambientes, enviamos uma mensagem de verdadeira simpatia e, ao mesmo tempo, gostaríamos de agradecer às pessoas amáveis que os acolheram em suas casas no país".

À medida que a guerra avançava, a Princesa Elizabeth defendia mais aspectos da vida e da resiliência em tempo de guerra. Em 1943, ela foi fotografada cuidando dos jardins no Castelo de Windsor como parte da campanha do governo "Cavem pela Vitória", na qual as pessoas eram incentivadas a utilizar hortas e cada pedaço de terra para cultivar legumes para ajudar a combater a escassez de alimentos. Antes da Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha contava com a importação de alimentos de todo o mundo, mas quando a guerra começou, a navegação passou a ser ameaçada por submarinos e navios de guerra inimigos. Isto resultou na escassez de alimentos e levou ao racionamento de alimentos tais como carne, queijo manteiga, ovos e açúcar.

Na manhã de seu 16º aniversário, a Princesa Elizabeth realizou sua primeira inspeção de um regimento militar, durante um desfile no Castelo de Windsor. Ela tinha recebido o papel de coronel honorária do Regimento de Guardas Granadeiros, o que simbolizava seu envolvimento militar no esforço de guerra. Quando a Princesa Elizabeth completou 18 anos em 1944, ela insistiu em juntar-se ao Serviço Territorial Auxiliar (Auxiliary Territorial Service-ATS), o ramo feminino do Exército Britânico. Por vários anos durante a guerra, a Grã-Bretanha havia recrutado mulheres para se juntar ao esforço de guerra. Mulheres solteiras menores de 30 anos podiam se alistar nas forças armadas, trabalhar na terra ou na indústria. O Rei George se certificou de que sua filha não recebesse um posto privilegiado no Exército. Ela começou como 2ª subalterna no ATS e, mais tarde, foi promovida a Comandante Júnior (equivalente a capitão).

A princesa Elizabeth, como 2ª Subalterna do ATS, diante de uma viatura ambulância durante o treinamento.

A Princesa Elizabeth começou seu treinamento como mecânica de viaturas em março de 1945. Ela fez um curso de direção e manutenção de veículos em Aldershot, qualificando-se no dia 14 de abril. Jornais da época apelidaram-na de "Princesa Mecânica Automobilística". Havia uma grande variedade de empregos disponíveis para as mulheres soldados no ATS como cozinheiras, telefonistas, motoristas, operárias dos correios, operadores de holofotes e inspetoras de munição. Algumas mulheres serviam como parte de unidades antiaéreas guarnecendo canhões, embora não lhes fosse permitido disparar as armas. Os trabalhos eram perigosos, e durante o curso da guerra, 335 mulheres ATS foram mortas e muitas feridas. Em junho de 1945, havia cerca de 200.000 membros do ATS de todo o Império Britânico servindo na frente doméstica e nos diferentes teatros de guerra no exterior.

O Rei, a Rainha e a Princesa Margaret visitaram a Princesa Elizabeth na Seção de Treinamento de Transporte Mecânico em Camberley, Surrey, e a viram aprender sobre manutenção de motores. Ao descrever a visita à Revista LIFE, a Princesa comentou "Nunca soube que havia tanta preparação antecipada [para uma visita real] ...saberei em outra ocasião".

Inclinada sobre o veículo, a Princesa Elizabeth demonstra ao pai, o Rei George VI, e à irmã Margaret suas habilidades como mecânica do ATS

Em 8 de maio de 1945, a guerra na Europa terminou. Em Londres, milhares de pessoas saíram às ruas para comemorar, lotando a Trafalgar Square e a avenida que levava ao Palácio de Buckingham, onde o Rei e a Rainha os cumprimentaram da varanda. Quando o sol começou a se pôr e as celebrações indicavam que continuariam pela noite adentro, a Princesa Elizabeth, vestida com seu uniforme do ATS, uniu-se à multidão com sua irmã para participar das festividades. 

Celebrando o Dia da Vitória na Europa (VE Day) na varanda do Palácio de Buckingham estão (esq. para dir.), a Princesa Elizabeth, a Rainha Elizabeth, o primeiro-ministro Winston Churchill, o Rei George VI e a Princesa Margaret.

Em 1985, já Rainha, falou à BBC sobre como ela tentou evitar ser vista: "Lembro-me que estávamos aterrorizadas, com medo de sermos reconhecidas, então eu puxei meu quepe bem para baixo sobre meus olhos". Ela descreveu as "linhas de pessoas desconhecidas de braços dados e andando por Whitehall, e todos nós fomos arrastados por marés de felicidade e alívio". Há até mesmo relatos de que as princesas se juntaram a uma dança de conga através do Hotel Ritz enquanto comemoravam com as multidões. "Acho que foi uma das noites mais memoráveis da minha vida", lembrou-se ela.

A rainha Elizabeth II ocupou o posto de coronel-em-chefe de 16 regimentos e corpos do Exército Britânico e de muitas unidades da Commonwealth. Como membro do ATS, ela foi a primeira mulher da família Real a ser um membro ativo das Forças Armadas Britânicas. Elizabeth II foi também a última chefe de estado sobrevivente a ter servido durante a Segunda Guerra Mundial. 

Ao longo de sua vida, ela foi frequentemente fotografada ao volante de veículos, sendo conhecida por diagnosticar e reparar motores defeituosos, assim como foi ensinada a fazer durante seu serviço em tempo de guerra no ATS.

Com a história de seu serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial, o Portal Carlos Daróz-História Militar presta sua homenagem a essa que foi uma das mais importantes mulheres dos séculos XX e XXI.  Seguramente o fim de uma era.

Que descanse em paz e que seu legado seja longo.



"Quando a vida parece difícil, os corajosos não se deitam e aceitam a derrota; em vez disso, eles estão ainda mais determinados a lutar por um futuro melhor."

Rainha Elizabeth II
* 21/4/1926
+ 8/9/2022

Fonte: Adaptação de texto de Vikki Hawkins, Imperial War Museum

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

IMAGEM DO DIA - 7/9/2022 - DIA DA PÁTRIA

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7 de setembro de 1950: batalhão da Polícia Militar do Ceará desfila em homenagem ao Dia da Pátria




segunda-feira, 5 de setembro de 2022

A MORTE DO MARECHAL TURENNE EM SALZBACH

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Durante a Guerra Franco-Holandesa (1672-1678), o Visconde de Turenne marchou com o Rei Luís XIV e Condé para a Holanda. Em julho de 1672 tomou Nijmegen com 4.000 soldados de infantaria e 400 de cavalaria, e, a partir dali, investiu contra o Forte Crèvec, perto de Hertogenbosch, que caiu após apenas dois dias de sítio. 

Atacado pelas forças imperiais de Raimondo Montecucoli, Turenne foi forçado a recuar para além do Reno. Na campanha seguinte, em 1674, Turenne derrotou um exército imperial comandado por Eneias Sylvius Caprara, em Sinzheim, e devastou o Palatinado. Sua campanha relâmpago no inverno 1674 é considerada um dos maiores exemplos de guerra de manobras do século XVII.

Henrique de La Tour de Auvérnia, Visconde de Turenne e marechal da França

No dia 27 de julho de 1675, Turenne opôs-se novamente a Montecuccoli no campo de Salzbach. Seguiu-se um duelo de artilharia entre as baterias do tenente-general Pierre de Mormès de Saint-Hilaire e os artilheiros de Herman von Baden-Baden. Por volta das duas horas da tarde, enquanto Turenne realizava um reconhecimento com seu sobrinho, o Cavaleiro d'Elbeuf, e Saint-Hilaire, um projétil de canhão de 3 libras disparado por um artilheiro alemão chamado Koch atingiu tanto Saint-Hilaire como Turenne. O primeiro perdeu um braço, mas Turenne morreu no local, quando o tiro lhe atravessou o peito. 

Batalha de Salzbach, onde Turenne foi morto

De luto pela morte do seu adversário, Raimondo Montecuccoli ordenou que todas as operações militares fossem interrompidas por dois dias. Luís XIV concedeu ao seu marechal a honra póstuma de ser enterrado na basílica de Saint-Denis, junto aos reis da França, honra que apenas o Condestável Du Guesclin, herói da Guerra dos Cem Anos, havia recebido antes dele. 

Em 1800, Napoleão Bonaparte, um admirador de Turenne, transferiu seu túmulo para a igreja de Saint-Louis, no Hôtel des Invalides.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

A GUERRA DO VIETNÃ CHEGA AO FIM (1973)

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Em 27 de janeiro de 1973, representantes do Vietnã do Norte e do Sul, bem como dos Estados Unidos, assinaram em Paris um difícil acordo que pôs fim à guerra do Vietnã.


Por Michael Marek

Nenhum outro acontecimento mobilizou tanto a opinião pública internacional nos anos 1960 e 1970 quanto a Guerra do Vietnã. Pela primeira vez na história, as atrocidades dos campos de batalha foram exibidas no "horário nobre" das tevês: vietnamitas queimados por bombas de napalm, o fuzilamento de um rebelde pelo chefe da polícia de Saigon com um tiro na cabeça, o massacre de My Lai por soldados norte-americanos.

Mais de um milhão de vietnamitas e 55 mil combatentes dos EUA morreram no conflito. A assinatura do acordo de paz, em 27 de janeiro de 1973, alimentou grandes esperanças. O cessar-fogo firmado em Paris deveria significar o fim da Guerra do Vietnã.

Com isso, o presidente norte-americano Richard Nixon queria terminar a intervenção militar dos EUA na Indochina: "Falo hoje à noite no rádio e na televisão para anunciar que fechamos um acordo que põe fim à guerra e deve trazer a paz para o Vietnã e o Sudeste Asiático.

Durante os próximos 60 dias, as tropas norte-americanas serão retiradas do Vietnã do Sul. Temos de reconhecer que o fim da guerra só pode ser um passo em direção à paz. Todas as partes envolvidas no conflito precisam compreender agora que esta é uma paz duradoura e benéfica".


Acordo previa um fim ordenado do conflito

O acordo de paz previa a retirada completa das tropas dos Estados Unidos. Em contrapartida, o Vietnã do Norte se comprometeu a soltar todos os prisioneiros de guerra norte-americanos. Além disso, Hanói reconheceu o direito à autodeterminação do Vietnã do Sul.

Foi criado também um conselho de reconciliação nacional, presidido pelo chefe de Estado Nguyen Van Thieu, encarregado de convocar eleições livres no Vietnã do Sul, com a participação dos comunistas do Vietcong e outros grupos de oposição.

Os principais arquitetos do acordo de Paris foram os chefes das delegações do Vietnã do Norte e dos EUA, respectivamente Le Duc Tho e Henry Kissinger, encarregado especial de Nixon. Pelos seus esforços, os dois diplomatas foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz de 1973.

Le Duc Tho e Henry Kissinger durante os acordos de Paris


Foi principalmente Kissinger quem forçou uma mudança de rumo na política externa dos Estados Unidos, depois que os protestos dos pacifistas criaram uma situação insustentável para Washington. "Não é o Vietnã comunista que põe em risco os interesses norte-americanos e, sim, o envolvimento dos EUA num conflito insolúvel", argumentava.

O então chanceler federal alemão Willy Brandt elogiou o acordo de Paris num pronunciamento oficial: "As condições para a paz mundial melhoraram. Sentimos o efeito libertador do acordo para milhões de atingidos. Infelizmente, as pessoas no Vietnã tiveram de sofrer duramente sob a guerra civil ao longo de uma geração".


A última ofensiva americana

Pouco antes do fim das negociações, Nixon ainda mandou bombardear o Vietnã do Norte. A chamada Campanha de Natal, iniciada no final de dezembro de 1972, foi um dos ataques aéreos mais pesados de toda a guerra. Com indiferença, o piloto de um dos bombardeiros B-52 descreveu assim a sua missão: "É apenas uma tarefa. Outras pessoas entregam leite, eu entrego bombas".

O acordo de cessar-fogo, no entanto, não foi implementado. Após a retirada das tropas dos EUA, as partes conflitantes tentaram ampliar pelas armas os territórios sob seu controle. O Exército do Vietnã do Sul desintegrou-se rapidamente, depois que os EUA suspenderam a sua ajuda financeira.

Pouco antes do fim das negociações, Nixon mandou bombardear o Vietnã do Norte


Em 21 de abril de 1975, o presidente Nguyen Van Thieu renunciou. Nove dias depois, Saigon foi tomada pelas tropas do Vietnã do Norte e do Vietcong. A pseudotrégua de janeiro de 1973 era letra morta.


O papel dos meios de comunicação

Existe a lenda de que os meios de comunicação decidiram a Guerra do Vietnã. Na prática, porém, não existiam imagens dos crimes cometidos pelas tropas norte-americanas nem das ondas de execuções dos comunistas nos territórios por eles conquistados.

Diversos estudos científicos demonstraram que as imagens das batalhas militares, dos feridos e dos mortos mutilados representaram apenas 5 a 7% do noticiário de TV sobre o Vietnã. Além disso, a maioria das cenas de guerra foram fictícias, porque as equipes de TV não chegavam com seus equipamentos até os últimos rincões das florestas vietnamitas.

É certo que os correspondentes tiveram mais liberdade do que em outras guerras para escrever críticas ao governo. Mas, nas tevês, a maioria das reportagens de três a quatro minutos mostravam um conflito sem nexo, de forma distanciada.

Fonte: DW

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terça-feira, 30 de agosto de 2022

RECRIAÇÃO HISTÓRICA DO CERCO A CAMPO MAIOR, PORTUGAL, 1811

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Mais uma recriação histórica em Portugal. Não perca a oportunidade de assistir ou participar. 

Para mais informações contatar anp.portugal@gmail.com



segunda-feira, 29 de agosto de 2022

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR – MARECHAL MANUEL GOMES DA COSTA

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* 14/1/1863 - Lisboa, Portugal

+ 17/12/1929 - Lisboa, Portugal


Manuel Gomes da Costa nasceu em Lisboa, na Rua do Sol ao Rato, nº 205, freguesia de Santa Isabel, descendente de militares. Era filho de Carlos Dias da Costa, à data sargento quartel-mestre do Regimento de Infantaria nº 16, e de Madalena Rosa de Oliveira, natural de Lisboa. Cresceu com duas irmãs mais novas, Amália e Lucrécia, iniciando sua carreira militar aos 10 anos de idade ingressando no Colégio Militar.

Como soldado, destacou-se nas campanhas de pacificação das colônias, na Índia e na África, e ainda na Grande Guerra. Ao lado dos Aliados, em inícios de 1917, comandou a 2ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP). Durante a Batalha de Lys, em 9 de abril de 1918, o CEP teve 400 baixas e cerca de 6.500 prisioneiros, um terço de suas forças na linha de frente. A divisão de Gomes da Costa foi particularmente atingida e foi praticamente exterminada.

A 15 de Fevereiro de 1919, foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de São Bento de Avis; em 14 de Setembro de 1920, foi feito Grande-Oficial da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e, em 5 de outubro de 1921, foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de São Bento de Avis.


Revolução

Monarquista convicto, Gomes da Costa tinha convivido com pessoas de várias orientações políticas. Isso e sua reputação de soldado levaram-no a liderar a direita conservadora, cujos revolucionários lideraram o golpe de estado de 28 de maio de 1926 em Braga, que derrubou a Primeira República portuguesa, depois da morte do general Alves Roçadas, sua escolha original, que deveria ter sido seu chefe.

Generais  Tamagini, Haking (britânico) e Gomes da Costa, fotografados durante a Primeira Guerra Mundial


Depois do sucesso da revolução, ele não assumiu o poder a princípio, confiando os cargos de Presidente da República e Presidente do Conselho de Ministros (primeiro-ministro) a José Mendes Cabeçadas, o líder da revolução em Lisboa. Logo, os líderes do golpe não gostaram da atitude de Mendes Cabeçadas, uma escolha do anterior presidente Bernardino Machado e ainda simpatizante da antiga república. Ele foi substituído por Gomes da Costa em ambos os cargos numa reunião do quartel-general em Sacavém, a 17 de Junho de 1926. O novo governo foi o primeiro a incluir o último primeiro-ministro e ditador de Portugal, Antônio de Oliveira Salazar, como Ministro da Fazenda.

O governo de Gomes da Costa durou tanto quanto o de Mendes Cabeçadas, porque foi derrubado por um novo golpe em 9 de julho do mesmo ano. Esta contrarrevolução foi chefiada por João José Sinel de Cordes e Óscar Carmona, depois de Gomes da Costa tentar remover Carmona do cargo de Ministro das Relações Exteriores e de se revelar incapaz de lidar com os dossiês governativos.


Exílio e posteridade

Carmona, agora presidente do Ministério, enviou-o para o exílio nos Açores, e fê-lo marechal do Exército Português, usando o pretexto de que Gomes da Costa era "inapto para o cargo". Ainda exerceu algumas funções de natureza política, mas com valor protocolar apenas. Em setembro de 1927, regressou doente ao Continente, tendo falecido em condições miseráveis, sozinho, pobre e desligado do poder, 3 meses mais tarde. 

Escultura de Gomes da Costa, do escultor Barata Feyo


Gomes da Costa foi casado com Henriqueta Júlia de Mira Godinho (1863-1936), cujo matrimônio ocorreu em Penamacor, em 15 de Maio de 1885. Deste casamento tiveram três filhos.


sábado, 27 de agosto de 2022

PENSAMENTO MILITAR

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“Apesar de um soldado por profissão, nunca senti qualquer tipo de gosto para a guerra, e eu nunca a defendi, exceto como meio de paz.”

(General Ulysses Grant)

terça-feira, 23 de agosto de 2022

OS SUBMARINOS BRITÂNICOS QUE DEFENDERAM A RÚSSIA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

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Uma flotilha de submarinos do Reino Unido se uniu à Marinha Russa para combater os alemães na região do Mar Báltico. Após Revolução Russa, porém, as embarcações foram afundadas para não serem entregues ao inimigo.

Por Boris Egorov


Em pouquíssimas ocasiões, as tropas russas e britânicas lutaram lado a lado durante a Primeira Guerra Mundial. Cada país tinha suas próprias tarefas estratégicas. Um episódio, no entanto, foi praticamente esquecido: aquele em que as forças navais deste dois enormes impérios se uniram para combater a marinha alemã no mar Báltico.


Caminho perigoso

Para afetar a economia alemã, os britânicos decidiram cortar as rotas de fornecimento de minério de ferro da Suécia. Incapazes de fazê-lo sozinhos, eles decidiram aproveitar os portos e navios de guerra do Império Russo.

Além de objetivos militares estratégicos, a decisão de enviar a flotilha para o Mar Báltico teve um impacto psicológico. Winston Churchill, Primeiro Lorde do Almirantado, queria mostrar aos russos que os Aliados não os haviam esquecido e que o Reino Unido estava ao lado da Rússia.

Winston Churchill, Primeiro Lorde do Almirantado, inspeciona marinheiros durante Primeira Guerra Mundial

A ideia de enviar navios de superfície foi rapidamente descartada, porque era quase impossível atravessar o estreito dinamarquês, que era minado e monitorado pela marinha alemã.  Submarinos, porém,  conseguiam penetrar no Mar Báltico. Assim, dois dos três submarinos enviados conseguiram atravessar o estreito dinamarquês, mas o terceiro foi forçado a voltar.


Inverno rigoroso

A chegada dos submarinos britânicos foi uma surpresa para os russos, que não foram informados com antecedência sobre os planos de seu aliado. Os britânicos foram acolhidos calorosamente em Reval (hoje, a cidade de Tallinin, capital da Estônia), que se tornou a base das operações.

Submarino inglês HMS L 27 atracando no Báltico

Antes do combate, os marinheiros britânicos tiveram que sobreviver ao inverno, o que não foi tarefa fácil. De janeiro a abril, era impossível realizar operações submarinas no mar, já que as escotilhas e os periscópios estavam congelados.

Além disso, os marinheiros britânicos não tinham uniformes quentes o suficiente para as temperaturas do inverno russo e sofriam com a falta de rum. Os russos ajudaram os aliados fornecendo roupas e vodca.


Série de vitórias

No verão seguinte, a flotilha britânica foi reforçada com mais três submarinos, enquanto a Marinha Alemã iniciou uma operação no Golfo de Riga. Embora o número de navios alemães fosse o dobro do da frota russa do Báltico, o ataque foi repelido. Os marinheiros britânicos desempenharam papel significativo na batalha. 

Submarino inglês HMS E1

O submarino britânico HMS E-1, liderado pelo Capitão Noel Laurence, conseguiu danificar seriamente um dos mais importantes navios de guerra alemães - o cruzador de batalha Moltke. Devido a essa perda, os alemães abandonaram a operação e não entraram em Riga. O imperador Nikolai 2° se encontrou com Laurence e o premiou com a cruz de São Jorge, chamando-o de "salvador de Riga".


Após a Revolução 

Em 1916, os marinheiros britânicos foram forçados a descansar. Os alemães melhoraram suas táticas contra submarinos e limitaram bastante a atividade dos Aliados. Após a Revolução de Fevereiro de 1917, iniciou-se um verdadeiro caos no exército russo e a Marinha começou a desmoronar. Uma vez que os marinheiros russos se recusavam a obedecer os oficiais, o comandante da flotilha britânica, Francis Cromie, se tornou o chefe não oficial de todas as forças subaquáticas russas no Báltico.

Francis Cromie, comandante da flotilha de submarinos britânica: Segundo o czar, o "salvador de Riga" 

Quando os comunistas tomaram o poder, os submarinos russos e britânicos foram transferidos para a região da Finlândia. Em março de 1918, foi assinado o tratado de paz de Brest-Litovsk entre o novo governo bolchevique russo e as Potências Centrais, segundo o qual a Rússia devia entregar todos os submarinos à Alemanha. 

Lênin prometeu a Cromie não entregar os submarinos britânicos, mas acabou vendendo as embarcações ao imperador alemão Guilherme II. Os soldados britânicos, não querendo entregar os navios ao inimigo, afundaram todos os submarinos no Golfo da Finlândia e fugiram da Rússia por meio do porto de Murmansk, no extremo norte russo.

Fonte: Russia Beyond



terça-feira, 16 de agosto de 2022

PAZ ENTRE ÁUSTRIA E ITÁLIA (1866)

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No dia 3 de outubro de 1866, foi selada a Paz de Viena, entre a Itália e a Áustria, marcando a passagem do Veneto à Itália.


Por Dirk Kaufmann

O tratado de paz entre a Áustria e a Itália, assinado no dia 3 de outubro de 1866 em Viena, foi um passo pequeno mas decisivo para a reorganização política da Europa central no século XIX. O ponto mais importante do tratado prescrevia que a Áustria desistisse da sua influência sobre o norte italiano, e entregasse a região do Veneto à Itália.


Motivos da inimizade

O motivo para essa guerra remontava a fatos ocorridos na capital austríaca, no ano de 1815. No chamado Congresso de Viena, fora decidida a reestruturação política da Europa, que acabara de se libertar da ocupação pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte.

Um resultado do Congresso de Viena foi a formação da Liga Alemã: ela não era nenhuma pátria alemã unida, nem um Estado nacional, mas, pelo menos, a associação de um determinado número de Estados autônomos, com duas potências de destaque: a Prússia e a Áustria.

Porém, esta constelação estava fadada ao fracasso. O chanceler prussiano Otto von Bismarck escreveu a um amigo, em 1853: "Não há lugar para as duas, a Prússia e a Áustria, em virtude das ambições manifestadas pela Áustria; ou seja, não poderemos nos entender de forma duradoura, uma das duas terá de recuar. Até lá, teremos de ser adversários. Considero isto um fato".


Liga alemã, a ferro e sangue

Bismarck não perdeu nenhuma oportunidade de irritar e provocar a Áustria. E não apenas diplomática e politicamente. Na solução da "questão alemã", ele lançaria mão também de recursos militares. Data dessa época uma declaração do chanceler prussiano que mais tarde ficaria célebre, sendo frequentemente citada como advertência contra qualquer eventual política expansionista prussiana ou alemã:

"Temos a tendência de vestir uma armadura muito grande para o nosso corpo magro. A Alemanha não venera o liberalismo da Prússia, mas sim o seu poder. As grandes questões da nossa época não são decididas com conversação e votação majoritária, mas sim a ferro e sangue!"

Na luta pela unificação da Alemanha, só havia duas opções: a solução do "pangermanismo", com a Áustria como potência líder e a Prússia como parceira inferior, ou a chamada "pequena solução". Esta previa a união dos Estados do norte alemão, sem a Áustria – embora ela também se sentisse, na verdade, alemã.

A "pequena solução" teria naturalmente a Prússia como potência líder. Do ponto de vista de Bismarck, esta era a única constelação aceitável. E para lograr militarmente tal objetivo, a Prússia buscou um aliado no sul da Europa: a Itália.

Soldado do Regimento de Infantaria nº 31 austríaco

Ataque por duas frentes

Numa guerra contra a Prússia e a Itália, a Áustria teria de combater em duas frentes ao mesmo tempo. A Itália aceitou as propostas prussianas e firmou um pacto de solidariedade com a Prússia, do qual constava, entre outros pontos: "Se a Prússia chegar à situação de pegar em armas, a Itália declarará a guerra contra a Áustria".

Além disso: "Não poderá ser recusada a aceitação de um armistício, se a Áustria concordar em ceder o reino lombardo-veneziano à Itália e partes do território austríaco à Prússia ou fizer concessões na questão alemã".

Artilharia prussiana entrando em Leipzig

Em 1866, a Prússia e a Itália declararam guerra à Áustria. Os prussianos, militarmente mais fortes, venceram os austríacos sem grande esforço. A guerra estava praticamente decidida, depois da batalha de Königgratz. O caminho para Viena estava aberto.

Mas Bismarck foi contrário a novas conquistas. O que provocou indagações do rei da Prússia: "A Áustria não terá de pagar reparações razoáveis de guerra? O inimigo principal não terá de ceder territórios? O vencedor vai se deter diante dos portões de Viena, sem invadir a capital?" A resposta de Bismarck: "A Áustria não pode ser humilhada. É preciso ganhar sua amizade para o futuro; do contrário, ela se tornará aliada da França. Não devemos julgar a Áustria, mas sim, fazer a política alemã e preparar-nos para estabelecer a união alemã, sob o rei da Prússia".


Paz do futuro eixo

Quando Bismarck ameaçou renunciar, o rei prussiano aceitou seu ponto de vista e iniciou negociações de paz com a Áustria. No Acordo de Praga, a Prússia renunciou a grandes conquistas territoriais, uma vez que a Áustria concordou em se retirar da Liga Alemã. Mas Viena pretendia estender sua influência ao Leste Europeu e aos Bálcãs, a fim de se impor perante a Liga Alemã, dominada pela Prússia.

A expansão da Prússia

Para obter liberdade de ação nos seus planos, a Áustria concordou rapidamente em assinar um tratado de paz também com a Itália. Através do acordo assinado em Viena no dia 3 de outubro de 1866, a Áustria cedeu a região do Veneto à Itália.

O tratado de paz de Viena encerrou a chamada Guerra Alemã, e suas consequências se estenderam até no século seguinte. Os três países envolvidos nessa guerra – que estavam começando a constituir-se como Estados nacionais ou, no caso da Áustria, que passava por uma reorientação política – foram justamente aqueles que, como aliados, deram início à Primeira Guerra Mundial em 1914 e terminaram derrotados.

Fonte: DW