"No próprio dia da batalha, as verdades podem ser pinçadas em toda a sua nudez, perguntando apenas;
porém, na manhã seguinte, elas já terão começado a trajar seus uniformes."

(Sir Ian Hamilton)



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domingo, 21 de julho de 2024

UNIFORME - COURACEIRO BÁVARO, 1870

 

Tenente do 2º Regimento de Kürassiers bávaro (regimento "Príncipe Adalbert"). Foto batida antes do início da Guerra Franco-Prussiana. Esse regimento de cavalaria pesada lutou na feroz batalha de cavalaria que ocorreu durante/dentro da grande Batalha de Mars-la-Tour/Rezonville. A Bavária era um Estado independente em 1870, aliado da Prússia.
(Contribuição de Renato Coutinho).


terça-feira, 16 de agosto de 2022

PAZ ENTRE ÁUSTRIA E ITÁLIA (1866)

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No dia 3 de outubro de 1866, foi selada a Paz de Viena, entre a Itália e a Áustria, marcando a passagem do Veneto à Itália.


Por Dirk Kaufmann

O tratado de paz entre a Áustria e a Itália, assinado no dia 3 de outubro de 1866 em Viena, foi um passo pequeno mas decisivo para a reorganização política da Europa central no século XIX. O ponto mais importante do tratado prescrevia que a Áustria desistisse da sua influência sobre o norte italiano, e entregasse a região do Veneto à Itália.


Motivos da inimizade

O motivo para essa guerra remontava a fatos ocorridos na capital austríaca, no ano de 1815. No chamado Congresso de Viena, fora decidida a reestruturação política da Europa, que acabara de se libertar da ocupação pelas tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte.

Um resultado do Congresso de Viena foi a formação da Liga Alemã: ela não era nenhuma pátria alemã unida, nem um Estado nacional, mas, pelo menos, a associação de um determinado número de Estados autônomos, com duas potências de destaque: a Prússia e a Áustria.

Porém, esta constelação estava fadada ao fracasso. O chanceler prussiano Otto von Bismarck escreveu a um amigo, em 1853: "Não há lugar para as duas, a Prússia e a Áustria, em virtude das ambições manifestadas pela Áustria; ou seja, não poderemos nos entender de forma duradoura, uma das duas terá de recuar. Até lá, teremos de ser adversários. Considero isto um fato".


Liga alemã, a ferro e sangue

Bismarck não perdeu nenhuma oportunidade de irritar e provocar a Áustria. E não apenas diplomática e politicamente. Na solução da "questão alemã", ele lançaria mão também de recursos militares. Data dessa época uma declaração do chanceler prussiano que mais tarde ficaria célebre, sendo frequentemente citada como advertência contra qualquer eventual política expansionista prussiana ou alemã:

"Temos a tendência de vestir uma armadura muito grande para o nosso corpo magro. A Alemanha não venera o liberalismo da Prússia, mas sim o seu poder. As grandes questões da nossa época não são decididas com conversação e votação majoritária, mas sim a ferro e sangue!"

Na luta pela unificação da Alemanha, só havia duas opções: a solução do "pangermanismo", com a Áustria como potência líder e a Prússia como parceira inferior, ou a chamada "pequena solução". Esta previa a união dos Estados do norte alemão, sem a Áustria – embora ela também se sentisse, na verdade, alemã.

A "pequena solução" teria naturalmente a Prússia como potência líder. Do ponto de vista de Bismarck, esta era a única constelação aceitável. E para lograr militarmente tal objetivo, a Prússia buscou um aliado no sul da Europa: a Itália.

Soldado do Regimento de Infantaria nº 31 austríaco

Ataque por duas frentes

Numa guerra contra a Prússia e a Itália, a Áustria teria de combater em duas frentes ao mesmo tempo. A Itália aceitou as propostas prussianas e firmou um pacto de solidariedade com a Prússia, do qual constava, entre outros pontos: "Se a Prússia chegar à situação de pegar em armas, a Itália declarará a guerra contra a Áustria".

Além disso: "Não poderá ser recusada a aceitação de um armistício, se a Áustria concordar em ceder o reino lombardo-veneziano à Itália e partes do território austríaco à Prússia ou fizer concessões na questão alemã".

Artilharia prussiana entrando em Leipzig

Em 1866, a Prússia e a Itália declararam guerra à Áustria. Os prussianos, militarmente mais fortes, venceram os austríacos sem grande esforço. A guerra estava praticamente decidida, depois da batalha de Königgratz. O caminho para Viena estava aberto.

Mas Bismarck foi contrário a novas conquistas. O que provocou indagações do rei da Prússia: "A Áustria não terá de pagar reparações razoáveis de guerra? O inimigo principal não terá de ceder territórios? O vencedor vai se deter diante dos portões de Viena, sem invadir a capital?" A resposta de Bismarck: "A Áustria não pode ser humilhada. É preciso ganhar sua amizade para o futuro; do contrário, ela se tornará aliada da França. Não devemos julgar a Áustria, mas sim, fazer a política alemã e preparar-nos para estabelecer a união alemã, sob o rei da Prússia".


Paz do futuro eixo

Quando Bismarck ameaçou renunciar, o rei prussiano aceitou seu ponto de vista e iniciou negociações de paz com a Áustria. No Acordo de Praga, a Prússia renunciou a grandes conquistas territoriais, uma vez que a Áustria concordou em se retirar da Liga Alemã. Mas Viena pretendia estender sua influência ao Leste Europeu e aos Bálcãs, a fim de se impor perante a Liga Alemã, dominada pela Prússia.

A expansão da Prússia

Para obter liberdade de ação nos seus planos, a Áustria concordou rapidamente em assinar um tratado de paz também com a Itália. Através do acordo assinado em Viena no dia 3 de outubro de 1866, a Áustria cedeu a região do Veneto à Itália.

O tratado de paz de Viena encerrou a chamada Guerra Alemã, e suas consequências se estenderam até no século seguinte. Os três países envolvidos nessa guerra – que estavam começando a constituir-se como Estados nacionais ou, no caso da Áustria, que passava por uma reorientação política – foram justamente aqueles que, como aliados, deram início à Primeira Guerra Mundial em 1914 e terminaram derrotados.

Fonte: DW

quinta-feira, 31 de março de 2022

1763: TRATADO CONFIRMA PRÚSSIA COMO POTÊNCIA EUROPEIA

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  Em 15 de fevereiro de 1763, é selada no castelo Hubertusburg, na Saxônia, a paz da Guerra dos Sete Anos, que marcaria a ascensão da Prússia ao rol das potências europeias.


Por Rachel Gessat 

A Guerra dos Sete Anos durou de 1756 até 1763 e envolveu todas as potências europeias da época. A Áustria pretendia recuperar a rica província da Silésia, perdida para a Prússia em 1748, e ao mesmo tempo queria acabar com a ambição prussiana de ascender como potência.

Depois de uma reordenação de forças entre as potências europeias, Maria Teresa, grã-duquesa da Áustria e rainha da Hungria e Boêmia, recebeu o apoio da Rússia, da Suécia, da Saxônia, da Espanha e da França. Do outro lado estavam Prússia, Reino Unido e Hannover.

Em vista dos preparativos da Áustria e da Rússia para um ataque militar em 1757, o Rei da Prússia, Frederico II, decidira tomar a dianteira e ocupara a Saxônia um ano antes. No início de 1757, invadira a Boêmia e conquistara Praga, mas teve de se retirar da região após a derrota em junho do mesmo ano. Em setembro, Hannover, aliado prussiano, foi obrigado a garantir neutralidade depois de ser derrotado pela França.
 

Prússia torna segunda grande potência germânica

Apesar da pressão de todos os lados e de dispor de menos tropas que os inimigos, a Prússia e seus aliados conseguiram impor-se até o final de 1758: em novembro de 1757 derrotaram os franceses na Saxônia; em dezembro, os austríacos na Silésia; e, em agosto de 1758, os russos em Brandemburgo, enquanto Braunschweig expulsava os franceses para as outras margens do Reno.
 
Frederico II, o Grande: no seu reinado a Prússia tornou-se grande potência
 
A Prússia sofreu sua derrota mais amarga para a Rússia e a Áustria em agosto de 1759, no local onde hoje fica Zielona Góra, centro-oeste da Polônia. No começo de 1760, os dois aliados chegaram a ocupar Berlim, mas as tropas prussianas venceram outras duas importantes batalhas. No final do ano seguinte, o Reino Unido cortou as subvenções à guerra. O que salvou a Prússia foi a morte da imperatriz russa Elisabeth, em janeiro de 1762.

Seu sucessor, Pedro III, era um admirador de Frederico, o Grande, com quem selou a paz em 5 de maio de 1762 e assinou uma aliança a 17 de junho. Pouco depois, também a Suécia fez as pazes com a Prússia. Às vitórias sobre a Áustria em julho e outubro, seguiu-se o armistício entre o Reino Unido e a França. A paz definitiva foi então selada em 15 de fevereiro de 1763, na hoje Saxônia. A Prússia receberia o poder sobre a Silésia e devolveria a Saxônia.

Na realidade, ninguém lucrou com o conflito. Pelo contrário, todos sofreram enormes perdas humanas e financeiras. Frederico, o Grande, e a Prússia consolidaram sua importância na história. O "velho Fritz", como passou a ser carinhosamente chamado pelo seu povo, mandou construir um imponente castelo em Potsdam. A Prússia tornou-se a segunda grande potência germânica, ao lado da Áustria, iniciando um dualismo que se prolongaria pelos próximos 100 anos.

Fonte: DW (transcrição)
 
 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

GUERRA FRANCO-PRUSSIANA: MOLTKE E O PENSAMENTO MILITAR




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A Guerra Franco-Prussiana remodelou a Europa e preparou o caminho para a 1ª Guerra Mundial. Desenrolou-se de 19 de Julho de 1870 a 10 de Maio de 1871, tendo como adversários o Império Francês e o Reino da Prússia. O conflito marcou o clímax das tensões entre as duas potências após o crescente domínio da Prússia sobre a Alemanha, na época ainda uma federação de territórios quase que independentes.

Esta guerra sinalizou o crescente poderio militar e o imperialismo da Alemanha. Foi provocada por Otto von Bismarck, o chanceler prussiano, como parte do seu plano de criar um Império Germânico unificado. No campo militar, o papel de Helmuth von Moltke foi da maior importância, na preparação e condução da guerra com o trabalho de estado maior

A Guerra Franco-Prussiana foi o principal conflito armado da Europa no final do século XIX, teve como objetivo maior a unificação alemã, e segundo algumas interpretações de analistas, ela somente foi prolongada além do necessário, com o objetivo de propiciar o tempo para que alguns dos pequenos estados alemães se unissem em torno da Prússia contra um inimigo comum.

O conflito foi, de certa forma, a última guerra napoleônica, em relação à tática, e a primeira guerra industrial, em relação aos recursos logísticos e tecnologia. Este panorama se evidencia, primeiramente, pelo uso de novas, mas também das tradicionais táticas pela infantaria e artilharia, pelo papel secundário da cavalaria nos combates (que deveria ser repensado diante do novo tipo de guerra). Em segundo lugar, pela introdução do fuzil de retrocarga, das metralhadoras, canhões pesados de retrocarga e alma raiada, transporte maciço de tropas por ferrovias, comunicações por telégrafos, navios blindados à vapor, dentre outras inovações.

Helmuth von Moltke

No conflito surgem como grandes personagens, o chanceler Bismarck e o General Helmuth von Moltke, que comandou o exército prussiano na vitória contra os franceses, mas permaneceu como chefe do Estado-Maior durante 30 anos. Para ele, as guerras possuíam um fator fundamental que era sua capacidade de mobilização nacional, e não suas manobras no terreno. Ele não acreditava que houvesse um conjunto rígido de regras que poderiam ser seguidas pelos estrategistas, dessa forma, a estratégia era uma arte e seria fundamental saber agir sob pressão nas condições presentes. Moltke ainda afirmava que para se conquistar a vitória, era imprescindível ter capacidade de colocar um exército armado superior ao do inimigo, antecipar-se ao seu desdobramento e envolvê-lo pelos flancos, visando a sua retaguarda.

Moltke instituiu a função principal do Estado-Maior através da coordenação e apoio logístico, que exigiria oficiais altamente habilitados e treinados para a exploração das novas técnicas e das ferrovias, tendo poderes para realizar interferências diretamente sobre os comandantes nas batalhas. Ele implementou novas medidas como o sistema de “diretivas gerais” no lugar da rigidez das “ordens de operação”, garantindo liberdade de ação aos subordinados e a dispersão dos exércitos durante os deslocamentos, para somente se agruparem na hora do combate, aumentando a rapidez destes deslocamentos.

Estes conceitos e ideias de Moltke foram colocados em prática na Guerra Franco-Prussiana e, somados a ação efetiva do Estado-Maior, propiciaram a vitória do Exército Prussiano. Através de esmerada organização e planejamento, houve a mobilização rapidamente de quase 400 mil homens do Exército Alemão para os lugares dos combates. Havia uma superioridade numérica das tropas, mas também superioridade logística e da artilharia quanto a sua organização e mobilidade.


Tropas francesas sob fogo da artilharia prussiana


Durante a Batalha de Wörth, por exemplo, o Exército Alemão envolveu e derrotou o flanco direito francês, porém com muitas baixas. Já nas batalhas sangrentas de Vionville e Gravelotte, não houve vencedores, e após a reorganização do exército por Moltke, abandonando a tripartição e dividindo o exército alemão em dois grupos iguais, ocorreu a vitória esmagadora e decisiva na batalha de Sedan, onde as tropas francesas foram cercadas na fronteira belga pelo fogo cerrado da artilharia, e pelo ataque das tropas de infantaria e cavalaria alemãs.

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sábado, 3 de novembro de 2012

BERLIM, CENÁRIO DE GUERRA

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Capital alemã foi invadida, destruída e dividida

Por Gustavo Heidrich

A região às margens do rio Spree, ao norte do Danúbio e rumo ao mar Báltico, sempre foi alvo de disputas e refregas. Os registros mais antigos dão conta da presença de populações vivendo da exploração das florestas e da caça, no século III a.C. Mas até o século I, o que se sabe dessas tribos é que eram boas de agricultura, de caça e de guerra. Os romanos, que não se arriscavam muito por ali, chamavam a região – que incluía as atuais Rússia e Ucrânia – de Germânia, conforme aparece nos mapas do historiador Cornélio Tácito.

De lá, muitas dessas tribos saíram, no século IV, para colocar fim ao império de Tacitus. Com a migração dos germânicos, a região foi ocupada por povos eslavos vindos do leste. O território somente voltaria às mãos germânicas no ano de 948, com Oto I, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, mas não por muito tempo. Em 983, os eslavos recuperaram o local, dominando-o por mais 150 anos.

Guerreiros germânicos que ajudaram a pôr fim ao Império Romano no século IV


No século XI, germânicos restabeleceram seu poderio, quando o guerreiro saxão Albrecht cristianizou os povos da região e tornou-se o primeiro duque de Brandemburgo. O primeiro documento histórico berlinense é de 1237 e fala sobre as povoações de Kolln e Berlim, situadas uma em cada margem do Spree. Em 1307, as duas localidades aliaram-se e constituíram uma só cidade: Berlim. Mas foi somente no século XV, com a intervenção do Sacro Império, que a cidade cresceu e se tornou sede da dinastia dos Hohenzollern, que a governaria por 500 anos.

A reforma protestante do século XVI dividiu o país, colocando-o na alça de mira das grandes potências da época – Suécia, Áustria, Dinamarca, Boêmia e França. Em nome da fé, católicos e protestantes travaram a Guerra dos Trinta Anos. Ao fim dos combates, em 1648, Berlim contabilizou seus prejuízos: um terço das casas fora destruído e 40% da população, morta. A Alemanha devastada tornou-se uma colcha de retalhos de 234 reinos, 51 cidades autônomas e um sem número de minirreinos, principalmente em sua porção ocidental. No leste, consolidaram-se Estados poderosos, como Baviera, Saxônia e Brandemburgo.

Em 1701, Brandemburgo uniu-se a territórios vizinhos e se proclama o reino da Prússia, com sede em Berlim. A cidade torna-se um pólo cultural, artístico e científico da Europa, rivalizando com Viena, na Áustria, pelo predomínio entre as cidades de língua germânica.

Em 1806, Napoleão derrota o exército prussiano e, como símbolo da vitória, leva para Paris a Quadriga, escultura que adornava o topo do Portão de Brandemburgo, construído em 1788 pelos prussianos. A invasão francesa e a natural reação a ela, no entanto, tiveram um efeito inesperado: unificaram os pequenos reinos do oeste sob influência prussiana.

A reação contra a invasão de Napoleão em 1806 fortaleceu a união entre os estados germânicos


A Prússia – e Berlim – se tornaria sede da revolução industrial na Alemanha. Em 1837 surge a primeira fábrica de locomotivas e, no ano seguinte, a primeira linha férrea ligando Berlim a Potsdam. Otto Von Bismarck, chanceler da Prússia, lidera o país em guerras contra a França, Áustria e Dinamarca, unifica as nações germânicas sob a liderança da Prússia e cria, em 1871, o Império Alemão. Berlim torna-se sua capital.

O novo império, no entanto, dura até 1918, quando, na Alemanha derrotada na 1ª Guerra Mundial, é proclamada a República de Weimar. As indenizações impostas pelos vencedores geram 450 mil desempregados em Berlim, resultado da hiperinflação que empobrece seus 4 milhões de habitantes. Em 1933, em meio à crise econômica, Adolf Hitler é eleito chanceler da Alemanha e conquista o apoio da maioria dos alemães. Berlim torna-se a capital do III Reich e a Alemanha mergulha na 2ª Guerra Mundial. Após seis anos de luta, entre abril e maio de 1945, os exércitos soviéticos invadem a cidade com 2,5 milhões de soldados, 6.300 carros de combate e 7.500 aviões, deixando a cidade praticamente destruída.

O Muro de Berlim, erguido pelos soviéticos em 1961, foi o símbolo da Guerra Fria na Europa


Com a queda do nazismo, a Alemanha é dividida em duas e Berlim é repartida entre os países vencedores da 2ª Guerra Mundial. Em 1961, um muro é erguido pelos soviéticos que, separando a cidade em dois territórios, é o símbolo da Guerra Fria entre soviéticos e norte-americanos. O muro foi derrubado em 1989 e a Alemanha reunificada no ano seguinte.

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domingo, 17 de julho de 2011

HELMUTH VON MOLTKE E O ESTADO-MAIOR PRUSSIANO





* 26/10/1800 – Parchim, Mecklemburgo

+ 24/04/1891 – Berlim, Alemanha


Helmuth Karl Bernhard Von Moltke, depois Conde Von Moltke, era mecklemburguês de nascimento, de família de tradicional nobreza que emigrara para o Holstein.


Início da vida militar

Após cursar a Escola de Cadetes de Copenhage, serviu no Exército Dinamarquês como oficial, de onde deu baixa em 1821 para ingressar no Exército da Prússia.

Em 1826 terminou brilhantemente o curso da Academia de Guerra Prussiana, onde se doutrinava Clausewitz. Sete anos depois, fazendo parte do Estado-Maior prussiano, viajou pelo sul da Alemanha e pelo norte da Itália. Licenciado em 1835, como capitão, viajou pela Europa Sul-Oriental, entrou em serviço na Turquia, conheceu os Dardanelos, o Bósforo, a Bulgária, a Romênia e outras regiões próximas dos estreitos. Como conselheiro militar do Exército Turco, conheceu outras regiões, incluindo o Eufrates.

Depois de haver participado da batalha de Nisif, na guerra contra o Egito, em 1839 voltou à Prússia e, no ano seguinte, já no posto de major, foi reincluído no Estado-Maior prussiano. Na oportunidade, já gozava de bom conceito de oficial inteligente e de grande capacidade de trabalho e publicou alguns trabalhos técnico-militares que lhe aumentaram a reputação.


Chefe do Estado-Maior prussiano

Após desempenhar alguns comandos e comissões militares, já promovido a major-general, ascende, em 1856, à chefia do grande Estado-Maior do Exército prussiano. Nessa época, Bismarck já dirigia a diplomacia prussiana.

Como chefe do Exército e amigo do rei da Prússia, Moltke, todavia, manteve-se à margem da política, nesta só influenciando em função dos interesses puramente militares.

Von Moltke fotografado em 1871, em pleno exercício da função de chefe do estado-Maior prussiano


À frente do Estado-Maior, deu continuidade ao trabalho iniciado por Scharnhorst e aplicou a doutrina clausewitziana. Tratou de aperfeiçoar o Exército Prussiano, juntamente com Roon, Ministro da Guerra, ambos assessorando o rei. Enfrentaram as dificuldades que lhes opôs o Parlamento e, para vencê-las, contaram com a ajuda de Bismarck.

Sob a direção de Moltke, o Estado-Maior realizou o seu papel precípuo: a preparação para a guerra, consubstanciada em planos de operações decorrentes dos planos de guerra traçados pela política de segurança nacional. Isso exigia que o Estado-Maior se mantivesse em dia com os fatores do poder nacional, tanto da Prússia, quanto de seus prováveis adversários. Além disso, o Estado-Maior preparava a execução dos planos elaborados.


Novas táticas e organizações

Como a marcha de um corpo de exército, com todos os seus meios, apresentava uma coluna muito profunda, exigindo seu acantonamento em uma grande área, o exército não podia marchar reunido. Moltke assumiu a paternidade da fórmula “marchar separados, mas combater reunidos” para os corpos de exército. A execução dessa fórmula seria facilitada pelo uso intensivo das estradas de ferro.

O planejamento militar tal como era concebido pelo Estado-Maior de Moltke partia das hipóteses de guerra concebidas pela política de defesa nacional e compreendia: o plano de mobilização, o plano de concentração, o plano de transporte e o plano de operações. Assim, a preparação para a guerra era feita com antecedência, atentando para os mínimos detalhes, e esse planejamento precisava ser constantemente atualizado para atender às modificações indicadas pela política de segurança nacional.


Oficiais de estado-maior prussianos realizando reconhecimento para prepar um plano de operações


Surgia daí, pela primeira vez, o verdadeiro Serviço de Estado-Maior, o qual, no caso prussiano, era integrado por oficiais competentes, imbuídos de uma doutrina e em consonância com o pensamento de seu chefe: Moltke.

A amplitude dos efetivos impôs a criação dos exércitos de campanha. Moltke, verificando que na guerra moderna o comandante-em-chefe somente devia dirigir e coordenar o plano estratégico, conferia aos seus comandantes de exército grande liberdade tática, que os marechais de Napoleão jamais conheceram.


O resultado

Com um exército bem preparado e planos estabelecidos minuciosamente, a Prússia obteve a vitória nas guerras Austro-Prussiana (1864-1866) e Franco-Prussiana (1870-1871), todas de objetivos limitados e adequados aos meios disponíveis, impostos por Bismarck e conduzidas por Moltke.


Fonte: Texto adaptado da obra A Arte da Guerra, de Francisco Ruas Santos.




sexta-feira, 27 de maio de 2011

GUERRA FRANCO-PRUSSIANA - CAUSAS

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No dia 19 de setembro de 1870, o cerco das tropas alemãs a Paris, marcou o início do fim da guerra de Bismarck contra Napoleão III.

O fato que conduziu diretamente ao irrompimento da Guerra Franco-prussiana de 1870 foi a candidatura do príncipe Leopoldo von Hohenzollern-Sigmaringen, um parente distante do rei prussiano Guilherme I, ao trono espanhol, que havia ficado vago após a revolução de 1868.

Embora sem o consentimento de Guilherme I, o então chefe de governo da Prússia, Otto von Bismarck, convenceu Leopoldo de que o trono espanhol deveria ser ocupado por alguém da dinastia Hohenzollern. Já a França, governada por Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, foi contra, por temer um desequilíbrio de poder na Europa em favor dos alemães.


Num gesto extremo, Paris ameaçou a Prússia com guerra, caso não retirasse o apoio ao candidato ao trono espanhol. A pressão de Guilherme I cresceu, a ponto de Leopoldo desistir oficialmente. Mas Napoleão III, que pretendia ver a Prússia humilhada, exigiu do soberano alemão um pedido oficial de desculpas e, acima de tudo, a garantia de que também no futuro a dinastia Hohenzollern não ambicionaria o trono espanhol.

Esta exigência foi manipulada por Bismarck para ser entendida como um ultimato da França. Ele não só acreditava que seu país estivesse preparado para um conflito armado; apostava, também, no efeito psicológico que uma declaração de guerra contra a Prússia teria nos países vizinhos. Contando com a solidariedade dos países de idioma alemão, estaria praticamente atingida a meta da unificação (que desembocaria no II Reich).


Vizinhos do sul aliaram-se à Prússia

A guerra foi declarada pela França a 19 de julho de 1870 e, imediatamente, a Alemanha e seus vizinhos sulinos uniram-se numa frente contra Napoleão III e suas tropas. O Império Áustro-Húngaro, a Rússia, a Itália e a Inglaterra preferiram manter a neutralidade. Enquanto as tropas alemãs, do comandante-em-chefe conde Helmuth von Moltke, dispunham de 400 mil soldados, os franceses conseguiram mobilizar apenas 200 mil.

A primeira batalha, a 2 de agosto, em Saarbrücken, foi vencida pela França. Quatro dias depois, entretanto, o país sofria a primeira derrota. As seguintes seriam em Vionville (15 de agosto), Gravelotte (18) e Beaumont (30/08).

A batalha decisiva foi iniciada na manhã de 1º de setembro, em Sedan. Napoleão chegou ao campo de batalha na tarde do mesmo dia e assumiu o comando militar. Ao conscientizar-se da situação desoladora, ordenou que fosse içada a bandeira branca. Na mesma noite, foi negociada a capitulação e a prisão de Napoleão e 83 mil soldados franceses.

Quando esta notícia chegou a Paris, houve uma rápida rebelião, a Assembléia Constituinte foi dissolvida e, a 4 de setembro, proclamada a República Francesa. No dia 19 de setembro de 1870, as tropas alemãs cercaram Paris. Nos conflitos que se seguiram, comandados pelo governo da resistência, em Tours, os franceses foram derrotados pelos prussianos. Os sérios problemas de abastecimento e a forma rudimentar com que a população civil tentava evitar a tomada da capital apressaram a capitulação, a 19 de janeiro de 1871.

Um dia antes, Guilherme I havia sido coroado imperador alemão no Palácio de Versalhes, selando o objetivo de Bismarck, de uma grande potência alemã. A capitulação formal de Paris e o armistício aconteceram a 28 de janeiro de 1871. Seguiram-se a composição da Assembléia Nacional francesa e a constituição da Terceira República. O acordo de paz foi selado em Frankfurt, a 10 de maio de 1871. Como reparação de guerra, a França abdicou da Alsácia  e foi forçada a pagar uma alta soma em dinheiro.


 
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

A UNIFICAÇÃO DA ALEMANHA


A contra-revolução, articulada pelos setores reacionários tanto da Áustria quanto da Prússia e da Itália, esmagou temporariamente as manifestações em favor das unificações alemã e italiana.

No caso da Alemanha, o desenvolvimento industrial da região e o crescimento dos Estados alemães encontravam obstáculos para seu avanço na fragmentação política. Para a indústria, a unificação significava um mercado de grandes dimensões, capaz de sustentar seu desenvolvimento e de garantir a proteção governamental contra a concorrência inglesa. Alguns setores da aristocracia sonhava com a construção de um poderoso Império Alemão, governado por uma casa imperial forte. Outros setores, no entanto, temiam perder seus poderes locais, no caso de uma unificação.

Frustrada a tentativa de unificação pela revolução, a única saída era que a Prússia, o mais poderoso Estado germânico, liderasse um processo de unificação sob a coroa de um monarca prussiano.


Em 1834, sob a liderança do governo prussiano, havia se formado o Zollverein (União Aduaneira, com a participação dos vários Estados alemães, exceto a Áustria), unificando o mercado de vários Estados alemães. Beneficiadas por essa ampliação de mercado, as indústrias prussianas tiveram um período de grande crescimento e desenvolvimento. Na década de 1860, surgiram os primeiros grandes centros urbanos-industriais alemães.

Com a morte de Frederico Guilherme IV, subiu ao trono da Prússia Guilherme I, que nomeou como primeiro-ministro Otto von Bismarck, o grande artífice da unificação alemã. Bismarck, membro da aristocracia prussiana, era um político conservador, partidário de um regime monárquico forte e concentrado nas mãos do rei.

Sua política interna tinha dois objetivos: a unificação do território alemão por uma extensa rede ferroviária que pusesse em contato direto todas as regiões de um futuro império e a modernização do exército. A frase de Bismarck pode resumir o espírito de seu projeto: a unificação da Alemanha será feita a ferro e sangue.
Esses objetivos favoreceram o desenvolvimento industrial da Prússia, já que as estradas de ferro e o novo armamento do Exército constituíram formidável mercado consumidor para as indústrias siderúrgicas e metalúrgicas alemãs.

Para conseguir a unificação da Alemanha sob a autoridade do rei da Prússia, Bismarck se aproveitou das rivalidades existentes entre as grandes potências da Europa: a Inglaterra e a Rússia. Em 1864, aliou-se à Áustria numa guerra contra os dinamarqueses que dominavam os ducados de Holstein e Schleswig, no norte da Alemanha. Schleswig passou para o domínio da Prússia e Holstein ficou com a Áustria.

Em 1866, o Exército prussiano avançou sobre Holstein. A Áustria estava envolvida numa guerra contra o reino do Piemonte, na Itália, e preocupada com uma iminente insurreição húngara. Por isso assinou uma paz desvantajosa, dando à Prússia o controle de todos os territórios do norte da Alemanha.

Essa guerra contra a Áustria também consolidou a autoridade da Prússia sobre os territórios do norte da Alemanha que haviam participado da guerra. Em 1867 a Prússia criou a Confederação Germânica do Norte, cujos Estados membros aceitaram a autoridade do rei da Prússia.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

IMAGEM DO DIA - 23/9/2009


Proclamação do Império Alemão no Palácio de Versalhes em 1871. A figura central, de branco, é Otto von Bismarck.

sexta-feira, 20 de março de 2009

PERSONAGENS DA HISTÓRIA MILITAR - OTTO VON BISMARCK



* 1815, Schönhäusen-Prússia

02/08/1898, Friedrichruh- Prússia


Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube a ele lançar as bases do Segundo Império, ou II Reich (1871-1918), que levou os países germânicos a conhecerem, pela primeira vez em sua história, a existência de um Estado nacional único. Para consolidar a unidade alemã Bismarck desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força.

Em 1862 Bismarck foi nomeado primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros de Guilherme I, rei da Prússia. Logo percebeu o equívoco dos conservadores alemães em deixarem a causa da unificação alemã aos liberais e aos democratas.

A aliança de todos os alemães em um só regime, vivendo num país integrado, estava desacreditada desde o fracasso da Revolução dos Poetas na assembléia nacional de Frankfurt, fechada em 1849. Bismarck reergueu aquele ideal recorrendo à política que alternava "entre o chicote e o pão-doce", lançando mão da guerra e das negociações diplomáticas, conforme a sua estratégia determinava.

Quando morreu o rei da Dinamarca, Frederico VII (1863), entrou em questão a sucessão dos ducados de Schleswig-Holstein. Bismarck articulou para levar a Áustria a uma guerra contra a Dinamarca, na qual foi vencida. Em 1865, foi organizada uma administração austro-prussiana nos dois ducados e Lauenburg foi anexado à Prússia. Bismarck recebeu o título de conde.

Aproveitando as discórdias entre Berlim e Viena Bismarck levou as negociações ao campo de batalha. Isolou a Áustria e convenceu a França e a Itália a ficarem do seu lado. Com a vitória na batalha de Sadowa (1866), a Prússia anexou diversos territórios e formou a Confederação da Alemanha do Norte. Pouco depois Bismarck se voltou contra os exércitos franceses de Napoleão III e, em janeiro de 1871, no Palácio de Versalhes, foi proclamado o Segundo Império Alemão.

Bismarck foi nomeado chanceler e recebeu o título de príncipe. Meses mais tarde a Alemanha anexou a Alsácia e Lorena - territórios que estarão em litígio entre a França e a Alemanha até a Segunda Guerra Mundial. Entre 1870 e 1890, Bismarck dominou a política internacional européia. Seu sistema se baseava na aliança Alemanha-Áustria-Rússia e no isolamento da França.

Em 1883, formou-se a tripla aliança entre a Alemanha, Áustria e Itália. Em 1887, a Alemanha assinou um pacto de amizade com a Rússia. Após um breve reinado de Frederico III, o poder ficou nas mãos de Guilherme II que, com um projeto de legislação social, desentendeu-se com o chanceler e o constrangeu à renúncia.

O chanceler de ferro recolheu-se à propriedade da família na Prússia, onde morreu aos 83 anos, em 1898, após escrever suas memórias intituladas "Pensamentos e Recordações".

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